segunda-feira, 23 de julho de 2012

Covilhã - Inquéritos à Indústria dos Lanifícios IV, II


 Inquérito Social II

    Continuamos a publicar um inquérito social “Aspectos Sociais da População Fabril da Indústria dos Panos e Subsídios para uma Monografia da mesma Indústria” da autoria de Luiz Fernando Carvalho Dias, realizado em 1937-38.


Capítulo II

A Grande e a Pequena Empresa

Pode afirmar-se que na indústria de lanifícios não aparece a grande empresa. Comparadas as maiores unidades de produção que a cons­tituem, com as grandes empresas doutras indústrias ou com as suas similares estrangeiras, somos levados a concluir que, em Portugal, não existe neste ramo de produção o colosso económico.
Se atendermos porém ao pequeno espaço que, nas estatísticas, cabe ao nosso mercado dos panos, talvez espantem aquelas empresas que para nós parecem grandes, a que chamaremos grandes-pequenas empresas, e haja por isso que rectificar a opinião exposta de que não nos flagelam os grandes potentados económicos.
Essas grandes-pequenas empresas têm a sua explicação. Na indústria sucede o mesmo que na agricultura; conforme a natureza e o momento da transformação assim deve ser o modo de explorar. No Alentejo predomina a grande propriedade ao passo que na Beira e no Minho a terra encontra-se dividida. A água, a natureza dos terrenos e das culturas, o clima, explicam e aconselham esta diversidade de exploração.
O mesmo acontece na indústria de lanificios. Nela vamos encon­trar certos momentos em que a perfeição do produto exige maquinismos excessivamente caros, cujo rendimento só é possível sem alterar o preço com o aumento da produção.
Deste modo se explica que nas fábricas de preparação e fiação encontremos a indústria mais aglomerada, maiores estabelecimentos industriais, um número mais elevado de pessoal.
À organização industrial compete impedir o alargamento descomu­nal destas grandes-pequenas empresas, porque como diz o grande economista alemão Werner Sombart, existe um “optimum determinado para a concentração. Tudo o que seja avançar para além dele é transformar as vantagens em inconveniências.
Permitida a grande empresa nos casos raros em que ela é economicamente útil e socialmente defensável, dentro daqueles limites que a moral e o interesse comum aconselham, ficarão salvaguardados os direitos dos pequenos e os princípios da Justiça.
Dos perigos e inconvenientes da grande empresa, nem dos seus possíveis benefícios, não nos compete aqui tratar. Vamos, por isso, em marcha acelerada referirmo-nos às firmas industriais, adoptando como critério o número dos seus operários.


Mapa das Empresas, conforme os operários que empregam

Operários
Covilhã
Gouveia
Castª Pera
Sul
Norte
- 10
117
24
58
31
4
10 a 20
43
21
7
1
3
21 a 30
17
8
2
2
3
31 a 50
16
11
4
1
2
51 a 70
9
5
4
0
2
71 a 80
2
1
1
1
0
81 a 100
6
0
2
1
0
101 a 150
8
7
1
4
2
151 a 200
1
0
1
1
0
201 a 250
0
0
0
3
0
251 a 300
0
0
0
1
0
301 a 350
1
1
0
1
0
351 a 400
2
0
0
1
0
     435
0
1
0
0
0

Covilhã: Com menos de dez operários não vão incluídos na estatística cerca de trinta e oito pequenos industriais da Covilhã, alguns dos quais é possivel que não fabriquem hoje. Nestes operários não estão também incluídos os tecelões manuais das aldeias do concelho, num total de 1.200, pois só existem os boletins dos tecelões manuais do Teixoso. Refere-se portanto esta estatística às unidades de trabalho pertencentes aos industriais e, em laboração, aquando do Inquérito. Outras existiam mas dessas não curámos por não estarem ocupadas com operários. Cebolais figura neste quadro com 4 industriais com menos de dez operários, 11 de dez a vinte, 3 de vinte e um a trinta. 1 de trinta e um a cinquenta. As duas maiores fábricas da Covilhã têm respectivamente 388 e 393 operários. Só no Teixoso há 295 tecelões manuais.
 Gouveia: As duas maiores fábricas de Gouveia têm respectivamente 435 e 322 operários. Não se incluem os industriais que não têm operários na indústria regional dos Trinta, Meios e Vale de Estrela e Maçainhas.
Castanheira de Pera: As duas maiores fábricas de Castanheira têm, respectivamente, 101 e 160 operários. Faltam 13 industriais de artigos regionais que não figuram na estatística, porque não empregam operários.
Sul: Todos os industriais com menos de oitenta operários, salvo três excepções, pertencem às regiões de Mação e de Minde. Com menos de dez operários Minde tem 24 industriais e Mação 6. Não se incluem operários dos pequenos industriais caseiros que acumulam a qualidade de patrões com a de operários – 18. As duas maiores fábricas do Sul têm, respectivamente, 370 e 339 operários.
Norte: As duas maiores fábricas do Grémio do Norte têm a seguinte popula­ção fabril:145 e 127.
A estatística apresentada oferece-nos o aspecto consolador de uma indústria pouco concentrada. O grémio onde a concentração predomina é o grémio do Sul. Lisboa é o tipo da grande cidade onde é dificil pulular a rede dos pequenos industriais, que não são mais do que filhos de uma indústria de tipo caseiro; com a anexação ao seu (o do Sul) grémio das fábricas completas de Arrentela, Santa Clara e Portalegre, representa bem o fulcro de um movimento capitalista dentro dos lanifícios.
Os pequenos centros de Mação e Minde ficam deslocados, com a sua indústria caseira e primitiva, ao lado destas grandes empresas do gré­mio do Sul. Neste grémio com cerca de metade dos operários do grémio da Covilhã, as referidas empresas e mais algumas que não referimos, agrupam-se entre a casa dos cem e dos quatrocentos operários.
Na Covilhã predomina, ao contrário, o pequeno industrial e ainda o industrial médio.
Se os pequenos preocupam os planificadores da economia e, por vezes sacrificam a uma relatividade aliás mínima a certeza matemática da pro­dução, têm por si a vantagem social de oferecer aos operários o exemplo da economia e da poupança e incitar-lhes o desejo de adquirir os instru­mentos base do trabalho e poderem ascender eles ou os filhos ao patronato.
Se essa ascensão tem todos inconvenientes adstritos a uma subida veloz à grande burguesia, dificultada mas não proibida a ascensão, moderados e retardados nela, será possível criar outra vez essa admirável pequena burguesia, vasta ponte de passagem, onde se caldeiam as mais no­bres virtudes, onde se aprendem os actos de educação e rigidez que moldam o carácter para a formação de uma aristocracia florescente.
Não nos admiremos que o operariado da Covilhã forneça quase sem­pre os seus industriais. Com as reticências postas acima nada impede que aquilo que foi e é tradição continue pelo futuro.
Sendo a fonte da indústria dos lanifícios, a velha indústria caseira do tear da lã, ao princípio era o operário, com a família, o fiandeiro, ele o tecelão, ele o mercador, ele o feirante, em suma, aquele que açambarcava todas as funções que vieram depois, especializar-se pela di­visão de trabalho, através da técnica.
Este conceito da indústria caseira ainda perdura naqueles centros que se dedicam aos artigos regionais.
Em Gouveia e em Castanheira de Pera, fruto da mesma origem tradicional da indústria lá vamos encontrar o seu fiel representante, ainda não aglutinado pela nova economia, o pequeno industrial. A indústria de Lisboa está no polo oposto ao tipo de indústria que acabamos de referir, como indústria que é caracterizadamente capitalista não só na racionalização de métodos industriais, mas na técnica moderna; neste grupo devemos filiar as três grandes fábricas do grémio da Covilhã e as duas do grémio de Gouveia. Não se discute se para a economia nacional, e é sob este prisma que o problema tem de ser olhado, a grande empresa é mais económica, mas quais são os inconvenientes de ordem social que ela traz consigo e quais são os casos em que a natureza da exploração a justificam e exigem.
Já vimos atrás onde ela era de admitir. Vejamos agora onde ela de­ve ceder à pequena exploração. Para isso exige-se primeiro a resolução deste problema que vamos pôr em abstracto: fábrica completa ou fábrica especializada.


