domingo, 25 de março de 2012

Covilhã - Os Forais e a População nos séculos XV e XVI - VI

      Continuamos a apresentar reflexões dispersas e não revistas de Luiz Fernando Carvalho Dias sobre censos e população portuguesa, em especial as da Beira Baixa, no século XVI. 

            A população portuguesa dos séculos XV e XVI interessa sobremaneira não só ao estudo económico e político do continente, nesta época decisiva da nossa história, mas ainda ao estudo da expansão portuguesa no mundo.
            O composto da população continental comparado ao composto daquela que embarcou nas armadas do descobrimento e da conquista poderia ainda explicar as causas da decadência do império do Oriente e da quebra do ritmo dessa expansão e conquista.
            O censo de 1527 tem servido de base ao estudo da população continental; para  a emigração têm servido de base os livros e listas das armadas. Levantemos algumas questões:
Como se descobriu o censo de 1527 e onde se encontra.
Suas diferentes fases - O Minho, etc.
Como se levou a efeito a sua técnica.
O conceito de vizinho e de fogo e alma. A distinção só tem praticamente interesse nos locais de população concentrada, por isso a obra de Rodrigues é utilíssima. Igualmente o é para indicar o número médio de almas a atribuir a cada fogo.
No censo de 1527 algumas vezes se confunde fogo com vizinho pela identidade dos conceitos em regiões de população pouco concentrada: mas aquilo que parecem erros de aritmética podem significar a correcção numérica  duma terminologia imprópria que devia estar presente, como demonstra Rodrigues.
Sua integração por outros documentos.
            a) Integração já feita - Documento do Visconde de Santarém para o Algarve.
            b) Integração por fazer – Documento do Visconde de Santarém - para a Covilhã. Documento do Padre Brázio.
            c) Integração de Lisboa: os números do censo de 1527 são os do Visconde de Santarém, Rodrigues e Brandão.
            O cuidado de Rodrigues na distinção dá-nos a medida do valor científico do seu trabalho; a disparidade com Brandão não advirá do facto deste não incluir os menores?
            A rapidez da recolha pressupõe a existência de um trabalho anterior, axioma também aplicável ao censo de 1527: ou então a existência de um censo permanente da população com fins fiscais, militares, e económicos - actualizável dentro de períodos e períodos certos.
É preciso comparar os números do Alentejo dados por Braancamp com os de Colaço, visto a origem documental ser diferente. Ver se ambos se referem a fogos ou a moradores.
            O censo de 1527 regista os vizinhos no estrito conceito jurídico, embora em algumas comarcas, inspirado certamente por razões de recrutamento militar, abra um capítulo à parte para os mancebos solteiros de 18 a 30 anos. O conceito jurídico de vizinho, relacionado com o claro sistema utilizado por Cristóvão Rodrigues e com uma apurada leitura do censo de 1527, dão-nos a chave para a interpretação deste.
            Sua ligação com os censos de outros países. Várias espécies de censos. Seus problemas idênticos aos outros censos. Enunciação destes problemas. A sua chave: Cristóvão Rodrigues. Comparar os números de Rodrigues com os do Visconde de Santarém. Os de Rodrigues referem-se só à cidade e não ao termo. Diz Rodrigues que Lisboa teve um grande aumento o que demonstra que os números do Visconde de Santarém só podem referir-se aos 13010 - que não são fogos, nem almas, mas vizinhos e assim os do censo de 1527. Os escravos nos termos dos forais não são vizinhos e Cristóvão Rodrigues inclui-os como tal. O censo também? As almas ainda podem significar somente os que andam no rol de confessados - devendo neste caso dar-se ao termo de almas um sentido restrito.
            Por que fará o censo de 1527 a discriminação de certos grupos sociais que depois se vieram a englobar no censo? É que o cadastro, embora as actas existentes o não digam, não tinha fins meramente de curiosidade científica, mas era fruto duma política realista: além de fins militares, sempre presentes aos homens daquela época, apresentava pelo menos fins de natureza fiscal e possivelmente ultramarina. Já devia andar no espírito de muitos aquela urgente necessidade de espiolhar e fixar o número dos privilegiados.
            Uns e outras exigem estudos críticos nem sempre fáceis de levar a efeito por carência de elementos comparativos e de cálculos assentes mais nas realidades do que nas suposições. Pretendemos neste modesto ensaio dar algumas achegas para o estudo da população daquela zona do continente que não consta do censo de 1527, integrando por conseguinte este censo e fornecendo novos elementos para o estudo de um censo anterior na mesma região.
            O censo de 1527, conforme se sabe, existe repartido por dois arquivos: os cadernos da Beira e o Alentejo estão no Museu de Londres e constam do ms. 20.959, de fls 6 a 301, como se encontra descrito no “Catálogo dos Manuscritos Portugueses ou relativos a Portugal existentes no Museu Britânico“, do Conde de Tovar. Esses manuscritos, refere o mesmo catálogo, pertenceram à Biblioteca de Lord Charles Stuart de Rothesay e foram adquiridos pelo Museu em 1855. Destes cadernos da Beira existe uma cópia na Biblioteca da Universidade de Coimbra, donde o Prof. Dr. Magalhães Colaço fez o extracto que publicou na Revista da Faculdade de Direito de Lisboa em 1934, ano 2º.  Parece que esta cópia de Coimbra, como refere o mesmo Prof. Colaço, foi feita por J. P. Ribeiro ou por sua ordem.
            Na Torre do Tombo estão os volumes do censo das Províncias de Entre Douro e Minho, Trás-os-Montes e Estremadura e ainda alguns cadernos do Alentejo. Publicou-os por sua vez Braancamp Freire, nos vols. 3º, 4º, 6º e 7º do Arquivo Histórico Português.  Não se conhece o paradeiro dos cadernos do Algarve e da Beira faltam 60 páginas tanto no manuscrito de Londres, como na cópia de Coimbra, o que demonstra ser esta posterior à perda das referidas folhas. (1)
            Muito se tem escrito sobre os números do censo de 1527: parece contudo que a sua interpretação não pode levantar dúvidas. Os números referem os fogos existentes no país. Idêntico critério deve ter presidido à elaboração do cadastro em todas as terras do país. A conhecida carta de D. João III diz: 

