quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Covilhã - Memoralistas ou Monografistas IV

Continuamos hoje a publicar os monografistas da Covilhã, começando com algumas reflexões de Luiz Fernando Carvalho Dias já publicadas neste blogue. Seguidamente voltamos a apresentar a Memória de João Macedo Pereira Forjaz.

“Convém enumerar os autores de monografias da Covilhã, os cabouqueiros da história local, aqueles de quem mais ou menos recebi o encargo de continuá-la, render-lhes homenagem pelo que registaram para o futuro, dos altos e baixos da Covilhã, das suas origens, das horas de glória e das lágrimas, dos feitos heróicos e de generosidade e até das misérias dos seus filhos, de tudo aquilo que constitui hoje o escrínio histórico deste organismo vivo que é a cidade, constituído actualmente por todos nós, como ontem foi pelos nossos avós e amanhã será pelos nossos filhos.” […]
[…] O século XIX abre com o trabalho do luso-brasileiro, oriundo da Covilhã, Dr. João António de Carvalho Rodrigues da Silva sobre a indústria dos lanifícios. Tivemos oportunidade de publicar uma segunda edição deste curioso estudo na revista “Lanifícios”, (a) no ano de 1955. Continua a série com a memória do Dr. João de Macedo Pereira Forjaz, bastante documentada.” (b)

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“Esta Memória da Covilhã e da sua indústria, da auto­ria de João Macedo Pereira Forjaz foi escrita para a Aca­demia Real das Ciências de Lisboa. Como instrue a notícia manuscrita que a antecede, subscrita pelo Dr. António Mendes Alçada de Morais, que no-la transmitiu, não está completa, embora o pareça, e o seu autor teria sido advogado, segundo a mesma fonte.
Cumpre esclarecer que não encontrámos, no fundo da Biblioteca da Academia das Ciências rasto desta Me­mória, pois não deve ter chegado a entrar na referida instituição; do autor também não achámos qualquer refe­rência no arquivo da Universidade de Coimbra; assim haverá, que rever a hipótese da profissão que lhe foi atri­buída.
Devemos a gentileza desta cópia ao Dr. Luiz Filipe da Fonseca Morais Alçada.
     O Dr. António Alçada, como era mais conhecido, nota­bilizou-se como advogado e jurista: escrevia elegantemente e deixou inéditos um livro de versos e um romance incom­pleto cujo enredo decorre na Roma dos Césares. Publicou além de várias minutas de recurso para os tribunais superiores, uma pequena Memória da Covilhã, sua terra natal, como representação da cidade, nos pri­meiros anos da república, destinada a conseguir uma pro­moção a capital de distrito.
Como seu tio, Dr. Valério Nunes de Morais, também o Dr. António Alçada foi jornalista de mérito.
No capítulo da sua actividade jornalística cabe referir não só alguns estudos de história da cidade, publicados na peugada do seu referido tio ou em colaboração com ele, mas também outros, que, sob o pseudónimo de Diogo Nu­nes, dedicou à divulgação dos progressos industriais, ins­pirado em revistas técnicas estrangeiras, o que representa uma contribuição meritória à formação técnica da cidade que lhe foi berço.” (c)

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“Este manuscrito é devido à pena do eminente advo­gado da vila da Covilhã, Dr. João de Macedo Pereira For­jaz, que o fez para concorrer como candidato à Academia Real das Ciências de Lisboa.
Não chegou a concluí-lo. Parece aliás, concluído.
Esta cópia foi textualmente extraída, sem nada alte­rar do manuscrito existente na biblioteca do Ex.o Se­nhor Dr. Manuel José Gonçalves dos Santos Gascão, con­servando-se a própria ortografia.
Esta cópia foi tirada em 1905 por António Mendes Alçada de Morais e pertence-lhe.” (d)

Descrição Analítica e Económica da Notável villa da Covilhã, do seu antigo, e grande distrito, e da famigerada Serra d'Estrela, acompanhada de notas e peças justificativa.
(Continuação)

CAPITULO V

Dos antigos magistrados da Covilhã e daqueles que ao presente há na dita vila e outras notícias da mesma

