quarta-feira, 16 de abril de 2014

Covilhã - Os Jesuítas V


    Como encontrámos no espólio de Luiz Fernando Carvalho Dias uma pasta sobre Jesuítas covilhanenses ou que se fixaram na Covilhã, continuamos hoje a publicar o tema a eles dedicado.
    A Companhia de Jesus foi fundada por Santo Inácio de Loyola que nasceu em 1491 no País Basco – Azpeitia – proveniente de uma família de fidalgos de província e morreu em Roma em 1556.
    A Companhia de Jesus entra em Portugal no reinado de D. João III, através de Francisco Xavier e Simão Rodrigues e tendo como pontos de partida Lisboa, Coimbra e Évora, toma nas suas mãos o ensino e a organização da missionação das colónias.

    Vamos hoje acompanhar Jesuítas nascidos na Covilhã no século XIX.

XIX - José da Cruz Tavares 
  

Nasceu em 1847 na Covilhã. Estudou Humanidades, Filosofia e Teologia. Foi Provincial, vice-Provincial da Companhia, tendo incrementado a missionação em Goa, Macau e Moçambique. Foi vice-Reitor do Colégio de Setúbal e Reitor do Colégio de S. Fiel. Em 1908-1910 foi superior da Residência da Covilhã.
Publicou vários artigos no "Novo Mensageiro do Coração de Jesus", como "A Beata Margarida Maria Alacoque", o "Padre Malagrida" e outros: "Catalogus Provinciae Lusitanae", etc.. 
Faleceu em Espanha, em 1916. 


XX - José Manuel Gonçalves Chalão



XXI Manuel Almeida Francês


XXII João Pereira (Presunto Cardona)



Nasceu na freguesia de S. Pedro (Covilhã) a 20 de Fevereiro de 1872. Era filho de João Pereira Presunto e de Antónia Benedita Cardona. Entrou na Companhia de Jesus em 1 de Outubro de 1891. Fez profissão religiosa em Macau, a 2 de Fevereiro de 1909.
Faleceu em Belgão (Índia) a 18 de Dezembro de 1954.
Por curiosidade diremos que era primo direito de Álvaro da Cruz Dias  e de D. José do Patrocínio Dias, antigo Bispo de Beja, respectivamente avô paterno e tio-avô do editor deste blogue. 

As Publicações do Blogue:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/09/covilha-as-publicacoes.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2013/05/covilha-o-2-aniversario-do-nosso-blogue.html

Estatística baseada na lista dos sentenciados na Inquisição publicada neste blogue:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/11/covilha-lista-dos-sentenciados-na.html


Publicações neste blogue sobre os Jesuítas:

http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/03/covilha-os-jesuitas-iv.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/02/covilha-os-jesuitas-iii.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/01/covilha-os-jesuitas-ii.html

domingo, 13 de abril de 2014

Covilhã - Inquéritos à Indústria dos Lanifícios XXVII-XXV

Inquérito Social XXV

    Continuamos a publicar um inquérito social “Aspectos Sociais da População Fabril da Indústria dos Panos e Subsídios para uma Monografia da mesma Indústria” da autoria de Luiz Fernando Carvalho Dias, realizado em 1937-38.

Capítulo XIV

Comércio

            Ao abordarmos o problema da grande e da pequena empresa tivemos ocasião de nos referir ao facto de, em certo momento, o tecelão e o mercador serem a mesma pessoa.
            Este facto ainda persiste, como dissemos também, nos centros da indústria regional, por exemplo Minde. O comércio de lanifícios é aqui realizado e dirigido pelo industrial.
            Este mesmo facto se nota ainda nos centros em que a indústria está mais desenvolvida, embora em menor escala.
            Assim, na Covilhã há industriais que produzem e vendem directamente ao público ou através de armazéns próprios ou em feiras. Outros ainda há que vendem os produtos manufacturados ao armazenista e ao público, conjuntamente.
            Quanto ao comércio dos lanifícios muito haveria que dizer se este inquérito não fosse simplesmente dirigido aos operários. Portanto vamos agora referir-nos às relações do operário com o comércio em geral.
            Este capítulo quase que serve unicamente para fazer referência às cooperativas.
            No grémio do Sul encontramos vários operários, sócios de cooperativas, o mesmo acontecendo nos grémios do Norte e da Covilhã.
            Do grémio de Gouveia nada podemos dizer em pormenor porque os boletins nenhuma indicação nos oferecem.
            A Covilhã vai ocupar sobretudo a nossa atenção. Aí existem duas cooperativas que englobam a quase totalidade dos operários covilhanenses. O comercio local várias vezes se queixa da concorrência que as cooperativas lhe fazem. A única forma de se equilibrar reside nos métodos de realizar o comércio – vendendo a fiado e a prestações. É claro que tanto uma forma de vender como outra auxilia, de certo modo, a economia do operário.
            Quanto às duas cooperativas há a dizer que delas são sócios tanto operários de lanifícios, como os não operários, os operários e os patrões. A mais antiga denomina-se “A Social da Covilhã” e a mais moderna “Cooperativa de Renovação Social”. A primeira teve origens acentuadamente comunistas e socialistas; a segunda características católicas.
            Damos por concluído este capítulo, ajuntando ao que dissemos, os estatutos de ambas.

