sexta-feira, 24 de junho de 2011

Covilhã - Mosteiro de Santa Maria da Estrela I

Covilhã – Mosteiro de Santa Maria da Estrela
Diocese da Guarda

Capela da Senhora da Estrela


Na margem direita do rio Zêzere, a cerca de duzentos metros das águas que serpenteiam a planície, ergue-se uma capela pequenina consagrada à Senhora da Estrela. É do limite da freguesia de S. Miguel da Boidobra, que foi da apresentação dos freires do Lorvão; a Covilhã, a cujo termo pertence, fica-lhe a noroeste incrustada na Serra da Estrela e a norte a quinta da Abadia, topónimo por que é conhecida grande vastidão de terras ao redor. Corre-lhe à beira, entre choupos, um regato que desce da Boidobra para o Zêzere, sobre o qual, a 50 metros da capela, lançaram um pontão de um arco, que parece de feitura romana. Ali devia passar uma estrada que dava acesso à Covilhã. A poente desse pontão, a uma distância de 100 metros, abre-se uma mina de água a que o povo ainda chama a Mina dos Frades.

                              Escudo na frontaria da Capela
                                        Fotografias do autor

             A capela constitui um rectângulo uniforme e encima a frontaria, em escudo, uma ave talhada como as do apocalipse do Lorvão. Chama-lhe o povo: “bicho pâmparo” e refere a tradição local que atacou um Príncipe que ali viera caçar. Este, salvo por intercessão do Senhor, viera construir, por voto, aquela ermida. No interior da capela – em altar tosco – venera-se como orago uma imagem de pedra, encarnada ao gosto do século XVIII, mas a imagem encontra-se decepada, na parte posterior, a partir da cintura para os pés; assim se fez o altar, não se sabe quando, para a Senhora, que era muito pesada, poder ser levada em seu andor, na procissão anual do dia da sua festa, que se celebra no primeiro domingo de Setembro. Além da missa cantada e do arraial na véspera, com bailes, canções e fogo-de-artifício, a Senhora é levada em procissão à freguesia de S. Miguel, entoando o povo suas loas simples, com notas antiquíssimas, à maneira que se aproximam do lugar:

                                   A Senhora da Estrela
                                   Mora na Abadia
                                   Está a deitar a divina bênção
                                   Á gente da freguesia

                                   A Senhora da Estrela
                                   Tem uma estrela no peito
                                   Que lha puseram os anjos
                                   No dia do seu efeito

                                   Senhora da Estrela
                                   Vai chegando à fonte
                                   Com seu menino ao colo
                                   São José defronte

                                   Senhora da Estrela
                                   Tu tens na mão que luz
                                   Um raminho de perpétua
                                   Para o Menino Jesus

                                   Senhora da Estrela
                                   Oh que estrela tão linda
                                   Chega a vossa nomeada
                                   Ao palácio da Rainha (ou aos arredores de Coimbra)

                                   Senhora da Estrela
                                   Tens uma estrela no pé
                                   Que lhe puseram os anjos
                                   No dia de São José

                                   A Senhora da Estrela
                                   Mora à beira do caminho
                                   Todos os meninos choram
                                   Só o dela está caladinho


