quinta-feira, 21 de julho de 2011

Covilhã - A Misericórdia, uma Instituição de Solidariedade Social II

Sobre a Fundação da Misericórdia

Qual a razão por que o Compromisso de 1680 da Misericórdia da Covilhã fixou o ano de 1577 como data da fundação desta irmandade?
            A Misericórdia de Lisboa obteve o seu primeiro compromisso em 1498. Dele não resta qualquer exemplar mais do que a cópia da Misericórdia do Porto de 1498/99 (1). O primeiro compromisso era manuscrito. Só foi impresso e reformado em 1516 por Valentim Fernandes em 15 de Novembro. Novas alterações sofreu em 1564, em 27 de Junho de 1577 e em 1618.
            A Misericórdia da Covilhã que se guiava pelo compromisso e pelos privilégios da Misericórdia de Lisboa, foi também sucessivamente alterando o seu compromisso como fazia a misericórdia mãe. Os irmãos que assinaram o compromisso de 1680, que é decalcado sobre o compromisso da Misericórdia de Lisboa são:
Provedor Visconde de Barbacena
Álvaro da Costa Cabral
Manuel Lourenço
Simão Mendes
João Fernandes Viegas
Francisco Lopes Serra
Gaspar Correia Barreto
Manuel Botelho da Fonseca
Manuel Cardona
José Fernando Cabral
Francisco Ribeiro de Oliveira
Padre Francisco da Fonseca
Matias Martins de Siqueira
Manuel Mendes do Vale
Manuel Leitão
Simão Espinho
Sebastião Pinto Lobo
Filipe Caldeira Castelo Branco
Nuno Cardoso Pacheco
João Mendes Pinheiro
Francisco Fernando Delgado
Gregório Tavares da Costa.
Põe-se agora o problema de localizar, no tempo, a fundação da Misericórdia da Covilhã.
Enriquece o arquivo da nossa confraria uma cópia de 1511 dos privilégios da Misericórdia de Lisboa. (Transcrevemos à frente). Trata-se de uma cópia rara, que apesar de decepada, oferece muito interesse para a História da Cidade e da Confraria.
            A cópia é assinada pelo Dr. Braz Neto, ilustre jurista e desembargador, da Comissão da Reforma dos Forais e das Ordenações que, em 1522, viria a suceder a Vasco Pais de Castelo Branco no priorado de São Pedro da Covilhã e depois ascenderia como prelado a uma das sés do Reino.
            Essa cópia trás anexo um despacho sobre a Misericórdia, datado de 1512, firmada por Aires Botelho, contador e corregedor da Comarca da Beira e Riba Côa, o qual residia na Covilhã, como consta de outros documentos.
            O alvará de confirmação de D. João III, registado de fls 20, verso a 21, verso, do livro 32 da sua chancelaria, transmitiu-nos o teor do alvará de D. Manuel de 10 de Novembro de 1511 que confere à Misericórdia da Covilhã os privilégios da Misericórdia de Lisboa. Além disso o referido alvará contém um incitamento aos que ingressassem na referida confraria.
            Verifica-se por este último alvará que todos os documentos atrás citados constituem o processo donde derivou esta honrosa mercê. Atente-se para lhe fixar o interesse que nessa data ainda nenhuma outra terra da Beira tinha privilégio idêntico! O de Castelo Branco é de 1514. O da Guarda não está registado, mas é posterior. Os das restantes vilas são todos posteriores também.
             Nesta data de 1511 o provedor da Misericórdia da Covilhã era, nem mais nem menos do que o cristão-novo João Roiz de Cáceres, escrivão dos Direitos Reais da vila, cujo autógrafo consta de um dos documentos expostos (2) e o juiz da irmandade era Luiz Gomez, cavaleiro da Casa Real e o escrivão ou secretário outro João Roiz, escudeiro. Eis os promotores do privilégio.
            Mas a irmandade instituíra-se antes: na Covilhã tudo começa antes da aprovação do Governo. Veja-se o concelho que, no dizer de Herculano, se organizou anos antes da concessão do Foral.
             Sou levado primeiramente a admitir a gralha tipográfica do compromisso de 1680. Porquê? Em vez de Junho de 1577, a Misericórdia poderia ter sido fundada em Junho de 1511. Coincidiria perfeitamente esta hipótese com a do Dr. Forjaz, pois a rainha faleceu em 17 de Novembro de 1525. E nada mais fácil confundir 77 com 11, tanto mais que no século XVI nem sempre se usava a numeração romana.
            Porém, contra esta hipótese de 1511 há a transcrição expressa num alvará de D. João III, duma carta do provedor e irmãos da Misericórdia da Covilhã, datada de 1539, na qual confessam ao Infante D. Luís (3), senhor da vila, que a misericórdia da Covilhã fora fundada há quarenta anos. Tal confissão preciosa faz remontar a origem da instituição covilhanense a 1499!
            Temos assim, nesta hipótese, a Misericórdia da Covilhã fundada por volta de 1498, o que a ser certo, seria das primeiras misericórdias do País, coeva das do Porto, de Évora e de Albufeira!
            A carta a que nos referimos está transcrita nas costas de um alvará do Infante D. Luiz e os termos dela são tão precisos, que lhe damos toda a fé. (Também transcrevemos à frente)
            É a única referência clara e certa à fundação da Misericórdia e como ela provém dos próprios provedor e irmãos, entre os quais, possivelmente, existiriam ainda alguns fundadores, parece-me não ser ousado optar pela fundação em 1498 ou 1499. Tanto mais que laços profundos existiam entre a fundadora e a Covilhã. Da Covilhã foi donatário o grande Infante D. Fernando, filho de D. Afonso V e pai da Rainha; aqui ficou ele retido em 1460, preso por uma daquelas febres renitentes – prenúncios da tuberculose que o vitimou; da Covilhã foi donatário o outro irmão da rainha – o duque D. Diogo, morto por D. João II e da Covilhã foi finalmente senhor, El rei D. Manuel – aquando duque de Beja, também irmão de D. Leonor. Nada mais natural que a Rainha viúva e seu irmão o Rei espalhassem primeiro os frutos da sua fundação pelas terras a que estavam ligados como donatários e senhorios!
          É isto o que me parece sobre a fundação da Misericórdia da Covilhã.
Devem ter, por isso, confundido a data da fundação com aquela que lhes aparecia num dos compromissos, exactamente a de 27 de Junho de 1577. Não os moveu a curiosidade de vasculhar o arquivo que nessa época continha recheio precioso e de livros e documentos muito mais antigos. Daí o erro se ter repercutido até aos nossos dias sem correcção alguma. (4)
            Assim deixamos documentalmente provada (com documentos transcritos pelo investigador, adiante apresentados) a existência da Santa Casa da Misericórdia da Covilhã no século XV, honra que só podem vangloriar-se as misericórdias de Lisboa, Évora, Coimbra, Porto e Albufeira (5) e agora a Covilhã!
            Desde 1499 que a Covilhã poderia cantar com Garcia de Resende:

                           “ Vimos também ordenar
ha misericórdia santa
cousa tanta de louvar
que nom sey quem nom sespanta
de mais cedo nom se achar;
socorre a encarcerados
e conforta hos justiçados
a pobbres dá de comer
muitos ajuda a soster
hos mortos sam soterrados “

        Reflexões de  Luiz Fernando Carvalho Dias

Documentos (transcritos por Luiz Fernando Carvalho Dias)
I
“ Sobre as barbascadas nos rios – ano de 1543 “

 […] dos na devassa que se tirou dos que fazem barbascadas nos rios da dita vila os quais tenho por  informação que serão até à quantia de 13 reis notifico – o assim ao juiz de fora na dita vila e lhe mando que faça entregar ao provedor e irmãos os ditos direitos E por este com seu conhecimento mando ao depositário que os entregue E seja deles desobrigado E este se cumprirá posto que não passe pela minha chancelaria Diogo Proença o fez em Almeirim a 29 de Março de 1543.
                         a) Infante D. Luís

Faz Vossa Alteza esmola à misericórdia de Covilhã dos direitos que lhe pertencem dos culpados na devassa dos que lançam barbasco nos rios do termo de Covilhã.

