quarta-feira, 1 de maio de 2019

Covilhã - O Tombo dos Limites do Concelho na 1ª metade do século XVI - III


Luiz Fernando Carvalho Dias deixou-nos no seu espólio reflexões muito interessantes sobre os limites do concelho da Covilhã, bem como a cópia do tombo mandado fazer pelo Infante D. Luiz.



 "O alvará do Infante manda fazer nova demarcação dos termos do concelho por estarem os ditos mal demarcados e por vezes os marcos e malhões danificados. Manda também o Infante que nos anos seguintes se visitem os marcos e malhões a fim de verificar se houve alguma mudança e esta ser devidamente corrigida.           
O alvará referido é datado de Évora, de 23 de Dezembro de 1532 e antecede o tombo das demarcações.
            Neste tempo o lugar mais fundeiro do concelho da Covilhã era a aldeia de Cambas, e a demarcação dos limites do concelho ia pela cabeça do baraçal, águas vertentes e day direito à selada do val derradeiro e day direito à selada do corenhal águas vertentes - e daí direito à selada do pretelinho e day direito ao penedo alto águas vertentes e day direito a S. Domingos e day ao cabo dos penedos águas vertentes, e day direito às seladas e das seladas direito sobre as mestas e daí se vai direito à selada do machial e daí direito à cabeça gorda.
Alvaro    Cambas - Orvalho  Silvares e Bogas de Cima   Aldeia Nova do Cabo
Oleiros
Sarzedas   Janeiro de Cima    Folques           S. Vicente                    Souto da Casa
                     Unhais-o-Velho Pampilhosa
Erada - Serra                                      Alcaide                        Alcaide com Castelo Novo
(Paúl)                                               Capinha                                  com Penamacor
Casegas e Cebola  Folques     Penamacor
                                                                                    Alvoco
            Neste demarcam-se sucessivamente os limites das freguesias da Covilhã com os termos de Alvoco, Folques, Pampilhosa, Álvaro, Oleiros, Sarzedas, S. Vicente, Castelo Novo, Penamacor, Sortelha, Caria, Belmonte, Valhelhas e Manteigas.
            Estas demarcações começam em 1533, sendo juiz pela Ordenação e vereador mais velho Gonçalo Pais de Castelo Branco e vereadores Nuno Matela e Antº Nunes e procurador do concelho Fernã dafonseca e escrivão da Câmara fernamcarvalho. As demarcações são concisas e perfeitas: indicam-nos os lugares onde os malhões, os marcos e as cruzes se encontram; dão-nos a toponímia que deve remontar a eras muito antigas, e como as testemunhas que depõem andam sempre à volta dos setenta a oitenta anos, autoriza-nos a concluir que estas demarcações foram em parte as dos primeiros séculos da nossa história e na outra parte o resultado da formação dos concelhos de que a Covilhã foi, territorialmente, origem.
            Como o tombo é escrito em vários anos e regista rectificações de limites, sucede indicarem-se nele por vezes vários magistrados - Por exemplo às demarcações de 1534 preside o Licº Simão de Pina - juiz de fora com alçada pelo Infante; Jorge Soares e Bastião Mendez, escudeiros e vereadores e Pero Pacheco, procurador do concelho, outras vezes aparece entre os vereadores Fernão d’ anes escudeiro, cujo nome encontraremos mais adiante.
            O tombo dá-nos também notícia de várias capelas existentes na zona fronteiriça do concelho, notícia de povoações arrasadas, lugares por onde eram cortados os caminhos velhos, indicação de sepulturas, etc...
            Por aqui se pode fazer uma pequena ideia dos subsídios que dá para a história da região.
            Oferece-nos também um quadro curioso das magistraturas nas aldeias do termo - indicando os nomes humildes dos juízes de cada uma delas, de toda essa gente autenticamente portuguesa, coeva desse período extraordinário da nossa história que vai do meado de quatrocentos ao último quartel de quinhentos." (1)

Concelho da Covilhã

Concelho do Fundão
Fotografia do alvará de D. Luiz

Eu o Infante dõ luiz ẽt faço saber a vos juiz vereadores p.dor e / oficiaes da camara da minha vila de Couilhãa que ora sois / e ao diante forẽ que eu sam imformado que os termos desa / vila estam mall demarcados cõ os vezinhos comarquãos e / que em algũas partes estaã deneficados e esto por nõ / serem vizytados cada anño como he rezão e se costuma / fazer ẽ outrª  ‘ partes polo quall vos mando que daquy / em diante em cada hũ anno nos t֮pos em que se soer fazer / vades em pessoa prover todas as demarquaçõis do termo desa / vila cõ as vilas e lugares comarquãos e vejaes se estã como / devẽ e domde devem estar e os fazer hy cõservar ‘ e achando / que estam mall asentados e Repairados do que he  neceSario / ou tirados os marquos donde devã destar ou mudados p.ª / outra parte em prejuizo dos termos desa vila ‘ fareis tudo / tornar a restetuyr Ao ponto e estado em que dantes estavã / p.º quanto sam emformado que se nõ faz como deve o ̆q ey por / mall feito por ser ysto cousa que a vosos carregos m.tº couẽ vigiar / porẽ vos mando que asy o cumpreis Inteiramente sob pena de / cada vez  ̆q em cada hũ  anño se asy nõ fizer pagarẽ os ditos oficiaes trynta cruzados douro ametade p.ª os cativos / e a outra metade pa.ªs obras desa dita villa. I e esto se re/gistará no liv.º da cam.rª dela e mãdo ao stpvã da dita cam.rª / que em cada hũ anno na emtrada delo o provy  ̆q aos juiz / e vereadores e p.dor e ponha a provycacã nas costas deste alvarª / e no liv.º da p̆meira vereação I por  ̆q nõ aleguẽ Inorãcia / e esto sob pena do ap֮vaçã de seu oficio I  esto se guar/dara posto que nõ passe pla chancelarya I luiS glz o fez / ẽ evora a xxiij di de dz.ro de j bc xxxij

a)     Ifn Dõ luiz

(notificação do alvará) Segue:

Foi notifjcado deste all.rª do Iff dõ / luys noso Sõr a n.º matella e Gaspar / da costa .... symão glz vereadores / o p sente ano de j bc Rb p my֮ Lço Nog.rª /  ̆q hora syrvo despvão da cam.rª aos sỹquo djas do mes de JanJº do dito anno de j bc Rb sẽdo psente o L.do p.º gaspar pºp.dor do c.º L.ço nog.ra o espvy.


