quarta-feira, 18 de junho de 2014

Covilhã - Memoralistas ou Monografistas IX

    Continuamos hoje a publicar os monografistas da Covilhã, começando com algumas reflexões de Luiz Fernando Carvalho Dias já publicadas neste blogue.
        
“Convém enumerar os autores de monografias da Covilhã, os cabouqueiros da história local, aqueles de quem mais ou menos recebi o encargo de continuá-la, render-lhes homenagem pelo que registaram para o futuro, dos altos e baixos da Covilhã, das suas origens, das horas de glória e das lágrimas, dos feitos heróicos e de generosidade e até das misérias dos seus filhos, de tudo aquilo que constitui hoje o escrínio histórico deste organismo vivo que é a cidade, constituído actualmente por todos nós, como ontem foi pelos nossos avós e amanhã será pelos nossos filhos. […]
Para a Academia Real da História, no século XVIII, destinada ao primeiro dicionário do Padre Luís Cardoso, escreveu o prior de São Silvestre, Manuel Cabral de Pina, a monografia mais completa dessa época, que constitui um trabalho sério, no sentido de que é possível hoje referenciar quase todas as suas fontes. O Padre Pina, que frequentou um ano a Universidade de Coimbra, era natural do concelho de Fornos de Algodres e colheu muitos elementos para a sua monografia nas cópias do Arquivo da Torre do Tombo existentes na Câmara e nos livros paroquiais."


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      Pelas leituras que temos feito podemos concluir que o texto que estamos a apresentar - Monografia de o Padre Manuel Cabral de Pina - não é o original. Trata-se de uma cópia, pois constatámos que ao longo da monografia aparecem, por vezes, frases entre parêntesis e até com letra diferente feitas por alguém que, em época posterior, pretendeu incluir no texto original dados mais recentes. Num dos casos chega-se a datar: "...Esta nota se fez em 1850".
"O original perdeu-se no Terramoto. A cópia que possuo é dos princípios do séc. XIX, mas posterior às invasões Francesas. Cedeu-me um exemplar o Ex.mo Senhor Artur de Moura Quintela... O questionário que lhe serviu de base é diferente daquele que foi enviado aos párocos, depois do Terramoto de 1755." (1)

[...]