II
            O provedor e irmãos da misericórdia de Lisboa e Hospital de Todos os Santos etc fazemos saber aos que esta virem que o provedor e irmãos da misericórdia da vila de Covilhã nos fizeram uma petição na qual nos pediam lhe mandássemos dar a cópia de um alvará que nesta casa temos sobre mamposteiros que pedem as esmolas de pão para a dita casa a qual petição foi vista nesta mesa e lhe mandamos passar a cópia do dito alvará cuja cópia é a seguinte:
            “ Nós El rei fazemos saber a vós Dom Álvaro de Crasto do nosso conselho e governador da casa cível desta nossa cidade de Lisboa e aos vereadores e corregedores dela e a outras quaisquer justiças a quem for mostrada e pertencer que o provedor e oficiais da confraria da misericórdia da dita cidade nos enviaram dizer que muitas vezes acontecia não poderem achar pessoas que queiram pedir pão para a dita confraria por as portas e as ruas e para reparo e mantimento dos pobres presos por onde algumas vezes tinham necessidade do dito pão que nos pediam que nos prouvesse darmos privilégio a vinte e quatro pessoas que tivessem o encargo do dito peditório tal como têm os mamposteiros dos cativos Que a nós apraz havendo respeito à dita confraria ser acrescentada em esmolas e não diminuída. E por este queremos que o dito provedor e oficiais possam escolher na dita cidade vinte e quatro homens tais quais virem que para isso são suficientes e os repartam e ordenem pelas   freguesias segundo virem que é necessário aos quais eles darão seus assinados e os irão escrever no livro da câmara da dita cidade E os que assim no livro forem assentados e tiverem os ditos assinados queremos e nos apraz para fazermos esmola à dita confraria que tenham, ajam e gozem de todos os privilégios e liberdades que têm e de que gozam os mamposteiros dos ditos cativos E portanto vo-lo notificamos assim e mandamos a todos em geral e a cada um em especial que aos sobreditos guardeis e façais guardar os ditos privilégios na forma sobredita sem nisso lhe pordes dúvida nem embargo algum porque assim o havemos por bem E quando quer que o dito provedor e oficiais quiserem tirar algum dos ditos pedidores por não servir bem ou não ser para isso ou falecer será riscado do dito livro e assentado em seu lugar o outro que o dito provedor e oficiais para isso ordenarem para tudo estar em bom recado sem por o dito assento nem riscamento se levar prémio algum por quanto por tudo estar como deve E se não fizerem algumas outras pessoas que têm o dito privilégio o havemos assim por bem. Feito em Lisboa aos 21 dias de Abril André Pires o fez de 1512 E este queremos que valha como carta passada pela nossa chancelaria sem embargo do que qualquer ordenação que aí haja em contrário. E gozarão deste privilégio servindo eles assim como lhe for ordenado E valerá enquanto nossa mercê for “ 
                                               Foi concertado com o próprio em 22 de Maio de 1579 por mim Francisco Carneiro que este ano sirvo de escrivão da misericórdia o qual está registado no livro dos registos dos alvarás e privilégios desta casa a fls 11 na volta a fls 12.
a)      Francisco Carneiro
O provedor
      a) Bernardo de Gouveia     
a) Pedro da Fonseca                   a) Tomás de Gouveia             a) Germano Roiz
                                        //
a) Diogo Vaz                 a) António Jorge
                 a) Felício Gonçalves             a) Fernão Antunes
                 a) Antão …….            A) Botelho de Andrade

III
Eu o Infante Dom Luís etc faço saber aos que este meu alvará virem e o conhecimento dele pertencer que vi a petição atrás escrevi que me fizeram o provedor e irmãos da misericórdia da minha vila de Covilhã, e havendo respeito ao que nela dizem por este meu alvará me apraz fazer esmola à dita casa da fazenda contida na petição que ficou por falecimento de Isabel Vaz E isto se os ditos bens a mim pertencem, e eu com direito os posso dar, portanto mando ao depositário que tudo entregue aos mordomos da dita casa E este não passará pela minha chancelaria Diogo de Proença o fez em Lisboa, a 17 de Março de 1542/
                                  a) Infante Dom Luís
                                                         Dom Francisco Grª ( ou Prª )
Praz a vossa alteza fazer esmola à Casa da misericórdia da sua vila de Covilhã da fazenda móvel contida na petição atrás E isto se lhe pertenc//// ou com direito a pode dar E que não passe pela chancelaria.

IV
Dizem o provedor e irmãos da misericórdia da sua vila de Covilhã que haverá três anos e mais que na dita vila faleceu da vida presente uma mulher a qual até agora em toda a terra lhe não saiu herdeiro nenhum nem o há. Da qual mulher ficou fazenda em móvel que pode valer mil e quinhentos reis pede a V. A. que pois não há herdeiro nenhum da dita defunta lhe faça mercê e esmola da dita fazenda para ajuda e suportamento da dita casa.

Apraz a sua alteza fazer a mercê à casa da misericórdia da sua vila de Covilhã dos bens contidos nesta petição Em Lisboa hoje 16 de Março de 1542 anos /
                                            Dom Francisco Pereira
Mando ao depositário desta fazenda que entregue tudo o que tem que ficou por falecimento de Isabel Vaz ao provedor da misericórdia
a)      Antão …….

V
Provedor e irmãos da misericórdia da minha vila de Covilhã o Infante Dom Luís vos envio muito saudar. Recebi vossa carta que me enviastes por Antº de Matos em que me dá larga conta das causas porque essa confraria estava em tanta necessidade E folguei de a saber assim amiudadamente E quanto ao que me pedis acerca das apelações dos presos que vinham ao ouvidor de minha casa quando o ouvidor que lá está não estiver nessa vila e que o mantimento que João Pires caminheiro dessa ouvidoria tem. se dê ao vosso caminheiro e solicitador que ordenardes para somente os negócios dos presos que serão melhor remediados Eu escrevo ao meu ouvidor que dê a isto ordem e proveja o assim acerca do caminheiro a que toca /
E quanto aos 25 reis que deixou a essa confraria António Riqº que são devidos na Casa da Índia . E me pedis que vos dê despacho para os haverdes etc eu terei lembrança de falar nisso a El Rei meu senhor quando vir tempo.
O pano para o puleto (palio?) que me pedis praz-me fazer esmola a essa casa. E com esta vos será enviado. Escrita de Lisboa a 22 de Abril de 1542.
                                         a) Infante Dom Luís

Resposta ao provedor e irmãos da misericórdia da vila de Covilhã

VI
Eu o Infante Dom Luís etc faço saber a vós licenciado Francisco Cardoso meu ouvidor das minhas terras da Beira Que vi esta petição atrás escrita que me fez o provedor e irmãos da misericórdia da minha vila de Covilhã, e havendo respeito ao que nela dizem hei por bem e me apraz que no Fundão e Aldeia de Joane, no Teixoso e Alcongosta e na vila do Alcaide haja os  mamposteiros que sempre houve e lhe sejam guardados seus privilégios como até aqui foram e isto pelo espaço de dois meses, no qual tempo vos mando que me informeis por vossa carta do conteúdo na dita petição e das razões que vos moveram a mandardes que não houvesse mais de um mamposteiro em cada um dos ditos lugares com vosso parecer sobre este caso para prover nele como me parecer bem e justiça, Diogo de Proença o fez em Lisboa, ao derradeiro de Outubro de 1539/
                                  a) Infante Dom Luís
para ver  
                                                   Dom Francisco Grª ( ou Prª )
No verso :
            A sua alteza para que em Alcongosta e no Fundão e Aldeia de Joane e no Teixoso e Aldeia do Alcaide haja os mamposteiros que sempre houve e isto por espaço de dois meses no qual tempo sua alteza manda que o seu ouvidor logo informe do constante na petição e as razões que o moveram a mandar que não houvesse mais de um mamposteiro com seu parecer neste caso a qual diligência e informação logo envie com brevidade Em Lisboa hoje derradeiro de Outubro de 1539 dom Francisco Pereira  