Mapa (Notas 2 e 3)

Continuação do tombo das demarcações:

Cópia parcial da folha 23 do Tombo das Demarcações
                                 

(23)
E depois disto aos vimte e hoito dias / Do mes daguosto de mjl e qujnhẽ/tos e trymta e quatro anos ẽ ho luguar de cambas (4) 

termo / da vila de covilhã estamdo em ho / dito luguar ho L.dº Simão de pina / juiz de fora cõ alçada em a / dita villa e Jorge Soares e basty/am mẽdez vereadores e pº pa/chequo p curador do Cº loguo / p ho dito juiz e hoficiaes foy mã/dado a bras afonso juiz do dito / luguar e pº tomas e frcº mĩz / e fernã luis e joam mĩz e L.ço a/nes e joam anes e lhe foy / mãdado que p quãto elles ditos / hoficiaes nã podiam hir demar/car e ver os malhões p a terra / ser m.to fraguosa e mõtosa hom/de nõ podiam hir a cavallo mã/daram aos sobreditos que fo/sem x/er as demarcaçoes e pro/ver e de feito foram e vieram / dizemdo que proveram hos ma/lhões segimtes . S . comecaram / ha selada (5) De samcha moura e hy / fica hũ malhão e dahy se fo/ram ao cimo do val da sea / e acharam hũ malhão amtiguo / e ho reformaram e dahy se fo/ram a selada daruqua (?) homde / acharam hũ malhão amtiguo / e dahy direyto ho cume abaixo / até dar n’ aguoa do Zezere ha / foz da botoreyra e dahi p ho Ri/beyro da botureyra aryba //

23 v)
ate selada do val d’alvaro homde está hũ malhão amti/guo p ho qual malham par/te esta vila e alvaro e holey/ros e dahy se vay aguoas / vertemtes p ho cume a ca/beça do xeixo homde está hũ / malhão amtiguo e dahy se / vay p ho cume aguoas x/ temtes a portela das Raba/ças homde esta hũ marco / e dahy se vay a cabeça dala/guoa e dahy se vay homde cha/mão ho Roqueyro .S. acima / delle esta hũ malhão e da/hy se vay a aldea do Roqueyro / e parte p ho meo da Rua / e per ho meo daldea e dahy / direyto a malpica homde esta / hũ malhão e dahy se vay / no Regaixo homde fica houtro / malhão e dahy ha cima do / estreito poseram houtro ma/lhão e day se foram à porte/la (6) das carnadas homde pose/ram houtro malhão p hom/de parte o termo desta vila / cõ ho doleiros e cõ as çarze/das e ysto tudo aguoas / x/temtes p ho cume parte ho / dito termo e todo ysto diseram / e fizeram p juram.to dos sam/tos avamgelhos que lhe p ho / dito Juiz lhe foy dado e p x/da/de asynaram aquj cõ hos ditos / oficiaes Eu fernã carva//

(24)
lho escripvão da Camara ho escre/vy

              (seguem assinaturas)

E bem asy p ho mesmo modo foy mã/dado p ho dito juiz e hoficiaes / foy mãdado a fernã dafonso juiz / do horvalho e Roque afonso e / martim L.ço todos moradores / no dito luguar do horvalho / que p͂  quãto elles ditos hoficiaes / nã podiam hir demarcar ho / lemjte do dito luguar termo da / dita vila p homde parte p a / sera ser m.tº fraguosa e mõtosa / e hos cavalos virem desfera/dos e nã ser terra p podere֮m / la hir lhes mãdaram que / ho fosem demarcar e amalhoar / e reformar os malhoes amtiguos e fo/ram e vieram os hos sobreditos e di/seram que ellos foram começar / na selada dos bocairos homde acha/ram hũ malhão amtiguo e ho Ri/formaram e dahi se foram a cabe/ça dos arasaios (?) homde acharam hou/tro malhão amtiguo e dahy se / foram a selada Da molher homde //

(24 v)
acharam houtro malhão esboralhado / ho Riformaram e da hi se foram a sela/da de val verde homde acharam houtro / malhão amtiguo e dahi se foram ao / carvalhal de payo e poseram hũ ma/lhão e dahi se / foram ao sovereyro / homde poseram hũ malhão e dahi se / foram azevereira homde poseram hũ / malhão e ysto tudo parte aguoas x/temtes p ho cume da sera p este ter/mo e p as sarzedas e ysto diseram / p juram.to dos avamgelhos que p ho / dito juiz lhe foy dado e p x/erdade asinaram / aqui Eu fernã carvalho ho escrevi

                (seguem assinaturas)

E bem asy p ho modo acima dito / ho dito juiz e vereadores e procurador / mãdaram a estevam pĩz morador / no machial e fernã lopes mo/rador Em boguas de fũdo que / fosem demarcar ho limite / damtre a freguesya de janey/ro de quem elles heram fregue/ses e o termo das çarzedas / e visem as demarcações p homde / se demarca a vila de covilhã cõ / a das carzedas p quãto elles / juiz e hoficiaes p a tera ser de se/ranja e m.to fraguosa nã po/diam la hir a cavalo e p / trazerem  já hos cavalos / desferados e na tera nã aver / quem lhos ferase e foram hos / sobreditos e vieram dizem/do que elles comecaram / a dita demarcaçam na cabe//


(25)
 ça dazivereira e poseram hũ / malhão e dahy se foram a / selada dazinheira homde poseram outro malhão / dahy se foram a selada das / astes homde acharam hũ / malham desfeito amtiguo / e ho Riformaram e dahy se / foram ao cimo da barey/ra homde acharam hũ mar/co amtiguo e dahy se forã / ao cimo do
 guavyam hõm/de poseram hũ malhão Re/formãdo ho amtiguo que hi esta/va e da hi se foram a selada / da palavrada homde pose/ram hũ malhão as quaes devisoes / e demarcações sam aguoas x/er/temtes p a sera pª comtra este / termo e a vila das çarzedas / e ysto diseram p  juramto dos sam/tos avamgelhos que p ho juiz lhe / foy dado e p x/erdade asynaram a/quj cõ hos ditos hoficiaes / Eu fernã carvalho escripvão / da camara ho escrevi
                               (seguem assinaturas)

