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segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Covilhã - A Misericórdia, uma Instituição de Solidariedade Social XXVII





Igreja da Misericórdia
Fotografia de Miguel Nuno Peixoto de Carvalho Dias


Hoje publicamos uma lista que surgiu no "site" da Misericórdia da Covilhã e que ao fim de algum tempo foi retirada. Visto termos publicado muita documentação sobre a Misericórdia da Covilhã, vamos fazer não só as hiperligações com alguns destes provedores, como rectificar algo que encontrámos errado naquela lista.

Não queremos deixar de assinalar que muitas destas individualidades, referidas como provedores da Misericórdia da Covilhã, pertenciam à elite covilhanense, a classe mais instruída e abastada da sociedade local naquela época. Desempenhavam nela os cargos mais relevantes do burgo e revesavam-se ("soem andar na governança") no desempenho das mais diversas funções, quer políticas, quer religiosas ou sociais e muitas vezes eram substituídos por membros das suas famílias…
Procurámos ilustrar o que referimos com exemplos de outras funções oficiais desempenhadas por alguns dos provedores nomeados.

Nos processos de habilitação de leitura de bacharéis,(8) que abaixo apresentamos, entre as pessoas inquiridas como testemunhas dos habilitandos, marcámos a negrito as que desempenharam o cargo de provedor da Santa Casa e ainda a posição que ocupavam na sociedade covilhanense.

Os provedores que acrescentámos vão aparecer a itálico e em "courier".

Informação sobre a organização administrativa da Misericórdia encontra-se:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.com/2011/09/covilha-misericordia-uma-instituicao-de.html


********


Provedores da Santa Casa da Misericórdia da Covilhã (1593-1700)

1511-1512 – João Roiz de Cáceres (1)
1578-1579 - Miguel da Costa (2)
1593-1594 – Jorge de Faria Garcês
1594-1595 – João Fernandes de Oliveira
1595-1596 – Cício Nunes de Albuquerque (2)
1597-1598 – Miguel da Nave (2)
1598-1599 – Manuel da Nave
1599-1601 - Vinhas da Cunha
1601-1603 - Vinhas da Cunha
1604-1605 – Simão da Silva de Serpa (3)
1606-1607 - António da Costa Teles
1607-1608 – Filipe de Macedo Castelo Branco
1613-1614 – Diogo Peres da Costa
1614-1616 – Manuel Ravasco (4)
1616-1617 – Miguel da Costa d’Eça
1617-1618 – Simão Rodrigues de Calvos (arcipreste)
1618-1619 – Miguel da Costa d’Eça
1619-1620 – José Botelho da Guerra
1620-1621 – José Botelho da Guerra
1621-1622 – Diogo Fernandes
1622-1623 – Filipe de Macedo Castelo Branco
1623-1624 – João Álvares
1624-1625 – Miguel da Costa(2)
1625-1626 – António de Figueiredo Correia
1626-1627 – Francisco Botelho da Guerra (5)
1627-1628 – Miguel de Pina de Mendonça
1628-1629 – Miguel da Silva de Serpa
1629-1630 – Francisco da Costa Lemos
1630-1631 – André do Vale Caldeira
1631-1633 – Jorge Seco (prior)
1633-1635 – Francisco Vale de Almeida
1635-1636 – João de Sousa Falcão (5)
1636-1637 – António da Costa Castelo Branco
1637-1638 – Miguel de Pina de Mendonça
1638-1639 – Francisco Botelho da Guerra (5)
1639-1640 – Francisco Fernandes
1640-1641 – Diogo de Macedo Castelo Branco
1641-1643 – Francisco Pinto Lobo
1643-1644 – João Homem de Eça
1644-1646 – José de Macedo Tavares
1647-1648 – Teodósio Correia Cabral
1648-1649 – Francisco de Olival Tavares (6)
1650-1651 – António de Gouveia de Pina
1651-1652 – Manuel Francisco Mendes
1652-1653 – Diogo de Macedo Castelo Branco
1653-1654 – Filipe Caldeira Castelo Branco
1654-1655 – Estêvão Correia de Xara (8)
1655-1656 – Gregório Tavares da Costa
1656-1657 – Diogo Fernandes Botelho
1657-1658 – Manuel da Silva de Figueiredo
1658-1659 – José de Macedo Tavares (7)
1659-1660 – Manuel da Costa Lemos
1660-1661 – Sebastião Botelho da Fonseca
1661-1662 – José Correia Ravasco
1662-1663 – Filipe Caldeira Castelo Branco
1663-1664 – António de Abreu Pessoa
1664-1665 – Manuel Francisco Mendes
1665-1666 – Gaspar Correia Barreto
1666-1667 – António Domingos
1667-1668 – Diogo Pita de Ortigua ou Ortigueira
1668-1669 – Teodósio Correia Cabral
1669-1670 – Diogo Correia Cabral
1670-1671 – Diogo Fernandes Botelho
1672-1673 – Sebastião Pinto Lobo
1673-1674 – João Correia Ravasco
1674-1675 – Teodósio Correia Cabral
1676-1677 – Francisco Vaz Fragoso
1677-1678 – Álvaro da Costa Cabral
1679-1680 – José Themudo Cabral
1680-1681 – José Homem de Brito
1681-1682 - Pedro Pinto Lobo (Padre)
1682-1683 – Braz da Costa Cabral
1683-1684 – Manuel Robalo Mendes
1684-1685 – Bento da Costa Ferraz
1685-1686 – Filipe Caldeira Castelo Branco
1686-1687 – Manuel Correia de Albuquerque
1687-1688 – Sebastião Pinto Lobo
1688-1689 – Luís da Silva Mergulhão
1689-1690 – Manuel Luís Tavares da Costa Lobo
1690-1691 – Manuel Correia de Albuquerque
1691-1692 – António Henriques de Gusmão
1692-1693 – Luís Tavares da Costa Lobo
1693-1694 – Francisco da Costa Lemos
1694-1695 – Manuel Frade da Costa
1695-1696 – José Freire Corte Real
1696-1698 – Filipe Caldeira Castelo Branco
1698-1699 – Sebastião Leitão da Cunha
1699-1700 – António da Silva Fragoso