      Tendo esta notável vila nos tempos antigos sido sempre governada pelos seus homens bons, logo que em 1495 foram creadoo pelo senhor Rei D. Ma­nuel os juizes de fora, passa por certo ter sido o seu primeiro juiz o Licenciado Vicente do Pico a quem S. Majestade deu 30 000 de ordenado, 20 por sua conta e dez pelo concelho.
      É o primeiro juiz de fora de órfãos o Licenciado João Rodrigues, em 5 de Julho de 1557, a quem S. Majestade deu alçada de 20 000 reis e deles para baixo, nos bens móveis, e poder para impor penas de 500 reis quando lhe parecesse, tudo sem apelo nem agravo, e que pudesse trazer vara branca como os juízes de fora, que lhe dessem casas e três camas, uma de escudeiro, e duas de homem de pé, a primeira a 150 por mês, as segundas a 90 reis por ano.
      Continuaram, pois, estes dois magistrados e os que se lhe seguiram a exercerem as suas ocupações até a futura vila do Fundão, em que ficaram os dois juizes unidos como ao presente estão; tendo hoje além deste, o juiz conservador das fábricas e lanificios das três comarcas, Guarda, Castelo Branco e Pinhel cujo juiz é privativo para tudo o que for dos mesmos lanificios.
      O juiz de fora tem hoje uma boa casa de aposentadoria na praça daquela vila, com a comodidade para também se aposentarem os ministros que vierem em correição ou em alguma outra deligência, que se mandou fazer com o produto das tabernas.
      Na primeira sala desta casa se fazem as audiências dos costumes, e na arcada que fica por baixo da mesma casa se vende diàriamente todo o género de grão e muitos outros viveres, tendo também casa unida para se recolherem os que crescem.

Pelourinho - A Câmara filipina

      A casa da Câmara é no sítio do pelourinho, é boa e está bem asseada, e além dos vereadores e oficiais do costume tem por provisão 24 homens do povo, que assistem às principais deliberações e funções que ali se fazem. Os seus rendimentos são poucos e, por isso, se tem valido da provisão para arrematar as tabernas, com que tem feito calçadas e outras obras úteis.
      O livro das posturas da mesma Câmara não contém cousa que se não encontre em todas as do Reino e portanto, me parecem desnecessárias as suas análises.
      A cadeia, fica unida à Casa da Câmara e sendo uma das melhores da comarca (23) não deixa de ter as incomodidades que padecem as de Portugal, muito principalmente quando os Magistrados não velam sobre os sagrados direitos da humanidade, o que sucede de ordinário, verificando-se também na mesma a fiel e enérgica pintura, que Filangieri faz das cadeias do seu país.
      Também nesta vila houve uma forca de que ainda hoje há vestígios por baixo do convento de Stº António, para a vista da Ribeira do Bribáo. O Dr Filipe Toscano de Souza, natural de Penamacor, deu em 1625 uma sentença de forca contra um malfeitor para ser enforcado na forca da Covilhã, o que demonstra ter havido execuções na mesma, que foi demolida por um almotacé que em 1750 gastou a pedra nas calçadas.
      As ruas desta Vila são quase todas apertadas e ingremes, atendendo ao lugar donde se acha situada mas tem uma boa praça a que chamam o pelourinho, cercada toda de casas, com um chafariz ao cimo; porém a maior parte destas casas são antigas e mal construídas e as que se têm feito de novo só próprias para o cómodo e trato das lãs de que usam quase todos os seus moradores, assim como as mulheres que se ocupam em escolher a lã, limpar os panos dos nós, fiá-la em rodas de tecer dorguetes, e por isso além destes ofícios, só tem os de primeira necessidade mas os salários de um e d'outros tem crescido incomparàvelmente, não diminuindo nunca o luxo que é extremo e as festas de touros e outros mais próprios do país a que são muito inclinados.
      Em outro tempo teve esta vila muitas casas nobres pois é constante ter tido 60 homens filhados; hoje só conserva duas que são Macedos e Tavares, o mais fabricantes, homens de negócio e outros semelhantes.