(25 v)                                   Sylvares

Aos vimte e nove dias do mês da/guosto de mil e quinhe֮tos e trymta / e quatro anos Em ho luguar / De Silvares termo da vyla de / covylhã estamdo em elle ho L. do / Simam de pina juiz de fora cõ alca/da em a dita vila e Jorge Soa/res e bastiam me֮des vereadores / e p.º pachequo que vinha / emlegido p precurador / Do C.º Demarcamdo hos / termos da dita vila no / dito luguar mãdaram vir / p amte sy Gryguorianes / que foy quadrilheyro e Jo/am piz home֮ soltejro mo/radores no dito luguar / e asy jorge alvrez e dominguos seu filho m.res na malhada velha (7) freguesia do dito luguar e p ho dito juiz lhe / foy dado juram.to dos samtos / avamgelhos que bem e x/erdadeira.te fosem p.ª de/marcacam do termo da dita / vila cõ ho de sam v.te e p todo / ho limjte do dito luguar / e visem hos malhões e hos Re/novasem e homde fose ne/cessareos se porem houtros / hos posesem e foram e vy/ram e diseram que forã / comecar a selada diguo / a selada da palavrada / e hi poseram hũ marco //

(26)
cõ t.as e dahi se foram a selada da / moreira e hi poseram houtro mar/co e dahy ao cimo de paynegral (? ilegível) hi poseram houtro marco e os / quaes marcos todos poseram / p a sera .S. ho cume aguas x/erte֮/tes p ho termo desta vila e pª / ho termo de çarzedas e p֮ hos / ditos hoficiaes nã poderem hir / a dita demarcacam p virem / cõ hos cavalos desferados e / ser tam aspera a sera que nã / podiam lá hir mãdaram / fazer a dita demarcacam / e p x/erdade asynaram aquj / Eu fernã carvalho ho escrevy
                      (seguem as assinaturas)

E p ho mesmo modo foy mã/dado p ho dito juiz e hoficiaes / ao juiz do castelejo .S. Joam / Soares e a Joam Glz da e֮xa/varda e d.º ãmdrel de caste/lejo que fosem todos demar/car ho termo da dita vila / p homde parte ho limyte do dito //

(26 v)
luguar cõ ysto p juram.to dos a/vamgelhos que p ho juiz lhe / foy dado e foram e vieram e / diseram que elles foram co/meçar no povoSeiro no cimo do camdel e ahi acharam hũ / marco e dahi se foram ao / cimo da carvalhalva no / camjnho e hi meteram hũ mar/co p quãto damtiguame֮te soya / estar hi ho acharam Ribado / e dahi se foram ao cimo da per/na do Rodriguo e hy poseram / hũ marco e dahi vay direito / a cabeça do val do huso e vay direyto ao cimo da perna / dáguea e hi meteram hũ / marco e toda esta demarcacã / he p ho cume da serra aguas x/temtes pª este termo e pª / ho termo de sam vte e das .../sarzedas e p x/dade asyna/ram aquy cõ hos ditos / hoficiaes Eu fernã car/valho escripvão da camara / ho escrevi
   (seguem assinaturas)//

(27)
Aos trjnta dias do mes da/guosto de mjl e qujnhe֮tos / e trymta e quatro anos estã/do ho dito juiz e hoficiaes e֮ / ho luguar do souto da casa / p ho mesmo modo mãdaram / amtº manteyguas quadry/lheiro e amtº glz e aparyco / frz moradores no dito luguar / que foSem demarcar ho ter/mo da dita vila cõ ho de Sam V.te / .S. he que partia ho limjte do dito / luguar e ysto p juram.to dos a/vamgelhos que lhe foy dado p / ho dito juiz e foram e vieram / e diseram que comecaram / na cabeça do val do huso e / hi fizeram hũ malhão e dihy / p direito a portela de sam Vte hom/de poseram houtro e na ptela / das arquarvas Refyseram hũ / malhão amtiguo e marco e / dahi poseram outro as cer/deiras p estar desmãchado / e na ptela da malhada cova / poseram hũ malhão e houtro na / malhada dabroteheira e pose/ram houtro na malhada da co/myada e poseram houtro a / p֮ta da cabreyra e poseram / outro e֮ nosa Snõra da sera / e poseram houtro no cavaly/nho ho qual disseram que pose/ram p֮ ho juram.to que lhe fora / dado e p֮ x/dade asynaram a//

(27 v)
aquy cõ hos ditos hoficiaes / Eu fernã carvalho escrivão da camara ho escrevi
   (seguem as assinaturas)

e depois disto ao pmeiro dia do mês de se/tembro de mjl e quinhĕtos e trynta e / quatro anos Em ho luguar  dal/comguosta termo da vila de covy/lha p ho dito juiz e hoficiaes p/ ho mesmo modo foy mãdado aos juiz/es do dito luguar que lhe desem / houtros homĕs hos quais deram pª / hirem demarca ho termo da dita / vila cõ ho de castel novo quã/to cõ pa a seu limite hos quaes fo/ram .S. Joam glz quadrylheiro e / amtam alvrez e Joam mj֮z todos / moradores no dito luguar aque֮ / ho dito Juiz deu juram.to dos samtos av/vamgelhos que bem e x/dadeiram.te / fosem a dita sera e demarcasem ho termo / da dita vila cõ ho de castel novo e / foram e viheram e diseram que foram / começar homde se chama ho cavalinho / no cume da sera e hi acharam hũ malhão / e dahy se foram ao houteiro daguea //

(28)
e hi fizeram hũa cruz e da/hi se foram ao cabeço de mª pai֮z / hi fizeram hũa cruz nũ penedo/ e dahi se foram a lapa do hiferno / e poseram hũ cruz nũ penedo e / se foram no cabo do chão do lobo / e poseram hũa cruz e dahi se forã / ao foguo da castinheyra e poserã / hũ malhão e cruz e dahy se foram / à pomta da preSoarya e fizeram / hũa cruz e dahi se foram ao / cabeço da forca homde fizeram / hũ malhão e dahi ao foyguo das / cernadas homde parte o dito li/mite cõ aldea nova das donas / homde fica hũ malhão amtiguo / e p aqui acabaram toda a dita demar/cacam a qual he do seu limite som.te / e he per ho meio da sera aguoas ver/temtes pª este termo e p castel / novo e p x/dade aSynaram aquj / Eu fernã carvalho escrivão da / camara ho escrevy
           (seguem assinaturas)

(28 v)
ano do nasc.to de nosso sñor Jhũ xp֮o de mjl / e bc xxxiiij anos
y depois disto aos hõze dias do mes / de setĕbro do dto ano de m bc xxx iiij ãnos / estãdo ho l.do symã de pyna juiz de fora com / alcada na vila de Covilhã e seu termo plo / Ifante dõ luiz p autoridade do Rey nosso / sñor e be֮ asi fernã deanes e Jorge soarez / escudr.os e x/radores o p se֮te ano na dita vila / e asi p.º pachequo out.e escud.ro q֮ ora / serve de p por do cº da dita vila. loguo ho dto / juiz e vereadores e ppor cõ justino lopiz e fernã / destevez e nº Frž e outº fernã destevez çapatº / e nº frz֮ obilhrº e tomé pĩz e domĩgoanes / e aparycyanes ho velho e asy out.os ditos home֮s / daldea do alcayde termo da dta vila onde / ele juiz e oficiaes estavã I os quaes todos / juizes como acyma fiz me֮çã forã ter / a sera ao camynho velho  / p.ª o quatrã homde Riformarã hũ malhão / e֮ cyma no cume da sera e di deceram a hũ afisedo de pedras q֮ esta quasi ao pé da /sera pª ho levãte hõde Riformarã / hũa cruz q֮ estava hi e֮ hũ penedo / antigam.te a crarificarãm agora / e di vyerã ter ao cabeço q֮ se chama / de sam domy֮guos homde estam hũs //

