quinta-feira, 19 de julho de 2012

Covilhã - Lista dos Sentenciados na Inquisição XXXVI


Lista dos Sentenciados no Tribunal do Santo Ofício da Inquisição de Lisboa, Coimbra e Évora, originários ou moradores no antigo termo da Covilhã e nos concelhos limítrofes de Belmonte e Manteigas.

 781    Manuel Pereira Mendes, x.n., de 29 anos, tintureiro, natural da Covilhã e morador em Monsanto, filho de Diogo Pereira ou Diogo Nunes Pereira, x.n., mercador, natural de Fronteira e de Ana Mendes ou Ana Mendes Pereira, natural da Covilhã, casado com Maria Fróis ou Maria Fróis Moniz, x.n., em 1ªs núpcias, tendo casado em 2ªs núpcias com Isabel Henriques, neto paterno de Álvaro Pereira, curtidor, natural de Fronteira e de Violante Pereira, moradores que foram na Covilhã e materno de Martinho Mendes ou Martim Mendes, mercador e de Leonor Pereira; bisneto de Gaspar Mendes e Leonor Rodrigues, pais do avô materno; de Manuel Lopes, x.v., barbeiro e de Mécia Pereira, pais da avó materna; trisneto de  Manuel Lopes e Brites Antunes, x.x.v.v., pais do bisavô Manuel Lopes; de Diogo Pereira, alfaiate e Leonor Mendes, x.x.n.n., pais da bisavó Mécia Pereira, (O pai, a mãe, a mulher, os filhos e os irmãos são os referidos sob os nºs 437, 435, 804, 941, 963, 439, 503 e 644 desta lista), de 27/2/1727 a 25/7/1728.
PT-TT-TSO/IL/28/4896                   

782    Francisco Nunes de Paiva, x.n., de 26 anos, tosador, solteiro, natural de Penamacor e morador na Covilhã, filho de Simão Rodrigues, sapateiro e de Branca Rodrigues, natural do Fundão, neto paterno de Francisco Rodrigues e de Mécia Fernandes e materno de Gaspar Rodrigues e de Catarina Lopes, bisneto de Rodrigo Mendes, natural e morador em Monsanto, pai da avó paterna; de António Rodrigues e de Isabel Nunes, pais do avô materno e de Francisco Rodrigues e Branca Lopes, pais da avó materna, (O pai, a mãe e os irmãos são os referidos sob os nºs 833, 849, 721, 722, 806, 837 e 870 desta lista), de 25/4/1725 a 7/8/1728.
PT-TT-TSO/IL/28/9914                    

783      Antónia Nunes Vargas, x.n., de 21 anos, casada com Álvaro Mendes Cardoso ou Álvaro Mendes, tratante, natural da Covilhã e moradora em Lisboa Ocidental, filha de Domingos Lopes ou Domingos Lopes Fernandes, x.n., ferreiro, natural da Covilhã e de Beatriz Nunes, x.n., natural de Idanha-a-Nova, neta paterna de Pedro Lopes , x.n., e de Isabel Lopes, x.n., e materna de Francisco Rodrigues, x.n., natural da Idanha-a-Nova e de Mécia Fernandes, x.n., natural de Monsanto. bisneta de Rodrigo Mendes, natural e morador em Monsanto, pai da avó materna; (O pai, a mãe e os irmãos são os referidos sob os nºs 658, 646, 790 e 819 desta lista), de 23/8/1727 a 25/7/1728.
PT-TT-TSO/IL/28/7627        

784      Violante Henriques, x.n., de 31 anos, casada com Domingos Lopes da Cruz, natural do Fundão e moradora em Alpedrinha, filha de Manuel Rodrigues Preto e de Leonor Mendes, naturais do Fundão, neta paterna de Pedro Rodrigues Preto, surrador, natural de Penamacor  e de Joana de Almeida, natural e moradores que foram no Fundão, bisneta de Manuel Rodrigues, o borrinhos de alcunha ?, natural de S. Vicente da Beira e Violante Mendes, natural do Fundão, pais do avô paterno; de Guiomar de Almeida, moradora em Penamacor, mãe da avó paterna, (O pai, as filhas e irmãos são as referidas sob os nºs 562, 1025, 1027, 739, 829 e 1011 desta lista), de 9/10/1727 a 26/8/1728.
PT-TT-TSO/IL/28/11402

785      Isidoro Mendes de Carvalho, x.n., de 17 anos, solteiro, mercador, natural e morador na Guarda, preso na Covilhã, filho de Manuel Mendes Henriques, x.n., mercador, natural da Guarda e de Leonor de Carvalho ou Leonor de Carvalho Fontes, x.n., natural de Trancoso, neto paterno de Manuel Mendes, x.n., mercador e Isabel Rodrigues, x.n., naturais da Guarda e materno de António Carvalho Fontes, x.n., tratante, natural de Trancoso, e de Leonor Pinto, bisneto de Francisco de Almeida, Morgado das Antas, x.v. e Leonor Carvalho, x.n., (Os irmãos são os referidos sob os nºs 889 e 892 desta lista), de 25/5/1727 a 27/10/1729; e 2ª vez de 2/6/1731 a 14/10/1732.
PT-TT-TSO/IL/28/2290 e 2290-1

786      Inês Gomes, x.n., de 15 anos, solteira, natural da Covilhã e moradora em Quadrazais, filha de Mateus Oróbio Furtado ou Mateus Oróbio, mercador e de Catarina Navarro, natural de Fuente Beguna, Castela, neta paterna de João Francisco Oróbio ou João Navarro, natural de Sevilha, Espanha e de Inês Gomes Furtado ou Inês Gomes, natural de Trancoso e materna de Manuel Lopes Álvares, natural de Sevilha, morador que foi na Covilhã e de Inês Gomes, natural de Espanha, bisneta de Mateus Oróbio, mercador e de Maria Manuel Navarro, pais da avó paterna e de João Álvares e Catarina Navarro, pais do avô materno e de Manuel Gomes e Ana Lopes, pais da avó materna, (A mãe e os irmãos germanos e consanguíneo são os referidos sob os nºs 728,  944, 1026 e 789 desta lista), de 31/1/1727 a 3/8/1728.
PT-TT-TSO/IL/28/9477                                
                       
787      Paula Maria, parte de x.n., de 20 anos, solteira, natural de Penela e moradora na Covilhã, filha de António Soares de Mendonça e de Catarina Rodrigues, naturais de Lindim, Guarda, de 13/8/1727 a 15/7/1728.
PT-TT-TSO/IL/28/11395                              

788      Maria Henriques, x.n., de 23 anos, casada com António Nunes, sapateiro, natural e moradora na Covilhã, filha de Pedro Lopes, x.n., sapateiro e de Ana Nunes, x.n., (O marido é o referido sob o nº 753 desta lista), de 15/5/1727 a 3/8/1728.
PT-TT-TSO/IL/28/8258                   

