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sábado, 26 de julho de 2014

Covilhã - Os Jesuítas VII


    Como encontrámos no espólio de .Luiz Fernando Carvalho Dias uma pasta sobre Jesuítas covilhanenses ou que se fixaram na Covilhã, continuamos hoje a publicar o tema a eles dedicado.
    A Companhia de Jesus foi fundada por Santo Inácio de Loyola que nasceu em 1491 no País Basco – Azpeitia – proveniente de uma família de fidalgos de província e morreu em Roma em 1556.
    A Companhia de Jesus entra em Portugal através de Francisco Xavier e Simão Rodrigues e tendo como pontos de partida Lisboa, Coimbra e Évora, toma nas suas mãos o ensino e a organização da missionação das colónias.  
    A lista que temos vindo a apresentar manifesta algumas falhas, talvez relacionadas com os momentos de expulsão da Companhia de Jesus de Portugal: 1759, 1834, 1910.
    Carvalho Dias deixou-nos pouca informação sobre os jesuítas covilhanenses nascidos no século XX, razão que nos leva a apresentar por ordem alfabética os que conhecemos, uma vez que não dispomos de algumas datas de nascimento.


XXV – Manuel Baptista


Foi professor de Luiz Fernando Carvalho Dias em S. Martin de Trevejo. Diz-nos Carvalho Dias que este seu conterrâneo só falava em Latim.


XXVI - José Craveiro (da Silva)

Natural do Tortosendo. A editorial Apostolado da Oração publicou: "Na Vida Espiritual não há Linha Recta".


XXVII - Lúcio Craveiro (da Silva)


Nasceu no Tortosendo em 1914 e faleceu em Braga no ano de 2007.
Era irmão de Padre José Craveiro da Silva.
Doutorou-se em Filosofia Social, Filosofia Social e Política e História da Cultura e Filosofia Portuguesa.
Foi Superior Provincial dos Jesuítas portugueses.
Foi co-fundador do Instituto Superior Económico e Social de Évora.
Fez parte da Comissão Instaladora da Universidade do Minho.
Algumas publicações:
- “A Idade do Social, Ensaio ético-social sobre a evolução da sociedade, Braga, 1952 (Tese de Doutoramento)
- “O agnossticismo político no “Speculum Regum” de Álvaro Pais”, In Brotéria, 1964
- “Antero de Quental, Evolução do seu pensamento filosófico”, Braga, 1959
- “A Ética nos Provérbios Populares Portugueses”
- “Francisco Sanches – Filósofo”, Braga, 1951
- “A Saudade em António Vieira”, In Colóquio, Junho 1960
- “A Questão Operária em Portugal”, Braga, 1953


XXVIII – António de Almeida Fazenda

A tradução da poesia de D. Diogo Seco S.J. foi feita em Lisboa, 19/4/1970 por P.e António de Almeida Fazenda, S.J. e copiada a 31/1/1972.
Publicou:
- “Face à Luz – Liturgia e Escritura. Claridade de Cristo na celebração do Domingos e Festas”, Porto, 1966
- “Meditações dos primeiros Sábados (Mistérios do Rosário meditados), Braga, 1944. Coimbra, 1953


XXIX - Francisco Xavier Alves Fortuna

Foi aluno, na Covilhã, do professor primário Claudino Dias Agostinho e Rosa, bisavô do editor e professor de Francês do editor, no Colégio de S. João de Brito (Lisboa).



XXX - José Maria Alves Fortuna



Foi professor de Latim de Luiz Fernando Carvalho Dias em S. Martin de Trevejo.



XXXI – Abel Guerra

XXXII – Joaquim Angélico de Jesus Guerra

XXXIII - Abel Paulo Guerra

Os dois primeiros, irmãos e o último, sobrinho, são da região da Covilhã.
Joaquim Guerra nasceu em Lavacolhos (1908) e faleceu em Lisboa (1993). 
Foi escritor, investigador e missionário na China.
Estudou em San Martin de Trebejo, Espanha.
Fez o noviciado na Companhia de Jesus em Oya, Galiza.
Partiu para o Oriente em 1933.
Estudou e traduziu várias obras do chinês para o português, como "Livro dos Cantares" que é tradução de "She Keng" (poesias antiquíssimas do Cancioneiro chinês) e foi publicado em Macau, 1979.
Organizou ainda um dicionário de chinês/português, publicado em 1981.

XXIV - João Baptista Mendes

Natural da Boidobra.
Publicou “Química Liceal”, Fundamentos, Tomo 1º, Porto, 1945.


XXXV – José Fernandes Raposo

Foi professor de História do editor, no Colégio de S. João de Brito.


XXXVI - Severiano Lino Tavares

Publicou entre outros escritos:
- “Francisco Sanches. No IV Centenário do seu nascimento, Vida e obra”, Braga, 1951.
- “Francisco Sanches e a Filosofia Cristã", Comunicação, Braga, 1952.
- “No Limiar da Cosmologia” In Perspectivas do Curso Bracarense.
- “O Senequismo de S. Martinho de Dume” (Em colaboração), Sep. De Revista Portuguesa de Filosofia, Braga, 1950

XXXVII - Rafael Fernando de Melo e Castro Forjaz Morão

Nasceu em 8 de Dezembro de 1961. 

As Publicações do Blogue:

Estatística baseada na lista dos sentenciados na Inquisição publicada neste blogue:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/11/covilha-lista-dos-sentenciados-na.html

Publicações neste blogue sobre os Jesuítas:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/06/covilha-os-jesuitas-vi.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/04/covilha-os-jesuitas-v.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/03/covilha-os-jesuitas-iv.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/02/covilha-os-jesuitas-iii.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/01/covilha-os-jesuitas-ii.html

quarta-feira, 5 de março de 2014

Covilhã - Os Jesuítas IV


    Como encontrámos no espólio de Luiz Fernando Carvalho Dias uma pasta sobre Jesuítas covilhanenses ou que se fixaram na Covilhã, continuamos hoje a publicar o tema a eles dedicado.
    A Companhia de Jesus foi fundada por Santo Inácio de Loyola que nasceu em 1491 no País Basco – Azpeitia – proveniente de uma família de fidalgos de província e morreu em Roma em 1556.
    A Companhia de Jesus entra em Portugal no reinado de D. João III, através de Francisco Xavier e Simão Rodrigues e tendo como pontos de partida Lisboa, Coimbra e Évora, toma nas suas mãos o ensino e a organização da missionação das colónias.
    Vamos agora acompanhar Jesuítas nascidos na Covilhã no século XIX, ou que, embora nascidos fora, aqui se fixaram.

