sexta-feira, 1 de junho de 2018

Covilhã - Cartas Régias relacionadas com Povoações e Locais do seu Termo V

Cartas Régias de doação, confirmação, aforamento, escambo ou jurisdição relacionadas com povoações e locais do termo da Covilhã 

  O espólio de Luiz Fernando Carvalho Dias continua a ser um manancial de conhecimento. Estas cartas sugerem-nos o poder régio no termo da Covilhã e recordam-nos terras ou lugares que ainda hoje permanecem com os mesmos nomes. Sentimos necessidade de fazer ligação a muito do que já publicámos sobre o termo, os tombos ou a onomástica. Relembramos ainda o que apresentámos em Notícias Soltas XI e XII sobre o Dominguiso.(a)

Primitivamente o concelho da Covilhã alargava-se do Côa até ao Tejo: esta era a estrutura geral da carta de foral de D. Sancho I. Com a colonização interna, com a fundação e reedificação de aldeias e vilas, com o arroteamento das terras, as primitivas grandes áreas incultas cederam à indústria do homem. Pela sua vastidão, pela sua posição geográfica - o concelho da Covilhã foi uma espécie de alfobre de novos concelhos, ou então sofreu decepações várias para se alargarem e formarem concelhos cujas sedes se encontravam fora dos seus limites. Entre os primeiros citaremos S. Vicente, Castelo Novo, Ródão, Castelo Branco, Oleiros, Sortelha, etc.; e entre os segundos Penamacor. Todas estas modificações nas fronteiras e no interior dos concelhos se deram nos primeiros reinados - por isso aí devemos ir buscar as fontes curiosíssimas das lutas entre os concelhos que se formavam de novo e os concelhos velhos de que aqueles se desagregavam…” (b)

Mapa de Portugal e os limites prováveis do Alfoz
 da Covilhã ao tempo do Foral de D. Sancho I (c)

Distrito de Castelo Branco com os respectivos concelhos

Concelho da Covilhã


Concelho do Fundão
Para observar vários lugares que têm sido referidos.

I


Carta de fforo duu herdamento que he na carvalha termho de Couilhãa (d)


Dom Afonso pela graça de Deus rei de Portugal e do algarve. A quantos esta carta uyrê faço saber que eu dou e outorgo aforo pera senpre a steuam dominguez dicto beirãao e a pascuela estevez sa molher do carualhal termho de Couilhãa e a todos seus suscessores o meu herdamento que eu ei no carualhal na ribeira de meimoa do termho de couilhãa como parte com a ordj dauis e com o erdamento que foi de Steuam cauaco desi pola agua de meimoa per tal prei(to) e so tal condiçõ que eles dê a mj e a todos meus suscessores ê cada huu ano tres teigas de trigo linpho pola medida de couilhãa por dia de sam migel de Setembro por que foi apregoado assi como e de custume e nõ foi achado quem por el mais desse ca os sobre dictos e eles e todos seus suscessores deuê de laurar e profeitar o dicto herdamento e fazerê ê ele quãta bêfectoria pederê fazer. E eles nõ devê dar nê dõar nê uender nem apenhorar nem scanbhar nem alhear o dicto herdamento a Caualo (sic) nem a Dona nem a escudeiro nem a creligo nem a ordj nem a Relegioso senõ aa taes pessoas que seiã da condiçõ dos sobredictos que bem e compridamente den a mj e a todos meus suscessores os meus foros e direitos como dicto he. En testemunho desto dei aos sobredictos Steuam dominguiz e sa molher esta carta. Data en lixboa noue dias de Novembro El Rey o mãdou per Lourenço gomez seus uassalo Airas fernãdiz a fez Era Mº CCCª Lxx Anos. Lourenço gomez aujo. (Era de 1370 – Ano de 1332) (I)

II

Torre de Centum Cellas (Colmeal da Torre, Belmonte)

Carta de duu quinhõ Colmeal que e eno Paredeeyro

Dom Denis pela graça de Deus Rey de Portugal e do Algarve. A quantos esta carta vyrê faço saber que Eu dou e outorgo aforo pera todo sempre a Rodrigo affonso e a todos seus successores o quinhõ que Eu ey no paredeeyro do Colmeal aldeya de Couilhãa o qual eu ouuy per razõ de Johã saluadoriz que foy aleyuoso. Conuê a saber o quinhõ do Paradeeyro que foy Torre. En testemoyo da qual cousa dey a ele esta carta. Dãte ê Coymbra ix dias dabril El Rey o mãdou por Pero affonso Rybeyro. Pero eanes a fez Era Mª CCCª xx ixª. (Era de 1329 – Ano de 1291) (I)


III

Castelo de Belmonte

“Notícias que participou o academico Martinho de Mendonça digo Francisco Xavier de Paiva em carta de 29 de Maio de 1721 de que achou na vila de Valhelhas:
“Treslado de uma carta del Rei D. Diniz a Pº estevez seu almoxarife na Guarda que mandava a Belmonte, e faça expedir as apelações daquela vila para Covilhã de que consta que Covilhã tinha por termo Belmonte a qual lhe fazia jurdiçom hindo com eles em hoste guardando sa sina e apelando para eles e deles para el Rei e assi foi dela pobra da terra e ora nem dão as apelações dizendo que defendem o Bispo e cabido de Coimbra.”

