terça-feira, 12 de junho de 2012

Covilhã - Contributos para a sua História dos Lanifícios XII


Como já referimos em Inquéritos I, iniciámos a apresentação do Inquérito Industrial de 1802, mas decidimos publicar neste tema – Contributos para a História dos Lanifícios – as tabelas ou mapas, mas somente os relativos à Covilhã, ou os que com ela se relacionassem. É o que vamos hoje editar.

I - Apresentámos: “O corregedor da Comarca de Castelo Branco informa, que ela se acha em total decadência a respeito de Fábricas […] porque como a Comarca é fértil, havendo consumidores de frutos, e mais misteres, cresce o dinheiro, e por consequência crescem também os braços para as artes, e para a agricultura. […]
Hoje publicamos:

Mapa das Fábricas da Comarca de Castelo Branco

Sítios
Fábricas
Estado
Operários
Símplices
Manufactura

Castelo Branco


Chapéus


Lãs

Decadente

30

98


Chapéus

Panos
Alpedrinha
Lãs

126

Panos
Belmonte
Lãs

670

Panos
Castelo
Novo
Lãs


9

Panos

Sabugal
Chapéus

Lãs



1

172

Chapéus

Panos
S. Vicente
Lãs

303

Panos
Sortelha
Lãs

460

Panos
Touro
Lãs

187

Panos


Museu dos Lanifícios, Núcleo da Real Fábrica de Panos
Fotografia de Miguel Nuno Peixoto de Carvalho Dias


II - Apresentámos: “O Superintendente Geral das Fábricas de lanifícios das três Comarcas dá uma ideia […] E sem remeter o mapa da Real Fábrica, cuja factura diz ficar a cargo de seus Administradores, nem o das mais Fábricas das Comarcas anexas à sua jurisdição, que diz em 6 de Março de 1802 estava fazendo. […]
Hoje publicamos:

Mapa das Fábricas da Comarca da Covilhã
Sítios
Fábricas
Estado
Operários
Símplices
Manufacturas
Consumo








Covilhã

De
Lanifícios de D. Brites Maria Teodora de Castro, que se compõem de 6 potros, 2 urdideiras de mão, 1 engenho de torcer e urdir, 28 teares, 1 maceira, 2 perchas, 2 prensas, 17 tesouras, 8 tabuleiros, 4 perchas inglesas, 3 caldeiras, 1 telha, 6 râmulas, 1 grudadoiro


514; a saber, 6 na casa do obrador, 4 na da urdideira, 3 na dos fiados, 27 na dos teares grandes, 10 na dos teares pequenos, 6 na do pisão, 16 na da tenda, e prensas, 5 na da tinturaria, 2 na da chapa, 27 nas escolas de Valezim, Sortelha, Malcata e Quadrazais, Sabugal, Meimão e Ameais, Sarzedo, e Vide, e 407 fiadeiras









Covilhã

De
Lanifícios do sargento-Mor António José Ramos, que se compõe de casa de obrador, de urdideira, de teares, de pisão, de tinturaria e de tenda que compreende  3 râmulas


50; a saber, 1 escadurçador; 2 cardadores; 1 urdidor, e 3 enroladores; 25 na casa dos teares, 8 na do pisão, 3 nada tinturaria e 7 na da tenda, além das que se ocupam na fiação e cardagem, que se acham dispersos








Covilhã

        De
Lanifícios de José Mendes da Veiga, que se compõe de casa de Obrador, de teares, de pisão, de prensa, de tinturaria e de râmulas


70; a saber, 10 cardadores, 15 na casa dos teares, 10 na do pisão, 13 na da prensa, 14 na da tinturaria e 8 nas râmulas, além das fiadeiras dispersas








Covilhã



        De
Lanifícios dispersa pelas casas dos habitantes da Vila, com 85 teares com pisões, 6 tinturarias e tendas


205; a saber, 508 fabricantes, 1020 cardadores, 254 tecelões, 25 pisoeiros, 110 ocupados nos pisões, 39 na casa da tinturaria e 49 nas tendas, tesouras e prensas









Covilhã
       
         De
Lanifícios do Cap. Simão Pereira da Silva que se compõe de 2 pisões, de 2 tinturarias com 6 caldeiras e 4 dornas, de 21 râmulas e das mais oficinas para tosar, prensar e lustrar