789    Leonor Mendes, x.n., de 17 anos, solteira, natural da Covilhã e moradora em Quadrazais, filha de Belchior Mendes que foi mercador e de Catarina Navarro, natural de Fuente Beguna, Castela (1º casamento desta), neta materna de Manuel Lopes Álvares, natural de Sevilha, morador que foi na Covilhã e de Inês Gomes, natural de Espanha, bisneta de João Álvares e Catarina Navarro, pais do avô materno e de Manuel Gomes e Ana Lopes, pais da avó materna, (A mãe e os irmãos uterinos são os referidos sob os nºs 728, 786, 944 e 1026 desta lista), de 19/10/1726 a 3/8/1728,  Auto da Fé de 2/7/1728.
PT-TT-TSO/IL/28/4903        

790    Domingos Lopes ou Domingos Lopes da Cruz, x.n., de 30 anos, tendeiro e tratante, natural de Idanha-a-Nova e morador em Alpedrinha, casado com Violante Mendes ou Violante Henriques, x.n., natural do Fundão, filho de Domingos Lopes ou Domingos Lopes Fernandes, x.n., ferreiro, natural da Covilhã e de Brites Nunes, x.n., natural de Idanha-a-Nova, neto paterno de Pedro Lopes , x.n., e de Isabel Lopes, x.n., e materno de Francisco Rodrigues, x.n., natural da Idanha-a-Nova e de Mécia Fernandes, x.n., natural de Monsanto, bisneto de Rodrigo Mendes, natural e morador em Monsanto, pai da avó materna; (O pai, a mãe a mulher, as filhas e os irmãos são os referidos sob os nºs 646, 658, 784, 1025, 1027, 783 e 819 desta lista), de 7/9/1726 a 3/8/1728.
PT-TT-TSO/IL/28/9123

791      Catarina Nunes, x.n., de 22 anos, casada com António Rodrigues, sapateiro, natural e moradora no Teixoso, filha de Francisco Fernandes Loução, natural de Celorico e de Antónia Nunes, natural de Belmonte, neta paterna de António Fernandes e de Catarina Fonseca e materna de Rodrigo Mendes, sapateiro e de Brites Rodrigues, moradores no Fundão, (O pai, a mãe, o marido e os irmãos são os referidos sob os nºs 827, 467, 712, 762, 763,793, 844 e 846 desta lista), de 7/8/1725 a 6/8/1728.
PT-TT-TSO/IL/28/9916        

792     Leonor Henriques, x.n., de 27 anos, solteira, natural da Covilhã  e moradora em Quadrazais, filha de António Vaz, x.n., que foi mercador, natural do Fundão e de Ana Nunes, x.n., neta paterna de Domingos Rodrigues e Brites Henriques e materna de Manuel Dias ou Manuel Dias Nunes e Maria Fróis ou Maria Nunes, bisneta de Pedro Lopes e Isabel Rodrigues, pais do avô paterno, de António Vaz e Leonor Henriques, pais da avó paterna, trisneta de João Lopes e Maria Rodrigues, pais do bisavô Pedro Lopes; de Manuel Fernandes e Leonor Rodrigues, pais da bisavó Maria Rodrigues; de Jorge Vaz e Isabel Rodrigues, pais do bisavô António Vaz; e de Diogo Henriques, tendeiro e de Clara Henriques, pais da bisavó Leonor Henriques, (A mãe e os irmãos são os referidos sob os nºs 645, 665, 667, 749 e 810 desta lista), de 28/7/1725 a 6/8/1728. Auto da Fé de 25/7/1728.
PT-TT-TSO/IL/28/4900       

793     Brites Nunes, x.n., de 26 anos, casada com João da Cruz, natural e moradora no Teixoso, filha de Francisco Fernandes Loução, x.n., marchante, natural de Celorico e de Antónia Nunes, natural de Belmonte, neta paterna de António Fernandes e de Catarina Fonseca e materna de Rodrigo Mendes e de Brites Rodrigues, (O pai, a mãe, o marido e os irmãos são os referidos sob os nºs 827, 467, 773, 762, 763, 791, 841, 844 e 846 desta lista). O seu outro processo é o nº 841), 1º processo presa em 27/8/1726 e sentenciada em 25/7/1728 e 2º processo presa em 7/8/1728 e sentenciada em 16/10/1729, de 26/9/1726 a 17/10/1729.
PT-TT-TSO/IL/28/9654

794     Páscoa dos Rios, x.n., de 27 anos, solteira, natural e moradora na Covilhã, filha de Simão de Carvalho, x. n., que foi mercador e de Ana Henriques, neta paterna de António Fernandes Nunes, x.n., mercador e Ana Rodrigues, x.n., e materna de Jorge Fróis, x.n., homem de negócio e de Maria Henriques, x.n., bisneta de Simão Fernandes Carvalho, x.n., natural de Linhares e Catarina da Fonseca, x.n., natural da Covilhã, pais do avô paterno, de Henrique Fróis e Maria Henriques, pais da avó materna, trisneto de Manuel Fróis e Ana Rodrigues, pais de Henrique Fróis e de Jorge Fróis e Leonor Nunes, pais da bisavó Maria Henriques, Veio a casar com André Mendes da Silva.(O pai, a mãe e os irmãos são os referidos sob os nºs 409, 411, 663, 716, 718, 730, 927, 932 e 934 desta lista), auto de 25/7/1728.(presa 2ª vez, procº 28/ 9224 - ver no nº 934 desta lista)

795      Ana Nunes, x.n., de 52 anos, casada com Álvaro Rodrigues, sapateiro, natural de Idanha-a-Nova e moradora na Covilhã, filha de Manuel Fróis, x.n., capitão de couraças e de Isabel Lopes Ribeiro, (O marido e os filhos são os referidos sob os nºs 885, 706 e 710 e 886 desta lista), de 24/1/1727 a 28/7/1728.
PT-TT-TSO/IL/28/7628-1                

Fonte – Os dados em itálico foram retirados do “site” do ANTT – Arquivo Nacional da Torre do Tombo relativo aos processos do Tribunal da Inquisição.
Esta lista, tal como as anteriores, foi elaborada pelos editores.
Na cota dos processos, as indicações IL/28, IC/25 e IE/21 referem-se aos tribunais, respectivamente, de Lisboa, Coimbra e Évora.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Covilhã - Para a História da Guarda IV


Continuamos a publicar cartas de aforamento na Judiaria da Guarda; nelas se refere: “per que aja e tenha pera todo sempre huas cassas” e indica-se a quantia da renda anual “que atee ora pagarom”.
No episódio III apresentámos cartas de D. Dinis e hoje avançamos um século até D. Duarte, deixando para mais tarde as cartas de D. Afonso V, D. João II, D. Manuel e ainda D. João III que encontrámos no espólio de Luiz Fernando Carvalho Dias.