Folha do início do capítulo 11º


11º.
Esta vila teve sempre famílias nobres porque El Rei D.Sebastião, em uma provisão sua de 6 de Julho de 1570, declara que ela era povoada de muitos fidalgos cavaleiros e pessoas de nobre geração e da criação dos Reis. Ainda tem muitas que são as seguintes:
SILVESTRE MONTEIRO DE SANDE E SOUSA, Cavaleiro do hábito de Cristo. Seu pai o doutor Manuel Monteiro de Sande e Sousa, foi dezembargador da Relação do Porto. E seu avô paterno o doutor Francisco Monteiro de Leiria e Sousa foi dezembargador do paço. Os apelidos são Monteiro, Sande e Sousa. Tem carta autêntica passada em nome de El Rei D. Sebastião, pela qual consta que ao seu ascendente Diogo Rodrigues Monteiro foram concedidas as armas pelos Monteiros, conforme as de D. Fernando Monteiro, seu tridécimo avô que ganhou a serra de Minde e Porto de Mós aos Mouros e conforme as de Diogo Afonso Monteiro, senhor de Cinco Vilas, seu terceiro avô e conforme as de Diogo Roiz Monteiro, seu avô, que foi um dos doze que passaram o Douro a nado para livrarem ao Príncepe D. João da traiçâo da ponte de Zamora e são as seguintes:
Um campo de prata e nele três cornetas negras, guarnecidas pelo meio, e os bocais de ouro e os cordôes de fio de ouro. No chefe do escudo uma flor de liz azul. Elmo de prata aberto, guarnecido de ouro. Timbre uma das mesmas cornetas. Outrossim consta da mesma carta que como o dito Diogo Roiz Monteiro, por sua mãe D. Branca de Sousa, era neto de D. Cristóvão de Sousa o qual descendia do Infante Sancho Sanches de Sousa, filho de El Rei D. Sancho lº, lhe foram concedidas as armas pelos Sousas na forma seguinte: Em campo branco, cinco escudos azuis, e em cada escudo cinco quinas brancas que eram do dito Infante, quarteadas com quatro luas minguantes azues, em campo amarelo, que eram do Príncepe Abomalique, o qual fora vencido e morto pelo dito infante, em campo de pessoa a pessoa. Elmo de prata aberto, guarnecido de ouro; timbre um punhal atravessado do meio para a ponta, tinto em sangue, com algumas gotas que lhe caiem. Consta mais da mesma carta que o Dr. Rodrigo Monteiro, relatado por Gamdeçei. 32. onde diz que era doutíssimo, pai do dito Diogo Roiz Monteiro, fo­ra fidalgo da casa de El Rei, dezembargador dos agravos da Casa da Suplicação e Chanceler Mór dela e do Conselho de El Rei D. João 3º, cujo filhamento teve tambem o dito seu filho. E que o dito D. Cristóvão de Sousa fora embaixador de El Rei D. Manuel a várias partes e depois capitão geral e governador do exército mandado a Africa em socorro de Arzila, por El Rei D. João 3º.
António da Silva de Serpa e seu irmão Diogo da Silva de Serpa, filhos de Diogo de Serpa da Silva, já falecidos. Apelidos: Silva e Serpa e consta por instrumento autêntico serem dos verdadeiros Silvas deste reino como descenden­tes de Jorge da Silva, abaixo declarado. O dito Jorge da Silva de quem descendem, consta do mesmo instrumento que foi fidalgo da casa de El Rei, dos verdadeiros Silvas deste Reino, da casa do Regedor, em tempo de El Rei D. João 3º e irmão de Manuel da Silva, aposentador mór do reino no tempo do mesmo rei, o qual Jorge da Silva morou no Souto da Casa, deste termo, e teve três filhas, uma das quais chamada D. Ana da Silva, casou com Jorge de Serpa, filho de António de Matos, desta vila da Covilhã, os quais ambos eram tambem fidalgos e pessoas conhecidas e muito nobres como declara o mesmo instrumento .
O mesmo Jorge da Silva era sobrinho de D. Diogo da Silva, arcebispo de Braga, o qual era senhor das casas chamadas do Outeiro do Bispo, freguesia de Aldeia de Joanes e, estando nelas pousado o mesmo arcebispo, passou um alvará em 18 de Novembro de 1540, ao tempo de dito casamento que diz: “que ele se obrigava a dar ao dito Jorge da Silva, filho de António de Matos, morador em Covilhã por  moço fidalgo a El Rei D. João 3º com a moradia que ao tal foro pertencia e disso lhe passar alvará de filhamento o dito Rei e isto por ele casar com D.Ana da Silva, sua sobrinha, filha do dito Jorge da Silva”. Tudo consta do mesmo alvará acima relatado que eu vi e li. Deste matrimónio nasceu Diogo de Serpa da Silva que no ano de 1615 fez justificação de sua nobreza e tirou instrumento autêntico que existe. Foi cavaleiro do hábito de Cristo de que existe padrão de mercê. A um Manuel da Silva desta família, por ir na Jornada de Africa com El Rei D. Sebastião e ficar cativo na batalha de Alcácer e estar no cativeiro mais de vinte e sete anos e se resgatar à sua custa e tambem pelos serviços que fez neste reino, concedeu El Rei, no ano de 1609, o hábito de Cristo com quarenta mil reis de tença e com promessa de uma Comenda de cem mil reis, cuja tença vagaria tanto que entrasse na Comenda, de cuja mercê existe padrão. Tem esta família sepultura própria na capela de Senhor, na igreja de Santa Maria desta vila, de que há título autêntico. Havia nesta casa uma carta de um Rei na qual convidava a um ascendente desta família para ir a uma festa que se fazia donde se mostra que eram pessoas graves de que os Reis faziam muita conta. Não vi brazão de armas.
BERNARDO DE MACEDO CASTELO BRANCO. Os apelidos desta família são Macedo, Castelo Branco, Feio e Costa. Consta de uma carta autêntica, passada em nome de El Rei, em pública forma, que existe, que esta família é dos Costas e Feios legítimos deste reino. Tem brazão de armas que são as seguintes: o primeiro dos Macedos, escarlatado de azul, com cinco estrelas de ouro de oito fitas em aspa. O contrário dos Costas, de vermelho com seis costas de prata, fixadas cada três em pala. O segundo de Castelo Branco, com um leão de ouro rompante, armado de vermelho e o contrário dos Feios de ouro com três bandas de vermelho e por diferença uma flor de liz de ouro. No timbre um braço vestido de azul com uma maça de ouro na mão. Elmo de prata aberto, guarnecido de ouro. Paquife de metais e cores do arnez. Teve esta família filhamento de moço fidalgo da casa de El Rei, que agora não existe. Teve, também, nos tempos antigos o padroado da igreja de S. Silvestre desta vila, que lhe foi concedido por D. Gonçalo, conde de Carrião, e da infanta D. Aldonça, filha de D. Bermudo 2º  Rei Godo (sic) em Espanha, de que nasceram dois filhos, chamados os Infantes de Carrião, por nome D. Diogo Gonçalves e D. Fernão Gonçalves. Casaram estes com as filhas do celebrado Cid Rui Dias e depois as afrontaram notavelmente e as açoutaram. O Cid os acusou diante de El Rei D. Afonso 6º de Castela; tiveram os taes infantes contra sí uma rigurosa sentença e foram julgados por aleivosos por cuja razão fugiram e um deles se veio a Portugal. Até aqui consta das Crónicas de Hespanha e Portugal. Porem, de um livro de memórias antigo que existe em casa do dito Bernardo Macedo, consta mais que o tal infante que veio a Portugal fez assento na Beira em sítio distante da Covilhã uma légua, onde chamam Alvares, que no tempo antigo foi povoação onde ainda descávão os alicerces das casas dele dito infante e as terras ao redor se chamavão de Carrião. Deste mesmo infante foi neto Fernão Feio que casou com Maria Clara, pessoa muito nobre desta vila, os quais ambos fundaram a dita igreja de S. Silvestre e a dotaram de muitos bens e ficaram eles e seus descendentes seus padroeiros dela.
O último prior por eles apresentado foi André Feio de Castelo Branco, capelão fidalgo de Casa de El Rei, que floreceu há mais de cento e quarenta anos e está sepultado na igreja de S. Pedro da mesma vila, em sepultura própria desta família, junto ao arco cruzeiro, no meio da coxia, do qual prior há memória nos livros da mesma igreja de S. Silvestre. Daí para cá apresentou a mitra deste bispado da Guarda. Os ascendentes maternos do dito Bernardo de Macedo, por sua mãe D.Maria Teles de Eça, tinham nesta vila, na freguesia de Santa Maria umas casas nobres que hoje são do escrivão da Câmara Manuel Francisco de Aguilar, as quais tinham dos reis o privilégio de couto como achei em um instrumento de testemunhas, autêntico, que há na casa.
JOSE DE MACEDO CASTELO BRANCO, filho do dito Bernardo de Macedo Castelo Branco. O mesmo que seu pai.
BERNARDO DE MACEDO CASTELO BRANCO, o moço, filho do mesmo Bernardo de Macedo Castelo Branco, tambem o mesmo que seu pai.
JOSE PEREIRA COUTINHO. Apelidos Pereira e Coutinho. Tem por armas no escudo partido em pala, na primeira cinco estrelas vermelhas de seis pontas, cada uma posta em aspa, em campo verde. Na segunda pala, em campo vermelho, uma cruz de prata floreteada nas pontas. Timbre: uma cruz vermelha com dous coros de anjos, um de cada parte. Tem na sua pessoa filhamento de fidalgo cavaleiro da Casa de EI Rei de que tem alvará. O mesmo filhamento tiveram já seus antepassados.