Notas dos editores   1) Escrivão dos Direitos Reais da Covilhã e Provedor da Misericórdia, conforme documento existente no Arquivo da Misericórdia da Covilhã, recolhido pelo investigador Luiz Fernando Carvalho Dias, que agora se transcreve:

Juizes das vjllas lugares desta corejçã do / mestrado de x̆po ̆q estejaes dent.ro de ssejs legoas / do termo da villa de covjlhã. // ho l.do fernã / gomez ouvj.or cõ alcada pº. el Rej nosso Sõr / ẽ a corejçã do – (entrelinha) = dito – mestrado de x͂po pvedor dos / orfãos capelas Resydos no dito mestrado / pº. o dito Señor Eu vos faço ssaber  ͂q ante / mj paresseo Johã Roiz (ou Fr͂z ) de caceres pvedor da / mesyrjcordja da vjlla de covjlhã e lujs Gomez / caval.ro e juiz della e Johã Roiz (ou Fr͂z) escud.ro da / casa do dito Sõr escrjvã da dita mesyrjcordja / todos m.res ẽ a dita vylla de covylhã e me ha/p͂sẽtarã certos m.dos de Sua alteza e asy hũu / ͂pvilegio q͂  dera a dita mesyrjcordja pª. os / menpost.ros q͂  pª. a dita mỹa ou nesa ão de pedjr/ asy pª. os da dita vylla de covjlhãa e seo termo / como pª. todos os out.ros q͂  fora do termo / .......... até sseis legoas os Sobre ditos ofiçiaes / sseg.do q͂  tudo isto e out.ªs cousas mais cõ/pdam.te ẽ o dito p͂vjlegio e alv.ras do dito Sõr / sse q͂tẽ pedimdo me q͂  os mãdasse cõprir / como ẽ elles era cõtheudo . / os quaes / vystos p mỹ vos mãdo q͂  cada hũu ..... / julgado os cumpraes e grdeis como sse / ẽ ello pordes nẽhũa Duvida / nẽ ẽb̆guo ẽ tall man.ra q͂  nosso Sõr d͂s sseja / servido e os m.dos de Sua alteza Inteiram.te cõp͂dos / sob pena de quallquer q͂  o asy nõ cõprjr / ou q͂tra elle fôr ẽ p.te ou ẽ tudo pagara dez // c͂zados douro pª. a dita mỹa a metade e / a out.ra metade pª. ..... do dito Sõr y / p ante my amda (?) fco ẽ ho  lugar dall/pedrjnha aos xbj dj do mes de junho / johã dalvjm chanceler o fez ano de / mjll e qujnhẽtos e doze añoz “ .... a ) fernã ....