IV
Priuillegios dos coutos do bispo e cabydo de cojmbra

Dom pedro pella graça de deus Rey de portugal e do algarue a todallas justiças dos meus regnos que esta carta virdes saude sabede que dom lourenço bispo de cojmbra me disse por sy e por o cabydo da see da dicta cidade que elles hã e tragẽ no couto de belmonte uilla do bispo toda a jurdiçom assy ciuel como crimjnal e que o concelho da dicta uilla enlegẽ seus Jujzes em cada hũu anno.
E que esse enlegidos vãa jurar ao bispo e confirma os por juizes E esses juizes ouuẽ todollos fectos ciuees e crimjnaaes e fazem justiça E que se apellam delles que apellã pera o dicto bispo.
E do bispo pera mĵ E que o dicto bispo poee hi tabeliom / Jtem que tragẽ ẽ sam romão a jurdiçam ciuel e criminal e outrossy no couto de sam Romaaõ pella guisa que a tragem no dito couto de belmõte ujlla do bispo Jtem que essa meesma jurdiçom tragem em ualazim e em ujllacoua e em sam sauastiaaõ Jtẽ em auçõ que tragem esta mesma jurdiçom sobredicta e em na uilla daucõ.
E demais poeey hi o dicto bispo alcaide por ssy Jtem que tragem em mjdõoes e em candeosa toda a dicta jurdiçõ ciuel e crimjnal e toda a outra sobre dicta no primeiro couto contheudo.
E que outrossy essa meesma jurdiçom tragem em nogueyra e em lourosa e em na ujlla de coia. Jtem que essa meesma jurdiçom tragem em no o couto della saluo que os tabaliaães que hi ha som postos per mĵ. Jtem que tragem no couto de sam christouam da hermjda e em sancto comba doom a dicta jurdiçom ciuel e crimjnal e toda a outra saluo que os tabaliaães som postos per mj. Jtem que tragem em no couto da vacariça a jurdiçom ciuel. E quãto os fectos crimjnaaes que os ouuem em cojmbra.
E os tabaliaães do dicto couto som postos per mĵ. Jtem que esta meesma jurdiçõ ciuel tragem no couto de barrcõ (?) e que os fectos crimjnaaez que os ouuem em uouga. Jtẽ que esta mesma jurdiçã çiuel tragẽ em paredes e que os fectos criminaaes os ouuẽ e desẽbargã ẽ cojmbra. Jtem que tragẽ no logo que chamã esta meesma jurdiçom ciuel Jtem que tragem em ujlla noua dos moçarros a jurdiçom ciuel E que os fectos crimjnaaes que os ouuem e desembargam em cojmbra Jtem que tragem em casal coõba esta meesma jurdiçom ciuel.
E que os fectos crimjnaaes que os ouçam e liurem em cojmbra Jtem que esta meesma jurdiçom ciuel tragem em ujlla noua doutil.
E que os fectos crimjnaaes que os ouuem e desembargam em cojmbra Jtem tragem em no couto de lauaãos termo de monte moor o uelho toda a jurdiçom ciuel Item que tragem no couto borouões toda a jurdiçom ciuel como em cada hũu dos outros lugares Jtem que tragem no couto de reuelles juiz que ouue todollos fectos ciuees Jtem que tragẽ na aldea de rezeda a jurdiçom ciuel.
E que os fectos crimjnaaes que os ouuem ẽ monte moor o uelho Jtem que tragem ẽ sam martinho toda a jurdiçom ciuel Jtem que em ho couto de ual de canos esta medes jurdiçom ciuel E dizem que alguas de uos (sic) justiças lhes hides contra as dictas jurdiçõees e lhes deuasades os dictos coutos.
E pedirõ me sobrello mercee.
E eu veendo o que me pediam e querendo lhe fazer graça e mercee vistos priuillegios e cartas del rrey dom afomso meu padre a que deus perdoe e dos outros reis que ante el forom que me por esta razam mostrou.
E vista hũa jnquiriçom que hi foy filhada per mjnha enformaçam Tenho por bem e mando que elles tragam no dicto couto de belmonte ujlla do bispo toda a dicta jurdiçom ciuel e crimjnal.
Outrossy a dicta enliçõ e confirmaçom dos juizes e toda a outra jurdiçom sobredicta que diziam que hi tragiam Jtem mando que tragam no couto sobredicto de sam Romaaõ a qual jurdiçom sobredicta que diziam que em el tragiam Jtem mando que tragam em ualazim e em vjlla coua e em sam sauaschaão e em ujlla dauõor (sic) e em mjdoões e em candosa e em nogueira e em ujlla de coia toda a jurdiçom ciuel e crimjnal e toda a outra que diziam suso que em os dictos coutos tragiam Jtem mando que tragam no couto do moesteiro e de sam christouam da hermjda e de sancta comba daão a jurdiçom crimjnal e ciuel e toda a outra que diziam que tragiam nos dictos coutos pella guisa que ho dicto he.
Jtem mando que no dicto couto da uacariça tragam a jurdiçom ciuel e nom mais.
E que os fectos crimjnaaes que os ouçam e liurem em cojmbra Item mando que no couto dagujm tragam a jurdiçom ciuel e nom mais Item mando que no couto de ujlla noua de maçarros tragam a jurdiçom ciuel e que os fectos crimjnaaes que os ouçam em cojmbra Jtem mando que em casal conba tragam a jurdiçom ciuel e que os fectos crimjnaaes que os ouçam e liurẽ em cojmbra.
Jtem mando que em uilla noua doutil que tragam a jurdiçom ciuel e os fectos crimjnaaes que os ouçam e liurẽ em cojmbra Jtem mando que no couto de lavaães termo de monte moor o uelho tragam jurdiçom ciuel Jtem mando que tragam em o couto de barrouẽes a jurdiçõ ciuel como em cada hũu dos outros lugares Jtem mando que tragam no couto de reuelles Juiz que ouça os fectos ciuees Jtem mando que tragam na aldea darazede toda a jurdiçom ciuel e que os fectos crimjnaaes que os ouçam e que os liurem em montemoor o uellho Jtem mando que na aldea de tauarede tragam a jurdiçom ciuel.
E que os fectos crimjnaaes que os ouçam e liurem em montemoor o uelho Jtem mando que o logo de sam martinho suso dicto que seia coutado e que elles tragã hi jurados que penhorem pollas cooymas que fazem as bestas ou os gaados nos paães ou nas uynhas ou nos dãpnos dos tapamentos das vinhas e paães antrelles huũs outros.
E que nom tragã hi mais jurdiçom.
E mãdo que esta jurdiçom tragam no dicto logo de ual de canas e nom outra nehũa por que uos mando que lhe nom ponhades embargo nas dictas jurdições nos dictos lugares.
E esto todo lhe faço emquanto for mjnha mercee.
E por esto nom entendo a fazer prejuizo a mĵ nem aos meus sucesores nem ao dicto bispo nem aos seus sucesores nem ao dicto cabydo outrossy aas justiças ou a outra qualquer pesoa se hi alguũ djreito mayor ham mais fique a cada huũ reseruado todo o seu djreito. E em testemunho desto mandey dar esta mjnha carta ao dicto bispo e cabidoo dante em lixboa x dias de junho el rrey o mandou per mestre goncalo das degretaaes e per lourenço steuez seus uassallos gomez gonçallvez de guimaraães a fez era de mjl iijc lRbj annos. (Era de 1396 - Ano de 1358) (I)

V

Castelo Novo
Dom afonso etc. A quamtos esta nosa carta virem fazemos saber que a nos disse fernam gonçallvez morador nalpidrinha termo de catell nouo como elle casara com huũa meçia lopez filha de huũ lopo gonçallvez creligo de missa prioll que foy da Igreia daldea de pero viseu termo de coujlhãa com a quall meçia lopez sua molher elle ouuera çertos bees de Rayz em casamento do dicto lopo gonçallvez seu sogrro o quall lopo gonçallvez creligo os comprara sem teer pera ello nossa licemça nem os vemdera pasamte anno e Dia Segundo sse comtem em nosa hordenaçam // Pedimdo nos o dicto fernam gonçallvez por merçee que porquamto os bẽes que elle asy ouuera com a dicta sua molher do dicto seu sogrro sse perdiam pera nos per bem de nosa hordenaçam e alguũa pessoa por lhe fazer maa obra nollos poderia vyr pedijr lhe fezessemos merçee delles E nos visto sseu dezejo e pidijr a nos praz lhe fazermos de todollos bẽes de Rayz que asy com a dicta sua molher meçia lopez ouue do dicto lopo gonçalluez seu sogrro creligo merçee como dicto he visto como a nos pertenciã De djreito por os comprar sem nosa licemça e os nom vemdeo pasamte o anno e dia. E porem mandamos a todollos nosso (sic) Corregedores Juizes e Justiças ofiçiaees e pesoas a que esta nossa carta for mostrada e ho conheçimento pertemçer que nõ comsemtã seer demamdado o dicto fernam gonçallvez em Juizo nẽ fora delle por o que dicto he e lhe comprem e guardem e façam compryr e guardar esta nossa carta em todo e per todo como ẽ ella faz mençam e lhe nom vaaõ nem comsentam hijr comtra ella em parte nẽ ẽ todo porque asy he nossa merçee e por sua guarda lhe mamdamos dar esta carta per nos asinada e asellada do nosso sello pemdente dada ẽ santarẽ ij dias dabrill Joham carreiro a fez anno de mjl iiij c Lxxj. (1471)  (II)

