domingo, 20 de outubro de 2013

Covilhã - Os Tombos XII

      Estamos a publicar tombos de várias instituições da Covilhã e seu termo. Já publicámos os tombos dos bens da Misericórdia, dos de Santa Maria da Estrela, dos bens do Bem-Aventurado Senhor São Lázaro, dos bens e propriedades da comenda da Igreja de Santa Maria da Covilhã, de Sam Joam das Refegas existentes no espólio de Luiz Fernando Carvalho Dias, bem como as Inquirições de D. Dinis e de D. João I.
        Hoje continuamos a publicar o “Tombo dos bens foros e propiedades que pertencem ao conçelho da Villa de Couilhã que se fez por mandado do Muy alto e poderoso Rey Dom Phellippe o 2.° de Portugal Nosso Senhor na era de 1615.” Este tombo revela-nos a extensão do concelho da Covilhã no início do século XVII, bem mais reduzida que em séculos anteriores.   

TITULO DOS LUGUARES QUE TEM ESTA VILLA DE COUILHAM DE TERMO QUE 
TEM FREIGUEZIAS 
Aldea do carualho E bojdobra sam arabaldes desta villa E uem a ela a missa:
O luguar do teixoso
O luguar do pouzadouro
O luguar de caria e aldeia do bispo
O lugar de peraboa
O luguar de capinha
O luguar de tortozendo E casal da Serra
O luguar de alquaria o luguar de paul
O luguar de casegas E Soural
O luguar do çamejro
O luguar de Ourondo
O luguar das Reluas
O luguar dos Valles E coutada
os luguares de Janeiro de baixo E de çima.
O lugar de dornelas
O lugar de bogas
O luguar do Vilar
O luguar do Souto da casa
O luguar do frejxial
aldea do joane, aldea noua do cabo Eqinteiros
Fundão: o Chafariz dos Golfinhos

O luguar do fundam

O luguar daldea noua das donas

O luguar de valuerde

O lugar daldea do alcajde

O luguar do ferro

O luguar de Oriais
O luguar de aldea de Souto

O luguar de aldea do mato

O luguar de perouizeu

O luguar de quintan E Salgueiro

O luguar do domingizo


Cortes do Meio





Vale das Cortes, tirado da Bouça

O luguar das cortes

O luguar da erada

O luguar de verdelhos

O luguar de çebolas (sic)

O luguar do barquo

O luguar do pezo

O luguar de Unhais da Serra

O luguar de cambas

O luguar de Siluares

O luguar de Unhais o velho

O luguar do Orvalho Castelejo e lauacolhos

O luguar do telhado
O luguar da leuada
O luguar dos chaos e teixugas
O luguar de fateIa
O luguar dalcangosta


TITOLO QUE CADA LUGUAR TEM EM SEU CONÇELHO EM QUE EL-REI TEM SUA TERÇA:

Luguar daldea do Souto:


tem este luguar huma freiguesia da Invocação de Sam Joam bautista que tera sessenta vezinhos pouco mais o menos no qual ha hum juiz e hum procurador e hum escriuão das achadas E hum curral do conçelho E caza em que fazem seus ajuntamentos E audiençias que parte com Manoel antunes E com João Carualho, E hum forno em que os moradores cozem adua que não rende nada pera o conçelho. E asi tem as propiedades segintes.
tem o concelho deste luguar hum Souto que esta ao barrocal com hum pedaço de terra Junto com ele que ambos tem em comprido cento e sessenta varas e de larguo tem sessenta E coatro varas que parte com terras do botelho de aldea do mato E com a botelha.
tem o dito conçelho outro Souto que esta onde chamão ao areal que tem em comprido duzentas e corenta varas. e de larguo çento E sessenta.
tem o dito conçelho outro Souto que esta onde chamam o curral que tem em comprido outenta varas e de larguo vinte outo varas. E dentro deste Souto Estam feitas algumas cazes, de bois que por serem neçesareas, aos moradores do luguar lhas deixej sem foro, com declaraçam que o conçelho he dereito Senhorio dellas. E todas as vezes que as quiser mandar deRubar ou fazer dellas o que qiser o poderam os ofiçiais do conçelho fazer como Senhorio: hum pequeno de terra que se tirou a pero dominguez que tem em comprido outo varas E de largo tem quatro varas.
Outro pequeno de terra que se tirou a guaspar vaaz que tem em comprido doze varas E de larguo quatro. na qual terra tem aruores de fruto que sam duas olivejras. que se arrendarão para o quonçelho.
tem o dito conçelho dous castinhejros com seu terrado que estam onde chamam as casas de Afonso uaaz que tem em conprido outo varas E de larguo outras outo.
tem o dito conçelho huma terra que esta onde chamão Sam dominguos que tem de comprido outenta varas e de largo quarenta E parte com cham de Sam domjngos E com estrada do conçelho E com Joam frz que leua em semeadura dous alqueires de pão.
pagua o conçelho deste luguar a camara da villa por contrato antiguo trinta reis em cada hum anno.
E não tem outra propiedade com beñs alguns mais que o sobredito E as coimas em que sua magestade tem a terça