(29)
marquos antiguos jũnto de hũs pelames hou sepulturas e hi e֮ hũ penedo alto q֮ hi esta se reformou hũa cruz e֮ hũ penedo alto q֮ hi esta e di se / forã a hũs penedos q֮ se chamã par/dos q֮ estã juto do Rib.ro de sam domy֮/guos honde e֮ hũ destes penedos outrº sy / reformaram hũa cruz e dihi foram hõde / se chama ho linhar de pº aº e e֮ hũ penedo q֮ hi esta se reformou e֮ hũ penedo / hũa cruz e asi logo mais adiante e֮ ha / emtrada do vall do carycall se reformou / outra cruz de hũ penedo Redondo que hi estava / amtiguamente e di forãm ter plo vale / do caryçall abaixo e no mº do vale / p.ª ho cymo dele reformaram hũ ma/lhã amtiguo de pedras q֮ te֮ hũ mar/quo mjtido no m.º e di vjerã a lágya / do caryçal homde outº sy Riformarã / hũa cruz q֮ Y estava antiga desmãchada / e di se vyerã p hi abaxo cõtra ha Ribrª / e se reformarã dous malhões antigos / e di forã aos penedos grãdes na borda / do Ribrº no fũndo da borda da terra de Yº este/ves e e֮ hos penedos altos q֮ue hy estã se / reformou e֮ hũ deles a esta e֮mpinado .N. / se achou e֮ hũ penedo alto q֮ esta co/mo empinado hũa cruz be֮ decrarada / e di se forã ao brejo honde e֮ hũ penedo / q֮ue hi esta se reformou hũa cruz e logo / mais adiante õde chamã a carvalha / do brejo acharã hũ malhã antiguo / e ho riformarãm e di vierã p cyma / da lazjra de palhavã honde e֮ hũ //

(29 v)
penedo grãde esta hũa cruz antyga vierãm aho Ribrº das casas da dona até honde / se ajũta cõ ho termo da dita de covj/lhã cõ o termo da vila de pnamaquor / e de castelo novo e dj plo dc֮o Ribrº / acyma até ho cymo da cabeça da sera / da castenheyra dõde say o dto. Rib.ro / e todo hasy pverã e reformarã cõçerta/rã da maneira q֮ue ha cima faz me֮çãm / e djnã a decrararã mais hos moradres do / dt֮o logar daldeya do alquayde q֮ hi estavã / prese֮tes j no cimo da cabeça da castinheyra / q֮ he no qume da sera q֮ hi está hũ ma/lhão antiguo e esta riformado e corrydo e / q֮ di do dito malhão polo cume da serra / parte ho termo de covylhã cõ ho de pn֮a/maquor e hi entra o limyte da fa/tela termo de covylhã cõ ho limite / daldeya do alcayde e o dto juiz e vereadores / e pp.or de todo mãdaram fazer este auto p֮ q֮ ho asj/nassem eles m.ores dadeya do alquaide e asj / o dto juiz e oficiaes eu Fº Frco t.am q֮ / o escrevi pº fernã carvalho escripvão da cama/ra ser ocupado e fiz ãtrelyha q֮ue djz / datrã per ver/dade  …………………………………...…//
(seguem as assinaturas)

(30)
// E despois disto aos doze dias do dito mez de / sete֮bro do dto ano de bc xxx iiij anos no logar / da quapynha termo da dta vila estãdo hi o dto / L.do symã de pyna juiz e asi fernã deanes e Jorge / soarez escud.ros e vereadores da dita vila e asy / p.º pachequo q֮ue ora serve de pp.or do c.º da dta vi/la loguo p eles foy dto q֮ pª p (sic) avere֮ y֮teira / e֮formacã p homde partya ho termo da dta vila / de covilhã no limite do dito logar da quapynha / cõ ho de penamaquor q֮ queriã sobre ello pre/gũmtar certas t.as antiguas pª x/erdadeira e֮/formacã dos ditos termos e se pregũtaram lo/guo p֮la man.ra seguinte qujos dictos sam / hos segy֮tes p.º Fre.re t.am ho spvi

                   Penamocor cõ o termo da capinha

Ẑ marty֮ L.ço lavrador m.or no logar da quapy/nha termo da dta vila t.ª jurada aos sãtos / avagelhos e pgũtado p a demarcacam / do limite do dito logar da         capinha e֮ ho ter/mo da vila de penamaquor dise ele t.ª q֮ue / q֮ era verdade q֮ ho termo da vila de covilhã no / limite deste logar da quapynha parte cõ / ho termo de penamaquor à parte dese do li/mite da Fatela plo cjmo do vall da hera e q֮ue hi e֮ hũa portela q֮ se chama ha portela do vall Da silva está hũ malhão antiguo agoas / x/te֮tes p.ª ho termo de covilhãa e p.ª ho / termo de penamoquor p.ª o vall diguo (ilegível) / e asy está outro malhã antiguo e֮ ha vereda / q֮ue vai do vall das ovelhas p.ª Sam bento a/goas x/ertentes p.ª o termo de covilhã e p.ª ho / de penamoquor e q֮ di se vay dr.to ha ho poço q֮ esta no vall das ovelhas e / di se vay antre o vall das casynhas //

(30 v)
e ho vall jũquoso p hũas lõbas nas quais / lõmbas está hũ marquo grande ãtigo / metido no chã e di se vay meter / no limite descarigo na estrada do / p֮to de Ferra no fundo do vall dos me֮/traStos hõde está hũ marquo . S. malhã de֮tro … no dito caminho e dise ele test.ª / que seria home֮ de sete֮ta anos p֮ q֮ se / le֮bra be֮ das guerras dantre p֮ tugall / e castela e q֮ do tp֮o q֮ se le֮bra be֮ q֮ será / de ci֮que֮nta annos e mais se֮pre ouvjo / dizer a antiguos e asi elo o sabe q֮ ho termo / da covilhã partia por onde ele dito tem / cõ penamoquor e al nã dise e do costume / disse nihil eu p.º Ferº t.am o ppvi.
                   (assinaturas)