VI

Dom Joham etc. Jtem carta de fernam dalluarez holeiro morador ẽ torres nouas por que o damos por nosso monteiro e guardador das nossas matas do fundam como partẽ com termo de tomar e dourẽ ẽ como a primeira carta que esta no começo deste caderno homde esta hũu tall ssinall mes e era assynada e fecta pelo dicto escprivã.

Fontes - I) ANTT – Chancelaria de D. Afonso IV, Livº 3º, fls. 36 vº
II)  ANTT - Chancelaria de D. Diniz, Livº 2º, fls. 15
III) BNL - Reservados Caixa 223/1 (Silva Leal), fls. 36
IV) ANTT – Chancelaria de D. Pedro I, livº 1º, fls. 27
V)  ANTT – Chancelaria de D. Afonso V. Livº 16, fol. 60
VI) ANTT – Chanc. de D. João II, livº 6, fol. 65 vº.

Notas dos editores:
a)http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2017/04/covilha-noticias-soltas-xii.html
b)http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/12/covilha-o-alfoz-ou-o-termo-desde-o.html
c) O mapa foi retirado pelos editores de "Do Foral à Covilhã do século XII", Fundão, 1988.
d)Hoje Penamacor
(I) - http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/03/covilha-o-alfoz-ou-o-termo-desde-o.html
(II) - http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/08/covilha-o-alfoz-ou-otermo-desde-o-foral.html

As Publicações do Blogue:

Estatística baseada na lista dos sentenciados na Inquisição publicada neste blogue:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/11/covilha-lista-dos-sentenciados-na.html

As publicações no blogue sobre este assunto:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.com/2018/01/covilha-cartas-regias-relacionadas-com.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2017/11/covilha-cartas-regias-relacionadas-com.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2017/08/covilha-cartas-regias-relacionadas-com.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2017/06/covilha-cartas-regias-relacionadas-com.html

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Covilhã - O 7º Aniversário do nosso Blogue

  Ao celebrarmos o 7º aniversário do nosso blogue, continuamos convictos da importância de prosseguirmos na divulgação do vasto espólio do nosso Pai e sogro – Luiz Fernando Carvalho Dias.  Tudo o que vamos publicando tem sido por nós recolhido e ordenado a partir das inúmeras pastas e cadernos, manuscritos e não corrigidos, quase sempre elaborados sem uma ordenação prévia, fruto duma investigação de décadas; mas é a homenagem que desejamos continuar a prestar a este investigador covilhanense.

   Os seus estudos vão da 1ª obra publicada em 1953 - Frei Heitor Pinto - até pequenas informações relacionadas com a sua "amada" terra, a Covilhã.




Hoje queremos salientar alguns dados estatísticos do nosso blogue:

- 458 publicações, algumas delas actualizadas com novos dados entretanto recolhidos;

- 254385 visualizações de página;

- Visitantes: 29242 portugueses; 7391 americanos; 2989 brasileiros.

- Outros países, dos 101 que visitaram o blogue: Bélgica, Alemanha, Holanda, França, Espanha, etc.

    Continuamos a ter, no entanto, poucos seguidores (65) e também poucos comentários dos nossos leitores.

        Para facilitar a pesquisa dos vários assuntos publicados, vamos actualizando um quadro com todos os títulos e data da respectiva publicação, disponível em:

http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/09/covilha-as-publicacoes.html 
Estatística baseada na lista dos sentenciados na Inquisição publicada neste blogue:

terça-feira, 1 de maio de 2018

Covilhã - Infante D. Luís, 6º senhor da Covilhã II


O Infante D. Luís é o 6º Senhor da Covilhã. Nasceu a 3 de Março de 1506 e faleceu a 27 de Novembro de 1555. É o 4º filho de D. Manuel I e de D. Maria de Castela. Manifestou grande interesse pelas Artes, Ciências e Literatura. Conviveu com Pedro Nunes, D. João de Castro e Gil Vicente, entre outros. Foi Duque de Beja, senhor de outras cidades, condestável do Reino, fronteiro-mor da comarca Entre Tejo e Guadiana. Foi grão-prior do Crato e da Ordem de Malta.


O Infante D. Luís

No nosso blogue, em várias publicações, baseadas no espólio de Luiz Fernando Carvalho Dias referimos (nomeámos)o Infante D. Luís. Vamos enumerá-las:

http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/05/covilha-o-senhorio-i.html  (Trelado da dilijêcya que se fez por mãdado del Rey e Jfate dom luis nosos senhores sobre os cavalos e Rocys e egoas desta vila e termo)

                                                                          

http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/06/covilha-o-senhorio-ii.html  (Os senhores da Covilhã)




http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/09/covilha-o-senhorio-iv.html  (A ho Ifante dõ luis carta per que el rei ho fez Duque de beja e lhe da as villas de covilhã, sea, almada, etc)

                                                                           


http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/12/covilha-o-alfoz-ou-o-termo-desde-o.html  (O alvará referido é datado de Évora, de 28 de Dezembro de 1532 e antecede o tombo das demarcações. 
Neste tempo o lugar mais fundeiro do concelho da Covilhã era a aldeia de Cambas, e a demarcação dos limites do concelho...)


                                 

http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/07/covilha-misericordia-uma-instituicao-de_21.html   (Eu o Infante Dom Luís etc faço saber aos que este meu alvará virem e o conhecimento dele pertencer que vi a petição atrás escrevi que me fizeram o provedor e irmãos da misericórdia da minha vila de Covilhã, e havendo respeito ao que nela dizem por este meu alvará me apraz fazer esmola à dita casa da fazenda contida na petição que ficou por falecimento de Isabel Vaz...)

                              

http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/04/covilha-misericordia-uma-instituicao-de.html   (Diz o provedor e irmãos da misericórdia da vila de Covilhã que a casa da dita misericórdia há quarenta anos que é fundada e desde o dito 
tempo a esta parte sempre aí houve em cada lugar do termo da dita vila ...)

                                

http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2013/04/covilha-fotografias-actuais-vii.html  


Igreja de Santa Maria, onde se encontrava (1) "um valioso relicário do Santo Lenho,
 oferta do Imperador Carlos V ao Infante D. Luís, após a Conquista de Tunis"


http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2013/10/covilha-alcaidaria-viii.html  (Eu o Ifamte dom luis etc faço saber aos que este meu allvara virem que eu tenho feyto merçe a andre telez de meneses meu mordomo mor da allcaydarja mor da mjnha villa de covjlhaã cõ todas as Remdas e outras...)