Marcas mágico-religiosas na Judiaria

1 - Cassas na guarda
Outra tall carta de Issaque maçoz morador na cidade da guarda per que aja e tenha pera todo sempre huas cassas que ssom na dicta çidade e ssom duas cassinhas em fundo e duas em cima ssobradadas e partem de fundo com ssanto pernjca e de cima com jacob de crastro e detras com ffajm de caçeres e com Rua pubrica por trinta ssolldos da moeda antijga em cada huu anno de foro que atee ora pagarom segundo he contheudo no livro do tombo ec. em ssantarem a xbiij djas de nouembro de mjll iiijc xxxb annos. (1435)
2 - Cassa na guarda
Outra tall carta de abraão pinhell morador na çidade da guarda per que aja e tenha pera todo sempre hua cassa sobradada que esta na Judaria da dicta cidade e parte com Issaque caracho e com chaão que ffoe do açougue e detras com moussem de chaues e com ell dicto abraao pinhel e com Rua publica por tres llibras da moeda antijga em cada huu anno de foro que ataa ora pagarom segundo se contem no liuro do tombo ec. em Santarem xx djas doutubro demjll iiijc xxxb annos.
3 - Cassa na guarda
Outra tall carta de abraao touj morador na cidade da guarda perque aja e tenha pera todo sempre hua cassa que he na dicta cidade E parte de cima com beco de jacob dalua e de ffundo com cassa de candull e detras com azenhagaa e com Rua publica e ffoy afforada sseendo chaão por tres ssolldos que ataa ora pagarom segumdo sse acha no liuro do tombo ec. em ssantarem xxiij djas doutubro de mjll iiijc xxxb annos.
4 - Cassa na guarda
Outra tall carta de Samuell querido morador na cidade da guarda per que aja e tenha pera todo sempre hua cassa na Judaria da dicta cidade ssobradada e esta em ffronte da esnoga e parte com Rua publica que uay pera o muro e com cassas que chamam ataffona por tres llibras da moeda antijga em cada huu anno de fforo que ataa ora pagarom segundo he contheudo no liuro do tombo ec. em ssantarem xxbiij djas doutubro de mjll iiij xxxb annos.

Casa de 1º andar ("ssobradada")

