sábado, 9 de agosto de 2014

Covilhã - Inquéritos à Indústria dos Lanifícios XXIX-XXVII

Inquérito Social XXVII

    Continuamos a publicar um inquérito social “Aspectos Sociais da População Fabril da Indústria dos Panos e Subsídios para uma Monografia da mesma Indústria” da autoria de Luiz Fernando Carvalho Diasrealizado em 1937-38.

Parte II

Introdução

                      
            Os quinze documentos históricos que se seguem não constituem uma Monografia dos Lanifícios em Portugal. Longe disso. Eles não pretendem ser aqui, mais que um esboço de outro estudo mais vasto que há a fazer e servem para demonstrar a importância que a indústria de lanifícios tem há muitos anos em Portugal. Mostram também que, nas épocas de crise, os seus achaques pedem quase sempre a mesma cura, porque são sempre filhos das mesmas causas.
            O Regimento de 1690, nos seus 108 capítulos, adaptou às novas necessidades da indústria o velho Regimento de D. Sebastião, que vigorava desde 1573. Para a elaboração do regimento ouviram-se todas “as pessoas inteligentes e de confiança” e “ os povos e as camaras das terras” onde se fabricavam os panos, como era costume numa monarquia onde o Cesarismo era uma palavra desconhecida no vocabulário político, procurando ter sempre em vista e harmonia o interesse dos concelhos com o interesse superior da Corôa, representante máxima do interesse da república.
            A indústria representa para os concelhos uma enorme riqueza social pelos braços que emprega e material pela melhoria de vida a que leva às populações. Para o Reino, os lanifícios nacionais significavam uma barreira à evasão do ouro, dispensando a entrada de panos estrangeiros. Embora a indústria nacional os não batesse em qualidade, eles não envergonhavam o país, de tal sorte que D. Luiz da Cunha foi a Londres vestido de bom pano da Covilhã. Com intuitos de protecção à Indústria, publicaram-se várias pragmáticas para obrigar os naturais a vestirem-se de pano fabricado no reino. O Regimento revelou o intuito de melhorar e regular o fabrico das fazendas. Não se esqueceu nele o mínimo promenor: durante a tosquia a lã devia ser separada de tal forma que, a que era considerada superior na ovelha, era aplicada aos melhores tecidos. Com o fim de obrigar o tecelão a cumprir o Regimento, na fabricação do tecido, levando-o a empregar nele toda a deligência e saber, criaram-se marcas individuais, para distinguir os panos deste e daquele; cada qualidade de pano tinha a sua marca respectiva, para acautelar o público e diminuir os enganos entre os mercadores; cada terra chancelava também os seus panos, para criar brios entre elas; regulou-se o emprego das tintas e os meios de as aplicar; as falsificações puniam-se com multas e quando contivessem matéria criminal, a pena era de degredo por dois anos, para as partes dalém; regularam-se as funções de cada mester; o fabrico ficou sujeito à fiscalização do vedor dos panos e à competência jurisdicional do Juiz de Fora.

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            Teria existido uma corporação dos lanifícios?
            O regimento dá a entender através de certas medidas e expressões como, por exemplo, o referir-se a oficiais examinados, que havia uma organização.
            O mesmo se conclui de actas da Câmara da Covilhã, onde aparecem oficiais dos panos como Juizes do Povo e como procuradores da Casa dos Vinte e Quatro da Covilhã, ao Senado Municipal. Não havia, é certo, uma corporação única dos panos, mas os oficiais deles estavam organizados por ofícios e cada um destes tinha representante na Casa dos Vinte e Quatro. Os cardadores, os tecelões, os pisoeiros como tinham a sua bandeira e seu patrono, também deviam ter a sua confraria. Memórias de procissões que se realizaram na Covilhã, referem-se às bandeiras e aos patronos.
            Na organização corporativa do burgo, os diversos ofícios que constituiam a indústria dos lanifícios tinham o seu lugar. Só assim se compreende que a primeira carta para D. Luiz da Cunha se diga que não foi possível organizar a Corporação e, que em vez dela se organizou uma mesa composta de um provedor e seis homens bons. A antiga organização corporativa estava tão decadente como a indústria nesse ano de 1758; não havia, portanto, que contar com ela para a reforma pombalina, porque ela dizia respeito a uma época económica que não se quadrava ao conceito do Colbertiano da economia de que Pombal foi o sequaz, entre nós. Não havendo que reorganizar os ofícios, diferenciadamente, dentro da sua forma municipalista, porque os novos horizontes da economia eram agora mais largos, ainda era cedo para organizar o novo tipo de corporação, reunindo em si todos os ofícios que compunham o mester dos panos, uma espécie de companhia pombalina com projecção extra-municipal, não só pela “má criação” em que estavam os fabricantes, mas também pela falta de capacidade.

