terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Covilhã - O Tombo dos limites do Concelho na 1ª metade do século XVI - I


              Luiz Fernando Carvalho Dias deixou-nos no seu espólio reflexões muito interessantes sobre os limites do concelho da Covilhã, bem como a cópia do tombo mandado fazer pelo Infante D. Luiz.
           

           
  "O alvará do Infante manda fazer nova demarcação dos termos do concelho por estarem os ditos mal demarcados e por vezes os marcos e malhões danificados. Manda também o Infante que nos anos seguintes se visitem os marcos e malhões a fim de verificar se houve alguma mudança e esta ser devidamente corrigida.           
O alvará referido é datado de Évora, de 23 de Dezembro de 1532 e antecede o tombo das demarcações.
            Neste tempo o lugar mais fundeiro do concelho da Covilhã era a aldeia de Cambas, e a demarcação dos limites do concelho ia pela cabeça do baraçal, águas vertentes e day direito à selada do val derradeiro e day direito à selada do corenhal águas vertentes - e daí direito à selada do pretelinho e day direito ao penedo alto águas vertentes e day direito a S. Domingos e day ao cabo dos penedos águas vertentes, e day direito às seladas e das seladas direito sobre as mestas e daí se vai direito à selada do machial e daí direito à cabeça gorda.
Alvaro    Cambas - Orvalho  Silvares e Bogas de Cima   Aldeia Nova do Cabo
Oleiros
Sarzedas   Janeiro de Cima    Folques           S. Vicente                    Souto da Casa
                     Unhais-o-Velho Pampilhosa
Erada - Serra                                      Alcaide                        Alcaide com Castelo Novo
(Paúl)                                               Capinha                                  com Penamacor
Casegas e Cebola  Folques     Penamacor
                                                                                    Alvoco
            Neste demarcam-se sucessivamente os limites das freguesias da Covilhã com os termos de Alvoco, Folques, Pampilhosa, Álvaro, Oleiros, Sarzedas, S. Vicente, Castelo Novo, Penamacor, Sortelha, Caria, Belmonte, Valhelhas e Manteigas.
            Estas demarcações começam em 1533, sendo juiz pela Ordenação e vereador mais velho Gonçalo Pais de Castelo Branco e vereadores Nuno Matela e Antº Nunes e procurador do concelho Fernã dafonseca e escrivão da Câmara fernamcarvalho. As demarcações são concisas e perfeitas: indicam-nos os lugares onde os malhões, os marcos e as cruzes se encontram; dão-nos a toponímia que deve remontar a eras muito antigas, e como as testemunhas que depõem andam sempre à volta dos setenta a oitenta anos, autoriza-nos a concluir que estas demarcações foram em parte as dos primeiros séculos da nossa história e na outra parte o resultado da formação dos concelhos de que a Covilhã foi, territorialmente, origem.
            Como o tombo é escrito em vários anos e regista rectificações de limites, sucede indicarem-se nele por vezes vários magistrados - Por exemplo às demarcações de 1534 preside o Licº Simão de Pina - juiz de fora com alçada pelo Infante; Jorge Soares e Bastião Mendez, escudeiros e vereadores e Pero Pacheco, procurador do concelho, outras vezes aparece entre os vereadores Fernão d’ anes escudeiro, cujo nome encontraremos mais adiante.
            O tombo dá-nos também notícia de várias capelas existentes na zona fronteiriça do concelho, notícia de povoações arrasadas, lugares por onde eram cortados os caminhos velhos, indicação de sepulturas, etc...
            Por aqui se pode fazer uma pequena ideia dos subsídios que dá para a história da região.


            Oferece-nos também um quadro curioso das magistraturas nas aldeias do termo - indicando os nomes humildes dos juízes de cada uma delas, de toda essa gente autenticamente portuguesa, coeva desse período extraordinário da nossa história que vai do meado de quatrocentos ao último quartel de quinhentos." (1)

Concelho da Covilhã
Concelho do Fundão

Fotografia do Alvará de D. Luiz

Eu o Infante dõ luiz ẽt faço saber a vos juiz vereadores p.dor e / oficiaes da camara da minha vila de Couilhãa que ora sois / e ao diante forẽ que eu sam imformado que os termos desa / vila estam mall demarcados cõ os vezinhos comarquãos e / que em algũas partes estaã deneficados e esto por nõ / serem vizytados cada anño como he rezão e se costuma / fazer ẽ outrª  ‘ partes polo quall vos mando que daquy / em diante em cada hũ anno nos t֮pos em que se soer fazer / vades em pessoa prover todas as demarquaçõis do termo desa / vila cõ as vilas e lugares comarquãos e vejaes se estã como / devẽ e domde devem estar e os fazer hy cõservar ‘ e achando / que estam mall asentados e Repairados do que he  neceSario / ou tirados os marquos donde devã destar ou mudados p.ª / outra parte em prejuizo dos termos desa vila ‘ fareis tudo / tornar a restetuyr Ao ponto e estado em que dantes estavã / p.º quanto sam emformado que se nõ faz como deve o ̆q ey por / mall feito por ser ysto cousa que a vosos carregos m.tº couẽ vigiar / porẽ vos mando que asy o cumpreis Inteiramente sob pena de / cada vez  ̆q em cada hũ  anño se asy nõ fizer pagarẽ os ditos oficiaes trynta cruzados douro ametade p.ª os cativos / e a outra metade pa.ªs obras desa dita villa. I e esto se re/gistará no liv.º da cam.rª dela e mãdo ao stpvã da dita cam.rª / que em cada hũ anno na emtrada delo o provy  ̆q aos juiz / e vereadores e p.dor e ponha a provycacã nas costas deste alvarª / e no liv.º da p̆meira vereação I por  ̆q nõ aleguẽ Inorãcia / e esto sob pena do ap֮vaçã de seu oficio I  esto se guar/dara posto que nõ passe pla chancelarya I luiS glz o fez / ẽ evora a xxiij di de dz.ro de j bc xxxij