 “ follgarey de saber quamtas cidades vyllas e lloguares ha em vossa correiçom e os nomes delles e assy quantos moradores nellas ha ..... “. ( Coimbra, 17 de Julho de 1527)  

Moradores, fogos e vizinhos seriam três expressões equivalentes.
Vizinhos seriam pois os habitantes que viveriam sobre si: não entrariam aqui os criados, as crianças, os mancebos solteiros, os filhos e filhas de família, todos aqueles que vivessem sobre o pátrio poder ou por conta de outrém. Vizinhos seriam pois os chefes de família, os clérigos e as viúvas, e nas camadas mais elevadas os chefes de casa.
Por isso no cadastro de Entre Douro e Minho se lê, a fls. 249, do volume 3º do Arquivo Histórico, na parte referente à vila de Viana de Foz do Lima:  

“ Somam os moradores desta vila e termo 2.104. Item haverá mais nesta vila e seu termo mancebos solteiros de 18 para 30 anos que vivem com seus pais e amos e deles por si - 1660 “. 

Estes 1660 que são mancebos em idade militar não fazem parte do censo.
E em Caminha:  

“ Soma de todos os fogos e moradores 800 moradores; avera mais mancebos da vila e termo de 18 a 30 anos, 760 mancebos “. (fls 248 do mesmo volume) 

E no cadastro da Estremadura, para Santarém: 

 “ 1988 vizinhos no corpo da vila dos quais são 20 fidalgos, 28 cavaleiros, 62 escudeiros, 534 viúvas e 61 clérigos e o mais povo. (fls 262 do vol. 6º) 

Em Abrantes também se faz a mesma descriminação dos vizinhos dizendo-se que há: 

 775 vizinhos no corpo da vila, a saber, 72 cavaleiros e escudeiros, 45 clérigos, 92 viúvas e mais povo”. 

E ainda em Tomar: 

“737 vizinhos no corpo a saber 9 fidalgos, 19 cavaleiros, 41 escudeiros, 40 clérigos, 38 freires, 245 viúvas e o mais povo“. 

            Do  cadastro da Beira faltam os números  das cidades, concelhos e vilas que seguem:

Idanha-a-Velha, Alvares, Bichoeira, Beva e Oleiros, Álvaro, Atalaya, Bemposta, Cerzedas, Castelo Branco, Castelo Novo, Covilhã, Figueiró dos Vinhos, Idanha-a-Nova, Monsanto, Manteigas, Pedrogam Grande, Pedrogam Pequeno, Pampilhosa, Proença, Pena Garcia, Penamacor, Rodam, Rosmaninhal, Sovereira Formosa, Sertam, S. Vicente da Beira, Segura, Salvaterra e Valhelhas; coutos de Anadia, Augado de Cima e Pereiro.

            Há dois documentos do século XVI, posteriores a 1530, já publicados, mas para os quais até hoje (o autor faleceu em 1991) ainda ninguém, que eu saiba, chamou a atenção para o alto valor dos seus números como integradores dos cadernos perdidos do censo de 1527. São eles :
a) - O documento intitulado “ Lugares que vem aas Cortes e os Vezinhos que tem : anno de 1535 “, que se guardava no ANTT, sob o nº 2, maço 3, armário 26, publicado pelo Visconde de Santarém, a fls 88 da História e Teoria das Cortes Gerais, na 2ª edicção. Este documento não o consegui ver na Torre do Tombo, por conhecer dele só a numeração antiga e  ter sido informado que está fora do seu lugar . 
b) - Os documentos para a constituição dos Bispados de Viana do Castelo, Freixo, Covilhã e Abrantes, que também se guardam na Torre do Tombo, fazendo parte da Colecção Moreira e longamente extractados pelo Revdo. Padre António Brázio, S. Sp., a fls 61, da Revista Estudos. (Coimbra, fasc. 2º, 1942)
Comparando o número de vizinhos das diferentes cidades e vilas e seus termos do censo de 1527, verificamos que são os mesmos dos dois documentos citados, salvo uma ou outra excepção explicável por erro de soma ou ainda por errada leitura do censo. O censo serviu pois de base ao documento de 1535 do Visconde de Santarém, e aos documentos para a constituição das dioceses novas. A diocese da Covilhã foi pedida no interregno da morte de D. Jorge de Melo e a elevação ao solis da Guarda de D. Cristóvão de Castro.
O Revdo Padre António Brázio fixa o pedido para a constituição da Diocese de Viana em 1545.
            Estes dois documentos se por um lado nos ajudam a suprir a falta dos cadernos de 1527, por outro são um aviso aos investigadores do cuidado que deve haver na utilização dos dados sobre população nos documentos do século XVI posteriores ao censo, porque, como estes, devem oferecer não um cômputo actualizado dela, mas os do próprio censo ou  então apresentam os dados anteriores do censo, que naturalmente conhecem, e não os da época a que dizem respeito.
Podemos comparar a população das vilas e cidades e depois a soma destas com o termo. Observemos de novo a tabela:



