quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Covilhã - Notícias Soltas XV



1ª folha da carta de Gaspar Tenreiro


O L.dº Gaspar temrreiro Corregedor com allçada por el Rey nosso Senhor em ha cidade da guoarda e suas comarquas e. faço saber a todollos juizes vereadores e justiças de todas as cydades vyllas e comcelhos desta comarqua que por parte da vylla de covylhaã me foy dado hũa carta del Rey nosso Senhor per que sua alteza ha por bem que se possa tyrar de todas e quaesquer cydades e vyllas desta comarqua pão para a dita vylla de covjlhaã sem embarguo da provysão que que he passada que se nom tyre pão desses loguares pera outros, da qual carta ho teor he o seguinte # Corregedor da comarqua da cidade da guoarda. Eu el Rey vos envio muito saudar ho juiz e oficiaes da camara da vylla de couylhaã me estpreverão que por hos moradores da dita vylla viverem de trato de panos e d’outras novydades Estavam em mujta necessidade de pão e pedecião hopressão e trabalho por causa da provysão que mandey passar per que defemdy que se nom tyrasse pão de hum loguar para outro pedimdome que sem embarguo della // (1 vº) houvesse por bem que vyesse pão ha dita villa e avendo respeito a ele vir sempre de careto ey por bem e me praz que se possa tyrar para a dita vyla e seu termo das vilas e lugares dessa comarqua ho pão que hos moradores delles lhe quyserem vender pelo que vos mando que dey pois tyrar (sic) per a dita villa ho dito pão sem embarguo de quoaesquer provjsõis minhas ou posturas das camaras em comtrayro E as pessoas que o tyrarem levarão certydões dos oficyaes da camara da dita villa de covylhaã como fiquão hobrigados ha levar a ella ho dito pão Estprita em Lisboa ho derradeiro de setembro de mil qujnhentos cinquoenta e seis dioguo de proença ha fez ha qual carta hera asynada pela Rajnha nossa Senhora segundo per ella se parecya /. pelo que vos mando que sendo vos apresentado carta do juiz e vereadores da dita vylla de covylhaã per elles asynada com ho trellado desta mjnha provjsão per que a pessoa que a leva fiqua hobriguado na // dita villa e camara a levar a ella pão lho deixeys tirar das villas e lugares honde ho quyserem vender e nas costas da dita carta que asy levarem lhes fareis fazer declaração de quanto pão levão para amostrarem na camara da dita villa de covilhaã para se saber o que delle fazem e como ho nom levão p.ª outra parte E per este mando haos juizes e vereadores da dita villa de covillhaã que mandem fazer huũ livro em que se estprevão as pessoas que se quiserem obrygar ha levar pão ha esta villa e os quaes serão obrigados tanto que levarem ho pão irem fazer declaração Ao pee do assento da obrigação pera em todo tempo se saber ho pão que asy foy ter a esta villa por Rezão desta provisão ho qual vos fareis Repartir nesta villa pelas pessoas que mais necessidade delle tyverem e muitas vezes ha mende papeis ho dito livro per asy ver se as pessoas que se obrigaram trazem ho pão e se lhe tomar // (2 vº) conta do pão que asy trouxerem a essa villa e o que delle fazem, e o almocreve que tirar o ho dito pão por Rezão desta provjsão e o nom levar a essa villa encorrerá em pena de cinquoenta cruzados e dous annos de degredo para cada um dos lugares dalem e perdimento do dito pão em dobro o que huns e outros cumpri sem duvida nem embargo que a ello ponhais Dada na villa de celoriquo sob meu sinal e sello do dito senhor que perante mim anda Aos dezoyto dias do mes doutubro simão da fonsequa a fez de mil quinhentos e cinquaenta e sete Anos

               Pg. R.ta rš       a) Gaspar tenrreiro   


A análise deste documento encontrado no espólio de Luiz Fernando Carvalho Dias, levou-nos a realçar alguns aspectos:
- Apresenta dois momentos, um escrito em Lisboa no dia 30 de Setembro de 1556 e cuja carta hera asynada pela Rajnha nossa Senhora. Outro momento para explicitação do anterior indica-nos que é Dada na villa de celoriquo sob meu sinal e sello do dito senhor que perante mim anda Aos dezoyto dias do mes doutubro de mil quinhentos e cinquaenta e sete Anos, assinada por Gaspar Tenreiro.

D. Catarina de Aústria


- Em Setembro de 1556 reinava D. João III, melhor dizendo, realmente governava D. Catarina de Áustria, sua mulher, pois o rei tinha-se afastado da governação. D. João III faleceu em 11 de Junho de 1557, por isso a última data referida reporta-nos para o período efectivo da regência de Dona Catarina.
- O documento refere uma provisão sobre cereais: que se nom tyre pão desses loguares pera outros. Provavelmente, porque segundo os testemunhos da época o povo vive miseravelmente, por causa do sistema agrícola, do regime de propriedade vigente que causa fomes, epidemias e peste e ainda devido às características da sociedade portuguesa cujos dirigentes não sabem mudar a situação em vigor; contudo asfixiam o sector primário com muitos encargos. No entanto, pelo que nos é dado entender, esta carta régia vai permitir dispensar a Covilhã desta provisão ou qualquer postura camarária: houvesse por bem que vyesse pão ha dita villa e avendo respeito a ele vir sempre de careto ey por bem e me praz que se possa tyrar para a dita vyla e seu termo das vilas e lugares dessa comarqua ho pão que hos moradores delles lhe quyserem vender. Porquê?
- ho juiz e oficiaes da camara da vylla de couylhaã me estpreverão que por hos moradores da dita vylla viverem de trato de panos e d’outras novydades Estavam em mujta necessidade de pão e pedecião hopressão e trabalho por causa da provysão que mandey passar per que defemdy que se nom tyrasse pão de hum loguar para outro. Lembremos então que a Covilhã desde cedo teve um papel de relevo no fabrico das lãs. Primeiro folhearemos os processos da Inquisição de Francisco Ximenes e de Gonçalo Vaz, transcrevendo algumas passagens que corroboram, já no século XVI, o que acabámos de afirmar.

“Auto de Imquiryção de fr.cº Xemenez mºr na cydade devora preso na prisão da samta Imqujsysão.
                                                           
1542 – 17 de Julho 

… 3ª Simão Pirez, tosador, mºr na dita vila, disse que vivera um ano com o pai do Réu e lhe acabara de ensinar a ele testª, no dito tempo, o ofício de tosador […]que ao tempo que ele testª fora para o pai do R. para aprender o seu ofício com ele de tosador, como aprendeu, que já a esse tempo os judeus eram tornados cristãos e assim o era o pai e a mai do Réu…”  (1)

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No Processo da Inquisição de Lisboa (9-7-1579 a 26-9-1586), de Gonçalo Vaz, algumas testemunhas têm profissões ligadas aos lanifícios:

Licº Álvaro Roiz, procurador de Covilhã.
Miguel da Costa
Jorge de Serpa
Belchior da Costa, escrivão
Antão Vaz e Simão Vaz, irmãos
Francisco Delgado, almocreve, x.velho
Manuel Lopes que foi tabelião e a mulher Maria, x.n. Guiomar de Matos
Francisco Roiz Moniz, x.n., mercador
Miguel Vaz, tosador, x.novo
Diogo Roiz, filangago, x.n.
Bartolomeu Mendes, x.v., que fez panos e mora a S. João do Hospital
Henrique Lopes, rendeiro dos portos em Covilhã
Francisco Flores, x.n., sapateiro
Maria Roiz, moça solteira, filha de Jorge Fernandes Mantinha, que se foi da Covilhã e dizem que está em S. Felizes, lugar de Castela.
Domingos do Reino, cardador, x.velho.
Antónia Fernandes Santarena, de alcunha mulata
Diogo Giraldes, tecelão, x.velho
André Roiz, tecelão, de S. João, x.velho
e Francisco Roiz, seu irmão, filhos de Amador Roiz.
Miguel Vaz, tosador e sua mulher Leonor Roiz, x.novos.
Isabel Dias, a panca, padeira, x.velha
Pero Fernandes, o Cardosinho, cardador, x.velho
Lourenço Dias, cardador, de Covilhã
Baltazar Ferreira, cardador, x.velho
Francisco Roiz da Pedreira, escrivão
Dr. Álvaro Roiz, x.velho
Licº Sebastião Teixeira, x.velho
Francisco Roiz, escrivão
Dr. Domingos Vaz, x.v., inimigo do pai do R.
António do Vale, escrivão
Fernão Manuel, tintureiro, x.n.
Miguel Vaz, x.n., tosador  (2)

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Por esta certidão passada pelo escrivão da Casa da Sisa dos Panos, confirmamos que Gonçalo Vaz era mercador de panos:

“… Jeronjmo freire escrivão da casa da sisa dos panos / desta cidade de lixª faço saber aos que esta / certidão virem que gonçalo vaz de covilhan / despachou ho ano pasado de setenta sete nesta / cassa os panos/ abaixo decrarados --- S ---
§ ê onze de setrº dous c.ºs de fradenho a duzêtos / e sasenta cº pagou - 416/
§ ê treze do dito trinta hû c.º de saragoça a trezentos v.te / pagou - 496/
§ ê dezoito do dito por seu paj ho L.do fernão vaz v.te / dous c.ºs de picote verde a duzentos rs. cº - 220/…
… dos quais panos o dito g.lo vaz plo pagou / os dr.tºs a S. A. na dita cassa e não / achei no dito livro a que me Reporto mais / panos q ho dito g.lo vaz de covilham / despachase/ ê Lixª oje x de outubro 1585/                 
a)      Jjrº Freire (3)

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Também vamos recordar várias publicações deste blogue em que Luiz Fernando Carvalho Dias refecte sobre os lanifícios na Covilhã, concretamente sobre o Regimento de 1573 e o Regimento de 1690.

Tríptico relacionado com o Regimento de 1573

“… O regimento engloba assim normas profissionais e normas defensoras do consumidor e normas dos fins ideais e religiosos dos artífices. Por isso é natural que as normas reguladoras da profissão se apertem ou alarguem conforme as variações dos mercados da mão-de-obra e do consumo e das relações de um com o outro.
            Mas não só ao mercador é permitido fazer panos. Podem obrá-los todos os mestres ou oficiais de cada secção, o cardador, o tecelão, o pisoeiro e o tintureiro; podem fazê-los os fidalgos e os plebeus e até os fiscais do regimento, os mesmos vedores. O comércio pode estabelecer-se entre todos; o pisoeiro pode comprar a enxerga ao tecelão e este vendê-la ao mercador. Apenas ao fiandeiro, pelo regimento de 1573, é vedado transaccionar lã ou fio, porque podiam prejudicar, roubando, os donos das matérias-primas. Só a política do ofício parece enclausurar-se no velho sistema do exame e da prática do ofício, como se deduz do regimento, mais para defesa do consumidor do que do próprio ofício. Mas tudo isto é velho e cheira a caruncho: o mercador substitui praticamente esta fiscalização municipal….”  (4)


“…Panos obrados no Reino, só o Regimento das Sisas de D. Afonso V que refere buréis e panos meirinhos ou de lã merina para indicar como marco fronteiro do seu fabrico, entre nós, o reinado de D. João I, após a publicação dos artigos das sisas.
No reinado do Africano (D. Afonso V) estima-se e protege-se este fabrico: oferecem-se privilégios a um judeu (Mail Levy) de Penamacor, tecelão de panos.
É, porém, no reinado de D. João II, e sobretudo em tempos de D. Manuel que a arte assume novas asas e cobra os favores da Coroa. Nos instrumentos notariais deste período começam a figurar testemunhas com este mister. Por isso, ainda que sem base documental, presumimos que o progresso desta arte, entre nós, coincide com a chegada dos judeus de Espanha e a ela andam ligados os mercadores e artífices dos países do norte e da Itália que acorreram ao reino atraídos pelo chamariz dos Descobrimentos.
O século XVI é já todo ele assinalado com documentos respeitantes aos panos portugueses….” (5)

 “… Os processos inquisitoriais de vários cristãos-novos, mercadores e trapeiros, forneceram preciosas achegas. Torna-se impossivel mar­char na história económica de algumas actividades, v. g. na dos pa­nos de lã, sem utilizar essas fontes.
            Nos refolhos das denúncias, surpreendem-se motivos alheios à actividade do Tribunal; são os ódios gerados na paixão do enriqueci­mento que acirram o desvendar da heresia. Por isso à maneira que se aproveitam esses processos, esclarecem-se muitos enigmas da his­tória viva das actividades económicas que por vezes o excessivo predomínio da política deixou para segundo plano. (6)

Neste ano como entrasse em vigor o Regimento dos panos, os Vedores do Rei foram substituídos por Vedores de eleição. Daí o não tornarmos a encontrar, na Chancelaria, as cartas deste ofício, para a Covilhã, e Xisto Delgado, sucessor de Vilhegas, aparecer investido somente na função de selador e recebedor das sisas dos panos As duas funções de vedor dos panos e de recebedor das sisas acabaram, pois, por separar-se. Por sua vez a eleição do vedor, con­forme o Regimento de 1573, começa a ser feita à margem dos quadros corporativos tradicionais: já não são os mesteres organizados, mas os trapeiros, os mercadores,  e outros oficiais dos panos, individualmente, que vão escolher o seu orientador e fiscal (7)

“... considerando eu o muito que importa a meu serviço, e bem de meus Reinos, que os pannos que neles se obrão sejam feitos na conta e perfeição, que devem ter, por evitar os enganos e falsidades, com que até agora se fazião, em menos crédito, e reputação da fabrica delles, ao qual pre­juizo sou obriguado  acudir com maior razão no tempo presente, em que fui servido prohibir o uso dos panos es­trangeiros; e sendo informado que o Regimento, que o Senhor Rei D. Sebastião mandou dar à Fabrica dos Pannos deste Reino no anno de mil e quinhentos setenta e tres se não guardava, e que desta omissão procedia serem os ditos pannos mal obrados, e falsificados, assim na conta dos fios, e largura como na impropriedade das tintas, e em tudo o mais de que depende a sua verdadeira composição ... (8)

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Alguns anos depois, em 1587:

Carta de Filipe II, sobre o preço do pão


2)http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/10/covilha-sobre-o-processo-de-goncalo-vaz_23.html 
3)http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/06/covilha-sobre-o-processo-da-inquisicao_03.html 
4)http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/05/covilha-contributos-para-sua-historia_28.html 
5)http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/05/covilha-contributos-para-sua-historia.html
6)http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/02/covilha-contributos-para-sua-historia_26.html 
7)http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/04/covilha-contributos-para-sua-historia_6.html 
8)http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/07/covilha-contributos-para-sua-historia.html



As Publicações do Blogue:

Estatística baseada na lista dos sentenciados na Inquisição publicada neste blogue:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/11/covilha-lista-dos-sentenciados-na.html 

Notícias Soltas:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2017/09/covilha-noticias-soltas-xiv.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2017/04/covilha-noticias-soltas-xiii.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2017/04/covilha-noticias-soltas-xii.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2017/02/covilha-noticias-soltas-xi.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2016/12/covilha-noticias-soltas-x.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2016/11/covilha-noticias-soltas-ix.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2016/11/covilha-noticias-soltas-viii.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2016/10/covilha-noticias-soltas-vii.htm
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2016/09/covilha-noticias-soltas-vi.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2016/07/noticias-soltas-v_68.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2016/06/covilha-noticias-soltas-iv.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2016/04/covilha-noticias-soltas-iii.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2016/03/covilha-noticias-soltas-ii.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2015/12/covilha-noticias-soltas.html     

