domingo, 18 de setembro de 2011

Covilhã - Invasões VI

Continua a apresentação de testemunhas neste auto de devassa, para que sejam castigados os moradores da Covilhã que se passaram para o lado estrangeiro na invasão franco-espanhola de 1762


Artilheiros em combate, carregando um canhão

     10.º Estêvão Pereira das Neves, solteiro, filho que ficou de Francisco Pereira, que vive de sua fazenda, natural e morador na Boidobra, de 24 anos. Os presos ficaram em Castelo Branco à ordem do corregedor.

11.º Francisco da Cruz, lavrador, natural do Freixial, termo do Fundão, morador na Boidobra.

12.º Bernardo Cardona, solteiro, filho de Maria da Cunha, mulher de Luis Rodrigues Jangim, filho espúrio, natural e morador na Boidobra, de 18 anos.

13.º Filipe Mendes, jornaleiro, morador e natural da Boidobra, de 40 anos.

14.º João Francisco Monteiro, oficial de carda, natural e morador na Covilhã, de 62 anos.

Pacheco mandou prender ao Fundão a António Rodrigues Carqueija o moço, «a quem tinha o dito Pacheco concebido um grande ódio por não poder aturar o dito Carqueija semelhantes governos e ter tomado umas pistolas ao comandante francês».

15.º Maria da Costa Cecília, viúva de Francisco Monteiro, oficial de carda, natural e moradora na Covilhã, de 50 anos, diz que quase todos os moradores se ausentaram uns para as serras e outros para outras partes, por não darem sujeição ao inimigo.

Pacheco «mandou lançar vários pregões com pena de morte, que todos os moradores levassem os seus panos ao Convento de S. Francisco desta Vila aonde se ajuntou um grande número deles que o inimigo levou».

16.º José Rosado, pizoeiro, natural e morador na Covilhã, de 50 anos. O Pacheco e os seus «entraram logo a fazer mil insolências, vexando o povo querendo sujeitá-lo ao Domínio del Rei de Castela, mandar lançar pregões a cada instante, prendendo e fazendo outras cousas mais querendo por força sujeitar tudo ao dito domínio e fazendo-se absolutos em todas as suas operações e acções e na ocasião em que ainda aqui se achava o inimigo mandou o dito Pacheco lançar pregões por toda esta vila para que todos os moradores com pena de morte, casas queimadas e confiscações de bens levassem os seus panos e baetas ao Convento de S. Francisco aonde se ajuntou grande número deles que o inimigo levou.»

Ostentando-se assim (o Pacheco e os outros) vassalos del Rei de Cas­tela e negando a sujeição ao nosso Rei Fidelíssimo e senhar natural, tanto assim que estando, ele testemunha, em um dos dias em que na dita vila estava ainda o inimigo, de baixo da varanda das casas de seu irmão João Rodrigues Delgado Rayo, chegou ali o Barroca cheio de alegria e prazer dizendo que, estavam já todos castelhanos, dizendo mais = Viva o Senhor D. Carlos e nós todos somos castelhanos = e levando consigo ao dito João Rodrigues Delgado ao Convento de S. Francisco, o levou consigo o ini­migo para o forte Fiel onde morreu. António Rebelo andou com os solda­dos a ensinar-lhes as casas dos moradores da vila. Este Rebelo foi à vila do Fundão, e fez-se acompanhar por António Delgado Borralho, quinteiro, mas ficou próximo, induzindo-o a ir àquela diligência pelo que foi preso e mandado para o Limoeiro de Lisboa. Mas está inocente por ser rústico e simples.

Conclusão = 1 de Março de 1763.

Despacho: Mandando prender por incursos por inconfidência aos Réus Filipe Pacheco de Aragão, seu criado Boaventura José, António da Fon­seca Barroca, Manuel António de Figueiredo, António Rebelo o mouco, António Francisco Leitão, o fandango, Francisco Rodrigues Salgado e seu irmão André Malaca, desta vila, para se remeterem ao Juízo da Incon­fidência. Covilhã. 1 de Março de 1763.

Termo da data, 1 de Março.

17.º João Leitão Namorado, oficial de tosador, natural e morador na Covilhã, de 40 anos.

Tendo fugido no dia 23, voltou no dia 24 e viu que Filipe Pacheco de Aragão, da mesma vila estava com os ditos inimigos no Terreiro da Praça pública ou pelourinho dela, oferecendo ao Comandante inimigo e seus ofi­ciais uma garrafa de vinho e biscoitos; em sua companhia estava também Boaventura José, seu criado.

Esta testemunha foi mandada prender por não querer sujeitar-se, sendo incumbidos da diligência o Rebelo, José da Costa Aleixo e João da Costa Lei­tão que a foram procurar a uma sua vinha. José Rato, o folião, de alcunha, ensinou aos soldados inimigos as casas da vila onde deviam comer; e António Fernandes Rato disse aos habitantes da vila que não fugissem que o inimigo não havia de fazer mal algum e que havia de denunciar os lugares para onde fugiam. O mesmo Rato foi com um soldado francês à serra, ao Sitio das Cales de St.º António, buscar as suas duas filhas, mas o Soldado não se quis aproximar com medo que o matassem os outros moradores que ali estavam.

18.º Manuel Antunes, solteiro, filho de João Antunes, natural e morador na Boidobra, confirmou o seu depoimento.

19.º José da Costa Aleixo, oficial de tecelão, natural e morador na Covilhã, de 32 anos. Quando o Rebelo o quis levar a prender o Namorado, fugiu para a Serra.