Beira Baixa e Beira Alta


Sec XV
Sec XVI
Observ


Censo 1527
Doc. Visc. Santarém (1535)
Doc. Dioceses (Col. Moreira)


Covilhã


2334

819
3241
4060


4060

Valhelhas
230



430
Pampilhosa



137

Castelo Branco


820

870
547
1417


1417

S.Vicente da Beira

337



582

Castelo Novo



571


Sortelha


140
78
---
383



Atalaia



62

Idanha-a-Nova




267

Idanha-a-Velha




199

Segura



200

Salvaterra
130


239

Pena Garcia



42


Monsanto



300?

356
138
494


494

Rosmaninhal
70


191

Manteigas
220



397

Penamacor


115
380

446
418
864


864


Belmonte



88
159
---
244



244

Oleiros



289

Alvaro



215

Bemposta



39

Proença
130


219


Guarda



1000


2321-397


2321-379


2321





Que nos diz Magalhães Colaço, na Revista citada, sobre alguns lugares?

fls 121 “ termo da cidade da Goarda / Item na cidade da Goarda e seu termo tem moradores ... 2321 / assaber na cidade dos muros a demtro vivem trezentos quaremta e nove / e no arravalde trinta que fazem em soma ... 379 / tem a dita cidade no termo della amtre quintaães e alldeas .... 65 / nos quuaaes vivem os mais moradores e ssaaom os seguintes / etc “
fls 129 Termo da villa de Castelo Rodrigo / Na villa de Castelo rodrigo e seu termo vivem moradores dous mill no/venta e sete .... 2097 / Assaber na villa dos muros a demtro vivem ...91/ E no termo ha os lugares e quymtãs e moradores segjntes / etc...
fls 131 “Item na villa de pinhel e seu termo vyvem moradores ... 1766 / Assaber na villa dos muros ademtro vivem ... 152 / e no arravallde da dita villa com tres quimtãs que estão junto della vivem . 136 / E no termo ha os lugares e moradores segymtes “ ..etc...
fls 147 “Termo da cidade de Lamego / Nesta cidade de Lamego e seu termo vivem moradores .. 1490 / A saber na cidade dos muros a dentro que se chama a cerca do castello / vivem ... 58 / E no aRavallde da see ... 105 / E no aRavallde da seara ( sic ) ... 309 / Somão todos os moradores da cidade e Ravaldes ... 472 / E tem esta cidade no termo amtre quintãs e lugares setenta os quaes / sam estes “ / etc...
fls 210 Gouvea - Na vila e termo 845 a saber na vila vivem 210 e no termo há os lugares e moradores seguintes - etc...
fls 211 Sea : na vila e termo - 1.168, na vila 103, e no termo há os lugares e moradores que seguem --
fls 153 Vizeu - cidade e seu termo, moradores, 2.340, a saber na cidade dos muros a dentro 354 e no arravaldes vivem 105, seguem os lugares do termo como nas outras 

Sobre o Alentejo 

Ares - 42 moradores; termo 2, Soma 44
Amieira - 222 e no termo 10 = 232
Alpalhão = 115
Crato = 391, Termo e vila 730, Tem esta vila mancebos solteiros 420
Aviz - vila e arrabalde 320; vª e termo 896; vila e termo mancebos solteiros 79
Castelo de Vide - cerca e arrabaldes - 885 fogos; termo 26 fogos, Soma 911
A Comenda de Belver (é sufragânea de Belver) e tem uma freguesia e moradores em casaes apartados 57
Évora - cidade : 2.813 fogos; termo 788 fogos; soma 3.601
Elvas - cidade - 1916 fogos; termo 438, soma 2354
Marvão - vila 363 fogos; termo 132 fogos; soma 495
Nisa - moradores 295; termo 54; soma 349
Portalegre - cerca e arrabaldes 1224 fogos; termo 195 fogos; soma 1419
Beja - Beja e arravaldes 1205 fogos; termo, fora aldeas 722; aldeas 205 + 71 + 89 + 235 + 182 + 102 = Soma 2.807 

Enquanto que no cadastro da Beira se dão os limites dos concelhos, neste do Alentejo dão-se distâncias às terras circunvizinhas ou mais próximas e noutras, se é comenda, de quem é a jurisdição, as rendas d’ El Rei, de tal ordem que faz lembrar o nosso documento de 1496. (2) 

