domingo, 15 de setembro de 2013

Covilhã - Memoralistas ou Monografistas II

Retomamos hoje os monografistas da Covilhã, começando com algumas reflexões de Luiz Fernando Carvalho Dias já publicadas neste blogue. Em seguida iniciamos a apresentação da Memória da Covilhã de João Macedo Pereira Forjaz, já publicada por Carvalho Dias na sua obra: "História dos Lanifícios (1750-1834).(a)

“Convém enumerar os autores de monografias da Covilhã, os cabouqueiros da história local, aqueles de quem mais ou menos recebi o encargo de continuá-la, render-lhes homenagem pelo que registaram para o futuro, dos altos e baixos da Covilhã, das suas origens, das horas de glória e das lágrimas, dos feitos heróicos e de generosidade e até das misérias dos seus filhos, de tudo aquilo que constitui hoje o escrínio histórico deste organismo vivo que é a cidade, constituído actualmente por todos nós, como ontem foi pelos nossos avós e amanhã será pelos nossos filhos.” […]
[…] O século XIX abre com o trabalho do luso-brasileiro, oriundo da Covilhã, Dr. João António de Carvalho Rodrigues da Silva sobre a indústria dos lanifícios. Tivemos oportunidade de publicar uma segunda edição deste curioso estudo na revista “Lanifícios”, no ano de 1955 (b). Continua a série com a memória do Dr. João de Macedo Pereira Forjaz, bastante documentada.”(c)

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"Esta Memória da Covilhã e da sua indústria, da auto­ria de João Macedo Pereira Forjaz foi escrita para a Aca­demia Real das Ciências de Lisboa. Como instrue a notícia manuscrita que a antecede, subscrita pelo Dr. António Mendes Alçada de Morais, que no-la transmitiu, não está completa, embora o pareça, e o seu autor teria sido advogado, segundo a mesma fonte.
Cumpre esclarecer que não encontrámos, no fundo da Biblioteca da Academia das Ciências rasto desta Me­mória, pois não deve ter chegado a entrar na referida instituição; do autor também não achámos qualquer refe­rência no arquivo da Universidade de Coimbra; assim haverá, que rever a hipótese da profissão que lhe foi atri­buída. (1)
Devemos a gentileza desta cópia ao Dr. Luiz Filipe da Fonseca Morais Alçada.
O Dr. António Alçada, como era mais conhecido, nota­bilizou-se como advogado e jurista: escrevia elegantemente e deixou inéditos um livro de versos e um romance incom­pleto cujo enredo decorre na Roma dos Césares. Publicou além de várias minutas de recurso para os tribunais superiores, uma pequena Memória da Covilhã, sua terra natal, como representação da cidade, nos pri­meiros anos da república, destinada a conseguir uma pro­moção a capital de distrito.
Como seu tio, Dr. Valério Nunes de Morais, também o Dr. António Alçada foi jornalista de mérito.
No capítulo da sua actividade jornalística cabe referir não só alguns estudos de história da cidade, publicados na peugada do seu referido tio ou em colaboração com ele, mas também outros, que, sob o pseudónimo de Diogo Nu­nes, dedicou à divulgação dos progressos industriais, ins­pirado em revistas técnicas estrangeiras, o que representa uma contribuição meritória à formação técnica da cidade que lhe foi berço." (d)

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Este manuscrito é devido à pena do eminente advo­gado da vila da Covilhã, Dr. João de Macedo Pereira For­jaz, que o fez para concorrer como candidato à Academia Real das Ciências de Lisboa.
Não chegou a concluí-lo. Parece aliás, concluído.
Esta cópia foi textualmente extraída, sem nada alte­rar do manuscrito existente na biblioteca do Ex.o Se­nhor Dr. Manuel José Gonçalves dos Santos Gascão, con­servando-se a própria ortografia.
Esta cópia foi tirada em 1905 por António Mendes Alçada de Morais e pertence-lhe. (e)

Descrição Analítica e Económica da Notável vi1la da Covilhã, do seu antigo, e grande distrito, e da famigerada Serra d'Estrela, acompanhada de notas e peças justificativa.

CAPITULO I

Tendo Julio César concluído a conquista da Lusitania, pela célebre batalha dos Erminios, Silio, um dos seus mais principais capitães, fundou 41 anos antes de Cristo, a notável vila da Covilhã, dando-lhe o nome de Sília Erminia, ou Erminia; e chegando a ser municipio romano, e a lograr os creditos de dominar as povoações do seu dilatado distrito, subsistiu assim até o tempo do Imperador Nerva, que imperou em 91, em cujo tempo se diminuiu a sua antiga grandeza, por causa de uma grande peste que houve nesta vila, e assim permaneceu até a entrada dos Godos em Espanha.
Depois governando Ataces, primeiro rei dos Alanos, a dominou com a maior parte das terras da Lusitania, sempre com as mesmas proeminências.
Em 400, sendo rei de Espanha Witiza, penúltimo Rei dos Godos, a deu ao Conde D. Julião, em recompensa de serviços, e por ser casado com Fran­dina, irmã de Witiza, dos quais nasceu aquela celebrada Florinda, origem e perdição de Espanha, e do ultimo infeliz rei godo D. Rodrigo, apelidado portanto Julia Cava, ou Cava Ju1iani, hoje Covi1ham; e neste tempo foi destruida pelos mouros, e sujeita às suas desolações, pela sua entrada.
Em 718 do nascimento de Cristo estava dominada pelo mouro Aliboacem, a quem foi tomada pelo invicto D. Afonso Catolico, rei de Castela, com muitas outras terras, mas em grande diminuição da sua antiga grandeza.
A sua principal fundação, foi no plano de fundo da Serra de Estrela, sitio menos saudável, de que ainda há vestigios, como são os restos do convento velho de S. Francisco, junto da Igreja de S. Lazaro e esta mesma igreja.
Em 1027, no tempo do rei D. Femando de Espanha, denominado o Impe­rador, foi mudada a dita Vila para onde existe, que é nas faldas da dita Serra de Estrela, para a parte do Norte, sitio tão eminente como jocundo, e por isso mais saudavel (1).
No ano de ll86, diz Moreri, que D. Sancho 1º de Portugal a povoava novamente, a ampliava, e a circundara de muros, dando-lhe grandes privi­legios, em particular, que seus cavaleiros lograssem a preeminencia de infan­ções, e que qualquer escravo morador nela por um ano ficasse livre, e seus descendentes habilitados para todas as honras (2). O mesmo rei passado treze anos a deu a Raimundo Pais em premio de serviços, que lhe tinha feito, contando alem deste, e do conde D. Julião, dois unicos senhores, que foram o senhor rei D. Diniz e o infante D. Luiz (3).
Sendo, pois, esta vila tão antiga, o Cartorio da Camara não tem papeis anteriores ao Reinado do Senhor D. Diniz, verificando-se o mesmo nos mais cartorios, o que se pode atribuir a um grande levantamento da popu­laça que a1i houve em Novembro de 1637, em que arrombaram as portas, queimaram os papeis e livros do cartorio da mesma Camara. e de muitos outros (4). E por isto não existe o primeiro Foral, que 1he deu o senhor D. Sancho o 1º, nem mesmo o segundo, dado em Santarem pelo senhor rei D. Manuel, no primeiro de Junho de 1510, onde este senhor, rateficando o primeiro foral, determina fosse sempre aquela vila da coroa, e se não desse a pessoa a1guma particular, motivo porque não posso, como desejava, dar nesta minha memo­ria uma copia dos sobreditos Forais.

Foral Novo da Covilhã (f)
Arranjo gráfico do Prof. António E. Lopes (f)

CAPITULO II

Dos vizinhos que antigamente tinha a Covilhã, dos que hoje compreende, dos seus conventos, freguesias e capelas.

Nos tempos antigos, segundo afirmam alguns autores, compreendia a mencionada Vila, 1500 vizinhos, com 13 freguesias, dois conventos de frades, um de Sto Antonio, outros de S. Francisco, fundação dos padres Gualter e Zacarias, que o mesmo S. Francisco mandou a Espanha em 1217, e 360 lugares de jurisdição, e voto em Cortes (5).
O primeiro destes conventos está situado fora da Vila, num lugar elevado, e fronteiro à mesma; é hoje uma das melhores casas que tem a Provincia da Soledade, de quem é padroeiro S. A. R., pela aceitação que fez o Senhor D. João 5.º.
O segundo é mais antigo, por ser já convento no tempo da antiga Covilhã, donde foi mudado para onde existe em 1322, no Reinado de senhor D. Diniz, o que se evidencia de uma obra que se fez no dito convento em 1596 e constar duma inscrição que na mesma se encontrou, que havia mais de 274 anos, que se tinha fundado verificando-se também o mesmo, d'um pergaminho do arquivo do dito convento, feito no Reinado do sobredito senhor em 1321, aos sete de Maio em que os religiosos fizeram um escambo, com Martim Anes, que lhes deu a agua que nascia na sua caza, sita sobre o adro de S. Salvador.
Os 1500 vizinhos que os mesmos autores dizem compreendia esta Vila nos tempos antigos se reduzem hoje a 1.000, repartidos em 13 freguesias, que eles mencionam que são dez Priorados e duas vigararias, e um curato de Malta.

Padroado Real.

1ª - A freguesia de Sta Maria do Castelo, que compreende tudo o que está de muros adentro e consta de 300 fogos. Antigamente foi priorado, e hoje vigararia da Comenda da Ordem de Cristo, por ter sido igreja dos Templários (6).
2.a - A freguesia de S. Bartolomeu, que está tambem redusida a viga­raria por ser pertencente à Comenda da Ordem de Cristo, e em outros tempos tambem igreja dos Templarios.

Priorados do Padroado Real.

3º -A freguesia de S. Paulo (7).
4º - A freguesia de Stª Marinha.
5º - A freguesia de S. Vicente.

Priorados apresentados pelo Bispo da Guarda.