Na segunda-feira, depois da arrematação das ofertas, realiza-se a feira que todos os anos vai diminuindo de valor. Lá acorriam todos os povos das freguesias limítrofes, desde o Teixoso ao Fundão e da Covilhã à Capinha. Há cinquenta anos (1) ainda a Covilhã paralisava as fábricas e engenhos, para patrões, operários e quinteiros descerem, neste dia, à planície a venerar a Senhora.
Hoje só resta na lembrança do povo a saudade dos dias descuidados e alegres de então.
Os proprietários dos campos não podiam opor-se ao antiquíssimo privilégio reconhecido aos romeiros de devassarem, nesses dias, as terras e os milheirais limítrofes da capela.
A tradição oral sobre o milagre que está na base da fundação da capela, poucas reminiscências deixou, mas este deve ter sido influenciado pela forma como todos os anos seria recordado pelos pregadores, certamente através da versão de Frei Bernardo de Brito, cronista da Ordem de Cister. Aqui se regista a versão de Brito, mais como testemunho da influência na tradição popular do que como fonte histórica, porque para esta bastarão os documentos. Para além destes ficará a dúvida, embora nada exista que contrarie, no respeitante à fundação, a história relatada pelo autor da Monarquia Lusitana, que certamente, no seu tempo possuiria outras fontes além das que chegaram até nós, embora tivesse conspurcado muitas com falsificações torpes. Também aqui terá o frade cisterciense profanado a história? Uma referência de António Brandão a um manuscrito muito antigo do Mosteiro de Cárquere deixa antever uma fonte para a versão de Brito, embora sobre o valor dela o seu confrade da Monarquia Lusitana não nos tenha deixado critério de apreciação. A fundação em 1161 não repugnaria a ninguém se se soubesse onde foi a primeira fundação do Mosteiro; porque só a sua transferência na Diocese da Guarda em 1220 se acha documentada. Nada se sabe do incêndio do mosteiro e da sua forma primitiva de penitenciária para frades relapsos. No actual concelho da Covilhã há um topónimo que não está esclarecido, como tantos outros, e poderia servir de caminho a uma explicação, se não fora a época recuada a que diz respeito e a ausência de documentos conhecidos que a possam explicar. É a Santa Maria do Mosteiro, na freguesia do Barco, no Monte d’ Argemela, nas margens do Zêzere. E ainda no concelho do Fundão, antigo concelho arciprestado da Covilhã, a freguesia extinta de Santa Maria de Reclausum que nos aparece no Livro Branco da Sé de Coimbra (1320), coexistindo com o Mosteiro de Santa Maria da Estrela. Estará em qualquer destes dois topónimos a origem do Mosteiro, partindo do princípio que a versão de Brito tem fundamento certo e que a transferência se deu dentro da diocese da Guarda? A estada de Egas Moniz como tenens de Seia, deixa presumir que a sua actividade militar se exercesse no sentido da Beira Baixa e por isso é de aceitar que durante todo o século XII as abas orientais da Serra da Estrela estivessem já sob o domínio da Monarquia Portuguesa, sem haver que recorrer à primitiva doação de Monsanto, no tempo de D. Teresa, que continua, apesar das achegas de Alfredo Pimenta, a ser um dos grandes enigmas da Reconquista nesta região, embora eu localize todos os topónimos dela. (2)
A Serra da Estrela – ou Monte Ermeno – monte ermo – se era uma fronteira natural dos territórios de Seia, e de fácil defesa nas gargantas apertadas da cordilheira, penso que a reconquista não teria podido prosseguir, na Beira Baixa, sem bases de apoio para fossados e azarias, na parte oriental da Serra. E a organização destas pertenceria ao tenens de Seia, a cujo domínio militar a Beira Baixa esteve anexa até D. Dinis. Embora o limite concelhio de Seia não transpusesse a linha superior da Estrela, conforme se verifica do seu foral de 1130, dele se conclui que a parte oriental da serra estava povoada, já se encontrava no domínio dos Cristãos até ao Zêzere, pelo menos; os fossados de Seia dirigiam-se no sentido de Espanha para Salamanca. Ora conhecendo o Zêzere em todo o actual concelho da Covilhã, que era o território confinante com Seia, verifica-se que o Zêzere, pela sua pequena corrente, não poderia servir de fronteira apreciável entre a moirama e os cristãos. Esta linha fronteiriça devia conter torres fortalezas e atalaias. Essas atalaias ainda hoje se podem reconstituir: ficaram na toponímia local e até se transpuseram para a cartografia da região. Das torres isoladas ainda hoje se conhecem: a dos Namorados, a de D. Arrizado, a de Centum Cellas. Das fortalezas os castros de tradição local, com raízes na Lusitânia e que não deixariam de servir, muitas delas, de recolha e defesa na invasão dos Árabes, constituindo ilhas livres no meio da desolação desse tempo e, posteriormente, de base militar para a Reconquista. As sucessivas doações com as várias tentativas de repovoamento de Monsanto, demonstram não só que a fronteira se alargara para o Tejo, como a necessidade de fortificar a zona fronteiriça no extremo sudeste da província para demarcar a fronteira com os mouros e com a Espanha. E essas tentativas estão documentadas. Entre as fortificações desse tempo sobressai a de Luzes, na parte oriental da Serra. Dela nos dá notícia uma doação à Sé de Braga em 1137. Foi publicada a primeira vez por A. Reuter, com um ponto de admiração (!) em oriental e é do Liber Fidei de Braga.


1) Este texto deve ter sido escrito na década de quarenta do século XX.
2) Arouca, por exemplo, marco geodésico, no concelho de Pampilhosa da Serra, junto a Unhais-o-Velho, a cerca de 40 Km do Fundão, que parece ter sido povoação fortificada, independentemente de outra com o mesmo nome, na Lousã.


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quarta-feira, 22 de junho de 2011