Ficou preso. Tem à margem que morreu na prisão.

20.º  António Rebelo, o mouco - pomareiro no pomar da Ponte desta vila natural e morador nela, preso na Cadeia, de 58 anos.

Diz que por fim fugiu para Alpedrinha e Castelo Novo. Filipe Pacheco estava num pátio ao Pelourinho, nas casas do Dr. Filipe de Macedo. Fora ao Fundão mas entregara a carta a Estêvão, seu criado, filho do Ranito, que a tornou a trazer para esta vila e a entregou de novo ao Pacheco.

Assentada = 3 de Março de 1763.

21.º  José de Matos, que vive de sua fazenda, natural do Tortosendo e  morador na Boidobra, de 35 anos.

22.º  Luis Caetano Coelho, oficial de sapateiro, da Covllhã, de 44 anos.

Assentada = 4 de Março.

23.º Josefa Maria d'Olíveira, mulher de Luís Caetano Coelho, de 45 anos.

24.º Maria de S. João, mulher de António Rodrigues Doutor, oficial de carda, natural e morador na Covilhã, de 45 anos.

«para que os fabricantes dos lanifícios levassem os seus panos e baetas ao Convento de S. Francisco».

25.º António José de Gouveia, oficial de tecelão, natural e morador na Covilhã, de 34 anos.

26.º José Rodrigues Padez, oficial de carda, natural e morador na Covilhã, de 47 anos.

O Barroca disse-lhe a ele e a seu cunhado Gouveia, (a derradeira tes­temunha): = oh, já vocês se vêm recolhendo, a culpa teve quem cá lhe não deitou o fogo às casas =

     27.º O ajudante Luis Agostinho, natural e morador na Covilhã, de 30 anos.

Entre outras coisas disse que ouviu dizer que José da Cruz Rato, o folião de alcunha, andara ensinando aos soldados do inimigo as casas de alguns moradores desta vila entre os quais de João da Silva de Figueiredo Fragoso e de Luís Caetano Coelho e de João Rodrigues sapateiro de onde lhes faltou muitas coisas.

28.º Manuel Roman, oficial de tecelão, natural e morador nesta vila, de 43 anos.

29.º  Simão Martins de Morais, oficial de tecelão, natural e morador na Covilhã, de 34 anos.

Ouviu dizer ao Pacheco que não pagava a António Francisco Fan­dango por não ter aviado o negócio a que o tinha mandado à Guarda para o inimigo lhe mandar guarnição. Sabe por o ouvir dizer a Maria Teresa, assistente em casa do Padre João Nunes desta vila, que à sua porta chegaram alguns soldados inimigos a quem foi a ensinar João Sal­vador, filho duma Rita de Gouveia e andaram comendo por várias casas e levando consigo outros para assinarem uma escritura em que obrigaram a assinar algumas pessoas, obrigando-as por este modo a pagarem certa quantia em dinheiro em certo tempo.

30.º  João Baptista Rebelo, vive de sua fazenda, natural e morador nesta vila, de 60 anos.

Os soldados franceses e espanhóis foram a sua casa, obrigando a ensinar-lha um Lino Martins, tecelão, e um Manuel Ferreira, cardador, desta vila, como presenciaram Francisco Mendes Catrapam e Manuel Leitão Camelo, tecelão.

Assentada = 5 de Março de 1763.

31.º  Manuel Leitão Camelo, natural e morador na Covilhã, de 60 anos, ofIcial de tecelão.

Trabalha em casa de João Baptista Rebelo, no seu ofício. O Rebelo também vendia tabaco, vinho e aguardente.

O inimigo dizia que ia dali ao Fundão, a Castelo Branco e a Lisboa.

   32.º  Manuel da Silva, oficial de sapateiro, natural e morador na Covilhã, de 60 anos. 

     33.º  Francisco António Correia, oficial de serralheiro, natural e morador na Covilhã, de 50 anos.

   34.º João Lopes de Morais, solteiro, filho que ficou de Manuel Lopes de Morais, oficial de tecelão, natural e morador na Covilhã, de 22 anos.

Certidão - de Manuel Coelho d' Almeida conforme este treslado da devassa de inconfidência vai escrito em 37 meias folhas de papel e com esta finda, etc. 

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Covilhã - Pedro Álvares Cabral e Belmonte II

Luiz Fernando Carvalho Dias continua a esmiuçar a vida de Fernão Cabral para poder fixar a data de nascimento e outros dados biográficos de Pedro Álvares Cabral.