Luguar de quaria
O luguar de quaria tem huma so freiguezia da Invocação de nossa Senhora de lauacolos que tera setenta vezinhos E no termo não ha outra freguezia. nelle serue cada año dous juizes hum procurador E tem hum Escriuão das achadas. E não tem vereadores mas ha seis homes que em cada hum año se emlejem E com elles se fazem as posturas E acordos. E todo o mais que pertençe ao guouerno do dito luguar o qual he del Rej noso Senhor e foj termo da villa de Couilham E Inda oje o he no crime por contrato que com a dita villa esta feito ha mais de çem anos que aprezentarão E somente tem a liberdade e Jurdiçam ciuel de que pelo dito contrato guozam e por ella dam cada año aos oficiais da camara desta villa dous Jantares. E o lemite e termo deste lugar esta demar­cado E comfrontado E as terras que estam dentro sam da camara do bispo da guarda aquem pagão foro per prazo muito antiguo, E os bens que tem o concelho deste luguar em que el Rej tem sua terça sam Estes. 
dous fornos em que cozem todos os moradares que se arendam E Rendem segundo sam os anos.
huma carvalhejra de madejra que serue de abigoaria em que ninguém pode cor­tar sem licença a qual esta em dous pedaços hum onde chamam os de dona maria E outro a ribeira de lauacolos.
huma caza decamara E audiençia que também serue de cadea com sua cor­rente E ferros.
hum curral do conçelho em que metem o guado das danos.
a renda das Coimas em que el Rej tem sua terça.
as ervages destas terras. sam do concelho E quando se arendam do rendimento se pagua a terça a el Rej.
tem este conçelho huma fonte (68) a bardado coelho a qual antonio françisca lançara pera fora da propriedade en que a tem Izabel Roiz a guagua tem tomado E apertado huma serventia da conçelho que vaj. da fonte do Ruyvo, pera a varge do conçelho na qual se aranquaram as marcos E se alarguara como estava.
pagua mais o comçelho deste luguar a camara da Villa de Covilhã mil E outenta reis em cada hum año por contrato antiguo

Luguar de Orogãis
o luguar de Orogais tem huma freiguezia da Invocação de S. Pedro na qual serve hum juiz e hum procuradar E hum escrivão das achadas. E nele não tem o conçelho propiedade alguma E os maninhos não sam do concelho que sam de hum fidalguo, E somente tem hum forno de pam E as ervagens que os anos que se arendam se pagua a terça a el Rej noso Sôr E huma caza do conçelho em que se faz audiençia e hum curral do conçelho em que metem o gado das cojmas e as cojmas em que Sua Magestade tem a terça.

Luguar de Caseguas
o luguar de caseguas tem huma freiguezia da Invocação de Sam pedro que tera sesenta vezinhos e nele servem hum juiz e hum procurador E hum escrivão sem terem terra nem propriedade alguma por todo ser forejro. E somento tem hum curral onde ençerram o guado e as cojmas em que el Rej tem a sua terça.

Luguar de janeiro de çima
o luguar de caseguas tem huma freiguezia da Invocação de nosa diguo o luguar de janeira de çima tem huma freiguezia de nosa Senhora dasumpçam que tera trinta freiguezes E nele serve hum Juiz E hum procurador E hum escrivam no lemite do qual não tem o conçelho terra nem propiedade alguma nem outra couza mais que hum curral onde ençerram o guado E as cojmas em que sua magestade tem a terça.

Luguar de Unhais da Serra



Unhais da Serra
o luguar de Unhais da Serra sam freiguezes da Igreja do luguar do paul e seram qinze freiguezes. E nele servem hum juiz E hum procurador E hum escrivam no qual não tem o conçelho terra nem outra propiedade alguma mais que hum carvalhal que pessuem que he da camara da villa de Covilham E lhe paguam de foro dele Em cada hum año qinhentos rs sem terem outra cousa E o curral onde metem o guado das cojmas E asi tem as cojmas em que el Rej tem sua terça.

Luguar daldea do Mato
O luguar daldea do Mato, tem huma freiguezia da Invocação de Santa Anna que tera duzentos vezinhos pouco mais ou menos no qual servem cada año dous juizes E hum procurador E tem mais hum Escrivam das achadas no lemite do qual não tem o comçelho terra nem propiedade alguma que sua seja E os mani­nhos sam de hum fidalguo de lisboa que chamam juam de fiquejredo. Somente tem as ervageñs que se acoutam no tempo em que se vendem. E no rendimento tem sua magestade a terça E as terras que ha neste limite sam todas dizmejras E tambem tem o conçelho nele as cojmas em que outro si tem sua magestade a terça E hum curral em que emçerram os guados. que acham nos danos. E coutadas
pagua o conçelho deste luguar por contrato antiguo a camara (69) desta villa çento e outenta reis em cada hum año.