6º - A freguesia de Santa Maria Madalena, de que foram em outros tempos padroeiros os Tavares da Covilhã.
7º - A freguesia de S. Tiago. (8).
8º -A freguesia de S. Silvestre, que foi fundada, dotada e apresentada, assim como a de Stª Maria de Peraboa., do termo da mesma Vila, pela casa dos Macedos Feos da Covilhã, sendo o ultimo parroco da sua apresen­tação, na primeira, André Feo de Castelo branco, como consta dos Livros da Camara Eclesiastica da Guarda, de autenticos documentos que se acham em poder do seu descendente João de Macedo Pereira da Guerra Forjaz, da dita Vila, Fidalgo cavaleiro da Casa de S. Mag.e I. e R. padroeiro do Priorado de S. Lourenço da dita Vila, com apresentação do mesmo priorado, e socio da Real Academia das Ciencias de Lisboa, Administrador da mencionada casa e seus morgados, e da de Monforte da Beira (9), e se manifesta tambem do epitafio da sepultura do dito prior, na Igreja de S. Pedro da mesma Vila, onde tem as suas armas, e as mesmas na Capela de S. Gonçalo, que está na referida Igreja, pertencente aos ditos primeiros morgados, a cujo administra­dor pertence sem duvida a apresentação daquelas Igrejas por ser o seu legi­timo padroeiro.
9º - A freguesia de S. Salvador.
10º - A freguesia de S. Martinho.
11º - A freguesia de S. Pedro, que é priorado apresentado pelo cabido da Guarda.
12º - A freguesia de S. João de Martir in collo, priorado apresentado pelo prior dos Conegos Regrantes do Colegio novo de Coimbra.
13º - A freguesia de S. João de Malta, que é curato, apresentado pelo Comendador da Comenda.

Tinha mais a mesma Vila, nos tempos antigos tres paroquias; a 1ª de S. Miguel (10) reduzida hoje a Beneficio simples, de colação ordinaria, por não ter fregueses. 2 ª a de S. Lourenço de quem hoje é padroeiro o Dr. João de Macedo Pereira da Guerra Forjaz, tambem não tem fregueses, e por isso está reduzida, assim como a sobredita, a Beneficio simples, de co1ação ordi­naria, a qual foi ultimamente apresentada, pelo mencionado padroeiro, no Revº.do Joaquim Pedro Pelote, do lugar de Monforte, que foi colado em 22 de Agosto de 1815. 3 ª A de Stº André, que nos tempos antigos era parroquia das principais daquela Vila e hoje está de todo extinta, tendo-se portanto aplicado os seus rendimentos à Igreja do lugar da Boudobra, pouco distante da mesma Vila, que pertence às Freiras de Lorvão da ordem de S. Bernardo.
Alem destas igrejas, tem esta Vila duas capelas na freguesia de Stª Maria, uma particular, a que chamam de Stº Agostinho, pertencente às casas que foram dos antigos Teles e Esas, daquela Vila, progenitores do dito João de Macedo Pereira da Guerra Forjaz, os quaes tiveram couto para omeziados, até ao ano de 1691, como consta dos Livros da Camara da mesma Vila, em cujo ano foram proibidos pelo senhor Rei D. Pedro 2º  (13 de Setembro de 1691. Nota do Dr. Valerio Nunes de Morais).
A outra da Senhora do Rosario, a qual já era capela com irmandade em 1580, o que consta de uma doação que fez a esta Senhora Pedro Pacheco e sua mulher Izabel de Abreu, duns assentos de casas, com a sua pedraria e 60 000 reis para a obra da dita capela, e caso que se fizesse o mosteiro de freiras, que se intentava fazer nelas, lhe doavam tambem as casas em que viviam, com seus quintais (11).

Tem tambem seis ermidas fora da Vila, a:
1 ª de Stª Cruz, de que já falámos, que tem uma grande e rica irmandade.
2 ª A de S. Sebastião.
3º A do Bom Jesus, todas para a parte da Serra.
4º A de S. Lazaro (12) de que já tambem falámos, que está demolida, e foi antigamente Hospital de Leprozos; jaz ao fundo da Serra, e como já se disse onde foi a antiga Covilhã; o seu tombo foi renovado, sendo Juiz de Fora da dita Vila Rui Caldeira, em 7 de Novembro de 1500; consta dele, entre muitas fazendas que tem, a que transcrevo, para demonstração e prova do sitio e lugar da antiga vila:
«Um serrado grande de olival, junto com a dita gafaria, serrado ao redor com paredes, que parte pelo caminho que vem da Vila, por diante da parte do serrado de S. Francisco do Convento Velho, pelo rego da agua, até ao caminho da Dorna, que vem da mesma vila, e daí, com uma propriedade do Prior de S. Tiago, e dai a cerrar com um caminho que vem da Vila por S. Francisco o velho paga de foro 47 riaes.» 
5º A do Senhor da Ribeira, que foi em outro tempo mui:frequentada de Romeiros da Vila e termo.
A Igreja da Mizericordia é uma das melhores que ha na Covilhã; tem hospital unido à mesma Igreja, com sua Casa de Despacho, onde tem todos os titulos e Livros precisos para a sua boa administração; mas o hospital não está bem construído, e o 1ugar é improprio para ele; os doenttes são mal tratados, e sem o conveniente aceio, não obstante ter a mesma Miseri­cordia quatro mil cruzados de renda, que é constituida em foros, e juros de dinheiro; tem capelão e hospitaleiro, a quem pagam das mesmas rendas; tem uma grande Irmandade, que teve principio no reinado do Senhor D. João 2.°, e é de protecção Real.
Antigamente, nos tempos que temos falado, teve esta Vila Gueto ou Judia­ria, que estava no meio da mesma Vila, e tinha dez portas, que vinham para a Cristandade, e algumas sobre os adros das igrejas, do que se seguiram graves inconvenientes, contrarios ao serviço de Deus, mandou, por tanto, o Senhor D. Afonso 5º em 1468 ao ouvidor da Comarca, que fosse logo à dita vila e que mandasse fechar as ditas portas, principalmente as que estavam sobre os adros e as que lhe parecessem mais escusadas, e desnecessa­rias, e que não deixasse mais de cinco para serventia do referido lugar, o que assim se praticou, evitando-se deste modo os perpetrados delitos.
À vista, pois, do que temos exposto, e dos bons ares desta Vila parece deveria ser bastante saudável mas não é assim, porque grassam repetidas vezes podres, e outras queixas semellhantes, o que procede, sem duvida, do pouco asseio que tem nas casas, com o trato da lã, e do mau cheiro desta, da pouca limpeza dos mesmos operarios, porque muitos deles poucas vezes mudam de vestido, e ainda das ruas, que nunca são limpas, dos cheiros das tintas, e sobretudo do mau alimento de que ordinariamente se nutrem, porque as sardinhas, e ruim carne, e o ordinario manjar destas gentes, e por isso seria para desejar se ve1asse mais na saude de um povo, que é e podia ser muito mais util ao Reino e conquistas.
Tem esta vila em si muitas e boas fontes, e tambem agua que lhe vem encanada da Serra, com que regam os quintais, e poderia ser mais, se se fizesse uma grande obra, que há anos se projectou, que era meter toda a agua das sete fontes na dita vila, para o que faltavam já bem poucos canos; concluida esta obra, teriam todos os quintais, e ainda os olivais ime­diatos a agua necessaria, e seriam lavados das ruas as imundicies que infeccionam o ar, purificando - o dos miasmas, que tanto prejudicam a saude dos moradores da mencionada Vila e haveria mais vegetais com que se pudessem alimentar aqueles, que poucas vezes os usam, o que tambem concorre para as sobreditas molestias, e por conseguinte para o da população.

CAPÍTULO III

Das fábricas da sobredita Vila e o modo de melhorá-las.

Em razão da grande abundância de águas, que tem esta Vila e das duas grandes ribeiras que a circundam, em que também há muitas azenhas e moí­nhos de moer centeio, trigo e milho se tem conservado sempre nela uma grande fábrica de panos, baetas e outras drogas, sendo em todo o tempo a melhor do Reino de sorte que em 1573 o Senhor Rei D. Sebastião (13) mandou fazer na mesma vila os padrões para se repartirem por Portalegre, Estremoz e mais fábricas do reino, e que se posessem na Câmara as certi­dões em boa guarda, que lhe mandassem das mesmas fábricas, sobre a entrega dos ditos padrões, como consta do Capítulo 8º do Regimento dos Panos, que se aditou em 1690, e assim sempre esta Fábrica foi a principal do Reino.
O Conde da Ericeira passou uma ordem, no idioma inglês, a qual tra­duziu em vulgar Frei Patricio de S. Tomas, em cuja ordem mandava, que os ingleses que estavam trabalhando na Covilhã, nas fábricas dos panos finos, que não tirassem os salários, no tempo do contrato, mas também depois, e que ensinassem os naturais que quisessem aprender, o que tudo determina em seu nome, e de S. A. em 28 de Novembro de 1673. Esta ordem registada a fls 3 do Livro dos Registos de 1677 (14).
O Senhor D. José de gloriosa memória, mandou fazer em 1761 o grande edifício que hoje se admira, para a nova fábrica, que fez estabelecer na mesma Vila, enriquecendo-a de todos os trastes precisos, para se manufacturarem e tingirem toda a qualidade dos panos, criando logo o lugar de Conservador, e Deputados, para a sua administração, dirigindo-lhes pelo seu Ministro e Secretário de Estado a Carta seguinte:
Vozes da Carta
«Procurando a Junta do Comércio deste Reinos e seus domínios, o aumento e perfeição das fábricas neles estabelecidas, ajustou com aprovação de S. Magestade, a benefício das manufacturas, e teares dessa Vila, um mestre tintureiro, um tosador, e um prensador, um tecelão de panos, e baetas, e outro de saetas e serafinas, e outras drogas, todos três de nação inglesa, na bem fundada esperança de que com esta nova forma de manu­facturas, se haja de conseguir a pretendida perfeição: mas como poderá haver suas contradições e desvios, a que a sobredita Junta não poderá ocorrer com as providências precisas, sem que lhe seja presente toda a dúvida que houver.
É o mesmo Senhor servido que a Junta da Administracão comunique à do Comércio destes Reinos e seus domínios todas as novidades que ocorressem sobre esta matéria, a fim de que se observem, e possam conc1uir as disposições que se tem principiado a favor da utilidade pública ao dito respeito.
      Deus guarde V. Mercês.
      N. Senhora da Ajuda a 29 de Julho de 1761.