91; a saber, 28 nos pisões, 18 na tinturaria, 40 nas oficinas de tosa, prensa e lustro e 5 administradores












Celorico





         De
Lanifícios do Cap. Simão Pereira da Silva que se compõe de uns engenhos de carduça, de 1ª e 2ª carda de nova invenção, de desengrossar os canudos de lã para se fiar o barbim e trama além das oficinas ordinárias



409; a saber, 2 a variar a lã, 15 a escolher os argueiros, 32 cardadores, 300 fiadeiras, 6 mestras de ensinar a fiar, 2 rapazes para urdirem as peças, homens para fazerem a grude, 20 tecelões, 10 rapazes para encher canelas, 10 mulheres para tirarem os nós, 2 mestres cardadores e tecelões, 2 administradores além dos 2 maquinistas que fizeram os engenhos de nova invenção, e de 16 rapazes que os movem.












Panos, baetões, silésias, droguetes e cobertores



III - Apresentámos: Nº 11 […] Covilhã 30 de Março de 1802. Do Dezembargador Superintendente das Fabricas da Covilhã e Comarcas anexas. João Roiz Botelho […]
Hoje publicamos:

Mapa das Fábricas de Lanifícios existentes nesta Vila de Covilhã

I

Nesta vila de Covilhã há uma fábrica de lanifícios erigida por D. Brites Theodora de Castro, viúva de José Henriques de Castro, a qual se compõem das máquinas seguintes:

Caza d’Obrador

Seis potros e cardas precisas, e mais trastes em que se ocupam … pessoas 

Caza da urdideira

Duas urdideiras de mão, um engenho de torcer, e urdir com os trastes anexos, em que se ocupam 4 pessoas

Caza dos fiados

Nesta casa se ocupam três pessoas 

Caza dos teares grandes

Nesta casa se ocupam, e existem catorze teares com o necessário, e trastes conjuntos, em que se ocupam, a saber, um mestre, oito oficiais, doze aprendizes, seis caneleiros e por todos vinte sete

Caza dos teares pequenos

Nesta caza existem trez teares grandes, onze pequenos com os trastes anexos em que se ocupam um mestre, cinco oficiais, quatro aprendizes, são dez pessoas 

Caza do Pizão

Uma Maceira. Duas perchas, com os trastes necessários, em que se ocupam um mestre, cinco oficiais, e por todos são pessoas seis 

Caza da Tenda e Prensas

Nesta caza existem duas prensas. Dezassete tesouras, oito taboleiros e quatro perchas inglesas, com os trastes necessários. Ocupam-se um mestre, doze oficiais, tres aprendizes e por todos dezasseis pessoas

Caza da Tinturaria

Nesta caza existem três caldeiras grandes, uma mais pequena, duas dornas com aprestos necessários. Ocupam-se um mestre, quatro operários e por todos cinco pessoas 

Caza da Chapa

Uma telha de bronze para dar lustro aos baetões 

Caza do Carpinteiro

Um mestre e um oficial

Seis râmulas

Um grudadouro
Escolas

Na Vila de Valezim – Escoleiros seis
Cardadores, treze
Em Sortelha, dois
Malcata e Quadrazais, um
Sabugal e Meimão e Ameais, um
Sarzedo, três
Vide, um
Fiadeiras empregadas na fiação de lãs desta escola quatrocentas e sete

Resumo de todas as pessoas empregadas nas manufacturas destas fábricas são quinhentas e quatorze


II

Mapa das Fábricas de Lanifícios erigidas pelo sargento Mór António José Raposo 

Caza de Obrador 

Um escarduçador
Dois cardadores

Com os trastes necessários 

Caza da urdideira 

Um urdidor
Três encarroladores

Com os trastes necessários

Caza dos teares 

Vinte e um teares preparados, em que se ocupam as pessoas seguintes 

Um mestre
Oficiais treze
Aprendizes onze 

Caza do Pisão 

Duas maceiras, Seis perchas, com os necessários aprestes, ocupam-se as seguintes pessoas

Um mestre
Sete oficiais 

Caza da Tinturaria 

Duas caldeiras, uma dorna e todos os aprestes necessários, ocupam-se nela as pessoas seguintes 

Um mestre
Dois oficiais 

Caza da Tenda 

Existe uma percha, Dois taboleiros, Uma prensa. Ocupam-se nela as pessoas seguintes 

Um mestre
Quatro oficiais
Dois aprendizes

Tem três râmulas 

Resumo das pessoas ocupadas nesta Fábrica são cinquenta

Além das que se ocupam na fiação e cardagem das lãs que têm nas escolas dispersas por várias terras.