A capa das brochuras dos estatutos das duas cooperativas


Capítulo XV

Cultura Intelectual

                    Um dos aspectos mais cruciais do problema social operário, em Portugal, é sem dúvida este da cultura e da educação das massas.
          A estatística dos operários que sabem ler e escrever e a dos analfabetos são suficientemente elucidativos. A sua clareza bastava por si, independentemente de comentários, para verificar a agudeza do problema se não acrescesse ainda, ao mal do analfabetismo, a deficiente formação das elites patronais, problema já exposto no capítulo consagrado ao patronato, e a falta de educação no seio das famílias; a desorganização que a indústria moderna trouxe aos lares com o trabalho das mulheres e dos menores; a facilidade de penetração revolucionária nas massas, tanto mais acentuada quanto menor é o seu poder de apreensão da verdade.
            As estatísticas referentes ao analfabetismo são preciosas para a resolução do problema da educação operária que, como dissemos no período anterior, não é mais do que uma parcela deste capítulo da cultura intelectual dentro da indústria dos lanifícios.
            Antes de publicarmos as estatísticas, compete-nos primeiro dizer as razões que, em certos centros do país, nos parece explicar a maior quantidade de analfabetos, em contraposição com outros centros onde o seu número é sensivelmente menor.
            Há lugares no grémio de Gouveia em que, embora a população industrial diga respeito unicamente a uma fábrica, o número de analfabetos é nulo, enquanto que noutras terras, em circunstâncias idênticas, o número de analfabetos é máximo. Em todas as terras onde floresce a indústria de lanifícios, a organização do trabalho não pode explicar esta diversidade de situação no problema, pelo que há que procurar as razões do analfabetismo no maior ou menor cuidado que os professores põem no cumprimento da lei que obriga os menores a frequentar a escola.
            O problema do analfabetismo anda muito ligado com o da educação dos filhos dos operários. Em princípio, a educação na família é a mais perfeita – mas já vimos no capítulo consagrado à família quanto ela é deficiente e, por vezes, prejudicial. A escola já vimos como cumpria o seu dever: este depende unicamente o espírito de apostolado do professor. A Mocidade Portuguesa operária, resolveria duplamente o problema; contribuiria para a diminuição do analfabetismo e tratava da formação de “elites” na massa operária, que o mesmo é dizer, aristocratizava a massa, dava-lhe consciência do seu papel nacional.
            O que se fez até hoje, dentro dos lanifícios, para modificar a mentalidade dos operários? Sejamos francos, já que não temos motivos para estar orgulhosos: é forçoso confessar que a massa tem continuado abandonada e os sindicatos abandonados estão também, por falta de dirigentes sindicais: corporativismo sem dirigentes preparados, numa organização fomentada pelo Estado, é corporativismo sem possibilidades, corporativismo agonizante que faz descrer os operários de organização, contribuindo somente para a perda do dinamismo da ideia.
            Se a população escolar da Covilhã fosse proporcionada às suas necessidades, e dentro da orientação pedagógica actual, precisavam-se dentro da área da cidade, mais 20 professores do que os existentes.
            Calcule-se daqui, qual o poder de valorização da massa perante todos os ideais colectivos, se a Mocidade Portuguesa agrupasse em si, obrigatoriamente, toda a população, de ambos os sexos, em idade escolar, assim como aqueles cuja idade vai dos 12 até aos 18 anos, quer fossem operários menores, quer filhos de operários.
            Ponhamos de parte já o ponto de vista ideológico e patriótico: a farda, a higiene, os exercícios, os dias obrigatórios no campo, modificariam não só o ambiente moral em que presentemente se dissolve a nossa mocidade operária, mas dar-lhe-ia alegria, saúde, espírito de solidariedade, vontade para o trabalho e consciência do serviço nacional que este representa. Com sacrifício, vontade de realizar e tenacidade, tudo seria possível se os senhores industriais sacrificassem à realização desta obra, alguns dos seus lucros. A indústria seria a primeira a beneficiar desta reeducação das massas.
            É tempo de começarmos a transcrever a estatística onde os operários de lanifícios são distribuídos segundo o mínimo grau de cultura: saber ler e escrever.