5 - Cassa na guarda
Outra tall carta de ssamuell abudant morador na çidade da guarda per que aja e tenha pera todo sempre hua cassa na judaria da dicta çidade que parte com a assineega e com outras cassas dell rey que traz Suas Judeu e com Rua publica e por detras com outras cassas dell rey que traz vasco ffrz albardeiro E paga de fforo em cada huu anno cinquo ssolldos da moeda antijga
6 - Item outras cassas que ssom terreas e partem com cassas de Issaque macoz e com pardieyros de martim mayo e com cassas que traz junça de leirea e com Rua publica E paga de fforo dellas em cada huu anno xb ssolldos da moeda antijga que ataa ora pagarom segundo he contheudo no liuro do tombo ec.
 7 - Cassas na guarda
Outra tall carta de abraão de crasto morador na cidade da guarda per que tenha e aja pera todo sempre huuas cassas na juderia da dicta cidade E partem com cassas de abraao pernjca e com ffaym de caçeres e de traz com ffaym por tres llibras e xb ssolldos da moeda antijga em cada huu anno de fforo que ataa ora pagarom segundo se contem no liuro do tombo ec. em santarem xbiij de nouembro de mjll iiij xxxb annos.
8 - Cassas na guarda
Outra tall carta de mestre Issaque e de yuda seu Irmaão moradores na çidade da guarda per que tenham e ajam per todo sempre huas cassas pequenas que partem com ssanto cacer da parte de ffundo e de çima com Junça touj e de tras com cassas de maria annes da famagueira e com Rua Publica da Judaria de que pagam de fforo em cada huu anno duas llibras e mea da moeda antijga que ataa ora pagarom segundo he contheudo no liuro do tombo ec. em santarem xbiij djas de nouembro de mjll iiijc xxxb annos.
9 - Cassas na guarda
Outra tall carta de abraao pernjca morador em a cidade da guarda per que tenha e aja pera todo sempre huas cassas com dous portaaes pequenas que ssom na Judaria da dicta çidade E parte com Salomon cucaracho e da outra parte com abraão de crasto e detraz com cassas de Junça touj e com ffaym de caceres de que paga em cada huu anno de fforo tres llibras da moeda antijga que ataa ora pagarom segundo se contem no liuro do tombo ec. em almeirim xxiij djas de nouembro de mjll iiij xxxb annos.
10 - Cassas na guarda
Outra tall carta de yhunto cacez morador em a cidade da guarda per que tenha e aja pera todo sempre huas cassas na Judaria da dicta cidade que parte com manassem çapateiro e doutra parte com ell dicto yhunto cacez e detraz com azinhagaa e diante Rua publica e mestre Issaque de que paga em cada huu anno de fforo quatro llibras e mea da moeda antijga que ataa ora pagarom segundo se conthem no liuro do tombo ec. em almeirim xix djas de nouembro de mjll iiij xxxb annos.
11 - Cassas na guarda
Outra tall carta de Issaque maçoz morador em a cidade da guarda per que tenha e aja pera sempre huas cassas na dicta cidade que parte com Rua que uay pera o açougue e doutras partes com chaão dellrrey e com pardieyros desteuã de pl (pinhel?) de que paga em cada huu anno de fforo quatro llibras e xbij ssolldos da moeda antijga que ataa ora pagarom ssegundo sse conthem no liuro do tombo ec. em ssantarem xbiij djas de nouembro de mjll iiijc xxxb annos.
12 - Cassa na guarda
Outra tall carta de prnicna ffrz castellaão morador na cidade da guarda per que tenha e aja pera todo sempre hua cassa que he na dicta cidade e parte com cassa de Junça calafora e de traz com Steuam affomso e com Rua publica e outros de que paga em cada huu anno de fforo cinquo llibras e mea da moeda antijga que ataa ora pagarom segundo sse contem no liuro do tombo ec. em santarem xbiij djas de nouembro de mjll iiijc xxxb annos.
13 - Cassas na guarda
Outra tall carta de gouuea judeu morador na çidade da guarda per que tenha e aja pera todo sempre huas cassas com huu currall pequeno que partem com ffaym de caceres e com Salomon pernjca e com abraão pernjca e com Salomon touj e com Rua publica que uay do açougue uelho pera o paaço delrrey de que paga de fforo em cada huu anno quatro llibras e mea da moeda antijga que ataa ora pagarom segundo he contheudo no liuro do tombo ec. em ssantarem xbiij djas de nouembro de mjll iiijc xxxb annos.
Cassa na guarda
14 - Outra tall carta de Jacob de leiria fferreyro morador na cidade da guarda per que aja e tenha pera todo sempre hua cassa que he na dicta çidade parte com Junça cadafforra e com cassas que fforom de martim uaasquez tabaliam e com Rua publica por duas llibras e mea da moeda antijga em cada huu anno de fforo que ataa ora dellas pagarom segundo sse conthem no liuro do tombo ec. em almeirim xx djas de nouembro de mjll iiijc xxxb annos.
15 - Cassa na guarda
Outra tall carta de Jacob de castro morador na cidade da guarda per que aja e tenha pera todo sempre hua cassa que esta na dicta cidade que parte com ffaym de caceres e com Issaque maçoz e detraz com fernão gonçallvez e com Rua publica por duas llibras e mea da moeda antijga que ataa ora della pagarom ec segundo sse conthem no liuro do tombo. Em almeirim xbij djas de nouembro de mjll iiijc xxxb annos.
16 - Cassa na guarda
Outra tall carta de ffaym de cacerez morador na cidade da guarda per que aja e tenha pera todo sempre hua cassa que he na dicta cidade na Judaria e parte da parte de çima com adro de Sam Vicente e de ffundo com Jaco de Crasto e detraz com ffernã gllz e com Rua publica por duas llibras e mea da moeda antijga que ataa ora della pagarom segundo se contem no liuro do tombo ec. em almeirim postumeiro dja de nouembro de mjll iiijc xxxb annos.
17 - Cassas na Guarda
Outra tall carta de cinffaa morador na cidade da guarda per que aja e tenha pera todo sempre huuas cassas que som na Judaria da dicta cidade que partem com danjell barall e com moyssem adida e detraz com moyssem camdul e com Rua publica por quarenta ssolldos da moeda antijga em cada huu anno de fforo que ataa ora dellas pagarom segundo sse mostra e contem no liuro do tombo ec. em almeirim postumeiro dja de nouembro de mjll iiijc xxxb annos.
18 - Cassas na Guarda
Outra tall carta de Sallamom touj morador na cidade da guarda per que aja e tenha pera todo sempre huuas cassas que ssom na Judaria da dicta cidade E partem com Rua publica que uay dos açougues uelhos pera o paaço del Rey e com ffaym de caçeres e com exido de junça de gouuea de que paga de fforo em cada huu anno xb ssolldos da moeda antijga que dellas ataa ora pagarom segundo sse contem no liuro do tombo ec. em almeirim postumeiro dja de nouembro de mjll iiijc xxxb annos.
19 - Outra tall carta de abraão de pinhell morador na cidade da guarda per que tenha e aja pera todo sempre quatro cassas que ssom na dicta cidade. s. huu pardieiro ssem telha que parte da parte de çima com manassem çapateiro e de ffundo e detras com chaão dell Rey e com Rua publica da judaria de que paga de fforo em cada huu anno xxx ssolldos da moeda antijga.
20 - Item outra cassa sobradada que parte com danjel maurã e detras com muro da cidade e com o dicto abraão // de pinhell e com Rua publica da judaria de que paga em cada huu anno de foro tres llibras e cinquo ssolldos
21 - Item outra cassa que ffoe de dauj fillolho e fforom dadas em casamento ao dicto abraão de pinhell de que paga em cada huu anno de fforo duas llibras da moeda antijga.
22 - Item outra cassa pequena que parte com o dicto abraão e com cassa dataffana de Salamã ffillilho (sic) e com moussem de chaues e com chaão que ffoe açougue de que nom paga fforo nehuu porque anda juntamente com a cassa da dicta ataffana e danbas sse paga huu fforo ec. segundo se contem no liuro do tombo. em Santarem xx djas doutubro de mjll iiijc xxxb annos.
23 - Cassas na Guarda
Outra tall carta de Salamão ffillilho morador na çidade da guarda perque tenha e aja pera todo sempre huuas cassas a que chamam ataffanna que Som na dicta çidade e partem de hua parte com cassas de Aamuell querido e com moyssem de chaues e de Issaque aluãgill e com Ruas publicas da Judaria E Som sobradadas e partidas em Suas partes E as primeiras Som de Salamom cocuracho e Salamom amado tem dous poataães na rua dirreita E que o dito Salamam traz a ditta ataffana que tem hua porta no chaão del rrey e uay pera o muro de que paga em cada huu anno de fforo ssete llibras da moeda antijga que ataa ora pagarom segundo se contem no liuro do tombo ec. em santarem xbiij djas de nouembro de mjll iiijc xxxb annos.
24 - Cassas na Guarda
Outra tall carta de joham dominguez morador na cidade da guarda perque tenha e aja pera todo sempre huas cassas que ssom na dicta cidade que partem com cassas de daffomso annes çapateiro e detras com judaria e de cima com cassa dalmadell e per Rua publica de que paga em cada huu anno de fforo trinta ssolldos da moeda antijga que ataa ora pagarom segundo se contem no liuro do tonbo ec. em Santarem xx djas doutubro de mjll iiijc xxxb annos.
25 - Cassas na guarda
Outra tall carta de lopo martjnz morador na cidade da guarda perque aja e tenha pera todo sempre huas cassas que ssom na dicta cidade que partem de ffundo com cassas de diego aº carnjceiro e de tras com a Judaria e de cima com cassas de lourenço gonçalluez e com Rua publica de que paga em cada huu anno de fforo tres llibras da moeda antijga que ataa ora pagarom segundo se contem no liuro do tombo em estremoz postumeiro dja de dezembro de mjll iiij xxxbj annos.
26 - Cassas na Guarda
Outra tal carta de moussem de caceres morador na cidade da guarda per que tenha e aja pera todo sempre ametade de huas cassas que ssom na Judaria da dicta cidade e tem dous portaaes na Rua publica e ssom sseis cassinhas e huu curral na metade E partem com cassas de Salamã perujca e de tras com rua publica que uem dos açougues uelhos E paga de toda Juntamente sseis llibras da moeda antijga em cada huu anno de foro que ataa ora dellas pagarom segundo se contem no liuro do tombo. em torres uedras x djas doutubro de mjll iiijc xxxbj annos.
27 - Cassas na Guarda
Outra tall carta de mestre moussem morador na cidade da guarda perque aja e tenha pera todo sempre hua cassa que sta na dicta cidade na trauessa que uay pera os açougues uelhos e partem com Rua publica que uay pera o paaço del rrey e com menassem tecellam e de traS com abraao perujca de que paga em cada huu anno de foro duas llibras e mea da moeda antijga que ataa ora pagarom segundo he contheudo no liuro do tombo ec. em estremoz postumeiro dja de dezembro de mjll iiijc xxxbj annos.
28 - Cassas na guarda
Outra tall carta de margarida uaasquez molher que ffoy daffonsso dominguez morador na çidade da guarda per que aja e tenha pera todo sempre huas cassas que ssom na dicta çidade E parte com cassas de steuam gonçallvez e com lourenço martjnz e de tras com cassas de ffaym de caceres e diante com adro de sam viçente de que paga em cada huu anno de fforo trinta ssolldos da moeda antijga que ataa ora pagarom segundo se contem no liuro do tombo ec. em estremoz mostumº dja de dezembro de mjll iiijc xxxbj annos.
29 - Cassa na guarda
Outra tall carta de juça calaffora morador na cidade da guarda per que aja e tenha pera todo sempre hua cassa que he na dicta çidade E parte com cassas de jaco de leiria fferreiro e com manassem castellaão e com diego dalmeida e com Rua publica da judaria de que paga em cada huu anno de fforo duas llibras da moeda antijga que ataa ora pagarom segundo sse contem no liuro do tombo ec. em ssantarem xxx djas de janeiro de mjll iiijc xxxbij annos.
30 - Carta per que o dicto Senhor deu de fforo pera todo ssempre a junça almardell Judeu morador em a çidade da guarda huas cassasque o dicto Senhor ha na dicta çidade que fforom dabraão mamõ E partem com cassas de monssem mamõ e com cassas de Judas ferreiro E de tras com cassa de issaque cuqueracho e pella Rua publica da juderia de que paga em cada hum anno de foro tres libras e mea da moeda antijga ec. em stremoz vj djas de janeiro de mjll iiijc xxxbj annos.
31 - Carta per que o dicto Senhor deu de fforo pera todo ssempre a mossa adida Judeu morador na cidade da guarda huas cassas que o dicto Senhor há na dicta çidade que ffoy dessuas E parte com cassas de Samuell e com cassa de dona yuda e detras com currall do dicto dom yuda (sic) e com Rua da Judaria de que paga em cada huu anno de fforo tres libras e mea da moeda antijga ec. em Stremoz quatro djas de janeiro de mjll iiijc xxxbj annos.