III 

Mapa da Fábrica de Lanifícios erigida por José Mendes Veiga 

Caza do obrador
Cardadores, dez

Caza dos Teares

Cinco teares grandes em que se ocupam pessoas quinze

Caza do Pizão

Tem duas perchas, uma maceira, Duas perchas inglesas, Em que se ocupam dez pessoas 

Caza da Prensa

Duas prensas, Quatro tabuleiros, Dezassete tesouras. Ocupam-se neste exercício treze pessoas 

Caza da Tinturaria

Duas caldeiras. Quatro dornas. Ocupam-se no seu exercício quatorze pessoas.

Râmulas – sete, em que se ocupam oito pessoas

Pessoas               70

Resumo das pessoas empregadas nesta Fábrica são setenta 

Além das que se ocupam na fiação das lãs nas Escolas que tem dispersas por vários lugares


IV 

Nesta Vila da Covilhã há uma fabricância de tecidos de lã dispersa pelas casas dos seus habitantes, cujo número são hoje quinhentos e oito, entrando os dos lugares anexos

Cardadores, mil e vinte
Teares, oitenta e cinco em que se ocupam duzentas e oitenta e quatro pessoas
Pizoeiros vinte e cinco
Pessoas ocupadas nos pisões, cento e dez
Tinturarias seis em que se ocupam trinta e nove pessoas
Tendas, tesouras, e prensas cinco, e no que se ocupam vinte pessoas
Ourineiros em todos os pizões doze
Encarduçadores desassete

Pessoas       2005


V 

Há mais uma fábrica Real cujo mapa se há-de remeter à Real Junta do Comércio pelos administradores dela segundo declararam, e por isso não vai compreendida neste.


VI 

Há mais uma fábrica erigida pelo Capitão Simão Pereira da Silva, cuja laboração e máquinas que nesta trabalham assim como as pessoas nela ocupadas constam do mapa junto que ele deu e assinou.

É o que consta haver nesta Vila e lugares anexos. Covilhã 2 de Abril de 1802. Eu João de Moura Barata Feyo escrivão da Superintendência o escrevi.
João de Moura Barata Feyo


Relação da gente que ocupa a minha fábrica de Lanifícios a qual é erigida nesta Vila de Covilhã e na de Celorico da Beira, e gosa de Privilégio Real pelo alvará régio que Sua Magestade me concedeu em 31 de Julho de 1788. O seguinte (sic) 

Em Celorico ocupa o seguinte 

  2 – Homens a variar a lã.
  15 – Mulheres a escolher, e tirar os argueiros à lã.
  32 – Cardadores a emborrar, imprimar, e encanudar a lã.
300 – Fiadeiras com rodas para fiarem, barbim, trama, e ourelas.
    6 – Mestres para ensinar a fiar e para asparem o fiado.
    6 – Rapazes a encarrolar o fiado para se urdir.
    2 – Rapazes para se urdirem as peças.
    2 – Homens para fazerem grude em oficina própria para este ministério com três caldeiras, e os mesmos servem para grudarem as teias em dois grudadores com assistência do Mestre.
   20 – Tecelões com seus teares bem preparados de liços em cujos vinte teares se tecem panos, baetões, silézias, droguetes, e cobertores; e os panos que se tecem são de contos 18.nos 20.nos 22.nos 24.nos e 26.nos.
   10 – Rapazes para encher as canelas, e alguns deles já vão tecendo quando falta algum dos tecelões, e em cada tear tece uma pessoa só à maneira ingleza com suas lançadeiras de ferro com carretas.
   10 – Mulheres para tirar os nós às peças tecidas que saiem dos teares.
     2 – Mestres de cardadores, e tecelões para ensinarem os aprendizes nos seus competentes ramos, pago tudo à minha custa.
     2 – Administradores

 ____

409      Soma 

Agora tenho conseguido com o maior desvelo e despeza põr em execução uns grandes engenhos feitos por dois maquinistas Irlandeses que de propósito mandei vir não só para os fazer mas também para ensinarem a manobra dos ditos engenhos, e são os seguintes.