            Quando as aventuras amorosas do fidalgo da Beira rondavam as imediações da Câmara Real era hora do trintão mudar de estado.
            Em 1454, a filha de João de Gouveia e de Leonor Gonçalves desfizera umas núpcias adiantadas com um fidalgo transmontano, chamado Vasco Fernandes de Sampaio. Digo adiantadas porque uma carta régia desse ano chegou mesmo a chamar-lhes marido e mulher, mas a verdade é que as promessas se desfariam em fumo e a moça ficaria aguardando oito anos outro marido, menos ambicioso que esse transmontano de Moncorvo.
            Leonor Gonçalves ia pelos 62 anos, em 1463, pois era colaça d’ El-Rei D. Duarte e João de Gouveia, cumulado de serviços e de honras atingia o cimo dos seus dias. 
            Os Gouveias eram beirões de Castelo Rodrigo mas tinham propriedades e jurisdição nas imediações de Belmonte, em Valhelhas, hoje concelho da Guarda, e no concelho da Covilhã. Fiéis à Pátria em 1385; soldados d’ África no século XV, esforçados e valentes, do melhor que a Beira mandou aos cercos de Tânger e às campanhas de Afonso V, foram depois no século XVI professores e intelectuais de renome desde o ortodoxo Diogo de Gouveia, o velho, filho de um beirão emigrado para Beja, até aos inquietos e heterodoxos António e Marcial. Primo de Pedro Álvares Cabral, que admira o interesse de Diogo de Gouveia Sénior pelas missões do Brasil?
            Desconhecemos onde casaram Fernão Cabral e D. Isabel de Gouveia, mas decerto em Castelo Rodrigo.
            O grosso das doações régias a Fernão Cabral, é de crer, coincidisse com o matrimónio.
            Um instrumento de partilhas entre o irmão mais velho de Isabel de Gouveia e esta e seu marido, datado da quinta do Fogo, em Castelo Rodrigo, em 1464, declara que Fernão e Isabel eram casados e que esse casamento fora feito ainda em vida de João de Gouveia.
            Como as confirmações das doações régias a Vasco Fernandes de Gouveia são de 1465, é de crer que o decesso do alcaide de Castelo Rodrigo não fosse além de 1463.
            Por isso admitimos que o casamento dos pais de Pedro Álvares Cabral se tivesse realizado em 1462.
            Deste casamento nasceram seis filhos.
            O primeiro foi João Fernandes Cabral, alcaide-mór de Belmonte e Senhor de Azurara por carta régia de 1496.
            O segundo foi Pedro Álvares Cabral, descobridor do Brasil.
            O terceiro Vasco Fernandes Cabral.
            O quarto Luiz Álvares Cabral.
            O quinto D. Violante de Gouveia, casada com Luiz da Cunha, de Santar, vulgarmente confundida com a sua homónima e parente D. Violante Cabral, abadessa de Odivelas, a inspiradora do auto da Cananeia de Gil Vicente.
            O sexto D. Beatriz, casada com D. Pedro de Noronha, filho natural do Marquês de Vila Real.
            Admitindo que o casamento dos pais de Cabral se tivesse realizado em 1462 e que o primeiro filho nascesse em 1463 e que todos os anos D. Isabel desse um filho a Fernão Cabral, teríamos de aceitar o nascimento de D. Beatriz, a última filha do casal em 1468.
            Ora sabemos por documento outorgado pelo seu marido D. Pedro de Noronha que ele e D. Beatriz ainda casaram em vida de D. Isabel de Gouveia, porque Fernão Cabral e a esposa lhes fizeram em dote a Malpartida, perto de Castelo Rodrigo.
            Se D. Isabel de Gouveia morreu em 1483, a filha mais nova teria de casar com 15 anos.
            Assim, ao abordar as terras de Santa Cruz o segundo filho do casal, Pedro Álvares, nessa data, ultrapassaria bem os 33 anos que vulgarmente lhe têm sido atribuídos.

Armada de Pedro Álvares Cabral


            Mas voltemos atrás para surpreendermos o Gigante da Beira no exercício da mais alta magistratura da nossa província, i. e. de Regedor das Justiças da comarca da Beira.
            Como surgiu esta magistratura?
            Gama Barros, na História da Administração Pública regista Regedores de Justiça em épocas mais recuadas.
            Contudo, embora na carta de nomeação se determine que Fernão Cabral exercerá a função como aqueles que o antecederam, a verdade é que não foi conhecido até ele, outro Regedor das Justiças, na Comarca da Beira.
            A carta, pela forma como está redigida, dispensa qualquer investigação quanto à criação do lugar e aos seus objectivos. É clara e nela diz o Rei :
                       
            “ Considerando nós como a comarca e correição da Beira e Riba Coa é alongada e afastada donde nós continuamos a maior parte dos tempos pela qual razão os homens mais atrevidamente cometem muitos malefícios e    como ainda em a dita correição há muitos fidalgos e outras grandes pessoas em que os ditos malfeitores acham acolhimento, amparo e defensão dos quais os corregedores nom podem assim livremente fazer a dita justiça segundo a rezam e nosso desejo requer“

            Portanto, D. Afonso V, como o último dos Reis itinerantes, prevê que a Corte não podia deixar de se estabilizar. Daí a necessidade de suprir a sua missão fiscalizadora e correctora na aplicação do direito por outras funções mais lestas e mais próximas.
            Por outro lado o Rei reconhece a natural impossibilidade ou dificuldade de seus corregedores imporem a justiça aos grandes senhores que cobriam com o manto da sua influência e hierarquia os malefícios de tantos.
            Se D. Afonso V não se antecipou ao Príncipe Perfeito cerceando o mal pela raiz e cortando a frondosa árvore dos privilégios, procurou com esta função de Regedor da Justiça impor ao nobre, impante e violento, alguém que pela hierarquia lhe falasse no mesmo plano de igualdade, e pela investidura do cargo não hesitasse subjugá-lo ao cumprimento da lei.
            A carta régia invoca a bondade e descrição de Fernão Cabral para o bom desempenho de tão espinhosa missão que classifica de :