                                               *        *        *

Parece que segundo a ordem da tradição, o normal seria a adopção do critério da fábrica completa. Ela é filha legítima de um conceito a que podíamos chamar unitário, da indústria. O mesmo industrial a preparar, o mesmo industrial a fiar, o mesmo industrial a tecer, o mesmo industrial a ultimar, e o mesmo industrial a vender ao consumidor. O armazém por con­ta própria, viria assim substituir a feira acabando com o armazenista, explorador do público e dos industriais através de fecundíssimas falências.
Para nos pronunciarmos por este critério unitário, mesmo sob o pon­to de vista abstracto era preciso esquecermos o princípio utilíssimo da divisão do trabalho que necessariamente atinge os diversos momentos duma mesma exploração. A fábrica completa seria além disso difici1 de conse­guir pelo custo excessivo de certas máquinas e pela concentração económi­ca a que a sua compensação havia de levar.
A fábrica especializada, ou seja aquela que se limita a trabalhar a lã num ou em alguns dos passos do seu calvário tem grandes vantagens: a) - muito maior facilidade de realização e menor empate de capitais; b) - aperfeiçoamento técnico em determinado ramo da produção; c) - extensão dos benefícios da indústria pelo maior número; d) - a consequente facilidade da desproletarização e ascensão patronal; e) - maior especialização no trabalhador que sobe a industrial.
 Com quanto aquilo a que chamamos o conceito unitário da indústria em que filiamos a fábrica completa, tenha sido a célula mãe da organização industrial, a verdade é que anteriormente ao capitalismo e por virtude do princípio da divisão do trabalho, o princípio da especialização presidiu já a toda a organização corporativa dos lanifícios.
O regimento de D. Sebastião, o regimento de D. João IV, a reforma de D. Pedro II assentam no princípio da especialização; a reforma do Marquês de Pombal respeita-o, embora tivesse procurado estabelecer o tipo de fábrica completa e os seus conceitos económicos, através da criação das companhias, produto de um cérebro afeito à ideia de realizar o capitalismo de Estado. As companhias do Marquês de Pombal têm, por isso, alguma coisa de semelhante com certos tipos actuais de corporações fechadas, ao serviço da ideia de Estado cesarista, monopolizador e tirano, que veio depois substituir a técnica não menos tirana do monopólio capitalista.
Por todo o século XVII e por todo o século XVIII e mesmo pelos princípios do século XIX, a não ser esta influência estatista que acabamos de referir, a oficina especializada floresceu sempre e predominou na Covilhã industrial.
A fábrica completa predomina hoje, como já dissemos, naquelas regiões onde a indústria apareceu, não por razões de ordem tradicional, mas simplesmente por razões individuais e lucrativas de um ou outro capitalista; predomina também, pela mesma razão, em lugares onde não existem outras fábricas.
As fábricas especializadas ou aparecem sob a forma de grandes unidades de fiação, preparação ou penteação já referidas e cuja razão já foi explicada, ou então são as pequenas ou médias oficinas que se completam umas às outras e vivem sobretudo, na região tradicional dos lanifícios que é a Serra da Estrela.
A mesma estatística que apresentámos conduz-nos a esta distinção. As pequenas unidades de trabalho predominam em todos os grémios, salvo no Sul e ainda com excepção de Mação e Minde, são em geral fábricas especializadas onde predomina uma única secção ou existe só uma secção. É natural que as fábricas, isoladas dos grandes centros industriais, sejam completas porque não têm facilidade de mandar ultimar e tingir aqui e além. Seria muito dispendioso. Na Covilhã nota-se o contrário; verifica-se um constante descongestionamento, ou seja, uma constante especialização, cujas origens, como dizemos atrás, se devem filiar no princípio da divisão do trabalho, que começou pela separação da função industrial da função mercantil ou armazenista e que foi até à separação ou especialização das diversas secções fabris.
Um operariado muito apto, afeito por tradição hereditária a estes serviços, serviu admiravelmente a tendência da indústria para a especialização, tendência em si tão vincada que nem o alto capitalismo a conseguiu dominar.
Cebolais passou assim do regime primitivo de uma indústria quase doméstica para o tipo da especialização, correndo incólume sob a era capitalista, sem lhe conquistar os benefícios e os erros.