XIV - Francisco Maria Rodrigues de Oliveira Grainha

    Nasceu na Covilhã em 1827, era médico e padre jesuíta. Foi pároco da Igreja de Santa Maria e a ele se devem as obras da empena contracurvada daquela igreja, cuja responsabilidade financeira é sua e de seu irmão João Grainha. Foi também fundador, em 1892, do Colégio da Aldeia da Ponte, numa quinta sua cedida aos Irmãos de S. João de Deus, para recolher órfãos e desprotegidos. Intervém em 1871 numa polémica - do Papa Rei e o Concílio - cujas cartas se encontram no Arquivo municipal
    Os doutores Grainhas pediam insistentemente que o Colégio jesuita de S. Fiel enviasse algum padre para a Covilhã; a resposta virá mais tarde com a chegada do Padre Nicolau Rodrigues, como veremos.
    Sobre o Padre/Doutor Francisco Grainha, o investigador Luiz Fernando Carvalho Dias conta-nos:
      “Camilo Castelo Branco, na Maria da Fonte, refere-se duas vezes ao Padre Francisco Grainha.
    O irmão, (XV) Doutor João Rodrigues Grainha (1816-1892), formou-se em Direito em 1846 e estudou Teologia, mas não alcançou a celebridade do Dr. Francisco que além de político muito influente, era um médico distinto sem esquecer a sua vida sacerdotal.
    Dizia o meu avô paterno Prof. Claudino Dias Agostinho e Rosa que privou ainda muito com ele que só em Coimbra o Dr. Grainha se convertera quando estudante de Medicina; atribuia-se a mudança de vida às suas relações com os Jesuítas. Antes da formatura ainda assinara na Covilhã o auto de aclamação de Dona Maria II, quando depois foi sempre miguelista e como tal duramente perseguido.”
   Também nos diz que foi a Roma ao Concílio Vaticano 1º, à Terra Santa levado por um cardeal que ele curou e esteve em Viena de Austria com D. Miguel 2º.
    Faleceu em 1896.
    Leiamos uma curiosidade jornalística:
“Vindos de Roma aonde acompanharam a peregrinação portugueza que foi prestar as suas homenagens ao Sumo Pontífice, chegaram na sexta feira à noite, 25 do corrente, a esta cidade os srs. Dr. Francisco Rodrigues d’Oliveira Grainha e Padre José da Costa e Oliveira Pinto.
Que nos conste foram suas Revªs os únicos covilhanenses que se incorporaram na perigrinação que Portugal foi à capital da christandade.
Damos as boas vindas aos nossos patrícios”
In: Correio da Covilhan, 31 de Maio de 1888

XVI - Francisco de Sales Borges Grainha


    
       Segundo Luiz Fernando Carvalho Dias, "O Padre Sales, como era conhecido, sobrinho dos doutores Graínha, entrou cedo na Companhia de Jesus. Teve cinco irmãs freiras e outro irmão, egresso da Companhia, que foi depois o conhecido maçon Manuel Borges Grainha. 
        Além do múnus sacerdotal que exerceu com toda a espiritualidade, era o Padre Sales um distinto engenheiro civil, autodidata por certo, pois não chegaram até nós notícias dos seus estudos nessa matéria. A Covilhã ficou-lhe a dever a construção dum belo templo com a sua torre altaneira: a Igreja do Sagrado Coração de Jesus, vulgarmente conhecida por Santiago, por ter sido construída sobre a antiga igreja deste orago.”
     Desta Igreja, desde meados do século XX de novo na posse dos Jesuítas, A Comunidade de S. Pedro, falaremos mais tarde.
     Lemos também que em 1890 chegou com outros jesuítas a Macau, a fim de remodelar o Seminário.

XVII - Manuel Borges Grainha

    Nasceu na Covilhã em 1862. 
    Era irmão do Padre Francisco Sales de Borges Graínha, egresso da Companhia de Jesus, foi depois republicano, maçon e combateu aquela congregação. Frequentou Letras e era especialista em Línguas, sobretudo o Latim. Fez parte da Liga Nacional da Instrução, da Comissão que examinava livros para o Ensino Secundário, participou na reforma ortográfica, fez parte da Comissão de Propaganda e Instrução, foi responsável pela organização do Museu das Congregações Religiosas, director do Arquivo das Congregações religiosas e vogal da Comissão Jurisdicional dos Bens das Extintas Congregações Religiosas.
    A ele se devem várias obras de carácter didáctico e outras sobre os jesuítas. Algumas são:
- O analfabetismo em Portugal. Suas causas e meios de as remover. Relatório apresentado…, Lisboa, 1908
- Duas portarias diferentes sobre a ortografia nacional (1911-1920), Lisboa, 1922
- História do Colégio de Campolide
- História da Maçonaria em Portugal (1735-1912), Lisboa, 1912
- Os Jesuítas e as Congregações Religiosas em Portugal nos últimos Trinta Anos, Porto, 1891.
     Faleceu em Lisboa em 1925.

XVIII - Padre Nicolau Rodrigues


(1) [...]

    
    Viveu dois anos como hóspede dos doutores Grainha e pároco de Santa Maria, até que foi aberta residência da Companhia numa casa emprestada por Luís António de Carvalho, bisavô do editor deste blogue. Foi-lhes então oferecida a arruinada capelinha de Santiago, daqui o nome de Padres de Santiago, ou de Igreja de Santiago ainda hoje em uso. Devido ao exíguo tamanho deste templo, outra construção se fez – A Igreja do Sagrado Coração de Jesus - que estava ao culto em 1877 e também a residência dos padres da Companhia em 1879.
    O papel dos padres jesuítas desenrolou-se em torno da prática das obras de misericórdia, das Congregações Marianas, do Apostolado da Oração, da catequese, de missões nos arredores, de assistência aos atingidos pela varíola em 1873, de reparação de igrejas, como a de Santa Maria ou a da Boidobra.
    O Padre Nicolau deixa a Covilhã em 1895 e morre na Colômbia, pelos 70 anos, em 1900. 
    Na Covilhã deixou um rasto de santidade e de milagreiro, como nos foi referido por um nosso familiar: quando um operário, que trabalhava na torre da Igreja da Misericórdia, caiu na presença do padre Nicolau, este orou a Deus pelo homem, a quem não adveio nenhum mal.

Nota dos editores 1) In: Pagela nº 79 do Mensageiro


As Publicações do Blogue:

http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/09/covilha-as-publicacoes.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2013/05/covilha-o-2-aniversario-do-nosso-blogue.html

Publicações neste blogue sobre os Jesuítas:

http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/02/covilha-os-jesuitas-iii.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/01/covilha-os-jesuitas-ii.html





 


quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Covilhã - Os Jesuítas III


    Como encontrámos no espólio de Luiz Fernando Carvalho Dias   uma pasta sobre Jesuítas covilhanenses ou que se fixaram na Covilhã, continuamos hoje a publicar o tema a eles dedicado.
    A Companhia de Jesus foi fundada por Santo Inácio de Loyola que nasceu em 1491 no País Basco – Azpeitia – e morreu em Roma em 1556.
    Os Jesuítas entram em Portugal no reinado de D. João III, através de Francisco Xavier e Simão Rodrigues e tendo como pontos de partida Lisboa, Coimbra e Évora, toma nas suas mãos o ensino e a organização da missionação das colónias.
    Acompanhanhemos os Jesuítas nascidos na Covilhã em fins do século XVI e princípios do XVII, sobre os quais temos alguns elementos importantes: uma ficha e fotografias de originais – cartas, autógrafos ou profissões de fé e documentos notariais.