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            Se os séculos XVI e XVII foram épocas florescentíssimas para a indústria dos lanifícios em Portugal, o século XVIII foi inaugurado à sombra do tratado Methuen que diminuiu o consumo dos panos nacionais, abrindo as nossas fronteiras aos panos ingleses, em troca da entrada franca dos nossos vinhos em Inglaterra. Este tratado trazia no seio a revogação das pragmáticas de 1677 e de 1698, deixando assim completamente desprotegidos aqueles portugueses que se dedicavam ao fabrico e tráfico dos lanifícios. Resta saber se a ruina que quase submergiu a indústria dos panos foi compensada pela vantagem económica e alfandegária que os nossos vinhos alcançaram. Embora não possa pronunciar-me sobre o assunto, parece que as vantagens não atingiram aquilo que se esperava. Os vinhos, em crise aguda, mantiveram o seu índice anterior de exportação, ao passo que os lanifícios, então florescentes, entraram naquele longo calvário que atingiu o seu auge em 1758, como se conclui da Memória e das Cartas para D. Luiz da Cunha.
            Mas não foi só o tratado Methuen o causador da crise da primeira metade do século XVIII, a Beira Baixa, sobretudo a Covilhã e o Fundão, foram bastante atingidos pelas levas da Inquisição, no segundo quartel do século. Diz J. Lúcio de Azevedo, na sua História dos Cristãos Novos em Portugal, que esta região ficou quase desabitada nesse tempo. Vários judeus, fugindo à perseguição, emigraram para a Holanda, para a Inglaterra e para a Alemanha, levando consigo os cabedais que se aplicavam até aí na indústria e no comércio dos lanifícios, os restantes, acusados de judaízarem, sofreram os cárceres e subiram à fogueira inquisitorial. É curioso notar que antes do século XVIII poucos eram os processos da Inquisição referentes a habitantes desta região; nela não fortificava a heresia e os judeus que nela viviam nos seus ghetos e judiarias, distraídos com o negócio, não tinham tempo de se dedicarem ao apostolado mosaico.
            Em 1758, estava a crise no seu ponto culminante, quando D. Luiz da Cunha mandou à Covilhã pessoa da sua confiança, para estudar in loco as causas de tanta desgraça apontada. É dessa inquirição que nos restam a Memória e as Cartas. Tanto uma como as outras identificam curiosos hábitos existentes na indústria da Covilhã e os enganos em que ela vegetava e nos pintam a miséria dos salários devido não só à rudeza do negócio, mas também ao egoísmo dos traficantes. Muitas oficinas tinham ruído; nada mais do que encargo significava os 600$000 de sisa anual que os fabricantes da Covilhã, Teixoso e mais arrabaldes, pagavam à fazenda real pelo privilégio de levarem os panos pelas feiras do reino, pois concorriam com eles, mercadores de outras terras que não pagavam esta sisa. Vê-se pela descrição dos furtos em que todos andavam, o exagero deles: se todos eles furtavam, os furtos acabavam por se anularem uns aos outros! Tanta a citada Memória como as duas Cartas mostram o grande interesse que havia na Covilhã para que tudo isto se modificasse e se fizesse uma ampla reforma da indústria; pedem-se, por isso, ao Rei e ao Ministro que decretem, entre outras, as seguintes medidas: condicionamento da venda da lã, estabelecendo preços máximos e mínimos; que se construam lavadouros apropriados; que se mandem aumentar os salários dos oficiais para se diminuir a miséria em que vivem; que se mandem vir para o reino famílias extrangeiras para aprefeiçoarem os naturais no emprego das tintas e na fabricação dos panos; que se estabeleça uma companhia encarregada do fardamento das tropas do reino e das conquistas e seja ela a distribuir as encomendas pelos fabricantes e traficantes; que todos os criados de servir, oficiais mecânicos e escravos se vistam só de panos fabricados no reino; que só a companhia possa comprar as lãs, para evitar que se faça monopólio delas.
            O número de teares a que a Memória faz referência é um número reduzido; a mesma Memória afirma que não estão incluídos muitos dos existentes na região.
            O alvará de 11 de Agosto de 1759 é consagração legislativa das providências pedidas ao Rei. Nele se manda saber a quantidade de lãs que há no reino. A este alvará segue-se outro de 7 de Novembro de 1766 que o amplia e acrescenta, assim como ao Regimento de 1690. Em 12 de Maio de 1769 a Câmara da Covilhã recebia ordem para entregar a Paulino José Lombardi toda a pedraria caída dos muros da Vila, para a construção do edifício da nova casa da fábrica: esta construção obedecia ao desejo de, na mesma fábrica, se instruirem os futuros oficiais da indústria. Por este tempo também existia, no Castelejo, uma escola de aprendizagem. Aos 4 de Setembro de 1769 publicava-se outro alvará de cujo contexto se conclui que para o fardamento das tropas eram precisas 16 mil arrobas de lã, em cada ano. Em 1788 a Rainha D. Maria I, como já se tinha conseguido industriar, nas fábricas, o número de operários suficiente, resolveu que a administração da fábrica real passasse para particulares. Reconhecia-se assim o que já antes se reconhecera com a fábrica fundada por D. Pedro II: a administração particular era mais proveitosa do que a administração pública.

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            Para se conseguirem lãs de boa qualidade para o fabrico dos tecidos, o Marquês de Pombla mandou vir para Portugal carneiros merinos, para se seleccionarem as castas. Essa medida não deu o resultado que se desejava, ou porque as pastagens influiram na lã, ou porque o clima não lhe foi propício. Posteriormente, já no século XIX, um Dr. Pereira Forjaz, que era natural da Covilhã e licenciado em Direito, apresentou sobre este assunto uma comunicação à Academia das Ciências de Lisboa, de que era sócio correspondente, na qual estudava o problema da adaptação dos carneiros merinos em Portugal, para a fabricação de tecidos.
            Chegamos ao fim do século XVIII e agora podemos dizer que os resultados das medidas adoptadas pelo Marquês de Pombal foram as seguintes: Cem anos depois do tratado de Methuen a exportação de lanifícios portugueses para as Conquistas atingia 7 milhões de cruzados, como refere J. Lúcio de Azevedo no seu livro “Épocas do Portugal Económico”.

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            Não há nada mais a acrescentar a esta “introdução”, porque os documentos que se publicam adiante não dizem respeito ao século XIX. Foi neste século que a indústria atingiu o seu maior desenvolvimento e, pena é que estejamos impedidos pelo tempo e pela vastidão do trabalho, de fazer referência às utilíssimas medidas tomadas neste século e a um Inquérito Industrial que, no terceiro quartel dele, se realizou.

As Publicações do Blogue:

Capítulos anteriores do Inquérito Social:
Inquéritos III - I
Inquéritos IV - II
Inquéritos V - III
Inquéritos VI - IV
Inquéritos VII - V
Inquéritos VIII - VI
Inquéritos IX - VII
Inquéritos X - VIII
Inquéritos XI - IX
Inquéritos XII - X
Inquéritos XIII - XI
Inquéritos XIV - XII
Inquéritos XV - XIII
Inquéritos XVI - XIV
Inquéritos XVII - XV
Inquéritos XVIII - XVI
Inquéritos XIX - XVII
Inquéritos XX - XVIII
Inquéritos XXI-XIX
Inquéritos XXII-XX
Inquéritos XXIII-XXI
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2013/11/covilha-inqueritos-industria-dos.html
Inquéritos XXIV-XXII
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2013/12/covilha-inqueritos-industria-dos.html
Inquéritos XXV-XXIII
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/01/covilha-inqueritos-industria-dos_22.html
Inquéritos XXVI-XXIV
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/03/covilha-inqueritos-industria-dos.html
Inquéritos XXVII-XXV
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/04/covilha-inqueritos-industria-dos.html
Inquéritos XXVIII-XXVI
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/06/covilha-inqueritos-industria-dos.html

sábado, 2 de agosto de 2014

Covilhã - Judeus Covilhanenses III

   Hoje publicamos algumas informações referentes aos judeus  residentes em Amesterdão, bem como no Recife, Brasil, fugidos ao Tribunal da Inquisição de Portugal. Familiares destes terão deixado Pernambuco em 1654, após a derrota holandesa, e fundado Nova Amesterdão onde hoje é Nova York.

Luiz Fernando Carvalho Dias diz-nos que “Mendes dos Remédios em “ Os Judeus portugueses em Amsterdam “ Coimbra, F. França Amado, 1911 a pag 197 começa a publicação de um manuscrito que refere a população judaica portuguesa em Amsterdam no anno de 1675 – onde se encontra nomes usados por vários judeus da Covilhã, como Fróis, Cáceres, Nunes Henriques, Nunes Cáceres, Vaz, Chaves, Lara, Lopes Henriques, Furtado, Vilareal, Henriques Álvares, Mendes Silva, antecipados de apelidos e nomes judaicos; Moreno, Pessoa, Rodrigues, Coutinho, Pereira, Sória, Cunha, Fundão, etc.”
   Nas nossas publicações neste blogue, já encontrámos muitos destes nomes.
   Em seguida apresentamos excertos de Memórias (1) sobre os judeus portugueses: a aceitação e o papel dos mesmos em Amesterdão, bem como a diáspora que os levou até ao Brasil.
   Fizemos questão de pôr hoje esta publicação, porque no texto se refere: “Tão assinalado ficou o dia desta dedicação (Sinagoga dos Judeus Portugueses de Amsterdão) que ainda hoje celebram o seu aniversário a 2 de Agosto com grandiosas demonstrações de alegria.”
 