a)     Ifn Dõ luiz

(notificação do alvará) Segue:


Foi notifjcado deste all.rª do Iff dõ / luys noso Sõr a n.º matella e Gaspar / da costa .... symão glz vereadores / o p sente ano de j bc Rb p my֮ Lço Nog.rª /  ̆q hora syrvo despvão da cam.rª aos sỹquo djas do mes de JanJº do dito anno de j bc Rb sẽdo psente o L.do p.º gaspar pºp.dor do c.º L.ço nog.ra o espvy.

Mapa actual de estradas (2)

(f. 4) À margem e com outra letra mais recente : “faltão 3 folhas”)
Villa p. a portela Dalvoaça / aguoas vertemtes p a ca e / Dahy direito p. ho cume às / pedras lavradas (3) e das pe/dras lavradas a selada (4) / da teixeira e da hy à cabe/ça do borrj Dufo e da ca/beça Do borrj DuSo p. ho cume / da serra a cabeça de / cebolla e d ay p. ha comyada / abaixo a selada do asno /  a dy dereyto ao ermo da / Rocha frya e di ditto ... a se/llada de vidoal aguoas / vertentes p.ª ho termo da dita / villa Ẑ a afonso annes mora/dor no luguar das Rel/vas termo da dita vila di/se p. ho juram.tº que lhe foy da/do dos avamgelhos que herra / homẽ de sesẽta e quatro ou / quatro ou cinco annos e que herra verda/de que esta demarcacam / que lopo vaz dizia que elle / a sabia limpa hyr e ser / p.ª termo de covilha e que / al nam (f. 4 A) sabia Ẑ bertolameu / piz morador no dito luguar / Das Relvas a quem outro/sy deu o dito Juiz juram.to / Dos avamgelhos e  ̆pgũtou // p ho dito juram.to de que hida/de serria dise que hera verdade / que hera de sessẽta e cym/co annos pouco mais ou / menos  e que coanto herra / ho que sabia das demarcacois / do termo desta vila da parte / da serra que ho sabia asy e / p. a maneyra que ho de/marcou lopo vaz e que / al nõ sabia e sempre / esteve destas demarcaçoes / para dentro por termo de co/vilha Ẑ Joam Ferrj֮  mora/dor no luguar douromdo / t.ª jurada aos avamgelhos / dise que hera homẽ de setem/ta anos pouco mais ou / menos e que sempre sou/be da parte da serra par/tir por estas demarcaçoes / aquy demarcadas e al / nã dise e por certeza disto / asynaram aquy t.ªs que / presẽtes foram (f. 4 B) Joãm afonso / çapateiro e amt.º pĩz e frr.cº / guomez çapateiro morado/res no dito luguar do/romdo e houtros e eu fernã / carvalho escryvão da cama/ra ho escrevy hos quais luguares / aquy decrarados  sam hos mais / cheguados a estas demarca/ções Ẑ mais Joam L.ço mo/rador no luguar das Rel// 

(f. 5) 
vas termo da dita vila a  q֮ / o dito juiz deu juram.to dos avamgelhos e p֮ gũtou p. ho / dito juramẽto de que hy/dade hera dise que hera ho/mẽ de setemta anos e mais / e que sabia esta demarcacam / aquy decrarada per termo de co/vylhã t.ªs as sobreditas / e p̆  v/ dade asynaram aquj to/dos eu fernamcarvalho ho escprvj
   jº + L.ço   Lopo  / vãs    bertola + meu    piz  etc (assinaturas etc)
Antonio Nunez     Nunno Mateus //

(f. 5 v)
E depois disto aos doze dias / do mez de dezembro de m b c / xxx iij anos no luguar de ja/neiro de cima termo de co/vilhã estamdo p̆semtes ho / juiz e hoficiaes da dita vila / atraz decrarados p̆  ho Rio / hir m.to gramde e haver m.ta aguoa e avemdo Respeito / hos ditos hoficiaes como p /emquyricam podiam dimar/car ho dito luguar cõ / pessoas amtiguas da dita / freguesya as mandaram cha/mar p.er partirem cõ houtro / termo e asy mandaram cha/mar certos moradores / de cambas mais fundey/ro luguar do termo da / dita vila e foy dado juram.to / a cada hũ dos santos avam/gelhos que bem e verdadeira/m.te disessem a v/dade e demar/casem p aquela parte / Domde sam moradores o ter/mo da dita vila de covilhã / e asy disesem se hera tomada / algũ termo a dita vila ou / se sabiam haver alguma du/vida no dito termo ou se / mudaram algũs malhões / e cada hũ p̆ si deu seu teste/munho como se ao diamte / segue eu fernam carvalho //