                                                        *       *        *

Encontramos também na indústria de Lanificios, apesar da influência crescente da máquina, um forte predomínio da especialização do operário.
Um bom mestre de cardas, um bom ultimador, um bom tecelão, um bom debuxador, um bom afinador de teares, aptas metedeiras de fios e cerzideiras especializadas são a certeza de que o negócio prospera e são um meio de acredita­r o produto.
Manteve-se pois ao lado da máquina e do espirito de série que ela cria, o respeito pela habilidade e pela arte do operário. 
Embora este sinta diminuida a sua iniciativa na confecção do produto, não deixe gravada nele, como antigamente, a sua marca, alegra-se ainda com os belos trabalhos que lhe dão a executar e considera, quando conhece bem o seu mester, a beleza da sua profissão, em que se revê com amor.  
É vulgar ouvir um tecelão conversar com os colegas sobre esta ou aquela peça que teve entre mãos. Toda aquela espécie de trabalho para que se exige a colaboração especializada dum operário que não pode ser prestada por qualquer, embora seja anónima diante do público, é desejada pelo trabalhador.
Para aqueles que são somente assistentes da máquina, a quem se não exige aptidão especial, diminuídos na sua condição humana, amarrados ao trabalho sem alegria, onde não intervêm senão como autómatos, haveria que pregar a revolta contra a civilização, iludindo-os, ingloriamente, à maneira de Marx, pintando-lhes paraísos impossiveis, ou, à maneira cristã, ensiná-los, na alegria do dever cumprido, na doce e orgulhosa satisfação de ganhar o sustento pelo seu braço.
Mas se atendermos por um pouco à psicologia da maioria dos nossos operários, havemos de concordar que eles não sentem o predomínio da máquina ou do trabalho mecanizado, como coisa espiritualmente desprezíve1, mas somente a supressão da mão-de-obra a que esta pode conduzir.
Se amam os trabalhos que têm entre mãos, nem por isso sentem esta necessidade de lhes deixar a marca da sua mão, porque para eles, humildes e pobres, contenta-os bem o sustento ganho sem favor e a alegria do dever cumprido.
Se fizemos referência a esta tendência absorvente da máquina sobre o espírito do operário, que se reflecte somente numa atrofia das qua­lidades intelectuais, foi apenas para reflectir aqui um dos mais cruciantes problemas que afligem os intelectuais. Mas o operário tem que ser olhado no seu clima próprio, pelas mesmas janelas onde se debruça para assistir à vida.
Como a maioria dos industriais prefere o lucro que o anonimato lhes proporciona, têm horror em marcar os produtos da sua fabricação em criar no mercado marcas de qualidade, em honrar junto do consumidor a boa têmpera dos seus tecidos; em deixar que as fazendas nacionais sejam rotuladas com toda a casta de marcas estrangeiras, não nos admiremos que o operário não se doa também de trabalhar no esquecimento e de ser dominado pela máquina.
É impossivel furtar-nos à dura realidade do nosso tempo segundo a lei da qual todos os conceitos pessoais, como honra, brio, sentimento do dever e ainda outros, sofreram no conceito da massa uma enorme desvalorização.
A influência da máquina faz-se sentir fisica e psiquicamente, dando ao operário um ar parado e embrutecido.

 Nota dos editores - O próximo episódio - V,III - será publicado a 2 de Agosto.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Covilhã - Lista dos Sentenciados na Inquisição XXXVI


Lista dos Sentenciados no Tribunal do Santo Ofício da Inquisição de Lisboa, Coimbra e Évora, originários ou moradores no antigo termo da Covilhã e nos concelhos limítrofes de Belmonte e Manteigas.

 781    Manuel Pereira Mendes, x.n., de 29 anos, tintureiro, natural da Covilhã e morador em Monsanto, filho de Diogo Pereira ou Diogo Nunes Pereira, x.n., mercador, natural de Fronteira e de Ana Mendes ou Ana Mendes Pereira, natural da Covilhã, casado com Maria Fróis ou Maria Fróis Moniz, x.n., em 1ªs núpcias, tendo casado em 2ªs núpcias com Isabel Henriques, neto paterno de Álvaro Pereira, curtidor, natural de Fronteira e de Violante Pereira, moradores que foram na Covilhã e materno de Martinho Mendes ou Martim Mendes, mercador e de Leonor Pereira; bisneto de Gaspar Mendes e Leonor Rodrigues, pais do avô materno; de Manuel Lopes, x.v., barbeiro e de Mécia Pereira, pais da avó materna; trisneto de  Manuel Lopes e Brites Antunes, x.x.v.v., pais do bisavô Manuel Lopes; de Diogo Pereira, alfaiate e Leonor Mendes, x.x.n.n., pais da bisavó Mécia Pereira, (O pai, a mãe, a mulher, os filhos e os irmãos são os referidos sob os nºs 437, 435, 804, 941, 963, 439, 503 e 644 desta lista), de 27/2/1727 a 25/7/1728.
PT-TT-TSO/IL/28/4896                   

782    Francisco Nunes de Paiva, x.n., de 26 anos, tosador, solteiro, natural de Penamacor e morador na Covilhã, filho de Simão Rodrigues, sapateiro e de Branca Rodrigues, natural do Fundão, neto paterno de Francisco Rodrigues e de Mécia Fernandes e materno de Gaspar Rodrigues e de Catarina Lopes, bisneto de Rodrigo Mendes, natural e morador em Monsanto, pai da avó paterna; de António Rodrigues e de Isabel Nunes, pais do avô materno e de Francisco Rodrigues e Branca Lopes, pais da avó materna, (O pai, a mãe e os irmãos são os referidos sob os nºs 833, 849, 721, 722, 806, 837 e 870 desta lista), de 25/4/1725 a 7/8/1728.
PT-TT-TSO/IL/28/9914                    

783      Antónia Nunes Vargas, x.n., de 21 anos, casada com Álvaro Mendes Cardoso ou Álvaro Mendes, tratante, natural da Covilhã e moradora em Lisboa Ocidental, filha de Domingos Lopes ou Domingos Lopes Fernandes, x.n., ferreiro, natural da Covilhã e de Beatriz Nunes, x.n., natural de Idanha-a-Nova, neta paterna de Pedro Lopes , x.n., e de Isabel Lopes, x.n., e materna de Francisco Rodrigues, x.n., natural da Idanha-a-Nova e de Mécia Fernandes, x.n., natural de Monsanto. bisneta de Rodrigo Mendes, natural e morador em Monsanto, pai da avó materna; (O pai, a mãe e os irmãos são os referidos sob os nºs 658, 646, 790 e 819 desta lista), de 23/8/1727 a 25/7/1728.
PT-TT-TSO/IL/28/7627        