// aos iij dj de julho de bc xij .... jº Roiz escpvã Da mya da / vyla de penamacor p sabastyã mĵs thy ẽ a dcã vyla de hũa / esmola e ..........Lx Rs.
                                               
                                         a) .... Roiz

2) Documento da eleição de dois procuradores do concelho da Covilhã às Cortes de Tomar de 1581 e respectivo auto de procuração:http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.com/2012/12/covilha-os-filipes.html

3) Acta da misericórdia de 1604 nomeando capelão
  
Aos vinte e dois dias do mês de Julho da era de 1604 na mesa da Santa Casa da Misericórdia de Covilhã estando juntos o provedor Simão da Silva de Serpa e mais irmãos da mesa, compareceu o Padre Francisco Fernandez  desta vila ao qual apresentaram por capelão da dita casa e ele dito padre se obrigou a servir a dita casa de capelão e dizer todas as quartas feiras missa da confraria e assim os dias de Nossa Senhora e ofícios de semana santa e confessar todos os enfermos da dita casa e cadeia tudo por um ano na forma acostumada e se obrigou a acompanhar a bandeira como é costume e o dito provedor e irmãos se obrigaram a lhe darem de porção cinco mil e quinhentos reis e de tudo mandaram fazer este termo e obrigação que todos assinaram eu Paulo de Azevedo prior de são Lourenço, escrivão da dita casa que isto fiz e declarou o dito padre Francisco Fernandez que ele queria servir a dita casa com os encargos acima declarados este ano de 604 até o de 5 que acaba no dia da vizitação da graça e para amor da Senhora e assinou o provedor
a)      O provedor Simão da Silva de Serpa

a)      Francisco Fiz

4) Sentenças de D. Filipe

Aos vinte e dois dias do mês de Fevereiro do ano de mil quinhentos e oitenta e sete anos nesta vila de Covilhã na casa da câmara dela estando aí presentes Nuno Cardoso Vereador e Juiz pela ordenação na dita vila e Simão Vaz Vereador na dita vila e o Licenciado Manuel Ravasco procurador do concelho dela e eu tabelião lhe notifiquei o monitório e mandado e resposta atrás do senhor doutor Manuel Lourenço visitador assim e do modo em que nele se contém e por eles foi dito que reagravavam novamente das ditas censuras e do dito senhor visitador se meter na jurisdição do Rei e lhe não querer cumprir sua sentença e protestavam ser lhe este enviado ( ? ) pelo dito senhor Rei pelo que protestavam mandarem requerer sua justiça na forma devida como lhe ……. fiz este termo que assinaram e eu Luís de Almeida tabelião ho x
             a) Simão Vaz                           nº Cardoso

                                                      o ldo Ravasco
5)Procuradores às cortes de 1641: http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.com/2013/08/covilha-as-cortes-v.html

6)Procurador da Câmara em 1642: http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.com/2014/02/covilha-as-cortes-ix.html

7)Procurador às Cortes de 1653: http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.com/2013/12/covilha-as-cortes-viii.html

8)“O núcleo da Torre do Tombo denominado Leitura de Bacharéis é essencialmente constituído por processos de habilitação para servir os Lugares de Letras. Os candidatos aos lugares da magistratura tinham de prestar provas no Desembargo do Paço, antes das quais era instaurada uma inquirição à vida do candidato bem como à sua ascendência.” (9). 