/ este martim L.ço t.ª acima pguntada dise que / nunca em sua vida passara barqua nem cavalgara e֮ / cavalo de sela ./. nem pousara em estalage֮m nem dor/mira cõ molher ne֮ fora nu֮mca caSado ./. ne֮ comera / pão de padeira senã hua vez no pedrógão termo de pe/namacor I nem nunca comprou vinho p.ª beber ./. e quãdo / lho dam que ho nom quere ./. e que o mais caminho q֮ andou / foy deste luguar da capinha a alcai֮z termo de / Castelo bramqº ./. que sam cinco legoas # ne֮ nunca foy testemunha nem asynou outro sinal senã o q֮ue aq֮ui (sic) fez que era seu ferro do gado ./. e hera ome֮ que parecia / de sete֮ta anos e p verdade assynamos aqui P.º Fr.co e eu / o L.do simam de pina juiz da dita villa de Covilhãa q֮. a / todo fomos presentes.
             (assinaturas)
a)    pyna
a)    pero frco    //

(31)
Ẑ Gço Domi֮ngez lavrador morador no logar da quapj/nha t.ª jurada aos santos avanjelhos e pgũn/tado pla demarquacãm e limite do dc֮o lo/gar da capynha cõ ho termo da vila de / pnamaqor dise ele t.ª que hera verdade que ho / termo de covilhã cõ ho de pnamaquor / no limite do dc֮o logar parte p֮ ha cima/da do vall da hera di vay decendo / aguoas vertentes até chegar antre ho vall / da silva e ho vall da hera até che/gar ao atelha doiro tudo agoas vertentes de / hũa e out.ª parte e que dj decja hos / lõbos abaixo até chegar a pertela de sam / bento antre sam bento e ho vall das / hovelhas e di dece o lõbo abaixo / d.to ao poço e di corta o vall das / hovelhas ale֮ ao m.º do vall das / casinhas e di leva o dito lõbo direito / ale֮ ariba amtre ho vall das casinhas  / e o vall jũquoso e di sobe açima / a serra atravez da fonte da fereira so/bre ha mão esquerda da dc֮a fonte / e esto tudo agoas vertentes para ho / termo desta vila de covilhã he o de / penamacor e q֮ue daqui p diante / começava o termo d’escarigo / e all nã dise som.te que ho limite des/carigo hia partindo per qui cõ peña/macor e al nã dise eu p.º Fr.co t.am / ho escrevi
      (seguem assinaturas)/

Ẑ Jº mi֮z lavrador m.or no logar de quapynha / t.ª jurado aos santos avãgelhos he pguntado // 

31 v)
p ha demarquacã dantre ho termo / de pnamacor cõ ho limite do dc֮o / lugar da quapynha que he termo de covj/lhã dise ele t.ª que era verdade que o ly/mite do logar da capynha partia / cõ ho termo de penamaquor era plo / seguinte: .N. no cimo do vall da hera / homde chega o limite da Fatela e / dj se vay pela lomba abaixo agoas vertemtes / ao vall da silva e di vay ter aho / caminho de sã bento e di se vai aho / poço e dy se vai ao val das hovelhas / e di pasa ale֮ ao vall das casynhas . N. / p.º ho c.º do dito vall vall das casynhas e dy / leva ha lomba toda damtre val jungoso / e ho val das casinhas e di se vai p / cima da Fõte Ferr.ª I yndo asi agoas / quebradas p cima da fonte fyrra até sobre hos pardieyros de Ferreira e isto todo a/guas vertentes p.ª hũ termo e outro / e que daqui per diamte he já do limite / descarigo e nom sebia p homde partia / e al nã dise e do costume dise ni/chyl e eu p.º Fr.co t.am ho escrevi dize֮do / oje ele t.ª q֮ui esta demarquaçãm sabe / ele asy e asy a ouvyo sempre demarcar / e nomear aos amtiguos dante dele / e al nã dise som.te que muitos logares desta / demarcacam viu malhões donde está / amalhoada esta demarcacam e eu p.º / Fr.ra ho escrevi.
               (seguem assinaturas) //

(32)

Ẑ G.co esteves lavrador morador no lugar da / capynha t.ª jurado aos santos avamgelhos / he pregũtado p ha demarcaçam damtre / ho termo de penamaquor cõ ho lymy/te do dco logar da quapynha dise ele / t.ª que era verdade que o lymyte do dito lo/gar partya cõ ho termo de penãmaquor / p ho carvalhal da molher agoas vertemtes / de hũa e outra parte e di se vay a per/tela do vall da silva e di à vereda / p homde vã para Sam bemto e dy ao poço / e di aho m.º do vall das casynhas / e que daquj per dyante he֮tra logo ho / limite dascarigo ho qual ele nã sabe / e q֮ isto asy sabia ele t.ª e asy o ouviu / se֮m/pre dizer e nomear aos antiguos / e que pode ele dy yr à dita demarcacam / vaj todo amalhoado cõ pedra e֮ m.tas partes e al nã dise e do costume dise nichyl e p.º Fr.co t.am o escrevi
                 (seguem assinaturas) //

(32 v)
E loguo no dito dia doze dias de se/te֮bro de bc xxx iiij anos no logar / dacapynha estando hy o dco L.do simão / de pina juiz e asi Fernã deanes e jorge / soarez vereadores e p.º pacheco pp.or do concelho / logo o dito juiz e vereadores comiguo / escrivão e pessoas ao diante escritas forãm a / demarquar o lymjte do dito logar da / quapjnha em termo de covylhã cõ ho / termo de penamoquor e fomos / aho carvalhal da molher homde acha/mos hũ marquo no cume da ser/ra na cabeça daura e di decemos ha / baixo a portela do val da silva honde e֮ / hũa comyada jũnto do caminho achamos / out.º malhão e di dece֮do p ha dita pertela / abaxo achamos dos malhojs ant.os que se / tornaram a reformar p sere֮ antigos / e di fomos aha pertela de sã bento e jũto / no caminho achamos out.º malhão ãty/go q֮ se tornou a riparar e di fomos / aho poço p honde digo partia ho dito termo / e hy dale֮ do poço junto do Rib.º da / bãda dalã aho pé de hũ carvalho / poserã houtro malhão dizendo q֮ p hy / hy per homde os dc֮os malhões fica/vãm e erã postos partya ho lymite / do dto logar da capynha e termo / de covilhã cõ o termo de penamaquor / e que dahy per diamte partia ho limite / descarigo cõ penãmaquor e que nã / lhe sabiã p homde partia e os que a Esto //