Lugar da Erada
este lugar da herada tem huma freiguezia da Invocação de Sam pedro que tera setenta freiguezes pouco mais o menos e nele servem hum juiz E hum procura­dor E hum Escrivão no qual não tem o conçelho outra alguma couza mais que huma lamejra que serve de pastos de guados. E hum curral do concelho em que se ençerram os guados. E as cojmas em que sua magestade tem a terça - neste lugar tinha tomado denis lopez huma estrada por çima do luguar onde chamão os tourais E francisco Vaaz outra serventia na Rua do Conçelho quando vam pera a Igreja E manuel barata duas qinas do cham do conçelho no camjnho que vaj pera o paul das quais fica o conçelho restetuido por mandado que pera iso se passou E ficam no estado antiguo.

Luguar da capinha
o luguar da capinha tem huma freiguezia da Invocação de Sam Sebastian que tera duzentos vezinhos E nelle serve cada ano dous juizes e hum procurador E com elles serve hum Escrivam que chamão das achadas. no qual não tem o con­çelho mais que hua caza em que fazem as audiençias E acordos E per baixo esta o açougue E hum curral Em que recolhem o guado E hum carvalhal que serve pera abigaria dos lavradores a madeira E he cojmeiro E nas cojmas tem EI Rej sua terça E assim algus anos. vendem as ervagês dantre os pais. em que tam­bem tem el Rej sua terça. tem mais Este conçelho as cojmas. que a terça dellas Importa huns annos per outros de vinte cinco pera trinta mil reis: pagua o con­çelho deste luguar a camara da villa de Covilham por contrato, muito antiguo çento e çinquenta rs.

Luguar do domingizo

Este luguar do domingizo tem huma freiguezia Que he da Invocação doesprito Santo que tera vinte freiguezes. E nelle serve hum juiz, hum procurador E hum Escrivão da Camara diguo das achadas no lemite do qual não tem o conçelho cousa nem propiedade alguma Somente hum curral onde se ençerra o guado. E as coimas em que el Rej tem a sua terça.

Luguar de peraboa
Este Luguar de peraboa tem huma frejguezia da Imvocaçam de nosa senhora da conseiçam que tera secenta vizinhos E nelle serve em cada hum año hum juiz e hum procurador E com elles hum Escrivão das achadas, no qual não tem o conçelho mais que huma caza que serve, de audiençia E por baixo hum açou­gue - hum carvalhal que serve de madejra pera abigaria que he forejro a huma breatiz robala veuva moradora em val do lobo, termo de penamacor, do qual lhe paguam cada um año huma fanegua de pão. - hum resio Junto a her­mida do martere Sam Sebastiam aonde estam tres fontes todos (sic) de canta­ria lavrada-aroda deste luguar e dentro nelle esta huma ermida da Invocaçam de Sam Sebastião E outra de Sam marcos E outra de nosa Senhora das prezas (sic=preces) E outra do esprito Santo E não tem o concelho outra cousa alguma neste luguar mais que o dito carualhal e resio E as cojmas em que sua mages­tade tem a terça - pagua este luguar de perarboa a Camara da villa de covi­lham em cada hum año per contrato antiguo çem rs.

Luguar do Paul
o luguar do paul tem huma freiguezia da Invocam de nosa Senhora danuncia­çam que tera çincoenta freiguezes pouco, mais ou menos E nele serve hum juiz hum procurador e hum Escrivam no qual não tem o concelho mais que huma coutada que se arenda alguns annos E este presente esta arendada En trezen­tos e tantos reis e asim tem as coimas em que sua magestade tem a terça E não tem outra couza.

Luguar de barquo
o Luguar do barquo tem outra freiguezia da Invocaçam de Sam Simam Judas que tera vinte freiguezes pouco mais ou menos. e neles serve hum Juiz hum procurador e hum Escrivam no qual não tem o concelho outra alguma cousa mais que o curral do conçelho E as cojmas em que sua magestade tem a terça.
Luguar de pero Vizeu
O lugar de pero Vizeu tem huma freiguezia da Invocaçam de nosa senhora da conseiçam que tera cento e vinte vezinhos pouco mais ou menos e nelIe serve hum juiz hum procurador hum escrivam mas o conçelho não tem no dito luguar couza alguma nem curral mais que somente as cojmas em que sua MageStade tem a 3ª

Luguar do pezo
O luguar do pezo tem huma freiguezia da Invocaçam de Santa maria madalena que tera cincoenta vezinhos pouco mais o menos e nele serve hum Juiz hum procurador E hum escrivão mas não tem o conçelho nelle mais que hum curral E as cojmas em sua magestade tem a terça.

Luguar de bojdobra

Campos da Boidobra, junto a Santa Maria da Estrela

O luguar de bojdobra não tem freiguezia nenhuma per quanto os moradores delle vam ouvir missa a huma Igreja do mostejro das frejras de loruão sem o conçelho ter cousa alguma nele por ser como he aro da villa de Covilham.