Para a população de Lisboa apresenta Braancamp vários elementos integradores:

v.g. “ Summario em que brevemente se contem alguas cousas (assi ecclesiasticas como seculares) que ha na cidade de Lisboa “ de Cristovão Rodriguez de Oliveira. ( 1551 ) mas dá a Lisboa 10.000 casas, com 18.000 vizinhos e nestes 100.000 almas em que entram 9.500 escravos.
“ Estatística de Lisboa de 1552 “
ms. B. 11-10 da Bib. Nacional de Lisboa
235 ofícios com    39.000 homens
  49 ofícios com    11.500 mulheres
                               3.000 órfãos
                               4.000 meninos das escolas
                               5.000 mulheres solteiras
     Total                62.500 pessoas


Reflexões de Luiz Fernando Carvalho Dias 

Deixámos para o fim a transcrição do Censo de 1527 relativa às povoações de Belmonte e Sortelha: 

Belmonte  

“ Termo da Villa de Belmonte /
Item na villa de bellmonte e seu termo vivem moradores ... 244 / na Villa vivem ... 159 / E no termo ha os lugares e moradores segymtes // ( fls 123 ) Item o lugar de macaynhas ... 34/ o lugar de colmear .... 17 / o lugar de emgyas ... 24 / o momte de martjm affomso .. 3 / a quymtam de Vall lomgo ... 3 / a quymtam de ruy fernamdo ...1 / a quymtam de mallpita ( sic ) ... 3 / que todos ffazem a dita soma .... ( sic ) / E a dita Villa tem de termo duas legoas em lomgo e huuma em larguo e / parte e comfromta com o termo da Villa de covjlham pelo ryo do zezere / a tres tiros de besta e per malhoens a huuma legoa e asy parte e com/fromta com ho termo da Villa de sortelha e com o termo da cidade da / Goarda e com o termo da Villa de Valhelhas. / (3) 

Termo da Villa de Sortelha / 

Item na Villa da sortelha e seu termo vivem moradores ... 383 / na Villa dos muros adentro vivem ... 78 / E no termo tem quymze lugares e quymtas em que ha moradores se/quymtes / o lugar de samtestevam ... 76 / o lugar de samto amtonio ... 15 / o lugar malloata ( sic ) ... 13 / o lugar de pena lobo ... 24 / o lugar de bemdada ... 48 / o lugar do casteleiro ... 52 / o lugar da mouta ... 42 / A quymtam de cyzirota ... 4 / A quymtam dagoas bellas ... 12 / A quymtam de Vallmourysio ... 7 / A quymtam dos amos ... 3 / A quymtam da ( sic ) pam ... 2 / A quymyam do azinall ...3 / A quymtam do ameall ... 2 / o cassal do duraom da rua ... 1 / que todos ffazem a soma .... ( sic ) /

( Na minha as somas não estão certas, facto para o qual Colaço também chama a atenção )

E a dita Villa tem de termo em comprido seis legoas e em largo tres le/goas parte e comfromta ho termo da dita Villa com o termo da cidade 7 da Goarda que estaa pera o norte e da Villa a dita cidade sam quatro / legoas e omde se parte o termo ha legoa e mea e asy parte e confromta / com a villa de bellmomte e ha de huuma Villa a ouutra duad llegoas / pera ho poemte e omde se partem os termos huuma legoa e asy parte e / comfromta com a villa de covjlham e ha de huuma vylla a ouutra quatro / legoas omde se parte o termo huuma legoa e asy parte e comfromta / com a Villa de penamacor e de huma villa a ouutra sam tres legoas e / omde se parte o termo haa huma legoa e asy parte e comfromta com o / reyno de Castella cimco legoas e / parte com a villa do sabugal e ha de / huuma villa a outra duas legoas e tamto tem de termo pera a dita vylla / chega o termo a dita vylla pelo ryo de coa que vay pegado nos muros // ( fls 124 ) do sabugal e asy parte e comfromta com ha villa de touro e tem de termo / pera lla legoa e mea / o sabugal faz pera ho nascente e o touro mais / pera o norte /
                                   segue o termo da Vª do Touro (4)  

Fontes:
1)  Rev. da Fac. Direito de Lisboa, ano 2º, 1934, fls : a) 121; b) 153; c) 161; d) 129; e) 147.
2)  Braancamp Freire, Arquivo Histórico Português, Volumes 3º, 4º, 6º, 7º
3)  fls 82 vº original; 122 Colaço
4)  fls 83 original; 123 Colaço

quinta-feira, 22 de março de 2012

Covilhã - A Misericórdia, um Instituição de Solidariedade Social XV


O património imobiliário das Misericórdias tinha origem em legados testamentários e doações inter vivos, quase sempre acompanhadas da imposição de encargos para a beneficiária, traduzida por disposições a favor da alma dos ofertantes ou de seus familiares.
     Hoje publicamos duas imagens do manuscrito de Luiz Fernando Carvalho Dias., referentes ao testamento que recolheu de “dona mªfea molher de luis freire de mello”, do ano de 1570, que também apresentamos.