VII
Diz o provedor e irmãos da misericórdia da vila de Covilhã que a casa da dita misericórdia há quarenta anos que é fundada e desde o dito tempo a esta parte sempre aí houve em cada lugar do termo da dita vila um mamposteiro da dita casa privilegiados para não servir nos encargos do concelho E nos lugares grandes como é o Fundão e Teixoso e Aldeia de Joane dois em cada lugar por um não poder arrecadar. E tirar a esmola que lhe é correr todo o lugar sendo lugares cada um de muitos vizinhos o que sempre foi guardado pelos Reis passados e suas justiças. E ora o ouvidor de vossa alteza Francisco Cardoso o ano passado devassou os ditos mamposteiros nos ditos lugares que não ficasse em cada lugar mais que um, do que se agravaram a vossa alteza. E mandou ao dito ouvidor que lhe escrevesse os lugares quais eram, o que não fez Pedem a vossa alteza haja por haver nos ditos lugares os ditos mamposteiros como sempre os houve porque de outra maneira a esmola se perderá e a casa se acabará de diminuir por agora não ter outro peditório mais que na dita vila e termo tendo em todas as vilas ao redor e lhe é tirado por nas ditas vilas fazerem outras casas, sendo a dita casa muito pobre que não tem mais que os fiéis cristãos lhe fazem E das mais principais na devoção e Regimento do Reino no que receberão mercê. //

VIII
Chancelaria de D. João III
               Livº 32, fls 20 v. a 21 v.

Extremadura  Aos oficiais da Misericórdia da vila de Covilhã carta por que são outorgados os privilégios que são concedidos aos oficiais da Misericórdia de Lisboa que são os seguintes:

Dom João etc. A quantos esta minha carta virem faço saber que por parte do provedor e irmãos da confraria da misericórdia da vila de Covilhã me foi apresentado um alvará del Rei meu senhor e pai que santa glória haja de que o teor é o seguinte:
            Nós el Rei fazemos saber a vós juízes da nossa vila de Covilhã que ora sois e ao diante forem que a nós apraz e havemos por bem por tal que na Misericórdia dessa vila se possa suster e as pessoas honradas da dita vila folguem de entrar nos cargos dela além de ser tanto serviço de Deus como é pelas obras de misericórdia que se delas seguem que os oficiais da misericórdia dessa vila e assim da dita confraria tenham e gozem de todos os privilégios e liberdades que temos dado e outorgado à misericórdia desta cidade e os quais lhe são guardados pelo traslado que levaram deles em pública forma e porém vo-lo notificamos assim e vos mandamos que assim o cumprais e guardeis à dita confraria e oficiais dela e os ditos privilégios assim e pelo modo e maneira que neles está contido sem outra dúvida nem embargo algum que a ele punhais Feito em Lisboa a dez dias do mês de Novembro Damião Dias o fez de 1511…
  (Parte da carta de D. Manuel I)

Notas dos editores – 1) Em “O Compromisso Primitivo das Misericórdias Portuguesas (1498-1500)”, Ivo Carneiro de Sousa afirma que o manuscrito da Misericórdia do Porto não é o única cópia do primeiro Compromisso das Misericórdias Portuguesas, nem sequer uma cópia completa, porque foi encontrado no arquivo da Misericórdia de Coimbra uma cópia do Compromisso primitivo das Misericórdias portuguesas, chegado àquela instituição em 1500 e entretanto por ele recuperado e estudado. Também o mesmo autor considera que a impressão do Compromisso feita por Valentim Fernandes em 1516 não pode ser a primeira reforma dos estatutos. (Obra citada, in “Revista da Faculdade de Letras, XIII, (1996), págs 259-306). 2) O investigador Carvalho Dias refere-se a uma exposição que se realizou por alturas da comemoração do 1º centenário da elevação da Covilhã a cidade, em Outubro de 1970. 3) Senhor da Covilhã, irmão de D. João III e pai de D. António, Prior do Crato, pretendente ao trono português em 1580. 4) Este texto foi escrito na 2ª metade do século XX e não foi revisto pelo autor. 5) Hoje sabe-se que mais misericórdias foram criadas entre 1498 e 1500. Ver o assunto in “História das Misericórdias Portuguesas", Parte I, de L. Graça e J. Graça (2002), http://www.ensp.unl.pt/lgraca/textos58.html

Publicações sobre a Misericórdia:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.com/2016/07/covilha-misericordia-uma-instituicao-de_74.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/01/covilha-misericordia-uma-instituicao-de.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2013/12/covilha-misericordia-uma-instituicao-de.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/11/covilha-misericordia-um-instituicao-de.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/09/covilha-misericordia-uma-instituicao-de_27.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/09/covilha-misericordia-uma-instituicao-de.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/07/covilha-misericordia-uma-instituicao-de.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/06/covilha-misericordia-uma-instituicao-de.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/05/covilha-misericordia-uma-instituicao-de.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/04/covilha-misericordia-uma-instituicao-de_20.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/04/covilha-misericordia-uma-instituicao-de.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/03/covilha-misericordia-um-instituicao-de.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/03/covilha-misericordia-uma-instituicao-de.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/02/covilha-misericordia-uma-instituicao-de.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/01/covilha-misericordia-um-instituicao-de.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/12/covilha-misericordia-uma-instituicao-de.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/12/covilha-misericordia-uma-institiucao-de.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/11/covilha-misericordia-uma-instituicao-de.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/10/covilha-misericordia-uma-instituicao-de_31.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/10/covilha-misericordia-uma-instituicao-de.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/09/covilha-misericordia-uma-instituicao-de_21.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/09/covilha-misericordia-uma-instituicao-de.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/08/covilha-misericordia-uma-instituicao-de.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/07/covilha-misericordia-uma-instituicao-de_30.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/07/covilha-misericordia-uma-instituicao-de_21.html

http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/07/covilha-misericordia-uma-instituicao-de.html

domingo, 17 de julho de 2011

Covilhã - Invasões I

A Invasão Francesa de 1810-1811
 
     A situação geográfica da Covilhã, próxima da fronteira espanhola, contribuiu para que a cidade sempre tenha estado aberta quer a homens em fuga, como os judeus expulsos de Castela no século XV, quer a soldados de exércitos inimigos, como espanhóis e franceses no século XVIII ou XIX.         
     O século XIX trouxe a Portugal o poder napoleónico que pela Europa se espalhava que nem um polvo. Os exércitos franceses traziam a devastação e a miséria, mas também foram veículo de ideias liberais que, juntamente com outros meios, vão contribuir para mudar Portugal a partir de 1820.
     Na Escola estudámos três invasões francesas, mas hoje fala-se muito numa Guerra Peninsular com cinco invasões: a 1ª em 1801, a pouco conhecida Guerra das Laranjas, em que Olivença foi irremediavelmente perdida. A 2ª (1ª dos nossos estudos da escola), em que os Franceses são comandados por Junot (1807), levou à saída da Corte (mais ou menos 15000 pessoas) para o Rio de Janeiro, ao forte domínio inglês e também terá posto em perigo a Covilhã. A 3ª (a 2ª) de Soult e do célebre e triste desastre das Barcas, no Porto. A 4ª (a clássica 3ª)de Massena (1810-1811) é a que se relaciona com os Assentos de Óbito de 1811 transcritos por Luiz Fernando Carvalho Dias e que hoje começamos a apresentar. Finalmente a 5ª, em 1812, foi uma nova invasão chefiada por Marmont que também andou pela Beira Baixa. Os Assentos referem Fevereiro de 1811 como o pior mês em que os franceses, o “inimigo”, invadiram, destruiram e obrigaram à fuga, muitas vezes para a Serra da Estrela; aqui morreram também de fome, frio e febres malignas, (“maligna”), embora alguns ainda tivessem tido tempo de assassinar muitos Franceses.
      Os assentos de óbito, de baptismo ou de casamento constituem os registos paroquiais, uma extraordinária fonte para a História Demográfica.
     Este é o nosso contributo para lembrar os Duzentos Anos (1811-2011) da terrível passagem dos Franceses pela Covilhã e arredores. Tem estado na mente dos Covilhanenses esta trágica memória?