X - Padre António Quaresma 




XI - Padre Gaspar Paes 



Natural da Covilhã, donde passando à India Oriental recebeu a roupeta da Compª. de Jesus em Goa a 23 de Novº de 1607, com 14 anos.
“Tendo ensinado pelo espaço de 3 anos letras humanas, como pedisse o Emperador da Etiopia Sultão Segued alguns operarios evangelicos pª que conservassem no seu imperio a Religião Romana contra os erros sismaticos de Alexandria, foi nomeado pª. tão gloriosa empreza o qual saindo de Goa no fim do ano de 1623 embarcou pelo mar Eritreo até chegar a Massuá a 26  de Maio de 1624 onde foi recebido pelo seu governador com todas as significações d’aplauso e benevolência. Escoltado de quarenta turcos para não ser acometido dos ladrões chegou a Fremona situada em o Reino do Tigre, e nela asistio algum tempo exercitando o seu apostolico ministerio com incansavel zelo e vigilância. Sucedendo no Impº. da Etiopia por morte do Sultão Segued seu filho Facilidas, como apostasse da fé prometida no baptismo se declarou fautor dos erros de Alexandria mandando em o ano de 1634, com gravissimas penas, que fossem expulsos de todo o seu Imperio os professores dos Dogmas da Igreja Romana. Não intimidou esta furiosa tormenta o coração do operário Evangélico pª. deixar de confirmar na fé aos filhos da sua doutrina sendo-lhe preciso para que não fosse conhecido mudar constantemente de habitação e vestido e por varias vezes ocultou-se nas cavernas dos montes e na espessura dos bosques. Querendo o Ceu premiar as suas virtuosas acções com a coroa do martírio permitio, que ao tempo que estava doutrinando aos cristãos fosse acometido improvisamente de 150 cismaticos, armados de varias armas ofensivas, e arremetendo tumultuariamente contra o venerável padre lhe trespassaram o peito com duas lançadas por onde saiu o seu espirito a lograr a eternidade gloriosa a 25 de Abril de 1635, quando contava 42 anos de idade e 28 de Compª..
Fazem honorificamente memoria do seu nome. Tanner, Soc. Jesu ad sang. et vit. profus milit. pag 139.  Rho, var. virt. Hist. lib 6, cap 5, etc....
João Soares de Brito: Theatr. Lusit. Litter. lit. g. nº 26.
Escreveo:
“Carta annua da Etiopia escrita da Residencia de Thamghá ao P.e Geral Mucio Vitallechi em 15 de Julho de 1625” da qual imprimiu grande parte o P.e Manoel da Veiga.


XII - Padre António de Sousa


Natural da Covilhã, seus pais foram Paulo de Figueiredo de Almeida e D. Inês de Sousa. Entrou na Companhia aos 19 de Janeiro de 1604, com 15 anos de idade.  (nasceu em 1589)
Passou à India em 1609.
Acabou os estudos em Macau.
Tomou ordens em Malaca.
Em 1616 entrou no Japão e havendo suspeita que era da Companhia foi desterrado. Foi alguns anos Procurador da Província do Japão.
Depois, disfarçado em trajo de marinheiro, voltou às Ilhas, onde andou 5 anos numa barca e padeceu incómodos gravíssimos. Andando a confortar os cristãos foi preso em Osaca. Deram-lhe tratos de água, fazendo-lhe beber muita e depois lançá-la pela boca com violência. Carregado de ferros foi levado a Nagazaqui e posto no tormento das covas no qual perseverou vivo sem comer coisa alguma nove dias. Pasmavam muito disto os guardas que o vigiavam, compadecendo-se do seu trabalho; mas o padre se compadecia deles pela moléstia que por causa de seu ofício tinham.
Acabou aos 26 de Outubro de 1633.


Covilhã - Fachada da Igreja de Santiago.
O grupo escultórico da direita representa o martírio do Padre António de Sousa.
Fotografia de Miguel Nuno Peixoto de Carvalho Dias

XIII - P. Sebastião de Figueiredo (1)

Público instrumento de auto de posse em 1662, em 9 de Outubro, no sítio da trabalhjnha, onde foi o t.ªm, sendo presente por procurador de sua filha Beatriz de figueiredo, Antº. Pais da Costa, andou pelo dito olival e souto referido na escritura atraz, tomando posse, T.ªs Domingos mateus e Manuel Gonçalves, d’Alcaria,
a)            Manuel Barreiros
a)            Antº. Paez da Costa
De D.ºs + Mateus
+ M.el frz.

1662
Público instrumento de poder e procuração, feito no ano de 1662, em 17 de Julho, em cazas das moradas de Antº. paes da Costa, pelo P.e Sebastiam de Figueiredo, da Compª. de Jesus, da provincia do Brazil, que era prezente, com livre e geral administração e com poder de substabelecer, ao dito Antº da Costa, entre outros pª. poder por acções contra as pessoas que lhe deverem dívidas pelo arrendamento de sua fazenda, cobrar e arrecadar a sua fazenda que lhe coube por partilhas de seu pai e mãe etc.
T.ªs João Mendes Pinheiro, moço solteiro, fº. de Maria da Serra, viuva e m.ºra nesta v.ª e manoel Fernandes moço solteiro fº de guiomar Rodrigues, tambem m.ºrs nesta vila.
T.ªm Manoel Barreiros que serve por provimento do Corregedor da Com. da Guarda.
Treslado – 21/Outº/1662
(sinal)