Página 1
[...]
Página 4, a última, da cópia do Testamento


Trelado do testam.tº de dona mª fea molher de luis freire de nespereira


Dizem o provedor e Irmãos da Stª Caza da Mizericordia desta villa que a elles lhe he necessarjo o treslado do testamento que fez a tempo de sua morte Dona Maria fea molher que foi de luis freire de mello m.ºr na sua quinta De jneS pireira termo de Gouvea ozuoal que he o propprio aprezentão

Pede a v. m. lhe mande dar o treslado concertado com dous t.ªins per quoalquer tªm em modo que fação fee E R. M. 

         Mãdo a quallquer taballiam ha que for apresentado lhe de o trellado e na forma que pede ê Covilham e 3 de Junho de 602.
                                                             Faria 

         Saibam quantos este mãda he testamento virem que no ano do nacimento de nosso sºr Jhus xpo de mil he quinhentos he setenta anos aos dezanove dias do mês de abril no lugar denespireira do termo Da villa de gouveia nas cazas do s.ºr luiS frejre onde estava a Sña dona maria sua molher doente em hua cama com seu juizo perfeito que lhe deu ho Sñor deos loguo por ella foi dito que por quanto ella não sabia da ora da morte nem quando deos seria servido de a levar da vida prezente pera descarguo de sua consciemcia queria fazer seu testam.tº comiguo ãtonio vaz cura da igreia do dito lugar ho qual fez na maneira seginte item Dise primeiramente que encomemdava sua alma ao s.ºr deos que a criou he remio pºr seu sange preciozo he a virgem nosa sña he a todos os santos que rogem p ella item dise que quando sua alma de seu corpo se apartasse seu corpo fosse sepultado na igreia de são tiaguo de covilham onde jaz seu paj he em companhia de seu corpo vam dous frades do mosteiro de Sam frãcisquo de gouvea he p.ºr seu trabalho lhe dem a cada hum // Da hum hum abito novo item dise mais que ao tempo de seu falecimento ho primeiro oficio que he ho do emteramento se fasa inteiro he acabado cõ vinte cleriguos he o segumdo he o terceiro com des a cada hum ofertado cõ hu carneiro he hu caq. de triguo he hum odre de vinho a cada hu dos officios he sua cera he asi lhe daram por sua alma hum trintairo de santo amador com todas as mais obrigaçoins de igreia pera comprimento das quais couzas instetohia per seu testamenteiro ao s.ºr luis freire seu marido ao qual pedia  como pedio q tivesse muito carguo com ho comprimento de sua alma como cõfiava que elle ho faria he de sua fazenda não emtergase couza halgua se não ser tudo comprido item disse mais que deixava ao dito seu marido as teras de fireiras asi como estão cõvem a saber as tres quinhõens he as teras de peRaboa he asi todo ho q amtre ambas tem aferido he todos os moveis que troixe he tem em caza do dito // seu marido he todas as mais moveis mãdava que nhua pesoa nelles lhe falace porque assi elles como todo ho mais queria he era sua vontade que seiam dele dito seu marido item dise mais q deixava por erdeiro de toda a mais fazenda onde quer que se achar a seu irmão manoell dalbuquerque com hobregacam que elle fasa hua capella na mizericordia de covilham dentro na qual capella diguo que faça na mizericordia junto ao altar do esprito santo hua cepultura na parede pera …… ram seus oços donde estiverem sepultados he no altar do esprito Santo lhe mãdaram dizer em cada hu ano hi na coresma cada cesta feira dacemçam outra missa he dia do esprito santo outra missa he dia da vizitaçam outra missa he asi em todas he cada hua das festas de nosa sña he dia de todos os santos hua missa he dia dos finados hua missa cantada he dia de natal as tres missas da festa he quanto as missas da payxam dise que se disecem na caza da vera cruS he mãdou que em cada huu ano como asima desse hu alqeire de azeite a dita caza da vera cruS item mais queRia há ermjda de santo estevam desem hu cruzado he asi a catherina fernãdes molher de bertolameu hua vaqa pera sua filha  he asi dise que devia dois tostoins de hua certa obrigação os quais mãdava que se desem em missas per sua temção he quãto as couzas cõteudas  neste itê he capitolo he a seu cõprimento de alma  cõ ho trintairo dise q fosse a cõta de toda a fazenda della testadora he seus officios de nove Licoins no turno a cada hoficio he cada hu delles de quinhem (sic) .S. hu pellas almas de seu pai he maj na igreia onde estam sepultados he ho outro por seus irmãos he sua avo todo a custa de toda a fazenda como acima fiqa dito item dise mais que sendo cazo que ho dito seu irmão fosse falecido ou cazando não avemdo filhos elle dito seu maridoo fosse erdeiro De toda a fazenda porque asi ho institohia he mãdava depois de falecimento do dito seu irmão deixava por erdeiro da dita fazenda a cicio dalbuquerque seu sobrinho (1) he per morte delle seu sobrinho a dita fazenda fiquase a mizericordia he nhu dos sobreditos podem vender nem troqar nê alhear nhua couza da dita fazenda nem menos os provedores da mizericordia he cada hu delles he a mizericordia hem seu tempo comprira todas as couzas asima ditas tirado somente ho cõprimento d’alma com as couzas ditas no item atraz he pedia aos senhores vezitadores que em cada hu ano vizitando saibam se se cumprem as obrigaçoins atras de cada hu ano he as mãdem comprir he cada hu dos admnistradores que pello tempo forem daram ao dito vezitador hu tostam pera hua galinha // galinha per ho trabalho de semformar disto item dise mais que falecendo luis freire se cristina sua escrava ficar viva que ella fiqe forra he lhe dem de comer he ho neceçairo a custa da dita fazenda he per aqui dise que avia este testamento per acabado he firme  he valliozo he per elle derogava todo he cada hu que antes tivesse feitos pque este mãndava que valleçe he tivese forsa he dise mais q deixava hua camara das suas cazas em covilhãa ao dito luis freire seu marido testemunhas que ao todo estavam prezentes ho sr. Diogo de sampaio he a sña enlenaa he alda de mello molher de jorge gomes he elle jorge gomes he gil gonçalves todos moradores em Gouveia he caterina fêz molher de bertolameu afonso morador em nespereira he joam ãdre outrosi ahi morador he eu ãtonio vaz cura da igreia do dito lugar de nespereira que este fiz a roguo da dita testador(a) he per ella asinei diguo he asinei he ella asinou per si per saber asinar he dise mais ella testador(a) q todas as novidades de toda sua fazenda do ano de setenta fossem de seu marido he mãdava que nella lhe não fallacem per que asi ho avia por bem testemunhas as sobreditas feito no dia mês he era sobredita dona maria feeiaa (emendado), ãtonio vaz/ 