(33)
forãm prese֮ntes foram Yº andré juiz e g.co este/vez e fernã gill e luis aº e martij֮ / L.ço e dominguos a.º e a.º gill e amtão / Frz֮ e J.º frz p.p.or do c.º do dito logar / hos quaes todos diserã que p heles se֮/pre fora ho termo de covilhã partyndo / cõ penamaquor e asi ho ouvyrã se֮mppre / dizer aos amtygos e asi o dizyã / e afirmavãm p juram.to dos sãtos avã/jelhos que lhes foy dado e o dto juiz e / oficiaes de todo mãdaram fazer este / auto e que ho asinase֮ e hasi eles / juiz e vereadores e ppor asi o asinarã / todos por suas mãos e eu P.º Fr.co t.am ho escrevi

                  (seguem assinaturas)//


(Continua)

Notas dos editores: 1)
https://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.com/2011/12/covilha-o-alfoz-ou-o-termo-desde-o.html

2) Pode encontrar no mapa alguns lugares referidos no texto.
3) No mapa mencionado(2) encontra a verde alguns dos lugares mencionados nas folhas 23 a 33.
4) Cambas é uma freguesia do concelho de Oleiros, que saiu do termo da Covilhã quando em 1747 foi criado o concelho do Fundão. Veja-se o nosso blogue: https://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.com/2013/06/covilha-o-alfoz-ou-o-termo-desde-o_30.html. Curiosa é a origem deste vocábulo, provavelmente celta, com raiz Kamb, cujo significado era serpente, serpentear, curvas, aqui as do rio Zêzere.
5)Selada, segundo o "Grande Dicionário da Língua Portuguesa", significa depressão na lombada de um monte: cavidade oblonga numa montanha.
6)Portela, segundo o "Grande Dicionário da Língua Portuguesa", significa passagem estreita entre montes, ou desfiladeiro. 
7)Malhada, segundo o "Grande Dicionário da Língua Portuguesa", significa local onde as ovelhas pastam e descansam.

As Publicações do Blogue:

Estatística baseada na lista dos sentenciados na Inquisição publicada neste blogue:

Sobre as demarcações do concelho:
covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.com/2019/02/covilha-o-tombo-dos-limites-do-concelho.htmlhttps://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.com/2019/01/covilha-o-tombo-dos-limites-do-concelho.html








segunda-feira, 1 de abril de 2019

Covilhã - O Infante D. Luís, 6º Senhor da Covilhã IV





O Infante D. Luís é o 6º Senhor da Covilhã. (1) Nasceu a 3 de Março de 1506 e faleceu a 27 de Novembro de 1555. É o 4º filho de D. Manuel I e de D. Maria de Castela. Manifestou grande interesse pelas Artes, Ciências e Literatura. Conviveu com Pedro Nunes, D. João de Castro e Gil Vicente, entre outros. Foi Duque de Beja, senhor de outras cidades, condestável do Reino, fronteiro-mor da comarca Entre Tejo e Guadiana. Foi grão-prior do Crato e da Ordem de Malta.



D. Luís contra a vontade do seu irmão, o rei D. João III, tomou parte na conhecida expedição de Carlos V contra Tunes em 1530.




Luiz Fernando Carvalho Dias diz-nos acerca da Igreja de Santa Maria do Castelo: “ […] As suas preciosidades resumem-se hoje a uma custódia de prata dourada, cuja perfeição é digna de admirar-se, e a um valioso relicário do Santo Lenho, oferta do Imperador Carlos V ao Infante D. Luiz, após a conquista de Tunis.”


Segundo Carvalho Dias, a Igreja de Santa Cruz ou do Calvário é “uma fundação primitiva do Infante D. Henrique, foi mais tarde restaurada e largamente dotada pelo Infante D. Luiz, filho do rei D. Manuel. A capela é quase toda revestida de talha dourada do século XVI e o tecto apainelado, com cerca de trinta e cinco telas, cenas da vida de Cristo. Somente sete, de entre estas, guardam a pureza primitiva, pois sobre as restantes já passou o vandalismo de uma restauração infeliz. Guarda-se neste templo uma preciosa escultura do Crucificado, digna de ser admirada.” (2)

Luiz Fernando Carvalho Dias, deixou-nos vários documentos da época do 6º senhor da Covilhã. Hoje publicamos uma carta do Cardeal D. Henrique à Covilhã sobre a partida do infante D. Luís para o norte de África: "o snõr Ifante dõ luis meu Irmão partio desta corte asy depresa / como tereis sabido. E por quanto me deyxou emcome֮dada a go/vernança de sua casa e teras com seu poder abastante ate sua / tornada…" .
Outra de D. Luís a Serpa, escrita de Tunis sobre a vitória nesta batalha. Os outros documentos são a "Resposta dos apõtam.tos de Covilhaã" 



I


Juiz vereadores pdor fidalgos cavaleyros escudeyros home֮s boos e povo / da villa de covilhaã. o Ifante dõ Anrriq֮ vos evjo mto saudar / o snõr Ifante dõ luis meu Irmão partio desta corte asy depresa / como tereis sabido. E por quanto me deyxou emcome֮dada a go/vernança de sua casa e teras com seu poder abastante ate sua / tornada que prazemdo a ds֮ será cedo. volo notifico pª que o say/bais E podereis vir e emvjar a my֮ requerer justiça e todo o q֮ / qp֮r asy como ate quy se fez pl֮o quall de sua parte e mjnha / vos emcome֮do . rogo e mãdo que Inteyramte provejaes nas cousas / da justiça e boa gouernança da trr.ª e esteis asy pacificos / como ate ora estevestes ….. que nisso lhe fareis m.to serviço / E por ello sempre de sua alteza E de my֮ recebereis mercê e favor / escrita devora a xbiij de mayo luis glz a fez de 1535/

                              Iffs dõ anriq֮  +     (3)

pªcovilhãa 

II


Juiz e vreadores e procuradores da mynha vyla de serpa eu / o Ifante dom luis vos emvyo muyto saudar a minha / partida pª quá foy tão depresa q֮ não tyve te֮po / de vo lo fazer saber ne֮ vos esprevy mais cedo per q֮ue o tempo / nnão deu a iso lugar agora q֮ nos noso sõr deu hesta vyto/rya ho faço per que sei o cõte֮tame֮to q֮ dyso aveis de ter / per me eu nela acertar ho e֮perador tomou tunez quarta / feira xxj dias de julho cõ muyto pouca perda de sua ge֮te / e cõ muyta dos cõtrayros hespero e֮ deus q֮ pois hesta / hobra já he feita q֮ mto cedo me yrei de qua pª vos se֮pre / fazer as mercês q֮ eu desejo polo muito amor q֮ sei / q֮ me todos te֮des e e֮ quãto não for o q֮ ouverdes / mister pª bem e gouernãça desa vyla ho riquerereis / ao sõr Ifãte dom amryque meu Irmão per q֮ ele ho fa/ra mto hymteiramte E pydyrá a elRey meu sõr ho q֮ for ne/cesaryo E a vos e֮come֮do E mãdo q֮ de tudo lhe dejs cõta E es/teis a sua hordenãça esprita e֮ tunez a xxiiij dias de julho de / 1535 anos eu jeronymo diãz de carvalho que a esprevy/

a) Ifñ Dõ luis

pª serpa

                                                     dõ ffrco.  pra.