Afforamento de duas moradas de casas na çidade da guarda a ffaym de caceres (Tem a indicação de ter sido transcrito no livro da Beira)

         Dom Eduarte ec. A quantos esta carta virem fazemos saber que faym de caceres judeu morador em a çidade da guarda mostrou perante nós duas cartas testimunhauees que pareciam seer fectas per diego dalmeida scripuam dos nossos contos em o dicto nosso almoxarifado da guarda.S. hua dellas aos xb djas do mes dagosto do anno presente de mil iiijc xxxb E a outra aos xbij djas do dicto mes da dicta era em a dicta cidade da Guarda E eram todas asignadas per Gomez martjnz de moscoso nosso contador que per nosso mandado teue cargo de arrendar as nossas sisas e direitos do dicto almoxariffado o dicto anno.

D. Duarte,
carta per o dicto Senhor emprazou huu chaao que elle ha na cidade da guarda a ffaym de caceres e a ssua molher mj ouro e a outra pessoa que o postumeiro delles nomeasse ante de ssua morte E parte de hua parte com outro chaão de Salamam touj e he tamanho huu como ho outro E doutro cabo parte com pardieyro dabraão de pinhell e de tras com campo dell rrey de contra o muro e de diante com Rua publica que uay pera o paaço del rrey de que pagam de fforo em cada huu anno ao dicto Senhor cinquo ssolldos de moeda antijga ec. em Santarem xxbiij dja doutubro de mjll iiijc xxxb annos.

           Aforamento de huua cassa na çidade da guarda na Rua que vay pera os açougues a diogo dallmeida. (Escrivão dos contos)

Dom eduarte ect.
A uos gomçalleannes nosso almoxariffe em o nosso almoxariffado da çidade da guarda e ao scpriuam desse offiçio e a todollos outros que depos nós veerem por nossos almoxariffes escpriuaaes ssaude bem ssabedes como uos per nós ffoy mandado que ssoubessees parte de huua cassa que nos auemos em a dita çidade que parte com steuam affomsso de huua parte e doutra com maria annes molher que ffoy de martim vaasquez taballiam com cassas da Judaria e per Rua pruuica que vay pera os nossos açougues sse era afforada a a allguua pessoa per nossa carta ou dos Reix que ante nós fforom e sse afforada nom ffosse que tomassees a posse della pera nós e a ffezessees meter em pregam a quem por ella mais desse aRematassees por moeda amtiga que aquell a que assy ffosse Rematada veesse a nós com estormento de rremataçam pera lhe por elle mandarmos dar nossa carta dafforamento E uisto per nós nosso mandado ssoubestes parte das ditas cassas e // achastes as em maão de diogo dalmeida nosso scpriuam dos comtos ssem as elle teer per compra nem eramça nem outro nhuu titollo que per direito as deve de teer e ssemdo destimtos por espaço de quoremta annos ou mais E tomastes dellas posse pera nós e as ffezestes meter em pregam per espaço de quatro messes e mais e nom ffoy achado quem em ellas mais quisessem lamçar que o dito diogo dalmeida que pos em ellas de fforo em cada huu anno vimte ssolldos da moeda antiga segumdo de todo ffomos çerto per huu estromento pubrico ffeito per aluaro ffernandez nosso scpriuam do dito almoxariffado e assynado per nos e ora veo a nós o dito diogo dalmeida com o dito estormento e nos Requereo que lhe mandassemos dar nossa carta dafforamento das ditas cassas E por quamto nossa merçee hé de as elle auer pello dito preço pois que sse per ellas nom achou Temos por bem e damos ao dito diogo dalmeida as ditas cassas dafforamento pera ssempre com comdiçam que elle e sseus herdeiros e sobçessores que depos ell veerem nos dem e paguem em cada huu anno os ditos vijmte ssolldos da dita moeda amtiga ou a sua dereita vallia que por ellas mandamos pagar ao tempo das pagas com comdiçam que o dito diogo dalmeida e sseus herdeiros e sobçessores adubem e rreparem e ffaçam e Reffaçam as ditas cassas de todollos adubios que lhe comprem e ffezerem mester aas suas proprias despessas e se per uemtura as ditas cassas cairem per augoa ou ffogo ou per terramotos ou per outro quall quer casso ffortoito cuidado ou nom cuidado que auer possa posto que aquy nom sseia expressamente nomeado e as alleuamtem e ffaçam e reffaçam assy de pedra e telha e madeira como de todallas outras coussas que lhe comprem e ffezerem mester aas ssuas custas em tall guissa que seiam melhoradas e nom pejoradas e com comdiçam que sse o dito diogo dalmeida e sseus herdeiros e ssobçessores que depos ell veerem quisserem vemder as ditas cassas com sseu fforo alguuas pessoas ou pessoa que as nom possam vemder atee que o primeiramente nom ffaçam ssaber a nós ou a nosso almoxariffe sse as queremos pera nós tamto por tamto quamto outrem por ellas der E sse per uemtura as nós nam quissermos filhar pello preço que per elles derem mandamos que as vendam e possam vemder com emcargo a tall pessoa ou pessoas per que nós possamos auer a dita pemssam e nom seia de mayor comdiçam que o ssobredito diogo dalmeida e sseus sobçessores que depos elle veerem que sseiam taaes que cumpram e guardem as ditas comdiçooens e emcargos ssusso ditos com tamto que nom sseja clerigo nem frade nem homem nem molher de Religiom nem caualleiro nem dona nem escudeiro nem mouro nem judeu o quall diogo dalmeida sse obrigou a comprir e manter todallas coussas comtheudas em este comtrauto sob obrigaçam de todos sseus beens moues e de rraiz auidos e por aueer que pera ello obrigou.
E porem mandamos ao dito gonçalleannes nosso almoxariffe em a dita çidade da guarda e ao scpriuam do dito offiçio e aos que pos elles veerem por nossos almoxariffes e escpriuaães e a todollos juizes e justiças e a outros quaaes quer que esto ouueram de uer pera quall quer guissa que sseia a que esta carta ffor mostrada que a compram e guardem e ffaçam comprir e guardar assy e tam compridamente como em ella he comtheudo ssem outro nhum embargo que sobre ello // ponham e ffaçam rregistar esta ssobre dita carta em os liuros do dito almoxariffado pera em cada huu anno pera nós aRecadarem o dito fforo e o dito diogo dalmeida tenha pera ssua guarda he all nom ffaçades.
         Dada em torres vedras a dez dias doutubro ell Rey o mandou per diogo ffernandez dalmeida do sseu comsselho e veedor da ssua ffazemda Ruy vaaz a ffez era de mjll e iiijc xxxvj annos.