LUIS TAVARES DA COSTA LOBO, capitão mór desta vila. Apelidos: Tavares e Costa. Tem por armas o escudo partido em pala. Na primeira, cinco estrelas postas em aspa com seis pontas cada uma em campo de oiro: na segunda pala seis costas, cada três em pala, em campo vermelho. Timbre: meio corpo de um lobo sobre o elmo aberto. Há na casa uma memória antiga pela qual se mostra que os Tavares dela procedem de D. Estevam de Tavares, primeiro alcaide mór da Covilhã e senhor de Tavares e que alguns descendentes do mesmo D. Estevam de Tavares foram comendadores de Alpedrinha e de S. Vicente da Beira e que D. Marinha de Tavares, tambem dele descendente, fundou a igreja de Santa Maria Madalena da Covilhã,  por cuja causa esta família tinha o padroado dela que há muitos anos já não tem e o prescreveu a mitra deste bispado da Guarda.
Tambem, na dita memória se declara que um seu ascendente, António Tavares, fora fidalgo da Casa de EI Rei.
GREGÓRIO TAVARES DA COSTA LOBO, irmão do dito Luis Tavares da Costa Lobo, mesmo que ele. É tambem cavaleiro do hábito de Cristo e Superintendente da coudelaria.
ESTÊVAM CORREIA DE XARA, irmão do dito Luis Tavares da Costa Lobo, o mesmo que ele.
LUIS DE LEMOS COUTINHO. Tem brazão desde o tempo de D.João 3º, concedido a seu bisavô paterno Simão de Proença da Fonseca e são as suas armas pelos Proenças, escudo partido em pala, na primeira, em campo verde uma águia de preto com duas cabeças, armada de ouro; na segunda pala, em campo azul cinco flores de liz de ouro, postas em aspa. Timbre: meia águia dos peitos para cima, com uma só cabeça e com bico de ouro. Por diferença, uma folha de figueira de prata. Tem na sua pessoa filhamento de cavaleiro fidalgo da Casa de EI Rei e já o tiveram seus avós paternos. Ao mesmo sobredito Simão de Proensa  da Fonseca, que era moço da câmara de EI Rei D. João 3º, deu o mesmo Rei escrevaninha da feitoria de Malaca, pelos serviço que fez ao Infante D.Duarte, seu filho. De tudo existem títulos autênticos.
SEBASTIÃO PINTO FRAGOZO, formado na Universidade de Coimbra. Foi juiz de fora de Freixo de Espada à Cinta e também desta vila da Covilhã. Tem na sua pessoa filhamento de cavaleiro fidalgo da casa de El Rei de que tem alvará, cujo foro teve também seu pai Manuel Fragozo. Este foro foi concedido primeiramente a um seu ascendente chamado Manuel Fragozo de Aguilar, natural da Covilhã, ao qual também foi concedida uma tença de vinte mil reis por ano, em sua vida, por acompanhar El Rei D. Sebastião a África e ser cativo na batalha de Alcácer e se resgatar à sua custa, como consta do padrão de mercê. Não achei brazão de armas.
FRANCISCO CARDOZO DA COSTA PACHECO E PEREIRA. Apelidos: Costa, Refoios, Cabral, Pa­checo, Souza, Brandão e Figueiredo. As armas são: escudo esquartelado, as dos Costas, em campo vermelho, seis costas de prata, cada três em pala. As dos Refoios, quatro caras de leão, em campo de ouro, postas em pala. As dos Cabraes: duas cabras em campo de prata. As dos Pachecos: duas caldeiras de prata, em campo de ouro, postas em pala. As dos Souzas: ao esquartelado, as quinas de Portugal, postas em contrário em campo de prata, e dois leões de ouro, postos em contrário, em campo azul. As dos Brandões: cinco brandões de ouro acesos, em campo azul, postos em aspa. As dos Figueiredos: cinco folhas de figueira verdes em campo vermelho, postas em aspa. Elmo aberto e timbre um castelo com três torres em cima.
Os ascendentes assim paternos como maternos tiveram o foro de Figueiredos da casa de El Rei, que hoje não existe. Na sua ascendencia paterna houve Nuno Alvares Cardoso. que era irmão de Luis Váz Cardoso, senhor da casa de S.Martinho de Mouros, solar de Cardoso, e de Fernando Alvares Cardoso, deão da capela de El Rei D. Afonso 5º. e bispo eleito de Viseu. Houve mais o doutor Alvaro Cardoso que foi dezembargador do Paço. Mais houve Mécia Roiz da Costa que era irmã de D. Alvaro da Costa, Camareiro mór e armador mór de El Rei D. Manuel do qual procedem os condes de Soure.
GASPAR DA COSTA CABRAL. Mais houve Gaspar da Costa Cabral, senhor do morgado do Ninho do Açor, na comarca de Castelo Branco.
JACOME DE SOUZA E REFOIOS. Mais houve Jácome de Souza e Refóios que instituiu o morgado do Ladoeiro, o qual teve duas filhas, uma mais moça Guiomar de Souza e Refóios de quem descende o dito Francisco Cardoso da Costa Pacheco, e outra mais velha Maria de Refóios a qual sucedeu no dito morgado do Ladoeiro e casou com João Nunes da Cunha, comendador de S.Vicente da Beira e Vice Rei da India, do qual descende a condessa de S.Vicente e de quem era o condado e que casou com Miguel Carlos de Távora. Na sua ascendência materna houve Ana de Figueiredo de Castelo Branco que descendia de Fernão Vaz de Castelo Branco, comendador de Cabeço de Vide.
FRANCISCO BRANDÃO DE ANDRADE CASTELO BRANCO. Mais houve Francisco Brandão de Andrade Castelo Branco que descendia de Pedro Anes Brandão, alcaide mór de Castelo Branco e Comendador da Louzã.
RUI VASQUES DE REFOIOS. Mais houve Rui Vasques de Refóios por servir com notável satisfação a El Rei D.João I fez-lhe o mesmo Rei as mercês seguintes que constam das mesmas doações: deu-lhe a vila de Almeida de juro e herdade, com sua jurisdição cível e crime e os tabaliados e os bens dos moradores dela que se ausentaram para Castela e seguiram as partes de D. Brites, filha de El Rei D. Fernando de Portugal, casada com El Rei D. João de Castela. Deu-lhe uma deveza que era do concelho da dita vila, chamada Rebolar. Deu-lhe uma barca que andava no Rio Coa. Deu-lhe a Judearia da Covilhã, declarada abaixo ao número 13 e tambem os tabaliados e rendas que o dito Rei tivesse na mesma vila. Deu-lhe mais os direitos que tivesse em Porto de Mós. Ao depois, estando este Rei em Santarém, fez troca com o dito Rui Vasques de Refóios e lhe deu as vilas de Sarzedas e Sovereira Formosa e outras cousas e recebeu dele  a vila de Almeida que lhe tinha dado. Estas doações se foram conservando na sua casa até seu bisneto, tambem chamado Rui Vasques de Refóios a quem ao depois as tirou El Rei D. João 2º e seu filho Simão de Souza alcançou carta do Papa Leão décimo para El Rei D. Manuel lhas restituir mas não chegaram a ser restituídas.
JOSE HOMEM DE BRITO CASTELO BRANCO e seu irmão Francisco Correa Xara, família nobre e das principaes desta vila.
FRANCISCO FREIRE CORTE REAL, o velho. Família nobre. Apelidos: Freire, Corte Real. Tem aIvará de foro de cavaleiro fidalgo da casa de EI Rei,  com moradia de onze tostões por mês e alqueire de cevada por dia. O mesmo foro tiveram já seus avós como se declara no dito alvará. Tambem o teem seus filhos Francis­co Freire Corte Real e Manuel Freire Corte Real. Não achei  brazão de armas.
JOÃO FREIRE CORTE REAL, irmão do dito Francisco Freire Corte Real, o velho, o mesmo por descender dos mesmos avós.
FRANCISCO FREIRE CORTE REAL ROBALO, irmão do dito Francisco Freire Corte Real, o velho, o mesmo pela mesma ascendencia.
JOSE FREIRE CORTE REAL e seus irmãos, o mesmo porque descende dos mesmos avós do sobredito por via paterna.
VICENTE DA COSTA CABRAL, sargento mór desta vila e seu termo. Família nobre e tido por pessoa principal. Não achei brazão de armas nem mais clareza.
FELIPE PACHECO DE ARAGÃO e seu irmão o mesmo.
JOÃO CORREIA XARA DE ARAGÃO, seu irmão, o mesmo.
MANUEL CORREA DA COSTA,  seu irmão, o mesmo.
PEDRO DE FIGUEIREDO, seu irmão, o mesmo.
FRANCISCO ROBALO FREIRE, família nobre e por tal tida. Não achei brazão de armas nem mais clareza.
MANUEL DA SILVA FRAGOZO, família nobre por tal tida. Não achei brazão de armas nem mais clareza.
JOÃO DA SILVA DE FIGUEIREDO, seu filho o mesmo
FRANCISCO DA SILVA FRAGOZO, seu filho, o mesmo.
JOAQUIM PEREIRA DA CAMARA, morador nesta vila, não é dela natural.
MANUEL FRANCISCO FALCÃO, bacharel formado em Coimbra. Família nobre. Apelidos: Tava­res e Falcão. Tem brazão de armas e carta autêntica como vem a ser:  Escudo posto ao Balem, partido em pala, na primeira as armas dos Tavares que são em campo de ouro cinco estrelas vermelhas de oito pontas cada uma, postas em aspa; na segunda pala, as armas dos Falcões, que são em campo azul três bordões de S.Tiago de prata, postos em três palas, com os nós vermelhos e os ferros de ouro. Paquife dos metaes e cores das armas. Timbre o dos Falcões que é um pescoço de cavalo vermelho, bruisado de ouro e as falsas rédeas do mesmo. Elmo de prata aberto, guarnecido de ouro e por diferença um trifólio preto.