“Os procedimentos sobre a Leitura de Bacharéis foram legislados por: cartas régias de 20 de Agosto de 1625 e de 4 de Agosto de 1638 (sobre requisitos para admissão à "leitura"), decreto de 2 de Junho de 1650 (sobre a reforma das inquirições para habilitação à "leitura"), alvarás de 15 de Junho e de 20 de Setembro de 1789 (sobre as Leituras de Bacharéis no Desembargo do Paço), carta de lei de 8 de Agosto de 1822 (sobre condições de admissão dos bacharéis à carreira da magistratura), carta de lei de 4 de Fevereiro de 1823 (sobre condições de admissão dos bacharéis à carreira da magistratura no Ultramar), decreto de 30 de Setembro de 1823 (revoga o decreto de abolição das habilitações e leitura de bacharéis, instaurando o restabelecimento da legislação anterior)."(10)
Leitura dos Bacharéis

Bacharel Miguel de Syqueira Castel-Branco


1ª Página do processo de Miguel de Syqueira Castel-Branco

Natural da Covilhã, filho legítimo de Filipe Caldeira Castelo Branco e de Beatriz Machada, neto paterno de António Delgado da Costa e de Antónia de Siqueira e pela materna de Pero Vaz Fragoso e de Maria Machada. É cristão velho, sem raça alguma de judeu, mouro ou mulato, nem de outra infecta nação. Por seus pais e avós é também pessoa nobre, porque todos foram dos principais da dita vila e dos da governança dela, que nunca exercitaram ofício algum mecânico.
É ainda solteiro em 21/1/1679. A informação é de Luís de Valadares Sotto Mayor, corregedor da Guarda.
Tanto os pais e avós são todos da vila da Covilhã.
Certidão do tempo que advogou nos auditórios da vila de Covilhã, passada pelo Juiz de Fora do Geral Dr. Gonçalo da Cunha Vilas Boas e certidão do tabelião do judicial na  Covilhã a 30/6/1679.
Neste ano havia na Covilhã, no juízo geral 8 tabeliães do judicial e um escrivão das execuções.

Testemunhas:
a) Francisco Fernandes Delgado, mercador, na Covilhã, 64 anos;
b) Francisco Fernandes Portas, mercador da Covilhã, 58 anos;
c) João Rodrigues Mangana, tecelão, da Covilhã, 74 anos;
d) Manuel Rodrigues Vaqueiro, da Covilhã, 69 anos;
e) Brás Coelho, que vive de sua fazenda, da Covilhã, 60 anos;
f) Manuel Gomes Cardoso, serieiro, da Covilhã, 75 anos;
g) António Fernandes Nave, que vive de sua fazenda, da Covilhã, 80 anos. (11)

******
 1658 e 1652
Bacharel Estêvão Correia Xara
filho de Manuel Correia e de sua mulher Maria Ravasca, neto paterno do Licº Vicente Estêvão Correia e de sua mulher Joana Pais.
Neto materno do Licº Manuel Ravasco, médico e de sua mulher Isabel Ferreira.
Todos x.v., etc. Mostra-se também a sua nobreza pelos ditos seus avós serem ambos letrados e haverem servido os cargos nobres da república, sem embargo de que até agora não houve autos de sua qualidade e limpeza como também os não houve de seus defeitos.
É casado com Maria Coelha, também x.v.
                                    1651 Corregedor Gonçalo Bandeira Maldonado

Testemunhas.
a) Pero Vaz Fragoso, da Covilhã, 63 anos, diz que Maria Coelha é pessoa nobre desta vila.
b) António Mendes, da Covilhã, 50 anos;
c) Sebastião Botelho da Fonseca, da Covilhã, 55 anos;
d) Pero Cabral, morador na Covilhã, 60 anos;
e) Francisco Esteves, morador na Covilhã, 75 anos, disse que Maria Coelha é filha do Licº Lourenço Peres de Albuquerque;
f) Francisco Botelho da Guerra, morador na Covilhã, 74 anos.
g) Licº Manuel de Mendonça Figueiredo, morador na Covilhã, 54 anos

1658   Nova devassa pelo Dr. Inácio Ribeiro Mayo, Corregedor da Guarda

Testemunhas:
a) Diogo Cardoso Pacheco, escrivão dos órfãos, proprietário nesta vila da Covilhã, e nela morador, 56 anos;
b) Diogo Macedo Castel Branco, pessoa nobre, 60 anos
c) Manuel Francisco Mendes, pessoa da governança da vila da Covilhã, 60 anos.
d) Sebastião Botelho da Fonseca, atrás identificado;
e) Teodósio Correia Cabral, morador na Covilhã, pessoa nobre, 61 anos;
f) Sebastião Roiz d’ Osouro, morador na Covilhã, 63 anos - Maria Coelha é filha do Licº Lourenço Peres d’ Albuquerque e de sua mulher Beatriz Coelha, pessoas nobres e cristãs velhas;
g) Francisco Cardoso Pacheco, escrivão da Câmara da vila da Covilhã, 61 anos.   (12)