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Covilhã - Cartas Régias relacionadas com Povoações e Locais do seu Termo IV

Cartas Régias de doação, confirmação, aforamento, escambo ou jurisdição relacionadas com povoações e locais do termo da Covilhã

  O espólio de Luiz Fernando Carvalho Dias continua a ser um manancial de conhecimento. Estas cartas sugerem-nos o poder régio no termo da Covilhã e recordam-nos terras ou lugares que ainda hoje permanecem com os mesmos nomes. Sentimos necessidade de fazer ligação a muito do que já publicámos sobre o termo, os tombos ou a onomástica. Relembramos ainda o que apresentámos em Notícias Soltas XI e XII sobre o Dominguiso.(a)

Primitivamente o concelho da Covilhã alargava-se do Côa até ao Tejo: esta era a estrutura geral da carta de foral de D. Sancho I. Com a colonização interna, com a fundação e reedificação de aldeias e vilas, com o arroteamento das terras, as primitivas grandes áreas incultas cederam à indústria do homem. Pela sua vastidão, pela sua posição geográfica - o concelho da Covilhã foi uma espécie de alfobre de novos concelhos, ou então sofreu decepações várias para se alargarem e formarem concelhos cujas sedes se encontravam fora dos seus limites. Entre os primeiros citaremos S. Vicente, Castelo Novo, Ródão, Castelo Branco, Oleiros, Sortelha, etc.; e entre os segundos Penamacor. Todas estas modificações nas fronteiras e no interior dos concelhos se deram nos primeiros reinados - por isso aí devemos ir buscar as fontes curiosíssimas das lutas entre os concelhos que se formavam de novo e os concelhos velhos de que aqueles se desagregavam…” (b)

Mapa de Portugal e os limites prováveis do Alfoz
 da Covilhã ao tempo do Foral de D. Sancho I c)



Distrito de Castelo Branco e respectivos concelhos


Concelho da Covilhã


Concelho do Fundão, onde podemos encontrar Aldeia de Joanes, Aldeia Nova do Cabo, Souto da Casa


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Carta per que o dicto senhor (D. Pedro I) confirmou e outorgou ao concelho de souto da casa (1) dapar de coujlhãa todos seus priuillegios foros e bõos custumes de que sempre husarom e tec. em santarem xj dias dabril de mil iiij.c años. (1362)   (1)

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doaçam a aluaro pireira de hũu souto de caram em termo de coujlhaã e etc e outras herdades abaixo scriptas


Dom fernãdo pella graça de deus rey de portugal e do algarue. A quantos esta carta virem fazemos saber que nos querendo fazer graça e mercee a aluaro pireyra nosso vasallo por mujtos serviços que del Recebemos e entendemos del receber ao diante E querendo lho nos remunerar e conhecer cõ mercees como cada hũu rey he theudo denossa livre vontade fazemos lhe doaçam pura antre uiuos e a todos seus herdeiros e sucesores que depos del vierem e lhe damos por jur derdade hũu souto que nos auemos em termo de coujlhaã que chamã de caram apar daldea de Johane com todas suas perteenças pola guisa que nos aujamos E que per as rendas do dito souto e perteenças acabe a obra do moesteyro de sam francisco de coujlhaã pella guisa que per nos he mandado e que nom alce delle maão o dito aluaro pireyra ataaque nom seia acabado per a sobredictas rendas. Outrossy lhe fazemos doaçam pura antre uiuos e a todos seus herdeiros e sucesores que depos elle vierem e lhe damos por jur derdade a mata e ho souto da casa com seu julgado e termos e com suas entradas e saidas E com todas suas jurdições altas e baxas e mero e misto imperio saluo que Resaluamos pera nos as apellações do crime e a correiçam E mãdamos que faça nos ditos lugares e termos delles como de sua propria posisam. E que elle per sy e per sua propria auctoridade tome e possa tomar a posse dos dictos lugares e termos e pertẽeças delles. A qual doaçam por nos e nosos antecesores prometemos aauer por firme e stauel pera todo sempre daquj en diante e se algũas pesoas quiserem hir contra esta doaçã mandamos que lhe nom possa empecer Ca nos queremos e outorgamos que esta doaçam que assy fazemos ao dicto aluaro pireyra dos dictos lugares e termos e a seus sucesores seia ualiosa pera todo sempre nom embargãdo quaees quer leis direitos constituicoes glosas custumes opjniões façanhas e outras quaees quer cousas que seiam per que se esta doaçam possa embargar ou contradizer as quaees auemos por expresas e repetidas. E mandamos que nom aiam logo em esta doaçam nem lhe possam empecer Ca Nos de nossa carta scientia e poder absoluto queremos e outorgamos que esta doaçam seia valliosa sem nehũu fallimento pera todo sempre e auemolla por jnsinuada E em testemunho desto mãdamos dar ao dicto aluaro pireyra esta nossa carta asinada per nossa maão e sellada do nosso seello do chumbo dãte em cojmbra xxviij dias de feuereiro elrrey o mãdou afomso piriz a fez era de mil E iiij ͨ e dez años.  (1372) (2)


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Doaçam de hũu souto em termo de covjlhã a fernã uelho caualeleyro


Dom joham e etc A quãtos esta carta virem fazemos saber que nos veendo e consirando o mujto serujço que nos recebemos e ao diãte entendemos receber de fernã uelho caualleyro da ordem de santiago comendador daldea seca e portador desta carta E querendolho nos conhecer e galardoar com mercees como cada hũu senhor he theudo de fazer aaqueles que bem e lealmente seruem Porem querendo lhe fazer graça e mercee Teemos por bem e fazemos lhe pura doaçam antre uiuos valledoyra deste dia pera todo o sempre pera elle e todos seus herdeiros e sucesores que delle vierem do nosso souto que chamã da mercee que he em termo de coujlhaã a par daldea de johane. (3) O qual souto lhe damos com todallas rendas e direitos foros trabutos perteẽças E estradas e saidas del que nos em elle auemos e de djreito deuemos dauer Com entendimẽto que morrendo o dicto fernã velho sem descendentes lidimos que o de direito deuam herdar que o dicto souto se torne liuremente aa coroa dos dictos regnos Porem mandamos a quaaes quer almoxarifes scripuaães e a outros quaaes quer officiaaes que ora sam ou forem ao diante em qualquer tempo que por nos aiam darrecadar o dicto souto a que esta carta for mostrada que o leixem auer daquj en diante a el e a seus descendentes lidimos como dito he E ho possa lograr e posujr com todallas rendas e foros e trabutos nouos e perteenças del E fazer del e ẽ el todo o que lhe prouuer e por bem teuer como de sua cousa propria E que nos nem outra nehũa pesoa nom posamos contradizer a esta doaçam em parte nem em todo no embargando leis degredos façanhas grasas openjoões constitujcoes priujllegios liberdades graças e mercees e outras quaaes quer lex e direitos que em contrairo desto seiam fectos os quaaes nos aquj auemos por expresos e certificados E queremos e mandamos que o dicto fernã uelho per ssy ou per seus certos procuradores tome e possa tomar e cobrar e auer a posisã corporal do dicto souto e ho aia e logre elle e seus descendentes pella guisa que suso dito he E se lhe alguẽ sobre o dicto souto quiser fazer força ou poer embargo algũu mandamos a todallas nossas justiças a que esta carta for mostrada que lho nom consentam e ho mantenhã em posse del E em testemunho desto lhe mandamos dar esta nossa carta asignada per nossa mãao dante na cidade de lixboa xx dias dagosto o mestre o mandou Vasco piriz  a fez era de mjl iiij ͨ  xxij años. (Ano de 1384)  