784      Violante Henriques, x.n., de 31 anos, casada com Domingos Lopes da Cruz, natural do Fundão e moradora em Alpedrinha, filha de Manuel Rodrigues Preto e de Leonor Mendes, naturais do Fundão, neta paterna de Pedro Rodrigues Preto, surrador, natural de Penamacor  e de Joana de Almeida, natural e moradores que foram no Fundão, bisneta de Manuel Rodrigues, o borrinhos de alcunha ?, natural de S. Vicente da Beira e Violante Mendes, natural do Fundão, pais do avô paterno; de Guiomar de Almeida, moradora em Penamacor, mãe da avó paterna, (O pai, as filhas e irmãos são as referidas sob os nºs 562, 1025, 1027, 739, 829 e 1011 desta lista), de 9/10/1727 a 26/8/1728.
PT-TT-TSO/IL/28/11402

785      Isidoro Mendes de Carvalho, x.n., de 17 anos, solteiro, mercador, natural e morador na Guarda, preso na Covilhã, filho de Manuel Mendes Henriques, x.n., mercador, natural da Guarda e de Leonor de Carvalho ou Leonor de Carvalho Fontes, x.n., natural de Trancoso, neto paterno de Manuel Mendes, x.n., mercador e Isabel Rodrigues, x.n., naturais da Guarda e materno de António Carvalho Fontes, x.n., tratante, natural de Trancoso, e de Leonor Pinto, bisneto de Francisco de Almeida, Morgado das Antas, x.v. e Leonor Carvalho, x.n., (Os irmãos são os referidos sob os nºs 889 e 892 desta lista), de 25/5/1727 a 27/10/1729; e 2ª vez de 2/6/1731 a 14/10/1732.
PT-TT-TSO/IL/28/2290 e 2290-1

786      Inês Gomes, x.n., de 15 anos, solteira, natural da Covilhã e moradora em Quadrazais, filha de Mateus Oróbio Furtado ou Mateus Oróbio, mercador e de Catarina Navarro, natural de Fuente Beguna, Castela, neta paterna de João Francisco Oróbio ou João Navarro, natural de Sevilha, Espanha e de Inês Gomes Furtado ou Inês Gomes, natural de Trancoso e materna de Manuel Lopes Álvares, natural de Sevilha, morador que foi na Covilhã e de Inês Gomes, natural de Espanha, bisneta de Mateus Oróbio, mercador e de Maria Manuel Navarro, pais da avó paterna e de João Álvares e Catarina Navarro, pais do avô materno e de Manuel Gomes e Ana Lopes, pais da avó materna, (A mãe e os irmãos germanos e consanguíneo são os referidos sob os nºs 728,  944, 1026 e 789 desta lista), de 31/1/1727 a 3/8/1728.
PT-TT-TSO/IL/28/9477                                
                       
787      Paula Maria, parte de x.n., de 20 anos, solteira, natural de Penela e moradora na Covilhã, filha de António Soares de Mendonça e de Catarina Rodrigues, naturais de Lindim, Guarda, de 13/8/1727 a 15/7/1728.
PT-TT-TSO/IL/28/11395                              

788      Maria Henriques, x.n., de 23 anos, casada com António Nunes, sapateiro, natural e moradora na Covilhã, filha de Pedro Lopes, x.n., sapateiro e de Ana Nunes, x.n., (O marido é o referido sob o nº 753 desta lista), de 15/5/1727 a 3/8/1728.
PT-TT-TSO/IL/28/8258                   

789    Leonor Mendes, x.n., de 17 anos, solteira, natural da Covilhã e moradora em Quadrazais, filha de Belchior Mendes que foi mercador e de Catarina Navarro, natural de Fuente Beguna, Castela (1º casamento desta), neta materna de Manuel Lopes Álvares, natural de Sevilha, morador que foi na Covilhã e de Inês Gomes, natural de Espanha, bisneta de João Álvares e Catarina Navarro, pais do avô materno e de Manuel Gomes e Ana Lopes, pais da avó materna, (A mãe e os irmãos uterinos são os referidos sob os nºs 728, 786, 944 e 1026 desta lista), de 19/10/1726 a 3/8/1728,  Auto da Fé de 2/7/1728.
PT-TT-TSO/IL/28/4903        

790    Domingos Lopes ou Domingos Lopes da Cruz, x.n., de 30 anos, tendeiro e tratante, natural de Idanha-a-Nova e morador em Alpedrinha, casado com Violante Mendes ou Violante Henriques, x.n., natural do Fundão, filho de Domingos Lopes ou Domingos Lopes Fernandes, x.n., ferreiro, natural da Covilhã e de Brites Nunes, x.n., natural de Idanha-a-Nova, neto paterno de Pedro Lopes , x.n., e de Isabel Lopes, x.n., e materno de Francisco Rodrigues, x.n., natural da Idanha-a-Nova e de Mécia Fernandes, x.n., natural de Monsanto, bisneto de Rodrigo Mendes, natural e morador em Monsanto, pai da avó materna; (O pai, a mãe a mulher, as filhas e os irmãos são os referidos sob os nºs 646, 658, 784, 1025, 1027, 783 e 819 desta lista), de 7/9/1726 a 3/8/1728.
PT-TT-TSO/IL/28/9123

791      Catarina Nunes, x.n., de 22 anos, casada com António Rodrigues, sapateiro, natural e moradora no Teixoso, filha de Francisco Fernandes Loução, natural de Celorico e de Antónia Nunes, natural de Belmonte, neta paterna de António Fernandes e de Catarina Fonseca e materna de Rodrigo Mendes, sapateiro e de Brites Rodrigues, moradores no Fundão, (O pai, a mãe, o marido e os irmãos são os referidos sob os nºs 827, 467, 712, 762, 763,793, 844 e 846 desta lista), de 7/8/1725 a 6/8/1728.
PT-TT-TSO/IL/28/9916        

792     Leonor Henriques, x.n., de 27 anos, solteira, natural da Covilhã  e moradora em Quadrazais, filha de António Vaz, x.n., que foi mercador, natural do Fundão e de Ana Nunes, x.n., neta paterna de Domingos Rodrigues e Brites Henriques e materna de Manuel Dias ou Manuel Dias Nunes e Maria Fróis ou Maria Nunes, bisneta de Pedro Lopes e Isabel Rodrigues, pais do avô paterno, de António Vaz e Leonor Henriques, pais da avó paterna, trisneta de João Lopes e Maria Rodrigues, pais do bisavô Pedro Lopes; de Manuel Fernandes e Leonor Rodrigues, pais da bisavó Maria Rodrigues; de Jorge Vaz e Isabel Rodrigues, pais do bisavô António Vaz; e de Diogo Henriques, tendeiro e de Clara Henriques, pais da bisavó Leonor Henriques, (A mãe e os irmãos são os referidos sob os nºs 645, 665, 667, 749 e 810 desta lista), de 28/7/1725 a 6/8/1728. Auto da Fé de 25/7/1728.
PT-TT-TSO/IL/28/4900       