            “ serviço de Deus e nosso e bem do nosso povo ... “

            Fernão Cabral poderá usar directamente da magistratura ou delegar num ouvidor, mas nesta hipótese conhecerá dos agravos a que esse dito ouvidor se fizer.
            O Ouvidor seria o técnico da Justiça, reservando o Regedor para si a função mais nobre da equidade.
            Sabemos e são pródigas as fontes : Fernão Cabral não exerceu directa e totalmente a função, confiando-a, entre outros, a Gonçalo Gonçalves, seu ouvidor, contra a sentença do qual, vários povos da correição da província agravaram em Cortes.
            De tais capítulos, uns providos pelo Rei, outros indeferidos, Fernão Cabral não saiu ferido, pois extinto o lugar de regedor das justiças, D. Afonso V confirmou, para uma das corregedorias da província o mesmo ouvidor Gonçalo Gonçalves, excluindo, deste modo, qualquer suspeita que maculasse a sua acção.
            Onde começava e até onde chegava a competência do Regedor das Justiças da Beira e Riba Côa ?
            Primeiramente há que advertir : o Regedor era um supercorregedor.
            A função de corregedor, no dizer de Gama Barros, subsiste e coexiste com a de Regedor; são funções gradualmente distintas por um lado - mas, por outro completam-se. Do corregedor agrava-se ou recorre-se para o Regedor, mas o Regedor, além de instância do recurso, usa de outra competência porque vai aonde o corregedor não chega ou onde o corregedor não entra, nos tais domínios fechados dos grandes Senhores.
            Disto temos prova num conflito aberto entre Fernão Cabral e, nem mais nem menos, a Infanta D. Beatriz, viúva de D. Fernando e cunhada de Afonso V, mãe e tutora do futuro D. Manuel I, a propósito de certas jurisdições, conflito que ultrapassava a competência do corregedor da comarca, mas não a de Regedor das Justiças.
            Por sua vez o Regedor superintendia sobre os alcaides dos castelos e cabia-lhe vistoriar os “ batimentos e almazens” .
            Ora os alcaides dos Castelos recrutavam-se normalmente entre os membros da alta nobreza.
            Seria contra o espírito da carta que Fernão Cabral não exercesse aqui pessoalmente a sua jurisdição.
            Por isso topamos na chancelaria régia de D. Afonso V várias cartas respeitantes ao empossamento dos alcaides dos castelos e senhores de algumas vilas da Beira, dirigidas a Fernão Cabral, e respeitantes v.g. a Sortelha, a Castelo Rodrigo e a Vilar Maior, etc.
            De igual modo os fidalgos e cavaleiros, peões e besteiros e todo o outro povo deviam obedecer ao Regedor das Justiças da comarca como oficial do Rei.
            A jurisdição de Fernão Cabral como a mesma jurisdição do Rei atingia todas as camadas da população e chegava a toda a Comarca da Beira e Riba de Côa, a Manteigas, a Sortelha, a Castelo Rodrigo, a Pinhel, etc...
            Não apreciavam contudo os povos, e aqui povo deve entender-se por pequena aristocracia dos concelhos, a função de Regedor da Justiça e compreende-se porquê! O detentor dessa parcela de jurisdição régia vivia demasiado próximo dos concelhos e dos seus administradores.
            Daí o terem requerido ao Rei, com êxito, nas Cortes de Évora de 1473 a sua extinção.
            Na sua primeira fase a função dura de 1464 a 1473.
            O período decorrente de 1465 até 1476, isto é, desde as Cortes da Guarda até à Batalha de Toro, é de uma intensa actividade política e militar na zona fronteiriça da Beira e em Castela pois coincidia com a desgraça da Infanta D. Joana, irmã de Afonso V e esposa de Henrique 4º de Castela, e o fenecer dos direitos de Excelente Senhora ao Trono em favor de Isabel a Católica.
            Coube a Fernão Cabral um preponderante papel nessa longa e dolorosa questão dinástica, onde pela sua fidelidade, sacrifícios e despesas honrou mais uma vez os timbres nobiliárquicos da sua casa.
            Regressado a Portugal com a alma carregada de luto pela morte de seu cunhado Vasco Fernandes de Gouveia, com a bolsa vazia pelas muitas despesas realizadas ao serviço do Rei, pede a D. Afonso a restituição da Regedoria da Justiça da Comarca da Beira, argumentando que tal lugar lhe fora dado em 1464, em paga de serviços.
            Embora tal não constasse da carta de nomeação de 1464, como já vimos, D. Afonso V, recordando os seus muitos serviços em Castela, e o muito que gastou do seu bolso nessa guerra infeliz e ainda os seus serviços em África, no Norte d’África, restitui-lhe a função em 1476, mas só por sua vida, acrescida da honra de adiantado-mor, como aliás já fizera ao Conde de Penela, Regedor da Estremadura.
            Desejoso, porém de corresponder às pretensões das Cortes, embora reconhecendo os serviços de Fernão Cabral, D. João II acabou definitivamente com os Regedores de Justiça após as Cortes de Évora de 1481 e com os adiantados em 1486, indemnizando nesta data o velho servidor com uma mercê em dinheiro.
            É do período da sua função de adiantado-mor, ou mais exactamente de 27 de Junho de 1481, um documento assinado por Fernão Cabral, em S. Cosmadinho, ou seja na sua quinta de Zurara da Beira: serve ele para demonstrar que Fernão Cabral não se instalava em S. Cosmado quando visitava as suas terras de Moimenta e Azurara ou os seus padroados de S. Pedro de Espinho e de S. Tiago de Cassurães, o que contraria definitivamente quantos pretenderam chamar para S. Cosmado e fixar numa estreita casa renascentista, o local do nascimento do descobridor do Brasil.
            Segundo Sanches Baena, D. Isabel de Gouveia teria morrido em Belmonte a 26 de Agosto de 1483, e recomendaria no seu testamento para jazida a capela que seu marido então construiu em Belmonte, ou a sua trasladação para ela, caso não estivesse concluída à data do óbito.
            Embora não tivéssemos a sorte de encontrar o testamento de D. Isabel, citado por Sanches de Baena, e ainda no seu tempo depositado no arquivo da Casa de Belmonte, lemos e publicámos antes de outrém a inscrição de 1630, da autoria do alcaide-mor, Bacharel Francisco Cabral, que revela ter sido Fernão Cabral o construtor da primitiva capela tumular dos Cabrais, junto a S. Tiago de Belmonte, em mil quatrocentos e oitenta e tal.