Luguar de Verdelhos
O luguar do verdelho tem huma freiguezia que he da Invocaçam de Sam pedro que tera dez ou doze vezinhos E neles serue hum Juiz hum procurador hum escrivão mas todas as terras resios valles e propiedades que estam no lemilte delle sam forejros ao conde do Sabugal aquem paguam o foro E Reçam per onde o dito conçelho não tem nele couza alguma curral forno nem cojmas. somente pagua a camara da villa per contrato antiguo em cada hum anño quinze reis:


Luguar do ferro
O luguar do ferro tem houtra freiguezia da Invocaçam do marter Sam Sebastiam que tera setenta freiguezes pouco mais ou menos. E nelle serve hum juiz hum procurador hum escrivão mas não tem o concelho no lemite delle terra nem propiedade alguma por não ser terra de matos Somente tem huma casa em que fazem as audiençias e curral do conçelho E as coimas em que sua Magestade terça.


Luguar de Silvares
O luguar de Silvares tem huma freiguezia da Invocação de Santa Anna que tera cincoenta freiguezes pouco mais ou menos e nelle serve hum juiz hum procurador hum escrivão mas não tem o concelho no lemite delle terra nem propiedade alguma por todo ser da comenda de cristo Somente tem hum curral em que metem o guado E as cojmas em que sua magestade terçaa.


Luguar de tortozendo
Igreja Matriz doTortosendo
o luguar de tortozendo tem outra freiguezia da Invocaçam de nosa Senhora da Olivejra que tera com cazais junto a elle çento E çincoenta freiguezes pouco mais ou menos E nelle serve hum juiz hum procurador E hum escrivam mas não tem o conçelho em todo o lemite delle outra couza mais que o curral do conçe­lho em que metem o guado que acham nos danos E coutadas E assim as coimas em que sua magestade tem a terça.
Notas 68) está fora.
69) tem praça / caza da câmara / e de cortar carne /.

(Continua)


Notas dos editores - As fotografias são da autoria de Miguel Nuno Peixoto de Carvalho Dias.
- Pedimos desculpa por alguns problemas que  houve na entrada desta publicação.
Fonte - Está publicado no II volume de "Os Lanifícios na Política Económica do Conde da Ericeira", págs 162 a 189
As publicações do blogue:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/09/covilha-as-publicacoes.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2013/05/covilha-o-2-aniversario-do-nosso-blogue.html

Os tombos já publicados neste blogue:

http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2013/09/covilha-os-tombos-xi.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2013/08/covilha-os-tombos-x.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2013/07/covilha-os-tombos-ix.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2013/05/covilha-os-tombos-viii.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2013/04/covilha-os-tombos-vii.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2013/03/covilha-os-tombos-vi.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2013/02/covilha-os-tombos-v.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2013/01/covilha-os-tombos-iv.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/12/covilha-os-tombos-iii.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/11/covilha-os-tombos-ii.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/10/covilha-os-tombos-i.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/06/covilha-misericordia-uma-instituicao-de.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/10/covilha-mosteiro-de-santa-maria-da.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/11/covilha-mosteiro-de-santa-maria-da.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/12/covilha-mosteiro-de-santa-maria-da.html.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Covilhã - Memoralistas ou Monografistas III


Retomamos os monografistas da Covilhã, começando com algumas reflexões de Luiz Fernando Carvalho Dias já publicadas neste blogue. Em seguida continuamos a apresentar a Memória de João Macedo Pereira Forjaz.

Alegoria à Fundação da Academia Real das Ciências
“Convém enumerar os autores de monografias da Covilhã, os cabouqueiros da história local, aqueles de quem mais ou menos recebi o encargo de continuá-la, render-lhes homenagem pelo que registaram para o futuro, dos altos e baixos da Covilhã, das suas origens, das horas de glória e das lágrimas, dos feitos heróicos e de generosidade e até das misérias dos seus filhos, de tudo aquilo que constitui hoje o escrínio histórico deste organismo vivo que é a cidade, constituído actualmente por todos nós, como ontem foi pelos nossos avós e amanhã será pelos nossos filhos.” […]
[…] O século XIX abre com o trabalho do luso-brasileiro, oriundo da Covilhã, Dr. João António de Carvalho Rodrigues da Silva sobre a indústria dos lanifícios. Tivemos oportunidade de publicar uma segunda edição deste curioso estudo na revista “Lanifícios”, (a) no ano de 1955. Continua a série com a memória do Dr. João de Macedo Pereira Forjaz, bastante documentada.” (b)