III



Vereadores p.dor fidalgos cavals.º escudeiros e povo da minha / vila de covylhaã. o Ifante dom luis vos emvyo m.to saudar / vy a carta de crença que me emvjastes p֮lo L.do joam me֮dez / e pero damdrade vereador e os ouvy e a vosos apõta/mentos Respomdo na maneira seguy֮te /


# quanto ao p֮ meiro que dizees que os moradores dos lugares / do fũdam e aldea de Joane termo e aldeas desa villa / me Requerem que lhes comçeda jurdiçam sobre sy / p֮la maneira que a tem o lugar daldea do alcayde. q֮  / me pidis que lha nom conçeda p֮las Razões que me / apomtais p֮z me de njso nã fazer mudança sem pr.m.ro / serdes diso sabedores. porq֮  minha te֮çam e võtade he semp֮ / guardar a esa vila e moradores dela suas onras e liberdades /

E quanto ao que dizees que dantigamente nesa comarq.a / se usava hũa Irmy֮dade de certas vilas e lugares / pera que os gados pastasem hũs com os outros Ir/maãmente sem pagarem nhũ montado ne֮ ervagem / e que ora algũas delas se apartarã da dita Irmy֮/dade e a quebrarã com esa vila por aRemdarem os / seus montados e fazere֮ Remda e nõ q֮ semtem / q֮ vosos gados pastem e֮ seu termo salvo por di.º / e que por elo vos ordenaveys de fazer cõ ellos / out.º tanto. # ey por bem de o asy / fazerdes fazer sobre iso vosso Acordo em / camara como vos bem parecer e emviayme ho / trelado e eu volo q֮ firmarey /

E quanto ao que dizees que nos muros desa vila / ha muytas quebradas E asy a vila nõ tem / portas que me pidis que vos mande todo Re/pairar e fazer as ditas portas por quanto / p.ª jsso ha dj.º em poder de meu almoxarjfe / das terças. # ey por bem de prover Nyso / E mamdo p. esta ao juiz desa vila que loguo / com efejto faça eixecuçam de todos os djs.º q֮ / hy ouver das ditas terças E o ponha em mão / do meu almoxarife e feito njso toda delige֮cia / me esp֮reva quãto dj.º he p.ª mãdar o q֮ ouver por be֮//

E porquanto eu sã emformado que m.ta parte do dito / deneficame֮te dos muros he feyto p. algũas p.as / p este mando ao dito juiz e aos vereadores que / logo provejaes os ditos muros e fazer coreger / os daneficamentos que neles achare֮ feyta A custa / de que֮ os deneficou e de que֮ os desfez E esto / demtro em dous meses. E mo esp֮revã logo os ditos / deneficamentos que hy ha e a obra que sobriso / fazem./

E quanto As sysas del Rey meu sñor que esa Villa Recebeo / em tributo e que no contrato que se diso fez diz / que nõ avees de ter que emtender cõ o q֮tador nem / almoxarife do dito snõr some֮te que o dito try/buto se pagase aquem sua alteza ordenase. e que / ordenou pera iso o almoxarife da cidade de / Guarda que o Recebese e que esa villa lhe pagase / as ordinarias do almoxarifado do que lhe coubese / soldo a livra que sã iiijº (mil) bjc e tantos rs. os quaes djs.º / o dito almoxarife da guarda vos pede nõ Recebemdo / ele nhũ dj.º desa vila ne֮ tem diso nhũ trabalho / p quanto o meu almoxarife desa vila o aRecada p.ª / my֮ q֮ sam e֮ pagame֮to de meu ase֮tame֮to. o que / vos parece que he agravo e sem Razã. que me / pidis que vos aja provysão do dito sõr p.ª q֮ / nõ pagues as ditas ordinarias / # eu serey lembrado de vola procurar de sua alteza /

E quanto A bamdeyra do amjo custodio que / serve na pr cisão que dizeis que estaa velha / E deneficada q֮ me pedis que vos faça / merçe doutra. # p֮ z me disso mamday qua esa velha pera por ella se / ordenar outra /.

# eu sam emformado que nessa cam.ra se fez ora acordo / p vozes e afeições de pessoas p que emlegestes / esp֮rivam perpetu da Repartiçam do tributo das / sysas o que ey por mall feito por que o nõ podieis / fazer perpetu. polo quall mando que o dito acordo / se nom cũpra nem aja efeyto. e daquy em diamte / quamdo se emlegerem os Ripartidores se eleja ho / esp֮revam da Repartiçam e nõ servira mays que aq֮ le / anño de maneira que o esp֮rivam que servir hũ anño / o nã posa ser o anño seguy֮te. E o que sayr seja / constrangido para servir asy como os Repartidores. e q֮amdo / se fizer a dita eleiçã seja presemte sempre o juiz / e chamados em camara a moor parte dos home֮s / boõs e povo por que mais sem afeiçã se posa / fazer./

out.º sy sam emformado que algũas pesoas desa vila / Receberam algũs djs.º dese comçelho p.ª obras / dele. e nõ lhes foy tomado comta dele como / o dispemderãm. porem mamdo ao juiz e vereadores / que logo tome֮ conta As pesoas que de tres / años A esta parte Receberã os dito (sic) djs.º e sabido / quanto cada hũ Recebeo e como o gastarã se faça / diso auto da Recadaçam de q֮ta. cõ toda dely/gencia. o dito juiz mo esp֮reva logo decraradam.te pera eu niso proveer como ouver por bem./

out.º sy sam e֮formado que o camjnh.ro desa villa p / trazer A corte muytas apelações nõ quer partir delaa / cõ as poucas despachadas E espera por elas / e os presos estam por elo detheudos. o que ey / p֮ mall feito. E queremdo eu a esto prover mãdo / que daquy em diante As ditas apelações ne֮ / feytos de presos nõ se detenhã p֮lo dito camjnh.ro / quamdo os ditos presos achare֮ pesoas seguras q֮ / lhas tragão de graça e destas nõ levara o dito / camjnheyro dj.º algũ./