Sinagoga de Amesterdão, óleo de Emanuel de Witte

[…]
Capítulo V

Dos Judeus Portugueses nos Países Baixos

Aonde os judeus portugueses acharam melhor estrela foi nos Países Baixos, maiormente nas cidades mercantis que com muita humanidade costumavam acolher os estrangeiros. A Holanda que pelas necessidades do seu comércio se viu obrigada a abrir o seio a todas as seitas do mundo, recebia os judeus de toda a parte e sabia aproveitar-se de sua desgraça. Os nossos ali acharam todo o seu amparo. E ainda que a primeira assembleia que eles formaram em Amsterdão deu princípio (a) alguns crimes do governo por ser em tempos em que tudo era suspeitoso pela guerra que então se continuava com muito ardor, e os houveram por católicos romanos que se recatavam e escondiam suas imagens; contudo como se lhes não acharam mais do que livros hebraicos e a lei de Moysés, deixaram-nos fazer assento no país com mais firmeza e mais sossego, maiormente porque entenderam quanto convinha agasalhar uns homens que traziam imensos cabedais a sua casa e que eram os mais hábeis que então havia em todo o trato do comércio de que a República necessitava.
Com efeito, eles foram mais úteis à Holanda do que a franceses refugiados nos fins do século XVI depois da revogação do Édito de Nantes; estes levaram-lhes muita indústria, mas poucas riquezas; e os portugueses sobre as quantiosas somas de cabedal lhe entregaram nas mãos o comércio de toda a Espanha. (1) Eles ensinaram aos holandeses os segredos da nossa navegação e do nosso comércio da Índia; eles incitaram com os seus tesouros a que passassem às nossas conquistas e foram a principal causa de se fazer a poderosíssima Companhia Geral daquele Estado para a Índia porque conseguiram crescer em lusimento e respeito e em forças tanto navais e mercantis como de guerra.
Eles, pois, se estabeleceram tranquilamente em Amsterdão, em Hamburgo, em Anvers, e na Haia. Juntos com os espanhóis fizeram um mesmo corpo e se intitularam judeus do desterro de Portugal = separando-se dos judeus alemães que ali havia desde o fim do século XV a que chamavam Benjamitas pelos haverem por descendentes da tribo de Benjamim e nesta conta se compreendiam os judeus da Boémia, de Morávia, de Polónia e de Moscóvia; as suas sinagogas são separadas das dos alemães e ainda que têm a mesma religião e os mesmos artigos da fé, diversificam todavia por algumas práticas e cerimónias.
Nas sinagogas não lhes dão assento, uma só família dos Benjamitas goza desta regalia, em galardão da caridade com que havia acolhido em outro tempo os desterrados de Espanha e Portugal e cooperado para que os soberanos da República os deixassem estabelecer-se no país.
Também se não misturavam com os Benjamitas por casamentos e alianças (2) e chega o divórcio com estes seus irmãos a tal excesso que nunca nem se incorporam nem se confundem jamais com os outros filhos de Jacob; e se um judeu português desposou uma judia alemã perde imediatamente as suas prerrogativas e não é mais reconhecido por membro da Sinagoga, mas fica inteiramente separado de todo o corpo da Nação nem pode ser enterrado entre os portugueses; quase praticam o mesmo a respeito dos judeus italianos posto que os hajam em melhor conta que aos alemães.
Esta distinção e sobranceria com que se tratam os portugueses nasce da ideia em que estão geralmente, de que tiram a sua linhagem da Tribo de Judá até David do qual têm que as principais famílias vieram habitar na Espanha nos tempos do cativeiro de Babilónia, ao contrário dos alemães que eles reputam menos .... por virem da Tribo de Benjamim. Acresce a isto que eles excedem aos alemães em engenho e jurisdição; (3) os seus costumes são mais puros, passam por homens mais iguais e mais justos e de boa fé. (4) Têm maior ... e mais fauto e elegância no seu trato; são menos supersticiosos que os alemães, nem afectam como eles singularidade alguma no seu traje e maneiras e não diferem das outras nações com quem vivem senão no culto. (5)
Estas qualidades são as com que se avantajam aos alemães e as que lhes dão aquela elevação de sentimentos e aquele ar com que se portam e com que se fazem mais contemplados das nações estrangeiras.
Em nenhuma parte do mundo têm eles maior acolhimento e segurança do que em Amsterdão, assim pela liberdade de consciência das sete Províncias, quanto pela bondade dos seus moradores (6) ali ocupam a mais bela parte da cidade aonde vivem com todo o esplendor e lusimento. Quando nela pousaram foi Aaron Levita, filho de Uri Levita, o primeiro que os circuncidou (7) nesta cidade erigiram eles a sua primeira Sinagoga a que chamaram Casa de Jacob = do nome de Jacob tirado seu fundador. (8)
Depois fizeram outra de novo a que chamaram = Neve Schalom = isto é, domicílio da Paz; à testa dela esteve Judas Vega, Rabi que viera de África, a que sucedeu Uriel que tão fortemente censurou os defeitos de sua Nação que incorreu no seu ódio, e deu ocasião a que muitos se separassem dele. (9)
Em 1618 erigiram terceira sinagoga a que deram o nome de Beth Israel, isto é, Casa de Israel, debaixo da direcção de David Pardo e como se separaram dos outros foram havidos por cismáticos, mas a primeira sinagoga tomou o seu partido e se uniu com eles. O Cisma em fim cessou depois de vinte anos em 1639.
De todos estas três sinagogas veio a fazer-se depois uma só com a denominação de Talmud Hathorath ou Thora, isto é, Estudo ou Ciência da Lei, a qual é chamada a Sinagoga dos Judeus Portugueses de Amsterdão, o edifício em que ela está foi começado em 1617 e acabado em quatro anos. Quatro judeus portugueses de distinção puseram as quatro pedras angulares do seu fundamento da Sinagoga - Jerónimo Nunes da Costa, António Álvares, Manuel Pinto e David Pinto.
É fundada ao Oriente da cidade, tem 500 pés de comprido e 100 de largo, sem contar a área e as muralhas exteriores; a sua altura do chão até à abóbada é de 70 pés, é espaçosa e clara e por dentro mui perfeita e vistosa por fora, está cercada de um formoso páteo, com suas galerias à maneira de muro que a rodeia correndo da direita e da esquerda ao comprimento da sinagoga; no páteo está o aposento dos Senhores da Mahamad, seis casas dos Medrassim, duas para os Hozanim e uma para o guardião; nos lados tem corredores com colunas para passear e tem três portas, e faz a principal admirável perspectiva por se notarem três abóbadas de que se  forma todo o edifício, das quais as dos lados se sustentam nas paredes, e a do meio em quatro pilares de pedra; de cada lado tem uma galeria para assento das mulheres que sustentam seis colunas de cada parte.
Pendem cinco ordens de magníficos lampadários com seus debuxos dourados na abóbada e em tanta quantidade que fazem o número de 800 luzes; as madeiras são de jacarandá e bordo, com muitos adornos, o artifício compete com o melhor de toda a fábrica. (10) Assim esta sinagoga é dos mais luzidos edifícios da cidade e a maior e a mais bela e magnífica que há em todo o mundo, merecendo por isso os gabos de todos os mestres e sabedores de Arquitectura.
Foi solenemente dedicada em 2 de Agosto de 1675 com grandiosa pompa e solenidade; havendo assinalado este dia pelo mais alegre e bem ditoso que havia tido a Nação depois da ruína de Jerusalem. Os príncipes d’entre os judeus levaram em procissão a Lei e entrando na Sinagoga praticaram actos de sua devoção e deram avultadíssimas esmolas, fizeram grandes festas por espaço de 8 dias, nelas pregaram os seus Deraschot ou Sermões e foram oradores os portugueses Isaac Aboab, Salomão de Oliveira, Isaac Zacuto, Isaac Neto, Elijahu Lopes, D. Isaac Vellosino e D. David Sarpathi.
O principal que pregou no primeiro dia tomou por tema as palavras do Cap. 41 v. 4 do Deuteronomio = Vós estais unidos ao vosso Deus = e mostrou que o tempo dos milagres não havia acabado, se não que Deus só mudará a maneira de os fazer porque então a força os fazia a Deus secretos e ocultos, quando antigamente eram sensíveis e públicos; que um destes milagres secretos era sem dúvida o zelo e a caridade que haviam mostrado na edificação da Sinagoga que consagravam e que isto havia anunciado Ezequiel no Cap. XI, v. 16: Eu serei a ele um pequeno templo no lugar a que vierem.
De todas as orações se fez uma colecção que se publicou depois com este título = Sermões que pregaram os doutos emgenhos da K.K. Talmud - Tora desta cidade de Amsterdão no alegre estreamento e pública celebridade da Esnoga que se consagrou a Deus para casa de oração cuja entrada se festejou em Sabath. Nahamia. Anno 5435 (de Cristo 1675) Estampado em Amsterdão em casa e à conta de David de Castro Tartaz em 4º. (11)
Tão assinalado ficou o dia desta dedicação que ainda hoje celebram o seu aniversário a 2 de Agosto com grandiosas demonstrações de alegria.
O Príncipe de Orange Frederico Henrique e a Rainha Henriqueta Maria, mulher de Carlos, Rei de Inglaterra que muito os favoreceram, foram em pessoa visitar a Sinagoga; e o Rabi português Menaseh Ben Israel lhes recitou em língua portuguesa uma oração gratulatória em nome da sua Nação que fez imprimir em Amsterdão em 402 (de Cristo 1642) dedicado ao Doutor Abraham Ferraz, Aharon Acoen, a Jeosuali Jesurum Rodriguez, a Moseh de Mesquita, a Iahcob Coen Enriquez, e a Habrahão Franco, chefes ou directores da Sinagoga dos Judeus Portugueses em Amsterdão.
Há nesta sinagoga cinco fraternidades ou sociedades Académicas que chamam Kether Thora = Tora or = Jesiba de los Pintos= Tiphereth Bachurim = Meirat Enajein = a principal he Kether Thorah = isto é Corôa da Lei., fundada em 1643, dirigida por muitos e mui sábios homens. Há além disto dez Academias Caritativas intituladasAbi Ietimim, Gemilut Chasadeim, Temime Darech, Ionem Daltim, Maskil el Dal, Se hare, Zedeek, Ketersem Tov. Resith Chochmi, Baale Teschuiva = (12)
A Haia é outra cidade que frequentaram os nossos: para ali se recolhiam de Amsterdão e de outras partes, os mais ricos e poderosos da Nação para gozarem socegadamente dos imensos tesouros que juntavam vivendo prosperamente em soberbas casas com toda a ostentação do luxo. Tem nesta cidade uma grande sinagoga e extremam-se dos Alemães por certos ritos e cerimónias como sucede em Amsterdão. Também alguns se estabeleceram em Hamburgo, entre os que ali se domiciliaram foi um deles o insigne médico Rodrigo de Castro.
Os judeus portugueses de todas estas cidades usam da tradução castelhana da Bíblia de Ferrara, maiormente das Edições de R. Menassés ben Israel de 1630 e de 1646, das de Samuel de Cáceres de 1661 e da de Jacob Lumbroso de 1639 e em particular de Pentateuco do mesmo R. Menassés de 1627 e de 1655, da Parafrase de R. Isaac Aboab de 1681 da versão castelhana de R. José Franco Serrão e de uma versão portuguesa de que faz menção Cristóvão Arnoldo nas suas notas ao Sota Wagen seiliano. (13) Também se servem da tradução castelhana de Miscna impressa em Veneza em 1606, feita quanto parece, por R. Abraham, filho de Reuben ben Nachman de Marrocos, (14) e do Tratado dos Capítulos dos Padres da tradução espanhola de Moses Belmonte, impressa em Amsterdão em 1712, em 8º na oficina de Salomão Praops. com o texto hebreu e com parafrase caldaica do Cântico de Salomão.
Entre todos os judeus portugueses de Holanda os que mais se assinalaram por seu grande saber foram os seguintes: Jacob Jehuda Leão, R. Salomão Jehudah de Leão, Isaac Aboab, Isaac Ben Matalias Abuab, R. Isaac Abas, Samuel Ben Isaac Abas, Rab. Menassé Ben Israel, Abraham Israel Pilzaro, R. Mortera, Aguilar, Nunes, Telles, Pereira, Cardozo e Zacuto.
Pelo que toca às famílias distintas dos judeus portugueses, ali se achavam mais que em nenhuma outra parte do mundo: uma das quais era a dos Abarbaneis de quem faz muita muita menção Levi de Barrios na sua História Universal dos Judeus, falando de José Abarbanel e de seu irmão Menasseh, e de Jonas seu filho (15) e ainda hoje se mantêm outras muitas como a dos Pintos, a de Nunes, da Costa, etc...