9) Leitura de Bacharéis - Índice dos Processos de Lourenço Correia de Matos e Luís Amaral. Editora Guarda-Mor, 2006.

10) ANTT.

11) ANTT, PT-TT-DP-A-A-5-3-5-1-30

12) ANTT, PT-TT-DP-A-A-5-3-11-2-22

As Publicações do blogue:

Publicações anteriores sobre a Misericórdia:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.com/2016/07/covilha-misericordia-uma-instituicao-de_74.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/01/covilha-misericordia-uma-instituicao-de.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2013/12/covilha-misericordia-uma-instituicao-de.html


quinta-feira, 21 de junho de 2012

Covilhã - A Misericórdia, uma Instituição de Solidariedade Social XIX


Bens Imóveis da Misericórdia


A Misericórdia da Covilhã, como já sabemos, possuía muitos bens imóveis vindos de várias proveniências. Os bens imóveis deixados à confraria são, sob pregão, dados em aforamento, para que haja um rendimento certo para a instituição, salvo se quem os ofertou os mandou vender e ordenou que o produto da venda fosse aplicado, por sua alma, em obras de misericórdia. A organização administrativa da instituição estabelece que dois conselheiros se ocupem a “receber as esmolas que defuntos ricos deixassem, bem como a recolher as rendas e foros pertencentes à instituição”. Vejamos os documentos.


Pormenor do tecto da Igreja da Misericórdia da Covilhã
Fotografia de Miguel Nuno Peixoto de Carvalho Dias



Bens da Misericórdia - Hospital da Vila da Covilhã
Livro 3º do registo dos Bens das Misericórdias
Covilhã
Foros cujo domínio directo somente é senhora a mesma Misericórdia

“ Foreiros .

a) João José da Fonseca
Propriedades - uma fazenda que consta de pomar de regadio, olival e souto, no sítio da Dorna, limite desta Vª, que parte com souto do Revdº Pedro de Figueiredo Botelho, com estrada pública, dois mil rs. Foro anoal a dinheiro: 2$000.

b) Antonio Manuel Correa
A Quinta chamada de S. Lázaro, consta de casas, pomar, terras de regadio com castanheiros, oliveiras e árvores de fruto e terra de pão, da parte de fora, parte com estrada da Corredoira e com Joaquim Antonio Clementino Maciel, 650 rs.
$650

c) Manuel Paulo de Almeida
Umas casas com seus altos e baixos, com seu balcão, com serventia para o Outeiro, sitas na rua do Açougue, freguesia de Stª Maria, que partem com José Roiz Raposo e com casa dos Freires. 1.200 rs
1$200.

d) Maria Genoveva
Um souto sito à ribeira d’ Água de Alta, limite desta Vila, parte com souto das Mesquitas e com souto chamado d’ El-Rei. mil rs.
1$000.

e) João da Cruz
Uma morada de casas na rua direita desta Vila que partem com o P.e Luis Leitão e com os Fonsecas, mil e seiscentos rs.
1$600 rs.

f) Francisco António Barreiros
Um chão no sítio da Trapa, limite desta Vila, que partem com Ribeiro chamado da Trapa e calçada concelhia. cinco mil rs.
5$000 rs

g) Antonio Isento de Matos
Umas casas na freguesia de Stª Maria que partem com herdeiros de Jose da Sª Cardona e com Jose Martins Valezim, 3:000
3$000

h) António José da Silva Galvão
Um chão de regadia com suas árvores, no sitio da Trapa, limite desta Vila, que parte com olivais de Filipe Caldeira Castelo Branco e com estrada do concelho.
mil e quinhentos rs.
1$500 rs