                                                                           
Nota dos editores - 1)O Relicário encontra-se agora no Museu de Arte Sacra.

As Publicações no blogue sobre este assunto:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2017/12/covilha-infante-d-luis-6-senhor-da.html

As Publicações do Blogue:

Estatística baseada na lista dos sentenciados na Inquisição publicada neste blogue:

domingo, 1 de abril de 2018

Covilhã - Frei Heitor Pinto XI


O nosso blogue vive do espólio de Luiz Fernando Carvalho Dias, que continuamos a explorar e a divulgar. Sempre soubemos o interesse do investigador por Frei Heitor Pinto, que deu origem em 1952 à publicação de "Fr. Heitor Pinto (Novas Achegas para a sua Biografia)", a  da sua vasta obra. 

  Aquando das comemorações do IV centenário da morte do frade jerónimo, que se realizaram na Covilhã a 2 de Dezembro de 1984, empenhou-se totalmente para que a figura de Frei Heitor fosse mais divulgada.
A propósito de monografias covilhanenses, Luiz Fernando Carvalho Dias lembrou Frei Heitor Pinto:
“Não ainda em monografia, mas como simples descrição, registo a primeira imagem da Covilhã em forma literária. Cabe ao nosso Frei Heitor Pinto, o escritor português mais divulgado e com mais edições no século XVI. Trata-se de uma imagem enternecida, como que uma saudade de peregrino a adivinhar exílios, muito embora a abundância dos adjectivos desmereça da evocação:

 “ … Inexpugnável por fortes e altos muros, situada num lugar alto e desabafado e de singular vista, entre duas frescas e perenais ribeiras, com a infinidade de frias e excelentes fontes e cercada de deleitosos e frutíferos arvoredos.  “ (1)

 Estamos a publicar informações sobre Frei Heitor Pinto. Baseamo-nos em reflexões do investigador, em fotografias e textos da Exposição de 1984 e na obra sobre Frei Heitor Pinto.
    Acompanhemos a obra “Fr. Heitor Pinto (Novas achegas para a sua biografia)” de Luiz Fernando Carvalho Dias:

[...]

NOTAS E DOCUMENTOS

1 - Os pais (?) de Fr. Heitor Pinto.

Mais por curiosidade e como elemento de estudo para futura investigação vamos referir-nos à hipotética família de Fr. Heitor Pinto.
Como já dissemos, Barbosa Machado dá-lhe como pais João Homem Pessoa e D. Ana de Melo, sem acres­centar mais nada e sem nos indicar qualquer fonte da sua informação; como esta notícia figura no 4.° Tom. da Biblioteca, deve ter chegado tarde ao seu conheci­mento. Para não indicar a fonte ou a considerava indis­cutível ou não se atreveu a dá-la por falta de dados concretos.
Quem são estas personagens? Foram de facto casados? Podem ter sido pais de Fr. Heitor Pinto?
O acaso e uma informação puseram-nos em frente de documentos que lhes dizem respeito.
João Homem Pessoa foi casado com D. Ana de Melo, viveram na Vila de Seia, onde faleceram e estão sepultados.
Quem são estas personagens? Foram de facto casados? Podem ter sido pais de Fr. Heitor Pinto?
O acaso e uma informação puseram-nos em frente de documentos que lhes dizem respeito.
João Homem Pessoa foi casado com D. Ana de Melo, viveram na Vila de Seia, onde faleceram e estão sepultados.
O acaso foi depararmos com uma inscrição sepul­cral, existente nessa Vila.

A inscrição está publicada (1) mas a sua interpretação não é perfeita, e por isso fomos de longada até lá e na Igreja da Misericórdia verificámos a inscrição da sepul­tura em duas pedras. A inscrição reza assim:

                      A




         ELE FALE .......
         A Z6 * DEN .....
         BRO * DE I5 ....
                    S
                                A             
DE * Iº * HOME * P *
E DE DONA
ANA DE ME
LO SVA MO
LHER  ELA
FALECEO
A * 5 * DAGOS
TO DE I58I

Posteriormente tivemos conhecimento da existên­cia, na Repartição do Registo Civil da Guarda, dum livro misto de assentos, da freguesia de S.tª Maria de Seia (2).
Este livro recolheu já ao arquivo de S. Vicente de Fora, segundo nos consta.
A fls. 128:

«Aos seis dias do mes dagosto de mill b.º 8 i anos / faleceo dona ana desta vila e por verda/de assinei / Fr.co L.ço/».

e à margem:

«digo / ẽtera / m. iº / e ano»

O assento e a inscrição, com a correcção à margem, indicam que faleceu a 5 de Agosto e foi enterrada a 6.

E a fls. 134:

«Aos 26 dias de novembro de 1584 se faleceo Joam / homem p.ª m.or nesta villa e por verdade asinej / aqui /
antonjo de fig.do »

e à margem: «cõprido / tudo / »

O assento também está de acordo com a pedra sepulcral.
Se D. Ana de Melo era a mãe de Fr. Heitor Pinto faleceu, durante o período da sua prisão, em Portugal, e João Homem Pessoa quatro meses depois do dia fixado, pelo «Ano Histórico», para o óbito do hieronimita.
A idade, pois, não os impossibilita de terem sido os pais de Fr. Heitor; bastava que ambos tivessem nascido no princípio do século e a data dos óbitos não contraria esta hipótese.

                                                      ******

Os genealogistas devem ser cotejados com todo o cuidado: se transcrevemos aqui a opinião de alguns deles é somente para mostrar como aceitam ou negam a filiação apresentada por Barbosa Machado.
Comecemos por Jacinto Leitão Manso de Lima, clérigo do hábito de S. Pedro, Beneficiado na matriz de S. Pedro da vila da Certã, natural e morador na mesma vila.
A sua obra, constituída por vários volumes, encon­tra-se manuscrita na Secção de Reservados da Biblioteca Nacional de Lisboa; de parte dela fez-se uma edição dactilografada, que utilizamos, por comodidade.
O seu título é «Famílias de Portugal tiradas dos melhores nobiliários do Reino e apuradas de muitos erros, provada com instrumentos jurídiccs e auten­ticos, ... etc.».
O título de Homens é um extracto do trabalho de Freire de Monterroyo Mascarenhas, com algumas memó­rias do autor.
O interesse deste título é condizer, com Barbosa Machado, na filiação dada a Fr. Heitor e ainda a circuns­tância de Monterroyo afirmar:

«Diogo Barbosa Machado, na sua Biblioteca Lusitana, tom. 2.°, onde lhe faz um rasgado elogio (a fr. Heitor Pinto), pág. 427 ainda que desconhecendo-lhe a filiação ... etc.».