E bem asy mando que quando o dito camjnheyro que // tambem he coRedor das folhas dos presos for ausente / que coRa as ditas folhas out.ª pesoa quallq֮r que / as partes quysere֮. e isto por mais brevydade / de despachos delas. E mãdo Ao dito juiz / que ora he e ao diante for que asy o cũpra / e faça comp֮r sem embargo de quallq֮r outra / pvysam que hy aja em cõtrayro. /

E aos outs.º mais apõtamentos ouve por escusado / Responder. luis glz֮ os fez e֮ lixboa a xx dias / dagosto de 1532


                             Ifñ Dõ luiS

                                                      Dõ ffr.co pra


IV

Vereadores e p.dor da mjnha vila de covjlhãa. o Ifante dõ luis / vos emvjo muyto ssaudar . vy a eleyçam e vosa carta / E apontamemtos que me apresentou Antonio de matoS / que ora a my֮ envjastes I e o que em ello determjney / he o seguy֮te./

p meiram.te. quanto A eleiçam dos vereadores e p.dor ouve / por bem e meu serviço de mandar apurar os que este / presente anño ham de servir som.te como verees pla carta / que o dito amt.º de matos leva çarrada e eses traziã / na dita eleiçã mais vozes. mãdey chamar os home֮es / boõs a camara seg.º vossos boõs custumes e q֮ p.ª cumprir / como se nela q֮the֮. E acerq֮a de vosos p֮rivylé/gios que me pidis que vos guarde mandaimos ap/sentar E eu volos mandarey guardar. e asy vosas / hõras e liberdades. p que çerto mjnha võtade he / sempre vos fazer mercê./

E quanto As demarcações dos termos que fostes / p meu mandado fazer antre vossos comarquãos e / que os marcos e malhões que fore֮ postos os aRã/caram logo. e que sobriso sam tiradas muytas de/vasas. # Eu escrevo sobre elo Ao C.or como me / pidis e a carta vos será cõ esta dada. de se logo / e mãdar por parte da vila Requerer sua Just.ª / E elle c.or fará njsso a deligencia que qpr֮. e o / que se passar mo escrevey e avisayme da obra / que se fezer nisso /

E quanto As coutadas que dizeis que alguas p.as / poderosas desa vila faze֮m em suas q֮ntaas em / prejuizo dos lavradores e creadores ec֮ # eu / mando ao juiz que proveja nisso como vereis / e֮m minha provjSam q֮ com esta vos sera dada / …… (borrão) e Requereo a que a cũpra/

E quanto Aos coutos da villa omde estã todos os / soutos olivais vinhas E pomares E outros bens de // que a villa se governa e mantem que dizeis que algũs / poderosos que teem gados os traze֮ q֮tinuadame֮te nos / ditos coutos E fazem grandes danos E que os Remdeyros / e jurados os nom ousam dacoymar e posto que os acoy/me֮ nõ se faz neles execuçam e֮c. # ey por be֮ e mãdo / Ao juiz que ora he e ao diante for que cõ m.ta dilige֮cia / e asy a vos e aos vreadores que p֮lo tp֮o fore֮ tenhão / cuydado de correr a terra cada vez que for neçessario em / tall maneira que os danjnhos se castigue֮ E quãdo ho / meirinho for com ho juiz ou seus home֮es leve֮ A metade / das coymas As quais cõ efeyto o dito juiz dara a eixe/cuçam. e se por esta maneira se nõ evytare֮ os ditos / danjnhos tereys cuidado e lembrança de mo escrever / p.ª njsso prover como ouver por meu serviço e bem do povo/.

E quanto Aos porcos que se criam p֮la vila e aRa/valdes o que he prejuizo E faze֮ m.to dano e֮c. # ajũtaivos em cam.ra e chamãdos os home֮s boõs q֮forme / a ordenacam provede acerqua disso de man.ra que / nõ traga prejuizo ne֮ escandalo Ao povo./

E quanto Ao selo. pois que o tem esse q֮ue foy eleyto / p.ª o teer. ey por bem que o tenha por esta vez / ate q֮prir seu Anño . E daquy em diante nom / se fara exceçã dyso. mas sera entregue no / fim do anno ao Vereador mais velho que sayr / e ese seja chanceler ate acabado o anño que / saire֮ os outros vereadores e se entregará ao mays / velho como dito he. E dahy e֮ diante se cũpra / asy. e isto por se avitare֮ eleiçois afeiçoadas / e por os ditos vereadores mais velhos avere֮ esse pre/mio por seu trabalho. E porque andãndo desta / man.ra Amdara o dito selo em pesoa de q֮fiamça / como he bem que seja//

E quãto A obra da casa de nosa s.ra dessa villa eu / terey lembrança E pverey nisso/.

Outro sy ey por bem. que daquy em diamte nessa villa / aja precuradores dos misteres. asy como se costuma / nas cidades e vilas semelhamtes A esta destes Reynos / p seer cousa muy necesaria Ao povo de menos q֮thia / E Regime֮to p.ª isso se pode tirar plo que te֮ E uSa / nesta cidade devora. eu mãdarey q֮ se tire ho / treslado e sera emviado la ou da minha vila de / moura q֮ ho tem /

E ey por bem e vos mando que logo me envieys A pro/visam que tem Gomes diãz fisico p֮ que leva bj reis / cada anño dese concelho ou o treslado dela.

E bem asy vos mando e Asy aos Vereadores e p.dor que p֮lo / tp֮o fore֮ que a Remdaes em cada hũm anño ha /Remda do verde das aldeas dese termo que nom / pagão A camara cousa certa. e asy aRemdarees / as ditas Remdas do verde das aldeas que pagão / cousa certa A que֮ por ellas mais der. porque / o ey asy por meu serviço por quanto a terra sera / p isso melhor guardada dos danos. e as que / pagã cousa certa mãdarees aos oficiaes delas que / as aRemdem em pregão asy como se aRendã as outras Re֮das dos conçelhos. feyto em evora a xbiij de Jan.ro luiS glz֮ / o fez de 1535.


                                 Ifñ Dõ luis

Notas - 1) http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/06/covilha-o-senhorio-ii.html
2)http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.com/2018/05/covilha-infante-d-luis-6-senhor-da.html
3) D. Henrique é o cardeal rei, irmão do Infante D. Luís e de D. João III

As Publicações no blogue sobre este assunto:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.com/2018/05/covilha-infante-d-luis-6-senhor-da.html

http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2017/12/covilha-infante-d-luis-6-senhor-da.html
https://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.com/2018/08/covilha-infante-d-luis-6-senhor-da.html

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