Notas:
(1) - Lettres de quelques Juifs Portug., pag. 18.
(2) - Wagenseilo, na obra Para loculo II, pag 126.
(3) - Assim o notam dois grandes escritores dos mesmos alemães Jehudt na obra Memorabilis Judaica, P. 1, pag. 133. Wolfio, Biblioth. Hebr., Tom. II, pag. 1107.
(4) - Este foi o juízo que deles fez, entre outros, o sueco André Morelis, nos Prolegomenos ad Phosphorum Fidei Orthodoscae, pag. 23, contando o grande cisma que houve entre uns e outros por ocasião dos escritos de Chaja Chajon e de R. Nechemia Chaija - Magnos Lusitanos inter ac germanos judeos excitavit motus lusitani autem ut sunt in omnibus aequores cultiores que i ita (sic) laudatum lebrum quieta industria examinarunt eundem que una cum tanto Nehemia auctrrea (sic) sinistris germanorum judiciis publica censura vindicarunt.
(5) - Bramer contum. Releg. , pag. 201.
(6) - Daniel Levi de Barrios, Casa de Israel, pag. 24.
(7) - Daniel Levi de Barrios, na obra Casa de Jacob, pag. 2.
(8) - Desta e das mais Sinagogas que tiveram em amsterdão faz memória Daniel Levi de Barrios na História Universal Judaica; na outra Arbol de las Vidas e na outra Luzes e Flores da Ley Divina = em que expõem a origem do judaísmo em Holanda e a vida de seus primitivos Doutores; Veja-se também António Álvares Soares na Sylva.
(9) - A esta Sinagoga se fez o Diálogo em português = dos Sete Montes Sagrados = que se viam naquela casa, obra a que Rohel Jesurum por outro nome Paulo de Dina, natural de Lisboa, fez uma prefação.
(10) - Vem uma descrição desta Sinagoga na Prefação da Coleção dos Sermões que se pregaram na Dedicação.
(11) - Vej. Daniel de Barros no Governo Popular Judaico, pag. 33. Wolfio, Biblioth. Hebr., Tom. 2, pag. 1284 e Tom. III, pag. 1181. Basnage, Hist. de Jucts, no Tom. V, pag. 2095 e no Tom. IX, pag. 995 e segts. Benthemio, de Statu Belgii Eccles. P. 1, pag. 53 e Jacob Scuda, Memoralia Judaica, Liv. IV. C. IX.
(12) - Delas faz uma descrição Daniel Levi de Barrios, na obra Triumpho del Governo popular y sedilo antiguedad Holay desa an. 443. (de Cristo 1683).
(13) - Pag. 1212.
(14) - Um judeu português trabalhava em 1726 em traduzir todo o Miscn e para isso comprara um exemplar em Veneza que fora da Livraria de Cornélio Schulterigio.
(15) - Daniel Levi de Barrios, Relacion de los Poetas e Escritores Espanholes de la Nacion Judaica, Amsterdão; e Basnage, Hist. des Juifs, C. XXVI, que referem alguns judeus portugueses.