12º.


O Pelourinho antes das obras do século XX


Praça do Pelourinho na actualidade
Fotografia de Miguel Nuno Peixoto de Carvalho Dias

Tem esta vila duas feiras, uma dentro dela, em dia de S.Tiago, 25 de Julho, outra em Domingo de Lázaro, fora dela e se faz ao pé da igreja do mesmo S. Lázaro, relata­da acima ao número 7. Tem mais, em todos os terceiros Domingos do mês, mercado que se faz dentro dela, no terreiro do Pelourinho, onde tambem se faz a feira de S.Tiago. Assim estes mercados como as feiras são francos e não pagam siza a respeito dos moradores da vila e seu termo. 
(Continua)

Folha relativa ao capítulo 12

Nota dos editores 1) Dias, Luiz Fernando Carvalho, "Frei Heitor Pinto (Novas Achegas para a sua Biografia)", Coimbra, Biblioteca da Universidade, 1952.

As publicações do blogue:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2013/05/covilha-o-2-aniversario-do-nosso-blogue.html

Estatística baseada na lista dos sentenciados na Inquisição publicada neste blogue:

Publicações neste blogue sobre os monografistas covilhanenses:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/05/covilha-memoralistas-ou-monografistas.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/03/covilha-memoralistas-ou-monografistas.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/01/covilha-memoralistas-ou-monografistas-vi.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2013/12/covilha-memoralistas-ou-monografistas-v.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2013/11/covilha-memoralistas-ou-monografistas-iv.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2013/10/covilha-memoralistas-ou-monografistas.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2013/09/covilha-memoralistas-ou-monografistas-ii.html

domingo, 15 de junho de 2014

Covilhã - Rui Faleiro XII


    Fernão de Magalhães nasceu no seio de uma família nobre em Sabrosa, norte de Portugal, em 1480 e foi morto nas Filipinas em 1521, quando realizava a 1ª Viagem de Circum-Navegação. Podemos dizer que tinha um espírito aventureiro e por isso fez várias viagens ao Ocidente e ao Oriente ao serviço de D. Manuel I. Sentiu-se prejudicado pelo rei e por isso  resolveu "emigrar" para Espanha, acompanhado de Rui Faleiro e outros, oferecendo os seus préstimos a Carlos V. Comandou esta viagem de circum-navegação, terminada por Sebastião de Elcano.


Viagem de Circum-Navegação

   Como passámos em Sabrosa, o editor Miguel Nuno Peixoto de Carvalho Dias tirou várias fotografias que nos permitem evocar Fernão de Magalhães e Rui Faleiro, covilhanense que o acompanhou ao país vizinho.