O Pelourinho na actualidade
Fotografia de Miguel Nuno Peixoto de Carvalho Dias

      Tem além das sobreditas feiras, mercados todos os meses que se fazem no pelourinho onde se vendem todo o género de viveres, panos, baetas e tudo o mais que costuma concorrer a semelhantes lugares; e seria para desejar os houvesse todas as semanas, e que este uso se estabelecesse na Vila do Fundão e em outras mais Vilas do Reino porque conduzem muito, diz Campomanes, a estimular a contracção interior e a dar saída aos efeitos da indústria popular, contribuindo também a conter o monopólio.
      É a mesma vila abundante de carnes e leite, este se costuma vender pelas ruas todos os dias, a carne de vaca se vende em dois açougues, um do povo, outro a que chamam dos clérigos, que tiraram provisão para o terem separado mas a carne de que mais usa o povo é de rez miúda a que dão o nome de rasto, que se faz todos os Domingos na dita praça do Pelourinho, e em sítio pegado a que chamam Matadouro e ali como em mercado, se junta muito gado de lã e caprino, e compra cada um o que quer para toda a semana, levando-a para suas casas, repartindo-a nas mesmas, que são outros tantos açougues; de cujas carnes pagam Real d'Agua.
      Junto da Vila há alguns olivaes mas o azeite não é bastante para o gasto da mesma, e seus lanifícios.
      Tem boas vinhas que dão o mais saboroso e delicado vinho que não supre também o consumo; e soutos que dão muito boa castanha, cuja lenha usam para o combustivel; e mais de carvão que lhe vem da serra e lugares do termo; mas seria melhor que reduzissem a maior parte destes soutos a olivais e vinhas para suprirem o que lhes falta, e semearem mais pinheirais nas serras imediatas em que podia haver imensos, suprindo com a sua madeira a que vão buscar às serras de Alcongosta, termo da Vila do Fundão, e também as Lenhas de que carecem.
      As suas quintas são muitas e boas, onde tem as mais belas e nobilíssimas frutas de toda a qualidade que regam e fertilizam, além de infinitas fontes, umas naturais e outras extraídas de minas, as grandes Ribeiras de que falámos, cuja água anda repartida por um homem do povo a que chamam Juiz de Agua, segundo as horas que cada um tem, no livro competente da. Câmara.
           Nestas fazendas que pelo menos têm a extensão de meia légua, e para alguns lados mais, agricultam toda a qualidade de grão, legumes e ortaliças, o que abunda a vila, à excepção de centeio e trigo, que lhe vem de fora: mas os seus agronomos não seguem senão a rutina dos antepassados, porque só costumam adubar as terras com algum gado que tem, e estrumes vegetais; ignoram porém a qualidade da mistura de argilas, marme, geso, cal etc. o que fazia produzir melhor as mesmas terras que quase todas são arenosas e as suas pedras de mármore rude, sem que até agora se lhe tenha desco­berto qualidade alguma de mineral.
      Alem das mencionadas Ribeiras tem outra a que chamam Corges, que corre meia legua distante da Vila, e fertilisa pouco por se meter no Zezere em pequena distancia.Este mesmo Rio Zezere, que passa uma legua distante da Covilhã, e tem duas grandes pontes, uma que chamam a ponte nova, outra a ponte pedrinha (24) de cuja origem falaremos quando tratarmos da serra da Estrela, nunca seca, as suas aguas são puríssimas, abunda de mimosas trutas; até ao lugar da Barroca tem pouco peixe mas deste povo até Punhete, onde entra no Tejo, há muitas e saborosas que pescam em redes e caneiros, podendo tambem abundar de saveis e lampreias se lhe não obstasse à sua subida os muitos açudes que há naquele Rio, o que tambem impede a nave­gação. As suas margens até à ponte pedrinha são pouco agricultadas. por incuria dos seus proprietários mas desde esta ponte até ao sobredito lugar da Barroca, que são oito leguas, produzem muito porque alem da cevada, o milho que ali semeiam depois, costuma dar 300 por um, e pelo menos 120 e 60 (25).
      Estas terras a que vulgarmente chamam lodeiros, para os seus cultivadores terem mão no Rio, e nas muitas natas, que ele conduz, o cercam de sal­gueiros pelos lados que costumam quasi todos os anos, para me explicar pela palavra comum, derrear, fazendo tambem aumentá-los com uns pequenos açudes de mato, pedras e salgueiros que lhes unem e metem em parte do Rio, a que chamam asnas e para que todos os lodos fiquem nas mesmas terras e lhes produzam mais, fazem uns grandes e largos paredoens, ao travez dos mesmos lodeiros, tiram agua do Rio por meio de rodas, cheias de alcatruzes de barro, para o que fazem de verão uns pequenos açudes de mato, e por este modo tiram e levam a agua por cima dos ditos paredões onde querem, só com o movimento da roda, que lhe comunica a água, e sem auxilio de braço ou animal, o que faz de verão a mais bela e encantadora vista, e duplicar a pro­dução das mesmas terras, sem duvida as melhores e mais produtivas do mundo e só comparaveis às do famoso Nilo.
      Mas esta fecundidade não é só própria dos lodeiros do Zezere, ela se pode verificar em todas as Ribeiras e rios, em que se possam aproveitar as suas natas; tais são entre nós a Meimoa, e o Barasal, que já se lhe contam muitos; o Ponsul, o Ouravil, e o Tejo, em muitos lugares, que é para lastimar se lhes tenham até agora despresado, tão preciosos e inexauriveis tesouros.
      Sobre a navegação do Zezere já eu disse, na memoria que há dois anos ofereci á Real Academia das Ciencias de Lisboa, em que tive o Accessit, que podia ser navegavel oito ou mais leguas, acima de Punhete, em barcos mais pequenos que o ordinario, desfeitos de verão os açudes, e algumas outras insignificantes dificuldades; e pode ser que esta se fosse dilatando e esten­dendo mais, e com ela a felicidade dos Povos, e do mesmo Reino, porque não há causa que tanto os felecite como são os bons caminhos, canais e rios navegaveis.