in "Expresso", "Actual", 24/11/2007
Assentos de Óbito 1811
Guerra Peninsular - Invasões Francesas
Teixoso
(fls 62, do livro 6 de óbitos do Teixoso)
“ Declaração
Na invasão que fizeram os franceses neste Reino de Portugal no ano de 1810 e no ano de 1811 aquartelaram-se vários corpos do seu exército nas vizinhanças deste lugar e nele desde o princípio do mês de Fevereiro até ao princípio do sobredito e e último ano digo até ao princípio do mês de Abril do sobredito e último ano, sendo todo este espaço de tempo empregado em contínuos saques e ainda das serras ( sic ) vizinhas mais escarpadas; arruinou o sobredito exército todos os efeitos dos moradores deste lugar, profanou e destruiu todos os seus Santuários, e retirando-se por estas e outras razões os moradores para as montanhas, aonde e neste lugar faleceram os que abaixo nomearei e outros de que não tive notícia, assassinados pelos franceses, e outros de fome, frio e aflições, cansaços e também de moléstias que dos muitos encomodos se originaram, sendo uns enterrados na Igreja deste lugar e muitos mais no seu Adro, outros nos sítios em que os mataram e faleceram outros em Aldeia do Carvalho, Sarzedo, Manteigas e noutros povos vizinhos, falecendo muitos com todos os sacramentos, bastantes só com o da confissão e bem poucos sem sacramento algum; e enfim quase todos sem testamento à excepção dos que adiante se apontarem; faleceram pois nos ditos dois meses do ano referido ultimamente os abaixo nomeados e outros de que não há notícia sem que se possa declarar o dia certo das mortes por causa dos tumultos da guerra mais bárbara que tem havido entre nações civilizadas =
(Total - 140 pessoas)
Joaquim Sarrão, casado com Ana Antunes, idade 36 anos;
Um pobre desconhecido,assassinado pelos franceses, idade 60 anos;
Venâncio, exposto, idade ano e meio;
Lourenço, filho de José Fernandes Nave e de Maria Leitoa, idade 16 anos;
Rita da Fonseca, viúva de Simão Caronho, idade 70 anos;
Uma rapariga falecida na Quinta da Borralheira, desta freguesia, e de fora dela;
Manuel dos Santos, pedreiro, casado com Ana Ressia, idade 50 anos, assassinado pelos franceses;
Ana Antunes, casada com Lourenço Natal, idade 30 anos, assassinada pelos franceses;
Um pobre desconhecido, cuja idade ignoro;
Uma velha do lugar da Meimoa, cujo nome e idade ignoro;
Manuel, filho de Agostinho Fernandes Nave e de Maria Rodrigues, idade 17 anos, assassinado pelos franceses;
Mariana, filha de Manuel Antunes vila e de Luísa Correia, idade 20 anos;
Francisco Barandas, casada com Rosa Duarte, idade 40 anos;
João, filho de Francisco Canário e de Maria Antónia, idade 3 anos;
Catarina da Fonseca, viúva de José Rodrigues Madeira, 55 anos;
Maria, de idade de 6 anos; e
Ana, de 8 meses, filhos de António de Castro e de Maria Rita;
José, filho de Manuel Rodrigues Salvador e de Joana Francisco, idade 20 anos;
Teresa, filha de João Ferreira Sarando, idade de 18 anos;
João, filho de Francisco José Carpinteiro e de Maria Teresa, idade 15 anos;
Maria Pais, casada com José da Costa Peixoto, idade 45 anos;
Teodora, de 8 anos; e
Maria, de 3 anos; filhas de João da Nave Paigem e de Maria Canária;
Ana da Fonseca, casada com João Lopes Dias, idade 26 anos;
José Lourenço, casado com Isabel Canária, 44 anos;
Rosa, filha de José Esteves Ruivo e de Ana da Fonseca, idade de 3 anos;
Francisco Fernandes Posso, casado com Maria Gertrudes de Oliveira, idade 60 anos;
Manuel, filho de Manuel Dias e de Maria Leitoa, idade dois anos;
Ana da Fonseca, casada com António Luís, idade 34 anos;
José de Paiva, mendigo de Covilhã;
Ana de Oliveira, viúva de Basílio José da Costa, idade 50 anos;
João Ferreira Saranda, casado com Rosa da Fonseca, idade 48 anos;
Brites, solteira, filha de Manuel Rodrigues Leitão e de Madalena de Almeida, idade 26 anos;
Rosa, filha de José Rodrigues Sono e de Micaela da Costa, idade 11 anos;
José Francisco Leitão, casado com Isabel de Sousa, idade 19 anos;
Francisca da Costa, casada com Manuel Figueiredo Ratado, idade 45 anos;
Maria, filha de Caetano da Fonseca e de Ana Quaresma, idade ano e meio;
Joana, filha de José Dias Sete Véstias e de Ana de Almeida, idade 2 anos;
João Vaz Sainhas, casado com Isabel Lopes, idade 25 anos;
Maria, filha de António da Costa do Pateo e de Ana Lucas, idade 22 anos;
José Pedro Indiano, solteiro, de Gibaltar, idade 45 anos;
António, filho de João Jerónimo de Amaral e de Maria Fortuna, de 22 anos;
Inácio da Cruz, casado com Catarina Maria, idade 44 anos;
António, filho de José Figueiredo e de Maria da Silva, idade 3 anos;
António Nogueira, casado com Maria Lopes, idade 70 anos;
Dona Antónia, viúva do Sargento-mór de Milícias de Belmonte, idade 60 anos;
Filipe Neri Capateiro, casado com Inês da Silva, idade 60 anos;
José Mendes de Oliveira, casado com Maria Sancha, idade 44 anos;
João Teles Castro, casado com Rita Maria, 53 anos;
Josefa Ângela, casada com António Lopes Chouriço, idade 28 anos;
Maria Rosária, casada com João Marques Passarinho, idade 23 anos;
João António, solteiro, filho de Basílio José da Costa, idade 26 anos;
José da Costa, idade 26 anos;
Francisco Marques, viúvo de Bernarda Marques, idade 56 anos;
Manuel Leitão de Gibaltar, casado com Francisca Rodrigues, idade 40 anos;
Um homem de Caria, cujo nome e idade ignoro;
Sebastião, solteiro, filho de Francisco José Carpinteiro e de Maria Teresa, idade 24 anos;
João Rodrigues Madeira, casado com Luísa Correia, idade 38 anos;
José, filho de Francisco Pinheiro e de Isabel de Almeida, idade 25 anos;
Rosária Tinouca, viúva de Manuel Giraldes, idade 85 anos;
João Jerónimo do Amaral, casado com Maria Fortuna, idade 48 anos;
José Rodrigues Sono, casado com Micaela da Costa, idade 55 anos;
Maria, filha de António da Fonseca e de Maria Genoveva, com poucos dias de idade;
Ana, filha de João Sarrão e de Maria da Costa, idade 20 anos;
Antónia de Gouveia, solteira, filha de José de Gouveia, idade 42 anos;
Isabel da Fonseca Cravelha, viúva de Manuel Caetano, idade 70 anos;
Teresa d’ Almeida, viúva de José Cardoso, idade 70 anos;
Isabel Lourença de Gibaltar, casada com José Nunes, idade 53 anos;
António Domingues, casado com Clara Nunes, de Gibaltar, idade 70 anos;
Agostinho Cardoso, casado com Ana Nunes Deça, idade 26 anos;
Isabel, filha de António dos Santos e de Maria Paiva, idade 6 anos;
Faustina Madeira, viúva de José Esteves Sigano, idade 75 anos;
José da Costa Cuecas, viúvo, idade 50 anos;
Maria Fortuna, casada com João Jerónimo do Amaral, idade 53 anos;
Dona Josefa Almeida, viúva do Bacharel José Pereira Nunes, idade 60 anos;
José, filho de Manuel Nogueira e de Maria da Fonseca, idade 2 anos;
Teresa Ribeira, viúva de Manuel José, idade 60 anos;
Rosa Sousa, solteira, idade 50 anos;
Antónia, solteira, filha de Patrício António e de Maria de Mendonça, idade 26 anos;
Joaquim, filho de Manuel Joaquim Catrapão e de Josefa Ramos, idade 6 anos;
Maria, filha de Vicente Rodrigues Agostinho e de Maria Rebela, idade doze dias;
Maria, filha de Tomaz d’ Aquino e de Ana Maria, idade 7 anos;
Catarina Bispa, viúva de Francisco Cardoso, idade 58 anos;
Gaspar Martins, casado com Angélica Gomes, idade 60 anos;
Josefa, solteira, filha de António Carelos ( sic ) e de Joaquina da Fonseca, idade 22 anos;
José Cabral, viúvo de Rita Esteves, idade 74 anos;
José Fernandes Botão, viúvo de Maria Giraldes, idade 40 anos;
Francisco, filho de Manuel Lourenço Gibaltar e de Ana Milhana, idade 8 anos;
Maria Madalena Leitão, casada com João Pais, idade 44 anos;
Manuel de Castro, casado com Isabel Antunes, idade 56 anos;
Padre Bernardo Sarrão da Rocha, clérigo presbítero, assassinado pelos franceses, idade 36 anos;
Maria, filha de António Giraldes e de Ana Bárbara de Gibaltar, idade 6 meses;
Maria Marques, casada com José Rodrigues Penha, idade 34 anos;
Ana, filha de Francisco Dias Casaca e de Rita Esteves, idade 4 anos;
Manuel, filho de António dos Santos e de Maria Paiva, idade 5 meses;
José Marques Passarinho, viúvo de Catarina Nunes, idade 70 anos;
Francisco, filho de Manuel Joaquim Catrapão e de Josefa Ramos, idade ano e meio;
José da Fonseca Mariano, casado com Maria Antónia, idade 45 anos;
Rita Maria, viúva de Domingos Preto de Gibaltar, idade 75 anos;
José Marques de Sequeira, casado com Teresa Nunes, idade 44 anos;
José Pais, pedreiro, de Traz da Serra, idade 60 anos;
Quitéria Pereira, casada com Joaquim Antunes Ferraz, idade 36 anos;
Maria, filha de João Lopes Dias e de Ana Fonseca, idade 3 meses;
Rita Monteira, viúva de Tomaz Rodrigues, idade 70 anos;
António Lopes Chouriço, casado com Josefa Ângela, idade 33 anos;
Helena, filha de Manuel José de Oliveira e de Bárbara de Matos, idade 8 anos;
Manuel Rodrigues Madeira, viúvo de Maria Rosária, idade 70 anos;
Maria, filha de Manuel Proença Cotellão e de Catarina Nunes De Gibaltar ( fls 64 ) idade 20 anos;
Maria, filha de José Antunes Lourenço e de Maria Antónia da Rosa, de Gibaltar, idade 20 anos;
Maria Antunes Branca, casada com Manuel Gomes, de Gibaltar, 75 anos;
Maria, filha de João Correia e de Joana Ramos, idade 10 anos;
Rita Cardosa, solteira, da Vª de Celorico, idade 65 anos;
Rita, filha de Tomaz d’ Aquino e de Ana Maria, idade onze anos;
Joaquim Taloca, solteiro, filho de Manuel da Cruz e de Maria Reis, idade 35 anos;
Maria, filha de José Leitão e de Justa Nunes, idade 35 anos;
Josefa Fasenesa, viúva de José de Oliveira, idade 65 anos;
José, filho de António da Costa Terceira e de Rita Nunes, idade 18 anos;
José Francisco Leitão da Adoa, casado com Isabel de Sousa, idade 22 anos;
Um menino sem nome, filho de José Proença da Pinheira e de Mariana d’ Eça, com poucas horas de idade;
Luís, filho de Baltazar Nunes e de  Joana de Gouveia, idade 4 anos;
Bernardo Correia Nunes, casado com Ana  Sigana, idade 44 anos;
António da Costa Vaz, casado com Maria Sancha, idade 60 anos;
Maria Vicente, viúva de Bruno Correia, idade 65 anos;
José, filho de Francisco Esteves Penedos e de Maria da Conceição, idade 13 anos;
Helena Antunes, viúva de João Correia, idade 70 anos;
Manuel Fernandes Caldudo, viúvo de Maria de S. Bento, idade 75 anos;
António de Oliveira, casado com Maria de Jesus, idade 48 anos;
Estefânia, filha de Manuel Teles de Andrade e de Justa Maria, idade 16 anos;
Manuel Pinheiro, casado com Maria Rita da Fonseca, idade 35 anos;
Maria Rita, casada com Manuel Pinheiro, idade 30 anos;
Ana Lucas, casada com António da Costa do Pateo, idade 45 anos;
João de Almeida Liberal, casado com Francisca Natividade, 28 anos;
Clara Rodrigues Lucas, viúva de José de Almeida Liberal, idade 50 anos;
António, filho de António da Costa do Pateo, idade 14 anos;
Ana, filha de António da Costa do Pateo, idade onze anos;
Bárbara, solteira, criada do Bacharel José Pereira Nunes, natural da vila da Covilhã, idade 22 anos;
Josefa Oliveira, solteira, filha de José de Oliveira, idade 50 anos;
Maria, filha de Basílio José da Costa e de Ana de Oliveira, idade 20 anos;
Ana, filha de João Marques e de Ana de Oliveira, idade 6 meses;
José, filho de João Lopes Tropeiro e de Maria Espinho, idade 3 meses;
Advertência
Das pessoas nesta Declaração apontadas constam que fizeram testamento José da Fonseca Mariano, Faustina Madeira, D. Josefa Joaquina, Rita Cardosa, solteira, de Celorico, Francisca de Almeida, solteira, Maria Rosária, mulher de João Passarinho, António da Costa Vaz, Francisco Fernandes Posso, Maria Antunes Branca, de Gibaltar, Joaquim Pereira, solteiro, José Esteves Cabral, viúvo, não o teve.