O Douro


Sabrosa - Placa evocativa na casa da família de Fernão de Magalhães (A casa dos Pereiras)

Sabrosa - Brasão "picado" de Fernão de Magalhães

Sabrosa - Casa modernizada de Fernão de Magalhães


Sabrosa - Placa comemorativa de Fernão de Magalhães 

Sabrosa - Placa comemorativa de Fernão de Magalhães (pormenor)

Igreja Matriz de Sabrosa

Sabrosa - Capela de Santa Bárbara


Outro brasão em Sabrosa


As publicações do nosso Blogue:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/11/covilha-rui-faleiro-iii.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/09/covilha-rui-faleiro-i.html








quarta-feira, 11 de junho de 2014

Covilhã - Inquéritos à Indústria dos Lanifícios XXVIII-XXVI

Inquérito Social XXVI

    Continuamos a publicar um inquérito social “Aspectos Sociais da População Fabril da Indústria dos Panos e Subsídios para uma Monografia da mesma Indústria” da autoria de Luiz Fernando Carvalho Dias, realizado em 1937-38.


Capítulo XVI

Religião

            A religião de um aglomerado humano e o estado das suas crenças são factos essenciais para compreender os hábitos e as tendências de uma determinada população.
               Não podíamos deixar de tocar neste ponto, ao estudar a população dos lanifícios. Poderá parecer supérfulo este estudo, porque sendo Portugal um país unitário sob o aspecto religioso, não se justificaria que estudássemos especialmente a religião daqueles que morejam no trabalho da lã. é um engano. Se a religião católica é a religião do país, também é certo que ela é mais acentuada em certos lugares do que noutros, nuns mais acatada, noutros menos seguida, nuns havendo maior respeito pela lei divina, noutros predominando a lei da natureza.
            O estado religioso da população pode reflectir-se no casamento, na educação dos filhos, no cumprimento de certos deveres, no reconhecimento da autoridade, etc. Quanto maior é a indiferença religiosa, muito menor é o respeito por muitos destes valores.
            Assim, em Lisboa, onde é mais acentuada a descristianização das massas, predomina a mancebia, o casamento civil e é menos forte a autoridade dos pais. Mas todos aqueles operários que vivem em situação ilícita devem classificar-se como indiferentes à face da religião e não como contrários.
            Os contrários, os inimigos activos da religião encontram-se, sobretudo, naqueles que professam uma ideologia contrária aos valores do cristianismo.
            No decorrer deste Inquérito e no grémio do Sul só encontrei uma mulher que me declarou peremptoriamente que não gostava de religião. Por acaso estava casada só pelo civil e à face da moral nada havia a dizer-lhe.
            A grande descristianização é devida sobretudo ao carácter anti-religioso que teve, aliás como era de esperar e a sua natureza o explica, a propaganda republicana. A ela se deve o maior cancro da desordem nacional e o maior crime cometido contra a unidade e segurança da Nação.
            Nos outros centros do país, o costume e a tradição, talvez pelo facto da população ser mais estável e o contacto entre uns e outros ser maior, não foram desbancados pela influência da propaganda anti-cristã. Nem mesmo o comunismo florescente tem impedido na província que os operários continuem a baptizar os filhos, a casar catolicamente, a morrer no seio da Igreja.
         Um casamento civil é um escândalo que ainda hoje ofende os brios de uma terra de província.
            Lisboa, pela vida anónima que caracteriza as grandes cidades, não resistiu como a província à influência destas ideias deletérias: preverte ao contrário a maioria daqueles que vulgarmente caiem na necessidade de vir a ela procurar trabalho.
            Um operário, natural de uma das regiões mais religiosas do país, veio para Lisboa com a família; referindo-se a um dos filhos que presentemente vive amancebado, declarou: “ele para a terra não vai assim; o senhor quer saber? Eu lá na terra todos os anos me confessava, mas agora em três que estou em Lisboa, ainda não fui à igreja”.
            A explicação é concludente.
            A religião entre esta gente é mais um costume, um hábito transmitido através das gerações, fazendo parte de um ambiente próprio, do que uma profunda convicção pessoal. Portanto a mudança de ambiente produz, geralmente, sempre que se verificam as circunstâncias presentes, uma diminuição da religião ou o seu esquecimento, uma diminuição de todos os valores morais que nela assentam, da mesma maneira que a volta ao ambiente pátrio os faz reviver.
            Em gente sem cultura até os ideais se desenvolvem e movimentam pela lei do costume. A religião não foge, infelizmente na maioria dos casos, a esta regra e daí a influência que a transplantação para um meio sem religião, exerce sobre os operários. Lisboa, como já referimos, atordoa-os. Da terra não lhes resta mais do que uma saudade distante que, a pouco e pouco, se vai materializando unicamente nos campos, nas serras, naqueles recantos que os olhos lhe deram a ver ao princípio.
            O sentimento religioso apaga-se sem a prática: na província há sempre um certo número de coisas que os leva a praticar e lhes recorda os deveres cristãos; longe da terra são sempre uns desenraízados, incapazes de transmitirem aos filhos a religião em que se criaram, dando-lhes unicamente dela uma superstição. A população industrial que labuta nas fábricas do grémio do Sul, próximo de Lisboa, é a que vive mais descristianizada: já referimos a causa principal, isto é, o carácter declaradamente anti-religioso da propaganda republicana; acrescentamos porém o abandono a que o clero votou, no último século, certas populações.
            A religião é uma flor rara que, para perdurar e crescer, precisa de trabalhos constantes.
            Esta descristianização das massas se aparece por um lado já como fruto das doutrinas comunistas, por outro lado já tinha arroteado o terreno para a fácil penetração destas.
            A religião é o único freio sério à desmoralização dos costumes: sem ela seria loucura que o homem se não entregasse desvanecidamente nos braços do amoralismo; sem ela como há-de haver moralidade e respeito pela família em gente já de seu natural tão perturbada pela violência do sol e brandura do clima, circunstâncias que, já no século XVI, faziam escrever a esse extraordinário pedagogo holandês, o humanista Clenardo, que em todo o coração português, Vénus tinha o seu altar.
            Duas circunstâncias influem ainda poderosamente na descristianização actual da massa proletária. A primeira é o agnosticismo religioso dos patrões, cujo exemplo se reflecte no operariado. Os maus exemplos são sempre mais seguidos que os bons. A segunda causa é o facto dos patrões continuarem exteriormente a praticar a religião e dentro da fábrica procederem para com os operários de uma forma absolutamente contrária a todos os preceitos da caridade cristã, de tal ordem que parece quererem dizer-lhes que as crenças que professam são tão falhas de verdade e de justiça que não reprimem os seus abusos.