i) D. Felipa de Serpa
Prazo chamado da Nogueira Grande no sítio da Corredoura desta Vila que parte com estrada publica e com prazo de Santiago e com José Diogo Baptista . cem rs
$100 rs 

j) P.e Jose Nunes Mouzaco
Uma morada de casas na freguesia de Stª Marinha que parte com Jose Vaz da Costa e quintal das mesmas casas, cem rs
$100 rs

l) José Rov.tº (?) Machado
Umas casas na freguesia do Salvador que partem com rua serventia das Escadinhas e com Valerio Gomes, cem rs.
$100 rs

m) João Abrantes
Umas casas na freguesia de Stª Marinha que partem com João Mendes Alçada e Manuel Nunes Botelho e João Nunes Mouzaco, duzentos rs.
$200 rs

n) Jacinta Rosa, viúva de João da Silva Moraes
Umas casas ao pé da igreja de S. Silvestre que partem com casas da Misericórdia de que é enfiteuta Cândida Rosa e quelha antiga para os olivaes, setecentos rs.
$700 rs

o) Cândida Rosa, viúva de José Amaro Cardoso
Umas casas ao pé da Igreja de S. Silvestre que partem com casa da Misericórdia da enfiteuta Jacinta Rosa e com quintal da mesma Misericórdia, Quatrocentos e outenta rs.
$480 rs

p) Administradores da Real Fábrica
Um terrado defronte da Fonte das Lágrimas hoje se acha incluso na Real Fábrica, Quinhentos rs.
$500 rs

q) Agostinho Roiz Feio
Um olival sito à Carreira dos Frades que parte com estrada do Convento e José Roiz Carqueija, cem rs.
$100 rs

r) Confraria de S. Domingos
A Confraria de S. Domingos de Aldeia do Carvalho por posse antiquissima, trezentos rs.
$300 rs

s) P.e José dos Santos da Torre
Um pequeno chão aonde chamão a Ribeirinha, limite desta Vª, parte com Bento da Costa Ferraz, Ribeira Publica dos Pisões por baixo da ponte de Monte en colo, duzentos e quarenta
$240 rs.

t) Manuel Pereira Rato
Uma terra no sítio da Ribeira da Maceira, limite do Tortozendo, parte com a Viúva de Estêvão Fernandes e com Luís Afonso do dito lugar do Tortozendo, mil e duzentos rs.
1$200 rs

u) Manuel Domingues
Prazo no sítio da Atalaia, limite de Gibaltar, consta de um chão com seu terreiro e corte, parte com Pedro Martins Matapão e estrada do concelho, 4.240 rs
4$240

v) Gertrudes Maria
Um olival no sítio da Capela da Senhora da Conceição, limite de Aldeia de Joanes, termo da Vila do Fundão, que parte com João Mendes e com Capitão Manuel da Silva, mil e duzentos
1$200

x) Manuel Cardoso
Um souto aonde chamão os Barreiros, limite de Alcongosta, parte com estrada que vai para o Alcaide e com souto de José Roiz Tendeiro, mil e oitocentos rs.
1$800 rs.

y) Francisco de Brito
Uma morada no lugar de Alcongosta a partir com casas de José da Costa carpinteiro e rua pública. mil rs
1$000

z) Pedro Gonçalves Rebordão
Duas moradas de casas no sítio dos Tintes, na Vª do Fundão com seu quintal junto com seus terrados da parte de fora e com suas oliveiras que partem com quintal de Manuel Alves e estrada do concelho de Aldea de Joanes, e uma vinha e a metade de um chão, parte com estrada de São Marcos e com Manuel Correa do Fundão, dois mil e cinquenta rs.
2$050 rs.

aa) Bernardo Soares Girão
umas casas que foram de Francisco Rebelo carpinteiro na freguesia de S. Tiago, que partem com casas da igreja de Santiago e com casas de Bernardo Soares, cem rs.
$100 rs

ab) Manuel Fernandes Montez
Uma quinta no sítio chamado o Porto da Covilhã, limite desta Vila. Parte com Manuel Joaquim da Silva Botelho, com Luís Tavares da Costa Lobo e com Dr. Gregório José Pedroso. trez mil rs.
3$000

ac) Felipe de Jesus de Almeida Ravasco
Uma morada de casas no sítio do Outeiro, freguesia de Santiago, antigamente emprazadas a João Roiz do Outeiro, a partir com casas de Manuel Furtado de Mesquita e com casas da Misericórdia. Emprazadas a António Roiz Honorato, trez mil rs.
3$000 rs.

ad) Felipe de Jesus de Almeida Ravasco
Umas casas com seus altos e baixos, na fregª de Santiago, a partir com casas que foram de Bernardo Roiz Copeiro e casas que forão das Trancozas, cem rs.
$100 rs.