             Um engenho de carduça para abrir lã.
             Um engenho de primeira carda para emborrar e impremar.
                         Um engenho de segunda carda para encanudar.
               Estes três engenhos são movidos por bois com sua entrosga e é uma máquina admirável e nesta laboração se ocupam somente seis rapazes e fazem cessar a precisãodos dois variadores e 32 cardadores ou ainda mais porque os tais engenhos podem cardar muito mais do que os ditos 32 cardadores.
               Um engenho de desengrossar os canudos de lã para se fiar barbim.
               Um engenho de desengrossar a lã para se fiar a trama.
               Estes dois engenhos ocupam dois aprendizes e oito rapazinhos. Quatro engenhos de fiar barbim e trama e tem cada engenho 52 fusos que por todos fazem 208 e fazem a mesma fiação que podem fazer 208 fiadeiras porque estas fiam cada uma em sua roda com um só fuso. Nos ditos quatro engenhos somente se ocupam, quatro aprendizes para cada um seu, e tenho esperanças de combinar estas cousas ao ponto de ter fiados para toda a qualidade de tecidos; por ora andam as máquinas movidas por bois porém estou disposto a mandá-las armar por água para que o movimento seja mais certo, mais suave, mais pronto. Conservo o maquinista, e o mestre para ensinar, e são irlandezes, e isto com avultados salários e despesas, e ainda espero outra família que mandei vir para me dizerem que executarão inda com maior perfeição e tendo mostrado a maior constância para conseguir poder ser útil ao Estado, ao público e à pobreza fazendo a deligência para que as manobras se executem com maior comodidade afim de podermos competir com os estrangeiros, e também evitar o ocupar muita gente por ser precisa e necessária não só para a Agricultura de que temos tido tanta necessidade mas inda mesmo para as tropas quando são precisos recrutas. Estes engenhos são os únicos que há no Reino para os lanifícios e ainda mesmo os não há em muitos Reinos porque o seu invento é de moderno, e principiou em Inglaterra e Irlanda. 

               Da Vila de Celorico da Beira passam as fazendas tecidas para esta de Covilhã, aonde tenho admiráveis edifícios não só para os tecidos da minha própria conta mas inda para mandar beneficiar os do público, e são os seguintes:
               Um edifício com dois pisões, quatro perchas de ar, e duas à moda ingleza e nela se ocupam as seguintes pessoas.
                 2 - Operários para assistirem às máquinas dos pizões e para armarem os palmares de cardo e o mais preciso.
                 8 - Operários para as quatro perchas do ar.
                 8 - Operários para as quatro perchas inglesas e tudo com a assistência dum mestre desta oficina.
               10 - Mulheres ou casas em que se esbicam os tecidos depois de lavados.
               E tem este edifício uma caldeira para aquecer águas, e desfazer o sabão, etc.

Tinturarias 

               Um edifício de tinturaria em que se tingem todas as cores, superfinas e ordinárias, e tem cinco caldeiras grandes para a laboração e duas dornas para tingir azul.
               Outro edifício de tinturaria com três dornas e uma caldeira e somente serve para nela se tingir azul e estas duas oficinas ocupam dois mestres e 16 operários, e aprendizes além de muitas pessoas que conduzem lenha para o gasto das ditas tinturarias.
               21 – Râmulas em que se enxergam os tecidos e de cada vez podem enxergar 50 peças ou cortes.
               Um edifício de várias oficinas de tozar, prensar, e lustrar os tecidos.
               Tem 32 tesouras de toza, quatro prensas com suas platinas de ferro, papel competente e tudo o necessário para as ditas prensas. Uma plancha de bronze para lustrar os baetões e é uma pessa perfeita e nestas oficinas se ocupa a gente seguinte:
               16 – operários para oito taboleiros de Toza.
                 8 – operários para o exercício das prensas e lustrar.
                 8 – operários para enxugar as fazendas.
                 2 – alfaiates.
                 2 – pregadores para pregar as peças.
                 3 – carpinteiros.
                 2 – mestres para estas oficinas.