Aprovação do testamento

A 19/IV/1570, no lugar de nispereira, termo de Gouveia, nas cazas de moradas do sr. Luiz freire, moSo fidalguo da caza del Rei noso sr. Estando aí em cama doente a sña dona maria feea /riscado) sua molher, etc… tam Gil gonçalves pinheiro 

         Diogo de S. Paio tb. era moço fidalgo de casa del Rei
         Jorge gomes era cavaleiro
         Diogo fernandes era barbeiro, de Gouveia
         João fernandes, cardador de Sampaio
         Gil Glz pinheiro, t.ªm do público e judicial em Gouveia e seu termo pelo sr. Conde de portalegre, senhor da dita vila. 

O treslado do testº e aprovação é de Pero Falcão Tavares, tªm público de notas na Covilhã, por El Rei e do público judicial que ora serve em ausência dos proprietários por estarem em rezidência; em 1602/11/VI.
Emendei onde diz fea

Concertado por Sebastião Roiz, tªm.
                     Manoel d’Andrade 

Certificado do tªm belchior d’Oliveira, tªm do judicial na Covilhã, da letra de Pº falcão tavares e das assinaturas dos t.ªains concertantes – a 2/IV/1606.


Nota dos editores 1) Cicio dalbuquerque foi eleito Provedor da Misericórdia da Covilhã em 2 de Julho de 1595.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Covilhã - Lista dos Sentenciados na Inquisição XXIX

Lista dos Sentenciados no Tribunal do Santo Ofício da Inquisição de Lisboa, Coimbra e Évora, originários ou moradores no antigo termo da Covilhã e nos concelhos limítrofes de Belmonte e Manteigas.

651     Manuel de Sousa ou Manuel Franco, x.n., de 27 anos, tintureiro, natural da Guarda e morador na Covilhã, filho de Simão Franco, x.n., sapateiro e de Beatriz Mendes, x.n., neto paterno de Joana Mendes, x.n., e materno de Fernando Rodrigues e Clara Dias, bisneto de Manuel Dias e de Ana Mendes, pais do avô materno e de João Rodrigues e de Beatriz Mendes, pais da avó materna,  casado com Catarina Nunes, x.n., em 1ªas núpcias (Em 2ªs núpcias com Brites Mendes, x.n.,; e em 3ªs com Brites Maria da Silva, x.n. ) (A mulher, a mãe, o filho e os irmãos são os referidos sob os nºs 652, 563, 1017, 628, 632, 647 e 654 desta lista), de 1/7/1715 a 8/7/1715, (tem outro processo 6888-1, de 16/6/1725 a 9/11/1726.
PT/TT/TSO/IL/28/6888                    

652    Catarina Nunes, x.n., de 26 anos, casada com Manuel de Sousa ou Manuel Franco, natural de S. Vicente da Beira e moradora na Covilhã, filha de Francisco Lopes, natural de Sarzedas e de Constança Nunes, natural de S. Vicente da Beira, (O marido é o referido sob os nºs 651 e 703 desta lista), de 27/6/1715 a 3/7/1715.
PT/TT/TSO/IL/28/10146                  

653      Leonor Henriques, x.n., solteira, natural e moradora na Covilhã, filha de Francisco Henriques ou Francisco Henriques Ferreira ou Francisco Henriques Ruivo, x.n., tintureiro e de Beatriz Henriques, x.n., neta paterna de Pedro Henriques Ferreira e de Catarina Rodrigues e materna de Diogo Lopes Ferreira, x.n., tabelião, natural do Fundão e de Brites Henriques, bisneta de Francisco Henriques Ferreira, curtidor e de Maria Ferreira, naturais da Covilhã, pais do avô paterno; de António Lopes ou António Lopes Satão, mercador, natural do Fundão e de Ana Rodrigues Satoa, natural da Covilhã, onde moravam, pais da avó paterna; de António Lopes Ferreira e de Branca Rodrigues, pais do avô materno  e de Manuel Rodrigues “o Redondo”, natural de Monsanto e de Branca Rodrigues, natural do Fundão,  pais da avó materna. (O pai, a mãe e os irmãos consanguíneos são os referidos sob os nºs 445, 924, 571, 648, 631 e 624 e os irmãos germanos os nºs 724, 840, 797, 798, 799 e 842 desta lista), de 1/7/1715 a 8/7/1715.
PT/TT/TSO/IL/28/4960                    