Covilhã - Sobre o Processo da Inquisição de Gonçalo Vaz V

Transcrevemos hoje a confissão de Gonçalo Vaz, iniciada em 15 de Setembro de 1569, no seu Processo na Inquisição de Granada.(1) Posteriormente faremos o mesmo com as testemunhas que intervieram no Processo da Inquisição de Lisboa.
Queremos deduzir, quer dos depoimentos do réu Gonçalo Vaz, quer dos das testemunhas, alguns rituais e costumes dos cristãos novos, pois os processos de Granada e de Lisboa foram levantados precisamente por suspeitas de práticas judaicas de Gonçalo Vaz. Todas estas declarações talvez devam ser sujeitas ao “crivo da verdade”, dado que é difícil sabermos se foram mesmo referidas pelo réu e testemunhas, ou se foram postas pelos escrivães na boca dos intervenientes no Processo.
Gostaríamos de vir a receber comentários de conhecedores do judaísmo que nos permitam perceber se ainda hoje estas práticas se mantêm, se são diferentes ou mais completas do que através do Processo somos informados.
Tendo por base o depoimento de Gonçalo Vaz, vamos agora apresentar uma síntese das normas religiosas referidas pelo réu:
- Não acreditam em Jesus Cristo como Messias, nem nos Evangelhos escritos por “pescadores”, os evangelistas. Nem na Ressurreição de Cristo. Nem nos milagres de Cristo narrados no Novo Testamento, porque só acreditam no Velho Testamento. A Virgem Maria não pode ser virgem e mãe e por isso Cristo não é filho de Deus. Não acreditam na presença de Cristo na hóstia consagrada. Não há purgatório, nem inferno e o paraíso é ver a Deus (?). Não aceitam imagens, porque elas são ídolos.
- Devem respeitar e acreditar na Lei de Moisés escrita “com o dedo de” Deus.
- Guardam os sábados, vestindo uma camisa limpa.
- 10 de Setembro (2) é um dia “muito santo”, e por isso       fazem jejum, não comem todo o dia, só se for às escondidas (3).  Neste dia Deus escrevia no Céu a vida dos homens.
- Também jejuam um dia em Janeiro (4), outro em Fevereiro (5) e em 14 de Março (6) que é uma festa dos Judeus, para recordar o fim do cativeiro no Egipto. Não comem pão com levedura.
- Praticam o Jejum da Rainha Ester (5).
- Fazem a leitura de o Saltério de David (os Salmos) uma vez por semana, sem dizer o Glória, porque Deus era só um (não acreditam na Santíssima Trindade). Há quem saiba salmos de cor.
- Têm várias orações em língua hebraica para rezarem quando estão com preocupações, ou na cama sem sono. Gonçalo Vaz tem uma oração da Rainha Ester que tirou da Bíblia e reza-a muitas vezes.
- Não devem dizer as orações da Igreja Católica: Ave-Maria, Pai Nosso, Credo, Salve Rainha.
- A Lei de Moisés não aceita o estudo da Astrologia, porque não se pode profetizar o futuro, cujo castigo é o apedrejamento.
- A Páscoa judaica: jejuar e comer pão ázimo. No sábado, véspera da Páscoa, comem “assaduras”.
- Podem casar segunda vez, mesmo estando viva a 1ª mulher (7).
- Depois de comer devem ler o Velho Testamento.
- Devem manter todos os rituais em segredo, mesmo com as suas mulheres.

Notas dos Editores – 1) Ver neste blogue Processo 2) Este dia é o mais importante do calendário judaico, denominado Yom Kipur e em Portugal também aparece nos processos com os nomes “ dia da Lua de Setembro, Dia Puro ou Dia Maior”. 3)”O jejum foi um dos preceitos judaicos mais conservados ao longo de 500 anos, após a conversão forçada, porque era mais fácil esconder a sua prática. 4) Suponho que Gonçalo Vaz se refira a um dia em memória do cerco de Jerusalém. 5) Este jejum é em Fevereiro, na véspera duma festa judaica. A Rainha Ester é uma rainha da Pérsia, heroína de um livro bíblico. 6) É a festa de Pessah ou Páscoa que comemora a libertação do povo judeu do Egipto e a sua identidade como povo. 7) Os Judeus aceitam o divórcio desde que o marido entregue à mulher uma “carta de guete”.
Fontes - Ver blogue “Do Capibaribe ao Tejo”, “Judeus -  Singularidades/Curiosidades”, 15 de Outubro 2010. “Dicionário do Judaísmo Português”, ed. Presença

Transcrição do depoimento de Gonçalo Vaz no respeitante a rituais ou costumes judaicos
     
“Proc. 7772 da Inquisição de Lisboa

Gonçalo Vaz

Confissão de Gonçalo Vaz em Granada, em 15 de Setembro de 1569

Compareceu Gonçalo Vaaz, natural de Covilhã, vila em Portugal, Bispado da Guarda, “ estudiante que oye Leys en el estudio de Salamanca “ de 22 ou 23 anos pouco mais ou menos. Que traz sobrecarregada a consciência por ter andado fora da fé. Que tendo dez ou doze anos ía a casa de uma velha que se dizia Filipa Dias, viúva, da vila da Covilhã, que o chamava para dormir com ela por ser muito velha e viúva e só, que morreu há quatro ou cinco anos, a qual lhe dizia que não havia de crer que N. S. Jesus Cristo era o verdadeiro messias, porque este ainda não tinha vindo e quando viesse havia de dar liberdade aos judeus, levá-los a Jerusalém e dar-lhes o Maná, que era porque o tinha por filho que lhe dizia isto, que não cresse nos sermões, que a ley de Moysés era a que se havia de guardar, porque Deus a havia escrito com seu dedo, e a do Evangelho fora escrita por uns pescadores, que havia de guardar os sábados, e que aos sábados se havia de vestir camisa limpa, que havia um dia muito santo para os judeus que era aquele dia 10 de Setembro e que nele não havia de comer de manhã à noite, que quando o fizesse, o fizesse secretamente. E lhe disse que isto tudo o tivesse tão secreto que lhe mandava Deus, que ainda que fora casado e estivesse com a mulher na casa, não lho dissesse e creo tudo isto até à quaresma passada deste ano de 69 em que ouviu pregar a djº de Payva, clérigo em Lisboa na Igreja da Misericórdia o qual repreendeo muito a dureza dos judeus e por ver que ele era grande letrado e de casta de confessor olhou para si e considerou que pois aquele sendo confessor e letrado tão grande dizia mal dos judeus via que ele confessante não andava por bom caminho. E vendo tantos cristãos e tão grandes letrados não era possível que errassem todos e assim andou nesta confusão até ao dia de N. Senhora da Natividade que ouviu fez oito dias estando em Osuna  e ouviu um sermão que se fez na Igreja Mayor e foi-se então confessar com um frade de S. Francisco cujo nome não sabe.