    Nota dos editores - As fotografias são da autoria de Miguel Nuno Peixoto de Carvalho Dias.
    Fontes - Chancelaria de D. Duarte, Livº 1º,fls.165 vº, 166, 166 vº, 172 vº, 173, 173 vº, 174, 235, 235 vº, 243 vº, 244, 244 vº.
Beira 1, fls 243, 243 vº e 244.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Covilhã - Inquéritos à Indústria dos Lanifícios III

Inquérito Social I


  Começamos hoje a publicar um inquérito social “Aspectos Sociais da População Fabril da Indústria dos Panos e Subsídios para uma Monografia da mesma Indústria” da autoria de Luiz Fernando Carvalho Dias, realizado em 1937-38 quando o Salazarismo já estava implantado em Portugal e o Corporativismo espalhado numa parte da Europa.
Antecedemo-lo de reflexões de Luiz Fernando Peixoto de Carvalho Dias, seu filho mais velho.

“É um inquérito social às condições dos trabalhadores (operários e empregados) da indústria de lanifícios, “Aspectos Sociais da População Fabril da Indústria dos Panos e Subsídios para uma Monografia da mesma Indústria”, que Luiz Fernando de Carvalho Dias projectou e dirigiu a pedido da Federação Nacional dos Industriais de Lanifícios nos anos de 1937 a 1939.
Assim, para além dos dados objectivos interessantes que uma inquirição sempre apresenta, parece-nos ser de relevância o facto da sua fase de recolha de dados, e destacamos que foi um inquérito dirigido a todo o universo dos trabalhadores, operários e empregados afectos à indústria dos lanifícios num total, entre homens e mulheres, de 12.863, ter sido levado a cabo no ano de 1937.
A Federação Nacional dos Industriais de Lanifícios (FNIL), organismo de cúpula da Organização Corporativa que agregava de forma obrigatória as unidades industriais de lanifícios em cinco grémios, segundo a sua implantação geográfica (Grémio da Covilhã, Grémio de Gouveia, Grémio do Norte, Grémio da Castanheira de Pêra e Grémio do Sul), resolveu, por deliberação da sua Direcção, realizar uma inquirição exaustiva quanto ao universo da mão-de-obra afecta à actividade, que desse uma fotografia do seu ambiente social e económico.
Com os seus vinte e três anos de idade e finalista em Ciências Jurídicas foi Luiz Fernando de Carvalho Dias incumbido do trabalho, sendo, deste modo, o responsável pela esquematização do inquérito, pela organização, formação e coordenação das equipas que coligiram os dados e pelo trabalho de análise e síntese que levou ao relatório agora a divulgar.
E só agora, porquê e como?
A razão para que a FNIL (organização patronal) não tivesse publicado o trabalho apresentado radicou essencialmente e em primeiro lugar, na discordância da sua Direcção, na qualidade de “Dona da Obra”, quanto às conclusões e observações feitas pelo autor que, por sua vez, não concordou em retirá-las do texto e, em segundo lugar, na necessidade política, entretanto constatada, de não convir dar transparência a dados objectivos que o Inquérito revelava, fora do crivo do Instituto Nacional de Estatística.
Vem agora a propósito enquadrar ou contextualizar este inquérito com a época em que Luiz Fernando Carvalho Dias foi incumbido de o organizar: Ora a Constituição de 1933 fora publicada em 22 de Fevereiro, plebiscitada a 19 de Março e a vigorar em 11 de Abril desse ano. Sucessivas alterações à sua redacção por Leis publicadas entre 1935 e 1938 levam-nos à publicação oficial do texto consolidado em 11 de Agosto de 1938. Quer isto dizer que é neste período que o regime político designado por salazarismo se consolidou e foi progressivamente edificado o regime corporativo, sendo 1936 o ano de implementação da Federação Nacional dos Industriais de Lanifícios. Por outro lado, no campo externo, verificamos tratar-se dum período onde se nota, ainda, grande turbulência social e económica, com os reflexos da Grande Depressão a influenciarem as economias ocidentais, apesar de se vislumbrar já o despontar do optimismo da economia americana, mercê da implementação do New Deal, em Março de1933.
Os dados recolhidos, embora ostentem a iniciativa dum organismo que aglutinava o patronato, tem na óptica dos fenómenos sociais e económicos a pertinência histórica de se situar entre a queda da 1ª. Republica e a implementação do Estado Novo. Exemplo disso, na Covilhã, será a referência às duas organizações sindicais existentes na altura. Uma, de influência católica, dirigida pelo Padre Boaventura de Almeida, convertido à acção católica em França, ele que fora ali militante comunista; outra, de índole anarco-sindicalista, que desenvolvia a sua actividade à volta da associação de classe constituída pela “Casa do Povo”, dirigida por José Caetano, ex-tecelão que estivera, também, em França, frequentara uma escola revolucionária e, na altura, dirigia o Jornal “O Trabalho”, de natureza profissional e anarco-sindicalista. Pois era ali, na “Casa do Povo”, sede daquela organização que o dinamismo de José Caetano atingia o clímax da sua acção revolucionária nas célebres “Assombleias”, reuniões de grande frenesim social e de frequência diária que agitaram a Covilhã nos primeiros anos da década de 30 do século passado.
O amortecimento de tanta turbulência foi resolvido com a entrada em funções dos Delegados do INTP na Covilhã e com a acção por eles desenvolvida. O primeiro Delegado foi João Ubach Chaves e o segundo Antero Santos da Cunha.
Esteve o relatório e o conjunto vasto de dossiês que continham as fichas de inquirição que o justificam, depositado num arquivo/armazém da FNIL até Maio de 1974, altura em que o filho mais velho do autor foi contactado pelo Presidente da Comissão Liquidatária deste Organismo Corporativo no sentido de colher o seu interesse na recuperação de toda aquela documentação, uma vez que por necessidade da desafectação do espaço iria tudo ser destruído. Por incapacidade de rearmazenamento foi prescindido o conjunto de dossiês em número que ascenderiam a seis dezenas, tendo sido recolhido o relatório que se manteve na sua posse até agora, altura em que foi julgado pertinente a sua inserção neste blogue, uma vez constatado o seu interesse como documento histórico.
Com efeito, sendo objectivo principal do blogue trazer a público o espólio que o nosso Pai deixou, relacionado com a investigação histórica que fez desde os seus dezoito anos sobre a sua Pátria - A Covilhã - tem todo o cabimento o presente conteúdo (o Inquérito e afins) uma vez que relaciona uma actividade social e económica que tem o seu expoente máximo no velho burgo serrano.       .
     Reflexões de Luiz Fernando Peixoto de Carvalho Dias,
     filho mais velho de Luiz Fernando Carvalho Dias,
     o autor da obra a publicar

****

Capa da Obra
Agora a obra de:
Luiz Fernando de Carvalho Dias
Licenciado em Direito