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            O contacto das populações rurais com as populações urbanas, como acontece na Covilhã e arredores, através daquelas famílias que se repartem entre o trabalho da indústria e da agricultura, também aumenta o espírito agnóstico.
            Verificamos entre as populações rurais o seguinte fenómeno: a dificuldade no amanho das terras, a pouca fecundidade desta, tornam o homem mais acessivel a ouvir a palavra de Deus; a abundância, a terra fértil e fácil de cultivar, dando ao homem uma consciência do seu poder pessoal, afastam-no da religião.
            A população industrial sofre a mesma influência da abundância e do trabalho fácil e contamina assim a população agrícola que lhe vive anexa: a máquina, resolvendo as dificuldades, não exigindo o esforço do braço, é maior auxiliar da descrença do que da palavra de Deus.


Capítulo XVII

Corporações e Vida Sindical


            Durante o “Ancien Regime” a vida sindical da indústria de lanifícios não foi tão importante como a dos misteres e a de outras actividades industriais do nosso país. Pelos documentos históricos que publicamos na segunda parte deste relatório, chegamos à conclusão que além das providências estabelecidas no regimento dos lanifícios e do estabelecimento da salários mínimos pelo Marquês de Pombal, os operários desta indústria somente gozavam dos benefícios concedidos à Casa dos Vinte e Quatro da Covilhã, onde tinham lugar proeminente.
            No período liberal que se seguiu, sofreram todas as inclemências e gozaram todos os benefícios da lei da oferta e da procura, no seu regime de trabalho e ficaram sujeitos, excluído o período que se seguiu à Encíclica Rerum Novarum, em que floresceu uma organização católica, à luta de classes e a todos os métodos de uma organização socialista. Na Covilhã a acção do socialismo foi perniciosa sob o aspecto moral e patriótico, embora tivesse tido a vantagem de criar uma consciência de classe que defendeu os operários de toda a tirania burguesa que o capitalismo nascente e a incompreensão patronal se propunha impor. A organização operária dessa época tão trágica não deixou, portanto, ao lado de irreparáveis erros, de servir de certa maneira o interesse social da massa operária, conseguindo ela mesma realizar na Covilhã, pelas suas próprias forças e dentro da sua organização, a velha aspiração de um horário de trabalho. Pelo carácter sectário e declaradamente ateu e anti-patriótico desta, resolveu-se nos últimos tempos da existência dela, a reagir uma parte do operariado católico da Covilhã. Esse movimento impressionante pelo vigor que revestiu ao princípio e pela resistência tenaz que opôs até pela força, às maquinações dos contrários, realizaria melhor a sua missão se fugisse ao auxílio dos industriais, se mantivesse deles absolutamente independente e não tivesse misturado as suas altas razões espirituais com os interesses de uma classe que, nem pela consciência católica, nem pelo espírito social, lhe merecia essa atitude benevolente.
            A atitude dos católicos perante a massa industrial não ficou indiferente o partido anarco-sindicalista da Covilhã. Fez como que uma união sagrada com todos os elementos do esquerdismo local, onde colaboraram muitas pessoas que pela fortuna e pela educação atraiçoaram, não digo os seus ideais porque não os têm, mas os seus interesses e até uma certa áurea de responsabilidade de que blasonavam.
            A criação do Instituto Nacional do Trabalho veio terminar com esta luta que começava a ser longa e incómoda. Começou por fechar a Casa do Povo, sede da organização anarco-sindicalista; a organização católica fundiu-se com o futuro Sindicato Nacional a que vieram a presidir alguns elementos independentes. O delegado do mesmo Instituto chamou a si a resolução de todas as pequenas questões suscitadas entre patrões e operários, que anteriormente eram resolvidas pela Casa do Povo, (assim se chamava à associação de classe).
            Dos outros centros industriais do País, nada posso dizer porque desconheço a existência de movimentos sindicais idênticos.
            Hoje estão constituídos sindicatos operários na Covilhã, com uma sub-delegação em Cebolais de Cima; em Gouveia, em Castanheira de Pera e Lisboa. Ao acabar o preenchimento dos boletins do inquérito estavam funcionando somente o sindicato da Covilhã, a sub-delegação de Cebolais e o sindicato de Lisboa.

            A acção de cada um destes está por ora tão reduzido ao trabalho de organização, pelo que nos dispensamos de fazer mais comentários sobre a matéria a que este capítulo é consagrado.

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Capítulos anteriores do Inquérito Social:
Inquéritos III - I
Inquéritos IV - II
Inquéritos V - III
Inquéritos VI - IV
Inquéritos VII - V
Inquéritos VIII - VI
Inquéritos IX - VII
Inquéritos X - VIII
Inquéritos XI - IX
Inquéritos XII - X
Inquéritos XIII - XI
Inquéritos XIV - XII
Inquéritos XV - XIII
Inquéritos XVI - XIV
Inquéritos XVII - XV
Inquéritos XVIII - XVI
Inquéritos XIX - XVII
Inquéritos XX - XVIII
Inquéritos XXI-XIX
Inquéritos XXII-XX
Inquéritos XXIII-XXI
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Inquéritos XXIV-XXII
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Inquéritos XXV-XXIII
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Inquéritos XXVI-XXIV
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/03/covilha-inqueritos-industria-dos.html
Inquéritos XXVII-XXV
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domingo, 8 de junho de 2014

Covilhã - Os Jesuítas VI

   Como encontrámos no espólio de Luiz Fernando Carvalho Dias uma pasta sobre Jesuítas covilhanenses ou que se fixaram na Covilhã, continuamos hoje a publicar o tema a eles dedicado.
    A Companhia de Jesus foi fundada por Santo Inácio de Loyola que nasceu em 1491 no País Basco – Azpeitia – proveniente de uma família de fidalgos de província e morreu em Roma em 1556.
    A Companhia de Jesus entra em Portugal no reinado de D. João III através de Francisco Xavier e Simão Rodrigues e tendo como pontos de partida Lisboa, Coimbra e Évora, toma nas suas mãos o ensino e a organização da missionação das colónias.
   A lista que temos vindo a apresentar manifesta algumas falhas, talvez relacionadas com os momentos de expulsão da Companhia de Jesus de Portugal: 1759, 1834, 1910.