2ª Audiência
Que a dita Filipa Dias lhe disse que o dia 10 de Setembro era um dia santíssimo e que ele jejuou até ao ano passado de 68, e que a dita Filipa lhe dissera que naquele dia escrevia Deus no Céu a vida dos Homens. Que também jejuava três dias um em Janeiro e no de Fevereiro - que a dita Filipa lhe dissera que a 14 de Março era a festa dos judeus porque nesse dia tirou Deus aos judeus do cativeiro de Faraó e que nesse dia não se comia pão com levedura - Não sabe se a dita Filipa Dias a ensinou a outras pessoas.
Que depois de morta a dita Filipa, uma Gracia Fernandes, mercadora, mulher de Diogo Fernandes, tendeiro, x. n., que vive na Covilhã ao Pelourinho, que era muito sua amiga e ele está para casar com uma filha dela, perguntou-lhe quando calhava o jejum da Rainha Ester, dizendo-lhe ela que depois o avisaria. Três filhas desta Gracia prendeu a Inquisição de Portugal e ela refugiou-se fora destes reynos em França ou Flandres.
Estando em Salamanca tratou com Francisco Nunes (a), português, médico, natural de Estremoz, de quem era muito amigo, a quem comunicou o que Filipa lhe ensinara.
Disse a Francisco Nunes que comprasse o Saltério de David.
Veio a saber que Francisco Nunes fora preso em Valladolid com outros estudantes portugueses, um dos quais se chamava Marcos Dias (a), natural de Estremoz …

18 de Setembro de 1579
Tinha por costume rezar o Saltério de David uma vez por semana. Disse que no fim de cada salmo não dizia o gloria patris.
Que não dizia o gloria, porque não havia que dar glória mais que a um único Deus.

Procuradoria - 20 de Setembro
            Curador ad litem, por ser menor de 25 anos.

14 de Outubro
Audiência de acusação, onde lhe foi notificada a culpa.