******

“Esta Memória da Covilhã e da sua indústria, da auto­ria de João Macedo Pereira Forjaz foi escrita para a Aca­demia Real das Ciências de Lisboa. Como instrue a notícia manuscrita que a antecede, subscrita pelo Dr. António Mendes Alçada de Morais, que no-la transmitiu, não está completa, embora o pareça, e o seu autor teria sido advogado, segundo a mesma fonte.
Cumpre esclarecer que não encontrámos, no fundo da Biblioteca da Academia das Ciências rasto desta Me­mória, pois não deve ter chegado a entrar na referida instituição; do autor também não achámos qualquer refe­rência no arquivo da Universidade de Coimbra; assim haverá, que rever a hipótese da profissão que lhe foi atri­buída (1).
Devemos a gentileza desta cópia ao Dr. Luiz Filipe da Fonseca Morais Alçada.
     O Dr. António Alçada, como era mais conhecido, nota­bilizou-se como advogado e jurista: escrevia elegantemente e deixou inéditos um livro de versos e um romance incom­pleto cujo enredo decorre na Roma dos Césares. Publicou além de várias minutas de recurso para os tribunais superiores, uma pequena Memória da Covilhã, sua terra natal, como representação da cidade, nos pri­meiros anos da república, destinada a conseguir uma pro­moção a capital de distrito.
Como seu tio, Dr. Valério Nunes de Morais, também o Dr. António Alçada foi jornalista de mérito.
No capítulo da sua actividade jornalística cabe referir não só alguns estudos de história da cidade, publicados na peugada do seu referido tio ou em colaboração com ele, mas também outros, que, sob o pseudónimo de Diogo Nu­nes, dedicou à divulgação dos progressos industriais, ins­pirado em revistas técnicas estrangeiras, o que representa uma contribuição meritória à formação técnica da cidade que lhe foi berço.” (c)

******

“Este manuscrito é devido à pena do eminente advo­gado da vila da Covilhã, Dr. João de Macedo Pereira For­jaz, que o fez para concorrer como candidato à Academia Real das Ciências de Lisboa.
Não chegou a concluí-lo. Parece aliás, concluído.
Esta cópia foi textualmente extraída, sem nada alte­rar do manuscrito existente na biblioteca do Ex.o Se­nhor Dr. Manuel José Gonçalves dos Santos Gascão, con­servando-se a própria ortografia.
Esta cópia foi tirada em 1905 por António Mendes Alçada de Morais e pertence-lhe.” (d)

Descrição Analítica e Económica da Notável vi1la da Covilhã, do seu antigo, e grande distrito, e da famigerada Serra d'Estrela, acompanhada de notas e peças justificativa.
(Continuação)

CAPÍTULO IV

Do modo de aumentar e melhorar as lãs, com a solução do Problema da Real Academia das Ciências de Lisboa do presente ano, sobre a mesma matéria