[…]

Placa de rua no Recife (2)

Capítulo X

Dos Judeus Portugueses na América

A América, atraindo os olhos de todos os europeus, convidou também a muitos dos judeus portugueses a que deixando a Pátria ou as terras estranhas para onde se haviam transportado, viessem a estabelecer seu domicílio nos lugares do Brasil. (1) Uns passaram  a estas partes imediatamente do reino e ainda que o snr. Rei D. Sebastião lho proíbiu depois de seu alvará de 30 de Junho de 1567, sempre continuaram a ir, obtendo a princípio licença e dando fiança como no mesmo alvará se lhes permitia e depois ainda sem ela nos tempos da dominação castelhana, que por isso os povos requereram nas Cortes de Lisboa de 1642 que se renovasse a proibição que antigamente se havia feito.
A Baía de Todos Os Santos era uma das cidades do Brasil aonde se estabeleceram muitos deles; lá os acharam os Holandeses quando a conquistaram, que por ventura tiveram muita parte na entrega da cidade, segundo então se suspeitou; pelo menos foram eles os que depois persuadiram aos Índios com o título de Liberdade e de religião a receber o novo jugo, quando o Coronel João Dort lançava bandos em que oferecia fazenda, casa e liberdade de consciência a todos os que quisessem gozar dela e consta que mais de duzentos judeus ali ficaram. (2)
Não só os do Reino mas os mesmos judeus portugueses de Holanda se trespassavam em grande número para o Brasil por ocasião das conquistas dos holandeses e da sua Companhia Ocidental porque vendo Holanda quanto lhe importava para seu comércio valer-se dos cabedais, e pessoas dos judeus do Norte, pôs grande cuidado em fazer com que eles passassem ao Brasil e se interessassem no trato e comércio da terra. (3) Quase todos eles foram assentar seu domicílio em Pernambuco no Arricife e Torres junto a ele e na fortificação nova que os holandeses haviam feito na sua vizinhança (4), chamada Cidade Maurícia, de Maurício de Nazão ou Nassau, seu autor. (5)
Entre os que foram para terras do Brasil ou lá nasceram, deixaram de si assinalada memória os seguintes que aqui poremos: António Mendes R.          Moyses (sic) de Aguilar, António de Montesinos ou Aaron Levi, natural de Vila Flor (6) que havendo ído desde o porto de Honda até a Província de Quito, dali passou a Pernambuco, o qual escreveu uma Relação das Relíquias que achara no Brasil, do Povo de Israel e abriu caminho a que o R. Menassés na sua obra = Esperança de Israel = assentasse como certo que as Dez Tribos estavam ocultas em várias regiões da América, maiormente em terras de Setão, vivendo conforme a Lei de Moysés; Isaac Aboab, natural de castro Daire, na Beira, discípulo de Uziel, de Amsterdão se passou ao Brasil em 1642 e ali foi Presidente da Sinagoga dos Judeus, donde tornou para Amsterdão e sucedeu ao R. Menassés na Cadeira da Gemará (7); Ephraim Soeiro, irmão do mesmo R. Menassés, que o havia enviado ao Brasil para ver se pelo trato do comércio podiam ambos crescer em cabedal e fortuna; Jacob de Andrade Velosino que nasceu em Pernambuco em 1657, no domínio dos holandeses, com os quais depois da Restauração que fizemos, se passou para Amsterdão.

Notas:
(1) - Dos judeus na América falou com erudição Fabrício, na obra “ Lux Salutaris Evangelica “, pag. 754; Wolfio, na Bibliotheca Hebraica, Tom. IV, pag. 515; Besnage, Histoire des Juifs, Liv. VII, C. 4; Coreal, Voyage aux Indes Occidentales, Tom. 1, pag. 291, ed.. de 1722. O Jesuíta Latifau nos “ Costumes dos Selvagens Americanos “ e o anónimo autor da “ Dissertação sobre os Povos da América e sobre a Conformidade dos seus Costumes com os de outros Povos Antigos e Modernos “ que saíu em Amsterdão em 1724, fol . e vem no Tom. 1º dos Costumes Religiosos e outros muitos, dos quais alguns se persuadiram que os Americanos descendiam dos Hebreus.
(2) - D. Gonçalo de Cespedes e Meneses na História de Filipe IV, C. 20, pag. 206, col. 2.
(3) - D. Francisco Manoel = Restauração de Pernambuco, nas Epanáforas, pag. 492.
(4) - Consta do assento e condições com que Pernambuco se entregou ao Mestre de Campo General Francisco Barreto e dos artigos militares que traz D. Francisco Manoel, no lugar acima citado, pags 529 e 536.
(5) - D. Francisco Manoel no lugar acima citado, pag. 489 e 490. - ( A construção denomina-se hoje por Forte Orange ou de Itamaracá )
(6) - Castro, na Bibliotheca Esp., pag. 564, põem Miraflor por Villa flor: sobre este escritor veja-se Basnage na Historia dos Judeus.
(7) - Wolfio, Biblioth. Hebr. Tom. 3, pag. 538; Barrios, na Arbol de las Vidas, pag. 64 e na Vida de Ussel, pag. 45. := Sabio Ishac Aboab en el remoto = Brazil=
(8) - Barrios diz dele na obra Arbol de las Vidas, pag. 79:
= Primero illustró al Brazil
= con virtud, y sciencia summa
Wolfio. 703. Consta da sua obra determinio ( sic ) Vitae Sect. XII, pag. 236. Castro na Biblioth. Esp. pag. 551 chama-lhe cunhado de Menassés, sendo que ele era seu irmão, como ele mesmo lhe chama adiante. ap. 557. [...]