18 de Novembro
            Nova audiência
Que se lembra que andando em Salamanca, lá estudava medicina um português chamado Marcos Roiz (a), que vendo a ele confessante andar tão devoto lhe perguntou como andava tão devoto e rezador. Respondeu-lhe que seria conhecer a Deus também, que rezasse por um saltério, ao que lhe parece que ele lhe respondeu que muitos salmos sabia de cor.
.
Marcos Rodrigues era de raça judaica de Estremoz, donde também era Francisco Nunes e, que cria também salvar-se na Ley de Moisés.
É admoestado para que diga mais coisas.
10 / 12 / 78
Procurador ( ad litem ) Djº Muñoz nada tinha a dizer.
É dado como confitente fingido e dissimulado, confessando só o que lhe parece.
Acusação:
3º - Ensinou muitas orações, uma das quais ainda na era “ sacada “ da lingua hebraica, para dizerem quando estavam atribulados ou na cama sem sono.
4º Que não deviam dizer orações da Igreja, como Pater, Avé Maria, Credo, Salva Regina.
Que Deus não tinha ressuscitado.
Que pelo que lhe disseram que Cristo tinha feito muitos milagres, disse que não era verdade e que só havia de acreditar o que estava no Testamento Velho.
Disse aos mesmos que a Virgem não tinha parido virgem, porque isso era impossível e daí logo Cristo não era filho de Deus.
Que não era possível numa hóstia estar o filho de Deus.
Dissuadiu certos estudantes em Salamanca de estudar Astrologia porque Deus na Ley de Moisés mandava que quem quisesse profetizar coisas futuras o apedrejassem.
Observaram em Salamanca várias Páscoas à judaica, jejuaram, comeram pão ázimo. Disse-lhes que havia de vir o Messias, que não havia purgatório nem inferno, que era a sepultura para sempre, e o paraíso era ver a Deus e o provava com a escritura; no Sábado, véspera de Páscoa florida comeram assaduras por guarda da ley de Moysés, instruía pessoas na Bíblia, que o Messias havia de vir, ria-se das imagens, tratou de casar segunda vez uma pessoa casada, trazia autoridades para provar que adorando imagens de cristãos adoravam ídolos, que os cristãos se não salvavam, que quando se via uma testemunha fazer obras de cristão lhe dizia que estava pensando que estava em glória, mas que estava no inferno.
Disse à mesma testemunha que havia outras pessoas da Covilhã que faziam as mesmas obras que ele e não as confessava.
Como hereje e apóstata, dogmatizador de herejes, ficto e simulado confitente, requeria-se para que fosse relaxado à justiça e braço secular.
Lida a acusação disse que quanto ao geral nada tinha a dizer, quanto ao particular respondia:
“ Que Francisco Nunes vivia numa casa próximo da sua, na Calle de Pero o Coxo, entre S. Cristóvão e Stª Clara, lhe disse que se quisesse jejuar era da manhã à noite, etc..., fala outras vezes nas préticas com Marcos Roiz. Demonstrou depois a Francisco Nunes algumas autoridades de Saltério por onde demonstrava que a Ley de Moysés era a verdadeira, que negava que tivesse dito que não rezassem o Padre-Nosso, Ave-Maria, etc. a tal oração ainda não traduzida, negou tudo.
Audiência - 12 / 12 / 79
Que sobre os cristãos novos da Covilhã disse que todos ou a maioria eram judeus, que o disse a Francisco Nunes, mas não disse quem eram e que se referia a dois companheiros irmãos que se chamavam Diogo Roiz (a) e Jorge Roiz (a), que estudavam Artes em Salamanca, hospedados na Calle de Pº o Coxo um ano, e outro na Calle de Rabanal e que estes eram todos os da Covilhã que conhecia.
Sabe que são judeus por terem jejuado várias vezes com eles e por ter praticado várias vezes com os mesmos sobre a Ley de Moysés - a cuja casa vinham outros com o já referido Fonseca, que era natural de Castelo de Vide - na Calle de Pº o Coxo se descobriram uns aos outros que eram
- Gaspar Nunes (a), de Torre de Moncorvo, estudava medicina
-Álvaro Paez (a), de Castelo de Vide, estudava então Artes
os quais todos judaizavam - Francisco Nunes nunca lhes mereceu confiança.
Diz que não se recorda de ter falado a mais alguém.
A 12 / 12 outra audiência :    
Treslado em latim da oração encontrada na Bíblia do Fonseca. Tirou-a de uma carta de Stº Agostinho que referia os milagres da Ley Velha, agora responde quase sempre que tudo podia ser, mas que não se recorda.
- há onze ou doze anos que tinha a Lei de Moisés - até ao ano passado de setenta e oito.
A Álvaro Paez é que ouvira fazer broma da virgindade da Virgem, mas não se recorda dele o haver tratado com os companheiros em Salamanca.
Audiência - 13 / 12
Foi Álvaro Paez que converteu ao mosaísmo - Marcos Roiz.
continua a confessar o que negara ou a dizer que não está bem certo.
- aconselhava-os a que depois de comer lessem o Testamento Velho que era a verdadeira lei.
- No fim de 67 Fonseca foi à terra e os companheiros deste por S. Lucar voltaram a Salamanca e ouviu dizer a estes companheiros que Fonseca se havia casado na terra. Quando este voltou a Salamanca, perguntou-lhe se já tinha casado ao que ele respondeu que não estava casado por mão de clérigo e que aquela mulher lhe havia “ hechizado “ e andava cego e daí a dias veio a sua casa um António Diogo, da Covilhã, o qual tratou com Fonseca se queria casar com sua irmã e ele lhe disse que sim e que Diogo o tratasse com Gonçalo Vaz. Este disse ao Diogo que o Fonseca era bom rapaz e ela ficaria bem casada, e o Diogo disse-lhe que havia ouvido dizer que o Fonseca estava casado em Penamacor ao que o Gonçalo Vaz respondeu que tinha tratado com ele e ele lhe dissera muitas vezes que não estava casado por mão de clérigo. Disse ao Fonseca depois que se estava casado não tratasse de se casar. Outra vez onde estava a moça, em Espanha, onde a trouxeram, disse-lhe o Fonseca que não tinha medo porque não estava casado e com isto se foi com o dito Diogo e nunca mais o viu. Sobre o assunto do casamento não torna a dizer nada, e nega que tenha dito ao Fonseca que podia pela Ley de Moysés, casar com outra mulher tendo a primeira ainda viva.
- O primeiro a falar a Francisco Nunes na Ley de Moysés, foi o Fonseca, tendo ele ficado quente e este aconselhou depois o Gonçalo Vaz que fosse falar com ele mais Gaspar Nunes porque era lido na escritura. Gaspar Nunes pôs então como argumento para o Francisco Nunes o problema de que os cristãos eram idólatras por via das imagens.
- Audiência (15 de Dezembro) como sempre estava presente o curador de Gonçalo Vaz - Diogo Muñoz - continuou a resposta aos capítulos da acusação.
Disse que tirou da Bíblia a oração da Rainha Ester e a oração que rezava aos Domingos a toda a hora que podia.
Que a oração grande, transcrita atrás, a rezava às vezes todos os dias, outras vezes de 8 em 8 dias.
- O Saltério deu-lhe Gaspar Nunes e os salmos estavam pontuados com letras, com a letra P no Domingo, com L ao Sábado, etc...
Gaspar Nunes (a) lhe ensinou isto.
As orações da Rainha Ester e a grande não lhe ensinou ninguém; mas que estando um dia em Valverde (b), lugar de Castela, na raia desta com Portugal, em casa de seu irmão, que aí estava homiziado pela morte referida, tirou-as dum livro d’ horas de um aduaneiro porque gostou delas e as outras da Rainha Ester as tirou da Bíblia.
Confessa-se que sabe as 4 orações que todo o cristão deve saber, o que espera salvar-se na lei de N. Sñr. Xto.”