Senhor Juiz Conservador e Deputados da Junta da Administração da Fábrica dos Panos da Covilhã e seu termo.
Conde de Oeiras»

Para cujo fim se passaram quatro provimentos: um para Bernardo Rodrigues, espanhol, mestre tintureiro de baetas panos e cousas de lã, com 800 reis por dia, e pelos aprendizes que ensinar 48.000 reis.
Outro para Jorge Dixar, inglês, mestre tozador, e prensor de panos, baetas e outras cousas de lã, com 600 reis por dia, e pelos aprendizes que ensinar 36.000 reis.
Outro para Henrique Benford, mestre tece1ão, inglês, para panos e baetas com 600 reis por dia, e pelos aprendizes que ensinar 36.000 reis.
Outro para Tomas Cerd, inglês, mestre tecelão de serafinas, saetas e outras drogas, com 300 reis por dia, e pelos aprendizes que ensinar 30.000 reis, mas isto depois de ensinados, tendo também o lucro que ajustassem com os fabricantes de panos.
Chegando, pois, esta fábrica a um grande auge, se viu inteiramente decadente, logo que passou a ser administrada por conta dos arrematantes, estado em que será forçoso continue, enquanto S. A. R. a não fizer administrar por sua conta, assim como o fardamento das tropas, porque só então se poderá ocorrer às causas, que motivam a sua decadência e dos fabricantes de panos da dita Vila, e artistas da mesma; fazendo-se também escolha de uns Administradores de probidade, que tenham em que subsistir e, que não sejam como até agora, mercenários; e de um Juiz Conservador rico, sábio e recto se lhes não una, fazendo em tudo o seu dever; mandando-se vir mestres da Inglaterra ou doutros países que acabem de ensinar o modo de fazer panos, baetões, etc. em tudo semelhantes aos da mesma Inglaterra, o que até agora não tem podido executar (15).
Concorreria também muito para aumento das fábricas das mencionadas Vilas, e de todo o Reino, o levar os seus tintes à última perfeição, para o que cumpre fomentar o estudo da química, com as suas competentes escolas e laboratórios, nos mesmos lugares das Fábricas porque sem este estudo, que indispensávelmente se deverá exigir dos aprendizes, jamais se chegará ao desejado fim.
O curso de Lameri, traduzido por Palácios, não é bastante; mais com­pletos são os de Maker, e Baume; o escritor deste tratado publicou em Paris um curso químico técnico e prático, em três tomos, em 8.°, e é também autor do Dicionário Quimico, porque se faz bem recomendável, e digno de estima.
Tais são, sem dúvida os únicos remédios, que se podem e devem aplicar ao amortecimento das Reais Fábricas da Covilhã, Fundão e Portalegre, porque de contrário irão sempre em decadêncila, a tropa não vestirá um bom pano, o fabricante e artista desanimarão, à vista dos grandes monopólios e extorsões de todo o género, que até agora se tem praticado e sairão para fora do Reino muitos milhões, que repartidos no mesmo, farão prosperar o Estado, o Comércio interior e exterior, a mesma agricultura, e por conse­quência a população, sem que nos vejamos precisados a ir mendigar o vestido, e sustentar a outros países que não seja o nosso.
As fábricas particulares se acham no mesmo estado, porque além da penosa catástrofe da guerra, como não têm estimulo, nem são capazes de novas operações, têm sempre seguido servilmente o que viram praticar, e por ísso enquanto a parte principal estiver enferma, o corpo forçosamente há-de padecer. (16)
No Juizo da Conservatória da mesma Vila se tem estabelecido muitos bons regulamentos para acautelar desde o primeiro até ao último artísta, e mesmo os criadores de gado, de todo o roubo e fraude que possa praticar, mas com tudo isto, se praticam incessantemente, porque não há cousa em que se possa furtar tanto, como na lã. (17).

Notas:
1) Veja-se sobre o expendido o autor antigo, intitulado Antiga poblacion d'España que assevera o mesmo que acabamos de expor.
2) Estes privilégios, foros, escritos, uzos, e costumes foram depois confirmados pelo senhor rei D. Diniz, quando esteve na dita vila, deixando na mesma uma carta em que dizia que os juizes e concelho da mesma Vila lhe derão carne, pão, vinho, e outras cousas mais, não por foro, nem por serviço; e lhes deu esta carta, para que os Reis seus sucessores, o não tivessem por tal, foi feita, como consta do cartorio da Camara da sobredita Vila, em 22 de Dezembro de 1319. O senhor rei D. Manuel em 1497, estando em Evora, man­dou que se observassem estes Privi1egios, e lhos confirmou e uma sentença dada em Vizeu sobre a mesma materia em 1453.
Pelo senhor infante D. Henrique foram também confirmados estes privilegios, o que fez igualmente Filipe 1º em 1580. Consta tudo como já disse, do mencionado Cartorio.
3) Este infante que foi filho do senhor rei D. Manuel, assistiu na Covilhã, e lhe deu para credito seu uma magnifica porção do S. Lenho, que tem quase um palmo, que pelo roubo, que se fez desta preciosa relíquia, na Capela de St.a Cruz, onde estava, e depois pela sua milagrosa aparição, que se vert­ficou entre uns matos, junto do Rio Zezere, em 1548, e por outras maravilhas mais, constantes na referida Vila, se venera como verdadeiro na Igreja de St.a Maria da mesma Vila, para onde depois do roubo, foi conduzida, com toda a solenidade, tendo ali sacrario separado, na Capela do Sacramento, com varias chaves, para se evitarem novos roubos, a que se abalançou depois do primeiro, um cura da referida Igreja, cujas chaves costumam ter o parroco, magistrados e outras pessoas condecoradas. Tem uma grande e rica Irmandade, composta somente de moços solteiros, os quais lhe fazem todos os anos uma grande festa, com todas as solenidades, e no dia de Sta Cruz de Maio se faz procissão com a mesma reliquia, que vai de manhã a Sta Cruz, e em recolhendo se dá de tarde a beijar a todas as pessoas que teem essa devoção.
4) Este levantamento procedeu, de não quererem pagar a imposição, para a restauração do Brazil, a qual se mandou assentar a quarta parte no Real d'Agua e Cabeção da Siza. Filipe 3.°, em 1638 perdoou a todos, menos aos cabeças de motim. Este perdão está registado no Livro da Camara, que serviu em 1636 em diante.
5) Veja-se Duarte Nunes, Descrição de Port. Cap 2.; Oliveira. Cap. 2. Das Grandezas de Lisboa; Brito Liv. 6. Cap. 3.
6) A obra desta igreja foi mandada principiar pelo Bispo da Guarda D. Cristovão, e tendo depois obrigado os fregueses para findá-la, eles se opuseram a isto com um agravo, em que foram providos na Relação do Porto, em 7 de Fevereiro de 1587. Tambem nos tempos antigos, como se verá adiante, se julgavam os pleitos no adro desta igreja, pelos juizes e homens bons da terra, com mais brevidade, e sem as trapassas ordinárias que parece serem mais en­démicas naquela Vila.
7) Os parrocos desta Igreja tiveram em outros tempos grandes duvidas e contendas sobre dizimos, como foi em 1513, com o prior do Fundão, Lopo Tavares que apresentou uma sentença muito antiga em pergaminho e selada com selo de cera, a qual continha obrigar o prior de S. Paulo, para que não levasse o dizimo dos gados que pastassem nos limites de muitas Igrejas, e para dar a razão porque os levava. O prior de S. Paulo mostrou algumas sentenças antigas, por onde se via estar neste costume; uma do Bispo da Guarda D. Este­vam: esta sentença dizia, que vista a pobreza e pouca renda da Igreja de S. Paulo, para nela se celebrarem os ofícios divinos, lhe dava, limitava e anexava os dizimos dos bens do mosteiro de Stª Cruz, que estão na Covilhã; os bens e herdades que Mem Pires, sua mulher Maria Fernandes e seu filho Gonçalo Mendes de Trancozo, tinham na Covllhã, os dizimos do lugar de Pombal, alem do Zezere, e Cazal do Telhal. Deu-lhe tambem o que a Ordem do Templo tinha na Covilhã e termo, e as rendas e dizimos dos gados montezinhos, fora do termo da sobredita vila, com suas tenças e frutos; e os dizimas das soldadas dos pastores das ditos gados; os dizímos do lugar de Favais; os dizimos de Estevão Giraldes e de Durando Migueis, e de suas mulheres que teem em Favais, alem do Rio. A estes parrocos se opuseram como autores o prior de Stª  Maria Pedro Fernandes; o de S. Bartolomeu Mem Rodrigues; o de S. Pedro, Pero Gonçalves; o de S. Tiago, Diogo Gonçalves; o de St.a Marinha, Fernão Afonso; o de S. Silvestre, Rui Feo, e o de S. Salvador, Alvaro Martins. Tornou, portanto, o prior de S. Paulo a apresentar ao Bispo da Guarda muitas outras sentenças dos Bispos D. Vasco; duas de D. Gonçalo; a primeira dada em 1628, a segunda em 1637; duas de D. Luiz, a primeira proferida em 1445, a segunda em 1454; uma julgada pelo prior de Stª Maria Madalena e Arcipreste da mesma Vila Rodrigo Afonso, sendo Bispo o dito D. Vasco, contra Pedro Lourenço, prior de S. João Martir in collo, dada em 27 de Maio de 1426, e sete dadas por outros arciprestes em 1414, 1438 e 1448, à vista das quais foi proferida sentença na Guarda a favor do prior de S. Paulo, em 16 de Abril de l466.
8) No dia deste santo se faz uma grande feira na Covilhã, graça que lhe concedeu o senhor D. João 1º, e que fosse franca, e durou 20 dias, dez antes do dia do santo, e dez depois, com os privilegias e franquezas, que tem a feira de Trancozo.
Em 1429, a requerimento da dita Vila, foi mudada pelo Senhor D. João 2º para o dia de S. Francisco o que não teve efeito, porque continuou sempre no dia de S. Tiago. Consta tudo do Cartorio da Camara da referida Vila.
9) Estes morgados foram confirmados pelo Senhor D. José 1º de gloriosa memoria, e pela Rainha N. Senhora, por se mostrar ser esta família uma das mais distintas da Provincia, e um dos Ramos da Caza de Vimiozo, e Vila Nova, como se vê dos Régios Diplomas de 31 de Julho de 1776; e de 13 de Fevereiro de 1789, que constam do Livro do Registo das Provedorias da Guarda e Caste­lo Branco a 1ª a fls 10, e a 2ª a fl 24.
10) No dia deste Santo havia uma grande feira, uma legua distante da dita Vila; hoje se faz no lugar do Tortuzendo, para onde se mudou há anos, pelas dezordens que havia naquele sítio.
11) Em 1601 se intentou fazer o dito mosteiro para o que nomeou a Camara, e nobreza daquela Vila, para correr com a obra, Simão da Silva de Serpa, o qual no mesmo ano tomou posse dos bens doados. Em 1611, achan­do-se na dita Vila o Bispo da Guarda D. Afonso Furtado de Mendonça lhe suplicaram os nobres da mesma, lhes auxiliasse os seus projectos, dando-lhes alguma cousa para o dito convento; o que ele fez prometendo para a obra, por tempo de dez anos cem cruzados (!) o que consta do alvará por ele assi­nado, e selado com as suas armas, mas esta obra nunca se fez.
12) No dia de S. Lazaro se fazia uma boa feira junto da sua Capela; hoje se faz no Pelourinho da dita Vila.
13) Este senhor foi o que fez Notável a vila da Covilhã, em 1570, confir­mada em 1637 o que consta do Cartóro da Câmara da dita Vila.
14) Veja-se nas Memórias Económicas da Academia Real das Ciências de Lisboa, tom. 3º, pág. 74, a Memória sobre o Estado Actual da Agricultura e Comércio do Alto Douro, e se ficará convencido da verdade exposta.
15) Arte de Fabricar Panos por Duhumel, se faz bem recomendável, pela importância do assunto, e pelo seu método, precisão e clareza; e não obstante ser dirigida à fabricação dos panos finos, como o principal da mesma, é comum para todos, se deve recomendar muito este belo Discurso aos fabricantes. Ele trata da eleição que se deve fazer das lãs e das várias qualidades destas, porque a perfeição do pano depende das lãs, que formam sua contextura. Este mesmo autor demonstrou os meios de conhecer as boas lãs, por sua inspecção, pela tacto, pelo cheiro, e a sua diferente qualidade segundo a. parte do corpo da ove­lha a que corresponde. Também indica as operações que se hão-de praticar com a lã, desde que é lavada, até que entra no tear; e depois de indicar tudo o que pertence a este oficio, e precauções que deve haver sobre ele, trata do pizão e do mais que se faz indispensável, para o pano ficar completo. E por fim se acha neste Tratado um Diccionário das palavras técnicas da Arte com 15 lâminas que explicam tudo o que expõem. Esta Arte devia ser traduzida em vulgar e não haver fabricante que a não tivesse, e os outros livros que indicamos para a. tinturaria.
16) A raridade e o gosto, diz Campomanes, é o que sustém as fábricas. Seguir uma prática cega necessàriamente faz dispensar os géneros, que carecem de invenção e novidade. O mesmo autor, no seu Apêndice à Educação Popular parto 4ª, pág. 357, ensina o modo de restabelecer as Fábricas perdidas quando diz:
«O fim dos Erários é conservar em seu cabedal o de todos.
Achando os fabricantes nos Erários o socorro do dinheiro, para comprar e custear os materiais, num instante se povoam as Artes que se acham destruídas. Tomando os Erários por sua conta o consumo, e a venda das Fábricas; achando-se pago com elas do principal e réditos, e tor­nando a dar-lhe mais dinheiro para que fabriquem, quem poderá duvidar de que este é o único e principal meio de restaurar o comércio, a povoação, alcavalas, milhões, e as mais rendas Reais, públicas e particulares?»
17) Veja-se sobre esta matéria Campomanes, no seu Apêndice à Educação Popular part. 2. pág. 204, em diante, e se verá verificada a nossa asserção.
(Continua)