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Confirmação de hũa doaçam que fez fernã mart͂jzcoutinho a Ruy uaasquez de castello brãco da quintaa daldea de Johane (3)


Dom Joham e etc A todollos corregedores juizes e justiças dos nossos regnos que esta carta virdes e a outras quaaesquer que desto ouuerem conhecimẽto a que esta carta for mostrada saude sabede que Ruy uaasquez de castello branco nosso uasallo nos mostrou hũu stormẽto pubrico de doaçam per que parecia que fernã mart͂iz coutinho outrossy nosso uassalo de sua livre vontade lhe fiz livre e pura doaçam antre uiuos valledoira pera todo sempre de todo o direito que elle auja e deuja daver na quintaa daldea de Johane e em todollos outros lugares que a ella perteencem e que de direito forom de vasco lourenço e de sua molher que foe corregedor em essa comarca da beira a qual quintaa e suas perteenças e beens diziam forom entregues a pero afomso de merlo per carta del rrey dom fernãdo nosso jrmaão a que deus perdoe por diujda que o dicto vaasco lourenço e sua molher ao dicto senhor Rey deujam e eram obrigados a qual quintaa e aldea de Johane e suas perteenças E outrossy todollos outros bẽes do dicto vaasco lourenço e sua molher o dicto pero afomso ouue aa sua maão e em sua posse E que nos fizemos mercee e doaçam ao dicto fernã mart͂jz de todollos bẽes assy mouees como de raiz que auia o dicto pero afomso por quãto se fora pera terra de nossos jmjgos e andaua allo em nosso deseruiço segundo todo esto e outras cousas na dicta doaçam mjlhor e mais compridamẽte he contheudo E pedia nos por mercee que lhe confirmasemos a dicta doaçam e mandasemos que fosse ualledoira pera todo sempre E Nos ueendo o que nos pedia vista a dicta doaçam Teemos por bem e confirmamos lha e mãdamos que se compra e guarde e seia firme e ualledoira pera todo sempre per a guisa que lhe foe fecta per o dicto fernã mart͂iz E mandamos a uos sobre dictos que os façaaes assy comprir e guardar e nom consentades que lhe nehũu contra ello uaa. Vnde al nõ façades E em testemunho desto lhe mandamos dar esta nossa carta dante na cidade de bragaa xuij dias de nouembro elrrey o mandou aluaro gonçalluez a fez era de mjl iiij ͨ xxvij años.  (1389)
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Scambo que el rrey fez cõ nuno viegas dando a terra da guiar de neyua polla quintaa e terra daldea noua


Dom Joham pella graça de deus Rey de portugal e do algarue A quãtos esta carta virem fazemos saber que nos juntamẽte com mjnha molher a Raynha dona fillipa filha do muj alto e mui nobre dom Joham ducque dalancastro damos em escambo e em nome de scanybo a uos nuno viegas do Rego scudeiro nosso uasallo e a jnes dias uossa molher a nossa terra daguiar de neuha a qual uos damos com todos seus termos e reguengos rendas e direitos e trabutos assy reaaes como pesoaães e com todas suas fontes e Ribeiras matos e pastos e com todallas jurdiçoões assy criminaees como ciuees que nos na dicta terra auemos assy e pella guisa que a nos auemos e de direito deuemos dauer a qual uos damos que a ajades liuremente e sem embargo nehũu pera uos e pera todos uosos sucesores que despois de uos uierem. E que outrsy a posades vender dar e doar e scambar arrendar aforar em infitiosim dar e em alhear e fazerdes della o que uos prouer assy como de uossa cousa propria e de uosa propria posisam E que outrossy posades auer e ajades na dicta terra daguiar de neyua mero e misto imperio pella guisa que a nos auemos. Polla qual terra daguiar de neuua uos nuno viegas e jnes diaz uossa molher dades a nos a uossa qu͂jtaa e terra daldea noua que he em termo de coujlhaã em scambo por a dicta terra daguiar de neuua E Nos nuno viegas e Jnes diaz minha molher damos a uos senhor Rey e a Rainha uossa molher em scambo e em nome de scanbo a dicta nossa qu͂jtaa e terra daldea noua que nos auemos em termo de coujlhaã polla dicta terra daguiar de neuha que a ajades cõ todollos direitos e trabutos foros e jurdiçoões e pella guisa que uos nos dades a dicta terra daguiar de neuua segundo suso dicto he E os dictos Rey e Rainha sua molher outorgaram de defender a dicta terra daguiar de neuha ao dicto nuno viegas e sua molher Ines diaz de quem quer que lhes sobrello queira poer embargos e os livrar de toda demanda e embargo sem sua perda e sem seu dãpno. E os dictos nuno viegas e sua molher Jnes diaz se obrigaram per ssy e per todos seus bẽes a defender ao dicto senhor Rey e Rainha sua molher a dicta qu͂jtaa e terra daldea noua de quem quer que lhe em ella quiser demandar e poer sobrello embargo. E pediram as sobre dictos nuno viegas e jnes diaz sua molher por mercee ao dicto Rey e Rainha sua molher que pera esto seer firme e stauel pera sempre que lhe mandasẽ dello dar hũa carta asinada per suas maãos dos dictos senhores Rey e Rainha e sellada com seus seellos. dante na cidade deuora a ij dias de feuereiro el rrey ho mãdou aluaro gonsalluez a fez era de mjl iiij ͨ  xxvij años.  (1389)


Notas dos editores:
a)http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2017/04/covilha-noticias-soltas-xii.html
b)http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/12/covilha-o-alfoz-ou-o-termo-desde-o.html
c) O mapa foi retirado pelos editores de "Do Foral à Covilhã do século XII", Fundão, 1988.

1) Veja no nosso blogue: http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/03/covilha-o-alfoz-ou-o-termo-desde-o.html





Nas "Memórias Paroquiais", 31 de Março de 1758, o prior Rafael Barata de Carvalho, entre outras coisas sobre o Souto da Casa, refere que existem "dois lugares - Chão de Cordeyro e Casal de Rebordão. Da Serra da Gardunha descem três ribeiros: Carcavão, Tormentozo, Gardunha Gabefaz."
Também é curiosa a revolta popular contra a casa senhorial Garrett devido à tentativa de apropriação de uns baldios do Carvalhal, um pântano onde outrora D. Dinis mandou plantar carvalhos e soutos.
2) http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/07/covilha-o-alfoz-ou-o-termo-desde-o.html
3)
Aldea de Joanne

Pelas Memórias Paroquiais de 1758 assinadas por o vigário João Lopes Perrucho, lemos que  Aldea de Joanne, hoje Aldeia de Joanes, pertence à Comenda do Marquês de Távora; que tem tem anexa a Aldeia Nova do Cabo; que nela nasceu D. Frei Diogo da Silva, que primeiro foi Desembargador dos Agravos, depois religioso, Bispo de Ceuta, Arcebispo de Braga e  Inquisidor Geral. Ainda hoje se chama ao local onde nasceu o "Outeiro do Bispo".
4) Os tombos como o “Tombo dos bens foros e propiedades que pertencem ao conçelho da Villa de Couilhã que se fez por mandado do Muy alto e poderoso Rey Dom Phellippe o 2.° de Portugal Nosso Senhor na era de 1615”, também nos permitem conhecer algo mais sobre estes lugares.
(http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2014/01/covilha-os-tombos-xiv.html)
                                    