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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Covilhã - Lista dos Sentenciados na Inquisição XIII

Lista dos Sentenciados no Tribunal do Santo Ofício da Inquisição de Lisboa, Coimbra e Évora, originários ou moradores no antigo termo da Covilhã e nos concelhos limítrofes de Belmonte e Manteigas.

331      Francisco Vaz, x.n., mercador, de 43 anos, natural e morador no Fundão, filho de Francisco Vaz, x.n., médico, natural da Guarda e de Isabel Henriques, natural do Fundão, casado com Mécia Nunes, neto paterno de Rui Vaz e de Leonor Rodrigues e materno de António Fernandes e Guiomar Henriques, preso em 13/7/1674, de 13/7/1674 a 8/8/1674. (Irmãos e a cunhada são os referidos sob os nºs 334, 355, 357 e 333 desta lista).
PT-TT-TSO/IL/28/2761

332      Gabriel Nunes, x.n., mercador, de 42 anos, natural de Proença-a-Velha e morador no Fundão, filho de Luís Vaz, x.n., lavrador e de Isabel Lopes, casado com Isabel Henriques, de 12/7/1674 a 28/7/1674. (A mulher, as filhas e a irmã são os referidos sob os nºs 355, 480, 481, 512 e 333 desta lista)
PT-TT-TSO/IL/28/2752

333      Brites Nunes, x.n., de 45 anos, natural de Proença-a-Velha e moradora no Fundão, mulher de Rafael Henriques, tendeiro, filha de Luís Vaz, x.n., lavrador e de Isabel Lopes, x.n., em 13/7/1674, auto de fé de 28/7/1674(O marido e o irmão são os referidos sob os nºs 334 e 332 desta lista).
PT-TT-TSO/IL/28/4437.                   