(f. 6)
eScrivão da camara da dita / villa ho escrevi
Ẑ martim Glz  .S. ho moço, morador no porto das vacas . freguesya do dito / luguar jurada aos samtos a/vamgelhos e p̆gũtada p͂  ho que / sabia Da demarcacam da dita / vila dise elle t.ª que hera ydade / ele ser de coarenta e seis ou coarẽ/ta e sete anos e que deS ho dito / t֮po ate ho p͂ sẽte ele sabia que / ho termo de covjlha partia / p͂  homde ele t.ª sabia . S. p.ª / cabeça do baraçal aguoas / vertentes e da hi direito a selada / Do val derradeiro e  da hi direito / a selada do coanhal aguoas ver/temtes e de hy direito a selada do / p͂ tlinho e Dy direito ao penedo / alto aguoas vtemtes e de hy direito a sam domj֮guos e Dy / se vay ao cabo dos penedos / aguoas vtemtes e di direito / as seladas e das seladas / direito sobre as mestas e da/hy se vay direito a selada do / machial e de hy direito a cabe/ça gorda e este testemunho / deu o dito martim glz e berto/lameu joanes morador no / esteiro freguez do dito Janeyro / e p.º anes Do houteiro Do dito / luguar de Janeyro e p͂  v/dade / asynaram e disseram que nã sa/byam houtra cousa sobre has / que lhe foram feitas per hos //

(f. 6 v)
ditos hoficiaes e p.er certeza / diso asynaram aquy todos / fernã carvalho escripvão / da camara ho escrepvi

Pº + anes                           bertola+meu joanes        martim + gil       + Antonyo nunez

Ẑ afonso annes do porto das vacas / e martim glž do dito luguar / disseram p̆er ho juram.to dos avam/gelhos que podiam ser homẽs / de noventa anos pouco / mais ou menos e que deS / ho dito tp̆o a esta parte que sa/bjam esta demarcacam atraz / decrarada partir o termo / de covilhã per ella e que nã / tem tomado nhũ termo a dita / vila p. as demarcaçoes atras / decraradas e p͂  v/dade asyna/ram aqui eu fernã carvalho ho escrevy
   
  aº + anes     martim + glz
                        ho velho
antonio
nunez                          nunno
                                   mateuz

(f. 7)
Ẑ aos catroze dias do mês de deZembro / de mil e quinhẽtos e trymta e trez / anos p͂ sẽte g.º paiz de Castelo bram/co vereador e Juiz p.or ha hordenacã / Em a vila de covylha e nunno ma/tella e antº nunez vereadores / e fernã Dafoñs procurador do c.º no / luguar de janeyro de cima ter/mo da dita vila pareceo apena (?) / Do joam frž Do brejo Da fre/guesia de Janeiro e p̆  ho jura/mẽto dos samtos avamgelhos que / lhe foram dados psemte mj֮ spvão / que disese a v/dade Do que soubese por / honde partia ho termo Da dita vila / Dise que a dirya do que soubese e / Ẑ pgũtado p ho dito juram.to da hidade / que hera dise elle t.ª que podia ser / p̆  ho juram.to que Recebera de hida/de sesẽta e sete anos pouco mais / ou menos e que se acordava do tp̆o/ que djto he a esta parte partir ho termo / Da dita vila da parte que elles / viam .S. p.ªs as presas de seiras e / Da hy a portella da voaça e da / hy as pedras lavradas e das pe/dras lavradas a cabeco do corrj/doro e do dito cabeço direito / p ho cume da serra a cabeca de cabolla e dahy dy.to a sellada / do asno e da dita selada direyto / a cabeça da Rocha frya e / Da dita cabeca a selada do val / derradeiro que se diz tãbeem do vidual // 

(f. 7v)
e da hy pramtado do cume a selada / do p͂ telinho e dahi direyto prantado / do cume do baroco ate a ribeyra e da ribeyra p͂  ho penedo da toa / ate ho ermo do val da cal e de hy / p.ªs as seladas aguoas vtemtes p.ª / demtro dambas as partes e da / hy p ho cume do barroco dos mo/roucos ate as comadynhas e dahy / a selada Do machial e de hy e .... / ... p͂  ho cume ate cabeca guor/da aguoas vertemtes pª  ambas / as bamdas e dahy se vay direito / ao cabeço que está sobre a sera Darca e que hera a v/dade que do ter/mo da dita vila nã hera tomado / destas devisoes p.ª demtro cousa / algũa e ysto dizia por ho dito juram.to / que recebera ser v/dade e asynou / mais eu fernã carvalho escrivão da camara ho escrevi

jº + Frz de brito
                            antonyo                                                  Amtonio
                             nunez                                                     matela