3
Sentença de Sorte proferida pelo Doutor Manoel Pereira de Barredo (sic), juiz dos orfãos na Covilhã, ê partilhas que se fizeram por morte de Miguel de Figueiredo, marido que foi de Beatriz Coutinha, m.ºres em Covilhã, que foram feitas pelos partidores dos orfãos Luiz ... e Manuel de Gouveia de pina, e declaradas por boas por despacho de 17 de Junho 1656, na qual partilha se fez sorte de sebastiam o filho absente do defunto e lhe aconteceu da legitima de seu pai e da erança da sua avó Beatriz Ravasca 66.105 reis, os quais lhe deram no seguinte:
- umas terras que estão à trabalhinha, no limite de Alcaria que partem com Antº. Rodrigues, do dº. lugar em valia de xx ij mil rs.
- lhe aconteceo uma terra que esta aonde chamam a barroca de silva, no limite de alcaria, que parte com antº. João em treze mil rs.
- idem uma terra onde chamam as pousadas, com metade de seus pardieiros que parte com erdeiros de maria de figueiredo e com manoel fernandes neto e com caterina francisca – x mil rs.
- idem uma terra que está onde chamam a de maria afonso que parte com pero gonçalves .... e com terras do praso da levada – 8 mil rs.
- idem uma terra que esta aos Covões que parte com o ...., e entesta com fazenda do escrivão de aldea nova do cabo em valia de 3.000 rs.
- item uma terra que está onde chamão o cabeço da penha que parte com erdeiros de manoel Lopes e com domingos lopes e com erdeiros de manoel dias – 3.500 rs.
- um pequeno de terra que está a S. Longinho que parte com diogo fernandes do peso – mil rs.
- mais 3.750 rs que deve sua tia Mariana de figueiredo que lhe cabiam do que devia a sua mãe da fazenda desde que faleceu seu pai até ao presente.
- um pote e pio que serve de azeite – 600 rs.
- uma dorna pequena – 500 rs.
- 620 rs. que deve Antº. Rodrigues d’ alcaria de 2 alqueires de centeio e 300 rs. mais.
- uma fronha velha forada de pena, em 120 rs. e que ouvera em seu irmão Manoel – rs.

17/VI/1656
t.ªm francisco alvres fatella
                                               a) M.el prª. Berredo


4-
1º Requerimento do provedor e irmãos da S.ª Caza, pª. que lhes seja passada certidão e treslado do praso feito por Mariana de Figueiredo, viuva e sua filha beatriz de figueiredo, de uns chãos, a Gaspar Pires nogeira e sua m.er M.ª Rodrigues, todos desta vª. e constantes de notas do t.ªm Gonçalo Serrão da Rocha.

Despacho – assinado Feyo
Certidão – Gonçalo Serrão da Rocha, tªm publico de notas e Enqueredor nesta nota na Covilhã. por provimento do Corregedor da Comarca – certifica que no livro de notas que foi do t.ªm Pedro d’ Oliveira: Escritura de emprazamento e Phatiosim de uns chãos que lhe emprazaram Mariana de Figueiredo Dona veuva e sua filha Beatriz de figueiredo, de Covilhã, a Gaspar Pires Nogeira e sua molher Maria Rodrigues, desta V.ª, em 24 de Setº. de 1680. O primeiro chão está onde chamão o porto de Covilhã e parte com o Dr. Estevam Correia Xara e com vinha de Jorge de Serpa e da outra com herdeiros de Manoel de Gouveia de pina e com herdeiros de Luiz de Loureiro. o 2º está sito à Comenda e parte com fazenda do Lecencçeado Estevam Barbas, e seus irmãos, e com terras do Revº. Prior de S. Silvestre, todos desta Vª.. O chão do porto da Covilhã, paga todos os anos 2 alq. e meio de trigo à Stª. Caza da Misª..
- Pelo preço de 3.000 em cada um ano pagos pelo Natal e mais trez alqueires de sementes, feijões e grãos pelo S. Miguel.
os 2 alq. e meio do trigo à Misª. pagam-se sempre em quinze de Agosto e ficam tb. a cargo dos foreiros. “ ... tudo lhe pagaram Bom e de Receber, medidos pela medida do Conselho em caza delles cazeiros livre de todo o trebuto, e de annos fortuitos como sam peste fome guerra lagarta gafanhoto pulgam trovoadas com pedra e de outra falta que haia de Pam vinho azeite castanha ou de outras novidades de que Deos Nosso Senhor nos livre ...”
Hipotecas: eles cazeiros hipotecavam uma courela de terra, aonde chamam a de Pero Antam, lim. do Teixoso, que parte com Antº. francisco o Pombo, do mº. lugar e com terras de manoel da Costa da vª. de Sortelha; e outra courela de terra onde chamam a cruz de Treslesmontes no dº. limite, que parte com herdeiros de manoel Dias o Gaiolla e com Domingos frenands, o gil, ambos do Teixoso – Pela cazeira assinou a seu rogo Simam ferrejra sapateiro, mºr na Covilhã. T.ªs João Gomes e Francisco alvres, ambos oficiaes de carda, m.ºres nesta Vª.
T.ªm Pedro d’ Oliveira, tªm publico de notas na Covilhã, por S. A.
- treslado de Gonçalo Serrão da Rocha – 6/X/1721
sinal do tªm.

5-
Carta de sentença do juiz de fora dos orfãos na Covilhã, Doutor Manoel Monteiro de Sande e Souza da licença pedida pª. o que adiante se faz expressa menção, que em 23 de Junho de 1662, em casa do escrivão ao diante nomeado que este fez foi apresentada uma petição por Miguel (sic - deve ser Manoel) de Figueiredo e conforme meu despacho nela, pª. que na forma dele se tomasse presentação da dª. petição que dizia: Manoel de figueiredo filho que ficara de Miguel de figueiredo desta vª. que por ser de geração nobre e não tinha bens de que se sustentasse segundo sua qualidade se queria embarcar pª. as partes do Brazil em companhia de um seu irmão Religioso da Compª. de Jesus, e porque os bens que tinha de sua legitima importavam em trinta mil reis, os quais lhe era necessario vender pª. se preparar e não o podia fazer sem minha licença porque era menor de 25 anos, mª. pedia etc.
- despachou que ouvesse vista o L.do Valerio da Fonseca Pinto, advogado na Covilhã, que ele juiz nomeou como curador – 23 de Junho – 1662.
- Parecer do curador favorável: “Sou de parecer que o Snor. doutor juiS de fora dos orffaos dê ao supplicante a licença que pede porque os Bens são poucos e como se não pode sustentar com elles he bom caminho ho embarquarsse e assy se pratica entre as pessoas de sua qualidade ....” 24/VI/1662
Sentença favoravel em 26/VI/1662
publicada no mesmo dia
certidão da sentença – 27 de Junho
Escrivam dos orfaos que escreveu – Manoel Alvres Fatella, na Covilhã e seu termo.