Tudo o que temos exposto para o pronto restabelecimento e aumento das Fábricas deste Reino, seria na verdade inútll, se acaso se não cuidar primeiro que tudo, no aumento e melhora das lãs. Nós sabemos que os ingleses têm logrado a finura das suas, cruzando as ovelhas do seu país com as de Castela; no governo de Eduardo IV, Henrique VIII e da Rainha Izabel. Os holandeses, estabelecidas a sua antiga república, melhoraram também as suas, acomodando ao seu clima as ovelhas trazidas dos seus estabelecimentos do Oriente. A Suécia, desde o tempo da célebre Cristina, e sucessivamente a Saxónia e Prússia, têm buscado a mesma vantagem, levando ovelhas e carneiros de pais de Espanha, de Inglaterra, e ainda da Arábia a seus gelados climas. Catarina 2ª promoveu o meu objecto, oferecendo grandes prémios de honras, e de interesse, confiando a sua direcção à Academia de Petesburgo: finalmente a França destinou grandes somas para domicilar em seus estados as ovelhas árabes e da India. E à vista disto porque razão não procuraremos nós imitar estas Nações?
A Real Academia de Ciências de Lisboa conheceu bem a nossa falta quando no seu programa do presente ano oferece, com prémio, a solução dos seguintes problemas:
«Que diversidade de lãs há em Portugal?
Em que diferem as nossas das melhores de Espanha?
De que provêm aquelas diferenças?
Quais os meios de melhorar as nossas lãs?»
Sendo pois esta matéria tão análoga ao objecto de que tratamos, e mesmo interessante, e própria para a dita vila, e suas fábricas, diremos que em Portugal só se conhecem três diversidades de lãs, brancas, pretas e jardas.
A primeira destas qualidades é a de que se faz mais apreço, muito principalmente a do Alentejo, por ser mais fina, e por isso a mais capaz de se pôr em obra, que é a que comummente serve para os panos finos que até agora se tem feito na Covilhã e mais fábricas do Reino.
A segunda não deixa de ser bem profícua porque além dos muitos panos grossos que da mesma se fazem e de que veste a maior parte do povo e lavradores (18) se fabricam também as saragoças finas que têm muita estima.
A terceira serve para panos jardos, a que não dão outra cor, e por isso de menos apreço; mas entre todas estas qualidades de lã, a melhor como já se disse, é a do Alentejo; a segunda da comarca de Pinhel; a terceira a da Guarda e Castelo Branco; a das mais comarcas é sem dúvida o refugo, e só pode servir para panos ordinários, e para estambre a que tiver as qualidades necessárias; para o que se aplica muita da que há deste lote, nas ditas três comarcas.
Sendo, porém, o velo composto de muitas qualidades de lã, se costumam separar depois da lavagem, segundo os diferentes usos a que se querem aplicar.
Em França tiram ordinariamente três qualidades de lã de cada tozão, o 1º a que dão o nome de La mere laine, isto é, a lã mais fina que é a do pescoço e a dos lombos; 2ª a lã da cauda e das coxas; 3ª a lã das guelas do baixo ventre e dos outros lugares do corpo. Aquela que chamam Crutton, ou Cruttin, a que damos o nome de chocas, pode, formar uma quarta espécie mas este refugo se reputa como insignificante e de pouco valor.
A primeira ainda a dividem em duas qualidades, distinguindo-se pelos nomes de lã fina e mediana ou a1ta e baixa, e isto, ainda sendo os tozões curtos e finos, longos ou grosseiros.
E para a tirarem dos mesmos tozões uma maior quantidade de lã fina, costumam separar do coração das lãs da segunda e terceira qualidade a lã que está no centro do floco de cada tozão.
Os espanhóis e portugueses fazem, pouco mais ou menos, esta mesma escolha, dividindo-as em finas, medianas, e inferiores, que se chamam primeira, segunda, terceira; os criadores, porém, não as costumam vender em separado, por lhes não ficarem refugos; tal é a divisão que se costuma também fazer das lãs.
Mas a diferença que as nossas têm das melhores de Espanha procede de estas serem mais finas e por isso mais capazes de se fazer delas toda a obra e de admitirem melhor todo o trabalho, produzindo portanto, mais côvadas de panos e dando-lhe mais lustro e gram: porém, esta diferença não provém de outra causa senão da casta das ovelhas porque o clima e os pastos, principalmente do Alentejo, pouco ou nada diferem daqueles de Espanha, e por isso o meio de melhorar as nossas lãs é praticar o mesmo que fizeram os holandeses e ingleses (19) e logo se chegara ao desejado fim, quero dizer de serem as nossas semelhantes não só às de Espanha mas às flandrinas porque estas ovelhas, além de parirem duas vezes cada ano, dão duplicada lã e mais fina do que a de Espanha; e deste modo baixarão os preços dos panos a todas as obras de lã e terão, além disto, os pobres mais de que se sustentar porque não só em lã mas em tudo o mais produzem duplicado do que as nossas e as de Espanha.
Nada se pode porém duvidar que a natureza e as qualidade de clima contribuirão alguma coisa para a multiplicação e boa conveniência destes animais, porém, cumpre convir que a Arte tem nisto lugar como em tudo o mais.
Espanha e Inglaterra são tão diferentes nos climas como nos pastos, e isto não obstante, se criam nestes reinos boas ovelhas que produzem a melhor e a mais fina lã da Europa. Mas, contudo degenera, é preciso que a Arte supra estes defeitos, pois ainda que estas ovelhas degenerem alguma causa, como sucede a todos os animais, que vem da Índia e doutros 1ugares, sempre a utili­dade seria incomparável para o nosso paiz porque para a qualidade de lã nem o pasto nem o tamanho nada faz ao caso, a casta é que faz tudo (20).
Em França há ovelhas que chamam bastardas cujo pai é flandrino e a mãe do paiz, e não sendo muito maiores que as mães, dão dobrada lã e mais fina, e isto pastando no mesmo terreno e sendo tratada da mesma forma, logo a casta faz mais do que o pasto; pode ser que este concorra alguma cousa, e o bom tratamento, mas o principal é que sejam destas castas (21) e por isso o Governo devia cuidar em mandar vir para as provincias, e para todo o Reino, destas ovelhas, mesmo da India ou Flandrinas, pelo menos os pais, porque só assim poderá ter Portugal lans em abundância e finura, e prosperar um animal que sempre constituiu nos tempos da mais remota antiguidade, a principal riqueza e substancia dos habitadores da terra, dos mesmos reis e patriarcas, e que é ainda hoje o mais util e interessante do Comercio, e a todos geralmente, podendo então gosar melhor, deste manan­cial de riquezas que é sem duvida todo o intuito da Real Academia na pro­posição dos problemas a que tenho a honra de responder (22).
Sala de sessões da Academia das Ciências de Lisboa