Nota dos Editores – a) Ver neste blogue inscrições na Universidade de Salamanca. b) Valverde del Fresno. 

Publicações neste blogue sobre o processo de Gonçalo Vaz:



domingo, 19 de junho de 2011

Covilhã - Lista dos Sentenciados na Inquisição IX

Lista dos Sentenciados no Tribunal do Santo Ofício da Inquisição de Lisboa, Coimbra e Évora, originários ou moradores no antigo termo da Covilhã e nos concelhos limítrofes de Belmonte e Manteigas.

211      Francisco da Cunha, x.n., de 45 anos, natural e morador no Fundão, filho de Simão Rodrigues, tosador e de Leonor Mendes, viúvo de Beatriz da Costa, de 3/4/1652 a 9/12/1654, prisão em 21/4/1652.
PT-TT-TSO/IL/28/790

212      Jorge Henriques Nunes, x.n., mercador, de 34 anos, natural do Fundão, morador em Lisboa, filho de Domingos Rodrigues Álvares, x.n., mercador de panos e de ( Polónia ) Nunes, casado com Mécia Rodrigues, x.n., de 18/3/1656 a 16/11/1656.
PT-TT-TSO/IL/28/4495                                

213      Salvador Taborda Portugal ou Salvador Taborda, x.v., de 24 anos, licenciado em leis por exame privado, solteiro, natural de Penamacor e morador em Coimbra, filho de Dr. Domingos Antunes Portugal, (1) Conservador que foi na Universidade de Coimbra e juiz de fora da Covilhã, e de D. Isabel Taborda, de 28/6/1657 a 21/7/1657, por haver feito perguntas em uma rua pública a um familiar do stº ofício por este haver feito reparo ao réu na entrada de uma porta para o Auto de fé: 1 ano para uma das fronteiras do reino.
PT/TT/TSO/IC/25/8159
Este Salvador Taborda Portugal foi Doutor em Direito Civil, Desembargador da Casa da Suplicação e Enviado Extraordinário à Corte de Paris, indo substituir neste cargo a Duarte Ribeiro de Macedo e ali se conservou como tal, durante 13 anos, até falecer em 1690.
Autor de : Memórias dos Sucessos que aconteceram em França, e na maior parte da Europa, no tempo que assistiu n’aquela corte com a ocupação de Enviado do Sereníssimo príncipe Regente, depois Rei D. Pedro II, a el-rei cristianíssimo Luiz XIV, desde 1677 até 1689.
(pags 195 e 196, Tomo VII, do Dicionário Bibliográfico Português, de Inocêncio, Lisboa, Imprensa Nacional, MCCCLXII.

214      António Tomás, x.n., mercador, de 47 anos, natural do Teixoso, morador em Lisboa, filho de Simão Mendes Tomás, natural do Teixoso e de Brites Rodrigues, natural da Covilhã, casado com Branca Lopes. Auto de fé de 29/10/1659 a 26/6/1694.
PT-TT-TSO/IL/28/11384                  
                                  
215      Simoa Rodrigues Brixola, x.n., solteira, natural de Vila Viçosa, moradora na Covilhã, filha de Manuel Pereira de Lima e de Mariana Brixola, de 26/7/1661 a 12/11/1661.
PT-TT-TSO/IE/21/7106
    
216      Padre João Barata Ribeiro, sacerdote, cura em Maçainhas, Belmonte, onde é morador, acusado de sodomia, de 31/7/1656 a 16/3/1657.
PT/TT/TSO/IL/28/6437

217      Manuel Martins, solteiro, filho de Diogo Martins, natural e morador no Paúl, termo da Covilhã, de 1/5/1657 a 26/1/1658, por chamar a São Marcos, arrenegado, repreendido.
PT-TT-TSO/IL/28/10194.                

218      Simão Pinheiro Mourão ou Simão Pinheiro Morão, x.n., médico, de 38 anos, natural da Covilhã, morador em Almada, filho de Henrique Mourão Pinheiro ou Henrique Morão Pinheiro, x.n., advogado e Marquesa Mendes, x.n., casado com Mécia Ribeiro de Azevedo, de 28/10/1656 a 28/3/1659, processo cozido ao 616-1.
PT-TT-TSO/IL/28/616                      

219      Sebastião Rodrigues Tavares, x.n., mercador, de 54 anos, natural da Covilhã, morador em Lisboa, filho de Simão Rodrigues e de Guiomar Tavares, casado com Leonor Rodrigues, de 18/3/1656 a 8/4/1661.
PT-TT-TSO/IL/28/3864.                   