Nota dos editores - 1)Presumimos sejam de António Ribeiro dos Santos (1745-1818). 
2) Fotografia da autoria de Leonardo Dantas Silva no album  "A História dos Judeus dos EUA - Arruando pelo Recife" In Facebook

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Estatística baseada na lista dos sentenciados na Inquisição publicada neste blogue:
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As publicações sobre Judeus Covilhanenses:
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http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/02/covilha-judeus-covilhanenses-no-seculo_10.html

sábado, 26 de julho de 2014

Covilhã - Os Jesuítas VII


    Como encontrámos no espólio de .Luiz Fernando Carvalho Dias uma pasta sobre Jesuítas covilhanenses ou que se fixaram na Covilhã, continuamos hoje a publicar o tema a eles dedicado.
    A Companhia de Jesus foi fundada por Santo Inácio de Loyola que nasceu em 1491 no País Basco – Azpeitia – proveniente de uma família de fidalgos de província e morreu em Roma em 1556.
    A Companhia de Jesus entra em Portugal através de Francisco Xavier e Simão Rodrigues e tendo como pontos de partida Lisboa, Coimbra e Évora, toma nas suas mãos o ensino e a organização da missionação das colónias.  
    A lista que temos vindo a apresentar manifesta algumas falhas, talvez relacionadas com os momentos de expulsão da Companhia de Jesus de Portugal: 1759, 1834, 1910.
    Carvalho Dias deixou-nos pouca informação sobre os jesuítas covilhanenses nascidos no século XX, razão que nos leva a apresentar por ordem alfabética os que conhecemos, uma vez que não dispomos de algumas datas de nascimento.


XXV – Manuel Baptista


Foi professor de Luiz Fernando Carvalho Dias em S. Martin de Trevejo. Diz-nos Carvalho Dias que este seu conterrâneo só falava em Latim.


XXVI - José Craveiro (da Silva)

Natural do Tortosendo. A editorial Apostolado da Oração publicou: "Na Vida Espiritual não há Linha Recta".


XXVII - Lúcio Craveiro (da Silva)


Nasceu no Tortosendo em 1914 e faleceu em Braga no ano de 2007.
Era irmão de Padre José Craveiro da Silva.
Doutorou-se em Filosofia Social, Filosofia Social e Política e História da Cultura e Filosofia Portuguesa.
Foi Superior Provincial dos Jesuítas portugueses.
Foi co-fundador do Instituto Superior Económico e Social de Évora.
Fez parte da Comissão Instaladora da Universidade do Minho.
Algumas publicações:
- “A Idade do Social, Ensaio ético-social sobre a evolução da sociedade, Braga, 1952 (Tese de Doutoramento)
- “O agnossticismo político no “Speculum Regum” de Álvaro Pais”, In Brotéria, 1964
- “Antero de Quental, Evolução do seu pensamento filosófico”, Braga, 1959
- “A Ética nos Provérbios Populares Portugueses”
- “Francisco Sanches – Filósofo”, Braga, 1951
- “A Saudade em António Vieira”, In Colóquio, Junho 1960
- “A Questão Operária em Portugal”, Braga, 1953


XXVIII – António de Almeida Fazenda

A tradução da poesia de D. Diogo Seco S.J. foi feita em Lisboa, 19/4/1970 por P.e António de Almeida Fazenda, S.J. e copiada a 31/1/1972.
Publicou:
- “Face à Luz – Liturgia e Escritura. Claridade de Cristo na celebração do Domingos e Festas”, Porto, 1966
- “Meditações dos primeiros Sábados (Mistérios do Rosário meditados), Braga, 1944. Coimbra, 1953


XXIX - Francisco Xavier Alves Fortuna

Foi aluno, na Covilhã, do professor primário Claudino Dias Agostinho e Rosa, bisavô do editor e professor de Francês do editor, no Colégio de S. João de Brito (Lisboa).



XXX - José Maria Alves Fortuna



Foi professor de Latim de Luiz Fernando Carvalho Dias em S. Martin de Trevejo.



XXXI – Abel Guerra

XXXII – Joaquim Angélico de Jesus Guerra

XXXIII - Abel Paulo Guerra

Os dois primeiros, irmãos e o último, sobrinho, são da região da Covilhã.
Joaquim Guerra nasceu em Lavacolhos (1908) e faleceu em Lisboa (1993). 
Foi escritor, investigador e missionário na China.
Estudou em San Martin de Trebejo, Espanha.
Fez o noviciado na Companhia de Jesus em Oya, Galiza.
Partiu para o Oriente em 1933.
Estudou e traduziu várias obras do chinês para o português, como "Livro dos Cantares" que é tradução de "She Keng" (poesias antiquíssimas do Cancioneiro chinês) e foi publicado em Macau, 1979.
Organizou ainda um dicionário de chinês/português, publicado em 1981.

XXIV - João Baptista Mendes

Natural da Boidobra.
Publicou “Química Liceal”, Fundamentos, Tomo 1º, Porto, 1945.


XXXV – José Fernandes Raposo

Foi professor de História do editor, no Colégio de S. João de Brito.


XXXVI - Severiano Lino Tavares

Publicou entre outros escritos:
- “Francisco Sanches. No IV Centenário do seu nascimento, Vida e obra”, Braga, 1951.
- “Francisco Sanches e a Filosofia Cristã", Comunicação, Braga, 1952.
- “No Limiar da Cosmologia” In Perspectivas do Curso Bracarense.
- “O Senequismo de S. Martinho de Dume” (Em colaboração), Sep. De Revista Portuguesa de Filosofia, Braga, 1950

XXXVII - Rafael Fernando de Melo e Castro Forjaz Morão

Nasceu em 8 de Dezembro de 1961. 

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Publicações neste blogue sobre os Jesuítas:
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sábado, 19 de julho de 2014

Covilhã - As suas Igrejas III

  Pesquisando no "site" do ANTT o Mosteiro de São Pedro de Arganil verificámos que em 1187 se designava por Mosteiro de Arganil, mas mais tarde por Monasterij Sancti Petri de Arganil,  como nos aparece no documento e, posteriormente, por Mosteiro de Folques ou Mosteiro de São Pedro de Folques. Sobre a igreja de Sancti Iohanis de Manta in Collo de Covelliana sabemos que o padroado desta igreja foi doado ao Mosteiro por João Mendes, seu fundador e ainda que houve uma causa em que foram partes os clérigos e paroquianos da igreja e o prior e frades do Mosteiro de São Pedro de Arganil de que foi delegado apostólico o bispo da Guarda (Egitânia).
  Continuamos a publicar alguns destes documentos encontrados no espólio de Luiz Fernando Carvalho Dias.
  
[...]


            Joahes Petri presbiter iurato et interrogato dixit quod vidit Pelagium Calvum facere aptum occidentalem Sancti Iohanis per sumptum johanis menendj et vidit carpentarios tegere ecclesiam per sumptum Ihanis menendj et vidit quando posuerunt super tegulas per sumptum eius.
Interrogato si Iohanes Menendj erat patronus dixit illum scio... esse dominum.
Interrogato si viderat Johanes Menendj dare ecclesiam Sancti Iohannis fratribus de Arganil dixit non vidisset audivi dicere quod dederat Johanes Menendj ecclesiam fratribus de Arganil et fecerat illis inde kartam ......... dixit quod viderat ibi stare unum fratrem de Arganil pro clavicellaria et alium pro capellano et  postea vidit alium pro capellano.
Interrogato si parrochiani erant patroni dixit quod nescio. De fundamento ecclesie dixit nesciebat quis fundaverat.