(f. 8)
Rouco cãbas
Ẑ bertolameu mĩz morador no Rouco / freguesia de cambas que dise p ho / juram.to que lhe fora dado que hera / v/dade que elle podia ser homẽ de / setemta anos pouco mais ou me/nos  e que do dito tp͂o a esta parte / sabia que ho termo da vylla de covy/lhã parte .S. que parte p͂  a cabeça / do val darca p͂  quãto p.ª a serra / cõtra a villa lhe nã pregũtavam / e do dito cabeço ha selada da / arca aguoas vertentes p ho cu/me e dahy direyto p hũa lom/ba abaixo a casa que foy de L.ço / pĩz a qual esta no cume da lom/ba e dahy direito a lomba a fũdo / no zezere aguoas vtemtes e do dito / Rio direito p ho val d’albotoreyra / acima e de hy direyto a foz do Val / dalvaro e do val dalvaro direi/to a sellada do val dalvaro e da / hy direito aguoas vtemtes ha ca/beca do seixo e dahy direyto aguo/as v/temtes a cabeça da laguoa / e da cabeça da laguoa direito / a seysynheira e dahy p a aldea do Roqueiro .S. p͂  ho meo da Rua aguo/as v/temtes p.ª ca e da hi direy/to a serra a cima p. ho meo do cume / direyto as vinhas do estreito aguoas / v/temtes e dahy ao cabeço do / Cafredo e dahy p͂  ho cume da / serra a cyma a portela das car/nadas tudo aguoas vertemtes e isto dise p͂  ho juram.to que tomou sa/ber e houtro tamto dise estevẽ a//

(f. 8v)
nes morador no Roqueiro fre/guesya de cambas que hera / homẽ de cimcoenta annos pou/co mais ou menos e que sabia / ser destas demarcações aqui de/craradas p.ª demtro ser termo / de covilhã e que destas divisoes / p.ª fora lhe nõ tomavam nada / nẽ mudavam as ditas demar/cações donde sempre foram e / Ẑ j.º luis de cambas juiz do dito / luguar de cambas termo de / covilhã dise que p͂ ho juram͂to q͂  recebera que sabia que ho ter/mo da dita vila partia p. estas / demarcações aqui decraradas / e que não hera tomado nhũ termo / da dita vila de vimte a sete anos / a esta parte de que se elle acorda / Ẑ p.º alvres da povoa freguesi/a de cambas que dise ser / de hidade de trymta e cimco a/nos dise que do dito t֮po a esta / parte sabia o termo da dita vy/lla p estas demarcações aquy / decraradas p hos moradores / da dita freguesya e que des / ho dito t ͂po a esta parte nã tim/ham tomado nhũ termo a dita / vyla p.or estas demarcacoes e p.º palavra só cada hasy dizerem e ho saberem / p ho juram.to que lhe foy dado / todos quatro asynaram a/quy eu fernam carvalho //

(f. 9)
esc̆pvão da camara ho esc͂pvi /
           bertolameu + mȋz        pº + alvrez       jº + luis           Estevam + anes
     antonyo                                           nunno
     nunez                                              matela

Ẑ fernãdeanes e alvºanes e jo/am eanes moradores no lu/guar Do horvalho termo de / covjlhãa a que ho dito juiz deu / juram̆to dos Samtos avam/gelhos que bem e verdadeira.mte / disesem a v/dade diseram que / ha diriam pgũtados p ho dito / juram.to de que hidade podiam / ser dise fernã deanes que hera / de corẽta e hoito anos e alvº / anes dyse que que (sic) hera de trym/ta e cimco anos e joam / eanes dise que serya de XXIX / anos e que camto hera ha / demarcacam que elles / sabiam domde hacabaram / hos moradores de cambas / p.ª diamte he nam p. estas / divisoes aquj decraradas / Ẑ se começa na portela dos / bolcairos homde hos ditos  mo/radores de cambas aca// 

(f. 9v) 
baram e dahy direito ao car/valhal das cubas por ho / cume a cima aguoas v/temtes / direyto a sellada da molher e / Dahy p ho cume da serra acima / a sellada do carvalhal / de payo p. ho cume aguoas / x/temtes e dahy a cabeça / p. ho cume a cabeca dazivereira / e da dita cabeça p.er o cume / a selada da palavrada e destas / demarcações p.ª demtro sabem / que todo he termo de covilha e que / p.ª fora destas demarcações / se nã toma nhũ termo Do t ͂ po / que se eles acordam a esta / parte e p̆  v/dade asynaram a/quj Eu fernã carvalho escripvão / da camara ho escrevy.
    alvº + annes     fernã + deanes
                                                       Jº + eanes
    antonyo                     nunno
    nunez                        matela