Fontes - ANTT – Chancelaria de D. Pedro I, livº 1º, fls. 70 vº
ANTT – Chancelaria de D. Fernando – Livº 1º, fls 95 vº
ANTT – Chancelaria de D. João I, Livro 1º, fls 26v
ANTT Chancelaria de D. João I, Livro 2, fls 3v.
ANTT – Chancelaria de D. João I, Livº 2, fls 11    


As Publicações do Blogue:

Estatística baseada na lista dos sentenciados na Inquisição publicada neste blogue:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/11/covilha-lista-dos-sentenciados-na.html

As publicações no blogue sobre este assunto:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2017/11/covilha-cartas-regias-relacionadas-com.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2017/08/covilha-cartas-regias-relacionadas-com.html
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2017/06/covilha-cartas-regias-relacionadas-com.html

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Covilhã - Infante D. Luís, 6º Senhor da Covilhã I


Os Senhores da Covilhã



O Infante D. Luís é o 6º Senhor da Covilhã. (1) Nasceu a 3 de Março de 1506 e faleceu a 27 de Novembro de 1555. É o 4º filho de D. Manuel I e de D. Maria de Castela. Manifestou grande interesse pelas Artes, Ciências e Literatura. Conviveu com Pedro Nunes, D. João de Castro e Gil Vicente, entre outros. Foi Duque de Beja, senhor de outras cidades, condestável do Reino, fronteiro-mor da comarca Entre Tejo e Guadiana. Foi grão-prior do Crato e da Ordem de Malta.
D. Luís contra a vontade do seu irmão, o rei D. João III, tomou parte na conhecida expedição de Carlos V contra Tunis em 1530.
Luiz Fernando Carvalho Dias diz-nos acerca da Igreja de Santa Maria do Castelo: [] As suas preciosidades resumem-se hoje a uma custódia de prata dourada, cuja perfeição é digna de admirar-se, e a um valioso relicário do Santo Lenho, oferta do Imperador Carlos V ao Infante D. Luiz, após a conquista de Tunis.(2)
Segundo Carvalho Dias, a Igreja de Santa Cruz ou do Calvário é uma fundação primitiva do Infante D. Henrique, foi mais tarde restaurada e largamente dotada pelo Infante D. Luiz, filho do rei D. Manuel. A capela é quase toda revestida de talha dourada do século XVI e o tecto apainelado, com cerca de trinta e cinco telas, cenas da vida de Cristo. Somente sete, de entre estas, guardam a pureza primitiva, pois sobre as restantes já passou o vandalismo de uma restauração infeliz. Guarda-se neste templo uma preciosa escultura do Crucificado, digna de ser admirada.” (3)

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A ho Ifante dõ luis carta per que el rei ho fez Duque de beja e lhe da as villas de covilhã, sea, almada, etc

         Dom Joham etc a quamtos esta minha carta virem faço saber  que esguardamdo eu os gramdes miricimentos da pesoa do Jfamte dom luis meu muito amado e preçado jrmão e ao muj gramde amor que lhe tenho e por esperar delle que toda merce homra e acrecemtamêto que lhe fizer mo conheçera e serujra como quem ele he e com mujto amor que sey que me tem e segumdo a obrigaçam com que o deue fazer e tamto  a meu prazer e comtemtamêto que ho mujto amoor e boa vomtade que lhe tenho seja por jso cada vez mais acrecemtada / Por estas rrezoes e por consyguir e trazer a efeito a vomtade que el Rey meu senhor e padre que samta gloria ajaa tinha de lhe dar estado e ffazer merçe como era comteudo em hua sua carta que tinha mamdada fazer que ajmda nõ era por elle asynada ao tempo de seu falicimêto na quall me falou estamdo em pasamêto e me êcomemdou que asynase por elle ao tall tempo ho nam poder jaa fazer por sua jmdisposysam o que eu asy fiz por todos os sobreditos rrespejtos e por muito follgar de lhe fazer merce / tenho por bem e lhe ffaço merçe de titolo de duque da mjnha cidade de bejaa com todas as jmsynias homras premjnêcias precedemçias perogativas graças / semsoes liberdades priuilegios e framquezas que ham e tê e de que usam e sempre usaram e devê usar e gouuir os duques destes meus rregnos e asy como de direito e costume amtigo lhe pertemçer das quais ê todo e per todo quero e mamdo que ele jmteiramente use e posa usar e de todo gouujr e lhe sejam guardadas em todos os autos e tempos ê que com direito e por uso e costume delas deua usar e gouuir sem mjmgoamêto allgum outrosy por esta presemte carta lhe ffaço pura e yrreuogavell merçe e doaçam pera ê todos os dias de sua ujda das mjnhas villas de covjlham E de sea / e dallmada / e de moura / e de serpa / e de Maruam / e da terra e comçelho de lafões / e da terra e comçelho de besteiros / com todos seus termos e limites e com todas suas rremdas pportages direitos fforos trebutos pertemças e momtados rrios paçiguos momtes fomtes emtradas e saidas matos rrotos e por rromper e todas e quaisquer rremdas e cousas que nas ditas  villas e seus termos e limjtes e terras e comçelhos tenho e de direito me pertemçãa e asy como todo pera mjm se arrecada e deue arrecadar e eu ho ey e de direito deva aveer e mjlhor se ele com direito mjlhor ho poder aveer pesujr e arrecadar rresalluamdo soomemte pera mjm as rremdas das minhas sisas que nam am de emtrar nê se emtemder nesta doaçam e ficaram pera se arrecadar pera mjm asy como agora se arrecadam e ao diamte arrecadarem e com todos os castellos e allcaidarias mores das dictas villas e lugares e teras e rremdas e direjtos deles e com todas suas jurdiçoes de çiuell e crime mero mjsto jmperio rresalluamdo pera mim soomemte a coreiçam e allçada  / E com a dada de todos os ofiçios das ditas villas e lugares terras e comçelhos que forem de mjnha dada e prouimento tiramdo os da arrecadação das sysas e com todos os padroados das jgrejaas das ditas villas lugares terras e aos que forem de meu padroado e apresemtacam tiramdo e rresalluamdo aquellas que a feitura desta mjnha doaçam sam tomadas e emcorporadas em comêdas da hordê do mestrado de noso senhor jhesu christo por que nestas nom auera lugar e porem das vigairias e rreitorias das ditas jgrejaas me praz que ele posa proueer e prouejaa a quem lhe aprouuer por falicimêto daqueles que as tiuerem e em quallquer outra maneira em que vagareem e os que delas prouer se confirmaram nelas a sua apresemtaçam peelos perlados das dioceses em que forem segumdo de direito se deue fazer e quero e me praz que se posa chamar senhor das ditas villas e terras / e quero asy mesmo e lhe outorgo que os juizees e tabaliaees das ditas villas lugarees terras e comçelhos se chameem por ele e que os ditos tabaliãees posa dar e de por suas cartas por ele asynadas e aselladas do seu seelo sem serem hobrigados aqueelas a que deles prouer asinar (sic) mjnha comfirmaçã sem embargo de mjnha ordenaçam no livro segumdo titollo titolo (sic) (que começa) com as rrainhas e jfantes e soomemte tomarã de mjnha chancelaria seus rregimemtos / e que posa confirmar e confirme por suas cartas os juizes que sairê feitos por emlições segumdo forma de mjnhas ordenações / E asy meesmo lhe outorgo que seus ouujdores posam conhecer e conhecam dos agravos asy como deles avjam de conheçer os meus coregedores das comarcas se a eles fosem e os despachê como lhe pareçer direito e justiça / Outrosy lhe faço asy doaçam e merce pera ê todos os dias de saa vida da allcaidaria moor e castello e rremdas dele da mjnha cidade de tavilla todo asy e na maneira que agora se arrecada e a mim pertemçe e mjlhor se elle com direito ho mjlhor poder aver arrecadar e pesuir E porê por quamto allguas das rrendas e dereitos das ditas villas e terras e allcaydarias mores e rremdas dellas sem (?) agora hocupadas com as pesoas a que sam dadas / declaro que nõ avera esta merce e doacam lugar naquelas cousas que ha feitura della som dadas e comfirmadas por mjm aas pesoas que as tem e somête avera efeito quado (sic) per falicimêto delas ou ê quallquer outra manejra vagarê e êtam as avera e viram a eles. Porem Mamdo a todos meus Corregedores juizes justiças oficiaes e pesoas a que esta mjnha carta for mostrada e o conhecimento dela pertemçer que metam o dito Imfamte meu jrmaão e aquelas pesoas que ele em seu nome e cõ seu poder êviar ê pose da jurdiçam das ditas villas e lugares terras e comcelhos asy per esta doacam lho outorgo e o leixem della usar por sy e por seus ouujdores como nela se contem e como por mjnhas ordenacoes ho devê e podem fazer E asy mesmo lhe mamdo e aos juizes e oficiaes das ditas vilas e logares que vagamdo as allcaydarias mores delas lhe dem a pose com suas rrêdas e direjtos asy como lhe pertemçerê e aquelas pesoas que ele delas prouer e aos meus contadores almoxarifes e oficiaes de minha fazenda que das rremdas e djreitos das ditas vilas e logares terras e comçelhos lhe dem a pose vagamdo por aqueles que as agora tem pera as aver e arrecadar asy como per esta doaçam lhas outorgo e asy das jgrejas que forem de meu Padroado e apresemtaçam que vagarê por aqueles que as tê No modo que dito he ê espiçiall no que por bem de seus ofiçios lhe tocar mamdo que ê todo e por todo lhe cumprâ e guardê e façam jmteiramête comprir e guardar esta minha doacam como nela he conteudo sem duujda nê embargo allgum que lhe a ello seja posto porque asy he minha merçe e os ditos meus contadores facam rregistar nos livros dos meus propos (sic) esta doaçam pera se saber como asy tenho dado todo o que dito he ao dito Ifamte meu jrmão ê sua vida e o dito Ifante meu jrmão me fez preito e meenagem pelas fortelezas e castelos das ditas vilas segumdo foro uso e costume destes meus rregnos a qual fiqua asemtada  no livro das menages dada em a cidade de cojmbra a b dias dagosto ho secretario a fez ano de noso senhor Jhesu christo de mjll bc xxbij(4)

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5)


Saybham quoamtos este estorm.to dado / em pp.ca forma p mãdado e autorydade / de Just.ça vyrem como no año do nacy/mẽto de noso sñor Jhũ Xpõ de myll / he quynhẽtos e trỹta he sete años / aos vymte dias do mes de outubro do / dito año em a vylla de covijlham / em a casa da cam.ra da dita vylla / estamdo hi o L.dº Joam perdyguam juiz / de fora com allçada em a dita vylla / pelo Yfamte dom luyS com autory/dade dell Rey noso sñor he bem asy / antonyo de matos / dyoguo mẽdes / veradores o presemte año em a dita vy/la he bem hasy mijgell de queyros pro/curador do comcelho fazẽdo todos cam.ra / loguo pº os ditos vereadores he procu/rador foy dito ao dito juiz q̆ em poder / de mỹ t.am ao dyamte nomeado / estavam hũs autos e trelado das do/ações q̆ ell Rey noso sñor dera e outor/gãra ao dito Yfamte dom luys / outrosy e q̌ ora a ca/mara da dita vylla tynha necesy/dade do trelado de tudo pera se ajũtar / aho feyto q̆ a dita câmara e comce/lho da dita vylla ora traz pamte / ho L.do Joam de vydeyra corejedor / em pynhell e esto com a vylla de / penamacor sobre hos termos he / q̆ p ello pedyam a ele juiz q̆ lho mãdase dar em pp.ca forma o q̆ vysto pº / ho dito juiz mãdou a mỹ t.am q̆ eu / lho dese asy e da m.ra q̆ ho elles so// (I vº) //bredytos pedyam dos quais autos he / doaçõys ho teor delos de verbo verbo / he todo ho seguỹte # L.do afomso / da costa juiz de fora com allçada pollo / Ifamte dom luys p autorydade dell Rey / noso sñor em esta vylla de covijlham / he seu termo e ouvydor do dito yfamte / da vyla de sea e outras suas terras / a vos juizes e justiças das ditas vyllas / he terras do dito Imfamte e a todas as / pesoas a q̆ esta carta testemunhavell / for mostrada saude sabey q̆ a mỹ en/vyou hora sua allteza hũa sua carta / asynada e asellada e pasada per ha sua chamcelarya de que ho teor de verbo / a verbo he o seguỹte # dom joam per ğça de ds̆ Rey de portugall e dos allgarves / daquem e dalem mar em afryqua / sñor de guyné e da comquysta nave/gaçam comercyo detyopya aRabja / persya e da Imdya / a quoamtos esta / mynha carta testemunhavell for mos/trada e o conhecymẽto della per/tẽcer faço saber q̆ p parte do Im/famte dom luiS meu m.to amado / he prezado Irmão me foy apresemta/da hũa mynha carta per mỹ asy/nada e asellada do meu sello de / chumbo e pasada polla mynha chã/celarya da quoall ho trelado he o segujmte # dom joam por graça / de ds̆ Rey de ptugall e dos allgarves / daquẽ e dallem mar em afryquaa / Sñor de guyne e da conquySta na//(II)veguaçam comercyo detyopya arabya / persya e da Imdya a quamtos esta / mynha carta vyrem faço saber q̆ ha / vemdo heu Respeyto ao gramde amor / q̆ tenho ao Imfamte dom luys meu / m.to hamado he presado hyrmãoo co/mo he m.ta rezam pellos gramdes / merecymẽntos de sua pesoa e asy co/mo pellos Reys meus amtepasa/dos diguo amtecesores foram dados / muytos pryvillegyos aos Imfamtes / seus filhos o q̆ a ello não menos / devo fazer amtes mays em especy/all lhos acrecemtar he pello muyto / hamor q̆ sey q̆ me tem e esperar de/lle q̆ toda mẽcẽ q̆ lhe fizer me servyrá / asy bem como ho elle o deve fazer he / muyto amor comtẽtamẽto e p / follgar de muyto lhe fazer mercê / tenho por bem he lhe outorguo os / pryvyllegyos habayxo decrarados # / prim.ra.mẽte quero e me praz he lhe outorguo q̆ ho ouvydor de sua casa / e q̆ ello nella comsyguo trouxer pa/se sob nome do dito Imfamte meu hyr/mão todos os despachos q̆ p elo forẽ / despachados e de q̆ ouverem de sayr / Sñças cartas mãdados e quays/quer outras provysoys q̆ p elle / dyto ouvydor ouverem de ser asyna/dos e asellados asy com os selos / do dito Imfamte meu hyrmãoo / como pryorado do crato q̆ elle tem / em comẽda # E lhe outorguo // (II vº) quero e me praaz q̆ todas as apelaçôys / e agravos asy de feytos crymes como / cyveys q̆ sayrem damte hos juyzes / e oficiaes de suas terras q̆ poder tyve/rem de jullguar e asy damte os juyzes / e ofyciaes do dyto pryorado do crato ve/nham direytamẽte aSeus ouvydo/res das ditas suas terras e pryorado / sem prymeiro vyrem a outra parte he / delles aquẽ hordynariamẽte e com dr.to / pollas hordenaçôys devem de vyr Sall/vo quamdo pº meu especyall mãda/do ho comtrayro mãdase e fazẽdose / em outra m.ra quero e me praz q̆ / ho despacho he sn͂ça q̆ nyso for dada / seja nhũa e de nynhũ vygor e se aja / em todo anullado o q̆ nyso for feyto / Ressalvãdo o q̆ p meu especial mã/dado vyese como dito he. # he neste mesmo modo e m.ra me praz / q̆ se faça he guarde naquellas haa/pellaçôys e agravos q̆ dyreytam.te ou/verem de vyr ao ouvydor de sua quasa / homde helle estiver com ho dito Im/famte meu hyrmãoo e porẽm semdo / caso q̆ ho dito Imfamte meu hyr/mãoo aquellas apellaçôys e agra/vos de cassos especiaes somẽte que / hordynaryamẽte ham de yr aos ou/vydores de suas terras e delles ham de / vyr dyreytamẽte aos ouvydores da / mynha casa da soprycacam has queyra / mãdar vyr ao dito seu ouvydor / q̆ em sua casa trouxer p.ª dellas co/nhecer asy como hos ouvydores das / terras o avyam de fazer hey pº bem // (III) e lhe outorguo q̆ ho posa fazer p.º / ser asy menos hopresam das p.tes / e ysto somẽte quoamdo o dito Imfã/te meu hyrmão em minha corte / estiver pº q̆ estamdo fora della ho / no podera fazer nẽ avera llugar / e o dito seu ouvydor as despachara / como lhe parecer just.ça e della / hirãm pº apellaçam aos ditos meus / ouvydores como se avya de fazer / conhecẽdo dellas hos ouvydores de / suas terras. # E quero e me praaz / e lhe outorguo q̆ as apellacoys e a/gravos q̆ sayrẽ damte hos seus all/moxarifes mordomos e ofycyaes / de sua fazẽda asy de suas terras como / do pryorado venhã direitam.te a sua casa / ao ofycyall pryncypall de sua fazẽda / q̆ elle nella tyver ou ao seu ouvydor / q̆ consyguo em sua quasa trouxer / e delle ao juiz dos meus feytos da ca/sa da sopcacam a q̆ pretẽce e os sobre/ditos allmoxarifes mordomos / e hofycyaes daram as ditas apellaa/çoys e agravos daquellas comtyas / em q̆ por bẽ de mynhas hordenacoys / ho devẽ fazer. # E lhe outorguo he / me praz q̆ o seu ouvydor q̆ em sua ca/sa trouxer conheça em mynha cor/te quoãndo o dito Imfamte meu hyr/mão nella estyver de todas as cou/sas asy como ho podyam fazer / ordynaryamẽte seus ouvydores de / suas terras he pryorado nos luga/res de suas coReycoys e ouvydoryas // (III vº) // e como he mãdado pola hordenaçam / que ho posam fazer os ditos ouvydores / e asy ho posa fazer he faça em / quallquer llugar he termo dele / homde o dito Imfamte meu Irmão / estiver e delle vyram pª apelaçam / e agravo aquẽ de direito pertẽcer. # E lhe outorguo asy mesmo que / os ouvydores de suas teras e pryora/do posam dar he dem cartas de se/guro naquelles casos e naquella / propya forma modo e m.ra que as / podem dar e dam os meus corejedo/res das comarquas. # E lhe outor/guo quero he me praz q̆ hos seus / ouvydores de suas terras e os do pryora/do conheçã pº aucam nova no llu/gar e termo omde estiverẽ som.te e / esto segũdo forma da ordenaçam nova / q̆ hora fiz da m.ra em q̆ amdão das vystas / auçôys novas de conhecer os meus co/Regedores das comarquas he nam em / outra m.ra. #  E lhe outorguo que/ro e me praz asy mesmo q̆ os dito / seus ouvydores de suas terras he pry/orado husem em suas ouvydoryas / de todas aquellas cousas de que / pº coreycam husam os meus core/gedores das comarquas e em todo / provejam e façam o q̆ue os ditos core/gedores das comarquas podem e devẽm fa/zer pelos Regimẽtos de seus ofícyos / q̆ estam icorporados nas ordenaçoys e asy mesmo posam husar os // (IV) ditos seus ouvidores de todo o que aos / ditos coregedores das comarquas he / mãdado q̆ façam e de q̆ue husam / pollas hordenaçõys q̆ue provejam / e façam pº q̆ de todo o que pº bem / de seus Regymẽtos e pellas ditas / hordenacoys husam e devẽ e podẽm / husar os ditos coregedores quero / e me praaz q̆ue usem he façam os / ditos seus ouvydores asy em suas / terras como em todo o pryorado p.ºr se/rem provydas as cousas da just.ça / asy como por bem della e da boa go/vernança da terra he meu servyço / se devẽm fazer pº q̆ comfyo q̆ ho dito / Imfamte meu hyrmãoo escolha / pª seus ouvydores taes pesoas q̆ to/do bem façam e como em bem sejaa / servydo he tambem pº. q̆ nam se fazẽ/do asy pollos ditos ouvydores p. os / meus coregedores pº. bem do pryvylégio / q̆ tem o dito Imfamte meu hyrmão / nam averẽ de emtrar em suas te/rras nam se provyam as ditas cou/sas asy como pº. mỹ he mãdado / q̆ se provejam e façam. # E lhe / outorguo e quero e me praaz q̆ue se / as viuvas e pesoas myseráveys quy/serẽ escolher os ditos ouvydores do dy/to Imfamte meu hyrmão p juízes / em suas causas o possam fazer asy / como polla ordenacã o podem fazer / os moradores da corte e nos casos // (IV vº) em q̆ elles ho podem fazer quoãdo / asy pº. ellas forem escolhydos e to/mados pº. juízes husaram os ditos / ouvidores do poder e jurdiçãm q̆ nestes / casos he dado aos ditos coregedores da / corte pollas ordenaçõys e nam em / outra m.ra. # E outorguo ao dyto / Imfamte meu hyrmão q̆ posa dar he / dê cartas de fymtas e tayxas asy nas / villas he llugares de suas terras como / nas de todo ho priorado e Isto somẽte p ao / q̆ cõprir p ..... bemfeytoryas dos / mesmos lugares he pª allgũas de/maãas q̆ os tays llugares tragam / pº bem e proveyto dellas e de necesida/de nam posam escusar asy semdo / autores como Reus emformãdo se / prym.ra.m.te mente (sic) o dito Imfamte / meu hyrmão por seus ouvydores / da necessidade q̆ tem e da comtya q̆ / sera neceSarya e pôrem as cartas he / provysois pª as dytas fymtas e ta/lhas (sic) nam pasaram sallvo pelo dyto / Imfamte meu hyrmão e pºr elle / asynadas e nã em outra m.ra he / será no tirar e arecadar do drº. das / dytas fymtas e tayxas a maneyra / q̆ ho mãdado q̆ se tynha pollaa / ordenaçam quoãdo as ditas taixas / e fymtas sam outorguadas a all/gũs comcelhos. # E me praz he / lhe outorguo q̆ em suas terras e nas / do pryorado seus ouvydores posam to/mar e de feyto tomẽ comta aos // (V) comcelhos de como gastaram e des/pemderam as Remdas delles asy e na/quella propya forma e maneyraa / q̆ pº. meus regimẽtos o podem he / devem fazer os provedores e  comta/dores dos reSydoS e terças das comar/qas pera o q̆ue acharem q̆ue mall gasta/ram e como nõ devyam lho fazer / torvar e fazerẽ nyso o q̆ lhe parecer / just.ça com tall declaraçam porem / q̆ quoãdo os ditos ouvydores tomarẽm / as ditas comtas não llevẽ pera yso / premyo allgũ e com esta declaraçãm / se emtẽda e q̆ nam prejudique nẽ / tolha aos ditos meus provedores e / comtadores dos residos e terças / das comarquas tomarem he pre/verem as ditas comtas posto que pe/llos ditos ouvidores as achem to/madas se lhe parecer bem he meu / servyço o fazerem e acerqua diso pro/verẽ e emmẽdarem o q̆ bem he justª / he meu servyço lhe parecer segum/do forma de seus Regimẽtos os quais / os ditos ouvydores Imteiram.te / cõpryrã e guardarã quoãto as / ditas comtas asy tomarem # E me praaz he lhe outorguo q̆ pº. sua / liçẽça e autorydade os allcaydes / pequenos de suas terras e das do / pryorado sirvam seus ofycios mays / tp͂o dos tres anos ordenados ven/do elle q̆ ho fazẽ bem e como devẽ / e asy como cõmpre a bem de Just.ça // (V vº) e nam avemdo outras pesoas q̆ nyso posam emtrar he servyr # lhe / outorguo he me praz q̆ os corege/dores das comarquas nam posam / emtrar nẽ entrẽ a fazer coreiçãm / nẽ outra allgua dylyjẽcia de jus/tiça em suas terras nẽ nas do / dito pryorado salvo p meu espe/ciall mãdado. # E me praz he / lhe outorguo q̆ o ouvydor de sua / casa e os ouvydores de suas terras / e pryorado posam trazer he ter seus / meyrinhos espvãos e ofyçyais / ordenados nam llevamdo outros mo/res dr.tos nẽ salayros q̆ aquelles / q̆ lhe sam ordenados p minhas or/denacoys e q̆ asy mesmo posa / ter e tenha chamcellarya na quoall / se não llevará mais q̆ue aquello q̆ / tem pº outra mynha carta em q̆ / declaro o q̆ se aja de llevar de chã/cellarya. # E lhe outorguo que / por seus allmoxarifes Recebedores / e todos os oficiaes de sua fazẽda / de suas terras e do pryorado Recadem / suas remdas he façam exuquocãm / das dyvidas dellas asy e naque/lla propya forma modo he ma.ra / q̆ se Recadam e exuquetam has dy/vydas de mynhas remdas pº que / Imteyram.te me praz q̆ usem dy/so seus ofycyais como husam // (VI) hos meus. # E porem mãdo ao / meu Regedor da casa da supryca/cam e ao governador da casa do cy/vell q̆ ora sam e ao dyamte forẽm / e a todos meus coregedores desã/bargadores juízes justiças ofycy/ays e pessoas a q̆ue esta mynhaa / carta for mostrada e o conhe/cymento della ptemcer q̆ em todo lho / cũprãm he guardem e façã cõpryr / e guardar os pryvylégyos gra/ças promynẽcyas e todas as cou/sas nella comteudas sẽ duvyda / nẽ embarguo allgũ q̆ a ello ponhã / pº q̆ todas as ditas cousas e cada / hua dellas lhe outorguo sem em/barguo de quaysquer mynhas or/denacois lleis e todas e quõaesquer / cousas q̆ em comtraryo dyso sejam / p q̆ todo q̆ comtra ysto for ou com/tra pte dello Revoguo caso (?) e cance/llo e quero e mãdo q̆ não aja lu/gar nẽ cõntra yso tenhã força he / vygor allgũ e todo hey pº nhũ posto / q̆ em sy tenhã chansellas tays de q̆ expresamẽte se Requeyra fazer / expresa mẽçã e decllaraçã de verbo / a verbo pera q̆ imdo teor da desposyçã / dellas deva ser Imteyramẽte im/formado e certifycado p q̆ de mynha / certa cyemcya as anullo e de//(VI vº)roguo e ei por nhũas como dytohe / e todas e quoays quer q̆ue sejam como fo/rem comtra quoallquer das dytas / cousas aquy comteudas em parte / ou em todo has hey p expresas e de/cllaradas e quero e mãdo q̆ asy co/mo de verbo a verbo aquy fosem certas / se cumpra e guarde em todo e por to/do este meu pryvylegio p q̆ asy / he mynha merce como dito he / dada em a cydade de Lixboa berto/llameu fr̆z a fez a doze de fevereyro / año de noso sñor Jhũ Xp̆o de myll / e quynhẽtos e vymte e nove años. / # E apresentada como dito he o dito / Imfamte meu hyrmãoo me mã/dou pydyr q̆ lhe mãdase dar o tre/llado della em hũa mynha car/ta pera a mãdar a allgũas p.tes om/de era necesareo a mãdar pº q̆ se / temya de mãdar a propya e se / perder e visto por mỹ o q̆ me dizer he / pedir emvyou e a dyta carta per am/te mỹ apresemtada e como he  lim/pa he sãa e carecyda de todo vycyo he / duvyda lhe mãdey dar o trellado de/lla em esta mynha carta testemu/nhavel àquoall mãdo q̆ seja da/da tanta fee e auto/rydade como / haa propya dada em esta mynha / cydade de lixboa aos doze dias do / mes dabrill ell Rey ho mãdou pe/llo doutor allvaro fr̆z do seu desem// (VII) bargo q̆ por seu especyall mãda/do tem careguo de seu chamSeller / mor cõ (?) pero Guomez da Rosa ha / fez ano de noso sñor Jhũ Xp̆o de mill / he quynhẽtos e vymte he nove años / nom faça duvyda no Respaçado (sic) q̆ diz / dito pryorado do crato venham e na am/tre lynha q̆ diz dito # E pº q̆ se fez pº hyr na / verdade. # da quoall carta q̆ me / asy o dito Imfamte mãdou eu mãdey / fazer esta p.ª esa vylla p.ª por ella / saberdes ho q̆ue aveys de fazer he / cõmpryr em as cousas de sua allteza / e vos mãdo q̆ em todo e por todo a ve/jays e a cumprays asy he pella ma/neyra q̆ nella se cõtem e a lamça/reys e fareys deitar no livro e ar/qua da cam.ra desa vylla de sea pª. a / todo tempo se saber ha m.ra q̆ se ade ter he / p verdade Joam mẽdez t.am do dyto / Imfamte dom luys noso sñor em / esta vyla de covylhãa e seu termo / a escrevi e trelladey e cõcertey e assy/ney do meu puvriquo sygnall com / o dito juiz oje vymte e nove dias do / mes de mayo do año de myll he quy/nhẽtos e vymte he nove años # e eu antonyo pymỹtell t.am do judiciall em / a dita villa de covylhãa he seu termo pe/llo Ifamte dom luiz noso sñor q̆ este / estormẽto estpvy e trelladey em ello todos / os autos e doacõis em ello declarados / pº. estarem em meu poder asy e da m.ra q̆ / se em este estormẽto comtem hoje vymte // (VII vº) e quoatro dias do mes doutubro do ano do / nacym.to de noso sñor Jhũ Xp̆o de myll he / quynhẽtos he trymta he sete años e o con/certey com outro t.am e p.ºr certeza dello assy/ney aqui do meu pp.º synall q̆ tall he o /  quoall vay todo lympo sem llevar coisa q̆ / duvyda faça.
                                                       pg. deste o pp.dor do cº. cẽto e trỹ/
                                                       ta rs a my t.am

                                           (sinal)  

            Concyrtou comyguo F.cº Aº t.am
a)                                                Fr.cº afomso



Fontes 1) http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2012/06/covilha-o-senhorio-ii.html
2) Este relicário encontra-se agora no Museu de Arte Sacra.
3) http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2013/04/covilha-fotografias-actuais-vii.html
4)  ANTT – Chancelaria de D. João III, Lº 30, fls. 120.
5)  Imagem da primeira página da pública-forma.

As Publicações do Blogue:

Estatística baseada na lista dos sentenciados na Inquisição publicada neste blogue:
http://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.pt/2011/11/covilha-lista-dos-sentenciados-na.html