Grémio da Covilhã
Idade
Masculinos
Femininos
Total

Sabe
Não
Sabe
Não
Sabe
Não
12/14
140
173
10
14
150
187
15/18
358
301
125
181
483
482
19/20
180
106
54
111
234
217
21/25
320
277
91
269
411
546
26/30
254
283
39
188
293
471
31/35
175
220
33
117
108
337
36/40
130
239
15
94
145
333
41/45
108
123
6
53
114
176
46/50
13
1426
6
57
119
199
51/55
78
109
5
31
83
140
56/60
54
107
1
24
55
131
61/65
40
70
0
9
40
79
66/70
10
25
0
8
10
33
71/80
12
17
0
4
12
21
Total
1972
2192
385
1156
2357
2348
             

Grémio de Gouveia
Idade
Masculinos
Femininos
Total

Sabe
Não
Sabe
Não
Sabe
Não
12/14
68
42
20
20
88
62
15/18
215
129
119
79
334
208
19/20
57
35
58
55
115
90
21/25
166
94
96
118
262
212
26/30
146
114
47
87
193
201
31/35
102
48
59
40
161
88
36/40
50
78
35
49
85
127
41/45
45
47
5
29
50
76
46/50
42
54
2
39
44
93
51/55
30
36
12
18
32
54
56/60
34
37
2
18
36
55
61/65
16
28
1
7
17
35
66/70
4
11
0
7
4
18
71/80
8
8
0
1
8
9
Total
983
761
446
567
1429
1328


Grémio do Sul
Idade
Masculinos
Femininos
Total

Sabe
Não
Sabe
Não
Sabe
Não
12/14
19
15
29
18
48
33
15/18
91
28
110
53
201
81
19/20
41
14
30
52
71
66
21/25
100
54
135
158
235
212
26/30
87
68
84
149
171
217
31/35
79
23
64
128
143
151
36/40
58
23
78
104
136
127
41/45
47
18
40
73
87
91
46/50
50
24
26
71
76
95
51/55
34
15
18
50
52
65
56/60
30
20
12
36
42
56
61/65
25
20
5
18
30
38
66/70
16
8
3
14
19
22
71/80
5
13
1
7
6
20
Total
682
333
635
941
1317
1274


Grémio de Castanheira de Pera
Idade
Masculinos
Femininos
Total

Sabe
Não
Sabe
Não
Sabe
Não
12/14
33
16
12
11
45
27
15/18
82
69
53
54
135
123
19/20
26
13
37
24
63
37
21/25
64
75
47
53
111
128
26/30
86
41
22
40
108
81
31/35
41
13
7
19
48
32
36/40
33
24
5
20
38
44
41/45
21
10
6
10
27
20
46/50
14
12
1
10
15
22
51/55
6
6
0
8
6
14
56/60
8
6
1
7
9
13
61/65
6
7
0
4
6
11
66/70
2
6
0
2
2
8
71/80
0
6
0
0
0
6
Total
422
306
193
260
615
566


Grémio do Norte
Idade
Masculinos
Femininos
Total

Sabe
Não
Sabe
Não
Sabe
Não
12/14
6
1
4
5
10
6
15/18
22
3
32
44
54
47
19/20
10
1
12
24
22
25
21/25
21
9
29
73
50
32
26/30
26
17
20
46
46
63
31/35
14
13
12
25
26
38
36/40
6
10
13
24
19
34
41/45
4
5
4
8
9
12
46/50
1
3
3
11
4
14
51/55
4
13
5
6
9
19
56/60
4
3
3
7
7
10
61/65
1
1
1
3
2
4
66/70
1
1
  0
2
1
3
71/80
2
1
0
0
2
1
Total
122
81
138
278
260
359


            Transcritas as estatísticas, vamos seguidamente, para terminar, indicar as percentagens de analfabetos em cada grémio.

                        Grémio da Covilhã                      58%
                        Grémio de Gouveia                     48%
                        Grémio de Castanheira                48%
                        Grémio do Sul                             49,1%
                        Grémio do Norte                         57%


As Publicações do Blogue:

Capítulos anteriores do Inquérito Social:
Inquéritos III - I
Inquéritos IV - II
Inquéritos V - III
Inquéritos VI - IV
Inquéritos VII - V
Inquéritos VIII - VI
Inquéritos IX - VII
Inquéritos X - VIII
Inquéritos XI - IX
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Inquéritos XVIII - XVI
Inquéritos XIX - XVII
Inquéritos XX - XVIII
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http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2013/11/covilha-inqueritos-industria-dos.html
Inquéritos XXIV-XXII
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Inquéritos XXV-XXIII
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Inquéritos XXVI-XXIV
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