334      Rafael Henriques, x.n., tendeiro, de 38 anos, casado com Brites Nunes, natural e morador no Fundão, filho de Francisco Vaz, médico, natural da Guarda e de Isabel Henriques, natural do Fundão, neto paterno de Rui Vaz e de Leonor Rodrigues e materno de António Fernandes e Guiomar Henriques, de 1/3/1674 a 7/10/1674. (A mulher  e os irmãos são os referidos sob os nºs 333, 331, 355 e 357 desta lista).
PT-TT-TSO/IL/28/9794

335      Rodrigo da Cunha, x.n., de 39 anos, mercador e estanqueiro do tabaco, natural do Alcaide, termo da Covilhã, morador em Penamacor, filho de Martim de Oliveira ou Martinho de Oliveira e de Juliana da Cunha, naturais do Alcaide, casado com Branca Mendes, neto paterno Brás de Oliveira e materno de Miguel Henriques Falcão, natural de Alfaiates e Brites da Cunha, bisneto de Rodrigo da Cunha, pai da avó materna, trisneto de Pedro da Cunha e Brites do Mercado, pais do bisavô Rodrigo e tetraneto de Luís do Mercado, cavaleiro fidalgo da Casa Real, pai da trisavó Brites do Mercado, de 1/3/1674 a 21/8/1674. (A mulher e os irmãos são os referidos sob os nºs 354, 285, 318, 319 e 363 desta lista).
PT-TT-TSO/IL/28/9793                                

336      Simão Rodrigues da Cunha, x.n., de 53 anos, sirgueiro de chapéus, natural e morador no Fundão, filho de Simão Rodrigues, natural da Tocha e de Leonor Mendes, natural do Fundão, casado com Brites Nunes, de 30/7/1674 a 21/8/1674. (A mulher é a referida sob os nºs 339 desta lista).
PT-TT-TSO/IL/28/9790.                               

337      Catarina Henriques, x.n., de 30 anos, mulher de Francisco Lopes, mercador, natural e moradora no Fundão, filha de Francisco Mendes de Almeida ou Francisco Mendes, x.n., mercador e de Beatriz Nunes, x.n., presa em 30/7/1674, de 30/7/1674 a 16/8/1674. (A mãe e a irmã são os referidos sob os nºs 375 e 338 desta lista).
PT-TT-TSO/IL/28/4442

338      Isabel Henriques, x.n., de 35 anos, mulher de João da Cunha, estanqueiro de tabaco, natural e moradora no Fundão, filha de Francisco Mendes ou Francisco Mendes de Almeida, x.n., mercador e de Beatriz Nunes, x.n., apresentada em 31/7/1674 e Auto de fé de 16/8/1674. (A mãe, a irmã e os filhos são os referidos sob os nºs 375, 337, 453, 475, 513, 523 e 621 desta lista).
PT-TT-TSO/IL/28/7680.                                           

339      Brites Nunes, x.n., de 40 anos, mulher de Simão Rodrigues da Cunha, mercador, natural e moradora no Fundão, presa em 31/7/1674, auto de fé de 16/8/1674. (O marido é o referido sob o nº 336 desta lista).
PT-TT-TSO/IL/28/4428.                   

340      Manuel Mendes Tavares, x.n., de 18 anos, solteiro, mercador, natural e morador no Fundão, filho de Diogo Mendes de Almeida ou Diogo Mendes, curtidor e de Leonor Rodrigues, naturais do Fundão, neto materno de Jorge Rodrigues, sapateiro, e de Branca Manuel, x.x.n.n., bisneto de Fernão Rodrigues, x.n., sapateiro e de Catarina Rodrigues, x.n., pais do avô materno e de Manuel Fernandes, mercador e de Leonor Rodrigues, x.n., pais da avó materna, em 30/8/1674. (A mãe e a tia são as referidas sob os nºs 343 e 342 desta lista).
PT-TT-TSO/IL/28/11789.                             

341      Jorge Rodrigues, x.n., de 35 anos, sapateiro, natural e morador no Fundão, filho de Gonçalo Rodrigues, sapateiro e de Ana Rodrigues, xx.nn., casado com Catarina Rodrigues, neto materno de Diogo Rodrigues, irmão de Bartolomeu Rodrigues e de Simão Rodrigues e pai de Jorge e Branca, de 16/1/1674 a 3/10/1674. (A mulher e a cunhada são os referidos sob os nºs 342 e 343 desta lista).
PT-TT-TSO/IL/28/8805

342      Catarina Rodrigues, x.n., de 40 anos, casada com Jorge Rodrigues, natural e moradora no Fundão, filha de Jorge Rodrigues, sapateiro, e de Branca Manuel, x.x.n.n., naturais e moradores no Fundão, neta paterna de Fernão Rodrigues, x.n., sapateiro e de Catarina Rodrigues, x.n., e materna de Manuel Fernandes, mercador e de Leonor Rodrigues, x.n., de 12/9/1674 a 26/9/1674. (O marido e a irmã são os referidos sob os nºs 341 e 343 desta lista).
PT-TT-TSO/IL/28/4445.

343      Leonor Rodrigues, x.n., de 50 anos, viúva de Diogo Mendes ou Diogo Mendes de Almeida, e irmã de Catarina Rodrigues, natural e moradora no Fundão, filha de Jorge Rodrigues, sapateiro, e de Branca Manuel, x.x.n.n., naturais e moradores no Fundão, neta paterna de Fernão Rodrigues, x.n., sapateiro e de Catarina Rodrigues, x.n., e materna de Manuel Fernandes, mercador e de Leonor Rodrigues, x.n., presa em 12/9/1674, de 30/8/1674 a 1/10/1674. (O filho e a irmã são os referidos sob os nºs 340 e 342 desta lista).
PT-TT-TSO/IL/28/7400.

344      Isabel Mendes, x.n., de 35 anos, natural de Idanha-a-Nova e moradora no Fundão, filha de Gaspar Mendes, ferreiro e de Maria de Vargas, neta paterna de Marcos Mendes e Isabel Mendes e materna de António Rodrigues e de Isabel Nunes, casada com Pedro Lopes ou Pedro Lopes Monsanto, mercador, de 20/12/1674 a 21/1/1675. Auto de fé de 7/1/1675. (O marido, a filha e o irmão são os referidos sob os nºs 314, 557  e 359 desta lista).
PT-TT-TSO/IL/28/7685.     

345      Beatriz Henriques, x.n., de 40 anos, natural e moradora no Fundão, filha de António Vaz e de Leonor Henriques, casada com Domingos Rodrigues, mercador, neta paterna de Jorge Vaz, sapateiro e Isabel Rodrigues e materna de Diogo Henriques, x.n., tendeiro e Clara Henriques, x.n., de 20/12/1674 a 7/1/1675. (O marido e a sobrinha são os referidos sob os nºs 346 e 350 desta lista).
PT-TT-TSO/IL/28/4438.

346      Domingos Rodrigues, x.n., de 40 anos, mercador, natural e morador no Fundão, casado com Brites Henriques, x.n., filho de Pedro Lopes, sirgueiro de chapéus e de Isabel Rodrigues, (1ªs núpcias dele, ele casou depois em 2ªs núpcias com Antónia Henriques, natural do Fundão), neto paterno de João Lopes, x.n., mercador e de Maria Rodrigues, x.n., e materno de Manuel Fernandes e Leonor Rodrigues, xx. nn., naturais e moradores que foram no Fundão, preso de 14 de Dezembro de 1674 a 11 de Janeiro de 1675. (A mulher é a referida sob o nº 345 desta lista).
PT-TT-TSO/IL/28/731.     

347      Violante Rodrigues, x.n., de 40 anos, natural do Fundão e moradora na Covilhã, filha de Francisco Lopes ou Francisco Lopes Preto, x.n., tendeiro e de Serena Nunes, x.n., neta paterna de Domingos Rodrigues e de Maria Lopes e materna de Manuel Rodrigues e Violante Mendes, naturais e moradores que foram no Fundão, casada com Diogo Pereira, ½ x.n., tendeiro, de 23/4/1675 a  14/5/1675.(O pai, o marido e os filhos são os referidos sob os nºs 198, 348, 477, 521, 536 e 541 desta lista).
PT-TT-TSO/IL/28/4915

348      Diogo Pereira, ½ x.n., de 45 anos, tendeiro, natural e morador na Covilhã, casado com Violante Rodrigues, x.n., filho de Manuel Lopes, x.v., barbeiro e de Mécia Pereira, x.n., neto paterno de Manuel Lopes, x.v., e Brites Antunes, x.v. e materno de Diogo Pereira, x.n., alfaiate e Leonor Mendes, x.n., preso de 18/4/1675 a 7/5/1675. (A mulher, os filhos e os irmãos são os referidos sob os nºs 347, 477, 521, 536, 541,  313, 348, 393, 394, 395 e 397 desta lista).
PT-TT-TSO/IL/28/730. 