Foreiros   -     Propriedades    -   Centeio (alqueires)


1) José Agostinho de Almeida Saraiva
Umas terras no sítio do Vale da Amoreira, limite do lugar de Perovizeu, que partem com Norberto Simões da Vila do Fundão e com o enfiteuta P.e Agostinho de Almeida Saraiva, do lugar de Perovizeu. Quatorze alqueires de centeio
14

2) José Paulo Caldas
Uma Tapada aonde chamam as Naves da Ribeira, limite do lugar de Pero Vizeu, parte com tapada de Ana Caldas, com António Ramos e com Francisco Mendes, quatro alqueires
4

3) António das Neves Carneiro
Duas terras no sítio dos Poeiros, limite da Vila do Fundão, que partem com Tapada de D. Francisca Tudela e com D. Antónia Joana. Dois alqueires
2

4) Manuel Pinto
Umas terras de regadio e árvores no sítio do Souto Redondo, limite de Gibaltar, que partem com Manuel Leitão e com Manuel Paredes do dito Gibaltar, doze alqueires.
12

5) José Martins Paredes
Umas terras de pão e regadio com árvores de fruto no sítio da Atalaia, limite de Orjaes que partem com Manuel Lourenço, Manuel Salvador e Manuel Domingues do lugar de Gibaltar.

6) Fernando José Saraiva
Uma vinha no sítio de S. Marcos, limite do lugar de Peraboa, que parte com Manuel Martins e Manuel Fernandes Bonito e um olival no mesmo sítio, junto à Fonte, que parte com estrada pública, 3 alqueires
3

7) Balbino da Fonseca
Umas terras no sítio da Atalaia, limite de Gibaltar, que partem com Manuel Lourenço e com o P.e Manuel Grilo. 5 alqueires
5

8) João Francisco Leitão
Prazo que consta de terras de regadio e de suas oliveiras, castanheiros e vinha no sítio do Vale da Velha, limite de Gibaltar, que parte com José Pacheco Esteves e Teodora Antunes. 7 alqueires
7

9) Manuel Lourenço Casteleiro
Umas terras de pão e moutas sitas no limite de Gibaltar no sítio da Atalaia, que partem com Manuel Domingues e André Roiz. 12 alqueires.
12

10) Francisco de Carvalho
Umas terras no sítio do Picoto, limite de Aldeia do Carvalho, que partem com terras do Prior de S. Paulo e padre João Monteiro e Manuel Dias da dita Aldeia. Alqueire e meio
1 1/2

11) Miguel Vaz Sainhas
Uma terra calva, no sítio da Mouraca, limite de Orjais, que parte com terras do SSmo Sacramento do dito lugar. Um alqueire e uma quarta
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12) Cândida Rosa, viúva de José Amaro Cardoso
Um quintal ao pé da Igreja de S. Silvestre que parte com Rua Pública e quintal de Manuel Fernandes Montez e com casas da Misericórdia da mesma enfiteuta Cândida Rosa e com casas de José Gonçalves Tártaro. quatro alqueires e uma quarta
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13) Nicolau Antunes
Umas terras de regadio e terras de pão e moutas no sítio da Atalaia, limite de Gibaltar, a partir com o souto dos herdeiros de Manuel Fernandes Moura e com prazo da Misericórdia. Enfiteuta Manuel Lourenço Casteleiro. Dois alqueires
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14) Nicolau Roiz
Uma courela de terra com seus castanheiros, sita aonde chamão o Ribeiro Cantar Galo, que parte com terras de Carlos Monteiro e com o mesmo enfiteuta Nicolau Roiz. Meio alqueire
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15) Manuel Fernandes Montez
Uma quinta chamada Porto da Covilhã, limite desta Vila, que parte com Manuel Joaquim da Silva Botelho, com Luiz Tavares da Costa Lobo e com o Dr. António Gregório José Pedroso. Alqueire e meio de grãos e alqueire e meio de feijão grande branco. Renovos 3 (1)