6-
Carta de venda a senso e retro aberto, sem limitação de tempo, feita em 29 de Agosto de 1662, na Covilhã, em casas de Antonio Paes da Costa e sua .er Mariana de Figueiredo, que eram presentes, os quais venderam a Vicente Pinto de Gouveia e a sua mulher, m.res na Covilhã, 5 alq. de centeio, em cada um ano, per dia de Nª. Snrª. de Agosto, sobre as propriedades de raiz seguintes:
a) uma terra com suas oliveiras que estão ao cabeço dos barreiros, limite d’ alcaria, que parte com erdeiros de pero Gonçalves pissara e com fazenda do morgado d’ Alcongosta. por preço de 5$000 rs. à razão de 1$000 rs. por alqueire.
Certidão da siza aprezentada pelos compradores juiz de fora e presidente das cizas Dr. Matias fernandes maja
500 rs. de siza
Depositario das sizas – João da Silva
Escrivão das sizas – felipe caldeira
Tªs. Antº Rodrigues, barbeiro, dª Vª. e José Rodrigues, tambem de Covilhã
Tªm. Manoel Tavares Fatela.
Treslado do mesmo Manoel Tavares Fatela – em 30/VIII/1662 . Sinal

(Ao fundo com outra letra:
“estou pago e satisfeito desta escritura dos anos que a tive em meu poder e por verdade me asinei.
   ê Covilhã a 15 d’ Agosto de 1679 annos
Martim Mendes
                                            
7-
Doação entre Vivos

Público instrumento de doação entre vivos, feita no ano de 1662, em 16 de Julho, em casas de Antº. Pais da Costa, na Covilhã, pelo P.e Sebastiam de Figueiredo, religioso da Compª. de Jesus, da provincia do Brazil, a Beatriz de figueiredo pimentel, sua prima, filha de Antº. Pais da Costa, toda a fazenda assi movel como de raiz que se acha ser dele doador, por ela ser pobre e por lhe estar devendo muitas e boas obras assim à doada como a seu pai dela e tio dele testador, pª. seu dote e casamento ou estado de religiosa.
Tªs. Manoel fernandes, soltº, filho de Giomar rodrigues; e Antº. Antunes português (ou nunes como aparece na indicação da assinatura), m.ores nesta Vª.
Tªm. Manoel Barreiros, por provimento do Corregedor da comarqua.
treslado – 17/Outº/1662
tªm. Manoel Barreiros (sinal)

Auto de posse dado em publica forma, em 1663, aos 4 de janº, em alcaria, em casas que foram do Revº. Sebastiam de Figueiredo, foi dada posse de toda a fazenda que lhe pertencia a Beatriz de Figueiredo que ia com seu pai Antº. Pais da Costa, que era metade das ditas casas, porque a outra comprara seu pai a Manoel de Figueiredo, orfão, irmão do dº. padre Sebastiam; daí se foram ao sítio chamado ......, no dº lugar e aí foi dada posse de um souto com suas terras d’olival e chão de regadia, com sua preza e fonte; e daí se foram além da Ribª. da Meimoa, limite do fundão, em terras que chamam das pousadas, que eram do dito doador.
Tªs. Antº. Pires e Domingos Matheos, ambos de alcaria.
Tªm Domingos da Veiga
(este auto é o original)
a) Antº. Paes da Costa        Beatriz de fig.º pementel
                                 da testª. manoel pires
                                         (sinal)
                                                        Domingos da Veiga.


8-
Público instrumento de desistimento de fazenda para o abaixo dito e declarado, feito no ano de 1662, em 9 d’Outº. no lugar d’Alcaria, tº da V.ª da Covilhã, nas cazas e moradas de Antº. Rodrigues barryga, estando ele presente e sua m.er Luiza francisca disseram que eles livremente pagavam 13 alq. de trigo e 2 de senteio de foro em cada ano ao P.e Sebastiam de Figueiredo filho que ficou de Miguel Correa de figueiredo, que lhe couberam por partilhas feitas por morte do seu pai, o P.e Sebastião de figueiredo porque era religioso da Compª. de Jesus fizera doação de toda a sua fazenda e legítima a sua prima beatris Caldeira Pimentel, fª. de Antº. Pais da Costa e de Mariana de Figueiredo Castelo Branco, seus tios; ora eles desistentes não podiam pagar o dito foro “pellos tempos irem tam contrarios” desistiam das propriedades de que se paga o dito foro – que são: a) um olival de 20 oliveiras e seu cham de regadia com sua preza que leva 3 meios de linhaça de semeadura, e um souto com 16 ou 17 castanheiros, as quais duas propriedades estão a Trabalinha, limite deste lugar – p.te o olival com o padre Manoel figueira e com erdeiros da concha, e no cimo p.te com herdeiros de domingos mendes de loryga e da outra banda com joão Fernandes ...., e com o padre manoel da Fonseca d’alcomgosta e no fundo com o Rio Zezere. Destas 2 propriedades pagam só 11 de trigo e 2 de centº. porque os outros 2 restantes continuam pagando por serem sobre um pequeno de vinha, que está a S. Sebastiam deste lugar, que se obrigam a pagá-los à dª. Beatris de figueiredo pois estam nóutra escritura apartada. Assinou pela desistente Domingos mateus.
Tªs. Manoel Gonçalves, alfaiate e Gaspar fernandes m.ores em alcaria.
Tªm. Manoel Barreiros, público tªm. de notas na Covilhã por provimento do Corregedor da comarca. Procurador de Beatriz de fig.do Antº. Pais da Costa.
(Este treslado é de 20 de Outubro de 1662)


9-
Carta de Venda

Publico instrumento de carta de pura venda feita em 7 de Dezembro de 1665, no Fundão, por Manoel de Figueiredo Correa, soltº, fº que ficou de Miguel de Figueiredo, maior, n.al da Covilhã e residente em Lxª - a beatriz de Figueiredo, solteira, filha de Antº. Pais da Costa e de Mariana de Figueiredo Castelo Branco, m.ores na Covilhã, umas terras que estam no limite do lugar do fundam, que estam por baixo da ponte da Meimoa, a que chamam as pouzadas, que partem com ela compradora e com Vicente Pinto de Gouveia, da Covilhã, e com terras do Rev.do P.e Manoel da Fonseca Leitam, m.ºr em Alcongosta, por preço de 6.000 rs.
Certidão da Siza paga pela compradora: juiz de fora dos orfãos que tb. serve do geral e presidente das Cizas o Dr. Affonso Vaz de Aguillar; gaspar fernandes, depositario dos bens de raiz; 600 rs. de siza; escrivam das sizas, Antº. Rodrigues, por provimento do Corregedor da Comarca – 6/XII/1665.
Tªs José Machado, estudante, fº. de Manoel Machado de Pero Vizeu; e Manoel Rodrigues, soltº, fº de Domingos Fernandes Ratinho, natural de Covilhã..
Tªm. Manoel Gomes Castanho, tªm. publico de notas no Fundão.
Foi terminada a escritura a 8 de Dezembro.
                                   (Sinal)


Cortes do Meio
Fotografia de Miguel Nuno Peixoto de Carvalho Dias

10-
Sentença do Doutor Luiz De Valladares Souto Mayor juiz de fora, na Covilhã, pronunciada na acção de libelo deRaiz, em que foi autor Antonio Paes da Costa e sua filha Beatriz de Figueiredo Pimentel, como legitimo administrador, m.ºres na Covilhã, e R. o Capitam Manoel Antunes falcam, viuvo, m.ºr no Fundam, porque no ano de 1666 anos, 5 de Marso, na Covilhã e passo do concelho dela, pelo advogado dos autores L.do Manoel da Costa Lemos foi oferecido o libelo contra o R. – porteiro da vara Diogo da Silva apreguou o R; teor do libelo = Por doação do P.e Sebastião de Figueiredo, primo coirmão da a., veio a esta um pequeno cham com oliveiras, (que viera ao P.e Sebastião de Fig.do por morte de sua mãe Beatriz Coutinha), sito nos sitios das Cortes, limite de Alcaria, onde vai pª. sinco ou seis anos se intrometeu sem titulo algum o R., e não o quere largar aos autores.
Termo de desistimento feito em 30/3/1666, em cazas de Manoel Antunes Falcam o amzinheiro d’alcunha, onde disse ao escrivam que não queria tratar nem seguir a demanda que os AA. lhe moviam desistindo assim o dº. cham e oliveiras. Tªs. Mateus Gonçalves e Simam Martins, do Fundão.
Tªm. do judicial Matias Mendes de Siqueira.
Sentença do termo de desistimento
Covilhã 13/IV/1666
Sentença publicada em audiência de 7/V/1666
Diogo Luiz de Andrade, escrivam das execuções, desta vª.
   Condenado o Reu em custas, sellos e salario do letrado do Autor
                          Custas – 1.400 rs.

17/V/1666 – Matias Mendes de Siqueira

Nota dos editores - 1) Em 1659 encontramos o Padre Sebastião de Figueiredo a chefiar uma missão de jesuítas no Brasil. Os Holandeses já tinham sido expulsos e os jesuítas fundam com os índios a Missão de São João Baptista das Guaraíras, construindo uma Igreja e convento, formando a Aldeia de Guaraíras, mais tarde chamada Arez. Fica no Rio Grande do Norte.

Fontesvol 2 – Noviciado de Coimbra


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domingo, 5 de janeiro de 2014

Covilhã - Os Jesuítas II


   Como encontrámos no espólio de Luiz Fernando Carvalho Dias uma pasta sobre Jesuítas covilhanenses ou que se fixaram na Covilhã, continuamos hoje a publicar o tema a eles dedicado.
    A Companhia de Jesus foi fundada por Santo Inácio de Loyola que nasceu em 1491 no País Basco – Azpeitia – e morreu em Roma em 1556.
    Os Jesuítas entram em Portugal no reinado de D. João III, através de Francisco Xavier e Simão Rodrigues e tendo como pontos de partida Lisboa, Coimbra e Évora, toma nas suas mãos o ensino e a organização da missionação das colónias.

    Acompanhemos os Jesuítas nascidos na Covilhã e arredores em fins do século XVI e sobre os quais temos informações interessantes: fichas, fotografias de documentos originais – cartas, autógrafos ou profissões de fé - que pensamos poderiam ter-se destinado a uma exposição, ou a um "Dicionário" de covilhanenses ilustres.
   Também vamos publicar uma carta sobre uma ida à Covilhã do jesuíta Padre Manuel da Nóbrega que viveu entre 1517 e 1570 e chefiou a 1ª missão jesuítica na América.

          O Padre Manuel da Nóbrega fez uma missão na diocese da Guarda e aí aparece um trecho de uma carta dele para os irmãos do Colégio de Coimbra:
Véspera de S. João parti para a Covilhã. Villa de muita gente. E porque me furtaram ou eu perdi o sombreiro no caminho, fui ao sol três legoas, achei-me lá meyo doente, preguei ao dia a muito descontentamento meu, E do povo porque eu sou quem sou: foi de maneira que quando veyo ao Domingo seguinte, que eu havia de pregar outra vez, disse hum cura, que havia pregação em tal igreja, porém pera que hera ouvir me, que eu nam dizia nada, e outras palavras semelhantes. Aquelle Domingo preguei melhor, E publiquei, que à tarde em todos os Domingos e dias santos ensinaria os mandamentos a toda a gente, e pella semana todos os dias aos meninos. Dia de Nossa Senhora da Vizitação preguei a muito concurso de gente, e a contentamento meu e do povo: Ao Domingo também e melhor que nunca; foi de maneira que era honrado já, E me lançavam bençãos, por onde hia “. (1)

VI - Padre Manuel Rodrigues - (O Padre Caridade)

Nasceu na Covilhã, filho de Francisco Gonçalves e de Guiomar Rodrigues, entrou na Companhia a 27 de Dezembro de 1571 e morreu a 20 de Setembro de 1612 . 
- "Relação da peste que devastou a cidade de Coimbra no ano de 1599 e do que obrou e mais seus companheiros em socorro dos empestados" (2) 

VII - Padre António de Proença

Natural do Fundão, filho de Silvestre de Proença e de Jerónima de Sousa, entrou na Companhia em 17 de Outubro de 1574.
Professou solenemente em 10 de Março de 1602 e em 1603 seguiu para a Índia, onde morreu. (3)

VIII Venerável Padre Manuel da Cunha

Proto mártir na gloriosa missão de Mayssur, natural de Aldeia Nova do Cabo. (4)

IX - D. Diogo Seco


    

"Natural da Covilhã, filho de Manoel Seco e Maria Jorge. Com 16 anos entrou no noviciado de Coimbra da Companhia de Jesus em 23 de Março de 1591 “e no mesmo colégio aprendeu Humanidades e poesia latina em que saiu eminente de tal sorte que sendo mestre da 3ª classe no Colégio de Lisboa representou no ano de 1604, na presença do Ilustríssimo Bispo de Coimbra D. Afonso de Castelo Branco, quando este chegou a Lisboa eleito Vice Rei de Portugal, uma tragédia cujo assunto era a vida de S. Antão. Fizeram as figuras os filhos dos principais fidalgos do Reino. Esta obra deu-lhe universal aplauso.
Depois de ter ditado em Coimbra, duas vezes, a classe de Humanidades, ensinou Filosofia e Teologia mostrando em uma e outra faculdade engenho, agrado e talento profundo.
Partiu para Roma no ano de 1618, para revisor dos livros da Companhia de Jesus. Aí leu teologia, sendo admirado por toda a cúria a sua profundidade Teológica e  eloquência Latina.
Como na sua pessoa concorriam tantos dotes, foi eleito Bispo de Niceia, para sucessor do Patriarca da Etiópia, o P.e Afonso Mendes. Foi sagrado a 12 de Março de 1623. Pouco tempo correu que não se fizesse à vela para o destinado termo das suas angélicas fadigas, embarcando-se a 25 do dito mês em a Nao Stª. Izabel de que era almirante D. Diogo de Castelo Branco. As infermidades que com pestífera brevidade extinguiam grande parte dos navegantes chegou a privar da vida o almirante, de cuja morte ficou tão penetrado, que passados poucos dias o acompanhou em tão funesta calamidade a 4 de Julho de 1623.
Foi insigne poeta latino de cujas poesias conservava grande parte o P.e Baltazar Teles, uma das quais sobre a frescura da Serra da Arrábida e mosteiro dos Seráficos Religiosos. 
   Apreciemos esta poesia em latim e na primorosa tradução portuguesa feita na década de setenta do século passado pelo jesuíta covilhanense António de Almeida Fazenda, a pedido do investigador Luiz Fernando Carvalho Dias.



A Arrábida


Arrabida Mons = Serra da Arrábida
(Tradução)

Lá onde o sol no mar do Ocidente
Afunda as chamas do seu carro ardente
E onde o Oceano investe duro
A terra, que lhe opõe seu forte muro,
Há um lugar, oh! Príncipe eminente,
Gloriosa luz da Lusitana Gente,
-Pois no vosso coração volveis
Sangue de tantos, tão ilustres reis-
Um sítio que, com justa diligência,
Do princípio do mundo a Providência
Vos guarda, exultante de riqueza
Que gozosa opulenta a natureza.

Iminente aos escolhos, altaneira
Sobre os cumes ondeia a cabeleira
Da cerrada beleza da floresta;
Variedades sem fim viceja a fronde,
E em mil formas e cores lhe responde
Garrida flor em colorida festa.

Enquanto as ondas galgam, à conquista
Das angras fragorosas, vêm a vista
Os astros no arvoredo regalar;
E, se as águas são fogo no verão,
Dóris bela e cem Ninfas lá irão
À fundura dos vales refrescar

Não há canto, onde o vidro transparente,
De fonte regelada não rebente
E não se ponha com o seixo à fala;
Serpeia a clara linfa na verdura,
E toda a confidência que murmura,
Alegram-se as ervinhas de escutá-la.

Cala-me, oh! Tempe, a glória da Tessália,
E o Peneu, fecundo role e cale-a,
Com rica abundância que lhe dá...
Siga seu curso rápido e veloz,
Fuja ao tormento e à amargura atroz
De volver os seus olhos para cá.

Se ele atingisse a altura destes montes,
E a tais vales descesse de tais fontes,
Ante esta maravilha, é minha mente
Não só que suas águas refreasse,
Mas que, negando ao mar a própria face,
Suspenso aqui ficasse eternamente.

Toda a vez que aqui vem o Cíntio Apolo,
Olvida o seu amor ao pátrio solo
De Delos, que lhe viu o nascimento;
E Diana, com a sua comitiva,
Destas serras ao ver a perspectiva,
O Cinto nem lhe acode ao pensamento.

Desdenha aqui do Irmão a ardência brava,
Pendura ao ombro a perigosa aljava,
Solta os arcos sonoros e os cavalos;
Lábios de rubra chama e olhar feliz,
Espera, de emboscada, os javalis,
P’ ra a tiros, de surpresa, trespassá-los.

Já corre atrás de bandos de veados,
Já no sopé dos montes, alagados
Da muita água por eles despenhada,
À rede enganadora, com seus brados,
Por manhosos ardis multiplicados,
Leva e colhe infinita passarada.

Ou então põe seu gosto na armadilha,
Que assenta habilidosa, onde filha
Da orelhuda lebre a timidez;
Ou, despedindo a zunidora seta,
Que grande complacência, quando espeta
O quadril da veloz cabra-montês!

Oh! Anfião, que ao som da tua lira,
Talhas na rocha o canto, e ele gira
A assentar-se no muro que alevantas,
Não cuides que estas fragas ou colinas
Fossem após as músicas divinas
Com que na Grécia os pedregais encantas...

O que é mais certo sucedera aqui,
É que elas te chamassem tanto a si,
Te enlevassem de tanta suspensão,
Que o silêncio calasse a sua lira,
Sem palheta nem dedo que a ferira,
Esquecida de encanto a tua mão...

O Rei do Canto e da Harmonia, Orfeu,
Que, segundo se conta, faleceu
Da sua inconsolável viuvez,
Se entre estes bosques modulara a voz,
Teria mitigado a dor atroz,
Eternizado Eurídice talvez...

Aqui as auras esvoaçam ternas,
Afagam com amor estas cavernas
E bafejam de graça belas flores;
E as Ninfas engodadas pelas sombras
Dos cerros ervecidos como alfombras,
Habitam facilmente estes frescores.

Rompendo a água mansa com seus braços,
Curvam-se abruptas penhas em regaços,
Que embalam na moleza areia fina;
Aqui, os ventos morrem e sossega
O mar, que não mostrando uma só prega,
Recorda a placidez da paz divina.

As águas, superfícies de patena...
Grata mansão do Pego, tão serena,
Que imita do seu dono a mansidão;
Aqui, gosta Neptuno de acolher-se;
Cansado, vem aqui a refazer-se
De todas as maçadas que lhe dão.

Aqui, Senhor, estupefacto vedes
Com que empenho ele empurra para as redes
Apetecidos peixes em cardume;
Sempre a vosso serviço bem disposto,
A vontade de em tudo vos dar gosto
É nele, há muito, habitual costume.

E agora enorme assombro! Como nunca
Tão funda se abriria a espelunca,
A Santa Margarida dedicada!?
No lindo nome a santa, e no semblante,
É pérola de luz, tão deslumbrante,
Que o Céu no-la levou arrebatada.

Difunde o meigo rosto suavidade,
E, no enlevo da sua claridade,
As sombras da caverna transfigura;
Ao pé do Santuário água perene,
Bem mais inspiradora que Hipocrene,
Mais salutar, mais deliciosa e pura.

Junto do alto monte, sem amparos
De colunas da Líbia nem de Faros,
Mas de calaus grosseiros de ali perto,
Fez-se a Casa, depois que das cidades,
A Virtude, coagida às soledades,
Foi meter-se nas brenhas do deserto.

Pobreza e Piedade nestes cumes,
Pela Idade do Ferro e p’los ciúmes
Da cobiça às alturas relegadas...
Feliz a Religião aqui floresce,
Paz e Calma, que o mundo desconhece,
São sempre nestas choças encontradas.

Olha, em disfarce de figura humana,
A Pobreza, opulenta Soberana,
Que riquezas eternas distribui!...
Virtudes mais ilustres que as estrelas,
Em homens sobre-humanos pode vê-las
Quem ao Convento for, como eu lá fui.

Abrem por todo o lado as penhas brutas
Em seus roídos seios amplas grutas,
Donde temeis vos salte alguma fera...
Não são covis, são belos santuários,
São, no fervor de tantos solitários,
Do Palácio de Deus salas de Espera!...

Aqui víreis primeiro a Frei Martinho,
Que, inspirado de Deus, abre o caminho
Destes ásperos montes para o Céu...
Insigne na piedade, aqui se esconde,
Mas calca fundas, mil pégadas, onde
Corre a progénie que o Senhor lhe deu.

Para Miguel não são precisos rastros,
É Águia que se eleva sobre os astros;
-Voos de Arcanjo e nome de Falcão...
Mas há tantos que põem às escuras
As mais belas estrelas das alturas
E nos cobrem a nós de confusão!...

Aqui, oh! ilustríssimo Senhor,
Vos traz alguma vez vosso fervor;
Aqui vos repousais, no esquecimento
Dos cuidados da vida e seu tormento;
Aqui se põe, a vosso olhar, patente
O trono de Deus Pai Omnipotente;
Aqui, sedento e absorto, meditais
A doçura das coisas eternais;

Aqui mostrais, na vossa justa estima,
Que as colocais imensamente acima
Dos magníficos Paços sublimados,
Tão alto sobre as nuvens levantados,
Que com tanto primor e ostentação
Mandastes construir em Azeitão;
Aqui, enfim, mostrais a propensão
Do vosso grande espírito cristão. (5)

Convento de Nossa Senhora da Arrábida


A Arrábida


Em Latim

Quà sol occiduo mergit gurgite currus,
Et Pater Oceanus terrae quà fluctibus obstat,
Est locus (ó Regum soboles numerosa parentum
Lusiadumque decus Princeps) quo numinis alti
Cura tibi merito terrarum ab origine servat
Naturae gaudentis opes.
                     Hîc pulchra comanti
Incumbens scopulis consurgit vertice silva:
Mille virent frondes diversae, mille perennant
Elysei flores vel quà (per aperta sonantes
Dum subeunt fluctus) spectantia sidera montes
Intonsi recreant, vel quà formosa jacentes
Doris amat valles, centumque ex aequore Nimphis
Immites egressa levat sub fronde calores,
Cum fervet rapidus Neptuni Syrius undâ.
Híc passim gelidi vitreo de fonte liquores
Emanant, lapisdesque cient, et amoena vireta
Obliqui subeunt, et laeto murmure complent.
                     Cedite Thessaliae felicis gloria Tempe
Quique vagas fluctu longe Peneus amoeno
Auget opes, rapidoque fluens petit aequora cursu;
His tamen ille cadens devectus montibus, hisque
Vallibus eexceptus, placida ad spectacula lymphas
Frenaret, serusque daret, si forte dedisset,
Oceano fluctus.
                      Maternam Cynthius (oras
Has quoties visit) mittit de pectore Delon;
Nec gelidi meminit Cynthi juga quaerere, montes
Hos quoties stipata choris Diana verendis
Adspicit; huc fratris jam dedignata nitores
Itaetantes immittit equos arcusque sonantes
Explicat, acque humeris suspendit laeta pharetram:
Aut latitans telis incautos excipit apros,
Errantesque greges cervorum cauta fatigat,
Aut liquidos, quà parte lacus e montibus amnes
Efficiunt lapsi, innumeras ad rara volucres
Retia compellit: positis seu fallere gaudet
Auritos laqueis lepores, et figere damas.
                  Amphion (cujus Dirces de rupibus olim
Saxa tulit, jussitque lyra componere Thebas
Sponte sua muros) non haec saxa canentem,
Aut tua tam pulchri sequerentur carmina colles,
Sed traherent, possetque manus mirata tacentis
Non meminisse chalys. Nec Rodhopeius heros,
Has inter silvas, modulus si voce dedisset,
Eurydicis maestos possuisset corde dolores
              Hîc dulces Zephyri volitant, haec antra salubris
Aura fovet, variosque inducit gratia flores
Per nemus, et faciles habitant juga mitia Nymphae.
Hîc blanda abruptae perrumpunt aequora rupes,
Et molle includunt curvata in brachia littus.
Hîc placidum ventis semper mara fluctibus obstat,
Grata quies pelagi, nulloque excita furore
Stagna modesta jacent, Dominique imitantia mores:
Neptuni dilecta domus, quo fessus ab alto
Se recipit, miràque loci dulcedine captus,
Praeteriti stimulos ponit de corde laboris;
Huc ille innumeras sinuata ad retia, Princeps,
Fert praedas, totosque greges ex aequore laetus
Compellit, gaudetque tibi parere jubenti.
             Hîc vastum spelunca patet depressa per antrum;
Sacra domus Nymphae, cujus de nomine gemmae
Lux melior fulget, stabilis quam regia caeli
Exceptam servat; facies hanc blanda benignis
Offundit radiis; delubra ad sacra perennes
Exsudant latices, quales nec docta poetis
Ungula sacravit, nec queis ad carmina Musa
Majores cupiat.
            Celso stat monte propinqua
Non Phariis Libycisve domus fundata columnis,
Sed saxo congesta rudi, quae culmina (Virtus
Effugit postquam pennis velocibus urbes)
Paupertas Pietasque colunt, quas dira cupido
Fereaque e terris ad caelum compulit aetas.
Pax sedet, eaternasque (hominum simulata figuram)
Pauperies ostentat opes: Virtutibus aequat,
Vel superat coetus mortali augustior astra.
              Adparent passim exesis sub rupibus antra,
Antra, quibus caelum spatiosa palatia pandit;
Hîc ille insignis latuit pietate (secutus
Qui quondam nutum, vitae, per dura jubentis
Ire Dei) sacri coluit culmina montis,
Alta petens, sociisque viam patefecit Olympi.
Hinc Michael celeri conscendit in astra volatu,
Moribus et pennis Michael, sed nomine Falco,
Atque alii, quorum ornantur virtutibus astra.
             Has sedes aliquando petis, clarissime Princeps;
Hîc te sollicitae capiunt oblivia vitae.
Hîc Pater ipse Deum totum tibi pandit Olympum,
Dulciaque aeternae meditaris gaudia vitae.
                Haec magis apta tuis, Princeps, stant moribus ergo
Quam quae regali jussisti instructa paratu
Inferius positas monumenta excedere nubos.

(Assim cantava, diz Baltasar Teles, este divino poeta). (6)


(7)

(8)

Fontes –  1) Padre António Franco, na pag 164 do 2º volume da Imagem da Virtude no Colégio de Coimbra,
2) Padre António Franco, "Imagem da Virtude no Noviciado de Coimbra", pag 493
3) Noviciado de Coimbra, pag. 506
4) Noviciado de Coimbra, pag 661
5) Esta tradução foi feita  em Lisboa, 19/4/1970 por Padre António de Almeida Fazenda, S.J. e copiada a 31/1/1972.
6) Teles, Baltasar, S.J., 1596-1675 - Historia geral de Ethiopia a Alta, ov Preste Ioam e do que nella obraram os Padres da Companhia de Iesus, 1660.
pags 390 a 392, IV tomo, Cap. XXIII,
https://bdigital.sib.uc.pt/bg1/UCBG-2-21-9-15/UCBG-2-21-9-15_item1/P440.html
Outras obras também referem D. Diogo Seco.
7)Excerto da carta enviada pelo padre Fazenda a Luiz Fernando Carvalho Dias que acompanhou o texto latino e a tradução de "Arrabida Mons".
8)A última página da tradução de "Arrabida Mons"
 
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