    Vamos agora acompanhar outros covilhanenses nascidos no século XIX.

XXIII Manuel de Oliveira Pinto 


    "O padre Manuel Pinto foi um membro ilustre desta família Pinto, que havia sido guarda-livros duma casa industrial muito importante da Covilhã e que um desgosto de amor levou para muito longe, ingressando na Companhia de Jesus e professando em 1901",segundo nos transmitiu Luiz Fernando Carvalho Dias.

XXIV António da Costa e Oliveira Pinto (1868-1933)

  Luiz Fernando Carvalho Dias diz-nos que o padre António Pinto nasceu na Covilhã a 30 de Janeiro de 1868 e faleceu em 1933 nas Caldas da Saúde, Santo Tirso.
   Estudou Filosofia e Teologia.
   Foi Provincial da Companhia de Jesus de 1912 a 1919, criando a Casa dos Escritores em Alsemberg (Bélgica), hoje em Lisboa, onde funciona a Brotéria.
   Foi fundador do Colégio Nobreza no Recife e do Seminário de Baturité. Também foi director do Colégio António Vieira de 1925 a 1930. No Brasil foi superior do Norte do Brasil.
   Foi professor de Matemática, Física e Ciências Naturais no Colégio de Campolide que era onde hoje está a Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa. Aqui havia a “Academia Scientifica e litterária de Maria Santíssima Imacculada”, fundada em 1904; A. Oliveira Pinto era o responsável pela secção de Sciencias.
   Interessou-se por actividades científicas e experimentais no campo da radioactividade e da telegrafia sem fios.
    Foi sócio correspondente de várias sociedades científicas, participou no 1º Congresso Internacional de Radiologia e Ionização em Liège (1905), trabalhou no laboratório de Pierre e Marie Curie e foi um dos sócios fundadores, em 1907, da Sociedade Portuguesa de Ciências Naturais.
    Deixou-nos uma vasta bibliografia:
- “Glória de Sete Séculos, Breve História de Santo António”, Lisboa, 1895
- “Lâmpadas Eléctricas”, (separata da Brotéria), Braga, 1908.
- “Um novo ectrómetro”, (separata da Brotéia), 1908.
- “Première contribuition à l’étude de la radioactivité des eaux minerales du Portugal”, (Congrès international…), Bruxelles, 1910.
- etc., etc.
   Ambos eram irmãos do Monsenhor José de Oliveira Pinto, "o padre José Pinto como a Covilhã o conheceu e admirou pela viveza do seu espírito e pela fogosidade como defendia os direitos do povo da cidade."

Bibliografia - Romeiras, Francisco Malta e Leitão, Henrique, "Jesuítas e Ciência em Portugal", Brotéria 174, 2012

As Publicações do Blogue:
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Estatística baseada na lista dos sentenciados na Inquisição publicada neste blogue:
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Publicações neste blogue sobre os Jesuítas:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/04/covilha-os-jesuitas-v.html
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http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/02/covilha-os-jesuitas-iii.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/01/covilha-os-jesuitas-ii.html

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Covilhã - Os Forais XIV


     Começamos hoje a publicar documentos do século XIX relacionados com a reforma dos ForaisLuiz Fernando Carvalho Dias recolheu vários estudos, que pretendemos apresentar, e deixou algumas reflexões, não revistas, sobre o assunto.


Uma reflexão: Parece que em Espanha a liquidação do Regime Senhorial começou logo a seguir à Invasão Francesa ou mesmo durante e, antes dela teve lampejos, fruto da Espanha Ilustrada do século XVIII. Em Espanha o problema levantou-se entre Senhorio jurisdicional e solarengo ou territorial e deu lugar a uma curiosa literatura histórico-jurídica, tendente a esclarecer a distinção das terras ou senhorios.
Havia vários graus de senhorios jurisdicionais. O regime senhorial mostra-se altamente complexo, como verificou Altamira…”