Parece que a fonte onde beberam teria sido a mesma. Diz Monterroyo, no título referido, fls. 578:

«1048 - Pedro Homem fº 4° de Fernam Roiz Homem n.º 1042, § 73, passou à India onde serviu bem e foi capitão e governador da fortaleza de Sofala (3). C. e viveu na Vila de Monte­mor oVelho c. Maria Pessoa, f.ª de Balta­zar Pessoa cavaleiro da ordem de S. Tiago, governador de Ormuz, como escreveu Bar­ros, Francisco de Andrade e António Ten­reiro.
Viveu na Vila de Cea.

E teve:

1078 - João Homem Pessoa q. segue
1079 - D. Joana Pessoa, 2ª molher de Manoel Feyo de Melo do morgado de Monte Redondo. Alguns lhe acrescentam mais a:
1080 - ..., .. Pessoa, molher de Pedro Homem da Cunha.

1078 - João Homem Pessoa f.º deste Pedro Homem viveu um tempo na Vila de Cea e depois na Covilhã. C. c. D. Anna de Mello, irmã do seu cunhado e f.ª de ... sr. do morgado de Monte Redondo, alcaide mor do Botam e de sua molher D. Inez de melo;

E teve:

1081 - Pedro Homem de Castro q. segue
1082- Fr. Heitor Pinto q foi monge da Ord. de S. Jeronymo. Professou   aquele instituto no Convento de Belem a 8 de Abril de 1543 ... etc.
1083 - Manoel Homem Pessoa de Castro sg.
1084 - João Pessoa Homem § 77.
1085 – D. Maria de Castro ou Homem mulher de Pedro Gomes da Abreu f.ª de Diogo Gomes d’ Abreu sr. de Telegados, em tit. de Abreus.
1086 - D. Joana Pessoa mulher de Manoel da Cunha d’Eça, moço fid.º sr. do Morgado de Foroa.
1087 - D. Mayor de Almeida.
1081 - Pedro Homem de Castro f.º 1° deste João Homem Pessoa seguiu as letras e foi juiz de Fora da Vila d'Aviz e Corregedor de Thomar, em cujo emprego faleceu. Havendo sido C. c. D. Filipa da Cunha f.ª d'Alvaro Mendes de Figueiroa e de sua 2ª mulher Jeronyma da Cunha Barreto; ela depois de viúva se recolheu para a vila de Gouveia sua pátria, onde fez o seu testamento a 28 de Setembro de 1634, deixando por seus testamenteiros a seu f.º Manoel Feyo de Mello e a seu irmão Fr. Sebastião da Cunha. E teve: etc.».

Manso de Lima, no Tomo XI, quando trata dos Feyos, também se refere a D. Ana de Melo, a quem chama D. Ana de Melo Feyo.
Os Feyos tinham casa na Covilhã e desta família foram entre outros o Prior de S. Silvestre André Feio de Castelo Branco, o P.e António Feo, prior do Salvador; D. Maria Fea, (4) casada com Luiz Freire de Melo, cujo testamento, em treslado, está no cartório da S.tª Casa da Misericórdia da Covilhã. São todos da 2ª metade do séc. XVI; desconhecemos o parentesco que há entre eles.
Mas este Pedro Homem de Castro, que também se chamou Pedro Homem de Melo, indicado como irmão mais velho de Fr. Heitor Pinto, não o podia ser.
Os cargos e a época em que os exerceu, dizem-nos que era muito mais novo. Só foi nomeado juiz de fora de Aviz, em 14 de Setembro de 1596 (vid. chanc. de Filipe I.º, Liv.º 2, fls. 26 e 26 v.).
Foi depois juiz de Fora da Covilhã, (donde não podia ser natural) por carta de 9 de Janeiro de 1602. (Chanc. de Filipe 2º, L.º 6, fls. 314. 4 v.).
Aí se conserva pelo menos até Julho de 1605 pois figura no aforamento confirmado por carta régia de 4 de Julho de 1606. (Chanc. de Filipe 2.°, Liv." 19, fls. 3).
É nomeado corregedor da correição de Tomar, depois de haver sido provedor da comarca de Guimarães , como consta da carta de 25 de Setembro de 1612, da mesma chancelaria (Chanc. de Felipe 2.°, Liv. 32, fls. 48).
É claro que podia haver outro Pedro Homem de Castro, que fosse irmão de Fr. Heitor Pinto mas esse não era o juiz de Fora de Aviz, provedor de Guimarães e depois corregedor de Tomar. Isto serve só para pro­var o pouco crédito que o genealogista merece, neste passo.

Outro genealogista que se refere a Fr. Heitor Pinto é o L.do Francisco d’ Abreu Castelo Branco, no seu Tratado dos Figueiredos.
O tratado é de 1619 mas só conhecemos a cópia de Manuel Botelho Ribeiro, no manuscrito da Secção de Reservados da Bib. Nac. de Lisboa, Col. Pombª, cod. 264, a fls. 73. v. e segs. Escreve-se aí:

«Maria Botelha, irmã de Antonio Correa, filha de Aires Botelho contador E de Elvira Roiz casou duas vezes a 1ª com Pº Viçozo de Lisboa de quem não teve filhos e a 2ª vez com Rº Homem, filho do Pº Homem de Castro, natural da Covilhã, de quem teve Heitor Homem Botelho, João Homem Bote­lho, abade de Vilar, Aires Botelho, padre da Companhia, mártir em Malaca, Manoel Homem Botelho que vive casado em Sea e Pº Homem Botelho que morreu solteiro. (Á margem, diz: Rº Homẽ filho de Pº Homem era irmão de Fr. Heitor Pinto).
Pº Homem Botelho f.º primeiro d’aires Botelho e de Elvira Roiz segundo se diz ouve João Homem Pessoa e a D. Joana, molher de Manoel Feo de Monte Redondo.
João Homem pessoa, filho deste Pº Homem casou com uma filha de Pº Feo de Monte Redondo E irmã de Manoel Feo E houve Pº Homem de Cas­tro, ouvidor d'aviz e corregedor de Santarém e D. Maria de Castro molher de Pº Gomes d'abreu de Povolide etc.

Felgueiras Gaio, outro genealogista, em título de Botelhos, pág. 137, Toms. 7 e 8, não se afasta desta versão.
Outros dão o pai de Fr. Heitor Pinto como irmão de Fr. Pantaleão d'Aveiro, natural desta cidade e mora­dor na Covilhã.
Por esta pequena amostra se pode ver como os genealogistas diferem uns dos outros.
Por agora basta-nos dizer que voltaremos ao assunto quando publicarmos os «Documentos para a História da Covilhã».

Notas:

1. P.e José Quelhas Bigote, Monografia de Seia, Lisboa, 1945, fls. 96. Foi esta obra que ocasionalmente nos chamou a atenção para a pedra sepulcral embora o autor tenha chamado a João Homem Pessoa, João Homem Prata, como pode verificar-se. 2. Devemos esta preciosa informação ao ilustre director do Arquivo do Ministério das Finanças Ex.mo Senhor José Mendes da Cunha Saraiva. 3. Vid. Chanc. de D. João 3º, Liv. 24, fls. 2.


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Sobre este assunto – Os pais de Frei Heitor Pinto - encontrámos algumas reflexões (não revistas) de Luiz Fernando Carvalho Dias, posteriores à publicação (1952) do seu livro.