Nota dos editores – Mais tarde publicaremos alguns documentos.

Publicações do blogue já até 2014
As publicações do blogue:
Publicações sobre Pedro Álvares Cabral:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/08/covilha-pedro-alvares-cabral-e-belmonte.html
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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Covilhã - Contributos para a sua História dos Lanifícios X

A População e a Indústria dos Lanifícios

A influência do problema da população é de primeira plana no estudo económico da história dos lanifícios. A instalação de uma manufactura e o seu desenvolvimento esteve sempre condicionado pelo valor demográfico de uma região. Se por vezes os teóricos do pensamento económico utilizaram as indústrias para desenvolver e aumentar o potencial demográfico dos estados, a verdade é que só em teoria o fizeram, porque no fundo foi sempre a população que determinou a instalação de focos lanificiais, condicionou o seu desenvolvimento e limitou a sua extensão. Igual preocupação pela população manteve a política económica. Os estadistas do mercantilismo sabiam perfeitamente as ligações que existiam entre a população e as exigências dos panos. A sua acção económica foi sempre precedida de inquéritos populacionais. O Conde da Ericeira, Pombal e D. Rodrigo da Cunha mediram sempre, mais ou menos, conforme os tempos e as determinantes políticas, as possibilidades de instalação das suas empresas. Era, além disso, a lição dos teóricos nacionais e estrangeiros.
            Basta lembrar-nos que no domínio da técnica manual dessas épocas, a laboração de cada tear pressupunha o trabalho efectivo de vinte a vinte e cinco pessoas. A fiação absorvia o maior contingente. Por isso Rodrigues da Silva liga ao problema da população tão grande interesse. É que nos lanifícios da sua época a fiação manual ainda se mantinha num período nitidamente experimental. Simão Pereira da Silva, industrial da Covilhã e de Celorico, experimentou um filatório construído por um inglês ou irlandês aportado do Norte, teve contudo de o pôr de parte, por não dar os resultados esperados e volta de novo à fiação manual. (1)
Como devia porém ser apreciado o problema da população com vista a uma política de fomento económico? Como devia o teórico arbitrista ou economista apresentá-lo ao político? Quais os termos da sua equação? Aqui é que Rodrigues da Silva não analisa os fenómenos em todas as suas consequências e dele não sabe tirar todo o partido de que ele era susceptível. Limita-se a indicar os números dos habitantes ou fogos de certas vilas e concelhos, a indicar a arbitrariedade e pouca certeza dos números recolhidos ou apresentados por cada censo ou cálculo e nada mais. Mas, mesmo assim, presta incalculáveis serviços ao historiador da economia, quando nos indica a fonte desses números, a confusão dos seus resultados porque uns referem fogos e outros almas e quando nos confessa as suas dúvidas sobre os números do censo do Conde de Linhares. De facto quaisquer dos censos ou recolhas populacionais eram insusceptíveis de aproveitamento para um esboço de política económica, quando de tantos documentos e informações era notória a instabilidade do trabalho em certos centros, a concorrência de outros ramos da produção à própria produção lanificial em determinadas regiões, quando noutras a população se consagrava exclusivamente ao fabrico dos panos, numa palavra, quando os censos ou recolhas não tinham em atenção a própria distribuição da população segundo os graus da hierarquia social, religiosa, económica ou profissional da sociedade. A política económica esbarrava, pois, sempre com a fiabilidade dos números e, por isso, as suas tentativas de incremento económico cediam facilmente e quase sempre às realidades superiores e transcendentes de certas leis naturais que essa política só ocasionalmente e de momento conseguia forçar.
Conhecendo o número de teares existente em cada lugar ou vila e a exigência de mão-de-obra que cada tear arrasta atrás de si, verificamos, normalmente, que a  capacidade produtiva de cada centro se encontrava esgotada. Podia a política dos ministros mais activos da monarquia transpor aqui e além essas barreiras com a deslocação da população de umas técnicas para outras, mas tudo voltava ao antigo. A população condicionava de facto e irremissivelmente o desenvolvimento manufactureiro. Por isso não há que admirar que durante quase três séculos o número de teares existentes nesses centros se mantivesse quase sempre dentro dos mesmos limites, apesar de nos inquéritos se dizer, por exemplo, a Pombal até onde eles poderiam aumentar; mas não obstante a força do ministro, ele foi incapaz de atingir ou sequer modificar esse condicionalismo. A política económica devia, por isso, seguir outros caminhos que Rodrigues da Silva não indica, independentemente da população ou ainda atendendo a ela. Na primeira hipótese, e foi essa geralmente a seguida, fomentar a transferência da pequena manufactura artesanal e mercantil para organizações capitalistas, captando a mão-de-obra da manufactura livre para a manufactura protegida, forçando assim a morrer a indústria tradicional. Foi o que aconteceu em Portalegre. A indústria manufactureira artesanal passou com armas e bagagens para a Fábrica Real que concentrou em si todas as possibilidades produtivas da terra.
No Alentejo manteve-se o condicionalismo anterior ao Pombalismo: população e instrumentos de trabalho mantêm o seu nível anterior.
Na Covilhã, a população aumenta e esse aumento dá possibilidades à indústria livre de se manter no nível anterior e ainda de se constituir a empresa pombalina que atingiu cerca de quatrocentas pessoas.
No Fundão a empresa pombalina absorveu as possibilidades populacionais da vila. Só aqui se deu a segunda hipótese. A política pombalina criou por si uma manufactura completamente de novo, trazendo mestres de fora e com eles ensinando e adestrando os aprendizes, porque a antiga manufactura do Fundão estaria praticamente desaparecida.
Das duas hipóteses a segunda era a única capaz de fazer aumentar a produção com eficiência, embora exigisse mais atenção, cuidado e direcção. A primeira tinha o inconveniente de substituir técnicas arreigadas por outras novas; dava lugar à substituição de manufacturas de baixa qualidade por panos de melhor tipo; conduzia à difícil substituição de mercados com os transtornos de levar a manufactura nacional a ter de concorrer com a técnica inglesa muito mais aperfeiçoada e a abandonar-lhe o mercado baixo em que estava acostumada; exigia empresários, técnica e financeiramente capazes e estes faltavam na indústria particular e muito mais claudicariam num regime de “régie” directa ou de concessão mais ou menos dirigida. 