654    Luís Rodrigues, x.n., de 23 anos, solteiro, sapateiro, natural da Guarda e morador na Covilhã, filho de Simão Franco, x.n., sapateiro e de Beatriz Mendes, x.n., naturais da Guarda, neto paterno de Joana Mendes, x.n., e materno de Fernando Rodrigues e Clara Dias, bisneto de Manuel Dias e de Ana Mendes, pais do avô materno e de João Rodrigues e de Beatriz Mendes, pais da avó materna,  (A mãe e os irmãos são os referidos sob os nºs 563, 628, 632, 647, 651 e 703 desta lista) de 17/7/1715 a 23/7/1715.
PT/TT/TSO/IL/28/7281                   

655    Pedro Lopes, x.n., de 30 anos, sapateiro, natural de Penamacor e morador na Covilhã, filho de Álvaro Fernandes e de Isabel Nunes, neto paterno de Manuel Fernandes e Guiomar de Almeida e materno de Simão Fernandes e Ana Mendes, todos de Penamacor, casado com Ana Nunes, de 18/7/1715 a 23/7/1715. (A mulher e os irmãos são os referidos sob os nºs 656, 601 e 796 desta lista)
PT/TT/TSO/IL/28/7909                   

656    Ana Nunes, x.n., de 40 anos, mulher de Pedro Lopes, sapateiro, natural de Marialva e moradora na Covilhã, auto de 22/7/1715. (O marido é o referido sob o nº 655 desta lista)

657      Gaspar Furtado, x.n., de 23 anos, solteiro, sem ofício, natural da Covilhã e morador em Bayone, França, filho de Simão Pinheiro Furtado, x.n., mercador e de Catarina Mendes, x.n., de 11/3/1716 a 18/3/1716.
PT/TT/TSO/IL/28/4946                    

658     Domingos Lopes ou Domingos Lopes Fernandes, x.n., de 52 anos, ferreiro, natural e morador na Covilhã, filho de Pedro Lopes e de Isabel Lopes, naturais de Lisboa, casado com Beatriz Nunes, (A mulher e os filhos são os referidos sob os nºs 646, 783 e 819 desta lista), em 21/6/1715.
PT/TT/TSO/IL/28/11599                  

659      Leonor Mendes, x.n., de 50 anos, natural do Fundão e moradora em Idanha-a-Nova, casada com Manuel Mendes, sapateiro, filha de Pedro Lopes, mercador e de Isabel Mendes, de 13/5/1715 a 19/6/1718.
PT-TT-TSO/IC/25/8480

660      Leonor Rodrigues, x.n., de 29 anos, casada com João Rodrigues, sapateiro, natural e moradora na Covilhã,  filha de João Rodrigues e de Mécia, (O marido e os filhos são os referidos sob os nºs 643, 896 e 956 desta lista), de 20/7/1714 a 30/10/1717.
PT/TT/TSO/IL/28/9363

661      José da Costa, x.v., de 40 anos, zelador de almoteceria, natural da Covilhã e morador em Lisboa Ocidental, filho de Brás da Costa Cabral e de Maria Nunes, naturais da Covilhã, casado 1ª vez com Maria Nunes e 2ª vez com Ana Maria, em 1/3/1717, por casar 2ª vez sendo viva a 1ª mulher, 5 anos de degredo para o Brasil.
PT/TT/TSO/IL/28/11685                              

662    Manuel Lopes Álvares, x.n., de 65 anos, mercador, natural de Sevilha e morador na Covilhã, filho de João Álvares, natural de Montemor-o-Novo e de Catarina Navarra, natural de Mansilha, Córdova, casada com Ana dos Rios, (A mulher e a filha são as referidas sob os nºs 733 e 678 desta lista), de 25/5/1715 a 31/12/1726.
PT-TT-TSO/IL/28/9256        

663    Henrique de Carvalho, x.n., de 27 anos, solteiro, estudante legista, natural e morador na Covilhã, filho de Simão de Carvalho, que foi mercador e de Ana Henriques, naturais da Covilhã, neto paterno de António Fernandes Nunes, x.n., mercador e Ana Rodrigues, x.n., e materno de Jorge Fróis, x.n., homem de negócio e de Maria Henriques, x.n., bisneto de Simão Fernandes Carvalho, x.n., natural de Linhares e Catarina da Fonseca, x.n., natural da Covilhã, pais do avô paterno, de Henrique Fróis e Maria Henriques, pais da avó materna, trisneto de Manuel Fróis e Ana Rodrigues, pais de Henrique Fróis e de Jorge Fróis e Leonor Nunes, pais da bisavó Maria Henriques, (O pai, a mãe e os irmãos são os referidos sob os nºs 409, 411, 716, 718, 730, 794, 927, 932 e 934,  desta lista), de 15/9/1715 a 14/10/1726, abjuração em forma, por judaísmo, cárcere e hábito perpétuo. Cunhado de António José da Silva “O Judeu”.
PT-TT-TSO/IL/28/8762