A Covilhã de Fr. Heitor Pinto: 
Falar da Covilhã de Fr. Heitor será o mesmo que descrever a vila do sec XVI. Foi nesse período que o nosso autor viveu; fixou-se em 1528 a data do seu nascimento sem que haja qualquer base documental – partindo-se, para isso, da hipótese que em 1543 professaria na Ordem de S. Jerónimo  com 16 anos; mas, como ele próprio nos elucida, antes de professar em Belém já estudara Direito Civil não só em Salamanca, mas também em Coimbra, de forma a induzir que a sua vocação era tardia, resultado de maduras meditações e não inculcada de menino. Atrevemo-nos a sugerir data anterior para o seu nascimento, nunca depois de 1524 ou 1525.


A Covilhã
Fotografia de Miguel Nuno Peixoto de Carvalho Dias


A família de Fr. Heitor Pinto:
Para o conhecimento da família de Frei Heitor Pinto, não basta socorrermo-nos dos genealogistas, tais como Barbosa Machado, dada a sua fragilidade. Devemos controlar as  informações destes através dos Livros Paroquiais e completá-las com os dados fornecidos pelos Livros da Chancelaria Real que nos dão os ofícios públicos, pelos Livros da Universidade, pelos do serviço público como os de Bacharéis, pelas Cartas de Doações Régias e ainda pelas Cartas d'Armas tão frágeis como as genealogias. Se os livros “de vita et moribus”, na Ordem, fornecessem notícias mais completas do que os actos das profissões, seriam mais uma fonte a utilizar.

No meu livro, fixada a certeza da terra da naturalidade por confissão do próprio e com o afastamento definitivo da outra proposta pela Biblioteca Lusitana, apresentei três hipóteses de nobiliários para desmontar a inviabilidade dessa via para a fixação da sua família. Se Barbosa Machado seguiu qualquer genealogia, a sua hipótese é fraca e “mete água” por todos os lados. Se provém de qualquer fonte hieronimita tem todos os visos de verdade – mas como se desconhece a fonte da informação, há que suspendê-la até que apareçam novos elementos. Já vimos como na determinação da naturalidade a notícia de Barbosa Machado falhou, indicando Melo, confundindo naturalidade com um possível apelido familiar pela via materna, etc.
Eu não consultei ainda todos os livros paroquiais da Covilhã anteriores a 1581 para poder justificar qualquer presença de Fr. Heitor Pinto na Covilhã, como padrinho ou oficiante em cerimónia religiosa de parente ou amigo seu; embora tivesse passado a “pente fino” alguns deles, nada encontrei até hoje. Mas num dos livros notariais da Covilhã do século XVII, mais precisamente do ano de 1678, a fls 22. vº do livro de notas do Tabelião Domingos Magro, deparei com um testamento e constituição de um morgadio no Fundão, de um Heitor Pinto Cardoso, (2) através do qual se pretendiam perpetuar os apelidos familiares de Botelho e Cardoso. Era muito pouco, porque tal acto notarial se distanciava cerca de um século da morte de Heitor Pinto, hieronimita. Anos depois tive a oportunidade de descobrir, no Arquivo da Universidade de Coimbra, a matrícula de 1587, de um estudante, natural da Covilhã, chamado Heitor Pinto, filho de um João Fernandes de Oliveira, o que já estava dentro da vida do nosso frade e deixava presumir a existência de laços de família entre os dois. Por outro lado eu já andara na peúgada deste João Fernandes de Oliveira que no último quartel do século XVI fora Provedor da Santa Casa da Misericórdia da Covilhã, conforme constava dos meus apontamentos através de uma pesquisa exaustiva que fizera nos arquivos dessa instituição há trinta anos atrás. Posteriormente o meu amigo e ilustre genealogista Engº. Manuel da Silva Castelo Branco, natural da Orca, que foi Presidente da Câmara de Castelo Branco, facultou-me as suas pesquisas sobre o Fundão no século XVII, feitas através dos livros paroquiais dessa vila, que me possibilitou estabelecer ligações entre o Heitor Pinto Cardoso do século XVII com o Heitor Pinto da Covilhã, estudante em Coimbra no século XVI, filho de João Fernandes de Oliveira e de D. Brites de Oliveira, que se fixou no Fundão no início do século XVII, onde casou com D. Francisca Barreiros.
Seria sua mãe D. Brites da família de Fr. Heitor Pinto, e o nome e o apelido do filho uma homenagem ao irmão? Ou viria a ligação do lado de João Fernandes de Oliveira?
Levanta uma hipótese curiosa o testamento do Heitor Pinto Cardoso (2), do Fundão, quanto ao apelido Cardoso de origem covilhanense. Os Cardosos andavam ligados à freguesia de S. Vicente da Covilhã como padroeiros; aí tiveram sepultura. Na sua progénie houve um Fernão de Anes (3) Cardoso, cujo testamento ainda existe, que no século XVI foi fabricante de lanifícios, benfeitor da Misericórdia da Covilhã e pai de um João Fernandes. Este poderia ser o João Fernandes de Oliveira atrás mencionado. Fernão de Anes foi o fundador do cruzeiro do Santo Cristo da Ribeira, local de peregrinação da Covilhã quinhentista, que no século XVIII foi transformado na Capela do Senhor da Ribeira e hoje na Igreja de Nossa Senhora de Fátima.


Covilhã - Igreja de Nossa Senhora de Fátima
Fotografia de Miguel Nuno Peixoto de Carvalho Dias

O Santo Cristo da Ribeira dominava o troço médio da ribeira de Goldra e sagrava as terras do Pisão do referido Fernão de Anes, escudeiro e mais tarde cavaleiro fidalgo da Casa del Rei D. João III. O Heitor Pinto Cardoso do Fundão era filho de Simão Botelho Maldonado, que viera da Covilhã para casar com outra D. Brites, filha do Heitor Pinto da Covilhã e de Francisca Barreiros, do Fundão. Por parte dos Botelhos e Maldonados era primo: do prior de S. Tiago da Covilhã, licenciado João Freire de Albuquerque, como consta do referido testamento; do Dr. Manuel Correia de Albuquerque; de Cício Nunes de Albuquerque que foi provedor da Misericórdia da Covilhã no último quartel do século XVI; de D. Maria Fea, (4) outra covilhanense que faleceu em 1575 na sua quinta de Nespereira, casada com Luís Freire de Melo, cujo testamento também conheço (e publicámos); de Francisco Botelho da Guerra, procurador da Covilhã em várias Cortes, antes e depois da Restauração; e de Francisco Homem d’Eça, filho de um João Homem.
Em Lisboa, na Igreja da Graça, existia a sepultura de um Heitor Homem Pinto e de sua mulher Ana Botelha. É singular a junção dos três apelidos de Homem, Pinto e Botelho. Heitor Homem Pinto, como refere a Chancelaria do Cardeal Rei, foi estribeiro-mór de D. Henrique e por ele aposentado em 1579. Os livros de registo de óbitos de Seia registam a morte de um Heitor Homem, em Lisboa, em 1589. Também sabemos que, morto o Infante D. Luiz, foram os seus criados transferidos para a Casa do Cardeal.
Recordemos: o Infante D. Luiz foi Senhor da Covilhã e Frei Heitor Pinto aparece entre os moradores da sua Casa; por outro lado, Fr. Heitor dedicou ao Cardeal o seu Comentário ao Profeta Isaías, já depois do falecimento do Infante D. Luiz. Este, por sua vez, também foi Senhor de Seia, pátria ou residência de alguns destes parentes do hieronimita.
Assentemos: mesmo que admitamos ter sido Fr. Heitor Pinto, filho de João Homem Pessoa e de D. Ana de Melo Feio, o pai, natural de Montemor-o-Velho e a mãe do Botão, documentamos a passagem de João Homem pela Covilhã e a raiz covilhanense de D. Ana, neta do alcaide-mór de Sortelha, D. Pedro Feio. Ambos tinham larga parentela na Covilhã, tanto pela geração dos Homens, como pela dos Feios.

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2) Treslado do testamento que fez eutor pimto morador que foi neste lugar do fundão

            Saibam quantos este publico instrumento de testamento que fez Heitor pinto Cardozo dictado (sic) nesta nota na forma seguinte.
            Em nome da SSamtissima tmindade padre filho e espirito samto, Eu Heitor pimto Cardozo estamdo doemte E em meu perfeito juiSo e emtemdimento quero despor de minhas cousas na maneira Seguimte Primeiramente Mando que meu Corpo seia sepultado na Igreia matris deste lugar na sepultura de meus amtepassados e no dia de meu emterro se me fará huma vigilia como he costume, e não semdo oras no seguimte dia E dipois em tempo Comviniente se me fará hum officio na forma que a igreia dispoem e o mais toquamte a minha Allma fio de meus testamemteiros, o façam dispor milhor ha como eu delles espero sem vaidades mas como milhor for pera o bem de minha Allma. Deixo por meu universsall herdeiro, de meus bens a meu filho Simam Botelho Maldonado o quall me sucedera nelles com vinculo de morgado que nelle instituo de todos os Bens que se acharem por minha morte E Carrego muito ao dito meu filho faça o mesmo dos seus fazemdo logo Carregar em Livro de tombo as propriedades que lhe pertemcerem de hum anno comtado do dia da minha morte os quaes bens nam poderam ser vemdidos trocados nem alhiados por modo allgum e os sucessores delles que seram na falta de meu filho morremdo elle sem sucessam, o paremte mais chegado que se achar a elle pella parte paterna da quall somemte excluo aos filhos de meu primo francisco homem de essa, e Sempre se chamaram de Cardosos, E Botelhos, e nam podera suceder, mouro, judeu, nem outra allguma pessoa que tenha Raça de naçam infecta, e preferirá sempre o macho mais velho preferimdo Sempre a femea. E na fallta delle sucederá a tal femea mais velha E havemdo paremte na Linha aimda que seja em grao mais Remotto, este tall excluirá ao bastardo aimda que seia em grao mais proximo, o quall não sucederá senão no caso em que não haja Sucessor na Linha. E excluo desta Sucessam as pessoas que sam inCapazes de poder cazar, porquanto a minha temçam hé so augmemtar esta famillia E dado caso. o que Deus nam permita. que Algum sucessor deste morgado cometa crime de Leza Magestade divjna ou humana, daqui pera emtão o hei por excluido do tale morgado quatro oras amtes de cometer o tall crime, e para que com mais puresa de samgue se conserve sempre esta famillia quero e hej por excluido deste morgado ao sucessor delle que aja de suceder ou tenha sucedido, que casar com mulher ou mulher que casar com homem que tenha Raça alguma de naçam infecta por que tanto que for Recebido em face de igreia que por esta meto de posse dos tais bens, ao que se segue que sera obrigado, os meter nella, ou a pollo em juizo demtro de hum mes contado do tall dia e não o fazemdo o que se siguir a elle será obrigado a faSello na mesma forma e os que o não fizerem nesta nam poderam elles nem seus filhos suceder o sucessor que quiser suceder neste morgado será com a obrigaçam de obrigar a elle duzemtos mill Reis de seus Bens Livres que ficarão unidos E anexados a este vinculo com estas clausulas e não chegamdo a esta quamtia ter de bens livres para o fazer vinculará a terça parte de seus bens porque por este modo irá este morgado em aumento, pera o quall escolho as minhas casas que estam neste lugar em que de presemte vivo com meu paj E com ellas iram os mais Bens que me pertemcerem E o sucessor que dentro de hum anno depois de suceder não fizer carregar no tombo deste morgado os ditos Duzemtos mill Reis ou a terça parte dos Bens que tiver perdera o morgado e hirá ao que havia de suceder, se elle  não estivera de permeio. Terá obrigaçam o sucessor deste morgado de me mandar Dizer emquanto o mundo durar quaremta miças em cada hum anno, as quais o sucessor por quem quiser mandará dizer e não cumprindo com esta obrigaçam o sucessor que se sege Lançara mão do tall morgado, aplico as tais missas vimte por minha Allma E as outras vimte pellas de meus amtepassados E paj e maj que forão os que adqueriram os tais bens E declara que a parte paterna per omde se ha de suceder neste morgado hé a minha, na quall nam Sucederam como tenho dito os descemdentes de meu primo framcisco homem; Deixo por meus testamenteiros a meu primo o Reveremdo prior de ferro e a francisco da Rocha de carvalho e a Gomçallo vas preto, aos quais emcarrego dem inteiro cumprimento ao que dispomho neste testamento que lhe hej por muj emcarregado por achar que meu paj he homem muito velho E camsado, e não poder Despor como comvem minhas cousas. encarrego aos ditos meus testamemteiros me mandem logo diser por minha Alma Dusemtas missas as quais elles mandarão dizer por quem quiSerem E asim mais cem missas por minha Alma e cinqoenta pela de minha mulher Dona Maria e outras pella de minha maj que seram simcoemtas ditas por quem meus testamemteiros quiserem, encarrego aos ditos meus // (24) testamenteiros tenhão cuidado de minha filha natural que tenho por nome Maria a qual mando ma cazem com pessoa a ela conveniente ou em outra qualquer estado que lhe convenha viver, E parecer-lhe melhor para o que se lhe daram cem mil Reis Deixo a Maria filha de Izabel, criada de Diogo nunes vinte mil Reis e dez mil Reis e a (sic) mulher de Manuel de figueiredo Ourique, e dez mil Reis mais a Maria framcisca da Idanha tomando estado de casada. Deixo a maria nugeira pelo bem que me tem assistido nesta minha doença e pela fidelidade e bom modo com que sempre serviu a esta casa dez mil Reis e lhe peço a não desampare assistindo a meu filho como dela espero. Mando que se me vistam doze pobres e um vintem de esmola a cada um e que se dem a Confraria de nossa senhora da Conceição 250 reis acompanhando-me os seus mordomos com a sua Sera e aos da do rozario Duzentos Reis E a do Senhor 250 reis e as mais deste lugar a 150 reis a cada uma E por esta maneira disponho minhas cousas que hei por mui encarregadas a meus testamenteiros e peço muito por morte a meu pai pelo muito amor que sempre me teve haja por bem de querer vir a este meu vinculo de morgado os seus bens livres que tem para que sempre vá em maior aumento e para conservação de nossa família e por assim de tudo ser contente e ser por mim disposto roguei que este fizesse a Gonçallo Vaz preto deste lugar que Eu fiz a rogo do testador que assinou aqui comigo neste lugar do fundão em os quatorze de outubro de 1678 – Heitor pinto Cardoso – Gonçallo Vas preto – Declaro mais ser minha vontade que se dem a manoel falquam o meu vestido de colchertina (de Colchester) calçoens e casaqua e duas camisas e chapeo preto com um capote pardo e deixo outro vestido do mesmo a Manuel da Costa filho de Jacinto Mendes com um casaquam verde e uma camisa chapeo preto e que no dia de meo falecimento se dê a todo o pobre que vier à porta Vinte reis de esmola e assinei esta declaração com o dito testador no dito dia acima Heitor Pinto Cardoso – Gonçalo vas preto – aprovaçam – Saibam quantos este publico instrumento de aprovaçam de testamento cerrado virem que no ano do nascimento de N. S. Jesus Cristo de 1678 anos, aos 14 dias do mês de outubro do dito ano termo (sic) da notavel vila da Covilhã nas casas das moradas de Eitor pimto cardozo onde eu tam. ao diante nomeado vim estando ele aí presente pessoa que eu tabaliam conheço e morador neste lugar do fundão, deitado em uma cama doente de doença que Deus nosso Senhor foi servido dar-lhe estando elle em todo seu sizo juizo e entendimento perfeito e natural segundo ao meu parecer e das testemunhas ao diante nomeadas que presentes estavam e logo por ele Heitor Pinto cardoso me foi dado da sua mão para a minha a folha de papel atrás escripta em a qual disse estava escripto o seu testamento e que queria se cumprisse como nele se contem e por este disse ele testador que revogava e anulava todos os outros testamentos e codicilhos (sic) cedulas assim de palavra como por escrito que antes deste tenha feito os quais não quere que sejam valiosos salvo esta que agora tem feito a qual quere que valha por seu testamento e por  seu codesilho ou por aquela via que em direito mais deve e pode valer porque tudo o conteudo nelle hé a sua ultima e derradeira vontade e pede às justiças de sua alteza assim culares (sic) como eclesiasticas que este seu testamento façam cumprir e guardar em tudo como nele se contem e pedio de mim tabalião lho fizesse firme e valioso e eu assim faço quanto de direito o posso fazer e em testemunho do qual assim o outorgou o que dito hé que viu e ouvio ler e ele testador assinou por sua mão onde foram testemunhas presentes que para este efeito foram chamadas o licenciado Joam freire de Albuquerque Reverendo prior da paroquial Igreia de Sam Tiago da vila de Covilhã e na dita Vila morador e o Doutor Gonçallo Vaz Preto e francisco da Rocha de Carvalho e Antonio fernandes cortidor moradores neste lugar e gaspar mendes morador na vila de Covilhã pessoas que a todas eu tabaliam conheço e assinaram Eu Diogo lopes ferreira tabalião publico de notas em este lugar do fundão e em todo este termo da vila de Covilhã que sirvo por provimento do corregedor desta comarca da cidade da Guarda o escrevi e assinei aqui de meus sinais publico e razo de que uso e costumo fazer os quais sam sobre dito o escrevi – sinal publico; Em testemunho e fee de verdade Diogo lopes ferreira – gratis – Heitor pinto cardoso – João freire de Albuquerque – Gonçallo vaz preto – francisco da rocha de Carvalho – Domingos Rodrigues Leal – de Antonio fernandes curtidor uma cruz – Gaspar Mendes- Aos vinte e cinco dias do mes de Outubro de 1678 anos e neste lugar do fundão termo da vila de Covilhã onde estava pouzado o Doutor Gonçallo da Cunha villas boas juiz de fora do geral com alçada por sua alteza que Deus guarde em a dita vila de Covilhã e todo o seu termo se abrio o testamento perante o dito juiz de fora de que tudo fiz este termo que assinou o dito juiz de fora francisco delgado que o escrevi – Francisco Delgado – Cunha – e não continha em si mais o dito testamento neste livro lançado nem a aprovação dele nem termo de abertura o que tudo Eu Domingos Magro tabalião público do judicial e notas que em a notavel vila de Covilhã e todo seu termo sirvo por provimento do Corregedor desta comarca da cidade da Guarda E no meu livro de notas lancei por mandado do Dr. Juiz de Fora a requerimento dos testamenteiros declarados neles para a todo o tempo constar do sobredito em ele declarado o qual vi e revi e aqui lancei em publico e o concertei com o tabalião de notas deste fundão Diogo lopes ferreira que fez a aprovação dele o qual testamento tornei a entregar ao testamenteiro francisco da Rocha de Carvalho e de como o recebeu assinou aqui em fé do que me assino aqui em Razo Fundão trinta de outubro do Ano do nascimento de nosso Senhor Jesus Cristo de 1678 Domingos Magro tabalião publico do judicial e notas que o escrevi e declaro que todos os sinais escritos no testamento e aprovação e termo de abertura conheço e reconheço serem de todos os sobreditos neles assinados de que dou minha fé sobredito o escrevi.
Em testemunho e fé da verdade
Domingos Magro
E por mim Tabalião
Diogo lopes Ferreira
De como recebi o
proprio testamento
Francisco da Rocha de Carvalho