Nota dos editores - 1) Rever o texto sobre “Baldios – os ventos do fisiocratismo. A arte de fabricar. Deficiências” em “Covilhã - Subsídios para a sua História dos Lanifícios IX”

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Covilhã - Lista dos Sentenciados na Inquisição XVIII

Lista dos Sentenciados no Tribunal do Santo Ofício da Inquisição de Lisboa, Coimbra e Évora, originários ou moradores no antigo termo da Covilhã e nos concelhos limítrofes de Belmonte e Manteigas.

 451    Manuel Samuda de Leão, x.n., de 26 anos, solteiro, médico, natural e morador em Lisboa, filho de Simão Lopes Samuda, x.n., médico, natural de Odemira e de Isabel Henriques, natural da Covilhã, neto paterno de António de Samuda e Guiomar Dias e materno de João Esteves Henriques e Catarina Henriques, bisneto de Diogo Henriques e Branca Lopes Henriques, pais do avô materno e de Álvaro Rodrigues e Custódia Henriques, pais da avó materna, de 16/3/1703 a 30/9/1706,  auto público de 12 / 9 / 1706. (A mãe e os irmãos são os referidos sob os nºs 298, 449 e  450 desta lista).
PT-TT-TSO/IL/28/7178.
Há outro Simão Lopes Samuda, sobrinho deste Manuel Samuda de Leão, solteiro, de 22 anos, médico, natural e morador em Lisboa, filho de Rodrigo de Siqueira, natural de Lisboa e de Violante Nunes Rosa, natural de Beja, neto paterno do dito Simão Lopes Samuda e da 1ª mulher dele Leonor da Silva, de 15/5/1703, procº IL/28/2784.

452      António Gomes Cáceres, x.n., de 22 anos, solteiro, natural e morador na Covilhã, filho de António Gomes de Cáceres, tratante e de Leonor Rodrigues, x.n.,, neto paterno de Manuel Gomes e de Isabel de Cáceres, auto público de 19/10/1704. Veio a casar com Ana Fróis. (O pai, a mulher e o filho são os referidos sob os nºs 446, 805 e 992 desta lista).
Não se encontra referido nos processos do ANTT.

453      João Mendes da Cunha, x.n., de 36 anos, viúvo, tratante, natural do Fundão, morador em Lisboa, filho de João da Cunha e de Isabel Henriques, neto paterno de Manuel Mendes, natural do Fundão e Isabel Maria, natural de Sevilha  e materno de Francisco Mendes ou Francisco Mendes de Almeida, x.n., mercador e de Beatriz Nunes, x.n., de 23/8/1703 a 29/10/1704. (A mãe, a avó materna, os irmãos e os filhos são os referidos sob os nºs 338, 375, 453, 475, 478, 513, 523, 621, 573 e 627 desta lista).
PT-TT-TSO/IL/28/4694.

454   Pedro Lopes Henriques, x.n., de 35 anos, de alcunha “O Arroja”, solteiro, mercador, natural do Fundão, morador em Lisboa, filho de Manuel Nunes, x.n., mercador, e de Graça de Luna, x.n., neto paterno de Pedro Rodrigues Álvares, natural do Fundão e de Mécia Rodrigues e materno de Manuel Jorge ou Manuel Jorge Arroja e Justa de Paiva, bisneto de Manuel Rodrigues “o redondo”, sapateiro e de Branca Rodrigues, pais do avô paterno e de Jorge Rodrigues Roxas ou Jorge Rodrigues Arroja e Violante Rodrigues, moradores que foram no Fundão, pais do avô materno, de Duarte de Paiva e de Graça de Luna, pais da avó materna, de 22/8/1703 a 6/11/1704. (O pai, a mãe e os irmãos são os referidos sob os nºs 353, 368, 413, 468 e 530 desta lista)
PT-TT-TSO/IL/28/2793.