            Arcipresbiter iuratus et interrogatus dixit quod sciebat Johanes menendj esse canonicum Sancte Marie et sciebat domnum Mi esse in Sancto Johane de Manta de manu Johanes Menendj prout credebat ipse postea expulit inde illum et postea vidit Jo. Menendj stare ante arcepiscopum Compostellanensis et vinxit ecclesiam et vidit ibi stare unum fratrem de Arganil et audivit quod Jo. Menendj dederat patronatum fratribus de Arganil.
Interrogatus si Jo. Menendj erat patronus dixit quod nesciebat sed sciebat esse dominum.
Interrogatus si parrochiany erant patronj dixit quod nesciebat dixit quod nesciebat ... daverat ecclesiam sed dixit quod illud quod erat ibi factum credebat quod facerat Jo. Menendj.

            Gonsalvus Suarij clericus iuratus et interrogatus dixit quod vidit quando erat puer et erat monachinus Jo. Menendj fundare ibi ecclesiam Sancti Jojannis et facere et vidit ibi priorem de Arganil stare et .... Jo. Menendj dabat post mortem suam patronatum ipsius ecclesie et ecclesiam Monasterio de Arganil et quod fecerat inde cartam. Interrogatus si erat Jo. Menendj patronus dixit quod erat patronus antecedens .... parrochiarnj erant patronj dixit quod nesciebat et dixit quod viderat ... kartam .

            Pelagius Suerij sutor iuratus et interrogatus dixit quod sciebat stare in ecclesia Sancti Johanis duos fratres unum pro capellano et alium pro clavicellario sed nesciebat quod qua de causa. Interrogato de aliis dixit ... dixerat ex parte parrochianorum sancti iohanis.


            Suerius Gonsalvi clericus Sancti Iohanis iuratus et interrogatus dixit quis fundaverat ecclesiam Sancti Iohanis dixit quod nesciebat sed sciebat ibi pariente stare de antico et sciebat ibi stare domnum Michaelem et demum Michaelem Petrum clericos et dabant inde terciam. Jo. Menendj qui erat canonicus Sancte Marie et stabat illuc postea per ius Sancte ecclesie expulit ab ecclesie Sancti Iohanis Jo. Menendj alios clericos et dixit quod Gonsalvus fecerat ousiam et portas et alpenderem suis expensis et dedit ibi de suis pecudibus de quibus hodie edificatam habetur in ecclesia et parrochiani emerunt unum capum de Gº Petras ex... ad faciendam ecclesiam et per expensas Jo. Menendj et parrochianorum dederunt portam et detulerunt parrochianj et dederunt ecclesie unam casam et Jo. Menendj fecit corpus ecclesie et dedit finem et postea ivit ad Arganil et fratres accomodaverunt ej de suis denarijs et fecit ... pactum quod post mortem eius daret illis ecclesiam et interrogatus postea tenuit ibi duos fratres de Arganil unum pro capellano et alium pro clavicellaria postea episcopus fecit capitulum et exortavit eos qui darent ecclesiam fratribus vel freires postea venit Menendus gunsalvj prior de Arganil ad Sanctum Johanem et dixit Jo. Menendj prior ego edificavj hunc locum et feci et qualem pactum feci priorj Pelagio d’ Aguiar et priorj Petro Menendj tale concedo vobis et do vobis illam ecclesiam cum posesionibus qua es ........ ... dixit S. Gunsalvj contradico et apello ad procuratorem quia episcopus excomunicavit eos qui darent ecclesias fraires vel fratribus et propter hoc astulit Jo. Menendj sibi portionem cum ................. procuratorum et conquistus fuit de portione et inpetravit licteras quod habebat portionem et ....................................................... caria cum suis literis ad Covellianam quod archipresbiter et ipse sciret si Iohanes Menendj fecerat quod dixit .... et Johanes Menendj concessit quod fecerat tunc excomunicaverunt illum et tunc Johanes Menendi ivit ad ......... dones removeret quod fecerat et interea abiit . Interrogato si Iohanes Menendj erat patronus dixit quod erat domnus. Interrogato si parrochianj erant patronj dixit quod nesciebat et dixit quod parrochiani mutabant se secundum voluerunt .....

            Domnus Arrinatus iuratus interrogato dixit quod nesciebat quis fundaverat ecclesiam Sancti Iohanis et dixit quod sciebat Johanem Menendi priorem et faciebat corpus ecclesie et dixit .... inde quod facis interrogato si sciebat aliquid de fratribus dixit quod nesciebat. Interrogato si .... erat patronus dixit quod nesciebat.

            Suerius Iohanis prior Sancti Martinj de Manta in Collo iurato et interrogato dixit quod Iohanes Menendj fecerat ecclesiam Sancti Ihanis de Manta in Collo et dedit illam domno Michaelj pacto quod daret ipse domnus Michael sibi inde partem et domnus Michaelis non tenuit pactum quod posuerat et Iohanes Menendj abstulit sibi ecclesiam et interrogato si viderat in ipsa ecclesia fratres de Arganil in possesione dixit quod viderat ibi unum fratrem sed nesciebat in quomodo stabat ibi. Interrogato si ille qui facit ecclesiam in terra ipse ... erat patronus dixit quod sic . Interrogato si patronus ecclesie potest dare ecclesiam cuilibet dixit quod sic salvo iure episcopi.

            Rodericus Petri prior de Sancto Bartolomeo iurato et interrogato si Iohanes Menendj fecerat ecclesiam Sancti Iohanis dixit quod nesciebat sed viderat illum domnum ipsius ecclesie. Interrogato si viderat in tempore Iohanis Menendj fratres de Arganil in possesione ipsius ecclesie dixit quod nesciebat. Interrogato si ille qui facit ecclesiam aut fundat erat patronus dixit sic secundum usum terre cum parrochianis salvo iure episcopi. Interrogato si patronus ecclesie potest dare suum patronatum cuilibet dixit quod sic salvo iure episcopi.

            Johanes Johanis laicus iurato et interrogato si Jo. Menendi fundaverat ecclesiam aut fecerat dixit quod nesciebat. Interrogato si viderat ibi fratres dixit quod viderat ibi unum sed Iohanes Menendj erat dominus ipsius ecclesie. Interrogato si ille quis fundat ecclesiam aut facit erat patronus dixit quod sic. Interrogato si ille qui est patronus potest dare patronatum cuilibet dixit quod nesciebat sed episcopus scit tale.

            Sugerius prior de Sancta Maria de Carantonia iurato et interrogato si Iohanis Menendj fundaverat aut facerat ecclesiam Sancti Iohanis dixit quod nesciebat. Interrogato si fratres de Arganil fuerant in posesione ipsius ecclesie dixit quod nesciebat sed viderat ibi fratres stare de Arganil et unus illorum erat clavicularius. Interrogato si erat mos quod si illa quis facit ecclesiam aut fundat erat patronus dixit quod nesciebat. Interrogato si patronus potest dare suum patronatum cuilibet dixit quod sic et iste est testis ab utraque parte.

            Petrus Petri laicus de sancta Maria Magdalena iuratus et interrogato si Iohanes Menendj et Gonsalvus Michael fecerant ipsam ecclesiam sed Iohanes Menendj perfecerat eam et senper fuerat inde dominus. Interrogato et iurato si viderat ibi fratres de Arganil dixit quod viderat ibi unum et erat claviger. Interrogato si ille quis facit ecclesiam est patronus dixit quod sic. Interrogato si erat mos quod patronus potest dare patronatum cuilibet dixit quod sic quia multociens viderat hoc accidere.