793     Brites Nunes, x.n., de 26 anos, casada com João da Cruz, natural e moradora no Teixoso, filha de Francisco Fernandes Loução, x.n., marchante, natural de Celorico e de Antónia Nunes, natural de Belmonte, neta paterna de António Fernandes e de Catarina Fonseca e materna de Rodrigo Mendes e de Brites Rodrigues, (O pai, a mãe, o marido e os irmãos são os referidos sob os nºs 827, 467, 773, 762, 763, 791, 841, 844 e 846 desta lista). O seu outro processo é o nº 841), 1º processo presa em 27/8/1726 e sentenciada em 25/7/1728 e 2º processo presa em 7/8/1728 e sentenciada em 16/10/1729, de 26/9/1726 a 17/10/1729.
PT-TT-TSO/IL/28/9654

794     Páscoa dos Rios, x.n., de 27 anos, solteira, natural e moradora na Covilhã, filha de Simão de Carvalho, x. n., que foi mercador e de Ana Henriques, neta paterna de António Fernandes Nunes, x.n., mercador e Ana Rodrigues, x.n., e materna de Jorge Fróis, x.n., homem de negócio e de Maria Henriques, x.n., bisneta de Simão Fernandes Carvalho, x.n., natural de Linhares e Catarina da Fonseca, x.n., natural da Covilhã, pais do avô paterno, de Henrique Fróis e Maria Henriques, pais da avó materna, trisneto de Manuel Fróis e Ana Rodrigues, pais de Henrique Fróis e de Jorge Fróis e Leonor Nunes, pais da bisavó Maria Henriques, Veio a casar com André Mendes da Silva.(O pai, a mãe e os irmãos são os referidos sob os nºs 409, 411, 663, 716, 718, 730, 927, 932 e 934 desta lista), auto de 25/7/1728.(presa 2ª vez, procº 28/ 9224 - ver no nº 934 desta lista)

795      Ana Nunes, x.n., de 52 anos, casada com Álvaro Rodrigues, sapateiro, natural de Idanha-a-Nova e moradora na Covilhã, filha de Manuel Fróis, x.n., capitão de couraças e de Isabel Lopes Ribeiro, (O marido e os filhos são os referidos sob os nºs 885, 706 e 710 e 886 desta lista), de 24/1/1727 a 28/7/1728.
PT-TT-TSO/IL/28/7628-1                

Fonte – Os dados em itálico foram retirados do “site” do ANTT – Arquivo Nacional da Torre do Tombo relativo aos processos do Tribunal da Inquisição.
Esta lista, tal como as anteriores, foi elaborada pelos editores.
Na cota dos processos, as indicações IL/28, IC/25 e IE/21 referem-se aos tribunais, respectivamente, de Lisboa, Coimbra e Évora.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Covilhã - Para a História da Guarda IV


Continuamos a publicar cartas de aforamento na Judiaria da Guarda; nelas se refere: “per que aja e tenha pera todo sempre huas cassas” e indica-se a quantia da renda anual “que atee ora pagarom”.
No episódio III apresentámos cartas de D. Dinis e hoje avançamos um século até D. Duarte, deixando para mais tarde as cartas de D. Afonso V, D. João II, D. Manuel e ainda D. João III que encontrámos no espólio de Luiz Fernando Carvalho Dias.

Marcas mágico-religiosas na Judiaria

1 - Cassas na guarda
Outra tall carta de Issaque maçoz morador na cidade da guarda per que aja e tenha pera todo sempre huas cassas que ssom na dicta çidade e ssom duas cassinhas em fundo e duas em cima ssobradadas e partem de fundo com ssanto pernjca e de cima com jacob de crastro e detras com ffajm de caçeres e com Rua pubrica por trinta ssolldos da moeda antijga em cada huu anno de foro que atee ora pagarom segundo he contheudo no livro do tombo ec. em ssantarem a xbiij djas de nouembro de mjll iiijc xxxb annos. (1435)
2 - Cassa na guarda
Outra tall carta de abraão pinhell morador na çidade da guarda per que aja e tenha pera todo sempre hua cassa sobradada que esta na Judaria da dicta cidade e parte com Issaque caracho e com chaão que ffoe do açougue e detras com moussem de chaues e com ell dicto abraao pinhel e com Rua publica por tres llibras da moeda antijga em cada huu anno de foro que ataa ora pagarom segundo se contem no liuro do tombo ec. em Santarem xx djas doutubro demjll iiijc xxxb annos.
3 - Cassa na guarda
Outra tall carta de abraao touj morador na cidade da guarda perque aja e tenha pera todo sempre hua cassa que he na dicta cidade E parte de cima com beco de jacob dalua e de ffundo com cassa de candull e detras com azenhagaa e com Rua publica e ffoy afforada sseendo chaão por tres ssolldos que ataa ora pagarom segumdo sse acha no liuro do tombo ec. em ssantarem xxiij djas doutubro de mjll iiijc xxxb annos.
4 - Cassa na guarda
Outra tall carta de Samuell querido morador na cidade da guarda per que aja e tenha pera todo sempre hua cassa na Judaria da dicta cidade ssobradada e esta em ffronte da esnoga e parte com Rua publica que uay pera o muro e com cassas que chamam ataffona por tres llibras da moeda antijga em cada huu anno de fforo que ataa ora pagarom segundo he contheudo no liuro do tombo ec. em ssantarem xxbiij djas doutubro de mjll iiij xxxb annos.