349      Francisco Rodrigues, x.n., de 34 anos, tosador, natural do Sabugal e morador na Covilhã, casado com Brites Lopes, filho de João Rodrigues, do Sabugal e de Maria del Canho, de Ciudad Rodrigo, Reino de Castela, neto paterno de Manuel Rodrigues “o Redondo” e Branca Rodrigues, de 8/4/1675 a 13/5/1675
PT-TT-TSO/IL/28/2760.      

350      Leonor Henriques, x.n., de 17 anos, solteira, filha de Gabriel Gomes ou Gabriel Gomes Navarro, x.n., aguardenteiro, natural de Sevilha e morador no Fundão e de Isabel Henriques, natural e moradora no Fundão, neta paterna de Fernão Gomes, da Covilhã e de Clara Gomes, do Fundão e materna de António Vaz e de Leonor Henriques, bisneta de Jorge Vaz, x.n., sapateiro e de Isabel Rodrigues, pais do avô materno e de Diogo Henriques, tendeiro e Clara Henriques, pais da avó materna, de 9/1/1675 a 18/1/1675. Auto privado de 16/1/1675. (O pai, a irmã e a tia materna são os referidos sob os nºs 362, 823 e 345 desta lista).
PT-TT-TSO/IL/28/7397.     

351      Antónia Henriques, x.n., de 30 anos, natural de Monsanto e moradora no Fundão, filha de Manuel Rodrigues “o Redondo”, x.n., natural de Monsanto e de Branca Rodrigues, natural do Fundão, neta paterna de Pedro Álvares, curtidor e de Ana Rodrigues e materna de Leonor Rodrigues, casada com Pedro Lopes. Auto de Mesa de 11/1/1675. de 14/12/1674 a 11/1/1675. (O marido, o irmão e os sobrinho são os referidos sob os nºs 326, 320, 321,323, 352 e 353 desta lista).
PT-TT-TSO/IL/28/9799.    

352      Domingos Rodrigues Flores, x.n., de 23 anos, solteiro, sem ofício, natural e morador no Fundão, filho de Pedro Rodrigues Álvares, x.n., curtidor e de Violante Rodrigues, x.n., neto paterno de Manuel Rodrigues “o Redondo”, natural de Monsanto e de Branca Rodrigues, natural do Fundão e materno de Manuel Nunes e Isabel Rodrigues, bisneto de Pedro Álvares, x.n., curtidor e de Ana Rodrigues, pais do avô paterno e de Leonor Rodrigues, x.n., mãe da avó paterna, veio depois a casar com Leonor Henriques, x.n., natural do Fundão, de 21/5/1675 a 20/6/1675, voltou a ser preso em 26/9/1706, procº 3368-1. (Ele, o pai e os irmãos são os referidos sob os nºs 534, 320, 321, 323 e 353 desta lista).
PT-TT-TSO/IL/28/3368.     

353      Manuel Nunes, x.n., de 29 anos, curtidor, natural e morador no Fundão, filho de Pedro Rodrigues Álvares, x.n., curtidor e de Mécia Rodrigues, x.n., naturais e moradores no Fundão, neto paterno de Manuel Rodrigues “o Redondo” e Branca Rodrigues, bisneto de Pedro Álvares, x.n., curtidor e de Ana Rodrigues, pais de Manuel Rodrigues e de Leonor Rodrigues, mãe de Branca Rodrigues, casado com Graça de Luna, de 11/10/1674 a 20/6/1675, sentença lida na mesa em 17/6/1675. (O pai, a mulher, o filho e os irmãos são os referidos sob os nºs 320, 368, 530, 321 e 323 e 352 desta lista). (Proc 8098, 1712, 9799
PT-TT-TSO/IL/28/10188

354      Branca Mendes, x.n., natural do Fundão e moradora em Penamacor, casada com Rodrigo da Cunha, de 5/7/1676 a 27/7/1677. (O marido é o referido sob o nº 335 desta lista).
PT-TT-TSO/IL/28/4429

355      Isabel Henriques, x.n., de 40 anos, natural e moradora no Fundão, filha de Francisco Vaz, x.n., médico, natural da Guarda e de Isabel Henriques, x.n., casada com Gabriel Nunes, x.n., mercador, natural de Proença-a-Velha, morador no Fundão, neta paterna de Rodrigo Vaz, x.n., e Leonor Rodrigues, x.n., naturais e moradores na Guarda e materna de António Fernandes, x.n., e Guiomar Henriques, x.n., naturais do Sabugal, de 30/6/1677 a 2/8/1677. (O marido, as filhas e os  irmãos são os referidos sob os nºs 332, 480, 481, 512, 331, 334 e 357  desta lista).
PT-TT-TSO/IL/28/7684

356      Barnabé Cardona, ( não refere se é x.n. ou x.v. ), de 80 ( 60 )anos, natural e morador na Covilhã, filho de Filipe Cardona, tintureiro e de Maria Lopes, casado com Maria Baleeira, preso em 20/4/1670, Auto de fé de 20/12/1681, de 28/1/1670 a 17/1/1714.
PT-TT-TSO/IL/28/8439                                

357      Brites Rodrigues, x.n., de 45 anos, mulher de Pedro da Cunha, contratador do tabaco, natural do Fundão, moradora em Santarém (Santar, Viseu ?), filha de Francisco Vaz, x.n., médico, natural da Guarda e de Isabel Henriques, natural do Fundão, neta paterna de Rui Vaz e Leonor Rodrigues e materna de António Fernandes e Leonor Rodrigues, de 27/7/1682 a 18/8/1682. (O marido e os irmãos são os referidos sob os nºs 319, 331, 334 e 355  desta lista).
PT-TT-TSO/IL/28/11276.

358      Diogo Lopes Ferreira, x.n., que servia de tabelião, aliás escrivão do número, de 32 ou 54 ( 49 ) anos, natural e morador no Fundão, termo da Covilhã, casado com Beatriz Henriques, x.n., natural de Monsanto, filho de António Lopes Ferreira e de Branca Rodrigues, preso em 9/5/1682, de 9/5/1682 a 10/5/1682.
PT-TT-TSO/IL/28/4441

359      Marcos Mendes, x.n., ferreiro, de 48 anos, natural de Idanha-a-Nova, morador no Fundão, filho de Gaspar Mendes ou Gaspar Mendes Ferreira, x.n., ferreiro e de Maria de Vargas, naturais e moradores no Fundão, neto paterno de Marcos Mendes e Isabel Mendes e materno de António Rodrigues e de Isabel Nunes, casado com Leonor Mendes, de 3/12/1674 a 20/5/1682. (A mulher e a irmã são as referidas sob os nºs 364  e 344 desta lista).
PT-TT-TSO/IL/28/10187.

360      Francisco Mendes, x.n., sapateiro, de 52 anos, natural de Penamacor, morador no Fundão, filho de Manuel Mendes, x.n., tintureiro e de Clara Mendes, x.n., casado com Isabel Lopes, x.n., (A mulher e a filha são os referidos sob os nºs 396 e 884 desta lista), preso em 9/5/1682, de 30/1/1675 a 10/5/1682.
PT-TT-TSO/IL/28/1716-1.

Fonte – Os dados em itálico foram retirados do “site” do ANTT – Arquivo Nacional da Torre do Tombo relativo aos processos do Tribunal da Inquisição.
Na cota dos processos, as indicações IL/28, IC/25 e IE/21 referem-se aos tribunais, respectivamente, de Lisboa, Coimbra e Évora.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Covilhã - A Misericórdia, uma Instituição de Solidariedade Social I

Dos autores citados em “Memoralistas/Monografistas" só Moura Quintela, o Visconde Pereira e Cunha, o Dr. João de Macedo Pereira Forjaz, o memoralista anónimo do manuscrito de Londres e o Padre Manuel Fragoso Homem, para o 2º Dicionário Geográfico do Pe. Luís Cardoso (1) se referem à época da fundação da Misericórdia da Covilhã.
Moura Quintela e o Visconde Pereira e Cunha seguem na peugada do Compromisso de 1680, fixando a fundação em 27 de Junho de 1577; o autor anónimo referido e o Dr. João de Macedo Pereira Forjaz inclinam-se para que a fundação tivesse tido lugar no reinado de D. João II.
Diz Moura Quintela:

“ Foi fundada em 27 de Junho de 1577 com o mesmo compromisso da Misericórdia de Lisboa. Ignora-se quem fossem os fundadores e na introdução ao compromisso se lê o seguinte:
            [...] E chegando a esta nobre vila da Covilhã, alguns homens tementes a Deus, animados com tão bom exemplo e desejosos de servir ao mesmo Deus e à sua Santíssima Mãe, a Virgem Maria, instituíram nesta vila uma semelhante irmandade, aos 27 dias do mês de Junho de 1577, com o mesmo compromisso da irmandade da Misericórdia de Lisboa “.