Notas: 
18) Campomanes no seu Discurso sobre a Industria Popular pag 106, diz que, segundo os holandezes, as fabricas de maior despendio, são mais uteis, ao Comercio e neste numero entram as grosseiras e por isso mesmo preferiveis porque, segundo os holandeses, as fabricas de maior despendio, são mais uteis, ao porem em Portugal uma e outras podem prosperar.
19) Compomanes no seu Discurso sobre a Industria Popular pag 97, diz que as lãs de boa qualidade só os Ingleses as teem mas que proíbem a sua extracção até com pena de morte, e que os seus juizes supremos se sentam sobre sacas de lã para que se lembrem que deve a Gram Bretanha, a este ramo o fundamento do seu grande poder.
20) Tendo vindo a Cadis uns carneiros bravos de Africa os comprou o velho Columela, segundo diz seu sobr:nho, lançou-os às suas ovelhas e melhorou sua casta. Cruzou depois os carneiros desta nova casta com as ovelhas de Taren­to e as lãs de suas crias tiveram a finura das mães com a excelente cor dos pais.
Veja-se Legier na sua bela obra de Maison rustique p. 1, L. 4. Cap. 3, pag 259, onde confirma a nossa asserção, acrescentando que um carneiro da raça flandrina, que com muita facilidade pode vir de Holanda, serve para 50 ovelhas.
21) Quando em Inglaterra, diz Legier, na citada obra, se quizeram multi­plicar as novas raças de ovelhas, se enviaram a cada uma das freguesias do reino onde as pastagens eram melhores duas destas ovelhas, com um carneiro, com ordem de se não matar nem castrar nenhum em sete anos e se recomendou a guarda dos mesmos a um gentilomem ou a um lavrador principal do povo ao qual se isentou de todos os pedidos e impostos.
Eis aqui uma ordenança que se devia adoptar em Portugal. Na Gazeta de Lisboa do ano anterior de 1815, nº 173, no Cap. de Paris, de 16 de Outubro, diz assim:
«Sua Mag.e El Rei da Prussia mandou comprar 1.000 a 1.200 carneiros merinos, para serem transportados à Prussia afim de ali melhorarem o gado lanar. Todas as compras se fizeram a di­nheiro de contado e quase todas foram feitas no departamento do Sena e Oise».
Eis aqui também uma nova prova da verdade exposta.
22) Vejam-se sobre a presente matéria as Memórias de Cartier, com o ti­tulo = Essai historique et politique sur la race du brebis a laine fine = Con­siderat'on sur le moin de retablir en France les bones especes de betes à laine = Instruction sur la manière d'elever, et de profiter les betes à laine, e se verão basificados os nossos pensamentos.
(Continua)

Notas dos editores - a) Revista que era propriedade da FNIL - Federação Nacional dos Industriais de Lanifícios.
bPublicação neste blogue em 29 de Maio de 2011.
c)Texto da autoria de Luiz Fernando Carvalho Dias.
d)Texto de António Mendes Alçada de Morais.
1) Encontrámos posteriormente no espólio de Carvalho Dias as seguintes referências a cargos desempenhados por João de Macedo Pereira da Guerra Forjaz de Gusmão, que denotam não haver sido formado em Direito:
Vedor dos Panos da Fábrica da Covilhã - alvará de 23/10/1804, Livº 73, fls. 148 da Chancelaria de D. Maria I;
Escrivão do Geral da Vila da Covilhã, alvará de 07/01/1806, Lº 76, fls. 143, da Chancelaria de D. Maria I;
Repartidor dos Órfãos da Vila da Covilhã, alvará de mercê 07/01/1806, Lº 74, fls. 259 vº e alvará de propriedade do mesmo, da mesma data, Lº 76, fls. 143 da mesma Chancelaria, cargo que renunciou em 23/10/1813, Lº 16, fls. 122  da Chancelaria de D. João VI.


As Publicações do Blogue:

domingo, 13 de outubro de 2013

Covilhã - Inquéritos à Indústria dos Lanifícios XXII-XX

Inquérito Social XX

  Continuamos a publicar um inquérito social “Aspectos Sociais da População Fabril da Indústria dos Panos e Subsídios para uma Monografia da mesma Indústria” da autoria de Luiz Fernando Carvalho Dias realizado em 1937-38.

Capítulo X

FAMÍLIA
(Continuação)

           É agora ocasião de fazer referência ao trabalho das mulheres dentro da indústria de lanifícios. A posição da mulher na família tem uma grande importância para o estudo moral, social e económico de uma população.
            A mulher que trabalha nas fábricas sofre vulgarmente uma desvalorização na sua consciência moral, começa a olhar a vida com óculos diferentes; ganhando para si, sente necessidade de maior independência, levando-a, por isso, a não ligar a certos conceitos sociais e morais; afasta-se da vida familiar, acostumando-se a certa liberdade que na família não pode ter; fazendo uma concorrência ao trabalho do homem provoca um aviltamento de salários.
            Na sequência do exposto, vamos comparar a mão de obra masculina com a mão de obra feminina, tendo em vista a população de cada grémio:


            Portanto concluimos daqui que a mão de obra feminina nos grémios do norte e do sul é superior à mão de obra masculina. O grémio da Covilhã é aquele onde, em proporção, a mão de obra feminina é menor. Para que a percentagem da mão de obra feminina no grémio do Sul fosse proporcional à da Covilhã, era preciso que em vez das 1.576 mulheres que nele trabalham, trabalhassem 703. Na Covilhã há profissões exclusivamente para homens, como a tecelagem e a tinturaria. Conviria, até por uma razão de justiça económica, sem havermos de atender ao ponto de vista moral, determinar que certas profissões fossem reservadas exclusivamente para os homens; naqueles centros em que não houvesse um número de homens suficiente para as preencher, recorrer-se-ia ao trabalho feminino, remunerado, porém, como se os assalariados fossem masculinos. Evitar-se ia, assim, que o aumento do trabalho feminino conduzisse ao aviltamento de salários.
            A protecção ao trabalho masculino equivale ainda a uma consequente protecção da família, pois dá azo a que novas famílias se constituam e, daí, a um aumento da população.
            Vamos agora desdobrar a estatística do trabalho feminino acima publicado.

           
                       Conclui-se que, mesmo depois de feita a discriminação das três alíneas, a Covilhã continua a ser a região do país onde, em proporção, o trabalho feminino é menos explorado.
            A classe A (<18 anos) é constituída, geralmente, por filhas de família: pretendem com o seu trabalho aumentar o salário familiar. Dão quase todo o salário aos pais.
            A classe B (Solteiras >18 anos) é constituída por operárias solteiras com mais de 18 anos: sendo filhas de família pagam aos pais uma certa quantia pela alimentação, guardando o resto para vestir e calçar e outros extraordinários, entre os quais, predomina o luxo; operárias solteiras, com filhos, que trabalham para o sustento próprio e dos filhos, e que vivem com estes; operárias solteiras sem encargos de família, que vivem unicamente do seu trabalho.
            A classe C (Mulheres em estado conjugal) é constituída por aquelas mulheres que vivem em estado matrimonial e trabalham nas fábricas, ou porque o trabalho do homem é diminuto, ou porque este não trabalha; é constituída ainda por aquelas cujos maridos trabalham, mas pelo facto do casal não ter filhos, ou tê-los já criados, não é essencial em casa a sua presença e por aquelas mulheres cujos maridos emigraram.

*
*             *

            Na classe C fizemos referência a todas as mulheres em estado matrimonial que vivem na indústria dos lanifícios. Nesse número estavam, portanto, incluídas as mulheres dos operários que trabalham na indústria. Mas como tem interesse saber-se separadamente o seu número, vamos apresentá-lo em seguida:

Covilhã ........... 255
Gouveia ...........145
Sul ...................105
Castanheira ...... 28
Norte ................ 27

            
As 255 mulheres, casadas com operários de lanifícios, no grémio da Covilhã, são, em geral, mulheres casadas há pouco tempo; mulheres sem filhos, mulheres com maridos inválidos ou desempregados; mulheres cujos maridos são pegadores de fios; e mulheres que trabalham em casa, em serviços industriais de espinça ou meter fios.
Nos outros grémios as mulheres dos operários empregam-se por razões idênticas.

No grémio de Gouveia existem bastantes mulheres que saíram da fábrica quando casaram, mas que voltaram a ela pela emigração dos maridos.

*
*             *

            Casais sem filhos
           
            Segue-se uma estatística dos operários sem filhos que vivem em estado matrimonial. Encontram-se nestas circunstâncias 1.341 operários. Predominam entre eles os que têm menos de 40 anos de idade, pelo que somos levados a concluir que a maioria deles casou há pouco tempo e que, em nova estatística entrariam já no número dos operários casados, com filhos. Nos boletins destes operários encontra-se muitas vezes em resposta à pergunta “tem filhos?”, esta expressão: “em vésperas” e “a mulher está grávida”.
            Na estatística presente aparecem os operários em questão, separados pela idade e pelo sexo:



            A distribuição dos casais sem filhos, conforme o estado civil, pode consultar-se no final deste capítulo.

*
*              *

            Casais com filhos

            Procurou-se com as estatísticas dos casais com filhos, dar à FNIL a possibilidade de calcular, em qualquer momento, os encargos que um salário familiar poderia acarretar e ao mesmo tempo mostrar neste inquérito, a constituição da família operária e o seu possível aumento.       

            Já ficou transcrita atrás a idade dos operários casados, sem filhos, passamos, por isso, a apresentar uma estatística referente à idade dos operários que vivem em estado matrimonial e têm filhos:


(Continua)


Nota dos editores - Como inserimos as tabelas segundo o sistema de imagem, aconselhamos os nossos leitores a clicarem com o rato sobre elas, para que o visionamento seja mais perfeito.

As Publicações do Blogue:
Inquéritos III - I
Inquéritos IV - II
Inquéritos V - III
Inquéritos VI - IV
Inquéritos VII - V
Inquéritos VIII - VI
Inquéritos IX - VII
Inquéritos X - VIII
Inquéritos XI - IX
Inquéritos XII - X
Inquéritos XIII - XI
Inquéritos XIV - XII
Inquéritos XV - XIII
Inquéritos XVI - XIV
Inquéritos XVII - XV
Inquéritos XVIII - XVI
Inquéritos XIX - XVII
Inquéritos XX - XVIII
Inquéritos XXI-XIX