            Pelagius Petri laicus iurato et interrogato si Johanes Menendj fundaverat aut fecerat ecclesiam dixit quod nesciebat. Interrogato si erat ibi fratres de Arganil dixit quod viderat ibi priorem de Arganil et duos fratres et recessit prior et remanserunt fratres ibi tamen Iohanes Menendj fuit prior et dominus usque ad mortem suam. Interrogato si ille quis facit aut fundat ecclesiam est patronum dixit quod qui facit eam vel ....... aut hereditat est patronus. Interrogato si patronus potest dare patronatum cuilibet dixit quod sic et patronus abadare cum parrochianis et cum episcopo.

            Martinus Tourago laicus iurato et interrogato si Iohanes Menendj fundaverat ecclesiam aut fecerat dixit quod nesciebat et dixit quod viderat inde ipsum dominum usque ad suam mortem. Interrogato si viderat ibi fratres de Arganil dixit quod non. Interrogato si qui facit ecclesiam aut fundat est patronus dixit quod sic mihi videtur. Interrogato si patronus potest dare patronatum cuilibet dixit quod nesciebat.

            Suerius Calvus iuratus et interrogato si Johanes Menendj fundaverat aut fecerat ecclesiam dixit domnus Michael fecerat eam et post Johanes Menendj propulsavit inde domnum Michaelem et melioravit in illa cum suis parrochianis et fuit proinde dominus usque ad suam mortem. Interrogato si viderat ibi fratres de Arganil in possesione ipsius ecclesie dixit quod nesciebat. Interrogato si est mos quod qui facit ecclesiam aut fundat est patronus dixit quod nesciebat. Interrogato si patronus potest dare patronatum cuilibet dixit quod nesciebat.

            Gonsalvus Iohanis laicus iurato et interrogato quis fundaverat ecclesiam dixit quod domnus Michael et post recepit Iohanem Menendj ..... ipse Johanes Menendj proiecit inde domnum Michaelem per vim et per arma. Interrogato quis fecerat ecclesiam dixit quod Iohanes Menendj ........ ecclesie et tenuit eam usque ad mortem. Interrogato si fratres de Arganil fuerant in possesione ipsius ecclesie in patronatu dixit quod non sed vidit ibi unum fratrem clavicularium nomine Johanem Gonsalvi. Interrogato si est mos quod quis fundat ecclesiam aut facit esse patronus dixit quod non sine parrochianis. Interrogato si patronus potest dare patronatum cuilibet dixit quod sic cum parrochianis et dixit quod parrochiani cum Suerio Gonsalvi et cum Iohane Didaci abadaverunt ... et episcopo et iste testis ductus fuit ab utraque parte.

            ......... Garsie iuratus et interrogato pro utraque parte quis hedificavit ecclesiam dixit quod Johanes Menendj cum quodam suo consan..... clerico. Interrogato si viderat ibi fratres de Arganil in possesione vel patronatum dixit quod viderat ibi unum fratrem .... Alvarinum nomine clavicularium sed nesciebat sub quomodo stabat ibi. Interrogato quod viderat ibi dominum .......... usque ad suam mortem. Interrogato quis erat patronus dixit quod Johanes Menendj. Interrogato si est mos ........ patronus potest dare patronatum cuilibet dixit quod sic videbatur sibi quod debet dari suo patronato ... intravit ecclesiam Johanis Menendj per arma aut per vim dixit quod non sed fecit eam et de petris et de .... quomodo fuit abbadada ecclesia post mortem Iohanis Menendj aut si fuit abbadata cum ....

            Domnus Giraldus presbiter iurato et interrogato quis hedificavit ecclesiam dixit quod audierat ..... Interrogato si vidit ibi fratres de Arganil in possesione dixit quod audierat dicere .............................................................................. eam post mortem Iohanis Menendj. Interrogatus si quis facit ecclesiam est patronatus dixit quod nesciebat. Tamen secundum forum sue terre videbatur sibi quod deberet esse patronus. Interrogato si patronus potest dare patronatum cuilibet dixit quod sic.

            Petrus Suerij presbiter iuratus et interrogato quis hedificavit ecclesiam dixit quod quis hedificavit ecclesiam dixit quod Jo. Menendj . Interrogato si viderat ibi fratres de Arganil in possesione dixit quod viderat priorem de Arganil cum duobus fratres venire ad ipsam ecclesiam ........ et remanserunt ibi fratres sed nesciebat in quomodo. Interrogato si est consuetudo aut usus terre quod quis facit aut hedificat est patronus dixit quod sic. Interrogato si patronus potest dare suum patronatum cuilibet dixit ...... Interrogato si Johanes Menendj intravit ecclesiam Sancti Iohanis per vim et per arma dixit quod nesciebat. Interrogato si Johanes Menendj propulsaverat inde domnum Michaelem dixit quod audierat sed non viderat et dixit quod Johanes .............. integratus usque ad mortem. Interrogato si fuit abbadada sine fratribus post ...... dixit quod nesciebat sed vidit domnum Gonsalvum pro domno et testus qui iste productus fuit ab utraque parte.

            Decanus Egitaniensis juratus et interrogato dixit quod in principio ville nescit quis fundavit ecclesiam ........... postea tractu tenporis vidit Iohanem Menendj et domnum Michaelem presbiteros tenentes ........... sed postea fuit reedificata ecclesiam per Gonsalvum de Galiena ..... ut audivit ......... fratres de Arganil in possione ipsius ecclesie respondet quod vidit ibi ..... de Arganil ....... Johane Menendj qui erat prelatus ipsius ecclesie. Interrogato si est usus vel consuetudo si quis fundaverat vel ..... ecclesiam habebat potestatem donandi ius patronatus cuicunque voluerit respondit quod si eam ....... in proprio solo quod potest si habuerit consensu episcopi.

            Petrus Petri iuratus et interrogato quis hedificavit ecclesiam dixit quod nesciebat sed dixit quod audiverat dicere Johanem ..... quod daret hereditatem que fuit Menendj ......... ecclesiam Sancti Iohanis fratribus de Arganil. Interrogato si viderat ibi fratres de Arganil in possione ecclesie dixit quod non. Interrogato si est usus aut consuetudo terre quod qui facit ecclesiam aut fundat est patronus dixit quod sic. Interrogato si patronus potest dare patronatum cuilibet dixit quod sic.


            ..................... iurato et interrogato quis hedificavit ecclesiam dixit quod nesciebat. Interrogato si viderat ibi fratres de Arganil dixit quod viderat ibi fratres de Arganil sed nesciebat in quomodo. Interrogato dixit quod viderat idem Iohanem Menendj dominum semper et vidit quando Iohanes Menendj dabat pituariam ad Arganil annuatim. Interrogato si qui populat ecclesiam est patronus dixit quod nesciebat tamen dixit quod Iohanes Menendj fecerat ecclesiam. Interrogatus si est mos vel usus quod patronus potest dare patronatum cuilibet dixit quod sic.
(Continua)


Fonte - ANTT, Cx. mº 2, nº 4 

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