 Pelo arquivo sabe-se que a primitiva doação da Misericórdia foi de 2.298$770 réis.
Ignora-se a proveniência da doação, mas diz o Padre Pina que em 1213 se fundou na Covilhã uma irmandade da Senhora da Lâmpada, irmandade que se extinguiu com a fundação da misericórdia (1577), passando os seus bens   (provavelmente aquela importância) para a misericórdia com muitas e valiosas dedicações ao serviço deste estabelecimento de caridade e com legados de piedosos benfeitores se tem acumulado alguns fundos cujos rendimentos com uma rigorosa economia e muito tacto administrativo vão fazendo face às exigências que à irmandade impõe a sua missão caritativa para poder acudir às solicitações da miséria sempre crescente nesta populosa cidade, etc…//           

Seguem-se referências às reformas do compromisso de 1680.
Sob o título de Herança Antiga escreve o Visconde Pereira e Cunha:

            “Num curioso manuscrito do Padre Manuel Cabral de Pina sobre antiguidades de Covilhã, e que no códice que vi tem a data de 22 de Março de 1734 se refere que a Santa Casa da Misericórdia de Covilhã principiou em uma Irmandade de N. Senhora da Lâmpada no ano de 1213, e passaram os bens desta Irmandade para a Misericórdia, que foi instituída em 27 de Junho de 1577, acrescenta o Padre Cabral, que tudo isto consta de um compromisso manuscrito e antigo que existia no seu tempo no arquivo da Santa Casa da Misericórdia. Ao cabo da mais escrupulosa investigação não pude deparar no arquivo com o aludido compromisso manuscrito; não tendo porém razão para duvidar da asserção do Padre Cabral, que no dito manuscrito se manifesta homem muito inteligente e verídico em todas as narrativas cuja autenticidade é possível verificar hoje. Entendo pois, que esta Herança Antiga é constituída pelo fundo, que da Irmandade de Nossa Senhora da Lâmpada passou a formar o da Irmandade de Nossa Senhora da Misericórdia”.
In : “Tombo das heranças legados por piedosos benfeitores a Santa e Real Casa da Misericórdia de Covilhã”, coordenado pelo provedor Cândido Albino da Silva Pereira e Cunha, manuscrito existente no Arquivo da Misericórdia, escrito em 1863, a 5 de Julho.

Ao referir as capelas da vila escreve o Dr. João de Macedo Pereira Forjaz:

“ 6ª - A Igreja da Misericórdia é uma das melhores que há na Covilhã, tem hospital unido à mesma Igreja, com sua casa de despacho, onde tem todos os títulos e livros precisos para sua boa administração; mas o hospital não está bem construído e o lugar é impróprio para ele, os doentes são maltratados e sem conveniente asseio, não obstante ter a mesma misericórdia quatro mil cruzados de renda, que é constituída em foros, e juros de dinheiro; tem capelão e hospitaleiro a quem pagam as mesmas rendas; tem uma grande Irmandade, que teve princípio no Reinado do Senhor D. João II e é de protecção Real “.

Igreja da Misericórdia
Fotografia antiga de Covilhã-Foto

Escreve o memoralista anónimo do manuscrito de Londres (2):

[...] e fora deles (dos muros) mas no meio da vila, está a Casa da Misericórdia, com templo majestoso e grave hospital para os pobres enfermos, tratados à custa das rendas da mesma casa; e é da protecção real [...]

Diz o Padre Manuel Fragoso Homem, para o 2º Dicionário Geográfico do Pe. Luís Cardoso:

“ … nºs 11 e 12: - Tem (a vila da Covilhã) hospital, e casa da Misericórdia, tudo junto da sua Irmandade, que teve princípio no tempo do senhor D. João o segundo: é de imediata protecção de Sua Majestade; tem de seu em dinheiro o juro, fazendas e foros – dezasseis contos, quinhentos, setenta e seis mil, e quatrocentos reis; estes deixados em testamentos de pessoas piedosas com vários encargos, a que se satisfaz pelos administradores que são o Provedor, Escrivão, Tesoureiro, e doze Irmãos da mesa da dita Irmandade: não tem rendimento certo; porque uns anos, rende mais, e outros menos conforme os frutos, e preços, porém chega a ter de renda mais de um conto “ (3).

Por fim eis o extracto do Compromisso de 1680:
Na introdução ao compromisso faz-se uma invocação a Deus e à Virgem Nossa Senhora.   Fala-se na fundação da Misericórdia de Lisboa pela Rainha D. Leonor em Agosto de 1498, sendo Regente.
Os fins da Misericórdia.
Segue-se:

“ Começou a exercitar na cidade de Lisboa, donde como cabeça se derivou o sua (sic) cheiro do seu bom nome, nas demais partes do corpo místico destes reinos de Portugal e chegando a esta nobre vila da Covilhã, alguns homens tementes a Deus, animados com tão bom exemplo e desejosos de servir ao mesmo Deus e à sua Santíssima Mãe, a Virgem Maria, instituíram nesta vila uma semelhante irmandade, aos 27 dias do mês de Junho de 1577, com o mesmo compromisso da irmandade da Misericórdia de Lisboa “.

Fala depois nas circunstâncias especiais da Covilhã, a que se não adaptava o compromisso de Lisboa e reuniam para a reforma do mesmo que fez a irmandade em 17 de Maio de 1618. Vendo posteriormente o provedor e irmãos que serviam em 1678 que do referido compromisso faltava a aprovação Real e que era preciso adaptá-lo ao tempo ordenaram-no na forma seguinte, pedindo a aprovação e protecção Real. Em Covilhã 27 de Novembro de 1678.

O alvará de aprovação é de Lisboa, 29 de Maio de 1680.
O compromisso é impresso em Coimbra, na oficina de Manuel Rodrigues de Almeida, no ano de 1681.
Neste compromisso de 1680 encontram-se riscadas a tinta as disposições referentes à pureza de sangue (mulatos e cristãos-novos) exigidos para os irmãos tanto no referente a eles próprios, como às esposas ou àqueles que sendo irmãos casassem depois com cristãs-novas.
Desde que sabemos ser de 1498 a fundação da Misericórdia de Lisboa e ter ocorrido em 1495 a morte de D. João II fica posta de parte a hipótese de ambos os autores que a atribuem ao reinado do Príncipe Perfeito.
Não obstante haver no arquivo da Santa Casa muitos documentos referentes à Misericórdia anteriores a 1577, convém esclarecer porquê os restantes autores se agarraram à data de 27 de Junho de 1577. A notícia beberam-na no Compromisso de 1680 e, ou não tiveram a coragem para o contraditar ou, como é mais natural, nunca estudaram o arquivo.
No entanto até o compromisso de 1680 parece-me ter sido mal interpretado: o que chegou à Covilhã foi o suave cheiro do bom nome da Misericórdia de Lisboa e não alguns homens tementes a Deus. Estes instituíram na vila uma irmandade. Em 27 de Junho de 1577 como quer o compromisso de 1680, ou noutra data?
Nota dos editores – 1) Este Dicionário é uma compilação feita pelo Padre Luís Cardoso das Memórias Paroquiais resultantes de um Inquérito histórico-geográfico enviado a todos os párocos do País e ordenado pelo Marquês de Pombal em 1758. 2) Documento publicado por Luiz Fernando Carvalho Dias, na sua "História dos Lanifícios", Documentos, vol. I, pág 37. 3) Publicado na mesma Obra, vol. III, pág. 766.