455      D. Jerónima Henriques de Chaves, x.n., de 25 anos, (1º processo) e 30 anos (2º processo), natural do Fundão (Ciudad Rodrigo, Espanha), moradora em Lisboa, casada com Gaspar Lopes Henriques, médico, filha de Francisco Lopes Preto, que vivia de sua fazenda e de Mécia de Chaves, neta paterna de Francisco Lopes Preto, x.n., mercador e de Beatriz Nunes ou Brites Nunes, x.n., e materna de Francisco Carvalho Chaves, x.n. e de Leonor Mendes, bisneta de Domingos Rodrigues e de Maria Lopes, pais do avô paterno, de Diogo Carvalho Chaves, x.n., homem de negócio, e Brites Henriques, pais do avô materno de 6/9/1703 a 29/10/1704( 1º) e de 6/9/1706 a 26/11/1707. ( O pai, a mãe, o marido, ela e os filhos  são os referidos sob os nº 532, 382, 491, 517, 516, 518 e 921 desta lista).
PT-TT-TSO/IL/28/8265 e 8265-1.

456      Domingas Henriques, x.n., de 60 anos, natural e moradora na Covilhã,  viúva de Simão Fernandes Lousada, mercador,  com quem foi casada em 2ªs núpcias, tendo sido casada em 1ªs com João Henriques Ferreira, filha de António Lopes, x,n., mercador e de Ana Rodrigues, viúva, neta paterna Manuel Lopes e Domingas Rodrigues e materna de Álvaro e Vioante Rodrigues, de 19/8/1704 a 6/11/1704. (O filho é o referido sob o nº 496 desta lista).
PT-TT-TSO/IL/28/2100.    

457     Maria Henriques, x.n., de 28 anos, natural da Covilhã e moradora em Lisboa, filha de Jorge Henriques e de Maria de Cáceres, viúva de Paulo Mendes ou Paulo Mendes Garcia, x.n., ourives de ouro, por judaísmo, de 9/9/1703 a 4/3/1705. Auto de fé de 20/11/1704.
PT-TT-TSO/IL/28/1949                                

458    Maria Henriques, x.n., de 20 anos, natural da Covilhã e moradora em S. Vicente da Beira, filha de Francisco Henriques ou Francisco Henriques Ferreira, x.n., tratante  de panos e de Joana Henriques, x.n., casada com Duarte Rodrigues da Costa, tratante de panos, neta paterna de Pedro Henriques Ferreira, mercador e de Catarina Rodrigues. (O pai e a filha são os referidos sob os nºs 445 e 1029 desta lista), Auto de fé de 20/11/1704.
PT-TT-TSO/IL/28/1946                                

459      Leonor Rodrigues, x.n., de 51 anos,  natural da Guarda e moradora na Covilhã, viúva de Manuel Dias Monsanto, filha de Belchior Rodrigues, x.n., mercador e de Leonor Rodrigues, x.n., de 28/3/1703 a 19/10/1704. (A irmã é a referida sob o nº 424 desta lista).
PT-TT-TSO/IL/28/4693.         

460    Diogo Rodrigues Lopes, x.n., de 40 anos, requerente de causas, natural da Covilhã, morador em Lisboa, filho de Jorge Rodrigues, mercador e de Isabel Lopes, viúvo de Violante Rodrigues, de 8/2/1704 a 13/2/1705, preso em 15/3/1704, por judaísmo. Auto de fé de 19/10/1704. (A filha é a referida sob o nº 461 desta lista).
PT-TT-TSO/IL/28/2097.                              

461      Branca Rodrigues, x.n., de 26 anos, solteira, natural e morador em Lisboa, filha de Diogo Rodrigues Lopes, mercador, natural da Covilhã  e de Violante Rodrigues, neta paterna de Jorge Rodrigues, mercador e de Isabel Lopes, de 23/8/1703 a 5/11/1704, auto de fé de 20/10/1704. (O pai é o referido sob o nº 460 desta lista).
PT-TT-TSO/IL/28/9029.     
                       
462      Baltazar Henriques ou Baltazar Henriques Coelho, x.n., mercador, de 54 anos, natural da Covilhã, morador em Lisboa, junto à Igreja de S. Miguel em Alfama, casado com Branca Henriques, x.n., natural do Fundão, filho de António Fernandes Velho ou António Fernandes Coelho, mercador e de Jerónima da Fonseca, naturais e moradores na Covilhã, neto paterno de Jorge Coelho e de Catarina Henriques e materno de Diogo da Fonseca e de Catarina da Fonseca, (O pai, a  mulher e o filho são os referidos sob os nºs 260, 440 e 636 desta lista), de 13/11/1704 a 9/12/1704.
PT-TT-TSO/IL/28/9034     

463      Baptista da Cunha, 1/2 x.n., solteira, de 37 anos, natural de Montemor – o – Velho, moradora no Fundão, filha de Custódio da Cunha ou Custódio da Cunha Oliveira, mercador, natural do Alcaide, Fundão e de Madalena Pessoa, x.v., moradores na Guarda, neta paterna de Martinho Oliveira ou Martim de Oliveira, x.v., lavrador e de Juliana da Cunha, x.n., naturais do Alcaide, bisneta de Brás de Oliveira, avô paterno do pai e de Miguel Henriques Falcão e de Brites da Cunha, avós maternos do pai, trisneta de Rodrigo da Cunha, pai da bisavó Brites da Cunha, tetraneta de Pedro da Cunha e Brites do Mercado, pais do trisavô Rodrigo e quinto neta de Luís do Mercado, cavaleiro fidalgo da Casa Real, pai da tetra avó Brites do Mercado, em 10/2/1705. (O pai e os irmãos são os referidos sob os nºs 285, 465 e 495 desta lista). (1)
PT-TT-TSO/IL/28/9035.