Casa de 1º andar ("ssobradada")

5 - Cassa na guarda
Outra tall carta de ssamuell abudant morador na çidade da guarda per que aja e tenha pera todo sempre hua cassa na judaria da dicta çidade que parte com a assineega e com outras cassas dell rey que traz Suas Judeu e com Rua publica e por detras com outras cassas dell rey que traz vasco ffrz albardeiro E paga de fforo em cada huu anno cinquo ssolldos da moeda antijga
6 - Item outras cassas que ssom terreas e partem com cassas de Issaque macoz e com pardieyros de martim mayo e com cassas que traz junça de leirea e com Rua publica E paga de fforo dellas em cada huu anno xb ssolldos da moeda antijga que ataa ora pagarom segundo he contheudo no liuro do tombo ec.
 7 - Cassas na guarda
Outra tall carta de abraão de crasto morador na cidade da guarda per que tenha e aja pera todo sempre huuas cassas na juderia da dicta cidade E partem com cassas de abraao pernjca e com ffaym de caçeres e de traz com ffaym por tres llibras e xb ssolldos da moeda antijga em cada huu anno de fforo que ataa ora pagarom segundo se contem no liuro do tombo ec. em santarem xbiij de nouembro de mjll iiij xxxb annos.
8 - Cassas na guarda
Outra tall carta de mestre Issaque e de yuda seu Irmaão moradores na çidade da guarda per que tenham e ajam per todo sempre huas cassas pequenas que partem com ssanto cacer da parte de ffundo e de çima com Junça touj e de tras com cassas de maria annes da famagueira e com Rua Publica da Judaria de que pagam de fforo em cada huu anno duas llibras e mea da moeda antijga que ataa ora pagarom segundo he contheudo no liuro do tombo ec. em santarem xbiij djas de nouembro de mjll iiijc xxxb annos.
9 - Cassas na guarda
Outra tall carta de abraao pernjca morador em a cidade da guarda per que tenha e aja pera todo sempre huas cassas com dous portaaes pequenas que ssom na Judaria da dicta çidade E parte com Salomon cucaracho e da outra parte com abraão de crasto e detraz com cassas de Junça touj e com ffaym de caceres de que paga em cada huu anno de fforo tres llibras da moeda antijga que ataa ora pagarom segundo se contem no liuro do tombo ec. em almeirim xxiij djas de nouembro de mjll iiij xxxb annos.
10 - Cassas na guarda
Outra tall carta de yhunto cacez morador em a cidade da guarda per que tenha e aja pera todo sempre huas cassas na Judaria da dicta cidade que parte com manassem çapateiro e doutra parte com ell dicto yhunto cacez e detraz com azinhagaa e diante Rua publica e mestre Issaque de que paga em cada huu anno de fforo quatro llibras e mea da moeda antijga que ataa ora pagarom segundo se conthem no liuro do tombo ec. em almeirim xix djas de nouembro de mjll iiij xxxb annos.
11 - Cassas na guarda
Outra tall carta de Issaque maçoz morador em a cidade da guarda per que tenha e aja pera sempre huas cassas na dicta cidade que parte com Rua que uay pera o açougue e doutras partes com chaão dellrrey e com pardieyros desteuã de pl (pinhel?) de que paga em cada huu anno de fforo quatro llibras e xbij ssolldos da moeda antijga que ataa ora pagarom ssegundo sse conthem no liuro do tombo ec. em ssantarem xbiij djas de nouembro de mjll iiijc xxxb annos.
12 - Cassa na guarda
Outra tall carta de prnicna ffrz castellaão morador na cidade da guarda per que tenha e aja pera todo sempre hua cassa que he na dicta cidade e parte com cassa de Junça calafora e de traz com Steuam affomso e com Rua publica e outros de que paga em cada huu anno de fforo cinquo llibras e mea da moeda antijga que ataa ora pagarom segundo sse contem no liuro do tombo ec. em santarem xbiij djas de nouembro de mjll iiijc xxxb annos.
13 - Cassas na guarda
Outra tall carta de gouuea judeu morador na çidade da guarda per que tenha e aja pera todo sempre huas cassas com huu currall pequeno que partem com ffaym de caceres e com Salomon pernjca e com abraão pernjca e com Salomon touj e com Rua publica que uay do açougue uelho pera o paaço delrrey de que paga de fforo em cada huu anno quatro llibras e mea da moeda antijga que ataa ora pagarom segundo he contheudo no liuro do tombo ec. em ssantarem xbiij djas de nouembro de mjll iiijc xxxb annos.
Cassa na guarda
14 - Outra tall carta de Jacob de leiria fferreyro morador na cidade da guarda per que aja e tenha pera todo sempre hua cassa que he na dicta çidade parte com Junça cadafforra e com cassas que fforom de martim uaasquez tabaliam e com Rua publica por duas llibras e mea da moeda antijga em cada huu anno de fforo que ataa ora dellas pagarom segundo sse conthem no liuro do tombo ec. em almeirim xx djas de nouembro de mjll iiijc xxxb annos.
15 - Cassa na guarda
Outra tall carta de Jacob de castro morador na cidade da guarda per que aja e tenha pera todo sempre hua cassa que esta na dicta cidade que parte com ffaym de caceres e com Issaque maçoz e detraz com fernão gonçallvez e com Rua publica por duas llibras e mea da moeda antijga que ataa ora della pagarom ec segundo sse conthem no liuro do tombo. Em almeirim xbij djas de nouembro de mjll iiijc xxxb annos.
16 - Cassa na guarda
Outra tall carta de ffaym de cacerez morador na cidade da guarda per que aja e tenha pera todo sempre hua cassa que he na dicta cidade na Judaria e parte da parte de çima com adro de Sam Vicente e de ffundo com Jaco de Crasto e detraz com ffernã gllz e com Rua publica por duas llibras e mea da moeda antijga que ataa ora della pagarom segundo se contem no liuro do tombo ec. em almeirim postumeiro dja de nouembro de mjll iiijc xxxb annos.
17 - Cassas na Guarda
Outra tall carta de cinffaa morador na cidade da guarda per que aja e tenha pera todo sempre huuas cassas que som na Judaria da dicta cidade que partem com danjell barall e com moyssem adida e detraz com moyssem camdul e com Rua publica por quarenta ssolldos da moeda antijga em cada huu anno de fforo que ataa ora dellas pagarom segundo sse mostra e contem no liuro do tombo ec. em almeirim postumeiro dja de nouembro de mjll iiijc xxxb annos.
18 - Cassas na Guarda
Outra tall carta de Sallamom touj morador na cidade da guarda per que aja e tenha pera todo sempre huuas cassas que ssom na Judaria da dicta cidade E partem com Rua publica que uay dos açougues uelhos pera o paaço del Rey e com ffaym de caçeres e com exido de junça de gouuea de que paga de fforo em cada huu anno xb ssolldos da moeda antijga que dellas ataa ora pagarom segundo sse contem no liuro do tombo ec. em almeirim postumeiro dja de nouembro de mjll iiijc xxxb annos.
19 - Outra tall carta de abraão de pinhell morador na cidade da guarda per que tenha e aja pera todo sempre quatro cassas que ssom na dicta cidade. s. huu pardieiro ssem telha que parte da parte de çima com manassem çapateiro e de ffundo e detras com chaão dell Rey e com Rua publica da judaria de que paga de fforo em cada huu anno xxx ssolldos da moeda antijga.
20 - Item outra cassa sobradada que parte com danjel maurã e detras com muro da cidade e com o dicto abraão // de pinhell e com Rua publica da judaria de que paga em cada huu anno de foro tres llibras e cinquo ssolldos
21 - Item outra cassa que ffoe de dauj fillolho e fforom dadas em casamento ao dicto abraão de pinhell de que paga em cada huu anno de fforo duas llibras da moeda antijga.
22 - Item outra cassa pequena que parte com o dicto abraão e com cassa dataffana de Salamã ffillilho (sic) e com moussem de chaues e com chaão que ffoe açougue de que nom paga fforo nehuu porque anda juntamente com a cassa da dicta ataffana e danbas sse paga huu fforo ec. segundo se contem no liuro do tombo. em Santarem xx djas doutubro de mjll iiijc xxxb annos.
23 - Cassas na Guarda
Outra tall carta de Salamão ffillilho morador na çidade da guarda perque tenha e aja pera todo sempre huuas cassas a que chamam ataffanna que Som na dicta çidade e partem de hua parte com cassas de Aamuell querido e com moyssem de chaues e de Issaque aluãgill e com Ruas publicas da Judaria E Som sobradadas e partidas em Suas partes E as primeiras Som de Salamom cocuracho e Salamom amado tem dous poataães na rua dirreita E que o dito Salamam traz a ditta ataffana que tem hua porta no chaão del rrey e uay pera o muro de que paga em cada huu anno de fforo ssete llibras da moeda antijga que ataa ora pagarom segundo se contem no liuro do tombo ec. em santarem xbiij djas de nouembro de mjll iiijc xxxb annos.
24 - Cassas na Guarda
Outra tall carta de joham dominguez morador na cidade da guarda perque tenha e aja pera todo sempre huas cassas que ssom na dicta cidade que partem com cassas de daffomso annes çapateiro e detras com judaria e de cima com cassa dalmadell e per Rua publica de que paga em cada huu anno de fforo trinta ssolldos da moeda antijga que ataa ora pagarom segundo se contem no liuro do tonbo ec. em Santarem xx djas doutubro de mjll iiijc xxxb annos.
25 - Cassas na guarda
Outra tall carta de lopo martjnz morador na cidade da guarda perque aja e tenha pera todo sempre huas cassas que ssom na dicta cidade que partem de ffundo com cassas de diego aº carnjceiro e de tras com a Judaria e de cima com cassas de lourenço gonçalluez e com Rua publica de que paga em cada huu anno de fforo tres llibras da moeda antijga que ataa ora pagarom segundo se contem no liuro do tombo em estremoz postumeiro dja de dezembro de mjll iiij xxxbj annos.
26 - Cassas na Guarda
Outra tal carta de moussem de caceres morador na cidade da guarda per que tenha e aja pera todo sempre ametade de huas cassas que ssom na Judaria da dicta cidade e tem dous portaaes na Rua publica e ssom sseis cassinhas e huu curral na metade E partem com cassas de Salamã perujca e de tras com rua publica que uem dos açougues uelhos E paga de toda Juntamente sseis llibras da moeda antijga em cada huu anno de foro que ataa ora dellas pagarom segundo se contem no liuro do tombo. em torres uedras x djas doutubro de mjll iiijc xxxbj annos.
27 - Cassas na Guarda
Outra tall carta de mestre moussem morador na cidade da guarda perque aja e tenha pera todo sempre hua cassa que sta na dicta cidade na trauessa que uay pera os açougues uelhos e partem com Rua publica que uay pera o paaço del rrey e com menassem tecellam e de traS com abraao perujca de que paga em cada huu anno de foro duas llibras e mea da moeda antijga que ataa ora pagarom segundo he contheudo no liuro do tombo ec. em estremoz postumeiro dja de dezembro de mjll iiijc xxxbj annos.
28 - Cassas na guarda
Outra tall carta de margarida uaasquez molher que ffoy daffonsso dominguez morador na çidade da guarda per que aja e tenha pera todo sempre huas cassas que ssom na dicta çidade E parte com cassas de steuam gonçallvez e com lourenço martjnz e de tras com cassas de ffaym de caceres e diante com adro de sam viçente de que paga em cada huu anno de fforo trinta ssolldos da moeda antijga que ataa ora pagarom segundo se contem no liuro do tombo ec. em estremoz mostumº dja de dezembro de mjll iiijc xxxbj annos.
29 - Cassa na guarda
Outra tall carta de juça calaffora morador na cidade da guarda per que aja e tenha pera todo sempre hua cassa que he na dicta çidade E parte com cassas de jaco de leiria fferreiro e com manassem castellaão e com diego dalmeida e com Rua publica da judaria de que paga em cada huu anno de fforo duas llibras da moeda antijga que ataa ora pagarom segundo sse contem no liuro do tombo ec. em ssantarem xxx djas de janeiro de mjll iiijc xxxbij annos.
30 - Carta per que o dicto Senhor deu de fforo pera todo ssempre a junça almardell Judeu morador em a çidade da guarda huas cassasque o dicto Senhor ha na dicta çidade que fforom dabraão mamõ E partem com cassas de monssem mamõ e com cassas de Judas ferreiro E de tras com cassa de issaque cuqueracho e pella Rua publica da juderia de que paga em cada hum anno de foro tres libras e mea da moeda antijga ec. em stremoz vj djas de janeiro de mjll iiijc xxxbj annos.
31 - Carta per que o dicto Senhor deu de fforo pera todo ssempre a mossa adida Judeu morador na cidade da guarda huas cassas que o dicto Senhor há na dicta çidade que ffoy dessuas E parte com cassas de Samuell e com cassa de dona yuda e detras com currall do dicto dom yuda (sic) e com Rua da Judaria de que paga em cada huu anno de fforo tres libras e mea da moeda antijga ec. em Stremoz quatro djas de janeiro de mjll iiijc xxxbj annos.