               Tudo administrado por mim, por meu filho e por três genros que todos vigiam pela perfeição e por tudo passar na verdade como ser pedido passo esta em Covilhã 15 de Março de 1802.
Simão Pereira da Silva

Nota dos editores – Como estamos a notar que a consulta dos leitores vai ser difícil, não voltamos a publicar separadamente documentos e mapas.
Fonte – Luiz Fernando Carvalho Dias, “História dos Lanifícios (1750-1834)”, Documentos IV-V

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Covilhã - O Alfoz ou o Termo desde o Foral de D. Sancho I ao século XVIII - IV


Continuamos a publicação de documentos relacionados com o termo da Covilhã e que encontrámos no espólio de Luiz Fernando Carvalho Dias. Hoje o centro do nosso episódio é a relação da Covilhã com Belmonte: Os privilégios da Covilhã sobre Belmonte; a separação de Belmonte em relação à Covilhã (“Que belmonte seia villa e aia jurdicam sobressy”); uma sentença sobre um diferendo entre a Covilhã e Belmonte relacionado com os termos destas povoações e na qual também entra o lugar de Caria. Acerca de Belmonte apresentamos ainda um documento de permuta de Belmonte e seu termo e o couto de S. Romão pela vila de Arganil e seu termo.
Começamos por publicar de novo um documento de D. Fernando com os privilégios que a Covilhã tinha sobre várias terras, neste caso interessa sublinhar Belmonte:

“Priujllegios de Coujlhaã ec.

Carta per que o dicto senhor mandou que os moradores de souereira fremosa e das cerzedas e aluaro olleiros pampilosa castel nouo sam vicenta da beira e o souto da casa Belmonte e valhelhas caria e a mata e a de martim annes e manteygas todos paguem nas fintas e talhas e outros emcargos do quoncelho assy como os moradores de covilhaã de cujo termo som e para ello seiam quonstrangidos pellos jujzes da dicta uilla ec em villa viçosa primeiro dja de feuereiro de mjll iiij c xiij annos. (1375)  (1) 


Que belmonte seia villa e aia jurdicam sobressy

D. Joham etc. A quãtos esta carta virem fazemos saber que o qcelho e homes bõos De belmonte nos enuiaraom dizer que o dcto logo De belmonte soya de obedecer e fazer mandado do qcelho de coujlhaa quê a saber seerem da sua jurdiçam e obedecerem aa dcta villa tam bem em guardar a sina do dcto logo de coujlhaa / como apellarem das sñças que os juizes do dito logo de belmonte dauam em alguus fctos tam bem ciuêes como crimes antre alguas pesoas pª os jujzes e justiças do dcto logo de coujlhaã e outras sugeições em que eram sujugados aa dcta villa de coujlhaa E que ora a dcta villa de coujlhaa e os moradores della stam em nosso deservjço e dos dctos regnos qtençam dos nossos Jujzos E enuiarõ nos pedir por mercee que os tirasemos da dcta sugeiçam e mandasemos que daquy en diante nom fossem seus sugeitos nem lhe obedecesem em nehua guisa. E Nos veendo o que nos êuiar pedjram e querendolhes fazer graça e mercee Teemos por bem e mandamos e outorgamos que seia villa per ssy sem outra sugeiçam da dcta villa de covilhãa porque somos certo que sta em nosso deserujço e dos dctos regnos como nos eujarom dizer E mandamos que quãdo os juizes e justiças que ora sam da dcta villa (entrelinhado) de belmonte ou forem daquy en diante derem alguas snças em alguns fctos antre alguas ptes tam bem fectos ciuees como crimes e a dctas partes apellarem ou agrauarem das dctas snças que as dctas apelações ou agrauos venham aa nossa corte pa seerem hy livradas como for drrto E mãdamos aos meirinhos e corregedores e ouujdores que ora sam em a comarca da beira ou forem daquy endiante e a todallas outras justiças dos dctos regnos que nom qsentam aos moradores e cõcelho do dcto logo de coujlhaa nem a outras nehuas pesoas que os daquy en diante qtrangam nem mãdem qtranger que em nehua gisa nem em nehua cousa seiam sogeitos nem obrigados a dcta villa de couilhaa Ca nossa mercee he de seerem dello scusados e jsemtos e seer termo sobrssy como dcto he E em testiº desto lhe mandamos dar esta nossa carta seelada com nosso seello pendente dada em a çidade de cojmbra dez dj dabril el rrey ho mando p Joham afom bacharel em degredos do seu desembargo vaasco añs a fez era de mjl iiijc xx iij años. (1385)   (2) 


Castelo de Belmonte
Fotografia de Miguel Nuno Peixoto de Carvalho Dias

Sentença entre esta vila e Belmonte pela parte de Caria

D. Manuel por graça de Deus Rei de Portugal e dos Algarves daquem e dalém mar em África senhor da Guiné e da conquista e navegação do comércio da Etiópia Arábia Pérsia e Índia, etc. Aos juízes da nossa vila de Covilhã e de Belmonte e a de todos os juízes e justiças de nossos reinos a que esta nossa sentença for mostrada saúde, sabede que nos mandámos por nosso especial mandado ao doutor Rodrigo Homem do nosso desembargo e ouvidor em nossa corte que ora anda com nossa alçada nas comarcas da Beira que fosse em uma diferença que era entre essa vila da Covilhã e Belmonte sobre os termos sobre que já Lopo de Barros entendera e sobre todo lhe mandamos que visto por ele e o que o dito Lopo de Barros fizera com o mais que visses que é necessário por haver dado fé sabido o determinasse pondo nele os marcos em maneira que entre os ditos lugares não houvesse mais desavenças sobre os ditos termos e de sua terminação não houvesse mais apelação segundo no dito nosso mandado era conteúdo por bem do qual o dito nosso desembargador com os juízes e oficiais da vila de Covilhã e assim com os juízes e oficiais da vila de Belmonte foram ver os ditos termos e assim com muitos moradores de Caria e foi logo ter onde estava um penedo ao porto de Malpica e além do dito porto estava um prado um penedo muito musguento e tinha no cimo uma cruz muito bem feita a qual era muito musguenta e parecia ser feita muito velha e muito antiga dizendo os juízes e oficiais e homens bons da vila de Covilhã e assim de Caria que por ali era a demarcação de Covilhã e da dita cruz cortava direito acima a um cabeço alto que se chamava São Giraldo onde estava outra cruz muito bem feita segundo todos diziam por quanto o mato era tão alto e tão fragoso que se não pode andar e entre a dita cruz do porto de Malpica e o dito monte de São Giraldo em um vale que se chama de São Domingos estava outro penedo com uma cruz muito bem feita e musguenta a qual se parecia com a cruz do penedo de Malpica e a do dito monte e cabeço de São Giraldo diziam todos os ditos oficiais que a dita cruz era da feição das outras e por estas demarcações disseram os ditos oficiais de Covilhã e de Caria que são os marcos entre Belmonte e Caria pedindo que por os ditos marcos e divisões assim estarem como dito é, que para ali mandássemos que fossem as ditas demarcações e sobre todo mandamos aos oficiais de Belmonte que nos amostrassem suas divisões e marcos para os vermos os quais oficiais de Belmonte se foram logo a uma portela onde estavam uns fiéis de Deus (?) que está ao pé do monte de São Giraldo contra Caria e ali os ditos oficiais de Belmonte nos mostraram em cima de uns penedos entre eles uma pedra metida, como lasta a qual pedra era bolediça a qual diziam que era marco dizendo os moradores de Caria que a dita pedra bolediça não era marco por que poucos dias havia que ali metera um homem do dito lugar a qual pedra bem pouco parecia ser marco e dali disseram que cortava seu termo direito a uma ermida de São Domingos por um tapume de parede abaixo e no fundo do vale estava uma pedra pequena arrimada em cima do chão que diziam os moradores de Belmonte que era marco a qual bem pouco parecia marco da qual pedra assim cortando direito foi ter à dita ermida de São Domingos onde estava uma cruz bem pequena em um penedo e dali da dita ermida diziam os moradores de Belmonte que cortava direito a primeira cruz do porto de Malpica dizendo os moradores de Belmonte que por ali era e partia o seu termo pedindo-nos que por ali mandássemos pôr a dita demarcação e visto assim tudo por nós mandamos aos oficiais da dita vila da Covilhã e assim aos de Belmonte que sobretudo cada um apresentasse quaisquer escrituras e autos que tivesse e houvesse à vista de todo e cada um dissesse de seu direito por os quais foram apresentados assim de uma parte como da outra certas escrituras e mais um auto que fora feito por Diogo de Pina que foi Juiz sobre as ditas demarcações e sobre todas as partes tomaram a vista de todo e razoaram cada um tanto de seu direito que o feito foi perante nós concluso e visto por nós o dito processo e autos e vistos com todos e bem assim com os juízes e oficiais da vila da Covilhã e Caria e assim de Belmonte todos juntamente fomos ver as demarcações sobre que há dúvida as quais por eles todos nos foram mostradas e por uma e outra parte refutada e doutra admitida e como assim uns como outros todos concordaram um penedo em que está uma cruz antiga além do porto de Malpica diz contra Belmonte ser marco e divisão somente os de Covilhã e Caria disseram que a sua demarcação cortava direito ao vale de São Domingos onde isso mesmo está outro penedo com outra cruz que isso mesmo nos foi mostrado a qual cruz se parece com a outra primeira em que todos concordam e deste penedo isso mesmo dizem cortar a dita demarcação direita ao monte de São Giraldo onde todos concordaram estar uma cruz em outro penedo a qual demarcação foi vista e examinada perante os sobreditos e segundo nos foi feito auto presentes todos o qual auto concorda com outro que já foi feito por nosso mandado e vista a outra demarcação que nos foi mostrada pelos oficiais de Belmonte a qual se não mostra ser demarcação por ela não ser direita como a outra e fazem enseada e bem assim não se ter marcos autênticos que fé alguma façam visto assim tudo por nós achamos o caso claro e se não requerer mais exame que o que é feito pelo qual acordado claramente está sabida a dita demarcação ser pelo dito penedo onde está a cruz além do penedo de Malpica e aí cortar direito ao outro penedo onde está outra cruz ao Vale de São Domingos e daí é direito a cabeça do dito monte de São Giraldo onde isso mesmo está a outra cruz segundo os oficiais da Covilhã e Caria afirmaram e por tanto determinamos a dita divisão e marcos serem os verdadeiros mandamos que a partição e demarcação daqui em diante se rejam uns e outros e bem assim os juízes e oficiais da dita vila da Covilhã e Caria requeridos os de Belmonte assinaram os ditos marcos em tal maneira que jamais não haja aqui alguma diferença sobre isso e seja sem custas visto o que se pelos autos mostra porém vos mandamos que assim o cumprais e guardais e façais cumprir e guardar como por nós é julgado e mandado e determinado.
Sem outra dúvida nem embargo etc.
All nam (?) façades. Dada na cidade de Viseu aos 30 dias de Outubro El Rei o mandou pelo doutor Rodrigo Homem do seu desembargo que ora anda com sua alçada nestas comarcas Rui Lopes a fez de 1499.
a)- P. Rodricus Ho doctor