220      Gonçalo Rodrigues da Cunha, x.n., tratante, contratador, de 62 anos, natural do Fundão, morador em Lisboa, filho de Jorge Rodrigues da Cunha e de Ana Rodrigues, casado com Isabel Mendes, neto paterno Domingos Rodrigues e materno Gonçalo Rodrigues e Justa Rodrigues, de 22/10/1656 a 15/12/1658, relaxado. ( proc 9439, 9441, 13128
PT-TT-TSO/IL/28/1304       Microfilme 2207

221      Duarte Moreno ou Duarte Moreno Nunes, x.n., mercador, de 34 anos, natural do Fundão, morador em Lisboa, filho de Domingos Moreno, curtidor e de Filipa Rodrigues, naturais do Fundão, neto materno de Beatriz Rodrigues, casado em 2ªs núpcias com Graça Fernandes, x.n., natural da Covilhã, tendo sido casado em 1ªs com Branca Nunes, x.n., natural do Fundão, de 14/3/1656 a 15/12/1658, relaxado.
PT-TT-TSO/IL/28/9212.                   

222      Isabel Mendes, x.n., de 48 anos, natural e moradora em Lisboa, casada com Gonçalo Rodrigues da Cunha, x.n., tratante, natural do Fundão e morador em Lisboa, filha de Gonçalo Mendes Franco, x.n., de Olivença e de Maria Nunes, natural de Évora, neta paterna de Isabel Pires e materna de Isabel Rodrigues, de 23/4/1655 a 8/4/1661, auto de fé de 15/12/1658. (Proc 1304, 9439, 13128, 9315
PT-TT-TSO/IL/28/9441

223      Isabel Henriques, x.n., de 20 anos, solteira, natural de Idanha-a-Nova e moradora em Lisboa, filha de Francisco Lopes, x.n., mercador e de Joana Rodrigues, x.n., natural do Fundão, moradores em Idanha-a-Nova, de 14/4/1657 a 12/5/1659.
PT-TT-TSO/IL/28/9442

224      Diogo Martins, o Roxo, (o Coxo?) de 66 anos, lavrador, natural e morador no Paúl, termo da Covilhã, filho de Diogo Martins e de Maria Dias, casado com Maria Gonçalves, de 3/8/1657 a 10/9/1659, absolvido, por dizer que Deus não havia de vir julgar o mundo, nem este havia de acabar.
PT-TT-TSO/IL/28/11025                  

225      Ana Rodrigues da Cunha, x.n., de 22 anos, solteira, natural e moradora em Lisboa, filha de Gonçalo Rodrigues da Cunha, x.n., contratador, natural do Fundão e de Isabel Mendes, x.n., natural de Lisboa, moradores que foram em Lisboa, neta paterna de Jorge Rodrigues da Cunha e Ana Rodrigues e materna de Gonçalo Mendes Franco, x.n., de Olivença e de Maria Nunes, natural de Évora, bisneta de Domingos Rodrigues, pai do avô paterno e de Gonçalo Rodrigues e Justa Rodrigues, pais da avó paterna e de Isabel Pires, mãe do avô materno e de Isabel Rodrigues, mãe da avó materna, de 23/4/1655 a 4/1/1659.(Proc 1304, 9439, 9441, 9315
PT-TT-TSO/IL/28/13128  

226      Jorge Rodrigues da Cunha, x.n., de 18 anos, solteiro, ajuda o pai no negócio, natural e morador em Lisboa, filho de Gonçalo Rodrigues da Cunha, x.n., contratador, natural do Fundão e de Isabel Mendes, x.n., natural de Lisboa, moradores que foram em Lisboa, neto paterno de Jorge Rodrigues da Cunha e Ana Rodrigues e materno de Gonçalo Mendes Franco, x.n., de Olivença e de Maria Nunes, natural de Évora, bisneto de Domingos Rodrigues, pai do avô paterno e de Gonçalo Rodrigues e Justa Rodrigues, pais da avó paterna e de Isabel Pires, mãe do avô materno e de Isabel Rodrigues, mãe da avó materna, de 27/9/1656 a 1/4/1659. (Proc 1304, 9441, 9315, 13128
PT-TT-TSO/IL/28/9439

227      Isabel Aires, x.n., de 40 anos, solteira, natural de Alcains e moradora em Lisboa na rua dos Canastros, filha de Pedro Lopes, mercador e de Brites Rodrigues, natural do Fundão, neta paterna de Francisco Lopes e Brites Aires e materna de Francisco Manuel e  Ana Rodrigues, de 15/5/1655 a 13/4/1660.(O avô materno e o tio materno são os referidos sob os nºs 33 e 182, desta lista).
PT-TT-TSO/IL/28/9438

228      Jorge Lopes Moniz, “o mata porcos”, ¾ de x.n., solteiro, de 25 anos, mercador, natural da Covilhã, morador em Lisboa, filho de Pedro Rodrigues Álvares, x.n., mercador e de Brites Lopes, ½ x.n.,de 23/3/1657 a 24/10/1660. (O irmão é o referido sob o nº 232 desta lista).
PT-TT-TSO/IL/28/563

229      Manuel Francisco, x.n., mercador, de 54 anos, natural do Fundão, morador em Lisboa, auto público de 17/10/1660.
Não o encontrámos no site do ANTT.