Afforamento de duas moradas de casas na çidade da guarda a ffaym de caceres (Tem a indicação de ter sido transcrito no livro da Beira)

         Dom Eduarte ec. A quantos esta carta virem fazemos saber que faym de caceres judeu morador em a çidade da guarda mostrou perante nós duas cartas testimunhauees que pareciam seer fectas per diego dalmeida scripuam dos nossos contos em o dicto nosso almoxarifado da guarda.S. hua dellas aos xb djas do mes dagosto do anno presente de mil iiijc xxxb E a outra aos xbij djas do dicto mes da dicta era em a dicta cidade da Guarda E eram todas asignadas per Gomez martjnz de moscoso nosso contador que per nosso mandado teue cargo de arrendar as nossas sisas e direitos do dicto almoxariffado o dicto anno.

D. Duarte,
carta per o dicto Senhor emprazou huu chaao que elle ha na cidade da guarda a ffaym de caceres e a ssua molher mj ouro e a outra pessoa que o postumeiro delles nomeasse ante de ssua morte E parte de hua parte com outro chaão de Salamam touj e he tamanho huu como ho outro E doutro cabo parte com pardieyro dabraão de pinhell e de tras com campo dell rrey de contra o muro e de diante com Rua publica que uay pera o paaço del rrey de que pagam de fforo em cada huu anno ao dicto Senhor cinquo ssolldos de moeda antijga ec. em Santarem xxbiij dja doutubro de mjll iiijc xxxb annos.

           Aforamento de huua cassa na çidade da guarda na Rua que vay pera os açougues a diogo dallmeida. (Escrivão dos contos)

Dom eduarte ect.
A uos gomçalleannes nosso almoxariffe em o nosso almoxariffado da çidade da guarda e ao scpriuam desse offiçio e a todollos outros que depos nós veerem por nossos almoxariffes escpriuaaes ssaude bem ssabedes como uos per nós ffoy mandado que ssoubessees parte de huua cassa que nos auemos em a dita çidade que parte com steuam affomsso de huua parte e doutra com maria annes molher que ffoy de martim vaasquez taballiam com cassas da Judaria e per Rua pruuica que vay pera os nossos açougues sse era afforada a a allguua pessoa per nossa carta ou dos Reix que ante nós fforom e sse afforada nom ffosse que tomassees a posse della pera nós e a ffezessees meter em pregam a quem por ella mais desse aRematassees por moeda amtiga que aquell a que assy ffosse Rematada veesse a nós com estormento de rremataçam pera lhe por elle mandarmos dar nossa carta dafforamento E uisto per nós nosso mandado ssoubestes parte das ditas cassas e // achastes as em maão de diogo dalmeida nosso scpriuam dos comtos ssem as elle teer per compra nem eramça nem outro nhuu titollo que per direito as deve de teer e ssemdo destimtos por espaço de quoremta annos ou mais E tomastes dellas posse pera nós e as ffezestes meter em pregam per espaço de quatro messes e mais e nom ffoy achado quem em ellas mais quisessem lamçar que o dito diogo dalmeida que pos em ellas de fforo em cada huu anno vimte ssolldos da moeda antiga segumdo de todo ffomos çerto per huu estromento pubrico ffeito per aluaro ffernandez nosso scpriuam do dito almoxariffado e assynado per nos e ora veo a nós o dito diogo dalmeida com o dito estormento e nos Requereo que lhe mandassemos dar nossa carta dafforamento das ditas cassas E por quamto nossa merçee hé de as elle auer pello dito preço pois que sse per ellas nom achou Temos por bem e damos ao dito diogo dalmeida as ditas cassas dafforamento pera ssempre com comdiçam que elle e sseus herdeiros e sobçessores que depos ell veerem nos dem e paguem em cada huu anno os ditos vijmte ssolldos da dita moeda amtiga ou a sua dereita vallia que por ellas mandamos pagar ao tempo das pagas com comdiçam que o dito diogo dalmeida e sseus herdeiros e sobçessores adubem e rreparem e ffaçam e Reffaçam as ditas cassas de todollos adubios que lhe comprem e ffezerem mester aas suas proprias despessas e se per uemtura as ditas cassas cairem per augoa ou ffogo ou per terramotos ou per outro quall quer casso ffortoito cuidado ou nom cuidado que auer possa posto que aquy nom sseia expressamente nomeado e as alleuamtem e ffaçam e reffaçam assy de pedra e telha e madeira como de todallas outras coussas que lhe comprem e ffezerem mester aas ssuas custas em tall guissa que seiam melhoradas e nom pejoradas e com comdiçam que sse o dito diogo dalmeida e sseus herdeiros e ssobçessores que depos ell veerem quisserem vemder as ditas cassas com sseu fforo alguuas pessoas ou pessoa que as nom possam vemder atee que o primeiramente nom ffaçam ssaber a nós ou a nosso almoxariffe sse as queremos pera nós tamto por tamto quamto outrem por ellas der E sse per uemtura as nós nam quissermos filhar pello preço que per elles derem mandamos que as vendam e possam vemder com emcargo a tall pessoa ou pessoas per que nós possamos auer a dita pemssam e nom seia de mayor comdiçam que o ssobredito diogo dalmeida e sseus sobçessores que depos elle veerem que sseiam taaes que cumpram e guardem as ditas comdiçooens e emcargos ssusso ditos com tamto que nom sseja clerigo nem frade nem homem nem molher de Religiom nem caualleiro nem dona nem escudeiro nem mouro nem judeu o quall diogo dalmeida sse obrigou a comprir e manter todallas coussas comtheudas em este comtrauto sob obrigaçam de todos sseus beens moues e de rraiz auidos e por aueer que pera ello obrigou.
E porem mandamos ao dito gonçalleannes nosso almoxariffe em a dita çidade da guarda e ao scpriuam do dito offiçio e aos que pos elles veerem por nossos almoxariffes e escpriuaães e a todollos juizes e justiças e a outros quaaes quer que esto ouueram de uer pera quall quer guissa que sseia a que esta carta ffor mostrada que a compram e guardem e ffaçam comprir e guardar assy e tam compridamente como em ella he comtheudo ssem outro nhum embargo que sobre ello // ponham e ffaçam rregistar esta ssobre dita carta em os liuros do dito almoxariffado pera em cada huu anno pera nós aRecadarem o dito fforo e o dito diogo dalmeida tenha pera ssua guarda he all nom ffaçades.
         Dada em torres vedras a dez dias doutubro ell Rey o mandou per diogo ffernandez dalmeida do sseu comsselho e veedor da ssua ffazemda Ruy vaaz a ffez era de mjll e iiijc xxxvj annos.

    Nota dos editores - As fotografias são da autoria de Miguel Nuno Peixoto de Carvalho Dias.
    Fontes - Chancelaria de D. Duarte, Livº 1º,fls.165 vº, 166, 166 vº, 172 vº, 173, 173 vº, 174, 235, 235 vº, 243 vº, 244, 244 vº.
Beira 1, fls 243, 243 vº e 244.