 Anexo, em papel 
Aos dois de Janeiro de mil e quinhentos com Rui Caldeira Juiz de Covilhã e Gonçalo Paez vereador e Jº Barbas vereador e Francisco Roiz com Martim Gonçalves e António Pires Juízes de Caria e Pêro Gonçalves e Lourenço Afonso e Tomaz Afonso e Afonso Lourenço no povo e João Pires e Afonso Fernandes e Gonçalo Pires do dito lugar fizeram ausência dos de Belmonte no penedo em que estava a outra cruz além do porto de Malpica segundo achavam perante mim escrivão da câmara duas cruzes novas e uma que esta na antiga são três e assim entre as duas cruzes primeiras no cabo das moutas …. Aí puseram um marco alto com uma cruz em cima por mais direito ….  demarcação e assim se fez outra cruz ao poço de cagamoyo em uma lage viva por tirarem ao direito perante  os sobreditos assim se fez outra cruz em um penedo grande que está partido em dois que está sobre a ribeira entre uns carvalhos altos e assim fizeram outra cruz num penedo que está logo acima no cabeço alto entre a outra  que está numa lage pequena a par do vale de São Domingos no fundo em a qual fizeram uma cruz … e assim se fez outra cruz noutra lage sobre o dito vale em direito do cabeço e assim fizeram outras duas cruzes abaixo do pé do cabeço ao cabeço do mobedall no cabo das aradas e daí direito á cruz que está no penedo da serra de São Giraldo no cabeço onde se fizeram duas cruzes e outras no meio do monte.

Verso
Para os muito honrados senhores juiz e vereadores e procurador e homens bons da vila de Covilhã

Frente
Muito honrados senhores amigos Juiz e vereadores e procurador e homens bons da vila de Covilhã  Os juízes e vereadores e procurador e homens bons da vila de Belmonte nos encomendamos a vossas mercês senhores amigos fazemos saber que vimos na vossa carta que nos enviastes em que nos mandáveis notificar como de manhã que em dois dias do presente mês de Janeiro vínheis a Caria para connosco haverdes de pôr medições e divisões entre o termo desta vila e o dessa de Covilhã segundo o mandaram o desembargador em sua sentença e que para esta demarcação fôramos o dito dia convosco. E porque senhores amigos vós sabereis que nós os principais desta vila somos percebidos para de manhã irmos novamente com o senhor bispo como lhe cumpre e em seu palácio e presentes os bastantes  …… não pudemos de manhã ser convosco para esse caso……. por que vos pedimos por mercê que sobresejais com esta cousa até o primeiro dia da vintena dos reis que ora virá, no qual dia seremos convosco para se cumprir o que sua alteza manda feita na dita vila o primeiro dia de Janeiro Pedro Gonçalves escrivão da Câmara de mil e quinhentos anos.
+ vereador         Juiz ( sinal )                  a) Antaom Paez
+ procurador           Vereador ( rubrica )   (3)  

 Scambo de belmonte e sam Romaão per arganjll

Dom Joham ect. A quantos esta carta virem fazemos saber que o bpo e cabidoo de cojmbra nos eujarom dizer que elles entendiam de permudar os seus lugares de belmonte e seu termo e couto de sam Romãao que som na comarca da beira com suas jurdiçõoes mero e mjsto Imperio e padroados e drrtos de padroados fructos e prõees rendas e outros drrtos que elles em os dctos lugares e cada huum delles hã com martim uaasques da cunha por a ujlla darganjll e seu termo e jurdiçoões mero e mjsto Imperio rendas e outros drrtos que o decto martim uaasqz na dcta ujlla há que lhes nos demos E que agora por quanto a dcta villa darganjll fora da coroa do regno / duujdauam se ualleria a dcta pmudaçam sem nossa auctoridade e qsentimêtoque por tanto nos pediam por mercee que desemos nosso qsentimento e auctoridade aa dita pmudaçom E nos visto o que nos assy pediam e a Requerimento do dcto martim uaasqz que nollo pedio Teemos por bem e damos nosso qsentimento e auctoridade aa dcta pmermudaçam que os dctos bpo dayam e cabijdo e cada huu delles e o dcto martim uaasquqz per ssy ou p seus pcuradores assy fizerem (sic) dos dctos lugares de belmonte e couto de sam Romãao com seus termos polla villa darganjll e seu termo com todos os dctos drrtos E queremos e mandamos que ualha e tenha em qualquer tpo q a façam com as clausullas e qdições em esta pmudaçam postas assy como se nos meesmo a fizesemos p nossa pesoa nom embargando que a dcta villa darganjll seia ou fosse da coroa do regno e nom embargando outºssy quaães quer drrtos que em qtrairo da dcta permudaçam seiam os quaees por ella seer mais firme e ualiosa de nossa certa scientia que auemos por expresos e specificados e tolhemos e reuogamos ajnda que taaees seiam que aiam em ssy clausulla derogatoria ficando Reservado a nos e a nossos sucessores que aiamos em o dcto logo de belmonte e seu termo e couto de sam Romaão aquelles drrtos que nos aueriamos no dcto lugar darganjll se ficase com o dcto martim uaasqz E em testiº desto lhe mandamos dar esta nossa carta Dante na cidade do porto V. dj dagosto el rrey o mando gº caldeira a fez era de mjll iiijc xxx ij (sic) años. (1394)  (4)  

Fontes – 1) – ANTT – Chancelaria de D. Fernando, livº 1, fls 166
2) Chancelaria de D. João I, Lº 1, fls 124 e segts
3) (?)
4) Chancelaria de D. João I, Lº 3, fls 21 vº


As publicações do Blogue:
Estatística baseada na lista dos sentenciados na Inquisição publicada neste blogue:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/11/covilha-lista-dos-sentenciados-na.html


Publicações no nosso blogue sobre o Termo da Covilhã: http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/05/covilha-o-alfoz-ou-o-termo-desde-o.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/03/covilha-o-alfoz-ou-o-termo-desde-o.html
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