464      Branca Nunes, x.n., de 17 anos, mulher de Sancho Pessoa, mercador, natural e moradora no Fundão, filha de Manuel Mendes, mercador, natural do Fundão e de Branca Nunes, natural da Guarda, moradores no Fundão, neta paterna de Leonor Rodrigues e materna de Isabel Rodrigues, (O marido e os filhos são os referidos sob os nºs 495, 811, 898, 908, 978 desta lista), em 12/7/1705, solta em Abril de 1705.
PT-TT-TSO/IL/28/9028.

465      Francisca da Cunha, 1/2 x.n., solteira, de 34 anos, natural de Montemor-o-Velho e moradora no Fundão, filha de Custódio da Cunha ou Custódio da Cunha Oliveira, mercador, natural do Alcaide e de Madalena Pessoa, x.v., moradores na Guarda, neta paterna de Martinho Oliveira e de Juliana da Cunha, bisneta de Brás de Oliveira, avô paterno do pai e de Miguel Henriques Falcão e de Brites da Cunha, avós maternos do pai, trisneta de Rodrigo da Cunha, pai da bisavó Brites da Cunha, tetraneta de Pedro da Cunha e Brites do Mercado, pais do trisavô Rodrigo e quinto neta de Luís do Mercado, cavaleiro fidalgo da Casa Real, pai da tetra avó Brites do Mercado, de 11/2/1705 a 18/4/1705, abjurou. (O pai e os irmãos são os referidos sob os nºs 285, 463 e 495 desta lista). (1)
PT-TT-TSO/IL/28/2347.

466      Isabel da Cunha, x.n., solteira, de 30 anos, natural e moradora no Fundão, filha de António Fernandes ou António Fernandes Vaz, x.n., médico e de Beatriz da Cunha, x.n., neta paterna de Francisco Vaz, x.n., médico, natural da Guarda e de Isabel Henriques, x.n., natural do Fundão, onde foram moradores e materno de Martim de Oliveira ou Martinho de Oliveira, x.v., e de Juliana da Cunha, x.n., natural e moradores de Alcaide, de 11/2/1705 a 18/4/1705.
PT-TT-TSO/IL/28/4698.
           
467      Antónia Nunes, x.n., de 40 anos, natural de Idanha-a-Nova e moradora em Belmonte, filha de Rodrigo Mendes e de Brites Rodrigues, casada com Francisco Fernandes Loução, (O marido e os filhos são os referidos sob os nºs 827, 762, 763, 791, 793, 844 e 846 desta lista), em 4/5/1705.
PT-TT-TSO/IL/28/10579.

468      Manuel Jorge Arroja, x.n., de 40 anos, homem de negócio, solteiro, natural do Fundão e morador em Lisboa, filho de Manuel Nunes, homem de negócio e de Graça de Luna, neto paterno de Pedro Rodrigues Álvares e de Mécia Rodrigues e materno de Manuel Jorge ou Manuel Jorge Arroja ou Jorge Roxas, curtidor, natural do Fundão e Justa de Paiva, natural de Penamacor, bisneto de Manuel Rodrigues, “o redondo”, sapateiro e Branca Rodrigues, pais do avô paterno e de Duarte de Paiva e Graça de Luna, pais da avó materna, de 22/11/1704 a 25/9/1705. (O pai, a mãe e os irmãos são os referidos sob os nºs 353, 368, 413, 454 e 530).
PT-TT-TSO/IL/28/3404.

469      Álvaro Henriques Ferreira ou Álvaro Henriques de Castro, x.n., de 43 anos, mercador, natural e morador na Covilhã, contratador da fábrica dos panos finos da Covilhã, filho de Pedro Henriques Ferreira, x.n., mercador e de Catarina Rodrigues, casado com Maria (Leonor?) Pereira, de 26/2/1704 a 23/9/1705. (A mulher, os filhos e os irmãos são os referidos sob os nºs 503, 579, 760, 445, 470 e 499 desta lista).
PT-TT-TSO/IL/28/5334.                   

470      Diogo Henriques Ferreira, x.n., de 42 anos, médico, natural e morador na Covilhã, assistente em Lisboa, filho de Pedro Henriques Ferreira, x.n., mercador e de Catarina Rodrigues, casado com Beatriz Mendes Seixas, x.n., de 1/10/1703 a 11/9/1711. Terá casado em 2ªs núpcias dele e 1ªs dela com Violante Pereira ? – ver o nº 858 desta lista. (Os irmãos são os referidos sob os nºs 445, 471 e 499 desta lista). foi médico em Sesimbra.
PT-TT-TSO/IL/28/3689                   

Fonte – Os dados em itálico foram retirados do “site” do ANTT – Arquivo Nacional da Torre do Tombo relativo a processos do Tribunal da Inquisição.
Na cota dos processos, as indicações IL/28, IC/25 e IE/21 referem-se aos tribunais, respectivamente, de Lisboa, Coimbra e Évora.

Nota dos Editores - 1) Os dados apresentados neste parente do poeta Fernando Pessoa, foram também retirados do texto intitulado “Fernando Pessoa – Poeta e Pensador tem origem em Alfaiates”, de José António Vaz; e do portal “Geneall.pt”, base de dados, sobre o Estudo da Árvore Genealógica do mesmo escritor.


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Estatística baseada nesta lista dos sentenciados na Inquisição: