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quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Covilhã - Contributos para a sua História dos Lanifícios L


Apresentamos hoje um documento do espólio de Luiz Fernando Carvalho Dias. É um documento inglês do princípio do século XVIII, relacionado com os lanifícios, com o desenvolvimento das políticas económicas do Conde da Ericeira no último quartel do século XVII, na Covilhã, com o tratado de Methuen e as suas implicações em Portugal.

Alegoria à Paz de Utrecht, Paolo de Mattei

Imediatamente depois da paz de Utrecht (1) entre a Inglaterra e a França no ano de 1713, quis o ministerio Inglês fazer um tratado de comercio com a Corte de Versailles, no qual se tiravam os direitos aos vinhos de França. Clamou contra esta disposição toda a nação ingleza dizendo: que era contraria ao que a Grã-Bretanha tinha estipulado com Portugal no Tratado de 27 de Dezembro de 1703 (2) em que a Grã Bretanha se obrigou a conservar os grossos direitos sobre os vinhos de França, em favor dos vinhos de Portugal; e Portugal a admitir os panos, e todos os lanificios inglezes em favor das fabricas da Grã-Bretanha; e que logo que em Inglaterra se levantassem os direitos aos vinhos de França, Portugal ficava com as mãos livres para proibir a entrada aos panos, e lanifícios da Grâ-Bretanha, com grande ruina das fabricas,  e manufacturas daquele Reino, de que viviam muitos milhares de habitantes dele pagos pelo consumo que os Portugueses davam às suas obras; venceu à Nação Ingleza, nesta grande disputa com o Ministerio Britanico, e se mandaram imprimir em 1714 as razões de ambas as partes, das quais se extraiu o documento junto do estado florescente em que se achavam as nossas fabricas quando foram destruidas pelo Tratado de 27 de Dezembro de 1703

Tradução *

Principiarei expondo o estado, e os progressos das manufacturas de lã em portugal até o ano de 1703, em que Mr. Methuen ministro da Grande Bretanha as destruiu com o seu tratado de 27 de Dezembro de 1703.


D. Catarina

Em 1681 um irlandez ao serviço da Rainha (3) de Inglaterra trouxe para Portugal alguns fabricantes de panos e baetas, de que neste Reino se estabeleceram manufacturas em diferentes lugares (4); e entre outros em Portalegre, e na Covilhã. Logo se conheceu que as lãs de Portugal eram muito curtas para as baetas, e esta manufactura diminuiu.
A dos panos porem aumentou com muita brevidade; de sorte que no mês de Julho de 1684 (segundo o projecto do Conde da Ericeira havia formado de aumentar as exportações deste Reino, e de diminuir as importações dos estrangeiros) El-Rei de Portugal promulgou uma lei sumptuária (5) sobre varios objectos, e entre outros artigos foi proibida a importação de panos estrangeiros.
Contra esta proibição fizeram os negociantes estrangeiros varias representações; mas todas foram inuteis, e o que se lhes concedeu foi unicamente o tempo de um ano para a venda do que se achasse em caminho, ou em ser nos armazens; e expirado este termo não se lhes permitiu desembarcarem mais alguma (sic) destas fazendas.
O Mercator fez menção da prodigiosa exportação que fazemos dos nossos panos naquele ano: mas isto é uma consequência muito natural da permissão concedida de importar uma mercadoria, durante um ano somente; sendo costume em semelhantes ocasiões prover um paiz para muitos anos.



Logo que os portugueses aprenderam o que bastava para não necessitarem dos nossos fabricantes, os mandaram para Inglaterra em uma situação bem triste: a maior parte deles foram obrigados a viver de esmolas por algum tempo. Seria útil que vós insistisseis principalmente sobre esta particularidade, para que os vossos leitores conhecessem a justa recompensa que em toda a parte encontra os que são falsos à sua Patria.
Entretanto os portugueses fizeram tais progressos nas fabricas de panos, que em pouco tempo todos os que se consumiam não só em Portugal, mas tambem no Brazil eram fabricados por eles mesmos, com as suas proprias lãs, e com as de Espanha. Por este facto poderá o Mercator  conhecer que os outros paizes tem lã, assim como a Inglaterra, e a Irlanda; e seria mesmo querer enganar-se, o persuadir-se que todos os materiais que nós empregamos em os nossos panos são do nosso paiz; sendo certo que Portugal, e Espanha tem lãs superiores às nossas. Para nos ressarsir do prejuizo que nos causava a proibição dos nossos panos, introduzimos em lugar deles as nossas sarjas dobradas, e os nossos Droguetes Panos: As fabricas portuguesas que estavam ainda na sua infância não poderiam sustentar uma concorrência; e por esta razão se proibiu a entrada desta sorte de sarjas, e de droguetes, um ano depois da primeira proibição.
É ridiculo que o Mercator negue um facto verificado, e que peça se lhe mostre a pragmática, que proibiu estas fazendas. Os negociantes raras vezes guardam copias das leis de um paiz, mas eles sabem perfeitamente se lhes é, ou não permitida a introdução desta, ou daquela mercadoria. Estes factos foram declarados em pleno parlamento por pessoa, que naquele tempo residia em Portugal; e o Mercator não poderá achar quem os negue.
Este escritor recorre a outro argumento contra a proibição, e pretende que ela não podia ter lugar, pois que em Portugal continuaram a introduzir-se sarjas, e droguetes. Porem este discurso não vale nada, porque a dita proibição era só para as sarjas dobradas, e para droguetes panos, que é uma espécie diferente das outras, e a unica que podia prejudicar as nossas manufacturas.
Eu observarei de caminho que a terça parte dos panos que se consomem em Portugal são panos finos; e estou certo que todos os que os inglezes ali introduzem são desta qualidade, mas estes não vêm a ser a vigesima parte do que os nossos inglezes ali vendem da mesma sorte.
Admirou-se muito ver a confiança com que o Mercator avançou que os Holandeses vendiam em Portugal a terça parte dos panos que ele consome: o facto é absolutamente falso; as ditas vendas não chegam à sexta parte do consumo. E o argumento que ele daqui tira para provar que a dita importação dos Holandeses é uma contravenção ao Tratado, é miserável.
Estou certo que todos os negociantes que residiram em Portugal desde o ano de 1683 até o ano de 1703 hão-de unicamente dizer que em todo aquele tempo as fábricas de Portugal davam o necessário para a sua consumação, e para a do Brazil.
O mesmo Mercator convem que depois que se levantou a proibição dos nossos panos, nós introduzimos em Portugal 10:493 Peças. Agora pergunto eu como supriram os portugueses a uma quantidade tão considerável, se não com as suas proprias Fabricas; e isto basta para compreender o quanto nos importava destruí-las, e quanto devemos a Mr. Methuen pelo ter conseguido.
O Mercator exalta continuamente as nossas lãs, e as nossas manufacturas; como se não as houvesse senão na Grande Bretanha. Eu tenho presente o Tratado de Mr. Muns, e impresso em 1664: Nele leio estas palavras = Nós sabemos que as outras nações não têm falta, nem de materiais, nem de arte para as manufacturas.
Quanto a mim sei muito bem que em toda a parte há lãs como em Inglaterra, e que em muitos lugares é melhor: Sei que em outras nações há melhores drogas que as nossas para a Tinturaria, ou há algumas espécies que nós não temos; de sorte que eu não ouço nunca falar em estabelecimentos de manufacturas de lã, em qualquer paiz que seja, que não tema as suas consequências a respeito das nossas. Vemos em fim que em poucos anos os portugueses se proviam das suas próprias fábricas, em lugar dos nossos panos, que antecedentemente nos pagavam por mais de cem mil livras. Este era o seu primeiro ensaio; e não é crível que ficassem nele. Haviam de empreender as sarjas dobradas, os droguetes panos, e assim sucessivamente todos os estofos de lã, até que os dos estrangeiros fossem inteiramente proibidos sem excepção.
Dir-se-á, e com razão que as lãs de Portugal são muito curtas para as baetas, e para varios outros estofos: mas é este um defeito a que se não poderia remedear com o tempo, procurando para as ovelhas pastos mais próprios? E mesmo no caso de não poderem os Portugueses ter lãs tão compridas como as nossas, eles se contentariam com as suas, para pouparem alguns centos de mil livras que lhes custaria anualmente este artigo.
O Mercator quiz persuadir-nos que as nossa manufacturas são mais necessarias a Portugal, do que o Comércio daquele Reino às nossas manufacturas; e que a proibição dos nossos panos causou ali um descontentamento geral semelhante a uma revolta: eu não sei aonde ele foi buscar esta notícia; o que sei de certo é que, depois do Tratado de Mr. Methuen, El-Rei de Portugal (6) se viu sumariamente perseguido pelas representações dos seus fabricantes: mas o negócio estava concluído, e o Tratado rateficado; e em consequência os teares foram todos arruinados: Contudo, não obstante que ficaram tantos fabricantes sem emprego, e na ultima necessidade, não se ouviu falar de revolta; sendo este muito mais cazo de a poder haver com maior razão, do que quando se fez a proibição; porque todas as deste género seguram ao povo a sua subsistência, e o seu emprego; ao mesmo tempo que embaraçam sair o dinheiro do Estado.


O verdadeiro meio de impedir um povo de se revoltar é fazer o que fez o Conde da Ericeira. (7) Eu o considero o Colbert do seu paiz; e um tão grande ministro seria um homem muito perigoso para a Inglaterra; porque se chegasse a viver no tempo de Mr. Methuen, certamente os Inglezes não conseguiriam o Tratado que sustentou as nossas fábricas, e destruiu as Portuguesas; nem os inimigos deste ministro teriam nesta parte de que o arguir.
À vista do que fica dito não se pode compreender o descaramento daqueles que se atrevem a atacar um Tratado que, em nossa utilidade, arruinou manufacturas já florescentes. E como não é crivel que os Portugueses se limitassem somente às Fabricas de Panos; devemos atribuir ao Tratado toda a importação dos nossos estofos de lã naquele Reino; a qual não duvido que, verificando-se pelos Registos da Alfândega, se ache que monta anualmente ao valor de 500, a 600 mil livras (que fazem quatro a cinco milhões de cruzados).

                      (Papel s. a. n. d.)

Notas dos editores – * Verificámos que este documento constitui parte da obra " The British Merchant; or, commerce preserv´d: in answer to the Mercator...", Charles King, London,Printed by John Darby, in Bartholomew-Close, volume III, M.DCC.XXI, pags. 81-91.
1) A Paz de Utrecht pôs fim à Guerra da Sucessão de Espanha (1701-1714). Foi assinada pela França, Espanha, Grã-Bretanha, Portugal e Sabóia.
2) Tratado de Methuen.
3) Dona Catarina de Bragança, filha de D. João IV e de Dona Luísa de Gusmão, casou com o rei inglês, Carlos II, tendo sido rainha consorte de 1662 a 1685.
5) Houve leis sumptuárias em 1677, 1686, 1688, 1690, 1698. Exemplo:”Nenhuma pessoa se poderá vestir de pano, que não seja fabricado neste reino…”
6)D. Pedro II
7)D. Luís de Meneses (1632-1690), 3º Conde da Ericeira.

Fonte - Arquivo Ultramar - Reino – Ms. 300 (1701-1833)


As publicações sobre os Contributos para a História dos Lanifícios:
https://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.com/2017/04/covilha-contributos-para-sua-historia.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/11/covilha-contributos-para-sua-historia_29.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/11/covilha-contributos-para-sua-historia.html
https://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.com/2014/10/covilha-contributos-para-sua-historia.html
https://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.com/2014/09/covilha-contributos-para-sua-historia.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/08/covilha-contributos-para-sua-historia.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/07/covilha-contributos-para-sua-historia_9.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/07/covilha-contributos-para-sua-historia_6.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/07/covilha-contributos-para-sua-historia.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/06/covilha-contributos-para-sua-historia_22.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/06/covilha-contributos-para-sua-historia.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/05/covilha-contributos-para-sua-historia_29.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/05/covilha-contributos-para-sua-historia.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/04/covilha-contributos-para-sua-historia_27.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/04/covilha-contributos-para-sua-historia_23.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/04/covilha-contributos-para-sua-historia_6.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/04/covilha-contributos-para-sua-historia.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/03/covilha-contributos-para-sua-historia_16.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/03/covilha-contributos-para-sua-historia.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/02/covilha-contributos-para-sua-historia_26.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/02/covilha-contributos-para-sua-historia.html

domingo, 12 de janeiro de 2014

Covilhã - Contributos para a sua História dos Lanifícios XXVII

    O mercantilismo/proteccionismo é prática comum no século XVII europeu e também em Portugal, a partir do 4º quartel do século. Duarte Ribeiro de Macedo, embaixador de Portugal em Paris, influenciado pelas ideias do ministro francês Colbert, escreveu em 1675 a obra “Sobre a Introdução das Artes no Reyno” e o Conde da Ericeira, vedor da Fazenda, publica legislação proteccionista para tentar resolver a crise comercial existente. Entre outras medidas já aqui mencionámos “O contrato de concessão de exclusivo do fabrico de baetas e sarjas, em 1677, destinado a abastecer o mercado interno de panos dessa espécie”. Este acordo, como já referimos, deve ter sido negociado por Gonçalo da Cunha Vilas Boas, despachado como juiz–de-fora da Covilhã, em 1676, e provavelmente representante das ideias industrializadoras do Conde da Ericeira, ministro de D. Pedro, regente de Portugal.

    Estas cartas, agora encontradas no espólio de Luiz Fernando Carvalho Dias. são trocadas entre o Rei espanhol, o Conselho de Estado e Giovanni Domenico Maserati, embaixador de Espanha em Lisboa de 1673 até 1681, data da sua morte. É um clérigo originário de Itália que, devido à intervenção de seu pai, o Conde Maserati, fora nomeado titular da Abadia siciliana de S. Nicolau. Graças ao seu carácter conciliador, a sua Embaixada devia ser apaziguadora e não exarcebada, devia manter a Paz numa altura pós Tratado luso-espanhol, de 1668.
    Fazemos esta publicação, porque as informações de carácter económico são muito interessantes, relacionando-se com o apoio vindo de técnicos e operários franceses e Ingleses, com a Covilhã e outros locais da Beira escolhidos para a implantação das manufacturas, com o descontentamento dos comerciantes ingleses e, claro, com questões de balança comercial. Subjacente a tudo isto nota-se o espírito de sigilo existente nas relações entre os Estados, aqui manifestado a propósito da implantação das manufacturas. Vejamos:

- “que han llegado alli (a Portugal) unos yngleses embiados por Don Françisco de Melo con gran secreto para trabajar en las manufacturas de lanas y tambien hay françeses que se ocupan en lo mismo con sentimiento del embiado del Rey Christiano y demas Ministros auyos, hauiendolos venir a unos y otros por escusar la extraccion del dinero a los extranjeros...
- Como parece y por lo que conviniera introducir tambien en estos Reinos (Espanha) las fabricas destas manifacturas...
- diziendo que los de Inglaterra se conponem de ocho personas y seis telares para la fabrica de bayetas por el gran consumo que tienen de ellas; que los françeses tienen ocho telares de seda, siendo el animo de portugueses adelantar estes ultimos hasta el numero de 50 y crezerle de todos quantos fuera posible...
- y que no trabajavan mas de diez y siete por falta de ofiçiales los quales no pasaban de 23 los principales franceses dos castellanos que los llevaron de Granada y los demas portugueses...
- hauian mandado con preçision que en todo el Reyno se plantasen moreras segun la porçion de las tierras de cada uno, y para la fabrica de vayetas se hauia señalado el lugar de Cubillan que esta frontero a Ciudad Rodrigo donde hauia puesto seis telares de hombres...
- para la introducion de lana de Castilla hauia hecho ajustamiento con algunos mercaderos de aca empezandose ya a lleuar de la Zarça...
- veinte y tres comprehendidos los que acuden a torzer las sedas y de prebenir los aparejos los principales franceses dos castellanos recien trahidos de Granada a lo que entiendo para hazer rassos y terciopelos labrados, y los demas portugueses, y los telares en que se trauaxa estan distribuidos en la forma siguiente, uno para terciopelo, uno para pelusa o felpa larga, dos de tafetanes, dos de rasos labrados, dos de terciopelos labrados y los demas para cintas, y se han trahido de Oporto, seis mugeres para tirar la seda de los capullos...
- que quatro tratantes de los mas ricos de Cobillan han hecho obligacion de prober y traer de Castilla las lanas que fueren necessarias y se han conbenido con otros tratantes Castellanos, que no he podido descubrir quien son ni es facil en la cautela de Portugueses para que se las vayan subministrando, como lo han empezado a executar de la Çarça y otras partes de la vera de Plasencia y este genero de fabrica es la que es capaz de prebalezer e yr mas en aumento que la de las sedas respecto de hauer numero copioso de texedores y telares de paños que facilmente podran aplicarse a aprender la fabrica de las bayetas, en muchos lugares de la comarca de la Veyra...
- el sentimiento y la quexa que por esta razon forman ya los mercaderes que ay aqui en mucho numero, de aquella nacion, publicando que el Rey de la Gran Bretaña la ha de hazer al Gobierno y pedirseles buelban a enviar los laborantes…”

Covilhã - A Ribeira da Carpinteira, onde foi instalada a fábrica de baetas e sarjas
Fotografia de Miguel Nuno Peixoto de Carvalho Dias

En la carpeta: “De oficio. Madrid 30 de Agosto de 1677. – El Consejo de Estado con vista de una carta del Abad Massarati en que avisa entre otras cosas que aquel govierno ha llevado alli de secreto françeses y yngleses que se ocupen en las manifacturas de lanas a fin de impedir la extracion de dinero del Reyno”. Don Pedro Coloma”:
Resolucion: Conformome en que se le ordene al Abad avise lo que se ofreciere en quanto a la detencion del Ministro de Francia en el contorno de Sintra y del numero de laborantes francese y yngleses”...
/Texto / Cardenal Aragon. – Marques de Astorga. – Duque de Medinaceli.
Señor.- El Abad Maserati ha dado quenta en carta de 9 de este de haver llegado alli un Gentil hombre françeses a la cobranza de unas pensiones del Cardenal de Etree a que resisten portugueses que el embiado de Francia se mantiene en el contorno de Sintra con çelos de aquel govierno, que han llegado alli unos yngleses embiados por Don Françisco de Melo con gran secreto para trabajar en las manufacturas de lanas y tambien hay françeses que se ocupan en lo mismo con sentimiento del embiado del Rey Christiano y demas Ministros auyos, hauiendolos venir a unos y otros por escusar la extraccion del dinero a los extrangeros y que se hauia reciuido notiçia de hauer peleado unas fragatas françesas con otras de Olanda en la voca del canal con daño de ambas partes.
Al Consejo pareçe con vista de estas notiçias se diga al Abad queda V. Magd. enterado de ellas y que las continue de todo lo que fuere inquiriendo, observando y dando quenta de si los françeses y ingleses que se dize han traido con el pretexto de la manifactura de las lanas es número considerable y si puede tener influencia en esto el Ministro de Françia y lo que resultara de su detençion en el contorno de Sintra, V. Magd. mandara lo que fuere servido.
Madrid a 30 de Agosto de 1677

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El Abad Maserati consulta de 30 de agosto de 77.
“El Rey.= Con vista de lo que me representasteis en una carta de 9 del pasado tocante a hauer llegado ahi un Gentil hombre françes a la cobranza de las pensiones del Cardenal de Etree, la detencion del Ministro del Rey Christiano en el contorno de Sintra y los ingleses y franceses que hauian traido ahi para trauajar en las manifacturas de las lanas se ofrece ordenaros continueis en avisar quanto se ofreçiere y si esconsiderable el numero de laborantes franceses e yngleses que han introducido en ese Reyno de V. Magd.”

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En la carpeta: “De oficio. Madrid 26 de Octubre de 1677. – El Consejo de Estado sobre las noticias que participa el Abad Maserati de los fabricantes para manifacturas de seda y lana que han trahido a Portugal de Françia y Inglaterra”. Don Pedro Coloma.
Resolucion: “Como parece y por lo que conviniera introducir tambien en estos Reinos las fabricas destas manifacturas se encarregara al Duque de Villahermosa y a los Ministros de Inglaterra y Holanda vean como se podra disponer que vengan algunos fabricantes de aquellas partes con el secreto y reserva que conviene y lo mismo se preguntara al Abad Maserati ordenandole procure saber como se han dispuesto Portugueses”./ Recibida a 28.

(Texto) Marques de Montalegre. – Duque de Osuna.-
“Señor.= Responde el Abad Maserati en carta de 11 del corriente al despacho que se le embio para que avisase el numero de fabricantes que hauian llegado a aquel Reyno de los de Francia y Inglaterra para las manifacturas de seda y lana que pretenden introduzir en el los portugueses, diziendo que los de Inglaterra se conponem de ocho personas y seis telares para la fabrica de bayetas por el gran consumo que tienen de ellas; que los françeses tienen ocho telares de seda, siendo el animo de portugueses adelantar estes ultimos hasta el numero de 50 y crezerle de todos quantos fuera posible, y que uno y otro era de gran sentimiento para los Ministros que ambas naziones tienen en aquella Corte.
Al Consejo parece que se responda al Abad queda V. Magd. enterado de estas notiçias, encarregandole las continue, de todo lo que en esto y en lo demas se fuere ofreziendo. V. Magd. mandara lo que fuere servido. Madrid a 26 de octubre de 1677.”