CAPÍTULO VI (e)

Do termo antigo da Covilhã e daquele que tem ao presente

O termo antigo da Covilhã era grande e pelo que tenho visto em papeis e livros antigos, na mesma Vila, constava dos lugares seguintes:


Mapa dos Lugares Antigos
Aldeia do Mato
1
Maxiais
35
Aldeia do Souto
2
Orvalho
36
Orjais
3
Janeiro de Cima
37
Teixoso
4
Janeiro de Baixo
38
Peraboa
5
Dornelas
39
Capinha
6
Boussa
40
Quintãs do Salgueiro
7
Unhais-o-Velho
41
Peroviseu
8
Cortes de Cima
42
Ferro
9
Cortes de Baixo
43
Fatela
10
Cortes do Meio
44
Alcaide
11
Aldeia Nova do Cabo
45
Alcaria
12
Souto da Casa
46
Levada
13
Cambas
47
Valverde
14
Lavacolhos
48
Chões
15
Relvas
49
Aldeia das Donas
16
Castelejo
50
Fundão
17
Ourondo
51
Pezo
18
Dominguizo
52
Pezinho
19
Alcongosta
53
Aldeia de Joane
20
Barco
54
Telhado
21
Boudobra
55
Freixial
22
Verdelhos
56
Gibraltar
23
Aldeia de Carvalho
57
Tortuzendo
24
Aldeia do Bispo
58
Vilar barroca
25
Casal da Serra
59
Paul
26
Sobral
60
Erada
27
Sameiro
61
Unhais da Serra
28
Vales
62
Bogas de Cima
29
Coutada
63
Bogas de Baixo
30
Sarzedo
64
Açor
31
Cebola
65
Buxinos
32
Silvares
66
Descuberto
33
Teixugas
67
Ladeiras
34
Caria
68

Tinha também estes que não existem:
Quinteiros, dizem ser hoje Gibraltar       69
Pombal, que se chamou aldeia de Rocim e hoje todo extinto     70
Favais               71
O Casal do Telhal e um destes se chamou Salgueiro e era à Ponte Pedrinha 72

Tinha tambem os lugares se­guintes
Anacer que hoje não existe
73
Vale de Lobo
77
Martim anes
74
Ferreira
78
Catrão
75
Comeal
79
Povoa dos Frades
76
Mata
80
     
      Estes 8 lugares deu o Senhor D. Fernando por termo a Pena­macor e por eles lhe deu os seguintes:

Alvaro
81
Oleiros
83
Pampilhosa
82
Souto da Casa
84

Falecendo o Senhor D. Fernando, estes quatro lugares não quiseram obedecer, e queixando se a Covilhã ao Senhor D. João 1º, mandou se cumprisse a carta do Senhor D. Fernando, e tendo que alegar o fizessem. Em 1423 e em 1428 se opôs a isto o Prior do Hospital porem o mesmo Senhor determinou se observasse o que tinha mandado.
Estes são os lugares que achei serem do termo da Covilhã, que por todos fazem o numero de 80 e para 360 que os mencionados autores dizem tinha esta Vila, faltam 280, dos quais não tenho achado noticia mas persuado-me ser verdadeira a sua asserção por ver que a Vila da Covilhã teve contendas com as de Castelo Branco, nos tempos antigos, sobre os termos, o que evidente se mostra da sentença que adiante transcrevemos, e se poderião incluir ficando a Covilhã com o seu termo da serra da Gardunha, que é a da Senhora da Serra, e Catrão para a parte da dita vila e as terras que tinha para a parte de Castelo Branco se lhe deviam por termo, e às mais vilas vizinhas; princi­palmente quando vejo se lhe tiraram oito lugares para o termo de Penamacor e assim seriam os mais; e ver tambem que a Covilhã teve contenda com a mesma vila de Castelo Branco sobre ser do seu termo o lugar da Cortiçada, que se mandou sujeitar à Guarda em quanto se decidia a duvida, como consta do Livro das Provisões da Camara fl 4.
Também é certo que Castelo Branco, Sobreira Formosa, Manteigas, Sarzedas, Cortiçada, Belmonte, Castelo Novo e Gouveia, estas oito vilas, eram obrigadas a irem com as suas signas debaixo da do concelho da Covilhã, quando esta ia ao serviço do Rei; de sorte que saindo a signa da Covilhã a Buarcos em serviço do dito senhor, os mandou avisar para que fossem em sua defeza e não o querendo fazer se queixou a dita Vila ao Senhor D. Pedro 1º  o qual mandou em 1358 fossem como eram obrigados pelo compromisso, quando fosse em seu serviço e defeza da Coroa. Muitas outras vilas tinham tambem obrigação de dar as suas apelações para a Covilhã. Em 1359, mandou o Senhor D. Afonso 4º a Vicente Anes, juiz de Fora de Celorico que fosse à Covilhã e mandasse vir à sua presença os Concelhos de Oleiros e Alvaro, o que fizeram por seus procuradores. Confessou o pro­curador de Alvaro que sempre apelaram para a Covilhã, e o de Oleiros que quando queriam apelar para a Covilhã que apelavam, e querendo para o Prior tambem apelavam. Mandou o dito juiz, estando em concelho no Adro de Stª Maria de Covilhã, que da parte de El-Rei apelassem para a Covilhã.
A Vila de Castelo Novo teve sentença contra, por demanda que com e1a teve o concelho da Covilhã sobre o darem as apelações para a dita Vila, e chamando-os para diante do corregedor do Paço do Concelho de Castelo Novo, e fazendo-lhe preguntas disseram que queriam vir com embargos a isso; mas aparecendo o Procurador da Covilhã e mostrando a sentença que contra eles tinham disseram que não queriam usar dos embargos, nem ir contra a sentença (26) mas sim observá-la; sentenciou o Corregedor e condenou o dito concelho de Castelo Novo em 24 soldos e 9 dinheiros, cuja sentença foi dada em Covilhã a 12 de Abril de 1393.
A vila de Belmonte pediu ao Senhor D. João 1º, mestre de Aviz, que a isentasse de darem apelações para Covilhã, o que se lhe concedeu em 1423, como consta do cartorio da Camara de Belmonte.
As multiplicadas promessas que o Senhor Infante D. Luis e muitos outros senhores Reis de Portugal tinham feito à Covilhã, de não ser vila o Fundão, tinham persuadido o concelho da mesma Vila que nunca o seria; mas em 1747 alcançou esta graça do Senhor D. João V, ficando com maior termo que a Covilhã, pois constando este de 67 lugares, ficou esta vila só com os seguintes e o Fundão com os mais.

Mapa dos lugares do presente termo:

Tortuzendo - 1; Cortes de Cima - 2; Cortes do meio - 3; Cortes de Baixo - 4; Bouça - 5; Unhais da Serra - 6; Coutada - 7; Dominguiso - 8; Erada-9; Barco-l0; Paul - 11; Pezo-12; Pezinho-13; Ourondo-14; Unhais o Velho-15; Cebola-16; Cazegas-17; Sobral de Cazegas-18; Boudobra - 19; Ferro - 20; Peraboa - 21 ; Teixoso - 22; Aldeia de Carva­lho-23; Sarzedo-24; Gibraltar-25; Orjais-26; Aldeia de Mato-27; Aldeia do Souto - 28: Verdelhos - 29; Sameiro - 30; Caria – 31.

Notas:
23) Consta da provisão que se acha no arquivo da Camara da dita vila, mandada passar em Moura pelo Infante D. Luis, em 9 de Outubro de 1536, passarem os prezos do Castelo donde estavam para a Cadeia nova; e esta provisão se passou a requerimento de D. Diogo de Castro, alcaide-mór da sobredita vila, cuja lacaidaria se conserva ainda hoje na Casa do Bisconde de Barbacena, seu descendente; e por isso a cadeia parece ser outra, porque a que hoje existe, se lhe abriram os alicerces, assim como para a casa da Camara, e torre do relógio, em 1613, por provisão de D. Filipe 2º.
(24) Para a factura desta grande ponte até os eclesiástlcos foram colectados para o que foram obrigados por Diploma Regio, que veio dirigido ao Bispo da Guarda, pelo requerimento que para este fim fizeram os moradores da Covilhã, e a Camara da mesma Vila, como consta do seu cartorio.
(25) É tão constante e publica esta verdade que não admite duvida ou contestação. O Desembargador Conselheiro José António de Sá na sua Descricão Economica da Torre de Moncorvo, enserida no terceiro tomo das Memorias Económicas da Real Academia das Ciencias de Lisboa, cap. 10, pag. 225, tratando do Campo da Vilariça e suas produções diz: que o alqueire de semeadura naquele sitio produz 300, e por isso se vê já verificada a nossa asserção e no grau da ultima evidencia ser o milho o melhor grão e o mais produtivo que se conhece, não por se semear pouco e produzir muito, o que se não verifica com os mais grãos cereais mas por se fazer dele o mais alimentante, saboroso e belo pão, ainda sem outra mistura. Por ser o que nutre uma maior parte do mundo, porque em quasi toda a America, as Indias Orientais, e uma boa parte da Turquia, é o seu comum sustento preferindo-o ainda ao trigo, os medicos mais ex­perimentados. Por ser um nobilíssimo sustento para todo o animal assim como a sua palha verde ou seca. Por estar pouco tempo na terra, e lhe ser propria a maior parte dela, logo que se escolha o tempo oportuno para a sua semen­teira. Por se crear e recolher no tempo de verão e por isso menos exposto aos destrutivos rigores do Inverno é menos penosa a sua colheita. Por ser, enfim, um recurso seguro contra as fomes, em tempos calamitosos como acabamos de experimentar, no pronto auxilio que nos prodigalisou na passada e destrutiva guerra; porque não está sujeito a tantos accidentes como o trigo a quem os naturalistas contam cem achaques; é portanto sem hesitação o mais util ao pro­prietário, ao lavrador, ao publico e ao Estado. Eis, em breves palavras, seguindo o que eu penso, tudo quanto se pode responder, ao problema do programa da Real Academia das Ciencias de Lisboa, do presente ano, sobre o milho grosso.
(26) Esta sentença a vi, estando fora do cartório da Covllhã, pela não saberem ler.
(*) Dispensamo-nos de publicar aqui a versão latina da sentença, já pu­bllcada por Herculano, no último tomo da História de Portugal, e depois, com variantes, por Alfredo Pimenta, no 2º vol. dos Subsidios para a História da Beira Baixa.
(Continua)

Notas dos editores - a) Revista que era propriedade da FNIL - Federação Nacional dos Industriais de Lanifícios.
b) Publicação neste blogue em 29 de Maio de 2011.
c)Texto da autoria de Luiz Fernando Carvalho Dias.
d)Texto de António Mendes Alçada de Morais.

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