(f. 10)
Sylvares

aos dezaseis dias do mês de dizẽ/bro de mjl e quinhẽtos e trim/ta e tres anos Em ho luguar / de SilvareS termo da vy/la de covjlhã estamdo cõ / ele G.º pai֮z de Castelbram/co vreador e juiz p.º ha hor/denacam em a dita vila / e amtº nunez e nuno ma/tella vreadores e fernã da/fõm p֮curador do cõ por elles foy mãdado vjr p֮ amte sy jo/am piz de boguas de cima / freguesya do dito luguar / asy veo domj֮guos ho m.º sol/teyro f.º de jorge alvrez da ma/lhada velha e lhe foy dado ju/ram.to dos samtos avamgelhos / que bem e v/dadeiram.te disesem / a v/dade p֮  morarem a par do / termo .S. na beirada delle / que decrarasem por homde o sabyam / que partia o termo da dita / villa p ho limite do dito lu/guar ou se lhe tomavam al/gũ termo a dita vila dise ho / dito Joam pȋz que hera homẽ / de setemta e cimquo anos e que p̆  homde sabe quãto hera a demarcacam da dita vila / cõ quem partia e p honde da parte da dita freguesya // 

(f. 10 v) partia . S. cõ sam V.te da beyra / Ẑ se começa na portella da / palavrada e dahy p̆  ho cu/me da serra a portella da / moreyra na metade do cu/me e daly p̆  ho dito cume / do cimo do val das fi/gueyras aguoas v/temtes / de hũa bamda p.ª ha houtra / e da hy se vay p̆  ho cume da portella de Sam V.te e al nã dise.
Z֮ p֮ gũtado ho dito domj֮guos / p̆  ho dito juram.to dise que / hera v/dade que elle sabia / que o termo da dita vy/lla partia por estas demar/cacões que aquy decra/rou j.º pȋz p.º quãto am/dava e cõquistava todos / hos dias p̆  has ditas demarcações p.er viver seu / pay a par dellas e p̆  elle ser / pastor e dise p ho dito jura/m.to que podia ser de vimte e / cimco anos e al nã dise / e p.ºr  v/dade asynaram aquy / Eu fernã Carvalho escrevam da camara ho escrevy
      domy + guos              jº  + pȋz

      antonyo                           nunno
       nunez                             matela

(f. 11)
e / mãdarãm que viesse / a villa jorg alvrez / da malhada velha / nas hoytavas do natal
(Continua)

Nota dos editores: 1)
https://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.com/2011/12/covilha-o-alfoz-ou-o-termo-desde-o.html
2) Pode encontrar no mapa alguns lugares referidos no texto.
3) A estrada nacional 230 é conhecida por estrada das Pedras Lavradas.
4)Selada, segundo o "Grande Dicionário da Língua Portuguesa", significa depressão na lombada de um monte: cavidade oblonga numa montanha.

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sábado, 1 de dezembro de 2018

Covilhã - Pedro Álvares Cabral e Belmonte IX

    Em 1968 na Casa das Beiras do Rio de Janeiro, nas comemorações do quinto Centenário do nascimento de Pedro Álvares Cabral, Luiz Fernando Carvalho Dias proferiu uma conferência sobre o descobridor do Brasil e a ligação deste e a dos seus ancestrais com a vila de Belmonte, terra da sua naturalidade.

O investigador Luiz Fernando Carvalho Dias
quando proferia a sua conferência.

     Antes já tivera uma polémica, publicada no Jornal do Fundão a partir de 16 de Junho de 1963, com o autor de um livro intitulado “Pedro Álvares Cabral - Belmonte ou S. Cosmado?”, que pretendia contestar Belmonte, como pátria de Cabral, substituindo-a por S. Cosmado, do concelho de Mangualde.

     Hoje apresentamos alguns documentos que o investigador usou para fundamentar as suas conclusões, em especial a ideia de que os Cabrais viviam em Belmonte, muito antes do nascimento de Pedro Álvares Cabral.

Estátua de Pedro Álvares Cabral em Belmonte

            Pedro Álvares Cabral, descobridor do Brasil, filho de Fernão Cabral, como refere, entre outros, o ilustre Barros na 1ª Década da Índia, levou consigo, dos seus maiores, à bela terra da Vera Cruz a fidelidade da sua Raça, personificada na Grão liberdade dos alcaides mores do Castelo de Belmonte, na isenção de prestar menagem.
          Singular privilégio esse, de nossos Reis confiarem aos Cabrais, sem garantia, uma das mais importantes fortalezas da Beira, chave defensiva do Vale do Zêzere e bastião duma linha de outras nobres fortalezas, carregadas de história, que desciam da Guarda por Sortelha à Covilhã e do Sabugal a Penamacor, Penha Garcia, Salvaterra e Segura, e do Rosmaninhal até ao Tejo!
          Em Portugal só a Casa de Marialva gozava de idêntico privilégio e exclusivo aos castelos de Numão e de Penedono.
          Tratava-se assim de um privilégio familiar e privilégio tão excelente cuja génese merece honrosa evocação nos factos centenários de quem o honrou nas horas altas e sobretudo nas horas aziagas. Sem documento coevo donde conste a isenção, ao contrário do que sucede com os Marialvas cuja carta régia de concessão ainda hoje existe, presumimos que este privilégio tenha advindo aos Cabrais da fidelidade de Álvaro Gil, alcaide - primeiro da Covilhã e depois da Guarda, no tempo de D. Fernando e depois no interregno - honrado escudeiro da Crónica de Fernão Lopes que, contra todos os fidalgos da cidade aliciados pelo bispo D. Afonso Correia, se recusou a entregar a fortaleza a D. João de Castela, marido da princesa Beatriz e genro da “ flor d’ altura “.
        Sabemos, contudo, ter sido Fernão Cabral, pai de Pedro Álvares, o primeiro Cabral a invocá-lo. Este, desde 1449 presidia à alcaidaria mor de Belmonte e o Rei quando lhe a doou de juro e herdade em 1464, autenticou nessa fonte não só serviços dele, mas os de seu pai e de seu avô, o que permite concluir que tal privilégio viesse na herança de Álvaro Gil e se instituísse depois em Belmonte com o bisavô de Pedro Álvares, ou seja com Luiz Álvares Cabral.
          Como serviram os Cabrais o princípio da fidelidade e quais as ligações desta nobre estirpe com a província da Beira? Eis o escopo do meu estudo, atentos os laços que ligam o Descobridor do Brasil à pequena pátria de todos nós, a Província da Beira, que Gil Vicente mais tarde escolheria para representar a fama lusitana.
          Álvaro Gil Cabral, (trisavô de Pedro Álvares Cabralda família do Bispo da Guarda D. Gil, morreu em Coimbra em 1385, a seguir às Cortes de aclamação de D. João I, nas vésperas de Aljubarrota. Os seus bens transferiram-se logo para seu filho Luiz Álvares em Outubro desse ano, como consta da carta régia que confirmou tal doação. Mas de tais bens não constava a alcaidaria de Belmonte nem a da Guarda.
          Luiz Álvares só veio a radicar-se em Belmonte cerca de 1401 (Era de 1439) para receber a administração do morgadio de Maria Gil, constituído por bens na Covilhã e em Belmonte, anteriormente doados por El Rei D. Pedro ao referido D. Gil, mas só foi alcaide de Belmonte depois de ter cessado, por escambo, o domínio da mitra de Coimbra naquela vila e ainda o senhorio de Martim Vasques da Cunha ao ausentar-se para Castela em fins do século XIV.
          Luiz Álvares Cabral esteve na Tomada de Ceuta em 1415, como assevera Zurara; foi vedor do Infante D. Henrique e possuiu ainda Valhelhas, Manteigas, Vila Chã de Tavares e alguns bens em Azurara da Beira. Consta de um documento, ainda inédito do arquivo da Câmara de Manteigas, que tinha casas em Belmonte  antes de ser alcaide-mor do Castelo.


Castelo de Belmonte
Fotografia de Miguel Nuno Peixoto de Carvalho Dias

             Faleceu entre 11 de Agosto de 1419 e 31 de Julho de 1421.
        Está documentada a sua residência em Belmonte em 1405, 1408, 1411 e 1419." Vejamos:

23/3/1405 – Recibo notarial passado por Luís Alvares Cabral, vassalo d’el Rei de 7.500 libras da moeda corrente à Câmara de Manteigas do ano de 1405. Em Belmonte “no Castelo”. (1)

Em 10/7/1408 – Recibo notarial, passado em Belmonte “a par de as casas de Luis Alvares Cabral”, por Pero Vasques, seu procurador à Camara de Manteigas, de 7500 libras desta moeda que era de três libras e meo real, da colheita que a referida Camara havia de pagar ao dito Luís Alvares Cabral por dia de S. João. Feita por Gonçalo Martins, tabelião regio em Belmonte. (1)

27/6/1411 – Recibo notarial passado em Belmonte por procurador de Luis Alvares Cabral de 7500 libras de três e meio real, à Camara de Manteigas da colheita que lhe havia de pagar a el-rei e este fez mercê ao dito Cabral por carta. Feita por Gonçalo Anes, tabelião régio em Belmonte. (1)

11/8/1419 – Recibo notarial, passado a Luís Alvares Cabral, em Belmonte, à Camara de Manteigas, da colheita que o dito concelho em cada um ano pagam a el-rei de 37.500 libras. (1)

          "Fernão Álvares Cabral, seu filho, herdou os bens de seu pai em 1421, mas de tais bens já não constava a Vila de Valhelhas, vendida anteriormente, com consentimento do Rei, a outro ascendente de Pedro Álvares Cabral, o nobre Fernão Álvares de Queiroz.  
          Conservamos notícias de Fernão d’ Álvares Cabral desde 1415, pois dirigindo-se para Ceuta houve de desembarcar por ser atacado de peste. Esteve em Ceuta seis anos onde combateu. Guarda-mor do Infante D. Henrique, casou com D. Teresa Novais de Andrade ou Freire de Andrade, viúva de Estevam Soares de Melo. Discutiu em 1430 com Rui de Melo e outros cunhados de sua mulher, os direitos à quinta de Melo, nessa Vila e compôs-se com eles, por imposição do Infante, no Castelo de Pombal. O seu esforço e lealdade foi tamanho que morreu no cerco de Tânger em 1437, sacrificando a vida para salvar a do Infante D. Henrique, seu senhor.
          Desde os tempos de Maria Gil que existia na Igreja de S. Tiago de Belmonte a Capela da Senhora da Piedade, com uma impressionante imagem dos fins do século XIV, talhada em granito e policromada.


Interior da Igreja de S. Tiago
Fotografia de Miguel Nuno Peixoto de Carvalho Dias

         Depois de 1437 essa capela, cuja forma desconhecemos, cedeu o lugar a uma capela gótica, cujos capitéis trabalhados invocam episódios da vida de Fernão d’ Álvares Cabral. Daí concluímos que a arca tumular junta, guarda a sua nobre ossada, decerto trazida de Tânger, para consolação da viúva e dos filhos e homenagem póstuma ou do Rei ou do Infante D. Henrique.
        De Fernão Álvares Cabral guarda Belmonte este impressionante monumento que decerto sagraria indelevelmente para os combates da honra e da Pátria a mocidade de Pedro Álvares como o mais belo feito da fidelidade Cabralina.


Nossa Senhora da Esperança e os símbolos dos Cabrais
Fotografia de Miguel Nuno Peixoto de Carvalho Dias

Uma procuração de Fernão Álvares Cabral, passada em Gouveia por Gil Fernandes, tabelião por El-Rei e a doação régia de Moimenta da Serra e algumas referências à sua estadia em Viseu, concluem o seu rasto ainda visível na nossa província":

31/7/1421 – Recibo notarial, passado em Moimenta, termo de Gouveia, por João Pires, como procurador de Fernão Alvares “Cabralla” de 150 libras, pagas pela Camara de Manteigas, da colheita de 1421. Feito por Gil Fernandes, tabelião de el-rei em Gouveia. (1)

          "Fernão Cabral, filho deste Fernão d’ Álvares Cabral, foi o pai do achador das terras de Vera Cruz. Ainda era menor quando ficou órfão, em 1437; da sua meninice e juventude restam vários documentos de sua mãe, outorgando como sua representante legal. Lembrarei dentre eles um instrumento notarial, outorgado em Viseu, nos paços de D. Tereza de Andrade “ em 7 de Julho de 1441 “ e outro do mesmo ano, a 8 de Agosto, no Castelo da Menagem de Belmonte”:

 7/7/1441 – Recibo notarial, passado na cidade de Viseu “nos paços de D. Teresa de Andrade”, pela própria, de 3.000 reais brancos, da colheita que o concelho de Manteigas paga anualmente a seu filho Fernão Cabral, menor, sob o seu poder e administração, e lhe foram entregues por João do Prado, procurador da dita Camara, e residente em Moimenta. Testemunhas Alvaro Fernandes, escudeiro do Infante D. Henrique. Tabelião João Lourenço. (1)

Ano de 1441 - Tereza Andrade, viúva de Fernão A. Cabral passa um recibo de quitação da colheita do ano 1440-1441.
Foram testemunhas Afonso Vasques e Nuno Martins. Este documento foi feito e outorgado no castelo de “menagem” de Belmonte, (de) onde as testemunhas eram moradoras. E eu Pedro Afonso tabelião em a dita vila pelo Infante D. Henrique 8 de Agosto de 1441. (1)

          "Fernão Cabral presumimos que tivesse nascido cerca de 1429; a primeira doação real em que lhe são confirmados bens da coroa vem de 1449, e nela surge já como fidalgo d’El Rei e criado do Infante D. Henrique, se bem que esta doação pressupusesse, com 20 anos, uma emancipação que não chegou até nós. A maioridade atingia-se aos 25 anos nos termos das Ordenações Afonsinas, mas o rei, após os 20 anos, podia concedê-la.
          A doação respeita a Zurara da Beira, e a Moimenta da Serra, do concelho de Gouveia.
          Em 1450, Fernão Cabral quita a Câmara de Manteigas de várias colheitas; conhecemos o recibo exarado em Gouveia a 21 de Novembro desse ano":

21/11/1450 – Recibo notarial, passado na aldeia de Moimenta, termo de Gouveia, por Fernão Cabral, à Camara de Manteigas, de 3.000 reais brancos de 10 pretos o real, da colheita que a dita Camara é obrigada a pagar anualmente, em dia de S. João, relativos ao ano de 1450. Tabelião público pelo Infante D. Henrique em Gouveia, Gil Domingues. (1)

         " A biografia de Fernão Cabral apresenta um vivo interesse para fixar a data do nascimento de Pedro Álvares Cabral, o lugar do seu nascimento, e os quadros em que se modelou a sua educação e personalidade, e ainda para estudar a evolução do privilégio da escusa de menagem. Por isso vamos desenvolvê-la. A confirmação régia, já referida, de 1449 reconhece a Fernão Cabral os serviços dos seus ascendentes, mas o Rei acrescenta que também os espera dele.

          Portanto, nesta data, Fernão Cabral não tinha prestado ainda serviços ao Rei, embora se possa admitir os tivesse prestado ao Infante D. Henrique, seu senhor, a quem cumpria premiá-los.
          Em 1462, na doação da Igreja de S. Gião de Azurara, hoje Mangualde, já o Rei se refere aos serviços de Fernão Cabral.
          Onde e quais foram esses serviços? Fernão Cabral teria nesta data, pelos nossos cálculos cerca de 33 anos. Os serviços em África a que se refere um documento posterior teriam decerto decorrido entre 1449 a 1462.
       Em 1454, a filha de João de Gouveia e de Leonor Gonçalves desfizera umas núpcias adiantadas com um fidalgo transmontano, chamado Vasco Fernandes de Sampaio.
      Os Gouveias eram beirões de Castelo Rodrigo mas tinham propriedades e jurisdição nas imediações de Belmonte, em Valhelhas, hoje concelho da Guarda, e no concelho da Covilhã. Fiéis à Pátria em 1385; soldados d’ África no século XV, esforçados e valentes, do melhor que a Beira mandou aos cercos de Tânger e às campanhas de Afonso V, foram depois no século XVI professores e intelectuais de renome desde o ortodoxo Diogo de Gouveia, o velho, filho de um beirão emigrado para Beja, até aos inquietos e heterodoxos António e Marcial. Primo de Pedro Álvares Cabral, que admira o interesse de Diogo de Gouveia Sénior pelas missões do Brasil ?
          Desconhecemos onde casaram Fernão Cabral e D. Isabel de Gouveia, mas decerto em Castelo Rodrigo.
          O grosso das doações régias a Fernão Cabral, é de crer coincidisse com o matrimónio.
          Um instrumento de partilhas entre o irmão mais velho de Isabel de Gouveia e esta e seu marido, datado da quinta do Fogo, em Castelo Rodrigo, em 1464, declara que Fernão e Isabel eram casados e que esse casamento fora feito ainda em vida de João de Gouveia.
          Como as confirmações das doações régias a Vasco Fernandes de Gouveia são de 1465, é de crer que o decesso do alcaide de Castelo Rodrigo não fosse além de 1463.
          Por isso admitimos que o casamento dos pais de Pedro Álvares Cabral se tivesse realizado em 1462.
          Deste casamento nasceram seis filhos.
          O primeiro foi João Fernandes Cabral, alcaide-mor de Belmonte e Senhor de Azurara por carta régia de 1496. Foi casado com D. Joana de Castro, filha de D. Rodrigo de Castro (alcaide da Covilhã).
           O segundo foi Pedro Álvares Cabral, descobridor do Brasil." Casado com D. Isabel de Castro.


Dom Manoell ecc. A quamtos esta nosa carta virem fazemos saber que avemdo nos Respeito aos muitos serviços que temos Recebjdo de p.º dallvz cabrall que deus perdoe e queremdo por elo fazer graça e merce a dona Isabell de castro sua molher temos por bem e nos praz que des o primeiro dja de janeiro que ora vem da era de mil e quinhemtos e hum (sic) em diamte ela tenha e aja de nos de tença trinta mill rs. cada anno em quamto nosa merçê for e porem mandamos aos vedores de nosa fazemda que lhos façam asemto em os nosos livros della e dar carta delles em cada hum anno e mando lhe sejam bem paguos e por lembrança delo lhe mandamos dar este padrão por nos asynado e asselado do noso selo pendemte dada em evora a tres dias do mês de novembro Jorge frz a fez de j bc xx. (2)

        " O terceiro Vasco Fernandes Cabral.
         O quarto Luiz Álvares Cabral.
    O quinto D. Violante de Gouveia, casada com Luiz da Cunha, de Santar, vulgarmente confundida com a sua homónima e parente D. Violante Cabral, abadessa de Odivelas, a inspiradora do auto da Cananeia de Gil Vicente.
        O sexto D. Beatriz, casada com D. Pedro de Noronha, filho natural do Marquês de Vila Real.
          Admitindo que o casamento dos pais de Cabral se tivesse realizado em 1462 e que o primeiro filho nascesse em 1463 e que todos os anos D. Isabel desse um filho a Fernão Cabral, teríamos de aceitar o nascimento de D. Beatriz, a última filha do casal em 1468.
          Ora sabemos por documento outorgado pelo seu marido D. Pedro de Noronha que ele e D. Beatriz ainda casaram em vida de D. Isabel de Gouveia, porque Fernão Cabral e a esposa lhes fizeram em dote a Malpartida, perto de Castelo Rodrigo.


Túmulo de Fernão Cabral e Isabel de Gouveia
Fotografia de Miguel Nuno Peixoto de Carvalho Dias
          Se D. Isabel de Gouveia morreu em 1483, a filha mais nova teria de casar com 15 anos.
          Assim, ao abordar as terras de Santa Cruz o segundo filho do casal, Pedro Álvares, nessa data, ultrapassaria bem os 33 anos que vulgarmente lhe têm sido atribuídos. " 
(Continua)
Fontes - 1) Arquivo da Câmara de Manteigas
2)Chancelaria de D. Manuel, Livro 39, fls. 60

As Publicações do Blogue:

Estatística baseada na lista dos sentenciados na Inquisição publicada neste blogue:

As Publicações sobre Pedro Álvares Cabral e Belmonte:
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