Nota minha:
a)      Diogo Lopes Ferreira, o tabelião, a mulher e filhas têm processo da Inquisição


Notas dos editores 1) Adaptado de Pinto, Frei Heitor, (1843) “Imagem da Vida Cristã”, Tomo II, parte II, fls. 741,742, Lisboa.
2) Treslado do testamento que fez eutor pimto morador que foi neste lugar do fundão
3) Testamento de Fernão Anes que faleceu em 13 de Abril de 1560 publicado por nós:  http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/04/covilha-misericordia-uma-instituicao-de_20.html
4) Testamento de Maria Fea publicado por nós: http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/03/covilha-misericordia-um-instituicao-de.html

As publicações do blogue:

Estatística baseada na lista dos sentenciados na Inquisição publicada neste blogue:

As publicações sobre Frei Heitor Pinto no nosso blogue:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2017/10/covilha-frei-heitor-pinto-x.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2017/07/covilha-frei-heitor-pinto-ix.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2017/05/covilha-frei-heitor-pinto-viii.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2016/08/covilha-frei-heitor-pinto-vii.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2016/03/covilha-frei-heitor-pinto-vi.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2015/11/covilha-frei-heitor-pinto-v.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2015/06/covilha-frei-heitor-pinto-iv.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2015/05/covilha-frei-heitor-pinto-iii.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2015/03/covilha-frei-heitor-pinto-ii.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2015/02/covilha-frei-heitor-pinto-i.html