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En la carpeta: De oficio. Madrid a 8 de Diziembre de 1677. – Acordada en 9 de diziembre.-
“El Consejo de Estado con una carta del Abad Maserati en que satisface a lo que se le ordeno, quanto al estado que tenian los telares de seda y lanas que se hauian introduzido en Portugal.”
Resolucion: “Como parece.”
Marques de Astorga.- Duque de Osuna.- Duque de Alba.- Duque de Medinaceli.
(Texto) “Señor. = El Abad Maserati en carta de 22 del passado satisfaze a lo que se le ordeno quanto a que avisase el fruto que se conseguia alli con la introduçion de los laborantes de sedas y Vayetas y la forma en que los hauian trahido diziendo que estan ya armados en aquella ciudad treinta y tres telares de sedas y que no trabajavan mas de diez y siete por falta de ofiçiales los quales no pasaban de 23 los principales franceses dos castellanos que los llevaron de Granada y los demas portugueses y para que en lo de adelante no les falte este genero hauian mandado con preçision que en todo el Reyno se plantasen moreras segun la porçion de las tierras de cada uno, y para la fabrica de vayetas se hauia señalado el lugar de Cubillan que esta frontero a Ciudad Rodrigo donde hauia puesto seis telares de hombres que hauian hecho venir de Londres con todo recato por medio de Don Francisco de Melo su Embajador alli y que viendo los mercadores ingleses que no han de tener salida las que trugeren de su tierra hauian formado queja publicando que el Rey de la Gran Bretaña se la daria a aquel Govierno y pediria se bolbiesen a enbiarlos laborantes y que para introducir lana de Castilla hauian hecho ajustamiento con algunos mercaderos de aca y se hauia empezado a lleuar de la Zarza y de otros lugares de la vera y no hauia podido el Abad por la mano que corria por la cautela con que se goviernan portugueses.
El Consejo da quenta a V. Magd. de lo que el Abad avisa en respuesta a lo que se le pregunto sobre esta materia y a parezido poner con esta en la Real mano de V. Magd. la referida carta para que mas individualmente se halle enterado de su contenido y que el Abad se le avise el reçibo de ella. V. Magd. mandara lo que fuere servido, Madrid a 8 de diziembre de 1677. (Hay tres rubricas)

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El Abad Maserati a S. Magd. Lisboa 22 de Noviembre de 1677.
En la carpeta:” Haviendose dicho al Abad supiese el fruto que se consiguia en Portugal con la introducion de los laborantes de sedas y vayetas y como se avian traido los que haçen, satisface diciendo, que tienen ya 33 telares de sedas aunque no trauajan mas que 17 por falta de ofiçiales los quales son franceses, dos castellanos que han llevado de Granada y los demas portugueses que para que en lo de adelante no falte este genero se ha mandado planten moreras en todo el Reyno segun la porçion de la hazienda de cada uno; que para lo que toca a las vayetas se ha señalado el lugar de Cubillan frontero a Ciudad Rodrigo donde han puesto seis telares de hombres que han hecho venir de Inglaterra con gran secreto y que viendo los mercadores que no han de tener salida las que trujesen de fuera pensaban que el Rey de Inglaterra diese la queja y los hiciese retirar y que para la introducion de lana de Castilla hauia hecho ajustamiento con algunos mercaderos de aca empezandose ya a lleuar de la Zarça y otros lugares de la vera sin que pudiese averiguar porque mano corria por la cautela con que se goviernavan.”
En 4 de diziembre de 1677.- A consulta dando cuenta a su Magd. de lo que el Abad decia en respuesta a lo que se le ordeno sobre ello y que al abad se le abise el recibo.- Montealegre.- Osuna.- Alua.- Madinaceli.-“

(Texto.)
Lisboa 22 de noviembre de 1677. El Abad Maserati.
“Señor.= Con el motibo de hauer yo dado quenta a V. Magd. en carta de 11 de octubre del principio que en este Reyno se hauia dado a las fabricas de manifacturas de lana y seda por laborantes franceses e ingleses, es V. Magd. seruido de encargarme el continuar las noticias de sus progresos y de procurar saber como se han dispuesto para introducir (pareçiendo bien) en la misma forma este mismo genero de fabricas en Castilla. Y obedeciendo al Real mandato de V. Magd. puedo decir acerca el estado que oy tienen las de las sedas, son treinta y tres los telares que en esta ciudad estan ya armados y diez y siete solamente los en que actualmente se esta ya trauajando y los diez y seis restantes quedan aun ociosos por falta de oficiales que non pasan hasta aora de veinte y tres comprehendidos los que acuden a torzer las sedas y de prebenir los aparejos los principales franceses dos castellanos recien trahidos de Granada a lo que entiendo para hazer rassos y terciopelos labrados, y los demas portugueses, y los telares en que se trauaxa estan distribuidos en la forma siguiente, uno para terciopelo, uno para pelusa o felpa larga, dos de tafetanes, dos de rasos labrados, dos de terciopelos labrados y los demas para cintas, y se han trahido de Oporto, seis mugeres para tirar la seda de los capullos y hacer los pelos para la fabrica, para la qual tienen rueda al uso de Italia y tintorero frances para teñir las sedas y con atencion a que las haya suficientes en el Reyno sin necesitar en adelante de valerse se las de afuera se han expedido ordanes a las justicias de todas las comarcas del Reyno de obligar a los labradores que tibueren tierras, aproposito a plantar a cada uno a proporcion de su facultad, numero de pies de moreras para la cria de los gusanos, lo qual se esta executando con todo rigor.
Quanto a las fabricas de vayetas no tengo al presente que añadir a lo que auise mas que laborantes ingleses que se an conducido para ellas estan obrando en Cobillan, lugar situado en la Provincia de la Veyra, distante cinco o seis leguas de la ciudad de La Guarda, cuios confines alindan con los de Ciudad Rodrigo y que non tienen armados sino seis telares que trujeron de ynglaterra y se me ha dado noticia que quatro tratantes de los mas ricos de Cobillan han hecho obligacion de prober y traer de Castilla las lanas que fueren necessarias y se han conbenido con otros tratantes Castellanos, que no he podido descubrir quien son ni es facil en la cautela de Portugueses para que se las vayan subministrando, como lo han empezado a executar de la Çarça y otras partes de la vera de Plasencia y este genero de fabrica es la que es capaz de prebalezer e yr mas en aumento que la de las sedas respecto de hauer numero copioso de texedores y telares de paños que facilmente podran aplicarse a aprender la fabrica de las bayetas, en muchos lugares de la comarca de la Veyra que son Cortizada, Seveyra Fermoza, San Vicente, Soutoda Cassa, Tortosen, Cobillan, La Guarda, Fundaon, Alcangosta, Alpedreña, Lardossa, Alcayria, Alcayz, Castelobranco, y en Alentejo, Estremoz y Portalegre.
Y tocante a la disposicion que ha tenido este govierno para juntar los laborantes, me ocurre significar a V. Magd. que el maestro que corre con la fabrica de las sedas, que es frances y se llama Monsieur de Crouno se ha hecho venir expresamente de Francia porque havia dias que se hallava avezindado en esta ciudad y casado com muger portuguesa y era su profession de mercader, y por hauer sido cojido labrando en su casa tabaco con un molinillo de mano contra la prohivicion que hay debaxo de graves penas para librarse de ellas dio el arbitrio de la dicha fabrica de las sedas ofreziendo encargarse de ella, que admitido por el gobierno a ido juntando los laborantes franceses casualmente entre los muchos que aqui residen.
Y los laborantes yngleses que al principio eran ocho y oy son treze incluidas dos mugeres los ha encaminado de Londres de orden del Prinçipe don Francisco de Melo su Embaxador en aquella Corte con todo recato juntamente con los telares a fin que no se les pusiese impedimento por el perjuicio que se les seguiria a yngleses de no tener salida sus bayetas, en este Reyno de que se haze grandisimo consumo en el con igual interes, de los mismos siendo correspondiente a él, el sentimiento y la quexa que por esta razon forman ya los mercaderes que ay aqui en mucho numero, de aquella nacion, publicando que el Rey de la Gran Bretaña la ha de hazer al Gobierno y pedirseles buelban a enviar los laborantes; que son las noticias que he podido adquirir en esta matheria – Dios guarde etc.”

Fonte – Archivo General de Simancas, Estado legajo 2632