Aspectos Sociais da População Fabril da Indústria dos Panos
E
Subsídios Históricos para uma Monografia das Mesma Indústria
(Relatório duma inquirição social – 1937-1938)
Lisboa
MCMXXXIX

Inquérito Social
Determinou a Federação Nacional dos Industriais de Lanifícios levar a efeito um Inquérito Social às condições de vida e trabalho dos operários da sua indústria, de que fui encarregue.
Constou esse inquérito do seguinte:
a) Inquirição de todos os operários da Indústria de Lanifícios, preenchimento de um boletim referente a cada um deles, boletim esse, o mais completo possível contendo perguntas que mais directamente podiam interessar à elaboração de estatísticas: De início fez-se também um estudo psicológico do operário em questão, método que teve de ser posto de parte ao fim das primeiras fábricas visitadas por se chegar à conclusão que se tornava o inquérito demasiadamente demorado e exigia que ele fosse elaborado só por uma pessoa. Juntamente com esse trabalho de inquirição fez-se uma fiscalização geral e apertada aos salários, ouviram-se queixas dos operários e estabeleceu-se contacto directo com as suas primeiras reivindicações.
b) Em seguida distribuiram-se os boletins preenchidos conforme as firmas onde os operários trabalhavam, segundo a sua profissão, por 52 dossiers, atendendo também à divisão pelos Grémios e por localidades dentro de cada Grémio. Estes boletins contêm duas numerações, uma que diz respeito à firma e outra que é a numeração geral de todo o inquérito, começando pelo Grémio da Covilhã, Gouveia, Sul, Castanheira de Pera e acabando no Grémio do Norte. Cada empresa contém o seu índice de profissões distribuidas por ordem alfabética, indicado a ordem dos boletins. Cada dossier contém ao mesmo tempo o índice das empresas agrupadas nele.
c) Pela necessidade de haver um duplicado dos dossiers, através do qual fosse mais fácil a consulta do inquérito, organizou-se esse duplicado, em grandes folhas, agrupadas por fábricas em 4 grandes dossiers, dizendo respeito cada um deles aos respectivos Grémios.
d) Feito este trabalho, estudou-se o número de estatísticas a organizar, para que o relatório pudesse dar uma ideia verdadeira, ou melhor, tanto quanto possível verdadeira, do estado social das populações que se dedicam ao fabrico dos panos e às indústrias anexas. Estudou-se ao mesmo tempo quais as estatísticas completas que seria preciso organizar para a constituição da Caixa de Previdência, de uma Caixa de Reforma e do estabelecimento de um salário familiar.
e) Organizaram-se as seguintes estatísticas:
1- Dos operários conforme as idades, distinguindo, dentro de cada Grémio, os masculinos e os femininos.
2- Dos operários que sabem ler e escrever, dentro de cada Grémio, com a distinção de sexos e conforme a idade.
3- Das profissões.
4- Do tempo de profissão, comparado com a idade do operário, (com intervalos) de 10 em 10 anos e de 5 em 5 anos (desta estatística constituiram-se dois cadernos cuidadosamente arranjados, com o título seguinte: “Breve Notícia dos Operários da Indústria de Lanifícios …”).
5- Dos salários, contendo 5 estatísticas distintas, que são como seguem:
a) dos operários que aumentaram o salário, com a circular nº 5
b) dos operários que mantiveram o seu salário.
c) dos operários que ganham mais que o estabelecido como salário mínimo.
d) dos operários que ganham menos que o estabelecido pela circular nº 5, à data do inquérito.
e) dos operários que subiram o seu salário com a circular nº 5, mas ainda não atingiram o mínimo por ela indicado.
6- Dos operários que estiveram desempregados no ano anterior ao Inquérito.
7- Da profissão: Do pai se é filho nascido do casamento; Da mãe se é filho nascido fora do casamento e não reconhecido.
8- Dos operários membros da Associação de Previdência ou funerárias.
9- Estatística complexa onde se comparam o estado dos operários que têm filhos, atendendo ao sexo, à idade, à idade dos filhos; divididos conforme o número de filhos. Nesta estatística aparece também a totalidade dos filhos dos operários, conforme os Grémios. Estes quadros dão possibilidade de atender ao aumento da população, estabelecer os encargos da família, de verificar o número de casais a subsidiar no caso do estabelecimento do salário familiar, etc. Dos operários viúvos.
10- Dos operários casados pela Igreja e pelo Civil, ou só pelo Civil, dos que vivem em união de facto, separados por viuvez, divórcio ou separação e que não têm filhos.
11- Dos cônjuges femininos dos operários de lanifícios que trabalham na indústria.
12- Das rendas de casa que pagam os operários da indústria de lanifícios, atendendo ao Grémio e à naturalidade.
13- Dos operários possuidores de casa própria.
14- Dos operários possuidores de terra.
15- Dos operários que cultivam terra alheia.
16- Dos operários que têm assistência médica, fornecida pela fábrica ou por alguma instituição de socorros.
17- Das naturalidades de todos os operários da indústria de lanifícios.
18- Dos operários que prestaram serviço militar conforme a sua idade.
19- Salários dos mestres, e de outras indústrias que figuram no salário familiar dos operários de lanifícios. Este mapa tem por fim estabelecer uma comparação de salários nas localidades onde haja alguma unidade da indústria dos lanifícios.
20- Mapa contendo a distribuição da indústria de lanifícios no País.
21- Das empresas conforme o número de operários que empregam.
22- Mapa dos salários de empreitada, à altura do Inquérito, etc.

Elaboradas as estatísticas, efectuei um relatório com vários capítulos e títulos.

Este relatório começou a ser escrito no dia 15 de Novembro de 1938 e foi apresentado à FNIL, preparado a ser dactilografado no dia 28 de Fevereiro de 1939. Porém a direcção da FNIL, pela boca do seu Exmo Director e pelo Exmo Delegado do Governo, consultada a Direcção, resolveu comunicar-me, o que me desvaneceu, que“por se achar o estudo muito completo e digno de ser ampliado”, desejava que eu me ocupasse dele até fins de Março e lhe juntasse alguns elementos históricos.
Quem se der ao trabalho de folhear este modesto trabalho, verificará que o tempo que me deram, foi demasiadamente exíguo para esta tarefa. Tanto o Presidente da FNIL como o delegado do Governo o reconheceram e, por isso, permitiram que, por minha conta e livre iniciativa, lhe dedicasse mais estudo e trabalho, depois de ter abandonado esse organismo.
A cópia à máquina, a disposição, a correcção, o aumento do trabalho foram pois retirados às horas da minha vida particular. Muitos documentos foram copiados e procurados também nessas horas.
Este trabalho é de novo apresentado, e definitivamente, à Direcção da FNIL, em Novembro de 1939. A minha vida particular não se compadeceu com uma demora menos dilatada: parece-me que não tenho que responder perante ninguém do tempo que me pertence e distribuo conforme desejo.
Antes de terminar este preâmbulo, desejo fazer duas observações: a primeira, de que quando fui encarregado pela Direcção da FNIL de realizar um Inquérito Social, me foi dito simplesmente: “realize um Inquérito Social”. Para ele não recebi indicações, nem planos; tudo o que fiz, foi produto do meu trabalho, do meu estudo, da minha orientação. Pertence-me, por isso, este estudo. Declaro que das críticas sou o responsável, pois dos problemas que abordo, não houve um que não tratasse com a máxima liberdade: as opiniões que emito são, por conseguinte, minhas e delas a FNIL não tem responsabilidade.
A segunda observação diz respeito à ajuda que me prestaram as pessoas seguintes, a quem deixo aqui o meu reconhecido preito: ao Dr. Ubach Chaves, pelo auxílio e colaboração que teve na elaboração do boletim de Inquérito; ao Dr. Gerardo Ferrão, pelas indicações de ordem industrial que me prestou, assim como o grande auxílio na elaboração das estatísticas e no preenchimento dos boletins do Grémio do Sul; ao Sr. Ramiro de Vasconcelos, que dactilografou as estatísticas que fazem parte do anexo 2º; aos Srs. Fiscais da FNIL, que preencheram centenas de boletins. A todos, com os meus agradecimentos, a parte que lhes compete, na realização do Inquérito Social.

Capitulo I
Distribuição da Indústria pelo País

A indústria de lanifícios desenvolveu-se em certas regiões do país mais do que noutras.
Os seus centros principais são no concelho da Covilhã e no concelho de Gouveia. Embora outras terras tivessem na sua tradição motivos bastantes para se dedicarem à indústria dos panos, a verdade é que esqueceram as razões que levaram os seus ascendentes a dedicarem-se a este ramo de actividade industrial.
A Serra da Estrela, nas suas abas, guarda assim o principal centro desta indústria. De raízes históricas profundas, consagram-na várias disposições e favores régios, tendo sempre estes em vista que a produção nacional atingisse o consumo.
D. Sebastião deu à indústria de lanifícios o seu primeiro regimento datado de 1570. D. João V seguindo na esteira de D. Pedro II, como depois o Marquês de Pombal, procurou tirar à indústria o seu carácter primitivo e modernizar-lhe os métodos e os instrumentos de fabricação. Nota-se então uma tendência acentuada para a indústria se consolidar definitivamente e abandonar o carácter caseiro que até aí mantivera. Várias circunstâncias concorriam para que a região da Serra fosse a mais apta para o desenvolvimento da indústria de lanifícios:
1º - A dificuldade no amanho das terras. As terras da região são terras altas e, por isso, as culturas dispendiosas, o que leva os habitantes a procurar outros meios de vida que não a agricultura.
2º - O gado lanígero deu ao homem, pelo grande número de pastagens existentes na Serra, possibilidades de aproveitar a lã, fabricando panos que lhe davam o sustento, pelo trabalho.
3º - Influências semitas, com toda a tendência que a gente judia tem para o desenvolvimento do comércio, vieram facilitar o desenvolvimento da indústria.
4º - Quando chegaram as primitivas máquinas, como já antes acontecera para a lavagem da lã, as quedas de água corresponderam perfeitamente às necessidades da indústria.
A região da Serra tinha, pois, todas as condições exigidas para que a primitiva indústria se desenvolvesse e prosperasse.
Além das vantagens expostas, oferecia esta região, um pessoal especializado com uma tendência natural para tudo o que dissesse respeito a este ramo de actividade.
A indústria não tem, na região de Castanheira de Pera, as tradições da região serrana; na sua forma primitiva, embora as bases para o afirmar não sejam muitas, a tecelagem caseira não deve ter existido nessa região. Podemos contudo pela organização da sua indústria apresentá-la como um complemento da região da Serra.
Naquelas regiões onde predominam as grandes unidades industriais e que constituem o Grémio do Sul, a indústria de lanifícios como tal, não tem tradições algumas. Não vive nelas o tipo de operário definido, a indústria aparece nessas regiões não pela via da tradição, mas simplesmente porque isso aprouve aos industriais; predomina o tipo de fábrica completa, empregam-se operários especializados de outras regiões; os donos das fábricas ou são estrangeiros ou, sendo nacionais, não têm na geração ninguém que se dedicasse a este ramo de actividade.
No Grémio da Covilhã vemos, em Unhais da Serra, uma grande empresa, exactamente numa localidade onde predomina a indústria caseira, empresa que se fundou contudo por razões de ordem especial: desejo de fugir à agitação revolucionária e de aproveitar uma mão-de-obra muito mais barata.
Como centros de artigos regionais sobressaiem Mação, Minde e os Trinta. Dedicam-se estas regiões ao fabrico de cintas, buréis, alforges, surrobecos e mantas.
A lista que se segue indica a divisão da indústria e completa quaisquer comentários que houvéssemos de fazer sobre este assunto:


Grémio da Covilhã
Covilhã
126
industriais
Teixoso
-
só operários de tecelagem
Tortozendo
22
industriais
Unhais da Serra
2
industriais
Aldeia de
Carvalho
1
industriais
Freguesias do concelho da Covilhã
há tecelagem dispersa
Castelo Novo
1
industriais
Retaxo
6
pequenos industriais
Cebolais
31
pequenos industriais


Grémio de Gouveia
Alvoco da Serra
2
industriais
Manteigas
16
industriais
Loriga
11
industriais
Mesquitela
1
industriais
S. Romão
16
industriais
Guarda
1
industriais
S. Marinha
2
industriais
Maçainhas
25
minúsculos industriais
Vodra
5
industriais
Trinta
32
minúsculos industriais
Gouveia
6
industriais
Meios
20
minúsculos industriais
Moimenta Serra
2
industriais
Mosteiro de Frágoas
1
industriais
Melo
2
industriais
Portodinho
2
industriais
Paços da Serra
9
industriais
Folgosa do Salvador
1
industriais
Rio Torto
1
industriais
Parada de Conta
2
industriais
S. Paio
4
industriais
Vila Moinho
1
industriais
Vinhó
1
industriais
Viseu
1
industriais
Figueiró da Serra
1
industriais


Grémio do Norte
Grémio de Castanheira de Pera
Porto
13
industriais
Coentral Grande
4
industriais
Viana do Castelo
1
industriais
Castanheira de Pera
36
industriais
Arrancada do Vouga
1
industriais
Pedrógão Grande
2
industriais
Famalicão
1
industriais
Figueiró dos Vinhos
6
industriais
Guimarães
2
industriais
Avelar
11
industriais
S. João da Madeira
1
industriais
Ansião
1
industriais
Mira de Aire
7
industriais


Grémio do Sul
Vale de Góis
1
industriais
Alhandra
1
industriais
Mação
17
industriais
Lisboa
5
industriais
Coimbra
1
industriais
Portalegre
1
industriais
Minde
35
industriais
Alhandra
1
industriais
Alenquer
2
industriais
Arrentela
1
industriais
Vila Franca de Xira
1
industriais
Alvares
1
industriais


Nota dos editores –Iniciamos a publicação do Inquérito e recordamos que usamos a letra – Courier New – para escrevermos as nossas informações ou opiniões; a letra – Times New Roman – para tudo o que Luiz Fernando Carvalho Dias nos deixou. Hoje ainda usamos a letra - Arial - nas reflexões de Luiz Fernando Peixoto de Carvalho Dias.