230      Francisco Morão, x.n., de 60 anos, natural do Fundão, morador em S. Salvador da Baía, Brasil, aonde servia de almoxarife da Companhia Geral do Comércio, filho de Jorge Rodrigues da Cunha, natural de Monsanto e de Ana Rodrigues, natural do Fundão, casado com Leonor Dinis, neto paterno Domingos Rodrigues e materno Gonçalo Rodrigues e Justa Rodrigues, de 14/9/1658 a 7/4/1661. (Proc 1304, 9439, 9441, 13128)
PT-TT-TSO/IL/28/9315.

231      Simão de Almeida Franco, ½ x.n., mercador, de 69 (ou 57?) anos, natural e morador no Fundão, termo da Covilhã, filho de Manuel de Almeida, curtidor e de Violante Mendes, casado com Branca Rodrigues, de 16/12/1658 a 17/10/1660, Relaxado.
PT-TT-TSO/IL/28/4389.                   

232      Domingos Rodrigues Álvares ou Domingos Rodrigues Álvares Covilhã, x.n., mercador de panos, de 45 anos, natural da Covilhã, morador em Lisboa, filho de Pedro Rodrigues Álvares, mercador e de Brites Lopes, casado com Isabel Lopes, de 14/3/1656 a 17/10/1660. Relaxado em estátua por se encontrar ausente. (O irmão é o referido sob o nº 228 desta lista)
PT-TT-TSO/IL/28/11761.                 

233      António Gomes Silveira, x.n., de 38 anos, trapeiro, natural e morador na Covilhã, (Celorico ?), filho de Fernão da Silveira, x.n., tratante e de Branca Henriques, x.n., casado com Luísa de Almeida da Costa, x.n., de 25/9/1660 a 12/11/1664, auto de fé público de 16/9/1662. (Procº 7825)
PT-TT-TSO/IL/28/7825.

234      Guiomar Nunes, x.n., de 65 anos, natural e moradora na Guarda, filha de Nuno Fernandes Carvalho, natural do Teixoso e de Ana Nunes, natural da Guarda, viúva de Francisco da Costa, neta paterna de Diogo Carvalho e de Leonor Nunes e materna de Aires Rodrigues e Leonor Nunes, de 15/12/1637 a 17/9/1662, presa em 25/1/1659, data do auto de fé.
PT-TT-TSO/IL/28/10460

235      Maria Fróis, x.n., de 46 anos, natural e moradora na Covilhã, filha de Manuel Fróis, trapeiro e Ana Rodrigues, mulher de Francisco Rodrigues de Almeida, desde 22/9/1662.
PT-TT-TSO/IL/28/11337.

236      Violante Rodrigues, x.n., de 32 anos, natural da Covilhã, moradora em Lisboa, filha de Francisco Rodrigues, mercador e de Leonor Vaz, casada com Fernando Aires da Silva, x.n., sirgueiro de lojinha, natural de Alter do Chão, de 15/1/1662 a 17/1/1663, Auto de fé privado de 12/1/1663.
PT-TT-TSO/IL/28/2831

237      Brites Mendes, x.n., natural do Teixoso, Covilhã e moradora em Trancoso, filha de Pedro Lopes, mercador e Guiomar Rodrigues, casada com Fernão da Silva, tendeiro, de 10/9/1663 a  26/10/1664.
PT-TT-TSO/IC/25/3362                               

238      Brites Rodrigues, x.n., natural da Covilhã e moradora em Trancoso, filha de Luís de Chaves, paneiro e Inês Nunes, casada com Diogo Soares, tendeiro, de 25/10/1663 a  13/2/1667.
PT-TT-TSO/IC/25/3693                               

239      Branca Rodrigues, x.n., natural do Teixoso, Covilhã e moradora em Arnas, Sernancelhe, bispado de Lamego, filha de Pedro Lopes, mercador e Guiomar Rodrigues, casada com Manuel Rocha, mercador, de 1/10/1663 a  26/10/1664.
PT-TT-TSO/IC/25/4223                               

240      António Rodrigues Covilhã, x.n., de 30 anos, solteiro, natural da Covilhã, morador em Lisboa, filho de Francisco Rodrigues, x.n., mercador e de Leonor Vaz, x.n., de 16/11/1662 a 17/1/1663.
PT-TT-TSO/IL/28/7385

Fonte – Os dados em itálico foram retirados do “site” do ANTT – Arquivo Nacional da Torre do Tombo relativo aos processos do Tribunal da Inquisição.
Na cota dos processos, as indicações IL/28, IC/25 e IE/21 referem-se aos tribunais, respectivamente, de Lisboa, Coimbra e Évora.