Outra reflexão: “Trigoso fazia parte dos canonistas afectos ao Padre António Pereira de Figueiredo e portanto não admira que por este lado andasse de boas relações e fosse favorecido do Dr. António Ribeiro. Era amigo também do Dr. Ricardo Raymundo Nogueira, que num desentendimento com Manuel Pacheco de Resende, Vice-Reitor da Universidade, que depois foi Bispo de Aveiro, protegeu as suas pretensões.
A carta régia que em 1810 abriu caminho aos estudos da Reforma dos Forais começou a ser executada em 1812 e da Comissão faziam parte João António Salter, que presidia, Trigoso e mais dois canonistas, um dos quais João Pedro Ribeiro.
Informa Trigoso que a carta régia de inspiração de D. Rodrigo de Sousa Coutinho “não tinha outro fim mais que paliar a funesta impressão que haviam de fazer” os tratados com a Inglaterra, tão prejudiciais à nossa indústria, que o mesmo Ministro assinara então. Destinava-se ainda a procurar o meio de “fixar os dízimos, minorar ou alterar o sistema das jugadas, quartos e terços, fazer resgatáveis os foros e minorar ou suprimir os foraes”.
Dos trabalhos da Junta pouco teria resultado porque, informa Trigoso, os colegas canonistas “não podiam suportar discussão alguma mais profunda sobre os objectos que se podião tratar”.
Houve, porém, várias propostas que todos assinavam que subiram ao Desembrago do Paço e depois à consulta do Governo do Rio.
É assim que Trigoso refere as suas propostas, respectivamente, sobre a reforma dos pezos e medidas, em 18 de Novembro de 1812, o modo de minorar ou remir os encargos a que estão sujeitas as terras da Corôa ou do Património Régio em 9 de Dezembro; a adjudicação de terrenos encravados e contíguos, respeitante à Lei de 9 de Julho de 1773, em 3 de Fevereiro de 1813; lei das sesmarias em 10 de Março; acerca da memória oferecida ao Governo pelo advogado António Máximo Lopes, sobre a agricultura em 17 de Março, redução das jugadas e quartos em 3 de Maio e, finalmente, em carta para Salter de Mendonça, a opinião de não haver lugar a compensação dos direitos banais aos donatários se os mesmos direitos fossem extintos.
Qual o fim das memórias de Trigoso sobre os forais? A memória sobre os pesos e medidas foi remetida à Academia de Sciencias em 5 de Dezembro de 1812 para que se formalizasse um plano. A Academia estudou o assunto e, para tal, nomeou uma comissão de que faziam parte com Trigoso, dois outros elementos da Comissão dos Forais, e ainda o irmão de Trigoso, Francisco de Paula Travassos, António Travassos, Alexandre António das Neves e Anastácio Joaquim Rodrigues.
O parecer da tal comissão foi remetido ao Governo no fim de 1812.
Informa Trigoso que a Comissão dos Forais obrigava a ir à Torre do Tombo uma vez por semana e que a actividade da referida Junta dos Forais praticamente terminara com a aprovação do projecto de regulamento dos pesos e medidas. Entretanto Trigoso leu na Academia uma memória sobre a Lei de Amortização que não figura no apêndice bibliográfico às suas memórias (fls. 75).
Referindo-se às Cortes de 1820-22 e à proposta para a Reforma dos Forais de Soares Franco, recorda Trigoso a sessão de 28 de Junho (ano de ?) onde se opôs à discussão desse projecto, da conta exclusiva de Franco e sem o acordo e conhecimento dele Trigoso e dos outros membros da Comissão e fê-lo baixar a esta para ser estudado e discutido. (fls 122)
Mais tarde, ao apreciar a sua actuação nas Cortes de 1820-23 (fls 131) acrescenta: “Promovi e adeantei muito a discussão da lei sobre os foraes”. Mais adiante (fls 146), volta Trigoso a referir-se aos seus trabalhos na Academia das Sciências, mas no período das chamadas Constituintes: “frequentei pouco as sessões porque os trabalhos do Congresso me tomavam todo o tempo. Apenas na sessão pública de 24 de Junho repeti uma memória sobre a lei das Sesmarias que se imprimiu no tomo 3º, parte 1ª das Memórias da Academia. Este trabalho não foi feito de novo; era com pouca diferença o que eu já tinha apresentado na antiga comissão dos foraes, e que serviu de objecto a uma das consultas da mesma comissão...”


D. João, Príncipe Regente e futuro D. João VI

     O liberalismo é um momento importante no sentido desta mudança, pois, como dizia Melo Freire, substituir os forais era tão urgente como o Código Político. No entanto as opiniões divergiam, embora haja passos importantes que não podem ser esquecidos:
- Já do Rio de Janeiro, numa Carta Régia de 1810 dirigida ao clero, nobreza e povo fora ordenado aos governadores do Reino que tratassem dos meios “com que poderão minorar-se ou suprimir-se os forais, que são em algumas partes do Reino de um peso intolerável”.
- Em 1811, a Mesa do Desembargo do Paço expede ordens para que os corregedores das comarcas averiguem esse peso dos forais.
- Em 17 de Outubro de 1812 a Regência cria a Comissão para Exame dos Forais e Melhoramentos da Agricultura.(2)
- Em 1815, D. João volta a querer que se investigue sobre “os inconvenientes que da antiga legislação dos forais provinham ao bem e aumento da agricultura”.
- É já nas Cortes Constituintes, em 1822, que é promulgada a chamada “redução dos forais”.
- A contra-revolução miguelista, em 1824, revoga as anteriores medidas.
- Marco essencial é a reforma de Mouzinho da Silveira (1832) em que desaparecem os foros, censos, rações e toda a qualidade de prestações sobre bens nacionais ou provenientes da coroa, impostos por foral ou contrato enfitêutico.
- A reforma continua pelo século XIX.

    Integradas nesta reforma estão as tentativas de uniformização dos pesos e medidas, iniciadas muito cedo e que funcionavam como instrumento de afirmação do poder real. 
     Luiz Fernando Carvalho Dias, sobre Pesos e Medidas, deixou-nos o documento (1) que em 18 de Novembro de 1812 a Comissão para Exame dos Forais e Melhoramentos da Agricultura entrega ao Príncipe Regente e diz-nos ainda:
 “Antes de 20/12/1814 há um parecer da Real Resolução de 22/8/1814 tomada em consulta da Mesa do Desembargo do Paço sobre Pesos e Medidas, aprovado por aviso desse dia. A reforma foi posta em prática por aviso de 27 de Fevereiro de 1819”.
     Contudo é em 1822 que Adrien Balbi publica as equivalências duma tabela portuguesa de pesos e medidas ao sistema francês. Sabemos que Portugal foi um dos primeiros países a adoptar este sistema decimal de pesos e medidas.

Notas dos editores 1)Iremos publicar este documento.
2) Diz-nos o investigador Carvalho Dias: "Em 1822 também existia a comissão encarregada de organizar os projectos dos Códigos Criminais. Foi oferecido um projecto de Codigo Criminal - às Cortes – pelo Dezembargador Alberto Carlos de Menezes. A Comissão era constituida por Guilherme Henriques de Carvalho = João Fortunato Ramos dos Santos = Jose Maria Pereira Forjaz de Sampaio = Pedro Paulo de Figueiredo da Cunha e Melo = Jose da Cunha Neves e Carvalho. Tratavam de organizar um projecto de Código de Processo Criminal e outro de Delitos e Penas.
            Para tal tambem constavam, entre outros, com uma memoria do Bacharel Francisco Xavier Soares de Macedo".

Bibliografia - "Dicionário de História de Portugal", dir. Joel Serrão, II volume, Iniciativas Editoriais, 1965
    
As publicações do blogue:
Publicações anteriores sobre forais:
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http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/10/covilha-os-forais-e-populacao-nos.html