Notas dos editores - a) "História dos Lanifícios": os volumes IV-V e VI, em número reduzido, estão agora encadernados e podem ser adquiridos através de peixoto.c.dias@hotmail.com. Encontram-se ainda disponíveis alguns exemplares dos três primeiros volumes da obra.
b)Revista que era propriedade da FNIL - Federação Nacional dos Industriais de Lanifícios. Também já publicámos sobre a obra de Rodrigues da Silva no nosso blogue:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/08/covilha-contributos-para-sua-historia.html
c) Publicação neste blogue em 29 de Maio de 2011:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/05/covilha-memoralistas-ou-monografistas.html
d) Texto da autoria de Luiz Fernando Carvalho Dias.
e) Texto da autoria de António Mendes Alçada de Morais.
f)As imagens foram extraídas da obra de Luiz Fernando Carvalho Diaz, "Forais Manuelinos do Reino de Portugal e do Algarve", volume Beira.
1) Encontrámos posteriormente no espólio de Carvalho Dias as seguintes referências a cargos desempenhados por João de Macedo Pereira da Guerra Forjaz de Gusmão, que denotam não haver sido formado em Direito:
Vedor dos Panos da Fábrica da Covilhã - alvará de 23/10/1804, Livº 73, fls. 148 da Chancelaria de D. Maria I;
Escrivão do Geral da Vila da Covilhã, alvará de 07/01/1806, Lº 76, fls. 143, da Chancelaria de D. Maria I;
Repartidor dos Órfãos da Vila da Covilhã, alvará de mercê 07/01/1806, Lº 74, fls. 259 vº e alvará de propriedade do mesmo, da mesma data, Lº 76, fls. 143 da mesma Chancelaria, cargo que renunciou em 23/10/1813, Lº 16, fls. 122  da Chancelaria de D. João VI.



quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Covilhã - Inquéritos à Indústria dos Lanifícios XXI-XIX

Inquérito Social XIX
    
   Continuamos a publicar um inquérito social “Aspectos Sociais da População Fabril da Indústria dos Panos e Subsídios para uma Monografia da mesma Indústria” da autoria de Luiz Fernando Carvalho Dias, realizado em 1937-38.

Capítulo X

FAMÍLIA

            Ao iniciarmos este capítulo onde se vai dizer alguma coisa da família dos operários da indústria de lanifícios, trememos de receio por não podermos talvez retratá-la conforme ela é. Várias razões contribuiram para que este estudo não pudesse deixar de ser algo deficiente: o pouco contacto com os operários de certas regiões, o reduzido tempo que restava depois do preenchimento dos boletins, a impossibilidade de visitar outros centros, a pressa exigida em todos estes serviços, quando, afinal, este trabalho exigia sobretudo observação e tempo.
            Muitos dos boletins foram preenchidos por terceiras pessoas, com critérios diferentes, ou sem nenhum critério, deficiência esta que teve projecção no elaborar das estatísticas e na certeza destas. Apesar de todas estas circunstâncias que talvez por excesso de sinceridade somos levados a acentuar, vamos procurar dar a este capítulo todo o interesse que ele merece.
            Da família, do seu estado moral, social e económico se há-de ter conta, sempre que houver que estudar-se um aglomerado humano nas suas múltiplas relações com o trabalho, com a política, com a religião. Por isso, ao estudar a indústria de lanifícios havemos de contar também com a situação da família dos seus operários. A base da família é o casamento; um dos seus fins essenciais, se não o maior de todos é a procriação dos filhos e a sua educação.
            Três grupos de organização familiar encontrámos no decorrer deste inquérito: a família com caracteres mais ou menos patriarcais, de tipo clássico, com poder paternal acentuado, com bastantes filhos, e com respeito pela tradição; a família desorganizada, segundo um tipo individualista, com poder paternal diminuído, com a precoce independência económica dos filhos que, desde muito novos, pagam o seu sustento e se vestem por si, que abandonam muitas vezes a casa paterna, fugindo à vigilância e poder dos pais, tipo de família onde se nota um afrouxamento nos laços familiares; um tipo intermédio de família.
            O primeiro tipo encontra-se naquelas povoações essencialmente rurais que concorrem aos lanifícios; o segundo, nas populações já industrializadas dos grandes centros; o  terceiro, um tipo intermédio onde predomina uma ou outra das tendências, conforme maior ou menor industrialização do centro, conforme o menor ou maior intercâmbio das populações rurais com a cidade.
            Paul Descamps, na sua admirável obra de inquiridor social, acentuou estes dois tipos que nós perfilhámos para caracterizar a população dos lanifícios, pois verificámos inteiramente a sua existência através deste inquérito.

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            Vamos começar por distiguir os operários através do seu estado civil. Fazemos ao mesmo tempo a diferenciação entre casados católica e civilmente e os casados somente pelo registo civil, porque julgamos essencial esta distinção: o casamento católico está implicitamente reconhecido pelo Estado ao exigir que ele se realize somente depois do acto civil; (1) o casamento católico dá geralmente uma nota de moralidade e de tradição entre nós, que não é justo esquecê-lo ao tratar deste acto, base da família.
            Nos 7.856 operários masculinos considerados na estatística deste inquérito, 1.536 são menores de 18 anos, por conseguinte, presumem-se não casados. Restam, portanto, 6.320 maiores de 18 anos, dos quais 3.462 são casados pela igreja e pelo civil, e têm filhos; 648 são também casados pelo civil e pela igreja, mas não têm filhos; casados só pelo civil e com filhos são 101 e sem filhos 45; 164 são viúvos com filhos, e 27 sem filhos; 104 em união de facto com filhos e 50 sem filhos; 4 separados com filhos e 1 sem filhos; 4 divorciados com filhos e 2 sem filhos; 19 solteiros com filhos, que não estão em união de facto. Solteiros sem filhos, com mais de 18 anos são 1.689.
            A mesma distinção vamos fazer agora com referência às mulheres que trabalham na indústria de lanifícios: são elas 5.007, das quais 712, porque são menores de 18 anos, não entram na estatística dos casados, porque se presumem solteiras. Ficam, portanto, 4.295 com mais de 18 anos. Destas são casadas pela igreja e pelo civil 844 com filhos e 334 sem filhos; só pelo civil 228 com filhos e 88 sem filhos; viúvas com filhos 309 e sem filhos 64; em união de facto 168 com filhos e 64 sem filhos; separadas com filhos 20 e sem filhos 14; divorciadas com filhos 13 e sem filhos 3; solteiras, com filhos, sem viverem em união de facto, 188; solteiras, com mais de 18 anos, sem filhos, são 1.958.

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            Segue-se a discriminação por grémios, do estado civil dos operários:


         Distribuídos os operários segundo o seu estado civil, aparecem na estatística acima, divididos por grémios, por sexos e conforme têm ou não têm filhos. Os operários casados, sem filhos, voltarão a aparecer depois numa estatística separada, em que se atende à sua idade, com o fim de se poder calcular aproximadamente o número daqueles que não têm filhos pelo facto de se terem casado há pouco tempo.
           Na estatística que acabamos de transcrever, verifica-se que em todos os grémios, salvo no do Sul, poucos são aqueles operários que não estão casados segundo o costume nacional. Também com a mesma restrição do grémio do Sul é pequena a percentagem dos “amancebados”, juntos ou em união de facto. No grémio do Sul o estado de mancebia alastrou sobretudo em Lisboa e arredores.
            As causas deste excesso de amancebados e de casados pelo civil, que coloca o grémio do Sul em situação diferente da dos outros grémios, parecem-nos ser as seguintes: influência da vida das grandes cidades de que Lisboa é caso único em Portugal; falta de contacto das massas com as forças espirituais; abandono por parte do clero; pouca submissão ao costume pelo facto de serem mínimos os laços de vizinhança; declínio da moralidade pelo afrouxamento da repressão social e desconhecimento das pessoas; dificuldades de vida sobretudo entre as mulheres, que sendo criadas de servir, se desempregam e procuram depois no meio fabril, maneira de se manterem, cuja moral é um pouco relaxada. Este grupo de mulheres que dão uma grande percentagem de mão-de-obra às fábricas da capital, na impossibilidade de se casarem, submetem-se a um género de vida conjugal, sem garantias, como é este da mancebia. A descristianização crescente das massas, com origem, por exemplo, nos efeitos ainda acentuados da propaganda republicana, é uma das razões a acrescentar a essa deficiente moralidade verificada no sector industrial da capital.
            Era vulgar, durante a fase das inquirições, ouvir explicar aos amancebados/em união de facto a razão da sua mancebia: justificavam-na dizendo que o casamento não era costume no tempo em que se juntaram. E, no seu raciocínio simples não deixavam de ter razão. Negado o formalismo religioso, substituído por um acto civil que o povo não estava em maré de compreender, escarnecido o carácter transcendente da instituição matrimonial, diminuída a sua perpetuídade através do divórcio, ao qual bastava como fundamento um mútuo consenso, para quê gastar dinheiro com o Registo Civil? Toda e qualquer razão de ordem administrativa que o justificasse, o povo não a compreenderia senão como medida fiscal.
         Entre estes amancebados de Lisboa muitos há que no seu contrato de mancebia respeitaram a moral natural: a sua família é numerosa e tem vinte e cinco a trinta anos de viver conjugal. Parece isto demonstrar que houve seriedade no contrato de mancebia e, por isso, talvez não devam ser tratados como aqueles aventureiros que abusando de uma situação de fraqueza, estão sempre à espera da primeira altura para romperem os deveres assumidos à face da lei natural.
            Entre os casados só pelo civil, predominam aqueles que anterior casamento religioso impede de legalizar também, à face da igreja, o seu matrimónio e, também, um grupo numeroso de indiferentes que confessam que, se vivessem na terra, não deixariam de estar casados pela igreja.
            A mancebia, repetimos, deve ser olhada pois como aquela situação conjugal em que os laços são mais frouxos, e a garantia da mulher e dos filhos é menor. Modernas influências se fazem sentir a favor desta forma de união conjugal. A sua influência porém, salvo em Lisboa e arredores, não resiste ao costume nacional, à religiosidade do povo, ao sentimento cristão que ainda perdura entre nós. A proporção dos divorciados e dos separados é quase nula como o demonstram os números. 
            Na rubrica “solteiros com filhos” incluíram-se aqueles operários que viveram amancebados e que presentemente o não estão; aqueles que sendo solteiros reconheceram os filhos; aquelas operárias que em tempos viveram amancebadas e não o são presentemente; aquelas que tiveram filhos, sem contudo viverem permanentemente em estado conjugal.
            Dizem-nos os mapas publicados que o grémio do Sul é aquele onde as raparigas solteiras com filhos, se encontram em maior número. A cifra apresentada deve ser tomada, contudo, sob alguma reserva; é natural que muitas raparigas solteiras com filhos não tenham revelado que são mães àqueles que preencheram os boletins. De vários destes casos tivemos posteriormente notícia.

Nota dos editores - 1)Recordamos que só a partir de 1 de Agosto de 1941, quando entrou em vigor a Concordata celebrada entre Portugal e a Santa Sé, se passou de um sistema de casamento civil obrigatório para facultativo, em virtude do casamento católico ter sido admitido como outra modalidade de casamento.


Como inserimos as tabelas segundo o sistema de imagem, aconselhamos os nossos leitores a clicarem com o rato sobre elas, para que o visionamento seja mais perfeito. 
  
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sábado, 7 de setembro de 2013

Covilhã - A Alcaidaria VII

    Continuamos a apresentar os documentos encontrados no espólio de Luiz Fernando Carvalho Dias sobre a alcaidaria da Covilhã. Procuramos seguir uma ordem cronológica. Hoje a publicação é sobre D. Diogo de Castro (? -1542), neto de D. Rodrigo de Castro, porque filho da alcaidessa D. Isabel de Castro.

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A dom diogo de menezes, (D. Diogo de Castro) craveiro da Ordem de Cristo padram para em quanto lhe não forem pagas as 4.500 coroas que lhe ficaram de sua mãe, que aja a tença e graça separada segundo ordenação. (1)
 Era filho de D. Fernando de Menezes e de D. Isabel de Castro.

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Igreja de S. Francisco - Capela tumular, do lado direito do transepto, que D. Isabel de Castro, alcaidessa da Covilhã,
 mandou construir para o marido D. Fernando de Castro, que morreu em Arzila, e para seu filho, D. Diogo de Castro,

 alcaide-mor da Covilhã.
Fotografia de Miguel Nuno Peixoto de Carvalho Dias 

   A ho mosteiro de são frãcisco da villa de covilhã padrão de xbj (traço horizontal por cima = mil) rs. de têça separada
  
   Dom johã etc. A quantos esta minha carta virê faço saber que por parte do guardiã e padres do mosteiro da villa da covilhã Me foy apresentada hûa minha carta de padrã de dezaseis mil rs. de tença separada. Da qual o trellado de verbo a verbo he o seguinte.
dom Johã per graça de deus Rey de portugual e dos alguarves daquê e dalê maar em africa senhor de guine e da conquista neveguação comerçio de ethiopia arabia persia e da jndia. A quantos esta minha carta virê faço saber que por parte de dona felipa datayde molher que foy de dom dioguo de crasto que deus perdoe Me foy apresentado hû padrão de dezaseis mil rs. de tença separada por mj asinado e passado pella chancelaria de que o theor delle he o seguinte
Dom Johã per graça de deus Rey de portugual e dos alguarves daquê e dalê maar ê affrica senhor de guine e da conquista neveguação comerçio de ethiopia arabia persia e da jndia. A quantos esta minha carta virê faço saber que por parte de dom dioguo de crasto fidalguo de minha casa me foy apresentado hûa minha carta da qual o theor de verbo a verbo he o seguinte
Dom Johã per graça de deus Rey de portugual e dos alguarves daquê e dalê maar ê africa senhor de guine e da conquista neveguação comerçio de ethiopia arabia persia e da jndia. A quantos esta minha carta virê faço saber que por parte de dona jsabel de crasto me foy apresentado hûa carta del Rey meu senhor e padre que sancta gloria aja De que o theor tal he
Dom Manuel per graça de deus Rey de portugual e dos alguarves daquê e dalê maar ê africa senhor de guine e da conquista neveguaçã comerçio de ethiopia arabia persia e da jndia. A quantos esta nossa carta virê fazemos saber que dom Rodriguo de crasto do nosso conselho tinha hû alvara del Rey dom afonso o quinto meu tyo que deus aja confirmado per nos do qual o theor tal he
Nos El Rey fazemos saber a quamtos este noso alvara virê que da parte de dom Rodriguo de crasto do noso conselho nos foy apresentado hû alvara del Rey dom afonso meu tyo que deus aja De que o theor he este que se segue
- faço saber a quamtos este meu alvara virê que eu desembarguey ora a dom Rodriguo de crasto filho do conde de monsancto do meu conselho quatro mil coroas de moto de seu casamento das de minha ordenança. De cento e vinte rs. coroa. E por sua guarda e minha lembrança lhe dey este meu alvara per mj asinado pera me per elle Requerer. feito na cidade devora a trinta dias do mes de março Dioguo fernandez o fez Anno de nosso senhor Jhesu christo de mil quatrocentos setenta e nove.
pedindo nos o dito dom Rodriguo que lhe confirmasemos o dito alvara E nos visto seu Requerimento querendo lhe nisso fazer graça e merçe temos por bê e lho confirmamos e avemos por confirmado asy e pella maneira que se nelle conthê. E por nosa lembranca e sua guarda lhe mandamos dar este per nos asinado feita em evora a dezoito dias de março francisco de matos o fez de mil quatrocentos noventa e sete
E ora elle nos pedio que das ditas quatro mil coroas trespasasemos duas mil dellas ê dona jsabel de crasto sua filha molher de dom fernando de crasto. Da qual cousa a nos prouve por lhe nisso fazermos merce e foy loguo Roto perante nos ao asinar deste o dito alvara que tinha das ditas quatro mil coroas e mandamos dar esta carta a dita dona jsabel das ditas duas mil pera per ella as ter e lhe ser despachada cadanno a tença que lhe nellas montar aver. e outra ao dito dom Rodriguo doutras duas mil que lhe ficão. E por sua guarda e nosa lembrança lhe mandamos dar esta per nos asinada e asellada do nosso sello pendente. dada em abrantes a dez dias de Julho guaspar Roiz a fez de mil quinhentos e sete.
pedindo me a dita dona jsabel de crasto por merçe que lhe confirmase a dita carta tenho por bê e lha confirmo e ey por confirmada e mando que se cumpra e guarde asy e da maneira que se nella conthê sê duvida Nem embarguo algû que a ello ponhã porque asy he minha merce Simão vaaz a fez em lixboa a trinta de julho Anno do nascimento de nosso senhor Jhesu christo de mil quinhentos vintoito annos E eu damião diaz a fiz escrever
pedindo me o dito dom dioguo de crasto por merçe que porquanto a dita dona jsabel de crasto sua may hera falecida e a elle per direito pertenciã as ditas duas mil coroas lhe mandase fazer novo padrã dellas E visto per mj seu Requerimento querendo lhe fazer graça e merçe lhe mandey passar este pello qual quero e me praz que elle tenha as ditas duas mil coroas e aja em cada hû anno a tença que lhe por ellas montar aver. asy como tinha e avia a dita sua may. E por firmeza dello lhe mandey dar esta carta per mj asinada e asellada do meu sello pendente. Dioguo lopez a fez ê evora aos vinte çinquo dias do mes de janeiro Anno do nascimêto de nosso senhor Jhesu christo de mil b c trinta e sete annos e o padrã que a dita dona jsabel tinha foy Roto ao asinar deste. E a dita tença são desaseis mil rs. por ser já separada em vida da dita dona jsabel sua may.
pedindo me a dita dona felipa que porquanto o dito dom dioguo de crasto seu marido hera falecido e o conde de castanheira veedor da minha fazenda e johã brandão fidalguo de minha casa seus testamenteiros lhe derão ê paguamento a ella os ditos dezaseis mil rs. de tença separada conteudos no dito padrão açima trelladado em parte que ella ha daver do seu dote e arras que o dito dom dioguo seu marido lhe ficou devendo ouvesse por bem de lhe mandar dar novo padrão em seu nome da dita tença E visto seu Requerimento e hû asynado dos ditos testamenteiros per que constou lhe darem em paguamento a dita tença ê parte de paguo do que asy ha daver de seu dote e arras. E asy hû meu alvara per que o ouve por bem e que lhe fosse a ella feito padrã da dita tença lhe mandey dar este das ditas duas mil coroas. E quero e me praz que emquanto lhe não forê paguas ella tenha e aja de Mj em cada hû anno de primeiro de janeiro que vem de quinhentos quarenta e quatro ê diante os ditos dezaseis mil rs. de tença separada asy e pela maneira que os avia o dito seu marido pello dito padrã e se nelle contheudo. E mando ao barão dalvito veedor de minha fazenda que lhos mande asy asêtar ê os livros della e despachar ê cada hû anno pera luguar onde lhe sejã bem paguos e o dito padrã com o dito meu alvara e asinado dos ditos testamenteiros foy tudo Roto ao asinar desta que por firmeza lhe mandey dar per per mj asinada e asellada do meu sello pendente. Vicente fferndez a fez ê lixboa. A nove dias do mes de novembro Anno do nasçimento de nosso senhor Jhesu christo de mil quinhentos trinta e tres annos.
porquanto eu ouve por bem de segurar a dita dona felipa quatro mil quinhentos oitenta e tres dobras e hû terço de dobra de cento vinte rs. dobra pellas Rendas que o dito dom dioguo seu marido tinha da coroa do Reino e per seu faleçimento pera mj vaguavã que herão a metade das nove mil çento sesenta e seis dobras e dous terços de dobra que montarã nas arras que o dito dom dioguo lhe prometera que hera a terça parte das vinte e sete mil e quinhentas dobras que dom afonso datayde pay da dita dona felipa lhe dotou ê casamento com o dito dom dioguo. pera que sendo caso que ao tempo de seu faleçimento se nã achase tantos bêes moveis ou de Raiz per onde ella dita dona felipa podesse aver e ser entregue das ditas quatro mil quinhentas oitenta e tres dobras e hû terço de dobra que ella as ouvesse ou aquela parte que dellas falecese pellas ditas Rendas e descontar atee ser pagua jnteiramente e que ella fose obriguada fazer saber ê minha fazenda aos veedores della quando tal acontecesse dentro de dous meses do dia do faleçimento do dito seu marido pera mandarê ver os bêes e fazenda que lhe ficasê e se saber a obriguaçã que lhe eu podia ter pella metade das ditas arras segundo hera contheudo em hûa minha carta per mj asynada e passada pela chancelaria que lhe pera ello pasey que foy feita ê lixboa ao primeiro de setembro de quinhentos trinta e sete que a dita dona felipa envjou ora apresentar em minha fazenda e com ella hû estormento ppubrico de quitaçã e declaraçã que parecia ser feito e asinado per jorge dinis ppubrico tabaliã em a dita cidade a treze dias deste mes de fevereiro do anno presente de quinhentos quorenta e quatro em que a dita dona felipa declarava ser pagua de todas as ditas arras jnteiramente pella fazenda e bêes que ficarão per faleçimento do dito dom dioguo seu marido e que dava por quites e livres as ditas Rendas asy obriguadas a dita metade das ditas arras e que não queria dellas nê de minha fazenda cousa algûa por ser pagua jnteiramente como dito he segundo mais larguamente se continha no dito estormento. o qual com a dita carta forã Rotas ao asinar desta por bem do quall lhe mandey passra este padrã dos ditos dezaseis mil rs. de tença separada como açima dito he. Os quaes antes que lhe sejã asentados no livro de minha fazenda mostrara certidã nas costas desta de pero guomez que serve descrivã da chancelaria da corte de como no Registo da dita carta de segurança das ditas arras fica posta verba que a dita dona felipa he pagua das ditas arras pela fazenda e bêes que ficarã per falecimento do dito seu marido como dito he e que as ditas Rendas que lhe asy herã obriguadas ficasê livres e desembarguadas. e se o livro do dito Registo estiver na torre do tombo. per esta mando ao guarda moor della que ponha a dita verba. e passe diso a dita certidã pera com ella lhe ser asentada a dita tença no livro de minha fazenda como dito he E eu damião diaz o fez escrever.
E asy me foy apresentado por parte dos ditos guardiã e padres do dito mosteiro de são francisco da covilhã hû ppubrico estormento da Renunciaçã deputaçã asy o dizia a propria declaração e jnstituição que lhe a dita Dona felipa da dita tença fez de que o trellado de verbo a verbo he o seguinte :
In dei nomine amen . Saibão quantos estormento ( sic ) de Renunciaçã deputação declaração e jnstituição virê que no anno do nascimento de nosso senhor Jhesu christo de mil quinhentos cinquoenta e quatro aos vimte tres dias do mes de novembro na cidade de lixboa na calcadinha que vay de valverde pera o mosteiro de nossa senhora do carmo nas casas da morada de dona felipa datayde molher de dom dioguo de crasto que sancta gloria aja alcaide moor que foy da villa da covilhã estando ella asy presente per ella foy dito ê presença de mj tabaliã. e testemunhas abaixo nomeadas que dona jsabel de crasto may do dito dom dioguo de crasto. seu amrido mandou fazer hûa capella ê o mosteiro de são francisco da dita villa da covilhã a mão dereita do cruzeiro entrando pella porta principal onde se mandou sepultar. e de feito esta ahy sepultada, e asy os ossoos de dom fernãdo de crasto seu marido que darzilla onde os mouros o matarão mandou ê vida della trazer. Na qual capella se dixesê sempre duas missas Rezadas em cada hû dia asy ê vida da dita dona jsabel de crasto. como ê vida do dito dom dioguo de crasto seu filho. e se asinou por ella dona jsabel de esmola pera os padres do dito mosteiro lhe dizerê as ditas missas dezaseis mil rs. de tença separada que tinha del Rey noso senhor por hû padrão pera a Recadação dos quaes os padres tinhã provisã do dito senhor pera se lhes paguar por asy ser aplicada a dita tença pera a dita esmolla pera a dita dona jsabel de crasto ê seu testamento. aprovado. por o dito dom dioguo de crasto seu filho ê seu testamêto. por cujo falecimento por não ficar fazenda outra algûa pera paguamento das arras della dita dona felipa de tayde. sua molher por os testamenteiros lhe forão vendidos nas arras e dote que se lhe devia e delles feita nova carta. a ella dita dona felipa datayde que tem e arrecada atee o presente. E por ora considerar que por esto. as ditas missas se deixariã de dizer. e deixarão ao diante e ter escrupullo que a dita tença ja obriguada a dita capella. e de que os ditos padres tinhã provisã pera a elles se lhe paguar e estavão em posse de a Reçeber e dizerê as ditas missas em vida de dona jsabel de crasto e do dito dom dioguo de crasto seu filho. não hera já fazenda delle pera com ella se fazer paguamento. das arras e dote que da fazenda delle dom dioguo de crasto se deviã e asy por serviço e louvor de nosso senhor. posto que sem escrupullo seu seja della dona felipa ou possa ser por salvaçã de sua alma e dos ditos dom fernamdo de crasto e dona jsabel de crasto . e seus pais e mays delles ambos e dos ditos dom dioguo de crasto marido della dona felipa queria e hera contente que a dita capella permanecesse pera sempre atee fim do mundo. e nella se diguão as ditas duas missas Rezadas ê cada hû dia por sua alma e dos ditos defuntos açima nomeados pellos frades que pello tempo forê no dito mosteiro que por serê da ordê dos menores de são francisco posto que ao presente sejã da obediencia dos padres conventuaes segundo da sua verdadeira Regra não podem ter a dita Renda como tambem. porque ao diante o dito mosteiro podera ser Redozido a obediençia da Regular observançia. De maneira que ao tal tempo se duvida não podem ter Rendas nê administraçã dellas. querendo prover a seguridade das conçiençias dos padres asy pera hû caso como pera o outro. e o periguo de se deixar de comprir asy em o tempo presente como no provir se a dita Reformaçã sobceder. dixe ella dita dona felipa datayde que declarava pera o açima dito a dita tença ser e aver sido da dita capella pera a esmolla das ditas duas missas que cada dia se dixerão e hã de dizer e que se por algûa via modo ou maneira ella dona felipa datayde por Razã do dito paguamento de dote e arras lhe pertenciã ou podiã pertencer que ella os constituia e deputava pera sêpre per a dita capella. e se darê desmola aos padres por asy dizerê as ditas duas missas em cada hû dia pera sempre pera o que Renunçiava todo o direito que tinha e podia ter na dita tença dos ditos dezaseis mil rs. ê a dita capella e lhe fazia della esmola por descarguo de sua conçiençia e prol de sua alma e do dito dom dioguo de crasto seu marido e dom fernando de crasto. e dona jsabel de crasto seus pays e mãys. e de seus pays e mãys. e entregava logo o padrã per a dita capella como de feito entregou a estevã da costa moço da camara del Rey nosso senhor que a esto estava pera Requerer se faça nova carta e padrã na dita capella sem mais outra procuraçã sua nê Renunciaçã somente per este ppubrico estormento avia por demitida e Renunçiada a dita tença pera vir asy a dita capella. e pedia por merce a el Rey nosso senhor mandase fazer a dita nova carta e padrã a dita capella quebrando lhos na dita villa da covilhã pera se delles poder fazer paguamento pois he pera esmolla sem mais custa ou despesa. E queria e ordenava como de feito ordenou que o que fosse sindico do dito mosteiro de sã francisco. porque sera pessoa secular. e que se presume ser a nomeada pera vertuosa e devota. e que por serviço de nosso senhor tomão trabalho de converter as esmollas que a ordem fazê em uso necessario dos frades e arrecadallas em nome da sancta se postollica que he o verdadeiro senoryo dellas e pera taes sindicos nomeados as manda exprender nas necessidades dos frades por a seu estado não convir a administração e uso das taes cousas per sy segundo sua Regra e declarações que o tal syndico que pelo tempo for seja administrador da dita capella e tenha carguo por serviço de nosso senhor de arrecadar e aver as suas mãos a dita tença e gastalla nos usos dos frades do dito mosteiro toda jnteiramente sem diminuiçã nê falta algûa asy como a de tomar por trabalho arrecadar ter e guastar as mais esmollas e Rendas de capellas que no dito mosteiro estão estituidas sem por jso poder pedir em algû tempo premio ou parte por seu trabalho. Mas asy o faça puramente por amor de deus e do bê aventurado pdre são francisco asy como no demis ha de fazer ê quanto for o mosteiro ê o presente estado dos padres conventuaes o tera na arqua do convento onde per seus estatutos e constituições hã de estar as Rendas do convento e dello tomar lhe conta o padre guardiã pera se saber se he despeso nas necessidades dos padres e mosteiro e segundo desposição do padre guardiã. E vindo o dito mosteiro a ser Reformado porque cesão as ditas contas e arqua do convento. o provedor das capellas que por o tempo for ou visitador do bispado que no comprimento das missas de capellas e desposições dos defunctos. entendem terã e tenhã carguo de vir a saber se he satisfeita a esmola de toda a dita tença por o dito sindico aos padres o que levarão ê conta per asinado do padre guardiã as missas serã ditas e a esmola despendida ê uso e necessidade dos padres e mosteiro . e não sendo o façã fazer o costranguã como aos outros administradores que nã cumprê ou não tem comprido. E per esta ora fica satisfeito a hû estado e a outro  e ao dito sindico como administrador da dita capella seja o poder de arrecadar e dar quitação aos almoxarifes e oficiais de quê ouver de arrecadar a dita tença. E sendo caso que as necessidades ocurrentes sejã causa a se dar comummente mais esmola a hû padre por dizer hûa missa do que ora monta a Respeito de oyto mil rs. por Anno que em tal caso se possã deminuir as missas segundo o que Reduxerê a Respeito da esmola que se costuma dar. e o que a tal tença segundo a dita esmolla abastaa essas se diguão fazendo se empero a tal mudança com asento que se fara por o provedor das capellas ou visitador do bispado e pareçer do padre guardiã que ao tal tempo for e do provincial da provinçia sendo a jsso chamado e ouvydo o dito sindico e administardor que segundo costume da dita villa se conformarão desencarreguando ella dona felipa sua conçiençia nas maãos dos ditos padres ou visitador ou provinçial e guardião e administrador que do tal costume desmola ê a dita villa se nã saião nê por outro algû Respeito tirando os aquy expressados fação a tal mudança e que a ello sejã e cada hû teudos a dar conta a nosso senhor em seu estreito juizo por que deminuirão os sacrificios divinos que a seu louvor e gloria se mandã celebrar e por expeçicão e prol das almas dos ditos defuntos açima nomeados. E declarou mais que sendo caso que a dita capella cahia toda ou parte ê maneira que aja mister Refazer se pera que estee asy sempre como ora estaa que então per a mesma maneira que açima dito he no deminuir das missas a custa da dita tença se conçerte e Refaça asy que este pera sempre em pee com seu altar como ora esta e o que asy se guastar no tal conçeito e Refazimento se deixarão de dizer de missas e vendo caso que el Rey nosso senhor ou algû seu sobcessor que pello tempo nestes Reinos for Requeira tirar a dita tença e dar as duas mil coroas de cento e vinte rs. coroa que por a tal tença se devê que o tal dinheiro se depositara com parecer do padre guardiã que pelo tempo for ou ê poder do sindico ou de pessoa abonada e se empreguarão os ditos dinheiros ê bêes de Raiz ou foros perpétuos principalmente se se acharê que se encabeçarão na dita capella e administração della e a posse tera o dito sindico que sera o administrador pera arrecadar adRendas como açima dito he da tença ê quanto se não empreguarê e nã ouver Renda se não dirã as missas êpreguando se se a Renda não for tanta se dirã tantas missas quanto a Renda abranger segundo o costume da dita villa ( Asy o dizia a propria ) e de tudo tomaraa conta o provedor se se fez na verdade e segundo deus. E comprados os ditos bêes o porão em tombo a custa das Rendas per tabaliã ppubrico no fim desta jnstituiçã e em testemunho da verdade asy o outorgou e mandou ser feito este estormento e dous e tres e os que comprirê e prometeo a mj tabaliã como a pessoa ppubrica estepulante e aceitante em nome do dito mosteiro de são francisco de covilhã e pessoas a que jsto toca ou possa tocar e pertencer per qualquer modo a esto ausentes de o asy compriu e manter como dito he. E deste estormento com o theor do estormento de aceitação que o guardiã e padres e sindico do dito mosteiro de são francisco de covilhã fizerê ê que aceitê de dizer as ditas missas pelo modo e maneira que neste estormento se conthê e com o trellado da pitição que el Rey noso senhor mandou passar dos ditos dezaseis mil rs. de tença pera o dito mosteiro os aver por esmola das ditas missas se tirara de tudo tres estormêtos ê ppubrico hû delles pera estar na mão della dona felipa e de seus subcesores e outro pera estar no dito mosteiro de são francisco ê poder do sindico delle e outro pera se por na camara da dita villa da covilhã pera por os taes estormentos se poderê todo o tempo ver a obriguação ê que o dito mosteiro de são francisco he ( sic ) de dizer as ditas missas e disse e declarou a dita dona felipa que outorgua este estormento com condiçã que dom francisco de crasto filho natural do dito dom dioguo de crasto seu marido e seus descendentes livremête se possã mandar sepultar na dita capella e lhe seja ahy dada sepultura e que asy mais o dito dom francisco e seus descendentes possã pedir conta se se dizê as ditas missas e se cumprê esta jnstituição pello modo que nella se conthê. E eu tabaliã todo esto estepuley e aceitey em nome dos ausentes a que esto toca ou tocar pode testemunhas que presentes forão pedro homê veedor de dom afonso datayde e cavaleiro fidalguo da casa del Rey nosso senhor e antonyo lopez mercador morador nesta cidade ao poço da forca e Anrique guomez criado do dito dom afonso e ambrosio perez e manuel estevez carpinteiros moradores nesta cidade a são Roque E eu anrrique nunez ppubrico tabaliã por el Rey nosso senhor na dita cidade de lixboa e seus termos que este estormento ê minhas notas tomey e dellas o fiz trelladar per licença de sua Alteza que pera ello tenho o concertej e sobscrevy e de meu ppubrico sinal o asiney que tal he. E vay este estormento escrito ê sete folhas com esta que todas vam contadas per mj de minha propia letra.
Pedindo me os ditos guardiã e padres que porquanto a dita dona felipa asy Renunciara nelles a dita tença lhe mandase dar padrã della. E visto seu requerimento e asy o padrão e estormento aquy trelladados lhe mandey dar esta carta de padrão pella qual ey por bê e me apraz que os ditos guardiã e padres que ora são e pello tempo forê do dito mosteiro de são francisco da villa da covilhã e o mesmo mosteiro tenha e aja de minha fazenda de primeiro dia do mes de janeiro que passou deste anno presente de quinhentos çinquoenta e çinquo ê diante os ditos dezaseis mil rs. de graça por tença separada ê cada hû anno êquanto lhe não forê paguas as duas mil coroas no dito padrão contheudas e jsto por esmola das ditas duas missas ezadas que se cada dia hã de dizer na dita casa na capella de dona jsabel de crasto e conforme ao testamento de Renunciaçã e jnstituiçã que nesta vay trelladado de verbo a verbo Asy e da maneira que nelle se conthê E asy mando ao barão dalvito veedor de minha fazenda que faça asêtar no livro della os ditos dezaseis mil rs. de graca por tença separada ê nome do dito mosteiro e o guardiã e padres delle e do dito janeiro ê diante despachar cadanno ê lugar onde lhe sejã bê paguos E o padrã da dita dona felipa. E asy hûa certidã de pero guomez escrivã de minha chancelaria de como pos verba no Registo delle que trespassou a dita tenca no dito mosteiro forã Rotos ao asinar deste que por firmeza dello lhe mandey dar ao dito guardiã e padres per mj asynado e asellado com o meu sello pendente. Inacio Reinol a fez ê lixboa a dez dias de julho Anno do nasçimento de nosso senhor Jhesu christo de mil bc cinquoenta e cinquo E este padrã vay escrito ê quatro folhas com esta ê que asiney e ao pee da cada folha asinado pelo barão dalvito veedor de minha fazenda E eu duarte diaz o fiz escrever.
Á margem no princípio do documento : tendo os religiosos de S. francisco da covilhaã este juro forão contentes que se reduzise o preco de dezaseis mil o milhar em que estava ao de vinte mil o milhar e os deputados da junta do asentamento o ouverão asy por bem e mandarão por seu despacho no 1º de julho pasado se fizese carta do :    montase ( ? ) e achou se serê doze mil rs. os quaes hão daver daqui por diante ficando se abatendo quatro mil rs foy a causa pera se por aquy esta verba  ?  de outubro 31 de 622. Gaspar Alvarez de lousada. “ (2)

Fontes 1) ANTT - Livº 3º Místicos, fls 126
2) ANTT - Chancelaria de D. João III, Livº 58, fls 261.

Fotografias da Capela dos Castros no nosso blogue:

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Covilhã - As Comendas VI


     Publicamos hoje o “Rol do Bispado da Guarda", manuscrito em letra do século XVI e cuja cópia encontrámos no espólio de Luiz Fernando Carvalho Dias. Neste Rol encontramos a “Terra do Aciprestado de couilhãa”.

“Rol do Bispado da Guarda”

A mesa do bispo com suas anexas coutos camaras e o mais que tem de despesa Rende –2 contos e meio.
A mesa do cabjdo Rende - 2 contos e meio.                                                                                                 As conesias são
Rende cada hua seruindo com todas as distribuicões cothedianas – xl (mil) rs
O Decanado tem encorpado /
S. mª. do mercado da dita Cidade da guarda hé da ordem de são Jmº. de Rodas. Rende – xx (mil).
S. vicente da dita cidade da collação do bispo – xvj (mil)
S. tiaguo da dita cidade dapresentação dos frregueses – xij (mil)
S. mª madallena da dita Cidade hé unida a s. tiaguo – x (sic) = tem à margem “ja ha hi nõ ha =.
S. Pedro da dita Cidade Rende – xx (mil)
S. Nicoláo da dita Cidade = tem à margem “ja ha hi nõ ha =
S. Martinho do Aluendre hé dapresentação do cabido – xij (mil)
A igreJa de vellaans he da collação do bispo.
S. mª. de villa franqua da Camara do cabjdo e da sua apresentação.
A igreJa do codesseiro hé dapresentação do conde de tentugel.
Pera do moço he dapresentação do cabijdo.
A IgreJa do argumil e pomares hé de apresentação de leigos.
ARifan (sic) hé da collação do bispo.
S. miguell do Jermello dapresentação del Reij.
S. Pº. dí. da mesma aPresentação.
S. mª. dj. da mesma apresentação.
A igreja daj dapresentação de Leiguos.
A igreJa do Lugar de Casall cinza hé da ordem de São Jmº - C
S. anna de benespera hé comenda da ordem – xvj (mil).
S. Pº. da teix.rª da collação do bispo – xvj (mil).
S. maria de Penafiel (sic = Penafea) da collação do bispo – xv (mil)
A IgreJa daldea do bispo da colação do bispo – xij (mil).
A IgreJa de Pousade dapresentação do mosteiro de S. Vicente de fora de Lixboa – xx (mil) rs.
A igreJa de Richouso hé camara do cabijdo e da sua collação – xvj (mil)
 A igreJa de villa fernando da collação do bispo com suas Anexas Rende xxv (mil).
villa garcia dapresentação de Leiguos Rende – xv (mil).
A igreJa do marmelleiro hé comenda Xpo.
A sua vigairaria Rende
A igreJa do lugar do seixo de Riba do coa da collação do bispo – xvj (mil)
A igreJa do Lugar da faia hé da collação do bispo – xxxv (mil).
A igreJa de Pousafolles he da collação do bispo – xx (mil).
A igreJa do Lugar de touro he comenda de Xpo
A sua vigairaria Rende
A igreJa do Lugar dagoas bellas hé dapresentação de leigos – xv (mil)
S. steuão dapresentação do mosteiro da hermida – xvj (mil).
S. Pedro do Vall do lobo com a igreJa da mouta Sua anexa são da collação do bispo – xx (mil) rs.
A igreJa do Lugar de sortelha hé dapresentação dos freguezes – L.tª (mil)
A igreJa do Lugar da Bendada he dapresentação dos freguezes – xvj (mil)
S. maria do Lugar da vella hé unida ao chantrado da guarda hé dapresentação do cabijdo – xx (mil).
A igreja do seixo gallo hé dapresentação dos fregueses – xj rs (sic).
A igreja de s. siluestre de Porquas he dapresentação do cabijdo – x (mil)
A igreJa da curijrª he dapresentação do cabijdo – x (mil).
A igreJa do Lugar de comedeiras hé da collação do bispo – xL (mil). =à margem: Este hé agora comenda Nova”.
A igreJa de vide do monte da collação do bispo – xx (mil).
A igreJa de Prado da collação do bispo – xvij (mil).
A igreJa da misarella dapresentação del Reij – xx (mil).
S. jmº. daldea de Pº. soares dapresentação dos mesmos fregueses.

Terra do Arciprestado da sertaã

Este Aciprestado Não tem igreJas que tenhaõ Prior Porque são todas da ordem de saõ Joam somente.
A igreJa do dito Lugar da Sertaã que hé da mesa Do Priorado do crato / e tem vigairo confirmado com o Abbito com seu hordenado cada anno.
A igreJa do Lugar daluaro comenda de S. Jmº.
Oleiros et Comenda.
Cortiçada Comenda
Pedrogaõ Pequeno Comenda /
A igreJa dos Envendos Comenda
A igreJa de belver comenda
A igreJa do caruoeiro / comenda

Terra do Aciprestado de Castel branquo

As igreJas do Aciprestado de Castelbranquo todas são Comendas da ordem de Xpo.
E tem vigairos No dito Lugar de Castel branquo ha hij duas igreJas. SS. sancta maria e são miguell que são da mesa do mestrado e tem vigairos e beneficiados à custa do mestrado.
Villa velha e Rezmiadas (sic = Arez e Meadas) são Comendas de Xpo
A sua viguairia Rende
Algures Comenda
A sua vigairia Rende
A igreJa dos escallos de Riba comenda
A sua Vigairaria Rende
A igreJa dos scallos de fundo Comenda com suas enexas. Leixa (sic) e mata/.
A sua vigairaria Rende

Terra do Aciprestado de monssanto.

S. Saluador da dita villa hé dapresentação De Dona Johana de Castro Rende – Ctº (mil)
S. miguel da Dita villa da mesma – xL (mil)
A igreJa da madalena de medilim do stremo do dito castello he dapresentação da dita Srª - xxxviij (mil)
Stª maria de Penagarcia Comenda de Xpo – C (mil).
A vigairaria della Rende
A idanha vella (sic = velha) Comenda de Xpo.
A vigairaria dela Rende.
Saluaterra Comenda de Xpo
A vigairaria della Rende
S. mª de segura comenda de Xpo.
A viguairaria della –
Idanha a noua Comenda de Xpo.
vigairaria della Rende
S. maria de Proença comenda de Xpo
A viguairaria della-

Terra do Aciprestado de penamacor

A igreJa da dita villa hé da collação do bispo – xxv (mil)
S. Pº. do dito Lugar com suas enexas são pedro de pedrogão ambas da collação do bispo – xxx (mil)
S. tiaguo do Dito Lugar he da collação do bispo he esta unida à mesa do mestrado de Xpo – Ctº (mil)
A vigairaria dellas Rende
S. maria da quebrada Da collação do bispo – xx (mil)
S. maria do quatrão da collação do bispo – xL (mil)
S. Salvador de vermaã da collação do bispo – xL (mil)
S. Maria da meyroa da ordem de avis:
A vigairaria della.

Igreja de S. Martinho da Covilhã
Fotografia de Miguel Nuno Peixoto de Carvalho Dias
Terra do Aciprestado de couilhãa.

Stª mª da Dita villa hé dapresentação del Rey com sua enexa dunhaes – xxx (mil)
S. Jmº de montencollo dapresentação do mosteiro de folques – xx (mil)
S. vicente do Dito Lugar dapresentação del Rey – xij (mil)
S. martinho de covjlhaã da Presentação del Reij alt. da collação do bispo – xij (mil)
Sanctandré Do dito lugar Dapresentação Do mosteiro De Loruão. Do bispado De Coimbra – xxv (mil)
S. Lourenço Dapresentação De Leigos Rende – xvj (mil)
S. migell do dito lugar Dapresentação de leigos – xx (mil)
S. Siluestre Dapresentação De leigos – xviij (mil)
S. tiaguo Do Dito lugar Dapresentação Do mosteiro De S. Jorge de Coimbra Da ordem de S. Agostinho – xvj (mil)
A igreJa da madalena da Dita villa he dapresentação de leigos – xiiij (mil)
S. Joham Da Dita uilla hé Comenda de Rodes –
S. Paulo dapresentação del Reij – xvj (mil)
são bertholameu dapresentação del Rey – xxx (mil)
S. saluador da dita villa dapresentação do cabijdo –
S. mª da dita villa alias sancta marinha dapresentação del Rey – xij (mil)
S. Pedro da dicta villa de couilhaã é dapresentação do cabijdo – xiiij (mil)
S. maria da villa de manteigas dapresentação del Rey – xL (mil)
S. Pedro da dicta villa de manteigas da mesma apresentação – xxv (mil)
 S. Pedro do Lugar de verdelhos dapresentação de Leigos – xvj (mil)
Aldea do mato dapresentação del Rey – xL (mil)
S. Mª de valhelhas com suas enexas SS. a igreJa do Lugar de Gonçallo e ha de Famalicão e ha de Çarzedo são da ordem dauis. Rende. SS. (Á margem: Ambas são in solidum do morgado de Dona Antonia maj De Dom Diogo lobo:/)
S. maria do Lugar de belmonte hé dapresentação dos bispos de Coimbra Rende com suas anexas ao Rector – Lx (mil)
Sanctiaguo dj hé da mesma apresentação – xxv (mil)
S. Pedro dorJaes hé dapresentação de Leigos – xxviij (mil)
S. mª do teixoso hé dapresentação del Rey Rende – xxv (mil)
S. mª dalquaria hé dapresentação do bispo – xxviij (mil)
S. mª do lugar de Pero viseu hé dapresentação del Rey hai porem diferença antre domjngos da cunha e seus Irmãos dizerem ser da sua apresentação a qual tem por doação dos fregueses – xx (mil)
A igreJa de peraboa dapresentação del Rej – xxij (mil)
A igreJa do Lugar de fatella enexa a Comenda do Lugar de castell nouo de Xpo –
A igreJa de valverde dapresentação do cabijdo – xij (mil)
A igreJa do souto da casa dapresentação del Rey – xL (mil)
S. mª d’aldea Noua dapresentação del Rey – xx (mil)
S. mª dalcongosta da mesma apresentação – xx (mil)
S. martinho do fundão da mesma apresentação e do cabijdo / alternatim – xxv (mil)
(Á margem: Agora he dapresentação do Iffante D. Lois e do cabijdo / alternatim.)
S. Pedro daldea de Joane dapresentação del Rey – xLv (mil)
S. Pedro do Souto da casa da mesma apresentação – xx (mil)
(Á margem: Estas duas do souto da casa hé falso que não há mais hua. Não sej o valor quanto hé.)
S. mª do CasteleJo e sam pº de caseguas e Stª Anna de Siluares são da comenda da ordem de Xpo.
S. maria da carantonha hé dapresentação do cabijdo Da guoarda Alternatim com miguell lopez padroeiro leiguo /. Rende –
S. Maria do Trutusendo dapresentação del Rey – xx (mil)
S. maria do Paul do Paul (sic) dapresentação dos fregueses Rende – xxviij (mil)
(Á margem: Alternatim com o cabido da Guoarda).
S. maria doRondo daPresentação del Rey – xvj (mil)
S. maria de Dornellas dapresentação del Rej – xiij (mil)
S. Domingos do Lugar dianeyro, da mesma – xLv (mil)
S. Jmº derguinos (sic) da mesma apresentação – xxviij (mil)
S. mª da PamPilhosa dapresentação do mosteiro de folques e tem vigairo confirmado. / - xxx (mil)
A igreja de souereira velha (sic) hé emprestimo do mestescolla e Thesoureiro Rende – xL (mil)
S. maria das çarzedas da collação do bispo com tudo nõ hé certo – xvj (mil)
S. maria de catelnouo e sanct. martinho dalpedrinha. e S. Lourenço da Pouoa são comendas de Xpo. as vigairarias Rendem –
S. vicente da villa de S. vicente da beira hé dapresentação do mosteiro de S. jorge de coimbra da ordem de S. agostinho Rende com suas enexas – Ltª (mil) 
S. mª de Stella mosteiro da ordem de S. bernardo. Rende com suas enexas – CC (mil)
(Continua)

Fonte - Será indicada no fim do documento que estamos a publicar.


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