664      Manuel Lopes ou Francisco Lopes, “o Trigueiro”, x.v., cardador, natural de Manteigas e morador na Lageosa, bispado de Lamego, filho de António Fernandes “o Trigueiro”, almocreve e de Maria Lopes, casado com Ana Fernandes ou Ana Jorge, de 26/2/1717 a 19/6/1718, acusado de bigamia.
PT-TT-TSO/IC/25/8487

665     Manuel Dias Nunes, x.n., de 40 (38)  anos, mercador, solteiro, natural  e morador na Covilhã, filho de António Vaz que foi mercador, natural do Fundão e de Ana Nunes, natural da Covilhã, neto paterno de Domingos Rodrigues e Brites Henriques e materna de Manuel Dias Nunes e de Maria Nunes ou Maria Fróis, bisneto de Pedro Lopes e Isabel Rodrigues, pais do avô paterno, de António Vaz e Leonor Henriques, pais da avó paterna, trisneto de João Lopes e Maria Rodrigues, pais do bisavô Pedro Lopes; de Manuel Fernandes e Leonor Rodrigues, pais da bisavó Maria Rodrigues; de Jorge Vaz e Isabel Rodrigues, pais do bisavô António Vaz; e de Diogo Henriques, tendeiro e de Clara Henriques, pais da bisavó Leonor Henriques, (A mãe e os irmãos são os referidos sob os nºs 645, 667, 749, 792 e 810 desta lista), de 31/3/1713 a 3/8/1728.
PT-TT-TSO/IL/28/11326

666    Padre Frei Francisco de Santa Maria, de 23 anos, religioso da Ordem de S. Francisco da Ordem da Epístola, natural de São Romão, morador no Convento de Nª Srª da Esperança de Belmonte, acusado de celebrar missa sem ter ordens, só sendo diácono, de 22/2/1715 a 22/6/1724
PT/TT/TSO/IL/28/10240

667      Clara Maria, x.n., de 35 anos, casada com Diogo Henriques ou Diogo Henriques Flores, mercador, natural e moradora na Covilhã, filha de António Vaz, mercador, natural do Fundão e Ana Nunes, natural da Covilhã, neta paterna de Domingos Rodrigues e Brites Henriques e materna de Manuel Dias ou Manuel Dias Nunes e Maria Nunes ou Maria Fróis, bisneta de Pedro Lopes e Isabel Rodrigues, pais do avô paterno, de António Vaz e Leonor Henriques, pais da avó paterna, trisneta de João Lopes e Maria Rodrigues, pais do bisavô Pedro Lopes; de Manuel Fernandes e Leonor Rodrigues, pais da bisavó Maria Rodrigues; de Jorge Vaz e Isabel Rodrigues, pais do bisavô António Vaz; e de Diogo Henriques, tendeiro e de Clara Henriques, pais da bisavó Leonor Henriques, (A mãe, o marido, os irmãos e os filhos são os referidos sob os nºs 645, 584, 665, 749, 792, 810, 975 e 1066  desta lista), de 31/3/1713 a 3/8/1728.
PT-TT-TSO/IL/28/9922

668      Rodrigo Mendes, x.n., de 65 anos, serralheiro, natural de Monsanto e morador na Covilhã, filho de Francisco Rodrigues, natural da Idanha e de Mécia Fernandes, natural de Monsanto, casado com Leonor Mendes, neto materno de Rodrigo Mendes, x.n., natural e morador que foi em Monsanto, (A mulher, os filhos e o irmão são os referidos sob os nºs 855, 802, 890, 833 desta lista), em 1/7/1715, relaxado em carne.
PT-TT-TSO/IL/28/11380

669     Estêvão da Fonseca “o Testa“, x.v., de 30 anos, sapateiro, natural de Ferreirim, bispado de Lamego e morador no Fundão, por bigamia, açoites e 5 anos de degredo para as galés, de 28/1/1717 a 24/10/1717. Saiu novamente no auto de 16/7/1720, 10 anos para as galés, por fuga das galés e 2ª fuga das galés.
PT/TT/TSO/IL/28/2217

670      João Martins Neto, x.v., de 59 anos, tratante de panos e alferes de auxiliares de Belmonte, natural e morador em Belmonte, filho de João Martins Neto, tecelão de panos e de Sebastiana Francisca Peixoto, casado com Mariana Nunes, acusado de judaísmo, absolvido, de 11/9/1720 a 29/6/1732.
PT-TT-TSO/IL/28/17                 m.f. 4834 e 6985


Fonte – Os dados em itálico foram retirados do “site” do ANTT – Arquivo Nacional da Torre do Tombo relativo aos processos do Tribunal da Inquisição.
Todas estas listas têm sido elaboradas pelos editores.
Na cota dos processos, as indicações IL/28, IC/25 e IE/21 referem-se aos tribunais, respectivamente, de Lisboa, Coimbra e Évora.