Encontrámos ainda outro documento, também do espólio de Luiz Fernando Carvalho Dias, uma só folha, sobre propriedades maninhas que podem ser terrenos incultos, mas de propriedade particular, neste caso a Santa Casa da Misericórdia da Covilhã.
                                                                              

Título das propriedades maninhas da Santa Casa da Mizericordia da villa da Covilhã, tirado do tombo a fls 112.


Achou o juiz deste tombo que pertencia aos maninhos huma terra que está ao Ribeiro de poules, limite de oreiais, leva de semeadura duas fanegas, parte com herdeiros de João António e com herdeiros de Constança Glz, e com quem ao presente mais deva partir e outro sim tem mais uma terra onde chamam a atalaia, no limite do Teixoso, que leva oitenta alqueires de pam, parte com o Ribeiro que vem de S. Gens e com os limites de oreiais e do sarzedo.

Huma caza e terra que está nas seladinhas com sua videira à porta, limite de dornelas, e uma vinha com suas árvores aos cravalhons (sic) parte com erdeiro de Nuno João, leva um homem de cava.

Outra courela que está por cima das cazas, parte com erdeiros de Nuno João, tem de traz das cazas duas cerejeiras e a terra levará um alqueire de pão.

Outra terra com seus castanheiros que está ao cômaro, parte com Miguel Fr.cº e erdeiros de João Mriz.

Outra terra ao cabo das vinhas no caminho que vai para a póvoa parte com Nuno João e com Simão Roiz e um vale no Comeal das Servas com suas árvores e castanheiros parte com Miguel Fr.cº e com Antº Correa alfaiate leva dez alqueires de pão e hua terra as seladinhas, parte com Nuno João, tem seus castanheiros, leva meio alqueire de pão.

Outra terra ao ssimo davorca (?) parte com erdeiros de Miguel Fr.cº leva meio alqueire de pão.

Um asento com um curral a corte do Soveral em terra de Miguel Francisco.

Outra terra por baixo dos castanheiros do comaro, que entesta nas casas e chega à barroca, leva meio alqueire de pão, o que tudo constava pelo tombo velho ser maninho e ser da Santa Caza da Mizericordia desta vila por lhe aver deixado os priores antiguos (sic) do Teixosos Baltazar Manso e o de Dornelas o que visto pelo dito juiz julgou as ditas terras por maninhas e mandou que delas pagassem o foro acostumado de doze um, porquanto sendo noteficados o procurador e deputados não pareseram, e mandou lançar as ditas terras neste tombo que assinou o dito juiz; manoel Alz Fatela (Manuel Álvares Fatela) escrivão do tombo escrevi (2); Saraiva; -


Nota dos editores – 1) Este documento não nos apareceu datado, contudo procurámos relacioná-lo com alguns nomes ou factos nossos conhecidos, não tendo chegado a conclusões definitivas. Filipe Caldeira Castelo Branco é um nome que nos aparece duas vezes na lista dos provedores da Santa Casa da Misericórdia da Covilhã, em 1685/86 e em 1696/98 e nos levaria a considerar que o documento seria do último quartel do século XVII, mas quando são referidos os administradores da Real Fábrica dos Panos, desistimos da datação, pois aquela manufactura só foi criada em 1764.
2) Manuel Álvares Fatela, que foi tabelião da Covilhã, exerceu funções em 1658.
3) - Continua a ser muito curioso encontrar topónimos que hoje permanecem e alguns que até já referimos a propósito de outros assuntos. Continuamos com vontade de estudar toponímia que é o estudo linguístico e histórico da origem dos nomes de lugares; também podemos pensar em estudar o passado a partir do presente, ou seja, ver, por exemplo, quais os lugares/povoações do século XXI que aparecem nestes documentos. Luiz Fernando Carvalho Dias considerava importantíssimo o estudo cuidado da toponímia. 

Fonte - ANTT - Conselho da Fazenda, pags 77 / 635
Livro 3º do registo dos Bens das Misericórdias